O Diabo na Carne de Keith RichardsPor Jo Champa
O ícone absoluto do rock'n'roll resgata seus ídolos, faz questão de esquecer os excessos do passado e se confessa um puritano e amoroso pai de família
Um sujeito endemoniado, de virtuose quase mágica, talvez até imortal. De que outra forma se poderia explicar sua sobrevivência aos excessos da vida na estrada, shows e hotéis? São incontáveis as histórias das vezes em que "perdeu a cabeça" - essa é a expressão que ele gosta de usar -, o que só enriquece o folclore em torno do guitarrista dos Rolling Stones. A sua jornada é uma que "não se consegue colocar em palavras", como sugere a recente campanha da Louis Vuitton, que tem Keith como protagonista. Uma jornada que o levou ao "fim do mundo" da série Piratas do Caribe, na qual interpreta o pai de Johnny Depp/Jack Sparrow. Mas, para contar a história de forma absolutamente verdadeira, só há uma maneira: dê uma guitarra na mão dele que ele irá tirar o som que o transformou em lenda.
Você é um ícone do rock'n'roll.Ícone com "c" ou com "k", como uma daquelas pequenas pinturas russas com um santo? Porque santo certamente não sou, você sabe bem.
Com "c", como uma pessoa de talento e estilo lendários. Você tem um ícone, alguém que tenha representado para você uma importante fonte de inspiração artística?
A resposta pura e simples é não... e sim. Sou uma mistura de muitas influências, um prato com diversos ingredientes. Eu poderia citar Bach. Poderia citar Beethoven. Poderia citar Chuck Berry.
Há alguma coisa que junte todos? Afinal, Chuck Berry escreveu "Roll Over Beethoven".


















































