terça-feira, 19 de julho de 2016

BOB DYLAN - FALLEN ANGELS - Por VALDIR JUNIOR

“Fallen Angels” é o trigésimo sétimo álbum de estúdio de Bob Dylan, lançado pela Columbia Records em 20 de maio de 2016. O álbum conta com covers de doze canções clássicas americanas escolhidas por Dylan a partir de um conjunto diversificado de escritores como Johnny MercerHarold ArlenSammy Cahn e Carolyn Leigh. Muito parecido com seu antecessor “Shadows in the Night”, todas as músicas do álbum, com exceção de "Skylark", foram gravadas por Frank Sinatra. Aqui, a gente confere o que disse nosso amigo Valdir Junior disse na sua coluna no site Galeria Musical sobre o novo álbum do velho bardo.
Até aqui, você pode dizer, não há nada de novo deste álbum para o anterior, é apenas o “Velho Dylan”, sendo nostálgico e querendo faturar mais alguns trocados com um álbum de standarts da música americana, adianto que isso é um grande engano. Dylan com “Fallen Angels” se supera em um álbum com muito mais qualidade do que o anterior, usando de sua experiência e vivência para acertar em cheio e entregar um dos melhores discos de sua carreira. Em “Fallen Angels”, Dylan escolhe um repertório que ele, mais do que nunca, toma para si e entrega interpretações cheias de uma verdade que nos envolve e nos conduzem numa jornada pelas fatos simples e importantes da vida, presente nas letras das canções, ora nos confortando, ora nos cutucando, mas sempre nos deixando cientes que estamos vivos e já passamos e ainda vamos passar por bons e maus momentos na vida. Os arranjos e todo o processo de gravação e produção se destacam com um bom gosto e qualidade técnica impressionante. Os músicos são uma unidade coesa em todas as canções, eles são capazes de transitar com desembaraço por momentos de extrema precisão e outros em que se deixam levar em breves jams. O som do álbum como um todo é de uma pureza incrível, conseguimos ouvir com exatidão todos os instrumentos e voz de Dylan, como se estivéssemos ali, ao lado deles. “Fallen Angels” é um bálsamo para os ouvidos e para a alma, muito disso se deve, pasmem, ao vocal de Dylan. Conhecido por sua voz anasalada e estridente, Dylan sempre esteve longe de ser considerado um cantor, no sentido propriamente dito da palavra, mas o seu vocal em todas as doze faixas de “Fallen Angels” pode ser considerado o melhor de toda a sua carreira, aqui Dylan canta numa voz doce, suave e serena, num estilo bem cool jazz. Destaco as faixas: “All the Way”, “It Had to Be You”, “That Old Black Magic”, “Melancholy Mood”, “Maybe You’ll Be There” e “Come Rain or Come Shine”, como exemplos da qualidade vocal de Dylan no álbum. Ao escutar “Fallen Angels”, dois sentimentos nos tomam, o primeiro é um misto de gratidão e felicidade por termos passados os últimos trinta e sete minutos, ouvindo algo bom e que nos faz bem, o outro é a curiosidade em saber o que Dylan nos reserva para o futuro, pergunta essa que já tínhamos quando do lançamento de “Shadows In The Night” e fazíamos um link direto ao momento semelhante na carreira de Dylan, onde ele, após gravar dois excelentes álbuns de covers, “Good as I Been to You” de 1992 e “World Gone Wrong”de 1993, deu início há uma nova fase de sua carreira com o lançamento do excepcional “Time Out Of Mind” de 1997. Bem, por hora, só nos resta esperar, enquanto isso desfrute o quanto puder de “Fallen Angels”. Valdir Junior - galeriamusical.com.br

8 comentários:

Edu disse...

Eu sou suspeito para falar. Adorei o disco inteiro, assim como o anterior e o anterior. Sou fã incondicional de Dylan e já lí críticas bem mais duras que essa. Acho que Dylan pode fazer o que quiser, na hora que quiser. Valeu, Val!

Edu disse...

Ah, uma curiosidade: a foto original da capa é de 1928.

João Carlos disse...

Como sempre Valdir vai direto ao que importa. Primeira!

Marcelennon disse...

Como o Edu, sou suspeito para falar de Dylan. Sempre fui fã, principalmente de sua discografia nos anos 60. O seu segundo álbum "Freewheelin' Bob Dylan" (o que contém os clássicos "A Hard Rain's a-Gonna Fall" (sua melhor canção, para mim!), "Don't Think Twice, it's All Right", "Girl From the North Country", "Masters of War" e "Blowin in the Wind" ainda é um dos dez discos que eu levaria para uma ilha deserta. Dylan, nesta altura de sua vida, pode fazer os discos que quiser, mas, com certeza, sem o vigor de seus anos gloriosos... É um dos últimos gigantes que ainda estão por aí... LENDAAAAA....

Valdir Junior disse...

Eita, valeu Edu. Obrigado por publicar no "Baú" essa resenha.

Edu disse...

Ainda tamo aqui, velhinho!

Edu disse...

Ainda tamo aqui, velhinho!

José Roberto Sauaia disse...

Realmente Dylan é e sempre será um ícone, o maior artista norte-americano da música. Esse cara simplesmente faz o que quer, e não tá preocupado em agradar ninguém. Por isso é tão original até mesmo quando interpreta canções que não são de sua autoria. Dylan forever!