domingo, 8 de janeiro de 2017

THE BEATLES - BECAUSE - BELÍSSIMA

"Because" foi composta por John Lennon, e lançada no álbum Abbey Road de 1969. A gravação ocorreu no dia 1 de agosto de 1969, e foi concluída em 5 de agosto. John Lennon, certo dia, estava ouvindo Yoko Ono, que havia estudado piano clássico na juventude, tocar a sonata para piano n° 14, opus 27, de Beethoven, conhecida como "Sonata ao Luar". Ao ouvi-la, ele teve uma idéia: pediu para Yoko tocar os acordes invertidos, do fim para o começo. John inspirou-se na harmona resultante e compôs "Because". Na música, John Lennon, Paul McCartney e George Harrison cantam em coro harmônico, tal como fizeram em Yes It Is e This Boy. Para o resultado final, as vozes foram três vezes sobrepostas (overdub), criando um efeito de nove vozes. John Lennon canta e toca guitarra. George Harrison canta e toca sintetizador moog, Paul McCartney canta e toca baixo. Ringo Starr estava presente durante as gravações, mas a sua participação, que se limitou a fazer a marcação do andamento, não foi registrada. George Martin participou tocando um modelo de espineta (espécie de cravo). Chega a ser engraçado como os textos doss livros sobre letras dos Beatles - de Steve Turner e Hunter Davies são praticamente idênticos. Aqui, a gente confere os dois:
John estava relaxando no sofá de sua casa enquanto Yoko tocava no piano de cauda o primeiro movimento da Sonata para piano nº 14 em dó sustenido menor (“Sonata ao Luar), de Beethoven. John perguntou se ela podia tocar os mesmos acordes em ordem inversa. Ela o fez, e isso serviu de inspiração para “Because”. A semelhança entre a abertura da “Sonata ao Luar” e “Because” é impressionante, mas um ouvido mais treinado percebe que se trata de uma cópia direta, não da inversão das notas como John sugeriu. O musicólogo Wilfrid Mellers, autor de Twilight Of The Gods:The Music of the Beatles, qualifica como “inconfundível” a semelhança das mudanças harmônicas nos temas de Lennon e Beethoven. A ideia de um Beatle tomar algo emprestado de Beethoven era leve­mente irônica porque o senso comum da época dizia que o rock’n’roll era a antítese da música clássica e que ninguém poderia apreciar os dois gêneros genuinamente. É provável que o fato de os Beatles terem gravado "Roll Over Beethoven”, de Chuck Berry, um conselho irreve­rente para que os compositores clássicos abrissem caminho para o rock’n’roll, também não tenha ajudado. Uma das primeiras perguntas que sempre faziam aos Beades nos EUA era “o que vocês acham de Beethoven?”. A resposta vinha de Ringo: “Eu adoro. Especialmente os poemas”. Mas foi John, em espe­cial, que passou a considerar Beethoven o compositor supremo, com quem tinha afinidade. Em 1969, ele não estava mais tentando se equi­parar a Elvts ou aos Rolling Stones, mas a Picasso, Van Gogh, Dylan Thomas e Beethoven.
Yoko dedilhava ao piano a “Sonata ao luar” de Beethoven (ela estudara piano quando menina, pois seu pai tinha esperança de que se tornasse concertista). John estava largado no sofá como sempre, talvez com alguns remédios para ajudá-lo a relaxar. Ele perguntou se ela poderia tocar alguns dos acordes na ordem inversa - e esses sons o inspiraram a compor “Because”. A relação com Beethoven foi bem captada por Wilfrid Mellers: “A afinidade entre as tríades menores sustenidas arpejadas, com a mudança súbita para a supertônica bemol, é, nos exemplos de Lennon e de Bcethoven, inconfundível”. Nos primeiros tempos, musicólogos acadêmicos como Mellers tendiam a comparar as composições dos Beatles às obras de Schubert, por isso a referência a Beethoven foi interessante. Uma das faixas favoritas deles no Cavem era “Roll over Beethoven”. Quando lhes perguntavam o que achavam de Beethoven, Ringo dizia que gostava muito de suas obras, “em especial os poemas”. A letra, mais uma vez, é escassa, só doze versos, mas bastante poéticos, combinando ritmos de Wordsworth com a linguagem moderna: “Because the world is round, it turns me on. Because the wind is high, it blows my mind. Because the sky is blue, it makes me cry* [Como o mundo gira, me deixa ligado. Como o vento é forte, me deixa deslumbrado. Como o céu é azul/triste, me faz chorar]. Foi fácil resolver logo a letra, como em 1962, já que havia um “blue” no fim. Paul e George disseram que era sua faixa preferida do disco. John foi mais prático: “A letra fala por si mesma; é clara, sem bobagens, imagens ou referências obscuras”.
No CD Anthology 3 lançado em 1996, a música é apresentada só com as vozes, sem nenhum instrumento. O mesmo se dá na abertura do CD Love, lançado em 2006.

4 comentários:

Marcelennon disse...

Uma das canções mais lindas desde sempre... Ahhh... Mesmo em fase de dissolução, os Beatles ainda eram únicos em cantar em harmonia... Só existe duas outras bandas que chegaram próximo aos Fab Four, em termos de cantar em harmonia: os Beach Boys e os Bee Gees. Canção maravilhosa... Inesquecível e maravilhosa!

João Carlos disse...

Um momento épico. Algo simplesmente único.

Valdir Junior disse...

Uma das harmonias vocais mais linda desse mundo. São simples, mas ao mesmo tempo, intricadas demais. A s vozes do John, Paul & George são como os deuses cantadando. Coisa de gênios.

Valquiria Ribeiro disse...

Vocal impressionante.