segunda-feira, 11 de maio de 2015

WINGS OVER AMERICA - WINGS OVER ME!

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O álbum triplo WINGS OVER AMERICA resume com absoluta competência todo o espírito e toda a grandiosidade que foi a mega turnê de Paul McCartney e Wings em 75 e 76. Esse disco é considerado até hoje um dos melhores álbuns ao vivo já lançados em toda a história do rock e transformou a banda em um dos mais importantes nomes do rock dos anos 70 ao lado dos também britânicos Pink Floyd e Led Zeppelin.

O ano de 1975 começaria promissor para Paul Mccartney e sua trupe, com o sucesso indiscutível de vendas do excelente álbum VENUS & MARS. Apresentando uma formação diferente das outras turnês, com a presença de Jimmy McCulloch (guitarra) e um gigante de quase 2 metros, Joe English (bateria) - Paul lideraria o Wings para uma excursão mundial iniciada na Inglaterra, que serviria como aquecimento para os shows agendados na Austrália e depois voltaria para a Europa fazendo shows na Dinamarca, Alemanha, Holanda e França. Depois, varreria os Estados Unidos de costa à costa.

Paul Mccartney e seus Wings chegaram nos Estados Unidos em maio de 76. Os shows de maior repercursão aconteceram em Los Angeles nos três últimos espetáculos da segunda “Invasão Britânica” nas terras do Tio Sam. O primeiro show no Fórum contou com a presença do ilustre Ringo Starr na platéia, visitando Paul nos bastidores após o evento. Isso tudo está no fime “ROCKSHOW”. Ao cantar Let’Em In, McCartney mudaria a letra para “Brother Richie” ao invés de “Brother John”. Homenagem clara ao ex-parceiro.

A maioria do repertório era composto dos últimos 3 álbuns de estúdio, mais alguns clássicos dos Beatles, e com Denny trazendo à tona uma do tempo que tocou com seu grupo 'The Moody Blues', 'Go Now', e uma versão para 'Richard Cory', da dupla 'Simon & Garfunkel'. Ao todo foram 31 shows por 26 cidades. A banda: Paul McCartney (contrabaixo, violão, piano e teclados), Linda McCartney (teclados e percursão) Denny Laine (contrabaixo, guitarra, violão e percursão) Jimmy McCulloch (guitatta e violão) e Joe Enghish (bateria). A banda tinha ainda como músicos adcionais: Howie Casey (saxofone), Steve Howard (trombone), Thaddeus Richard (clarineta) e Tony Dorsey (trompete).

Esse texto que a gente confere a seguir, em itálico e vermelho, é do sensacional livro "Paul McCartney - Uma Vida" de Peter Ames Carlin.

Quando as luzes baixaram, o rugido pareceu estremecer o teto de concreto do Kingdome. A música começou devagarinho, uma guitarra acústica sendo dedilhada, um baixo, um sintetizador tocando uma melodia simples, persistente. Em seguida, uma voz. Sitting in the stands of the sports arena, waiting for the show to begin (...), e não qualquer voz, mas aquela sonoridade sincera e pueril. Tão familiar, e mesmo assim tão arredia; todos o conheciam, mas fazia tanto tempo que ele se apresentara nos Estados Unidos que quase nenhuma das pessoas presentes ao estádio o tinha realmente visto em carne e osso. A seguir, um único refletor acendeu sobre o palco e lá estava ele, uma figura semiencoberta pela névoa. A luz era turva, seu rosto era apenas uma nódoa nas telas de projeção. Ainda assim, era possível enxergá-lo - o cabelo escuro, os olhos de animalzinho de estimação, as bochechas firmes - e aquele súbito reconhecimento provocou outro rugido capaz de sacudir o teto do estádio. 
O verso de "Venus and Mars" deu margem a uma breve passagem instrumental, um padrão de acordes circular que tomava os instrumentos conforme convergia para um pequeno refrão da guitarra elétrica, que sibilava em direção ao momento em que tudo explodia de uma só vez. Os tambores retumbaram, o baixo espocou, as guitarras rosnaram. Em seguida, soaram os primeiros sinais de "Rock Show" e aquela mesma voz no ápice de sua força, prometendo todos os tipos de loucura que estavam por vir. If there's a rock show, ele gritou. We'll be there - oh yeahhhh! O palco foi totalmente iluminado, era possível ver todos os membros da banda, cinco estrelas do rock cobertas de brilho. No entanto, a figura icônica no centro do palco atraía todos os olhares. 
Mais de setenta mil pares de olhos arregalados, radiosos, brilhando ao ver Paul McCartney. É bom lembrar que se trata de uma banda e que ela tem um nome: Wings. Aquela mensagem fora pensada para toda a turnê nos Estados Unidos, e para as apresentações na Inglaterra e na Austrália que a precederam. O nome de Paul não apareceu em nenhum lugar dos ingressos, e em nenhum dos anúncios. Wings Over the World ou Wings Over America foi tudo o que se disse. E, na época em que alcançaram aquela etapa de clímax da turnê norte-americana, com o novo disco Wings at the Speed of Sound sendo seu terceiro álbum colocado em primeiro lugar na lista, era tudo que as pessoas precisavam saber. Ou ouvir, para todos os efeitos. Assim, após a abertura explosiva com "Venus and Mars/Rock Show", a banda prosseguiu com "Jet" , e depois com "Let Me Roll It", de Band on the Run, mantendo toda a arena de pé. Um par de novas canções, "Spirits of Ancient Egypt" e o sucesso de Jimmy McCulloch, "Medicine Jar", serviu para acalmar um pouco os ânimos, até que Paul se dirigisse ao piano para tocar "Maybe I'm Amazed" e tudo se incen¬diasse outra vez. Canção a canção, sucesso a sucesso. Ele toca baixo, piano, guitarra acústica. O espetacular tema de James Bond "Live and Let Die", a dolorosamente romântica "My Love", a veranista "Listen to What the Man Said". Canções intermináveis, todas fazem sucesso. A seguir, veio a mais recente primeira colocada nos rankings, "Silly Love Songs", e a que tinha acabado de ser lançada e já se encaminhava para o topo, "Let 'Em In". Por fim, "Band on the Run", uma repetição acelerada de "Hi, Hi, Hi" e, num gesto ousado, a inédita "Soily" para encerrar o espetáculo. Um extraordinário show de rock, sob qualquer ponto de vista. Mesmo assim, não foi sobre isso que as pessoas ficaram falando depois."Ele tocou 'Yesterday'!" E não apenas isso, como também "The Long and Winding Road", "Lady Madonna", "I've Just Seen a Face" e "Blackbird". Cinco canções dos Beatles, tocadas com alguma hesitação, talvez, mas ainda assim visões do nirvana do rock 'n' roll apresentadas por um dos ídolos do rock mais adorados, ali mesmo, naquele momento. Quando Paul se sentou sozinho com sua guitarra acústica e cantou a linha de abertura de "Yesterday", a imensa multidão ficou inteiramente em silêncio. Apenas uma voz, uma guitarra e quase setenta mil pessoas aprisionadas por cada uma das notas. O show de Seattle, o maior de toda a turnê dos Wings, em 1976, aconteceu no dia 10 de junho, apenas alguns dias antes do espetáculo final em Los Angeles. Cada aspecto da turnê, do laseir às bolas de espelho e à agenda que permitiu aos McCartney evitar as hotéis e alugar casas nas cidades centrais, foi planejado nos mínimos detalhes. As crianças McCartney estavam lá, é claro, e ficaram sob os cuidados de Rose, a babá. Mas não era preciso muito esforço para enxergar a fumaça de maconha, as garrafas de uísque e os baldes transbordantes de cerveja, e talvez até uma carreira das mais finas, proveniente da Bolívia. Para Paul, como sempre, um pouco de excesso do rock 'n' roll era sempre bem-vindo, desde que não comprometesse o espetáculo. "Era preciso estar suficientemente sóbrio para tocar", diz Howie Casey, o veterano de Liverpool que Paul tinha contratado para conduzir os quatro homens dos metais. "Foi uma época maravilhosa. Tudo sob controle, nenhuma preocupação. A sensação era boa o tempo inteiro. Tudo relaxado, sem tensão ou estresse, mas dentro dos limites." Talvez McCulloch não reconhecesse os próprios limites. Ele era muito jovem, tinha 23 anos, um pequeno homem determinado a fazer tudo maior, mais rápido e mais louco do que jamais havia sido feito antes. "Ele era um cara legal", continua Casey. "Um roqueiro sem disfarces. Eu gostava muito dele. Mas o uísque nem sempre concorda com as pessoas e, quando ele bebia, se transformava." Certa noite, Jimmy se retirou depois de "Band on the Run" e disse que já tinha sido o bastante e que não voltaria para o bis. Paul correu atrás de McCulloch, agarrou-o pelo colarinho e o jogou contra a parede do camarim. Vá para a porra do palco, seu filho da puta!, ele rosnou. "E ele foi", Paul relembra alegremente. "E tocou muito bem!"

Nessa época, Linda não precisava ser persuadida a subir no palco e, quando lá estava, postava-se alegremente atrás dos teclados que parecia dominar com facilidade. A voz dela era uma facetia familiar da combinação vocal dos Wings, tendo feito também a voz principal no novo disco, cantando "Cook of the House" a plenos pulmões, de forma quase confiante. Se alguém não gostasse da sua apresentação ou dela mesma recebia uma resposta precisa: "Foda-se!" Em sua opinião, críticos musicais eram como professores de escola, e nós não deixamos todos os seus faça-isso, faça-aquilo pendurados na sala de aula? "É como ter os pais na sua cola", ela disse a Fong-Torres, da revista Rolling Stone. "Esta banda é ótima, e nós nos divertimos bastante. E isso é tudo que importa."

Denny Laine estava no auge, com quatro sucessos notáveis que incluíam seu velho êxito da época dos Moody Blues, "Go Now", e uma participação incandescente no último disco, "Time to Hide", colocada entre os números finais do espetáculo, destinados a incendiar a plateia. "Naquela época, nós estávamos muito firmes, e tínhamos uma recepção fantástica onde quer que chegássemos", afirma Laine. "Não poupávamos esforços, e fazíamos inúmeras experimentações. Os monitores do palco foram desligados, o que era revolucionário. E tocar ao vivo despertava o que havia de melhor em cada um. Aquela turnê foi de fato o nosso ponto alto."

Ninguém voou mais alto do que o homem que estava no centro daquilo tudo. Paul usou um paletó negro com ombros bordados e uma corrente com o ícone dos Wings em volta do pescoço. O cabelo desgrenhado sobre o colarinho, o rosto cheio e brilhante, a voz mais forte e mais flexível do que antes, ora doce, ora áspera, plena de determinação sagaz. Parecia que ele podia fazer qualquer coisa. Os seus críticos tinham afirmado que ele escrevia muitas canções de amor bobas? Tudo bem, eis mais uma nova melodia chamada "Silly Love Songs", que também é o single mais vendido de todos. "E o que há de errado nisso?", Paul cantou. "Pois aqui vou eu outra vez!" 
Lá foi ele de novo, e o mundo ficou abalado, "mccartney está de volta" era a manchete de capa da revista Time; "mccartney: o beatle com charme está de volta'", no New York Times, "Ontem, Hoje e Paul", na capa da Rolling Stone. Aclamação universal e sem meias medidas. "Um beatle na asa; uma banda no caminho; mas não exatamente o que vocês viram durante todos esses anos", declarou a Rolling Stone. Aquele era o seu momento, toda a magia restaurada, só que, desta vez, dentro dos seus próprios termos. Quer dizer, quase. Porque nunca se podia saber como ele se sentia com essas outras histórias que seguiam a turnê de cidade em cidade.
Os Beatles voltariam a tocar juntos na turnê?
A mídia parecia insistir que aquilo tinha de acontecer. Afinal de contas, John estava em Nova York, Ringo passava a maior parte do tempo em Los Angeles e George não era exatamente um estranho nesses lugares. Todo mundo sabia que eles vinham se encontrando, tocando nos discos uns dos outros. Por que seria difícil para eles darem uma corrida e aparecerem como convidados no palco de Paul? Em especial depois que Bill Sargent, um produtor norte-americano com aspirações milionárias, oferecera aos Beatles, alguns meses antes, a quantia de cinquenta milhões de dólares por um único show conjunto que ele transmitiria ao mundo inteiro em circuito fechado de TV. Será que eles considerariam a oferta? Como sempre, Paul ficou, no mínimo, indeciso: "Podíamos fazer isso e, se fizéssemos, faríamos bem", afirmou numa entrevista coletiva anterior à turnê, em Londres. "Mas, então, podíamos não fazer. Ou, quem sabe (...) faríamos!"
Estranhamente, a oferta de grandes proporções de Sargent inspirou uma cadeia de eventos que praticamente levou a um encontro público entre John e Paul. A magia se concretizou no dia 24 de abril, durante outra visita de Paul a seu velho amigo e parceiro. Eles já estavam havia algumas horas no apartamento de John e Yoko, no edifício Dakota, quando, às 23h30, John ligou a televisão no programa de comédia e variedades Saturday Night Live, que naquela noite incluiu uma peque na sátira à oferta de cinquenta milhões de dólares por uma reunião dos Beatles. O produtor do programa, Lorne Michaels, estava sentado sozinho na mesa e afirmou sinceramente que precisava se dirigir aos quatro ex-beatles. Ele tinha, como declarou, uma oferta séria para que eles considerassem. Se concordassem em se reunir no Saturday Night Live e tocar o número usual de três canções de qualquer convidado, ele cuidaria para que a NBC lhes pagasse três mil dólares. "Vocês é que sabem", Michaels falou. "Será fácil (...) e se quiserem dar uma parcela menor para Ringo, o problema é de vocês." Michaels estava brincando, é claro. Mas ele também tinha noção de que os Beatles podiam ser bem moleques e, com John na cidade, bem, tudo era possível. Michaels afixou panfletos no saguão do Rockfeller Center, por garantia. O que ele não sabia era que os dois principais membros da banda estavam assistindo ao programa juntos, às gargalhadas, a apenas 22 quarteirões ao norte e duas grandes avenidas do local de onde ele estava falando. Em seguida, eles começaram a desa¬fiar um ao outro. Eles deviam ir para o centro da cidade! Seria fácil. Eles podiam ir praticamente a pé! "Nós quase fomos até o estúdio, por pura gozação", John relembrou. "Quase entramos no táxi, mas estávamos cansados demais."Como aquela visita tinha sido engraçada, e como a camaradagem e a conversa sobre uma nova reunião estavam no ar, Paul voltou ao Dakota na tarde seguinte, com o violão nos braços. Dessa vez, ele chegou sem avisar, trazendo um violão, e as boas-vindas não foram tão calorosas. Cansado das visitas espontâneas de Paul, John deu ao velho amigo uma lição curta e grossa sobre a importância de telefonar antes. "Não estamos mais em 1956, e simplesmente aparecer na porta não cola mais", ele disse. Paul ficou visivelmente magoado e saiu rapidamente. "Eu não quis ser grosseiro", afirmou John. Mas não havia mais tempo para consertar as coisas - Paul fora embora da cidade naquela mesma noite para se encontrar com a sua banda no Texas, onde a turnê Wings Over America estava prevista para começar dentro de alguns dias. Mesmo assim, magoado ou não, Paul continuou meditando abertamente sobre a perspectiva de que John assistiria ao seu concerto quando os Wings chegassem a Nova York, no final de maio. Paul revelou que eles haviam falado sobre isso ao telefone. "Eu disse a ele: 'Bem, você vem ao show no Madison Square Garden?' 'Bem', respondeu ele, 'todo mundo meio que me pergunta se eu vou (...)' e eu falei: 'Oh, Deus, isso é uma chatice, não é?'" O problema, segundo Paul, é que nenhum ex-beatle era capaz de vê-lo tocar sem ter de confrontar a expectativa de subir no palco e tocar junto. "Assim, se eles subissem, teríamos de ser muito bons. Não poderíamos ser apenas ordinários, pois [a mídia] iria dizer 'Os Beatles avacalharam a turnê dos Wings', ou coisa parecida." Com tanta pressão, com tantas razões para se apegar ao show extraordinário dos Wings e deixar os Beatles dormindo em paz, por que Paul se arriscaria? No entanto, ele não conseguia esquecer. "Se John quiser vir nessa noite, ótimo, vamos tentar fazê-lo participar. Tudo muito tranquilo, sem grandes exibições. Apenas tocando de ouvido." Paul enviou um par de ingressos para John e, se esperou encontrar o velho amigo no Garden, ficou decepcionado. John deu os ingressos para a babá e passou a noite em casa, assistindo à televisão.

De todos os discos que você tem, existe algum que você tem um “chamego” especial?
Edu: Tem. O álbum triplo “Wings Over America” que eu roubei na Sears.
Roubou???
Edu:
(Rindo) É. Roubei, sim.
Essa deve ser boa. Dá pra contar?
Edu:
(Rindo muito) Dá. Mas não tentem fazer isso! O ano era 1978. Eu tinha 16 anos e vivia o auge da minha beatlemania. Graças a Deus, não existiam os mecanismos tecnológicos de segurança que existem hoje! Um dia, no Conjunto Nacional, tive meu primeiro contato imediato de 3º grau com o objeto que me fascinou. Meu Deus! O bichão era triplo, enorme e pesadão! Quando abria, aparecia uma ilustração belíssima dos Wings em ação. Aquilo tinha que ser meu! Dormia, sonhava e acordava imaginando uma forma de conseguir o discão. Naquela época, passava meses juntando grana para comprar um disco. Esse era triplo! Levaria 1 ano para ter o dinheiro para aquele álbum. Numa sexta-feira, dia 13 de janeiro de 1978, elaborei o plano que seria executado no outro dia, sábado à tarde. Precisava de dois amigos. Convoquei o Nelson e o Cacá. Cada um ficaria numa das extremidades da prateleira onde estava o disco de Paul. Tudo calculado milimetricamente. Chegamos ao Conjunto Nacional e fomos para a Discodil onde comprei um disco bem barato. Eu só queria a sacola da Discodil. E fomos para a Sears. A operação não demorou 5 minutos. Enquanto eles vigiavam, rapidamente enfiei o “Wings Over America” na sacola da Discodil. Na maior cara-de-pau do mundo, chamei um dos vendedores e perguntei onde estavam as fitas cassetes. Peguei duas e fui para o caixa. Paguei as duas fitas e saimos da loja com um medo absurdo de que a qualquer momento seríamos pegos pela polícia. Chegamos na rodoviária, entramos no ônibus e fomos no caminho de casa. Comecei a me sentir feliz por achar que tudo tinha dado certo. E então? Finalmente entrei em casa! Alí, acontecesse o que tivesse que acontecer, estava à salvo. O Papai percebeu minha excitação e desconfiado perguntou: “O que você tem aí?”. “Nada! Um disco do Big Boy. O senhor não vai gostar”. Entrei no quarto. Meu irmão não estava. Tranquei a porta, cerrei os punhos, levantei as mãos para o alto, me ajoelhei e como “O Conde de Monte Cristo”, gritei: “O mundo é meu! O mundo é meu!”.
Somente aqui, tem isso! E muito! O aniversário é meu, mas quem leva essa somos nós! O Baú do Edu - Now And Forever!

CARL PERKINS & GEORGE HARRISON - YOUR TRUE LOVE

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THE BEATLES - BAD BOY - TOME!

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"Bad Boy" é um clássico do Rock and Roll composto e gravado por Larry Williams no Radio Recorders em Hollywood, no dia14 de agosto de 1958. Participaram da gravação: o próprio Williams nos vocais e piano, Earl Palmer, bateria, Rene Hall na guitarra, Jewell Grant no sax barítono, Plas Johnson no sax tenor, e Ted Brinson no baixo. O compacto de Williams trazia "She Said Yeah" no lado B, regravada depois pelos Rolling Stones e The Animals, e 200 anos depois por Paul McCartney no indefectível Run Devil Run. "Bad Boy" foi uma das várias canções de Larry Williams que os Beatles gravaram durante os primeiros anos. Junto com "Dizzy Miss Lizzy", "Bad Boy" foi gravada pelos Beatles em 10 de maio de 1965, (aniversário de Larry Williams) e foi originalmente planejada para ser lançada exclusivamente nos EUA. No entanto, "Dizzy Miss Lizzy" fechou o lado B do álbum Help!. "Bad Boy" apareceria no "Beatles VI" em junho de 1965. E finalmente foi lançada no Reino Unido no álbum "A Collection of Beatles Oldies" em dezembro de 1966. "Bad Boy" também aparece no álbum "Past Masters, Volume One" de 1988. A gravação dos Beatles apresenta John Lennon arrasando no vocal principal e destruindo sua guitarra rítmica, Paul McCartney no baixo, George Harrison com a guitarra "dobrada" e Ringo Starr na bateria e pandeiro. 

BETTIE PAGE - A MAIS OUSADA DAS PIN-UPS

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Bettie Page veio ao mundo em 22 de abril de 1923 em Nashville. Anos luz à frente do seu tempo, foi uma modelo americana que se tornou famosa na década de 1950 por fotos de temática pin-up e fetichista.

Ela é frequentemente chamada de "Rainha das Pin-ups" e seu visual, cuja marca registrada eram os cabelos pretos lustrosos e uma franja, influenciaram dezenas de artistas. Page foi também uma das primeiras "Playmates do Mês" da Playboy, aparecendo na edição de janeiro de 1955 da revista.

Betty Mae Page foi a segunda de seis filhos de Walter Roy Page e a Edna Mae Pirtle. A família vivia em condições financeiras precárias e não se mantinha por muito tempo em um mesmo lugar. Com a queda da bolsa em 1929 a situação piorou. Os pais se divorciaram em 1932. No ano anterior, Walter (o pai), havia sido preso por alcoolismo e desordem. Edna Pirtle (a mãe), se estabeleceu em dois empregos e enviou Bettie e duas de suas irmãs para um orfanato por um ano. Aos quinze, Bettie fora violentada pelo próprio pai, quando este havia voltado a morar com a família. Em idade tenra, Page conheceu responsabilidades duras e aprendeu a tomar suas próprias decisões. Entre o coro da igreja e o salão de beleza que Edna trabalhava, Bettie ocupava seu tempo com a costura. Ela foi considerada uma estudante excepcional. Mostrou sempre interesse pelo cinema e pela vida de modelo. Coordenou o grupo de arte dramática e se formou Bacharel em Artes no Peabody College em 1943.

No mesmo ano, casou-se com Billy Neal, seu namorado. Mudaram-se para São Francisco, e lá, teve seu primeiro trabalho como modelo. Ainda com Neal, viajou para o Taiti, onde lhe foi revelado um mundo exótico, muito explorado pela arte em volta do ícone Bettie Page, as mulheres morenas de sol. Assim como Luz Del Fuego, Bettie passou tomar banhos de sol nua ou mesmo se exercitar. Com cinco anos de casada, divorciou-se e mudou-se novamente, desta vez para Nova York. Em Coney Island conheceu o policial Jerry Tibbs, por volta de 1950. Tibbs era também fotógrafo amador, ele foi o criador da "pin-up" Bettie. Ele afirmou à época que sua testa era larga demais para usar o cabelo partido ao meio. Bettie, então, eternizou a franja convexa lisa.

Bettie investiu também no mundo da moda: criou seus maiôs e bikinis e a tanga clássica de oncinha. Mas apenas os fotógrafos Irving Klaw e Bunny Yeager imortalizariam a pin-up Bettie Page. Ela há muito havia trocado a careira de secretária pela vida de modelo. Os horários eram independentes, a carga horária menor e o salário maior. Quando resolveu posar para Klaw aceitou o contrato dele, o qual afirmava que o pagamento só seria disponível mediante poses com bondage (prática de saomasoquismo).
O então presidente do senado Carey Estes Kefauver, contrário as fotografias de Irving Klaw, pela apologia ao sadomasoquismo, requisitou a própria modelo a depor. Várias publicações da época como Eyeful, Beauty Parade ou Wink a procuraram. Em janeiro de 1955 foi capa da Playboy e no mesmo ano recebeu das mãos de Hugh Hefner o título de "A Miss Pin-Up Girl do Mundo". Hefner foi um dos maiores benfeitores de Bettie até o final de sua vida. Page casou-se novamente, com Armand Walterson, e em 1958, desapareceu da vida pública sem uma razão definida. Sabe-se que, após seu casamento com Walterson, Bettie tornou-se numa devotada religiosa. Sua última entrevista foi em 1962, focada em aspectos do divórcio com Walterson.

Durante as décadas de 70/80, chegou a ser presa devido a um surto psicótico, ficando cerca de 10 anos presa, e seu paradeiro ficou desconhecido durante todo este período. Nos anos 90, Hugh Hefner arrumou um advogado para Bettie, que a ajudou a ganhar dinheiro com os direitos de sua imagem em diversos produtos e revistas que até aquele momento estava sendo usado indevidamente, fazendo com que ela ganhasse mais dinheiro na velhice do que a época em que era jovem, proporcionando a Bettie uma vida confortável em seus últimos anos.

No início da década de 90, uma história em quadrinhos, Rocketeer, reascendeu o interesse por Page (não, não foi o filme da Disney, ao contrário do que diz a CNN). Ela logo se tornou novamente um símbolo pop/sensual. Em 1992, Ela saiu de um hospital psiquiátrico, diagnosticada como esquizofrênica. Não há fotos recentes de Page. Ela não permitia. Queria (e conseguiu) que sua imagem registrada nos anos 50 se tornasse mítica. Em 2006, a HBO produziu um longa metragem biográfico - A Infame Bettie Page (The Notorious Bettie Page) muito bem escrito e interpretado por Gretchen Mol. Em 11 de novembro de 2008, Bettie Page morreu, vítima de pneumonia. Nove dias antes, havia sofrido um ataque cardíaco e estava inconsciente, desde então. Tinha 85 anos de idade.

domingo, 10 de maio de 2015

FELIZ DIA DAS MÃES, TODAS AS MAMÃES!

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Bem caros amigos todos. Hoje é dia das Mães, e como não poderia ser diferente, deixo aqui nosso abraço carinhoso e o maior beijo do mundo a todas as mães do universo. Em especial para minha mãezinha tão querida, D. Leonor, que está com 79 anos e luta valentemente contra uma doença absurda e covarde. De qualquer forma, FELIZ DIA DAS MÃES! Sem vocês, nada seria possível! Amém!

JULIA STANLEY LENNON - MÃE DE JOHN

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Julia Stanley Lennon era a mãe de John Lennon. John Lennon foi seu primeiro filho e único fruto de seu casamento com Alfred Lennon. Depois que Alfred abandonou a família, Julia começou uma relação com John Bobby Dykins. Bobby, Julia e John moravam juntos, mas sua irmã, Mimi, achava que não era certo Julia morar com outra pessoa estando casada legalmente com Alfred. E Então Mimi decidiu que John não deveria morar num lar como aquele. Ao contrário do que muitos pensam, Julia não abandonou John, ela sofreu muito por não poder ter seu filho morando com ela. Julia teve mais uma filha com Taffy Williams, após o nascimento de John, que foi dada para a adoção (devido a pressões de sua família) e, então mais outras duas filhas com John Bobby Dykins: Julia e Jacqui.

Julia era conhecida pela sua impulsividade e também pelo seu senso de humor. Apreciava música e por isso comprou para John Lennon sua primeira guitarra e o encorajou a aprender a tocá-la, mesmo com a desaprovação de sua irmã. Embora não vivesse com John, Julia sempre ia visitá-lo. No dia 15 de julho de 1958, após uma dessas visitas, Julia morreu atropelada por um policial fora de serviço, que conduzia o carro embriagado. Ela foi enterrada no Cemitéiro Allerton, em Liverpool. John Lennon jamais se recuperou desse trauma.

MARY MOHIN McCARTNEY - MÃE DE PAUL

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Mary Patricia Mohin, filha de Owen Mohin, um comerciante de carvão, nasceu em 29 de setembro de 1909 e faleceu no dia 31 de outubro de 1956. James Paul McCartney nasceu no dia 18 de Junho de 1942. Quando ele nasceu sua mãe teve tratamento 5 estrelas, pois já havia trabalhado no hospital como encarregada da enfermaria da maternidade (parteira). Os pais de Paul, Mary Patricia Mohin e Jim Mccartney, ambos de descendência irlandesa, casaram-se em 1941 e foram morar nos quartos mobiliados de Anfield. Mary abandonara o trabalho do hospital fazia apenas um ano, tornando-se health visitor(misto de enfermeira e assistente social). Quando Paul nasceu, Jim trabalhava, durante o dia, em Napiers e, de noite, como bombeiro. Como sua esposa havia trabalhado no hospital, ele podia visitar a ela e seu filho quando bem entendia, sem precisar respeitar os horários de visita. Sobre seu filho, Jim disse: "Ele tinha uma aparência horrorosa, eu não podia suportar isso. Tinha só um dos olhos abertos e chorava o tempo todo. Eles o levantaram e ele parecia um pedaço horroroso de carne vermelha. Quando cheguei em casa, chorei pela primeira vez, em muitos anos. Contudo, no dia seguinte, ele parecia mais humano. E, cada dia que passava, suas feições melhoravam. Afinal, ele se tornou um lindo bebê."
Na verdade, ela nunca gostou tanto de visitas como as da enfermaria. Era muito trabalho - das nove às cinco -, como um serviço de escritório. Então ela voltou à obstetrícia, arranjando 2 empregos de parteira domiciliar. Ela era chamada todas as noites. Jim diz que ela sempre trabalhava demais, mais do que deveria, pois ela era superconscienciosa. Paul entrou para a escola primária Stockton Wood Road Primary quando ainda morava em Speke. Michael foi mandado para a mesma escola. Jim se lembra da diretora dizendo como os dois meninos eram bons com as crianças menores. "Ela dizia que Michael seria um líder. Acho que era porque ele estava sempre discutindo. Paul era muito mais calmo em fazer as coisas. E tinha um senso muito mais prático.". Quando a escola ficou muito cheia, foram transferidos para uma outra, a Joseph Willians Primary School.

À medida que Paul ficava mais velho, ia aperfeiçoando sua diplomacia tranqüila, continuando a fazer tudo muito calmamente. Jim conta que uma vez estava batendo em Michael por ele ter feito alguma coisa errada e Paul ficava por perto gritando à Mike para dizer que não tinha sido ele, que o pai pararia. mas Michael reconhecia seu erro. Paul era sempre capaz de escapar dos perigos.
"Eu era bastante furtivo", diz Paul. "Se às vezes apanhava, costumava entrar no quarto dos meus pais quando eles não estavam e rasgar a parte de baixo das cortinas de renda, só um pedacinho, e pensava: que isso lhes sirva de lição"

Facilmente Paul terminou o primário e logo foi para o Liverpool Institute, a escola secundária mais conhecida de Liverpool. Paul mantinha-se sempre entre os primeiros da classe. Era capaz de fazer seus deveres de casa enquanto assistia os programs de televisão. Enquanto os fazia, sabia exatamente o que estava passando na TV. Era bastante inteligente e iria entrar, com certeza, em uma boa faculdade. Isso era o que Jim sonhava para ele. Quando Paul descobriu o que seu pai almejava, tentou deixar de obter boas notas. Sempre foi bom latinista, mas quando Jim lhe disse que ia precisar muito da Latim, ele começou a negligenciar.

No Institute, Paul tornou-se o garoto mais precoce no aspecto sexual, conhecendo tudo ou quase tudo sobre o assunto. Perdeu a virgindade aos 15 anos. Certa vez, fizera um desenho obsceno para a turma. Era dobrado de tal modo que só se via a cabeça e os pés da mulher, mas quando aberto via-se que ela estava nua. Por engano, paul deixara o desenho no bolso da camisa, e esse era o bolso que ele costumava guradar os vales-refeição. Sua mãe sempre revistava o bolso antes de lavar, porque Paul às vezes esquecia alguns. Paul chegou em casa um dia e sua mãe lhe mostrou o desenho e perguntou se era ele que tinha feito aquilo. Ele disse que não, que fora um garoto da classe e que certamente o colocara ali. Afirmou isso por dois dias. Acabou confessando a verdade.
Depois do primeiro ano, Paul se encheu do trabalho de escola. Alegou que, nunca, em seu tempo de escola, alguém o dissera para que estava sendo educado. Achava os deveres de casa uma chateação. Ele não suportava ficar fazendo-os numa noite de verão, enquanto os outros garotos brincavam na rua. Os McCartney mudaram-se de Ardwick quando Paul tinha uns 13 anos. Sua mãe deixou de ser parteira domiciliar, apesar de, mais tarde, voltar a trablahar como health visitor. Eles receberam uma casa da prefeitura em Forthlin Road 20, Allerton, onde Paul passou sua juventude. Estavam morando em Forthlin Road fazia pouco tempo quando Mary começou a sentir dores no seio. As dores continuaram por 3 ou 4 semanas, desaparecendo e voltando, e ela pôs a culpa na menopausa. Falou com vários médicos, e eles concordaram com ela, aconselhando-a que procurasse esquecer. Mas as dores continuaram, cada vez mais fortes. Mary então decidiu procurar um especialista. Ele diagnosticou câncer. Operaram e ela morreu. Tudo aconteceu no espaço de um mês após ela ter sentido as primeiras dores sérias. Paul lembra-se que fez um comentário maldoso logo que ficou sabendo. Disse "O que iremos fazer sem o dinheiro dela?" Arrependera-se durante meses de ter falado isso. Mas era verdade. Mary sempre ganhara mais do que Jim como parteira. Mas duas das irmãs dele ajudaram muito. Logo após a morte de Mary, Mike e Paul foram morar com Tia Jinny por uns tempos. Depois, uma delas vinha, uma vez por semana, a Forthlin Road, limpar a casa devidamente. Mas Jim estava arrasado, sentindo muito a falta da mulher. Teve então que confiar muito nos rapazes. O irmaõ de Paul, Michael, pensa que houve uma influência direta da morte se sua mãe sobre Paul. "Foi logo após a morte da mamãe que começou sua obsessão por guitarras. Tomou toda a sua vida. A gente perde a mãe e encontra uma guitarra? Não sei. Talvez tenha vindo naquela época e se tornou uma fuga." Na capa do primeiro álbum solo de Mike "Woman", a jovem senhora que aparece é Mary. Fonte: "Many Years From Now - Barry Miles".

LOUISE FRENCH HARRISON - MÃE DE GEORGE

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Louise French Harrison, a mãe de George morreu de câncer no cérebro no dia 7 de julho de 1970, em um hospital em Liverpool. George estava ao seu lado. Seu corpo foi cremado dias depois. Louise trabalhava numa mercearia em 1929, quando foi vista por Harold Harrison, que pediu seu endereço, dizendo-lhe que estava indo viajar e gostaria de enviar-lhe um frasco de perfume - o que ele fez. Casaram-se em 20 de maio de 1930 e se estabeleceram em Arnold Grove na área Wavertree, em Liverpool.

Eles tiveram uma filha (Louise) e três filhos. Louise (mãe) tinha 33 anos quando George nasceu e em 1949, mudaram-se para uma casa em Speke. Louise dava aulas de dança de salão e Harold trabalhava como motorista de ônibus. Desde cedo, Louise incentivou o filho mais novo, George, em seu interesse pela música e lhe comprou seu primeiro violão por 3 libras. Quando ele entrou para os Quarrymen, ela permitiu que ensaiassem na sala da casa dos Harrison. Em 1965, com muito orgulho, George comprou para os pais uma bela casa em Appleton, perto de Warrington.
Durante toda a segunda metade da década de 1960, Louise foi amada por fãs dos Beatles do mundo inteiro. Ela respondia pessoalmente todas as cartas dos fãs, que eram enviadas a George. Ela ficou doente em julho de 1969 com um tumor no cérebro que logo foi diagnosticado como câncer.

ELSIE GLEAVE STARKEY - MÃE DE RINGO

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A saga da vida de Ringo, começou de forma bem mais difícil em comparação com os outros, que vinham das classes média (John) e operária (Paul e George). Ringo era “comum, pobre”, um caso de vida dura. “Ele não era uma criança maltrapilha, descalça”, lembra Marie Maguire Crawford, vizinha e espécie de irmã postiça de Ringo. “Mas, assim como todas as famílias que moravam em Dingle, travava uma luta permanente para sobreviver”.

Elsie Gleave, mais tarde Graves, nasceu em 19 de outubro de 1914. 
Quando Richard Starkey casou-se com ela em 1936, formou seu lar muito próximo da casa onde foi criado, em Dingle, bairro pobre de Liverpool. Eles se conheceram numa padaria, onde Richard trabalhava. Richard Starkey Jr., em homenagem a seu pai (uma tradição da classe trabalhadora da época), nasceu em 7 de julho de 1940. Alguns meses depois do seu nascimento, as coisas começaram a sair dos eixos. Richard (pai) pai, substituído pelo filho, se afastou cada vez mais da família. Tornou-se um boêmio e pouco ficava em casa. Depois depois de algum tempo, se divorciaram. O pequeno Richie estava com três anos.
 

Algumas histórias afirmam que Starkey saiu de Liverpool e foi para o mar em um dos luxuosos navios de passageiros que atracavam em Liverpool; outras, que ele se casou novamente e se estabeleceu “do outro lado da água”, Em Wirral. O mais provável, porém, é que Richard tenha permanecido perto do trabalho. Ringo o viu poucas vezes depois que foi embora. Pouco se sabe sobre ele desde então. Também, não encontrei nenhuma foto sequer. Em 1980, o Daily Express publicou uma matéria sobre ele, na época, limpador de janelas. Sobre Ringo, ele disse: "Ele está muito bem, o rapaz. Desejo boa sorte para ele, mas ele não me deve nada”. Elsie casou-se novamente em 17 April 1953. Seu segundo marido Harry Graves foi um pintor e decorador de Romford que ela conheceu através de seus amigos e vizinhos, os Maguires. O casal se casou com a bênção do filho de Elsie, e agora que ela era novamente uma mulher casada, poderia parar de trabalhar e ficar em casa para cuidar da casa e sua pequena família. Elsie morreu em 1987 de causa desconhecida, provavelmente de câncer.

Ringo, Elsie e o padrasto Harry Graves em 1964

sábado, 9 de maio de 2015

BILLY JOEL & PAUL McCARTNEY - I SAW HER STANDING THERE - SENSACIONAL!

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Hoje é aniversário do grande Billy Joel, nascido William Joseph Martin Joel no Bronx, em Nova York. Ele está completando 66 anos. Em 1973 lançou sua primeira música de sucesso, "Piano Man". De acordo com o RIAA (Recording Industry Association of America), Joel é o sexto artista que mais vendeu nos Estados Unidos com 78,5 milhões de discos. Billy Joel é hexa vencedor do Grammy e já teve 23 nomeações. Vendeu mais de 150 milhões de discos pelo mundo afora. Foi incluído no Songwriters Hall of Fame em 1992, no Rock and Roll Hall of Fame, e no Long Island Music Hall of Fame. Parou de gravar música pop em 1993 mas continuou com turnês (algumas vezes com Elton John). Em 2001 lançou Fantasies & Delusions, um CD com composições clássicas para piano. Em 2007 voltou a gravar um single intitulado "All My Life", seguido de uma extensa turnê (2006-2009) indo a muitas das maiores cidades do mundo. A colêtanea "Greatest Hits Volume I & Volume II" é o disco duplo mais vendido de todos os tempos, segundo lista da RIAA. Billy Joel é um dos artistas mais ricos dos Estados Unidos, com uma fortuna estimada de 500 milhões de dólares. Uma curiosidade: Billy Joel estava na plateia que assistiu a estreia dos Beatles na America em 1964 no show de Ed Sullivan. Ele tinha 15 anos e a partir daí resolveu profissionalizar-se. E o sortudo ainda foi casado com a supergata Christie Brinkley. É mole?

quinta-feira, 7 de maio de 2015

FILME DOS BEATLES SEM NOME NEM SOBRENOME

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Ron Howard (Rush - No Limite da Emoção) será o diretor do documentário oficial da banda The Beatles. O filme terá como foco o período entre 1960 e 1966 da beatlemania, em que o quarteto de Liverpool arrastou multidões por Europa e Estados Unidos, totalizando 166 shows por 90 cidades de 15 países. O documentário foi autorizado pela Apple Corps Ltd. e terá a colaboração dos beatles Paul McCartney e Ringo Starr, assim como das viúvas de John Lennon e George Harrison, Yoko Ono e Olivia Harrison, respectivamente. Outra garantia de que o filme estará em ótimas mãos está na co-produção do projeto: além da Apple, detentora dos direitos da banda inglesa, o filme será produzido pela White Horse Pictures, de Scott Pascucci e Nigel Sinclair (dupla responsável por George Harrison: Living In The Material World, de Martin Scorsese), e pela Imagine Entertainment, comandada por Brian Grazer e pelo próprio Ron Howard, fã incondicional do quarteto de Liverpool.
"Eu não apenas vi o Ed Sullivan Show [no dia da primeira apresentação dos Beatles nos EUA] junto com todo mundo, como a única coisa que eu queria no meu aniversário de 10 anos era uma peruca dos Beatles, que eu ganhei", contou o diretor em entrevista ao site Deadline. "Eu nunca tinha pensado em bandas antes, apenas em Elvis. Esses caras eram e soavam diferentes e era absolutamente explosivo assisti-los. As garotas gritavam. Era um toque de genialidade e originalidade, e você também conseguia se relacionar com eles. Vê-los no Ed Sullivan foi como assistir à chegada da Apollo 11 na lua em 1969, de modo que eu nunca me esquecerei e, em termos de imagens da TV, foram fundamentais para definir o que era possível". Os produtores esperam preparar o filme até o ano que vem. Segundo o Deadline, eles estão tão empolgados com o projeto que não será uma surpresa se surgir alguma sequência para o documentário, abordando desde o engajamento político e religioso da banda até o seu rompimento.
Essa postagem foi publicada há quase um ano, em junho passado e até agora o filme, que, dizem, está pronto, ainda não tem sequer título, nem patrocinadores, quanto menos distribuidores. Uma pena. Dizem que esse Howard anda em Cannes, à procura de algum investidor. Enquanto essa maravilha não chega, a gente confere o especial "It's The Beatles" da TV Broadcast. Abração!

CLÁSSICOS DA CULTURA POP INESQUECÍVEIS - KILL BILL

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A Noiva (interpretada por Uma Thurman) é uma perigosa assassina que, após escapar de uma chacina, e despertar de um coma de quatro anos, é tomada por um furor de vingança, perseguindo seus companheiros de trabalho e seu ex-chefe que a traiu (Bill, interpretado por David Carradine), líder do Esquadrão Assassino Víboras Mortais. Entre a Noiva e Bill existe uma tempestuosa relação amorosa que mistura amor, ciúme e ódio de vingança.
Em Kill Bill, volumes 1 e 2, Tarantino nos oferece um conto de vingança à moda dos western-spaghetti e dos velhos filmes de samurais e de artes marciais de Hong Kong. O filme é dividido em duas partes (ou dois volumes) de tons e conteúdos completamente distintos. Ou seja, Kill Bill se desdobrou em dois filmes; um, lançado em 2003; e outro, em 2004. No Volume 1, a Noiva executa Vernita Green, colega de gang. Depois viaja para o Japão, onde adquire uma espada samurai e executa O-Ren Ishii e seus capangas.

No volume 2, ela prossegue a saga de vingança crua e cega, riscando os nomes de Budd, irmão de Bill, Elle Driver (interpretada por Daryll Hanna) e, finalmente, Bill, o chefe da gang. O épico Kill Bill expõe violência explicita e furor de vingança sem limites. Na verdade, o furor de violência do western-spagehtti é transposto do Velho Oeste para cenários urbanos da modernidade tardia, o que tende a ser expressão sintomática da regressividade social que atinge a civilização burguesa. A estética da violência nua e crua em Kill Bill expõe a completa ausência do Estado político (apenas na cena da chacina, aparecem representantes da Lei e da Ordem, na figura do Sherife). No Volume 1, Tarantino mescla o filme com desenho animado, utilizando-se de constantes flash-backs em p&b. Toda a trama adota uma linguagem inovadora, no ritmo de clip musical. Enfim, Tarantino sabe seduzir a mentalidade pós-moderna. A trilha musical fornece efeito melodramático à violência estetizada, reforçando as cenas de ação. É importante salientar uma questão de gênero em Kill Bill: a heroína do filme (a Noiva) é uma mulher e são as mulheres que se destacam mais. Por exemplo: a primeira cena de luta ocorre entre duas mulheres: a Noiva e Vernita Green (o Esquadrão Assassino Víboras Mortais é composto por mulheres). De certo modo, a narrativa de Kill Bill expõe a decadência do homem (como gênero de dominação ancestral) sobre a mulher. De fato, o personagem Bill é a própria expressão do macho decadente. Por isso, pode-se dizer que Kill Bill é uma narrativa do crepúsculo do macho. Além disso, a presença, em algumas cenas, de crianças, filhas das mulheres assassinas da gang de Bill (a primeira, de Vernita e a segunda, da Noiva), parecem demonstrar que, apesar da transformação da mulher numa “máquina de violência”, elas ainda conservam seu lado instintivo-maternal, sendo a guardiã da prole. Finalmente, podemos dizer que Tarantino possui um genial faro estético-comercial. Ele se utiliza não apenas de ícones de narrativas orientais (como samurais, etc), mas de atores e técnicos chineses e japoneses, que contribuiram para a produção de Kill Bill. O filme teve locações nos EUA e na China. Sinais dos tempos do capitalismo zen-budista: imersa em sua crise estrutural, Hollywood, quer abocanhar um mercado exibidor com 750 milhões de espectadores.  Fonte: http://www.telacritica.org/

GEORGE HARRISON - MYSTICAL ONE - DEMAIS!

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A repetição da dobradinha de George Harrison com Ray Cooper, e a convocação de Phil McDonald para se juntar ao time de produtores, foi responsável por mais esse grande disco, bastante uniforme, com o pop-rock prevalecendo em quase todas as 10 faixas. Poucas exceções são "I Really Love You", e a instrumental "Greece", que também são ótimas. O misticismo continua forte na música de Harrison. "That's The Way It Goes" traz versos como "Há um fogo que queima as mentiras / manifestado no olho espiritual", enquanto Mystical One fala das experiências transcendentais do ex-beatle. Outra que segue esta linha - principalmente pelos vocais no início da música, que lembram um mantra - é Dream Away, que virou trilha do filme "Time Bandits" estrelado por Sean Connery em 1981. "Wake Up My Love" é uma das canções mais conhecidas do disco, que conta com a participação do tecladista do Deep Purple, Jon Lord, entre outros. Gone Troppo foi lançado pela primeira vez em 1982, e foi tão malhado pela crítica que George Harrison optou por não promover o disco, que acabou passando quase despercebido pelo público. Além de leves e descontraídas, as canções do álbum contam com a participação de Billy Preston e Mike Moran nos teclados, Herbie Flowers no baixo, Jim Keltner, Ray Cooper e Henry Spinetti na bateria e percussão. O repertório inclui os singles "Wake Up My Love", mais comercial, e "Greece", além da deliciosa "That´s The Way It Goes". Mas o grande destaque do disco, fica mesmo por conta de "Mystical One" - momento insuperável de Harrison.

AVISO IMPORTANTE: SOBRE OS COMENTÁRIOS

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Caros amigos, por alguma razão, o blogger mudou a posição de localização dos comentários. Antes era embaixo (muito mais racional) e agora estão em cima logo abaixo do título da postagem. Então, de forma que, para seu comentário sair certinho, atenção: agora é lá em cima! Se eu conseguir resolver, vocês saberão. Peço desculpas e que continuem participando, deixando seus comentários sempre criativos e pertinentes com elogios, críticas e sugestões. Aliás, faltam poucos para atingirmos a marca de 20.000 comentários. Esse, de número 20 mil, vai ganhar um presente do fundo do Baú. Abração, Planeta Beatles! Ainda tem muita bomba pra cair!

HOT CHOCOLATE - GIVE PEACE A CHANCE

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O cantor Errol Brown, que fronteou o grupo pop de disco Hot Chocolate a partir do final dos anos sessenta até o início dos anos oitenta, morreu. Ele co-escreveu e cantou em 1975 o hit "You Sexy Thing". O músico jamaicano-britânico vinha sofrendo de câncer do fígado e morreu em sua casa nas Bahamas com sua esposa e filhas. Ele tinha 71 anos. Brown, que nasceu na Jamaica, mudou-se para o Reino Unido com sua mãe quando ele tinha 12 anos, juntamente com alguns amigos, ele começou sua carreira musical através do envio de uma versão reggae de "Give Peace a Chance" de John Lennon em 1969. O Beatle gostou do que ouviu e arrebanhou o Hot Chocolate para a Apple.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O REVOLUCIONÁRIO HUMOR DE JOHN LENNON - Por Rafael Senra

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Por Rafael Senra
Há uns anos atrás, a proliferação do ideário “politicamente correto” tirou o sono de muitos humoristas. Agora, em um mundo pós-Charlie Hebdo, uma questão fundamental retorna à pauta: quais seriam os limites do humor? Tudo isso inspirou o presente ensaio, em que tento abordar a vida e a carreira de John Lennon, figura que, apesar de não ser propriamente um humorista, tinha o escárnio e o riso como ingredientes frequentes em sua matéria prima artística.

Entre os quatro Beatles, John sempre pareceu ser o mais hábil em destilar nas suas canções e performances amostras de um humor eficaz, ainda que muito ácido em diversos momentos. Paul McCartney sempre apresentou canções marcadas por uma leveza e um otimismo próprios, mas por mais brilhante compositor que fosse (e é), nunca teve o humor como elemento tão forte. George Harrison, por sua vez, compôs canções cujas letras revelaram grandes pérolas de sarcasmo e ironia, como Awaiting On You All, Sue Me Sue You Blues, Horse to the Water, etc. – mas todas essas só surgiriam anos depois do fim dos Beatles, em sua carreira solo. E Ringo era uma figura que tinha boas doses de humor em suas performances, ainda que de maneira involuntária. O alvo preferencial de Lennon era quase sempre ele próprio, projetado em várias letras que retratavam um eu-lírico nada heroico e muito menos idealizado. Quando decidia tirar sarro de mais alguém além de si, o beatle escolhia corajosamente os alvos das zombarias. Há ótimas canções fazendo troça de instituições políticas, militares, religiosas, da Rainha da Inglaterra, do presidente americano Richard Nixon, ou de célebres colegas músicos, como Bob Dylan e até mesmo o parceiro Paul McCartney. Por outro lado, ele poupava e até mesmo fazia uma inflamada defesa dos direitos das minorias representativas, como mulheres, negros, homossexuais, etc.

Mas nem sempre foi assim. Na fase inicial dos Beatles, John não era tão politizado ou condescendente nas gracinhas. Em “Girl”, por exemplo, ele canta a letra principal, enquanto o coro das vozes de fundo cantarolam a palavra “tits” (seios) repetidas vezes. Uma sutileza, mas que carrega certa dose de machismo, e se soma a diversas histórias de bastidor que mostravam um jovem Lennon pouco atencioso com as necessidades das mulheres, tanto no aspecto pessoal (as mulheres com quem se relacionou, ou sua primeira esposa, Cynthia), quanto no coletivo (envolvendo direitos e demandas feministas). Ele só assumiria um posicionamento mais decididamente feminista depois de conhecer sua segunda esposa, Yoko Ono. E se isso parece ofensivo, é importante lembrar que John executou episódios de humor ainda mais constrangedores e tacanhos. Nos primeiros shows da banda, um de seus recursos de palco preferidos era imitar deficientes físicos e pessoas com problemas mentais. Como revelado pelos outros três Beatles e por imagens antigas no documentário Anthology, John se contorcia em alguns momentos mais animados dos shows, entortava sua boca, mãos e pernas, arrancando risos dos seus colegas de banda e de parte da plateia, sem se importar se seria ofensivo para qualquer um dos presentes. Gracinhas como essas podem ser tomadas como amostras de um humor ingênuo, o que, por outro lado, não as tornam inofensivas.

Apesar de alguns exemplos questionáveis, ao longo do tempo John sofisticaria seu estilo de humor, a começar por sua presença de palco. Em novembro de 1963, enquanto os Beatles tocavam em um show beneficente chamado Royal Variety Performance – cujos convidados de honra envolviam importantes figuras como a rainha Elizabeth I, a princesa, dentre outras celebridades –, Lennon diz para a plateia: “Para nosso último número, eu queria pedir a ajuda de vocês. As pessoas nos assentos baratos podem bater palmas. O resto de vocês pode sacudir as jóias”. Fazer piadas de figuras e instituições ligadas a pessoas poderosas foi algo muito bem explorado por John em diversas ocasiões, como nas canções Cry Baby Cry (sobre a Rainha) ou em Sexy Sadie (sobre o líder religioso Maharishi Mahesh Yogi). E quando estoura a Guerra do Vietnã, John protagoniza outro bem-humorado episódio envolvendo a realeza. Em 1969, ele resolve devolver para a Rainha a MBE (medalha que o condecorava como Membro da Ordem do Império Britânico), e vai até o Palácio de Buckingham pessoalmente para fazê-lo, entregando também a seguinte carta: “Sua majestade, estou devolvendo minha MBE em protesto contra o envolvimento da Grã-Bretanha no lance Nigéria-Biafra, contra nosso apoio à guerra do Vietnã e contra a queda nas paradas de ‘Cold Turkey’. Com amor, John Lennon”.

Ainda em 69, depois de ser proclamado personalidade do ano pela revista Rolling Stone, alguns críticos resolveram fazer uma pilhéria com a postura de Lennon e Yoko a favor da paz, elegendo-o como “palhaço do ano”. E eis que ele responde no ato: “Parte da minha política e da Yoko é não sermos levados à sério. Somos humoristas. Todas as pessoas sérias, como Kennedy, Luther King e Gandhi, foram assassinados. Queremos ser os palhaços do mundo. Fico orgulhoso em ser ‘O Palhaço do Ano’ num mundo em que gente séria está se matando e destruindo em guerras como a do Vietnã”.

Desde o início dos Beatles, um dos mais interessantes recursos de humor utilizados por Lennon foi o de fazer trocadilhos com palavras e expressões populares. Isso pode ser notado em diversas de suas músicas, sobretudo na fase mais criativa e psicodélica dos Beatles, como Being for the Benefit of Mr. Kite, I Am the Walrus, Glass Onion, etc. Uma das suas principais inspirações para tanto foi o escritor Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas e Alice no País dos Espelhos. Com Carroll, um hábil escritor na arte dos trocadilhos e jogos de palavras, John aprimorou sua veia lírica também nesta direção. Ao se aventurar na literatura em seus livros In His Own Write e A Spaniard in the Works, seus textos revelaram grande familiaridade em explorar as possibilidades sintáticas e semânticas das palavras (leia aqui um dos contos presentes no primeiro livro de John, traduzido para o português por Braulio Tavares).

As habilidades “trocadilhescas” de Lennon podem ser detectadas já na grande ideia por trás do nome da banda – um trocadilho em que a palavra besouros (“beetles”) aparecia grafada com “a”, aludindo também à palavra “beat” (“ritmo”, ou dialogando também com o movimento beat, etc.). Apesar das referências do nome “Beatles” serem razoavelmente evidentes, as justificativas que John oferecia para criá-lo eram igualmente hilárias: em algumas entrevistas, ele teria dito que sonhou com um homem misterioso, carregando uma torta flamejante, e que lhe dizia em uma voz cavernosa “vocês serão ‘Beatles’ com ‘a’”. Até hoje, um mistério ronda esta versão. É possível ler a declaração da torta flamejante como uma zombaria do discurso messiânico familiar a tantos políticos ou religiosos. Contudo, muita gente, como Yoko Ono, defende que essa é a verdadeira história por trás do nome da banda. Seria um sonho místico e premonitório, ou foi o mundo que não entendeu a piada?

Quando pensamos nas implicações éticas do humor, o trocadilho emerge como um recurso muito interessante. Diferente da visão de que o melhor humor sempre deve ser ofensivo, os trocadilhos não envolvem a depreciação de pessoa alguma. De fato, essa ideia de um humor ofensivo surge da noção de que o humor é definido essencialmente como sendo trágico, e que sua eficácia é proporcional ao nível de calamidade sofrido por alguém. Mas há uma outra definição, que toma o humor como sendo, basicamente, uma ligação inesperada entre fatos diferentes – tal qual um elemento surpresa que surge dos conteúdos e dos significados. Penso que os trocadilhos parecem demonstrar que, em se tratando de humor, o caráter inesperado parece prevalecer em relação ao trágico.

Sobre negros, mulheres e gays, que costumam ser alvos de humoristas apelativos e menos talentosos, Lennon até mesmo fez questão de interceder publicamente em relação a esses segmentos. Já no início dos Beatles, John defendeu o empresário da banda Brian Epstein, um homossexual atormentado que, a despeito de seu talento como administrador, acabaria morrendo por overdose de remédios para insônia. Logo depois da morte de Epstein, Lennon assume seu relacionamento com Yoko Ono, possivelmente a principal responsável por amplificar e contextualizar a visão humanística e pacifista que ele já possuía de forma latente e intuitiva. A postura politizada que o casal assume envolve também uma cumplicidade com demandas de setores menos privilegiados da sociedade. A partir daí, se intensificam as canções e declarações de John e Yoko defendendo os direitos das mulheres, negros, imigrantes, etc. Em seu controverso disco Some Time in New York City, de 1972, Lennon compõe músicas que são praticamente declarações suas a respeito de alguns desses temas, como Woman is the Nigger of the World – cujo título já, de cara, trata simultaneamente da questão das mulheres e dos negros. Duas pautas que surgem novamente em canções como “Angela”, sobre Angela Davis, uma militante comunista que fazia parte do partido dos Panteras Negras. Mas o alvo preferencial do humor “lennoniano” ao longo de toda sua carreira foi… ele mesmo. John soube, como ninguém, fazer chacota de si, e expor aspectos pouco glamorosos de sua própria personalidade. Em algumas canções, como Help ou Strawberry Fields Forever, sua abordagem intimista surgia mais tomada por angústia e nostalgia. Contudo, há diversas outras canções em que o beatle parecia rir de seus próprios podres, como sua constante preguiça (I’m Only Sleeping ou I’m so Tired), ou o fato de se sentir um perdedor (I’m a Loser), e até mesmo a perseguição pública que sofria por namorar uma estrangeira (The Ballad of John and Yoko, ou Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey).

Ao longo de sua vida e carreira, John Lennon sempre usou o humor para desmistificar quaisquer instituições e figuras cujo poder pudesse ser opressivo em alguma medida. E, com toda a parcimônia que pôde, utilizou essa desmistificação sobretudo em relação a si mesmo ou aos Beatles. Em boa parte das entrevistas que deu, ele tentou massacrar diversas tentativas de transformar-se em lenda. Jornalistas e fãs tentavam, a todo momento, tê-lo como um sujeito especial, quase que um totem, e ele viu no humor uma das maneiras pelas quais podia humanizar a si mesmo, destruindo o pedestal onde tantos insistiam em colocá-lo. Infelizmente, o brilhantismo da mensagem artística de John não chegou até um sujeito em especial, que, incapaz de compreender seu senso de humor, envolveu-se em uma sacralização fanática de Lennon, algo que custaria a vida do artista. Afinal, assim como existem no mundo os maus humoristas, também há os maus entendedores – mesmo quando se trata de algo tão direto e universal quanto as ideias que o ex-beatle cantou e praticou por toda a sua existência.