quarta-feira, 10 de junho de 2015

CHICO BUARQUE - DEUS LHE PAGUE - By MARCELENNON


Essa semana (ou semana passada), nosso amigo Marcelennon em um de seus comentários pediu que fizesse uma postagem sobre Chico Buarque de Hollanda. Disse para que ele mesmo fizesse e que se ficasse legal, publicaria na hora. E não é que ficou? Pois bem, cumprindo a promessa, o Baú do Edu tem a honra de receber pela 1ª vez, um dos maiores ícones (talvez o maior) da música feita na Terra Brasilis. Senhoras e senhores: com vocês o grande Chico Buarque de Hollanda - Por Marcelennon.

No começo da década de 70, recrudescia a ditadura militar em terras tupiniquins e o que era para ser um filme de drama acabou assumindo ares de filme de terror para aqueles que não se contentavam em ver sua liberdade cerceada. Enquanto o mundo civilizado fervilhava com o rock e sua filosofia de “Paz e Amor”, no Brasil, a paz e o amor eram algo bem distante para aqueles que ousassem pensar por si mesmos, principalmente se seus pensamentos fossem contrários aos daqueles que estavam no poder.

Mesmo com o governo jogando contra, no Brasil fervilhavam músicos que agitavam a cena, seja no Rock (a turma da Jovem Guarda, Os Mutantes, Raul Seixas), ou na MPB (Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros) e via florescer uma geração que até hoje ainda não conseguimos mais igualar em qualidade e profundidade.

Neste ambiente, um jovem chamado Chico Buarque, que já havia lançado outros quatro discos, arregaçou as mangas e tratou de tourear a ditadura com canções cobertas de raiva, lirismo e até mesmo pena...pena de um Brasil que desejávamos mas ainda estávamos tão longe de alcançar. Inúmeras canções deste artista maior da MPB foram feitas como recados diretos (ou naõ tão diretos assim...) aos donos do poder de então. Quem não se lembra de “Apesar de Você” (“Hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem discussão...você vai pagar e é dobrado, cada lágrima rolada neste meu penar...”), ou de “Agora Falando Sério” (“Agora falando sério, preferia não falar, nada que distraísse o sono difícil, como acalanto...”), ou ainda “Cálice” (“Pai, afasta de mim este cálice, de vinho tinto de sangue...”).

Em meio a tudo isso, em 1971, Chico Buarque lança aquele que seria um dos maiores discos da MPB (para muitos, eu inclusive, o maior!): CONSTRUÇÃO. Tudo neste disco era perfeito, da canção de abertura “Deus lhe Pague” (“Por este pão pra comer, por este chão pra dormir, a certidão pra nascer e a concessão pra sorrir, por me deixar respirar, por me deixar existir, Deus lhe pague...), uma canção irônica, triste, com a alma de rock e a contestação nos versos, passando por “Cotidiano” (“Todo dia ela faz tudo sempre igual...”), por “Construção” (a dos versos que terminam em proparoxítonas e que faz uma crítica velada à situação do trabalhador brasileiro), até “Acalanto” (“Dorme minha pequena, não vale a pena despertar...”), sem contar todas as outras faixas (“Desalento”, “Cordão”, “Olha Maria”, “Samba de Orly”, “Valsinha” e “Minha História”). O disco é fabuloso, retrato de um momento da história do Brasil.

Se o Brasil não pôde ter os Beatles cantando por aqui, tivemos um compositor que costumo comparar, em genialidade, à John Lennon. Genialidade de colocar a alma nas letras de suas canções em versos inesquecíveis e pungentes. Chico Buarque só cometeu um equívoco em sua carreira: não foi roqueiro. Mas o rock esteve presente em algumas de suas canções, senão nas melodias, pelo menos na contestação geral. E até mesmo nas melodias... Duvida? Vá ouvir “Cara a Cara”, “Agora Falando Sério”, “Deus Lhe Pague”, “Jorge Maravilha”, “Cálice”, “Baioque”, “O Que Será (À Flor da Terra)”, “Hino de Duran”, “O Velho Francisco”. Para aqueles que quiserem entender a magia deste gênio, sugiro que vejam os vídeos abaixo, disponibilizados no you-tube, começando com “Deus lhe Pague”, pra mim, e para muitos, sua melhor canção, faixa de abertura de sua obra-prima: o álbum Construção. Um abraço Beatlemaníaco a todos! Marcelennon / junho/2015.

10 comentários:

Edu disse...

É isso aí, Marcelennon. Promessa cumprida! Ficou bacana. Só não concordei quando você diz que ele, Chico Buarque, só cometeu um equívoco: não foi roqueiro. Ora, quer atitude mais rocker do que essa? Continue participando e sem esquecer dos comentários. Obrigadão e aquele abraço! E vocês, façam como o Marcelennon, participem! Quem não se comunica, se trumbica e morre só!

Marcelennon disse...

Edú, muito, muito obrigado por toda a gentileza.
Realmente... atitude rocker! O Chico é roqueiro na atitude!!!!
Agora tenho um dos compositores que mais admiro no blog que mais gosto e acesso.
Abração Beatlemaníaco!

Marcelennon disse...

Ahhh... E, por gentileza, deixe-me completar uma informação do post, sobre meus discos favoritos na MPB: tenho outros 3, que, para mim, se igualam no quesito "Me Fazem Emocionar" ao "Construção" de Chico Buarque: "Krig Há Bandolo" do nosso Raulzito, "Fruto Proibido" da eterna Rita Lee e o disco de estreia do 14 Bis (VIVA MINAS GERAIS!!!!!), intitulado apenas "14 Bis", o disco mais Beatles que os Beatles não gravaram...
Abração Beatlemaníaco!

João Carlos disse...

Difícil escrever sobre Chico de forma concisa como conseguiu brilhantemente o Marcelennon. Excelente descrição da face contestadora do compositor.

Edu disse...

O Mestre Raul, vez por outra dá suas caras por aqui. O 14 Bis também já esteve aqui. Agora, a Rita Lee só quando ela morrer! E vai ser só uma notinha!

Valdir Junior disse...

Boa Marcelennon, bom texto. Eu não gosto do Chico, mas seu texto esta bom. Parabens.

Anônimo disse...

Valeu galera, pelo apoio!
Abração Beatlemaníaco!
Marcelennon

Anônimo disse...

O que os Beatles representam para a música mundial, o Chico representa para a música brasileira. É o melhor!

Edu disse...

Esse último só foi publicado porque sei bem quem é foi esse antônimo. Mas não faça de novo, garoto mau! Não vai aparecer!!!

Edu disse...

Aliás, não sei porque se omitiu... sei! Mas deixa pra lá!