quinta-feira, 14 de abril de 2016

PAUL McCARTNEY - MY BRAVE FACE - 2016

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Em 1989, o mercado tinha mudado muito do “tempo dos Beatles
 até então. Então, talvez fosse a hora de voltar a fazer alguns clássicos. Principalmente se Paul McCarrtney desejasse lotar arenas e estádios novamente. Quase trinta anos depois de Paul ter composto tantas canções de sucesso, de melodias pop animadas a rocks berrantes, dance music descartável, folk de comícios eleitorais baratos e vanguarda pop dos anos 60, com todo o peso histórico da liturgia da civilização ocidental, o único problema era decidir qual delas não tocar. O primeiro lampejo do novo velho Paul apareceu no vídeo de “My Brave Face”, o primeiro single importante do mega sucesso “Flowers In The Dirt. Em 1989, os vídeos estavam no auge, sendo ainda a forma mais significativa de estabelecer o tom e a imagem que os artistas pop desejavam dar de seu novo trabalho, a própria base para o passo de suas carreiras. Como Paul iniciara um caminho previsto para durar mais uma década, a nova imagem que elaborou de si mesmo – para ser acoplada à nova canção que fizera no estilo dos Beatles, ao novo álbum que prenunciava a turnê mundial que se seguiria – veio atrelada ao talismã mais poderoso do passado.https://40.media.tumblr.com/fab9e4bf82086463120acdaeffb1d2a4/
Ele estava com seu baixo Höfner. O baixo dos Beatles, que não era visto nas mãos de Paul (a exceção de uma aparição zombeteira no vídeo de “Coming Up”) desde que ele estivera no telhado, naquela tarde lendária de janeiro de 1969, numa época em que os gigantes ainda andavam sobre a terra. A apresentação da banda (perfeitamente sincronizada) foi filmada a partir de um enredo bobo que envolvia um japonês obsessivo colecionador de lembranças de Paul McCartney, cuja coleção de objetos roubados continha mais do que simples artefatos característicos dos Beatles. 
Conforme a música vai tocando, o homem exibe o terno azul de Sgt. Pepper’s usado por seu ídolo e também vídeos caseiros dos jovens e belos Beatles, em seus momentos mais íntimos, jogando cartas, fazendo palhaçadas nos quartos de hotel, dançando suas canções secretas. Cada relance precioso foi concebido para conectar o Paul mais velho (ainda que surpreendente juvenil aos 47 anos) ao seu adorado muito mais jovem. A mensagem do vídeo: este Paul é aquele mesmo velho Paul. E agora ele está de volta à condição dos Beatles mais caracteristicamente beatle de todos, como vocês todos souberam durante todos esses anos!

THE BEATLES - LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS

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https://global.oup.com/academic/covers/pop-up/
"Lucy in the Sky with Diamonds" é o título de uma canção composta e gravada pelos Beatles em 1967, e faz parte do oitavo álbum da banda, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Composta principalmente por John Lennon com grande participação de Paul McCartney, a canção gerou controvérsia por seu título, que foi interpretado como uma possível alusão ao LSD.
A inspiração de Lennon para a música veio quando seu filho, Julian, mostrou-lhe um desenho feito por ele na escola que chamou de "Lucy - no céu com diamantes", descrevendo sua colega, Lucy O'Donnell. Lucy (agora) Vodden , em uma entrevista à rádio BBC em 2007, disse: "Eu me lembro de Julian e eu fazendo fotos, jogando tinta um no outro, para o horror da atendente da sala de aula ... Julian pintou um desenho e naquele dia especial, seu pai apareceu com o motorista para pegá-lo da escola". Lennon disse que ficou surpreso com a idéia de que o título da música era uma referência oculta para LSD.
Lucy Vodden, apesar de ter sido a fonte de inspiração para uma das canções históricas dos Beatles, contou ao jornal The Guardian, em 2009, que não se relaciona com o tema: "Esse tipo de música não tem muito a ver comigo."
Em 1974, Elton John lançou uma versão cover de "Lucy in the Sky with Diamonds" como single. A gravação em Caribou Ranch , apresentava backing vocals e guitarra por John Lennon sob o pseudônimo Dr. Winston O'Boogie. O single chegou ao topo das paradas da Billboard nos EUA e ficou por duas semanas em janeiro de 1975, assim como no Canadá. O lado B também foi uma composição de John Lennon, "One Day (At a Time)", gravada por ele no álbum Mind Games. Durante sua colaboração, Elton John apareceu na canção de John Lennon "Whatever Gets You Through the Night ". Em troca, Lennon prometeu que apareceria ao vivo com John no Madison Square Garden, se "Whatever Gets You Through the Night" chegasse ao número um. Ele sabia que tinha chances. Assim, na noite de ação de graças em 28 de novembro de 1974, Lennon cumpriu sua promessa. Eles tocaram "Lucy in the Sky with Diamonds", "Whatever Gets You Through the Night" e uma versão absolutamente incendiária de "I Saw Her Standing There ". Pena não ter um vídeo bacana. Curiosidades: A cover gravada por Elton John de “Lucy In The Sky With Diamonds” foi a única cover de uma canção dos Beatles a chegar ao Nº 1 da Billboad. Foi nos bastidores desse show que John e Yoko se reconciliaram. Elton John é padrinho de Sean Lennon.
A seguir, a gente confere o capítulo sobre "Lucy in the Sky with Diamonds" do livro “"The Beatles: A História por Trás de Todas as Canções" de Steve Turner – 2009 – Ed. Cosac Naify – Ainda em catálogo – 49 pilas - Saraiva
"Uma tarde, no começo de 1967, Julian Lennon voltou do jardim de infância para casa trazendo nas mãos um desenho colorido da sua coleguinha, Lucy O'Donnell, de quatro anos. Ao explicar a obra de arte ao pai, Julian disse que era Lucy "no céu com diamantes". Essa frase impressionou John e deu início às associações que levaram à composição da onírica "Lucy In The Sky With Diamonds", uma das três faixas de Sgt Pepper que supostamente "falavam de drogas". Apesar de ser improvável que John tivesse escrito essa fantasia sem nunca ter experimentado alucinógenos, a música foi igualmente afetada pelo seu amor pelo surrealismo, pelos jogos de palavras e pela obra de Lewis Carroll. Logo que se apontou que as iniciais da canção formavam a sigla LSD parecia estar comprovado que a música era a descrição de uma viagem provocada por ácido lisérgico. Ainda assim, John negou isso veementemente, tanto em público quanto em particular, mesmo nunca tendo hesitado em discutir músicas que de fato faziam referência às drogas. Ele insistia que o título tinha vindo do que Julian dissera sobre a sua pintura. O próprio Julian recorda: "Não sei por que eu dei aquele nome nem por que se destacou entre todos os meus outros desenhos, mas eu obviamente gostava muito de Lucy. Eu mostrava tudo o que fazia ou pintava na escola ao meu pai, e esse desenho levou à ideia de uma música sobre Lucy no céu com diamantes". Lucy O'Donnell (que atualmente é professora de crianças com necessidades especiais) vivia perto da família Lennon, em Weybridge, e ela e Julian eram alunos da Heath House, um jardim de infância administrado por duas senhoras em uma construção eduardiana. "Eu me lembro de Julian na escola", conta Lucy, que só soube aos 13 anos que havia sido imortalizada por uma canção dos Beatles. "Eu me lembro bem dele. Posso ver seu rosto claramente... nós costumávamos sentar lado a lado naquelas carteiras bem antigas. A casa era enorme, e havia cortinas pesadas para dividir as salas. Pelo que me disseram Julian e eu éramos duas pestes."John afirmou que as imagens de alucinações na canção tinham sido inspiradas pelo capítulo "Lã e água" de Através do espelho, de Lewis Carroll, em que Alice é levada rio abaixo em um barco a remo pela Rainha, que de repente se transforma em um carneiro. Quando criança, Alice no País das Maravilhas e Através do espelho eram dois dos livros favoritos de John. Em uma entrevista de 1965, ele afirmou que quando criança os relia uma vez por ano. Em outra ocasião, ele declarou que, em parte, foi graças à leitura que ele percebeu que as imagens em sua cabeça não eram indícios de insanidade. "Surrealismo para mim é realidade", ele afirmou. "A visão psicodélica é realidade para mim e sempre foi."Pelos mesmos motivos, John adorava The Goon Show, programa de rádio britânico com Spike Milligan, Harry Secombe e Peter Sellers transmitido pela BBC entre junho de 1952 e janeiro de 1960. Os roteiros de The Goon Show, escritos principalmente por Milligan, satirizavam figuras do establishment, atacavam o conservadorismo do pós-guerra e popularizavam um humor bem nonsense. A famosa excentricidade de John devia muito aos Goons. Ele disse a Spike Milligan que "Lucy In The Sky With Diamonds" e diversas outras canções tinham sido parcialmente inspiradas em diálogos do The Goon Show. "Nós costumávamos conversar sobre 'plasticine ties' no The Goon Show, que entrou furtivamente em Lucy como 'plasticine porters with looking glass ties'75," conta Milligan, que, sendo amigo de George Martin, assistiu a algumas gravações de Sgt Pepper. "Eu conhecia bem Lennon. Ele costumava falar muito sobre comédia. Ele era maníaco pelo Goon Show. Tudo mudou quando ele se casou com Yoko Ono. Tudo parou. Ele nunca mais perguntou de mim."Quando Paul chegou a Weybridge para trabalhar na música, John só tinha o primeiro verso e o refrão. De resto, só algumas frases e versos e imagens trocadas. Paul inventou "newspaper taxis" e "cellophane flowers", e John, "kaleidoscope eyes" 76."
LUCY, AGORA NO CÉU COM DIAMANTES publicada em 28 de setembro de 2009
Lucy Vodden, a mulher que inspirou a música dos Beatles Lucy in the Sky with Diamonds, morreu em Londres aos 46 anos, em decorrência do lúpus, informou nessa segunda-feira (28) o hospital St. Thomas, onde ela se tratava, segundo a agência AP. Ela lutava há anos contra a doença, na qual o sistema imunológico ataca os tecidos do corpo. A relação de Lucy com os Beatles vem da sua infância, quando fez amizade com Julian Lennon, filho de John Lennon, seu companheiro de escola. Aos quatro anos, Julian mostrou a seu pai um desenho que fez na escola e disse que se tratava de "Lucy no céu com diamantes" (em inglês: "Lucy in the sky with diamonds"). A canção foi analisada como uma referência ao LSD, mas Lennon sempre afirmou que a frase veio de seu filho, não das iniciais do nome da droga. Lucy e Julian perderam o contato depois que ele deixou a escola. Mas, voltaram a ser ver nos últimos anos, quando o rapaz tentou ajudá-la a lidar com a doença.

JOHN LENNON - POWER TO THE PEOPLE - 2016

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http://www.rock.com/assets/products/61351/large/
"Power to the People" foi composta por John Lennon e lançada como single pela Apple Records em 1971, creditada a John Lennon / Plastic Ono Band. Chegou ao número 11 na Billboard Hot 100 nos Estados Unidos e número 7 na parada de singles britânica.

"Power to the People" foi gravada em Ascot, no Surrey durante as sessões iniciais para o álbum Imagine. O single foi lançado em 12 de março de 1971 no Reino Unido e em 22 de março nos EUA. A canção foi escrita por Lennon depois de uma entrevista que ele deu a Tariq Ali e Robin Blackburn. Lennon explicou: "Eu me senti inspirado pelo que eles disseram, embora muita coisa fosse clichê. Então, eu escrevi "Power to the People" da mesma forma que escrevi "Give Peace a Chance", como algo que o povo pudesse cantar. Ele entrou nas paradas no dia 20 de março de 1971, e lá permaneceu por nove semanas.
Participaram da gravação: John Lennon - vocal e guitarra, Rosetta HightowerRosetta Hightower (e outros cantores) - backing vocals, Yoko Ono - backing vocal e piano, Bobby Keys - Saxofone, Billy Preston - piano e teclados, Klaus Voormann - baixo e Alan White - bateria.
A banda "Minus 5", liderada pelo músico Scott McCaughey com o guitarrista Peter Buck (REM) gravou uma versão de "Power to the People" para o álbum tributo de 1995 "Working Class Hero: A Tribute to John Lennon". Também foi gravada pelo "Black Eyed Peas" para o álbum "Instant Karma: The Amnesty International Campaign to Save Darfur". No ano 2000, Eric Burdon , Billy Preston e Ringo Starr fizeram uma performance matadora de "Power To The People" que foi foi destaque na trilha sonora do filme "Steal This Movie" e que a gente confere agora! Viva John Lennon!

segunda-feira, 11 de abril de 2016

PAUL McCARTNEY - COMING UP - SENSACIONAL!!!

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“Coming Up” foi gravada durante o verão de 1979 e lançada como compacto em 1980. A música também é a faixa que abre o disco “McCartney II”, tão duramente criticado. McCartney II tornou-se conhecido por ser mais eletrônico e experimental. É o 12° da carreira de Paul McCartney. Em todas as faixas, gravadas em casa, como dez anos antes, ele toca todos os instrumentos, faz os vocais e divide as harmonizações com Linda. Também existe uma versão ao vivo de “Coming Up”, gravada durante uma turnê dos Wings e lançada posteriormente em single, com “Lunchbox / Odd Song” do lado B.

O vídeo clipe de “Coming Up”, foi lançado em 17 de maio de 1980, no programa “Saturday Night Live”. No Brasil, foi exibido primeiro no Fantástico. No vídeo, Paul interpreta dez personagens distintos e Linda, dois, um deles, homem. Essas interpretações vão de Buddy Holly, Frank Zappa, Ron Mael, Andy Mackay, Ginger Baker , até ele mesmo, o próprio, como o Beatlezinho da época da Beatlemania. Inteligentemente, Paul batizou a suposta banda como “THE PLASTIC MACS”, fazendo uma paródia à Plastic Ono Band de Lennon. Por falar em John Lennon, foi depois que ele ouviu “Coming Up” que Lennon decidiu voltar para o mundo dos vivos. 
“Coming Up” chegou ao primeiro lugar das 100 mais da revista Billboard, sendo a única música de Paul, em carreira solo (sem os Wings), a conseguir tal feito. No Brasil, também virou chiclete. O compacto com a música, com "Lunch Box-Odd Sox" no lado B, foi lançado dia 11 de abril de 1980. Ainda tenho o meu até hoje!

VALENTINE & MARLIES - DON'T WANT TO SAY GOODBYE (Raspberries cover)

Um comentário:

Não deixe de conferir de jeito nenhum a incrível postagem sobre os Raspberries, publicada pela última vez aqui em 14 de outubro de 2014: "WELCOME BACK RASPS - A SENSACIONAL VOLTA DOS RASPBERRIES"!

FREE AS A BIRD - SÓ OS BEATLES MESMO!

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A lenda seguinte dos Beatles começou em Liverpool, na manhã de Ano-Novo de 1994. Paul a descreveu de modo tipicamente extraordinário: ele acordou de bom humor, após a celebração anual da família McCartney, e pegou o telefone para desejar boas festas à alguém que não via há algum tempo. "Ela ficou um tanto surpresa de receber meu telefonema, porque sempre fomos meio concorrentes no negócio do entretenimento", ele disse. "Mas ficamos conversando. Liguei para ela mais algumas vezes depois disso, ficamos mais próximos, e essa ideia surgiu". Talvez as coisas não tenham acontecido exatamente assim. Yoko Ono teria dito que a primeira vez que ouviu falar do assunto foi algumas semanas antes disso, quando recebeu uma ligação de Neil Aspinall e George Harrison. Eles queriam saber se ela deixaria os Beatles sobreviventes fazerem uma espécie de colaboração post-mortem moderna e digital, acrescentando suas próprias contribuições a uma canção inédita de John Lennon. "Como se pudéssemos fazer o impossível", Paul continuou. "Falei com Yoko sobre isso e ela disse que tinha três faixas, inclusive Free as a Bird. Algumas semanas depois, Paul foi a Nova York para assistir à inclusão de John no Hall da Fama do rock, como artista solo, e deu um abraço em público na viúva do homenageado, que já não era mais sua rival dentro do grupo. Em seguida, Yoko recebeu Paul em casa para lhe mostrar algumas fitas demo de John que haviam sobrado. "Fui para lá, para o Dakota, onde fiquei até tarde só tagarelando, tomando chá e me divertindo. E ela disse: 'Vou tocar as fitas para você!' E eu ouvi três canções: 'Grow Old With me', 'Free as a Bird' e 'Real Love'. Eu gostei de 'Free as a Bird' logo de cara. E pensei: 'isso é exatamente o que eu teria adorado fazer junto com John.' (...) Se John tivesse me mostrado essas três, eu teria dito: 'Vamos trabalhar primeiro naquela do meio". Por fim, Paul voltou para casa com algumas fitas contendo cerca de meia dúzia de canções, inclusive "Real Love", "Grow Old With Me", "Girls and Boys", "Now and Then" e "I Don't Want to Lose You". Alguns desses títulos podem ser versões diferentes da mesma canção, mas o certo é que Paul continuava voltando a "Free as a Bird". Ele levou a melodia para George e Ringo e, conforme a história que contou depois, teve o cuidado de dizer a Ringo "para deixar o lenço à mão". Em seguida, Paul apertou o botão de tocar e todos ouviram o velho amigo captado no piano da sala de visitas, em algum dia de 1977, cantando de modo agridoce, dizendo de forma melódica que a liberdade só não é melhor do que o conforto do lar. O fato de que John tivesse deixado a ponte inacabada (com algumas linhas de lá-lá-lás e uma modulação estranha na volta do verso) serviu para deixar Paul mais feliz — parecia tão mais próximo do velho processo original, do tempo em que ambos tinham o hábito de levar suas canções quase terminadas para que o outro ajudasse nas finalizações. Dessa vez, George e Ringo dividiriam as tarefas também, para que tudo fosse ainda mais inclusivo. Eles se reuniram no Moinho, no dia 11 de fevereiro de 1994, com o amigo de George e membro da banda Traveling Wilburies, Jeff Lynne, sentado na cadeira de produtor (Lynne era muito esperto na digitali-zação, e Martin havia se retirado da linha de frente das gravações em razão de problemas auditivos), e puseram mãos à obra. Mais entrevistas, mais mitos, mais lendas: antes que começassem a trabalhar, Paul aliviou as tensões dizendo aos outros que imaginassem que John apenas saíra de férias, deixando-os encarregados de finalizar sua canção. Durante aquelas horas, pelo menos, eles fingiriam que estava tudo bem no mundo. "Então, foi ótimo", concluiu Paul. "E nós fizemos isso de novo no ano seguinte." Certamente, nada era assim tão simples. George não gostou da letra que Paul esboçou para a ponte de "Free as a Bird" e disse isso a ele de forma clara. "E você sabe que, quando compõe há tanto tempo, espera que as pessoas gostem das suas letras", disse Paul. "Ele estava certo, mas as coisas ficaram um pouco tensas por um tempo." Depois disso, Paul se aborreceu quando começou a suspeitar que George e Lynne se juntariam para marginalizar o impacto dele na canção. "Eu senti, durante um período, no começo, que gostaria de ter algumas pessoas ao meu lado naquilo!" Em particular, quando desconfiou que Lynne sugerira a George que fizesse um slide com a guitarra, para que o disco se parecesse mais com exibições dele de solo do que com autênticas faixas dos Beatles. "Eu pensei: 'É 'My Sweet Lord' novamente.' É a marca registrada de George. John talvez tivesse vetado aquilo", afirmou Paul. Todavia, ele esperou para ver como tinha ficado o som, e mudou de ideia. "Percebi que ele tocou de maneira brilhante". As sessões de "Free as a Bird" acabaram correndo de forma relativamente tranquila, de modo que eles se reencontraram no moinho, no dia 22 de junho, para fazer o trabalho com "Now and Then". Dessa vez, porém, problemas técnicos — um zumbido recorrente e mudanças rítmicas na fita original de John — e inúmeras palavras que estavam faltando tornaram impossível completar a canção sem conhecer exatamente as intenções reais de John. A sessão foi logo interrompida, e George sugeriu que eles se mudassem para o estúdio de gravação que ele mantinha em Friar Park, sua adorada mansão em estilo gótico em Henley-on-Thames. O plano original era filmar os três beatles durante as gravações de uma nova versão de "Let It Be" para usá-la como ponto alto do Anthology. Sabe-se lá de quem foi a ideia, mas quando o sol ficou a pino e eles se juntaram para fazer o filme, George, e talvez Ringo, decidiu que aquilo era uma forma muito centrada em Paul de terminar o que deveria ser uma história de todo o grupo. Diante dessa resistência, eles deixaram as coisas de lado e saíram para caminhar juntos nas aleias arborizadas do jardim de George, deixando para trás câmeras e microfones, durante um longo tempo (talvez cerca de três horas), e clareando as ideias. O que disseram um para o outro ficou entre as plantas silvestres. De qualquer maneira, foi o suficiente para animá-los a voltar para o estúdio e pegar seus instrumentos (George e Paul nas guitarras acústicas; Ringo na bateria), e entreter as câmeras com velhos sucessos do tempo do Casbah, com bate-papos calorosos e, ocasionalmente, com o acompanhamento do uquelele (de George e, às vezes, de Paul) quando se reclinavam na grama ensombreada do jardim de George. É provável que nem todo o tempo do mundo, nem os encontros alegres, nem a história vivida em comum pudessem resolver toda a tensão que pairava no ar entre os Beatles. Ela é menos evidente quando eles estão conversando, e menos ainda quando estão tocando juntos, quando tudo parece estar na superfície. Por um lado, eles estão em perfeita sintonia — conseguem chicotear os velhos arranjos de "Roll Over Beethoven" e "Raunchy" com a mesma facilidade que teriam ao guiar uma bicicleta construída para três, tudo é memória muscular e reflexo. Com mais profundidade ainda, George consegue lembrar a introdução da guitarra de "Thinking of Linking", sendo que essa canção de Paul jamais passou da introdução e do primeiro verso. Então, Paul começa a agir como dono do espetáculo e George se retrai dentro de si mesmo. Ele não canta com o entusiasmo de Paul; seus olhares de soslaio parecem ressaltar que Paul está sentado mais perto da câmera do que ele. Será que ele estava pensando em John e sentindo falta dele? Ou será que George estava intuindo novamente aquilo que Paul confessaria mais tarde: que, independentemente de estarem ficando mais velhos, ele jamais deixaria de enxergar George como o irmão mais novo Apenas oito meses mais jovem, um homem de grandes realizações na indústria musical e cinematográfica, de grande espiritualidade e de surpreendente experiência de vida. Mesmo assim, aos olhos de Paul, jamais tão sofisticado, jamais tão realizado. Será que Paul algum dia pensou que George poderia ter percebido essa atitude e se ressentido dela? É difícil saber, mas George já tinha saído do banco quando Paul convocou-os para tocar "Blue Moon of Kentucky" e, quando se sentou outra vez, para atender ao chamado do companheiro, deixou claro que sua energia tinha arrefecido: "Só uma versão mais curta". Os olhos de Paul estavam brilhando, ele tinha total controle da música e do momento, exatamente como gostava. George tocou junto, acrescentando a baixa harmonia ao coro, de forma obediente. Mas ele não sorria, e seus olhos já se moviam furtivamente em direção à porta.O trabalho continuou. O grupo fez ainda uma sessão frutífera de dois dias com Jeff Lynne, em fevereiro, adicionando os instrumentos e vozes à fita demo de John com a canção inacabada "Real Love". Eles ainda tamborilaram um pouco "Now and Then", mas não chegaram a lugar nenhum. Em seguida, gastaram algumas tardes nos estúdios da EMI, em Abbey Road, no inverno e na primavera, ouvindo fitas de velhas sessões. Eles pareciam gostar imensamente da experiência e da companhia um do outro. Certa tarde, os três beatles pararam o trabalho e desceram até a cantina do estúdio, onde se serviram de saladas e xícaras de chá. O pedido adicional do grupo de rock mais popular e influente da história foi uma travessa extra de batatas fritas, para que pudessem dividi-la. Então, eles se sentaram juntos, comendo e rindo, exatamente como haviam feito durante as tomadas de "Love Me Do", em 1962. "Mais velhos e ligeiramente diferentes, talvez, mas ainda assim eram três beatles sentados ali", disse Paul. "E com quem? George Martin! E que caixas estávamos olhando? As verdadeiras caixas das sessões. E embora pareça bobo, juro por Deus que, enquanto tocávamos as fitas, eu rezava para não ter feito nada de errado". A ideia original era que terminassem três canções de John, inserindo cada uma em cada um dos três CDs do Anthology. Mas eles ficaram sem gás depois de "Real Love", e toda aquela empolgação acabou no final da segunda rodada, indicando que a terceira canção teria de ser feita sem o rótulo de novo produto dos Beatles. Todos concordaram que "Free as a Bird" deveria ser o número de abertura do Anthology: primeira faixa do primeiro CD e clímax do primeiro episódio televisionado da respectiva série de TV. Afinal de contas, era a primeira colaboração dos quatro desde Abbey Road. Mais importante ainda, era a primeira vez que os Beatles falavam em uníssono sobre a sua ruptura: o que significaram uns para os outros; o que perderam; o que sempre desejaram reivindicar, mesmo nas profundezas da amargura. Todavia, por mais que parecesse impossível que os Beatles jamais tivessem existido, e que pudessem se reunir como quarteto 25 anos depois do seu rompimento, e quase quinze anos depois de a mania criada por eles ter se tornado assassina, eles encontraram um jeito de fazer isso mais uma vez. Por apenas um tiquinho, menos de quatro minutos e meio, ali estavam eles novamente. Começa com Ringo determinando a batida, depois com a guitarra de George dobrando uma única nota sobre o piano de John, o baixo de Paul e o tarol de Ringo, baixo, bateria e o címbalo. Os quatro em uníssono, e o vocal de John se inicia. Freeee... a fita original em baixa frequência enfatiza a sua distância, como se ele estivesse reluzindo em outro plano. Que é exatamente o que acontece. Ele queria deixar sua mensagem e, de alguma maneira, magicamente, os pensamentos de John se cristalizam nos sentimentos de todos os outros. Paul aguarda apenas as quatro batidas para se juntar à harmonia do resto do pensamento inicial de John — asa birrrd. Então, finalmente, aconteceu. Eles estão juntos de novo, aquelas duas vozes que se combinam perfeitamente, cantando não apenas uma com a outra, mas uma para a outra; para George e Ringo também; para os Beatles. E está tudo ali, nas etapas de concepção e execução, na voz agridoce de John, no padrão agitado do baixo de Paul, na guitarra suave de George e na percussão precisa de Ringo. Elementos diversos em equilíbrio quase perfeito. Juntos, eles cantam o fim do grupo, a necessidade de fugir um do outro, para buscar a liberdade criativa e pessoal que os vínculos tão estreitos jamais possibilitariam. E foi exatamente isso que encontraram, mas com que objetivo? Como John admitiu, aquilo era apenas a segunda melhor coisa do mundo. Que vinha depois de estar em casa e protegido. E é para lá que ele imagina voar, um pássaro no céu vazio, agora um pássaro rastreador que se precipita de forma determinada em direção ao lugar de onde partiu. Na ponte recentemente escrita, Paul e George, na segunda vez, chamam por John com as próprias palavras. O que aconteceu conosco? Como nos perdemos uns dos outros? Em seguida, todos compreendem a mesma coisa juntos: a unidade criativa e espiritual que eles tiveram antes foi tão libertadora quanto qualquer outra coisa que experimentaram na vida. Uma interpretação sentimental, talvez. Então, eles chegam aos momentos finais da canção, um falso término que se funde com uma referência psicodélica incorporada a um acorde fatal, que se esvai num trecho de uquelele tocado em estilo de music-hall, que desaparece quando uma voz familiar resmunga qualquer coisa parecida com o jargão sem sentido dos bastidores. Eles pegaram um fragmento da fita que continha uma fala posterior de John que dizia "Isso ficou bom", e o colocaram no final. Só que, quando tocaram nos alto-falantes, ouviram uma coisinha a mais, tão clara quanto o dia: "Feito por John Lennon!" Os outros Beatles ficaram embasbacados. "Nenhum de nós havia escutado aquilo enquanto compilávamos as fitas, mas quando falei com os outros e disse 'Vocês não vão acreditar...', eles me responderam: 'Já sabemos, também acabamos de ouvir!", afirmou Paul. "E juro por Deus que ele realmente diz isso! Nem em um milhão de anos poderíamos saber o que aquela frase significaria antes. É impossível. Então, há mágica de verdade ali". Trecho extraído do livro de Peter Ames Carlin - "Paul McCartney - Uma vida".
Música mavilhosamente linda que é, Free as a Bird não poderia ser lançada sem um vídeo clipe simplesmente maravilhoso e à altura. O vídeo possui uma técnica de direção de fotografia inovadora, pois a câmera segue todo o tempo na primeira pessoa, tomando lugar da ave (Bird) que voa livre por Liverpool e Londres, mostrando toda a trajetória da banda e os lugares por onde os Fab Four passaram ao longo da infância e durante o tempo que estiveram juntos. Referências a Penny Lane, Paperback Writer, A Day in The Life, Eleanor Rigby, Helter Skelter e dezenas de outras são facilmente vistas, mas existem ao todo mais de 100 referências à música dos Beatles ao longo do vídeo, que foi produzido por Vincent Joliet e dirigido por Joe Pytka. Como não poderia ser diferente, o vídeo ganhou o Grammy Award for Best Short Form Music Video em 1997.

VINYL - A SUPERSÉRIE DE MARTIN SCORSESE E MICK JAGGER

4 comentários:
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O simples fato de Vinyl, a nova série da HBO, ser produzida por Mick Jagger, Martin Scorsese e Terence Winter e se passar na Nova York dos anos 70, já deveria ser um grande - e suficiente - motivo para todos os apaixonados por séries e cinema quererem devorar todos os episódios.
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A série fala sobre impérios opulentos que despencam em uma ruína financeira e moral, fustigados por ambição, mudanças de costumes e, não raro, violência; assunto que atrai particularmente Scorcese. "Acho que é porque vi isso acontecer no mundo real. Você via caras como os de "Os Bons Companheiros" e "Cassino" dirigindo Cadillacs, usando ternos e sapatos de milhares de dólares, com as unhas feitas e seus cortes de cabelo. Dava para ver a história desmoronando. Talvez seja por isso que eu adoro esse tipo de enredo, porque é a história de alguém que percebe que o mundo, tal como ele conhece, está acabando. Às vezes, isso acontece dentro da família. Às vezes, é um estilo de vida inteiro. Em outras, é no mundo dos negócios, na maneira de fazer as coisas, como em Vinyl", diz. Os episódios se passam durante a revolução da indústria musical americana da década de 1970 e contam a história de Richie Finestra, um empresário que tem que lutar para salvar sua gravadora, a American Century Records, sem destruir ninguém pelo caminho. A empresa está em um péssimo momento, mas um acontecimento restaura seu amor pela música, ao mesmo tempo que prejudica sua vida pessoal. Sua esposa, Devon, já viveu uma vida glamourosa como atriz e modelo, mas agora vive com as crianças na casa da familia no subúrbio. Porém, as turbulências na vida do marido a levam de volta a suas raízes boêmias. Zak Yankovich é o braço direito de Finestra na American Century, e suas relações profissionais foram responsáveis por grande parte do sucesso da empresa. Mas os dois homens parecem discordar fundamentalmente na forma de gerir a empresa, o que leva a conflitos frequentes.
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 A série é um prato cheio para os amantes da música. Junto ao universo fictício, traz grandes nomes da música que interagem com os personagens. Entre eles, estão John Lennon, Alice Cooper, Gram Parsons, Elvis Presley, David Bowie e Led Zeppelin. Além deles, Mott the Hoople, Edgar Winter, Foghat e Otis Redding e David Johansen também se fazem presentes nos episódios.Tradicional nas produções de Scorsese, o rock ganha destaque na trilha sonora, mas é mesclado com outros estilos musicais, inclusive pelo indie, através da banda islandesa Kaleo.
http://www.guiadasemana.com.br/system/pictures/2016/3/154305/cropped/
O elenco também é um show à parte. Olivia Wilde dá vida ao papel da mulher de Finestra, Devon, que foi modelo de Andy Warhol nos anos 1960 e largou a carreira para se dedicar à família. Além da musa, Ray Romano está como Zak Yankovich, sócio da gravadora, e James Jagger, filho de Mick com a modelo Jerry Hall, atua como Kip Stevens, líder e vocalista de uma banda de punk. Já Finestra é fruto da atuação de Bobby Cannavale e Lester Grimes por Ato Essandoh.

Em uma entrevista ao New York Times, o escritor Edmund White disse que há uma corrente forte de nostalgia em torno da Nova Iorque de final dos anos 70 e início dos 80, mesmo entre aqueles que não a viveram — essa era a altura em que a cidade era perigosa, quando as mulheres transportavam Mace [spray de autodefesa] nas carteiras, quando até homens feitos pediam ao taxista para que este esperasse até que eles atravessassem os quatro metros e meio do carro até à porta do prédio, quando um apagão fazia com que bairros inteiros fossem saqueados. Em paralelo, acontecia o derradeiro período na cultura americana em que a distinção entre highbrow [a elite cultural] e lowbrow [o polo oposto] prevalecia, quando escritores, pintores e pessoas do teatro ainda queriam ser ‘mártires pela arte’, a ‘dirty old New York’ dos ricos e dos pobres. A série traz tudo isso, sem contar, é claro, com o clima efervescente de sexo, drogas e rock'n'roll típico dos anos 70, que também foi um marco para a indústria mundial do disco, com um crescimento excepcional, de 10 a 20% por ano. Nos Estados Unidos, das 250 milhões de unidades produzidas em 1946, passa-se a mais de 600 milhões em 1973.

E quem gostou, pode conferir no link abaixo todos os episódios da 1ª temporada, dublados ou legendados. Abração!
http://filmesserieshd.com/vinyl-online-serie-dublado-legendado/

domingo, 10 de abril de 2016

A SEPARAÇÃO DOS BEATLES - PETER DOGGET

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Mais de quarenta anos depois do fim da banda mais famosa da história da música, os fãs dos Beatles continuam tentando entender quais motivos levaram o quarteto britânico a se separar, tão precocemente, e no auge da fama, em 1970. Uma obra recém-lançada nos Estados Unidos e sem previsão de chegada ao Brasil, “You Never Give me your Money: The Beatles after the Breakup” (Você nunca me dá seu dinheiro: os Beatles após o rompimento, na tradução literal), ajuda a engrossar o caldo de suposições. Nela, o autor, Peter Doggett, exime de culpa a vilã preferencial Yoko Ono, companheira de John Lennon, que o teria afastado dos parceiros, e atribui a cisão a um erro de gestão. Ou melhor, ao pior erro de gestão da história da indústria do entretenimento, segundo ele. Que, para desespero dos beatlemaníacos que sonham com as canções que poderiam ter sido feitas, tinha chance de ser evitado.
Para justificar sua tese, o americano Doggett, jornalista especializado em música e também autor de “The Art and Music of John Lennon” (sobre a criação dos Beatles), lança luzes sobre as duas grandes teorias acerca da tensão que se criou entre John Lennon e Paul McCartney e o fim dos Beatles. A primeira, e consagrada, coloca a presença ostensiva de Yoko Ono entre eles como responsável pelos conflitos. E a segunda culpa a ganância do advogado americano Allen Klein, que representava os Rolling Stones e substituiu o empresário de confiança do grupo Brian Epstein, morto em 1967.
Na opinião de Doggett, tanto Yoko quanto Linda Eastman, a então namorada e futura esposa de Paul, eram mulheres fortes, que apenas queriam ficar perto dos homens que amavam. O advogado Klein não tem uma avaliação tão simpática. É considerado um canalha e responsável por batalhas épicas entre os integrantes da banda. O americano que substituiu Epstein articulou uma aliança de John, Ringo Starr e George Harrison contra Paul, porque ele preferia que o pai de sua noiva, o empresário Lee Eastman, cuidasse dos negócios do grupo. A partir daí, criou-se uma grande distância entre Paul e o resto do grupo. Para Doggett, as brigas sem motivo entre aqueles garotos de vinte e poucos anos poderiam ter sido controladas com a presença de uma pessoa sensata que conseguisse mostrar o óbvio: que a banda era muito maior do que os talentos individuais de seus integrantes. Segundo o autor, as pessoas mais maduras que auxiliavam o quarteto tiveram pouca utilidade, como o produtor George Martin, “amável demais”, e o responsável pela gravadora deles, a Apple, Neil Aspinall, que apenas se ocupava dos negócios e permaneceu alheio à batalha de egos que tomou conta do grupo. Em sua opinião, ninguém envolvido na gestão da banda foi inteligente o suficiente ou teve coragem o bastante para forçar dois jovens imaturos (leia-se Paul e John), dos quais todo aquele império musical dependia, a procurar terapia. O livro começa com o assassinato de John em Nova York, em 1980, e logo depois se volta para o final dos anos 60, quando “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, o oitavo álbum, considerado por muitos o melhor de todos, foi lançado, em 1967. O autor conta que Paul e John usavam até músicas para se provocar – caso da canção que dá título ao livro, “You Never Give me your Money”, de Paul McCartney, do álbum “Abbey Road”. Doggett critica tanto as atitudes arrogantes de Paul, que queria ser o líder da banda, quanto a mesquinhez de John, que se opunha a qualquer tentativa de reconciliação. “É surpreendente que ele seja lembrado como um mártir amante da paz”, afirma. O autor especula, ainda, que pode ter sido justamente a abundância de dinheiro que fez com que os quatro não se esforçassem para se manter juntos. Antes da morte de John, eles recebiam seguidas propostas para retomar o grupo em troca de US$ 30 milhões. Mas o dinheiro foi um instrumento fraco de convencimento. Como se sabe, a tão esperada reconciliação nunca houve. Mas, no imaginário dos beatlemaníacos, a banda permanece unida, assim como no rádio, na televisão, na internet, em filmes e videogames. Para os fãs daquela época, de hoje e provavelmente das próximas gerações, John, Paul, Ringo e George nunca se separaram.
Para quem quiser conferir um trecho do livro de Peter Doggett, o link é:

POR QUE OS BEATLES ACABARAM – ESPECIAL ROLLING STONE

Um comentário:
A edição nº 36 da revista Rolling Stone Brasil, de setembro de 2009, foi especial sobre a separação dos Beatles e foi a matéria principal estampada na capa com artigos completíssimos elaborados por Mikail Gilmore - “Por que o Sonho Acabou - Os bastidores da saga dos Beatles – e as forças que esfacelaram a maior banda de todos os tempos”, uma análise minuciosa sobre todas as circunstâncias que levaram ao fim do grupo. O texto é de tirar o fôlego. Além da capa, os Beatles ocupam nada menos que 12 páginas dessa edição. Infelizmente, não deu para transcrever o texto para cá devido ao seu tamanho, mas quem quiser poderá ler a matéria completinha no site da revista: http://rollingstone.uol.com.br/edicao/36/por-que-o-sonho-acabou

IMAGEM DO DIA - STUART SUTCLIFFE

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Milhares de anos-luz antes de Caetano, Gabeira e Mautner chocarem o Brasil com suas tanguinhas de crochê nas praias cariocas, o jovem Stuart Sutcliffe já horrorizava nas praias de Blackpool. Stuart morreu há exatos 54 anos, no dia 10 de abril de 1962, com 22 anos. Se vivo estivesse, completaria 76 anos em 23 de junho. Não deixe de conferir a postagem "STUART SUTCLIFFE" publicada pela última vez aqui em 23 de junho de 2014.

sábado, 9 de abril de 2016

10 CURIOSIDADES SOBRE OS PRIMEIROS 100 DIAS DE BEATLES NO SPOTIFY

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Qual é a música mais ouvida dos Beatles? E qual o melhor dia e horário para ouvir as canções dos Fab Four? E quem ouve mais a banda de Liverpool, homens ou mulheres? E qual a faixa etária? São perguntas que ninguém conseguiria responder, mas uma pesquisa feita pelo Spotify desvendou todos esses mistérios.

Beatles
No fim de dezembro do ano passado os usuários do Spotify foram presenteados com a possibilidade de acessar pelo serviço de streaming toda a obra dos Beatles. Passados 100 dias, a companhia divulgou um levantamento sobre a audiência das músicas dos rapazes de Liverpool, revelando aspectos curiosos:
1. O grupo teve 6.5 milhões de ouvintes mensais.
2. Dos ouvintes, 67% têm menos de 35 anos.
3. 65% são homens e 35% mulheres.
4. Quinta-feira é o dia em que mais se ouve as músicas da banda.
5. A hora favorita é por volta das 5 da tarde.
6. As quatro músicas mais ouvidas no mundo são “Here Comes the Sun”, “Come Together”, “Let it Be” e “Yesterday”. No Brasil, “Here Comes The Sun”, “Hey Jude”, “Twist and Shout” e “Blackbird”.
7. Os quatro álbuns mais tocados no serviço de streaming são “#1”, “Abbey Road”, “The Beatles” e “Let It Be”.
8. As cidades do Brasil que mais ouvem Beatles: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.
9. Mundialmente, as cidades que mais ouvem Beatles são Cidade do México, Londres, Santiago e Los Angeles.
10. Os quatro países onde mais se ouvem Beatles são Estados Unidos, Reino Unido, México e Suécia.

PAUL McCARTNEY - FOTOS ESQUECIDAS EM UM SÓTÃO

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Enquanto estava fazendo uma arrumação em seu sótão, o renomado fotógrafo Clive Arrowsmith encontrou três fotos nunca antes vistas de Paul McCartney. Tratam-se de imagens feitas durante ensaios em 1993, sendo a primeira ao lado da banda que o acompanhava na época. Para este clique, Arrowsmith revelou que Paul pediu para que o stylist arrumasse roupas divertidas para um “ensaio espontâneo”. Nas fotos mais recentes, em P&B, Paul aparece de rosto colado com Linda, que morreu em 1998 vítima de câncer, e pulando de bungee jump com uma guitarra na mão.
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As fotos serão publicadas na edição especial de música do caderno “The Royal Photographic Society” do jornal “The RPS”, ao longo deste mês, acompanhadas de uma entrevista com o fotógrafo. Andrew Cattanach, o editor do jornal, descreve Arrowsmith como “um dos mais renomados fotógrafos de moda e celebridades”.Créditos:

RINGO STARR - EARLY 1970

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No início de 1970, John Lennon, Klaus Voormann e Ringo Starr tinham gravado as bases de uma canção que seu compositor baterista chamara de 'When Four Knights Come to Town' ('Quando quatro cavaleiros vêm à cidade'). Ringo terminou a canção com a ajuda de Harrison alguns dias depois, e ela foi lançada em compacto no ano seguinte, sob o título de “Early 1970” (Início de 1970). Em quatro estrofes simples, Ringo pintou vívidas miniaturas de cada um dos Beatles: Lennon na cama pela paz, Harrison escapando de seu terreno de 40 acres para tocar em sessões intermináveis, McCartney escondendo seu 'charme' em sua fazenda, e Starkey expondo as próprias habilidades musicais limitadas. A mensagem era simples: Starkey sabia que quando Lennon e Harrison viessem à cidade, aceitariam alegremente trabalhar com ele, mas e quanto a McCartney? Ele não sabia. Só estava certo de uma coisa: 'Quando eu for à cidade, quero ver todos os três'. Era o esboço de um tratado de paz, e para o punhado de pessoas que ouviram a faixa, em outubro de 1970, ela deve ter sinalizado que um reencontro ainda não era impossível, e que o lema de Lennon 'renascimento ou morte' poderia chegar a uma resolução positiva. Isso, contudo, seria uma impressão de outubro, e a canção não foi lançada até março. Quando então Early 1970 pareceu uma falsa memória de um passado mítico, uma arcádia perdida, recoberta por ervas daninhas.

SÁBADO SOM - A COR DO SOM - BELEZA PURA!

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Por João Carlos de Mendonçahttps://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLf5RfJUTZDpcTOCNdT7THPNwPAPdjJjsw_ocapm3_Os5L0kHrmAueYnkLeZlw-I7bIBxWdS7aPn0S-23s6NTY61EjeNy_wAW__g6I3JycLIHP4ldl8o7QiWxYODT8UoXC_0qgNr_BC0c/s1600/
O grupo surgiu ainda como parte de OS NOVOS BAIANOS. Era a turma que alicerçava a diversidade criativa dos demais (a pegada rock de Pepeu, a bossa e os sambas de Moraes e Paulinho e as “quebradas” regionais de Baby). O nome bolado por Caetano Veloso manteve-se quando se tornaram acompanhantes da carreira solo de Moraes Moreira, mas já com a formação diferente quando partiram pra uma carreira como grupo. Apesar de jovens, todos eram músicos escolados, assim ao baixo de DADI, à bateria de GUSTAVO e às guitarras e bandolins do ARMANDINHO, juntaram-se o tecladista MU (irmão do Dadi) e o percussionista ARY. E esta foi a formação mais bem sucedida de A COR DO SOM, mesmo tento o brilhante guitarrista Victor Biglione passado uma chuva no conjunto quando da defecção do Armandinho. Logo no primeiro disco (1977), notava-se que a proposta do grupo era notadamente pós-tropicalista. Noutras palavras, toques de música erudita deslizavam entre números instrumentais, chorinhos, rocks, baladas e até certa levada “carnavalizante”. Se esse trabalho primogênito não foi recebido com o “auê” que merecia, encantou ninguém menos que o Claude Nobs. Portanto, A COR DO SOM foi o primeiro grupo brasileiro a apresentar-se no FESTIVAL DE MONTREUX (1978), show que originou o segundo disco (ao vivo) da banda. Convém, no entanto ressaltar que estes 2 trabalhos eram totalmente instrumentais. Portanto, apenas os “descolados” estavam a par dos feitos daquele pessoal, que até então não conseguia adentrar o mundinho encantado das rádios e TVs brasileiras e, por conseguinte, não chegara ainda ao grande público. Não posso afirmar se foi realmente proposital, mas o álbum de 1979, chamado “FRUTIFICAR”, além da capa exibindo as belas faces juvenis dos 5 cabeludos, reunia uma lista de convidados de altas patentes dos estúdios brasileiros, algumas canções de viés pop, além de belas faixas instrumentais de feitios diversos. A verdade é que de repente e “de cara”, duas pérolas não paravam de tocar em rádios; um xote escrito pela dupla Dominguinhos/Gil “Abri A Porta” (com um arranjo meio balada meio reggae e referências a “Here, There & Everywhere) e “Beleza Pura” de Caetano Veloso, garantiram estrelato imediato à banda. Da noite pro dia, qualquer evento com o conjunto reunia audiência no mínimo duplicada onde aparecessem. Garotas deslumbradas, maluquetes e caretas, colegiais e universitários e, principalmente a crítica musical. O LP teve vendagens surpreendentes. Não foi a toa que A COR DO SOM participou do disco buarquiano A ÓPERA DO MALANDRO, na faixa “Hino De Duran”. A fórmula deu certo no disco seguinte, “TRANSE TOTAL”, com mais faixas “cantadas” bombando nas paradas, como “Palco” (Gil) e “Zanzibar” (Armandinho/Fausto Nilo). E aqui, cabe um toque importante: “todas as músicas acima mencionadas e que viraram sucessos retumbantes, escritas pelos autores citados, foram lançadas originariamente pelo conjunto”, antes mesmo de serem regravadas pelos compositores. O disco seguinte, “MUDANÇA DE ESTAÇÃO” que traz a canção “Alto Astral” (precursora do som de grupos como o ROUPA NOVA), marca a saída de Armandinho. O grupo seguiu em frente, mas infelizmente sem a aceitação de até então e, a partir desse período, foi sumindo do mapa musical, embora continuasse lançando discos até 1986.http://kultme.com.br/kt/wp-content/uploads/2015/06/
A formação clássica foi se desfazendo, entretanto, vez em quando ainda se reúnem eventualmente para celebrações pontuais. Sem tirar nem por, A COR DO SOM foi o arco-íris que ligou a MPB ao BRock dos anos 80. Enfim, eles também passearam por aquela garoa... Numa boa!

PAUL McCARTNEY & WINGS - LONDON TOWN - 2016

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Após uma frenética e lucrativa excursão mundial, McCartney convoca o Wings para a produção de mais um LP a bordo de um iate no litoral das Ilhas Virgens.

Qualquer pessoa em sã consciência imaginaria que o ano seguinte a uma cansativa turnê mundial só poderia resultar em longos meses de férias ao seu protagonista. Ledo encano. O desejo de continuar produzindo compactos c álbuns parecia "borbulhar" nas veias de Paul McCartney. Após o final de sua primeira excursão global, Paul logo supervisionaria a produção do LP triplo ao vivo Wings Over America (lançado em dezembro de 76), e do documentário Wings Over The World, transmitido pela TV, mundialmente, apenas em 1979. A novidade no próximo esquema de trabalho, entretanto, seria a possibilidade de trabalhar e divertir-se ao mesmo tempo. Por isso, durante todo o mês de maio de 1977, o Wings gravaria a maior parte das canções (muitas delas, parcerias entre Laine e McCartney) de LondonTown em um iate na costa de St. John, nas lhas Virgens De fato. três barcos formaram a frota ancorada na baía de Watermellon: Fair Carol (estúdio). EI Toro (residência da família McCartney) e Samala (residência dos demais membros do grupo e equipe técnica).

Em junho, Paul e Linda encontraram tempo para gravar algumas faixas no estúdio Black Ark. na Jamaica, sob a produção do mestre do reggae, Lee "Scratch" Perrv. enquanto curtiam as habituais férias anuais no Caribe. As canções, Sugartime e Mr. Sandman apareceriam somente onze anos depois no álbum póstumo de Linda, Wide Prairie.

Com o final das sessões no paraíso tropical, o próximo passo dado pelo Wings foi gravar definitivamente Mull Of Kintyre na Escócia, em agosto, e retornar a Londres para uma aventura ainda maior: no dia 12 de setembro daquele ano, Linda daria luz a James Louis, o último filho do casal McCartney. No mês seguinte, já sem a presença de Jimmy McCulloch e Joe English, os trabalhos para a finalização prosseguiram em Abbey Road e no A.I.R Studios até janeiro de 78. Enquanto colhia os frutos das 2,5 milhões de cópias vendidas do compacto Mull of Kintyre (só no Reino Unido), a missão agora era de procurar substitutos para as vagas disponíveis na banda. Em fevereiro daquele ano, Laurence Juber e Steve Holly seriam admitidos no Wings, participando da gravação de diversos videoclipes para a promoção do álbum London Town, lançado no mês seguinte e alcançando bons resultados nas paradas musicais norte-americanas e britânicas. No documentário oficial Wingspan, Paul McCartney deu a seguinte opinião sobre a produção de London Town: "Nós tentamos algumas coisas realmente loucas, como jam sessions no convés do iate com o motor rodando a todo vapor. A música que saía não era muito boa, confesso Mas a filosofia era aquela mesmo: diversão. E me lembro que London Town acabou ficando muito bom, em uma época que curtimos muito".
London Town, originalmente chamado Water Wings, foi produzido durante 11 meses em três locações diferentes: estúdios Abbey Road, A.I.R c a bordo do iate Fair Carol, nas Ilhas Virgens, onde a empresa Record Plant instalara um estúdio móvel especial. As gravações começaram em fevereiro de 1977, em Abbey Road, com o registro de Girls School (lado B de Mull Of Kintyre) e a faixa-título do LP. Mais três faixas, desconhecidas do público, seriam completadas nesta sessão que duraria até o final de março. Durante todo o mês de maio, Paul e banda permaneceriam em St. John, nas Ilhas Virgens, onde a segunda sessão de trabalho começaria no iate Fair Carol. Cançoes produzidas nesta temporada: Cafe On The Left Bank, I'm Carrying, Deliver Your Children, IVe Had Enough, With A Little Luck, Famous Groups, Morse Moose and The Grey Goose e Don't Let It Bring You Down. Outras faixas registradas durante as sessões: El Toro Passing, Running 'RoundThe Room, Standing Very Still e A Fairy Tale, sendo que a última serviria como base para a melodia final do poema sinfônico Standing Stone.
Após dois meses de intervalo, as gravações prosseguiram na Escócia para a complementação de Mull Of Kintyre. A faixa seria reservada para o próximo compacto do Wings, e receberia seu característico arranjo de gaita de foles em agosto pela Campbeltown Pipes Band. Outras faixas iniciadas neste período: Name And Address e Backwards Traveller - esta última, sendo finalizada em Abbey Road, dois meses depois. De volta à Inglaterra, em outubro, o grupo voltou a trabalhar sem a presença de Jimmy McCulloch e Joe English, dando sequência às sessões no estúdio AbbeyRoad até o começo de dezembro. Neste período, Paul, Denny e Linda adicionariam vocais e instrumentos às canções pré-gravadas.

A próxima etapa seria providenciar arranjos de cordas às faixas London Town e I'm Carrying no A.I.R Studios. O trabalho seria finalizado no dia 14 daquele mês. 
Em janeiro, após celebrar o ano novo, Paul trabalhou em conjunto com Geoff Emerick na mixagem final do álbum que se estenderia até o dia 23 na Penthouse de Abbey Road. Sobras das sessões de London Town incluem: Waterspout (inédita), Find A Way, Somehow (Denny Laine) e B-Side To Seaside (Wide Prairie).
Fonte: "Paul McCartney - Todos os segredos da carreira solo" - Cláudio D. Dirani

sexta-feira, 8 de abril de 2016

THE BEATLES - LET IT BE - 2016

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Lançada como single em março de 1970, a canção "Let It Be" parecia ter sido gravada como o canto do cisne dos Beatles, mas a canção datava de janeiro de 1969. Ninguém fazia ideia de que aquele seria o último síngle. Paul tinha escrito "Let It Be" a partir da sua sensação geral de desespero, uma vez que os Beatles começavam, aos poucos, a ruir. O documentário tinha começado como um registro de um ensaio seguido de uma apresentação ao vivo, mas foi o registro de um grupo dando os últimos suspiros. A essa altura, John preferia passar seu tempo com Yoko, cuja presença no estúdio não era bem-vinda por todos. George já havia deixado o grupo uma vez e estava desestimulado diante da maneira como suas composições eram instantaneamente rejeitadas. Até mesmo Ringo tirou umas férias quando o clima ficou realmente ruim durante a gravação do Álbum Branco. Paul estava claramente tentando assumir o papel de líder porque sentia que sem organização e disciplina ninguém chegaria mais a lugar nenhum. "Acho que estamos muito pra baixo desde que o sr. Epstein morreu", é possível ouvir Paul dizendo no filme. "É por isso que estamos cansados do grupo. Não há nada nele de que podemos tirar proveito.Tem sido um peso. A única maneira de não ser um peso é os quatro pensarem 'devemos transformá-lo em algo de bom novamente ou deixar pra lá?'" Mesmo que o papel de Paul tenha sido necessário, não fez dele mais querido. Os demais começaram a se ressentir do seu papel de organizador. "Let It Be" foi escrita como uma resposta a toda essa pressão: "Eu a escrevi quando todos esses problemas comerciais começaram a me cansar", Paul afirmou. "Eu estava passando por um 'momento pesado' e foi a minha maneira de exorcizar os fantasmas."

AULINHA DE GUITARRA GRÁTIS COM MR. CARL PERKINS

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BAKER STREET - A ESQUINA QUE JÁ FOI A MAIS BONITA DE LONDRES

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No dia 7 de dezembro de 1967, a Apple foi aberta oficialmente na Baker Street, em Londres. Novamente, os Beatles mostraram ao mundo o quanto estavam na frente. Com um projeto ousado e inovador, ao fachada do prédio, tão tradicional e careta como tudo em Londres, ganhou uma pintura maravilhosa e arrojada, projetada pelo grupo de designers “The Foll”. Infelizmente, a feta não durou muito tempo não. Por isso, a gente relembra agora, uma das primeiras postagens do Baú do Edu, de novembro de 2008. 
Durante o fim de semana de 10 a 12 de novembro de 1967, enquanto os Beatles estavam preocupados em gravar o vídeo de seu novo compacto, "Hello Goodbye", The Fool começaram a pintar a antiga fachada de tijolos da loja, armando um andaime e envolvendo-o com encerados, de modo que o trabalho pudesse ser feito em sigilo. "Eles se recusavam a dizer a qualquer um de nós a aparência que a fachada teria" diz Alistair Taylor. Ninguém, com exceção dos estudantes de artes contratados para executar o painel, tinha permissão de espiar o trabalho em curso. Até os Beatles eram mantidos a distância, como normalmente se faz com crianças ávidas de curiosidade. "Quando finalmente chegou a hora de tornar público o trabalho, todos nós nos juntamos na rua. O encerado caiu de maneira dramática e, sob ele, estava um incrível mural psicodélico na fachada do pequeno edifício, um autêntico gênio de dois andares, com estrelas, luas e fadas e coisas desse tipo. Minha nossa! Nós ficamos absolutamente pasmados. Era fabuloso! As pessoas debruçavam-se das janelas dos prédios e dos ônibus para olhar. Qualquer motorista que entrava na rua quase batia no carro da frente, cujo chofer também tinha parado para olhar."A pintura era maravilhosa", disse Paul, fazendo eco à opnião compartilhada pelos demais Beatles com a maior parte do público. Na cidade toda, o mural da butique da Apple tornou-se assunto de conversa. Londres jamais vira algo parecido. As pessoas vinham de todos os bairros para observar melhor, obstruindo a calçada em frente à loja, congestionando o tráfego. Ela se tornou tão popular como atração turística como qualquer um dos pontos turísticos tradicionais. Porém, a comissão de planejamento da City of Wesminster, à qual tinha sido requerida a permissão oficial para pintar a fachada - ignorando-se se ela havia ou não dado a resposta -, não mostrava muito entusiasmo com isso tudo. 'Não demorou muito tempo para que fôssemos chamados pelos advogados do poder público, que disseram que teríamos de devolver ao prédio a antiga aparência", lembra Taylor. Seguiram-se três semanas de uma acalorada disputa na justiça, até que, finalmente, o mural foi apagado pelos The Fool.
O "The Fool", era um grupo de designers holandeses que fez diversos trabalhos para os Beatles. Os mais famosos foram a fachada da Apple, o Rolls Royce de John Lennon, e os muros externos da casa de George, em Esher. Além dos desenhos das roupas psicodélicas que eram vendidas na butique. No dia 8 de maio de 1968, foi noticiado que os Beatles seriam obrigados a remover as pinturas psicodélicas do prédio devido à reclamação de alguns moradores da área. 

PAOLO HEWITT - 50 MOMENTOS MARCANTES DOS BEATLES

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E por falar em Aplle e Baker Street, a gente aproveira e confere um trecho do livro "Love Me Do - 50 momentos marcantes dos Beatles", de Paolo Hewitt.
Ao fim da leitura do livro Love me do — 50 momentos marcantes dos Beatles, a grandiosidade do grupo, exaltada inúmeras vezes ao longo das páginas, não se limita a 50 momentos memoráveis. Mas a difícil tarefa realizada pelo escritor e jornalista Paolo Hewitt cumpre a cronologia, despertando no leitor a curiosidade e exclamações de surpresa ao deparar-se com a riqueza de detalhes, como a descrição da cena do primeiro encontro do grupo com o cantor Elvis Presley. Logo nos capítulos iniciais, tem-se a impressão de que o autor esteve onipresente no cotidiano da banda, o que camufla o fato de ser mais um livro sobre os garotos cabeludos de Liverpool.
“Sempre quis escrever uma biografia da banda, mas, como há tantas por aí, deixei de colocar em prática o projeto. Foi somente com o aniversário de 50 anos chegando que vi uma forma de fazê-la”, revela o escritor em entrevista ao Correio. Hewitt aproveitou a data comemorativa para fazer algo diferente. Auxiliado pelos amigos Mark Lewinson, o maior expert do mundo em Beatles, e o escritor Simon Wells, selecionou os 50 eventos mais marcantes dos Beatles.
Hewitt levou um ano para escrever o livro. Realizou uma pesquisa detalhada para montar um caleidoscópio de relatos sobre a banda mais famosa do mundo. “Em 1963, aos 5 anos, ouvi Os Beatles pela primeira vez. Na minha adolescência, li e colecionei vários livros sobre a banda. Assisti a muitos documentários. Com os anos, quando comecei a escrever o livro, tinha uma boa coleção pessoal. Também visitei a British Library e ainda li muitos outros livros sobre eles”, conta o autor. Sob olhares diversos de quem escreveu e conviveu com o grupo, Hewitt constrói a personalidade de John, Paul, de George e de Ringo. O jornalista faz questão de trazer o contexto das falas e ainda realiza análise do que foi dito quando necessário. Juntou cada pedaço esquecido da história dos Beatles em biografias e reportagens para escrever a sua versão.
“Tão fascinantes hoje em dia quanto no auge, na década de 1960, os Beatles estarão para sempre enraizados na cultura popular mundial. Sua influência se espalhou por gerações de fãs e músicos e ecoa ainda hoje, mais de 50 anos após o lançamento de seu primeiro compacto, “Love Me Do”, em 1962. Da infância na dura Liverpool pós-guerra, passando pelos anos mais loucos e chegando até a reunião dos integrantes da banda na década de 1990, Paolo Hewitt narra 50 momentos definidores da carreira dos Beatles — os bons, os maus e os feios.
Os comentários sagazes do autor exploram as proezas juvenis do grupo, o estilo de vida glamoroso, o encontro com astros como Bob Dylan e Elvis Presley, além de seu espantoso salto artístico, indo da simples “Love Me Do” à sofisticada “Tomorrow Never Knows” em apenas três anos. Lançando nova luz sobre a banda “mais popular que Jesus”, esta obra oportuna captura os momentos nos quais quatro figuras notáveis se uniram para criar algo realmente extraordinário.”

http://bestclassicbands.com/wp-content/uploads/2015/07/
Em seus primeiros tempos nos Beatles, John Lennon era um tory, tendo sido levado a acreditar — como tantas pessoas — que o Partido Conservador era o mais bem preparado para o poder. Somente eles tinham a forma­ção e a classe para o cargo, qualidades ausentes em todos os outros. Posteriormente, John mudou de lado, passando a se considerar trabalhista. Contudo, é claro, em se tratando de Lennon, só poderíamos esperar algum tipo de contradição em seu pensamento.O dinheiro foi uma obsessão para Lennon des­de cedo, dominando boa parte de sua vida co­mo Beatle. Para ele, a música pop era a nova e melhor maneira de ganhar grana. Era uma “forma moderna de sucesso”. Em 1964, ao ser indagado se ele se considerava um bom exem­plo para a juventude, Lennon respondeu: “Só em termos de ganhar dinheiro rapida­mente, o que, a meu ver, é um bom exemplo”.Em 1965, cercado pelos outros mem­bros da banda, John declarou à revista Play­boy:  “Em primeiro lugar, nós somos ganha­dores de dinheiro; depois somos artistas”. Ringo o corrigiu. Ainda era considerado in­conveniente falar de forma tão descarada a respeito de dinheiro. “Somos artistas em pri­meiro lugar, John.”“É isso mesmo, lógico”, John respondeu apressadamente, para depois tentar encobrir sua maneira de pensar: “A imprensa leva você nesse sentido, então você fala assim porque é isso que eles gostam de ouvir”. Sim, até parece.Em 1966, na famosa entrevista ao Evening Standard — na qual John declarou que os Beatles eram mais populares que Jesus Cris­to —, John mostrou sua casa à jornalista Maureen Cleave, orgulhosamente apontan­do suas novas aquisições. A seguir, o líder dos Beatles e a repórter foram dar um passeio. No automóvel, Lennon mostrou a Cleave os luxos do veículo, como televisor, cama dobrável, geladeira, escrivaninha e telefone. Caso quisesse, Lennon poderia comandar seus negócios do banco traseiro de seu Rolls-Royce. Lennon reclamou do telefone e informou à jornalista que, apesar das inú­meras tentativas, somente conseguira com­pletar uma ligação do carro. A tecnologia ainda não o conquistara. Depois Lennon ligou o automóvel e le­vou Cleave para passear pelas estradas do in­terior. Enquanto rodavam pelo cenário verde de Surrey, ele se descreveu como “famoso e cheio da grana”. E também con­fessou que, apesar dos enormes ganhos, vivia preocupado com dinheiro. Mesmo com os contadores lhe falando que as finanças estavam seguras e estáveis, morria de medo de esbanjar tudo até os 40 anos, explicando assim sua recente decisão de vender alguns de seus carros. Contudo, ele então re­velou que, quando lhe falaram que não havia a menor necessidade de ter feito isso, ele os comprou de volta. O dinheiro para Lennon representava poder, e unica maneira de um homem como ele conseguir tal poder seria, nascer numa família rica ou trabalhar muito. Então, exibindo o bom senso político pelo qual ficaria famoso na década de 70 ele argumentou, que, no fim das contas, o governo era o único que ganhava. “Aquela piada sobre manter os trabalhadores ignorantes continua verdadeira; foi isso que falaram sobre os conservadores, os latifundiários e tal; depois os trabalhistas pretendiam educar os operários, mas parece que não fazem mais isso.” Um ano mais tarde, seu raciocínio, bem como o dos outros da banda, mudara radicalmente, afetado pela exposição a ideias anticapitalistas radicais, pelo uso generoso de LSD e pela meditação. De repente, emergiu a crença profundamente arraigada de que ele era de esquerda, o que ajudou a contribuir com o novo ideal utópico do grupo, a Apple. A Apple foi inaugurada em 1967, no dia em que a empresa de contabilidade Bryce Hammer & Co. disse que eles poderiam entrgar três milhões de libras esterlinas ao governo britânico ou usá-los consigo mes­mos. Eles preferiram a segunda opção e decidiram criar uma organização para trans­formar em realidade as ideias das pessoas; Quer fosse um livro, um filme, uma canção; Ou até mesmo uma engenhoca, se o grupo gostasse, daria dinheiro para o projeto ganhar vida. E não era só isso. A Apple não utilizaria a tradição comercial, mas estabeleceria - um modelo alternativo às empresas capitalistas. O primeiro empreendimento foi no mundo da moda. Parte do dinheiro havia sido empregada para adquirir imóveis na esquina da rua Baker Street com a Paddington, na região londrina da Marylebone. Os escritórios da Apple foram instalados no último an­dar, enquanto o pavimento de baixo foi trans­formado em loja, batizada de Apple Boutique. O grupo deu ao coletivo “The Fool” cem mil li­bras para desenhar e produzir uma coleção de roupas e decorar o lado de fora do prédio. Eles criaram um design incrível — que durou apenas algumas semanas, pois a aristocracia de Londres exigiu que fosse removido. Lennon, que compra­ra para o amigo Pete Shotton um supermerca­do na ilha Hayling, no condado de Hampshire, lhe deu o cargo de gerente da Beatle-Boutique. Contudo, o local não seria apenas uma loja de roupas. Também seriam vendidos li­vros, discos, objetos de decoração e tudo que chamasse a atenção. Paul queria que a loja vendesse porcelana branca, difícil de encon­trar em Londres, enquanto George, é claro, queria a venda de objetos esotéricos. Jenny Boyd, irmã de Pattie, conseguiu emprego lá. Uma festa foi realizada no dia 6 de dezembro de 1967, a que John e George com­pareceram comendo maçãs ruidosamente, e no dia seguinte a butique abriu as portas. Foi um sucesso a princípio, com as pessoas gastando muito na proximidade do Natal. Contudo, em meados de janeiro, a realidade bateu à porta. As criações do Fool eram im­pressionantes e individuais, mas não foram produzidas nos tamanhos padrão da moda. Os potenciais compradores simplesmente não conseguiam vesti-las, ou sequer pagar por elas. A loja começou a perder tanto dinhei­ro que McCartney interveio e pediu a John Lyndon, ex-funcionário da NEMS e produtor teatral, que ele arrumasse a casa. Lyndon aceitou e correu atrás de roupas acessíveis e financeiramente viáveis. Em julho, a missão estava começando a se firmar quando, du­rante uma reunião nos novos escritórios da Apple na Savile Row, número 3, John leu uma reportagem da Melody Maker, escrita pelo DJ John Peel, questionando por que os Beatles estavam agindo como comerciantes de rou­pas e não músicos. Na mesma hora, ele mandou fechar a loja, para espanto de Lyndon. Na noite anterior ao fechamento, os membros da banda apareceram com suas mulheres e levaram tudo que queriam. No dia seguinte, 31 de julho de 1968, correu a notícia de que tudo que sobrara seria distri­buído gratuitamente. Uma multidão bai­xou na butique e a deixou vazia. “O concei­to da loja era muito melhor que a realidade”, George afirmou após o fracasso do empreen­dimento. “Era fácil ficar sentado pensando em ideias bacanas, mas transformá-las em realidade era outra coisa. Não deu certo por­que não éramos empresários. Só entendía­mos de ficar no estúdio fazendo música.”