sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

BEATLES FOR SALE - 2014 - IMPERDÍVEL!


A belíssima foto que ilustra capa do álbum “Beatles for Sale” já entrega: os Beatles estavam cansados. Dos shows incessantes, do circo de celebridades e da Beatlemania, que logo atingiria picos inimagináveis. Eles foram fotografados muito sérios, quase tristes, em um cenário de outono no Hyde Park, em Londres, por Robert Freeman, que já tinha feito as capas de “With The Beatles” e “A Hard Day’s Night”.

McCartney relembra: "Essa sessão de fotos foi bastante agradável. As fotos de Robert Freeman ficaram ótimas e foi fácil para todos. Fizemos uma uma sessão com duração de duas horas e teve bastante material para utilizar. Bastava o fotógrafo dizer “prontos?” Todos nós todos usavámos o mesmo tipo de roupas o tempo todo. Pretas, com camisas brancas e grandes lenços pretos".

O álbum também apresenta uma capa dupla, desdobrável, quando abre, mais duas fotos para puro deleite dos fãs, uma dos Beatles ao vivo, quebrando o cacete sabe-se lá onde e outra dos rapazes em pé, em frente a uma colagem de fotos e mais um belíssimo texto escrito por Derek Taylor, além dos nomes das músicas e quem cantava o quê. Essa ideia da colagem seria o pontapé inicial do que Peter Blake faria mais tarde na capa do Sgt. Pepper’s.

Com a pressão de ter que entregar o disco antes do Natal, fizeram o que melhor encontraram. As gravações foram em Abbey Road, e duraram de agosto a outubro de 1964. BEATLES FOR SALE, o mais novo álbum dos Beatles, foi lançado em 14 de dezembro.

Com pouco tempo para escrever novas canções, eles tiveram que apelar para a velha fórmula de covers. Em vez de canções de grupos de garotas ou clássicos da Motown, eles resgataram criações dos antigos pioneiros do rock, os lendários nomes que os contagiaram nos anos 50 e cujas canções incendiavam as noitadas de Liverpool e Hamburgo. O grande Carl Perkins sempre foi idolatrado por George Harrison e aparece no “BEATLES FOR SALE” em duas covers: Honey Don’t (com Ringo) e Everybody’s Trying To Be My Baby (com George comandando). Buddy Holly também foi outra influência marcante na sonoridade dos Beatles e ganha um tributo com Words Of Love, cantada por John e Paul. Chuck Berry é homenageado em Rock and Roll Music, cujo vocal apaixonado de Lennon redefiniu a canção. Paul resgatou a junção de Kansas City (Jerry Lieber e Mike Stoller) com Hey, Hey, Hey, Hey (Litlle Richard), que ele cantava no Cavern. Talvez, a pior escolha para o disco foi Mr. Moonlight, de Dr. Feelgood and the Interns. Uma música estranha que eles costumavam tocar no início da carreira.

John Lennon continuava a abrir o coração e compôs suas músicas mais intimistas até então. I’m a Loser é um folk rock com letra defensiva, mas reveladora. O mesmo aconteceu com I Don’t Want to Spoil the Party, onde o magoado John não queria ser o chato da festa. Levando-se em consideração que 'I´ll Follow The Sun' já havia sido escrita anos antes, 'What You´re Doing' torna-se a única contribuição de Paul para este disco. Realmente 1964 foi o ano de John Lennon, e, assim como em 'A Hard Day´s Night', Paul pouco produziu neste ano como compositor, porém, fez coisas brilhantes como 'And I love Her' e 'Can´t Buy Me Love'. Paul canta e George usa mais uma vez sua Rickenbaker de 12 cordas. Every Little Thing, de Lennon, novamente seria regravada pelo grupo de rock progressivo YES, no seu primeiro álbum de 69. No Reply, também de John, tinha potencial para ser um single de sucesso, mas os Beatles deixaram a música para alavancar o LP. O grande hit de BEATLES FOR SALE foi Eight Days a Week, basicamente outra criação de John. Sua efervescência passava a falsa impressão de que John andava feliz da vida, mas a situação não era bem essa. Espero que tenham gostado. O melhor vem agora!

3 comentários:

João Carlos disse...

Não concordo com os que acham esse disco o mais fraco. Sequer o menos forte. É um discaço. Especial, diferente, singular! Bom pra c...

Edu disse...

Tô nessa!

Marcelennon disse...

Também já ouvi que este é o "mais fraco"... Onde? Nem em um triste universo paralelo... kkkkk. Este é um dos 15 melhores discos dos Beatles (incluindo os "Past Masters"). Disco fraco? Isto não é com os Beatles.
Abração!