sábado, 26 de novembro de 2016
sábado, 19 de novembro de 2016
RINGO STARR - GOODNIGHT VIENNA - 1974
Em 1974, Ringo Starr lançou o álbum "Goodnight Vienna" que alcançou as paradas com a música "No No Song", falando sobre drogas. No álbum, Ringo gravou também a canção Only You, um sucesso antigo lançado pelo The Platters. John Lennon participou da música Goodnight Vienna, composta por ele mesmo, e All By Myself. O álbum ainda contou com a participação de Elton John tocando piano na canção Snookeroo. Em 1975, o ex-baterista dos Beatles lançou somente uma coletânea com seus maiores sucessos, Blast From Your Past, álbum que marcou o fim do contrato de Ringo com a EMI e o último a ser lançado pela Apple Records.
JOHN LENNON - UMA CARTA PARA PAUL & LINDA McCARTNEY
Esta semana foi divulgada a notícia que uma das famosas cartas de John Lennon, dessa vez endereçada a Paul e Linda McCartney iria ser leiloada e que pode ser vendida por mais de 18.600 euros. Essa carta, faz parte do livro de Hunter Davies "As Cartas de John Lennon" e já foi publicada aqui em 30 de outubro de 2012. Então, nada mais oportuno do que conferir novamente.

Ainda na Inglaterra, em 1971, John datilografou uma carta a Paul e Linda que se tornou conhecida dos estudiosos dos Beatles como “a arenga de John”. Não se sabe se houve uma versão final, datilografada corretamente, que tenha sido enviada, nem se não passou deste rascunho. Existe uma insinuação de que a carta foi roubada em certo momento. Ela veio a público em 2001, quando apareceu à venda na Christie’s. Em 2011 ela reapareceu em um leilão na Califórnia. Em algum momento, alguém recobriu os palavrões – mas dá para vê-los e entendê-los –, e o próprio John acrescentou palavras e frases à mão.
John responde a uma carta aparentemente escrita por Linda, em nome de Paul e dela mesma, transtornada com as afirmações que John fazia – sobre a MBE deles, os motivos da separação, a origem dos Beatles. John mostra-se claramente constrangido por ter aceitado a MBE, antes de mais nada, e também por ter deixado ser convencido a não revelar seu desejo de se separar dos Beatles. É óbvio também que se sente magoado com o modo como acha que ele e Yoko foram tratados – pelo mundo todo, não apenas por Linda e Paul. Na realidade, ele está furioso com tanta coisa que a carta transpira raiva. A carta pode ser vista como uma peça que expressa o fim real dos Beatles – até mesmo o fim dos anos 1960, como comentaram alguns, com certa empolgação – ou apenas como uma simples arenga, confusa, às vezes eloquente e furiosa. John como John é.Termina com ele dizendo “Com amor a vocês dois”, o que de certa forma suaviza a pancada. Como se John esperasse que Paul ao menos soubesse como ele realmente é. Uma das coisas mais tocantes que Paul já me disse, ao falar das vezes em que John o tratou de forma horrorosa, foi que, no meio de uma discussão violenta, John parou, mirou-o por cima dos óculos e disse: “É assim que eu sou, Paul”. Então voltou a praguejar e a dizer vulgaridades. Na carta, “Queenie” é a mãe de Brian Epstein; Stuart é Stuart Sutcliffe; Allan Williams foi o primeiro empresário dos Beatles; tia Gin é uma tia de Paul que John conhecia; Klein é Allen Klein; Clive é irmão de Brian Epstein. Hunter Davies/2012.
Carta 142: para Linda e Paul, 1971
"Caros Linda e Paul
"Caros Linda e Paul
Eu estava lendo sua carta e imaginando que rabugento fã de meia-idade dos Beatles a tinha escrito. Resisti a olhar na última página para descobrir. Continuei pensando quem será? Queenie? A mãe
de Stuart? A mulher de Clive Epstein? Allan Williams? Que diabo – é Linda! Vocês realmente pensam que a imprensa está abaixo de mim? Vocês acham isso? Quem vocês pensam que nós/vocês somos? A
parte do “egocêntrico – não percebe quem ele magoa” – eu espero que vocês percebam a merda que vocês e o restante dos meus amigos “amáveis e abnegados” jogaram em Yoko e em mim, desde que estamos juntos. Pode ter sido às vezes um pouco mais sutil ou deveria eu dizer “classe média” – mas não
sempre. Nós dois “nos elevamos acima disso” algumas boas vezes – e perdoamos vocês dois – então é o mínimo que podem fazer por nós – seus nobres. Linda – se você não liga para o que eu digo – cale a boca! – deixe Paul escrever – ou coisa assim. Quando me perguntaram o que eu pensava antes de tudo a respeito da MBE, etc. – eu disse, se não me falha a memória – e eu me lembro de ter ficado um pouco
envergonhado – você não, Paul? – ou você – como eu desconfio – ainda acredita naquilo tudo? Eu perdoo Paul por encorajar os Beatles – se ele me perdoar por fazer o mesmo – por ser – “sincero comigo e se importar muito”! Puta que pariu, Linda, você não está escrevendo para o livro dos Beatles!!!
Não tenho vergonha dos Beatles – (eu comecei tudo) – mas de parte da merda que engolimos para torná-los tão grandes – achei que todos nós sentíamos isso em graus diferentes – obviamente não. Vocês realmente acham que a maior parte da arte atual existe por causa dos Beatles? – não acredito que você seja tão maluco – Paul – você acredita nisso? Quando parar de acreditar nisso, vai poder acordar! Não
é que sempre dissemos que somos parte do movimento – não o movimento inteiro? Claro que mudamos o mundo – mas tente ir até o fim – DESÇA DO SEU DISCO DE OURO E VOE! Não me venha com aquela merda da tia Gin [escrito à mão por cima das letras datilografadas “anti Gin”] de que “em cinco anos vou olhar para trás e ver outra pessoa” – não percebe que isso é o que está acontecendo AGORA! – Se ao menos eu soubesse LÁ ATRÁS o que sei AGORA – parece que vocês não perceberam essa questão…
Desculpe-me se uso o “Espaço Beatle” para dizer o que quiser – obviamente se não param de me perguntar sobre os Beatles – eu vou responder – e obter o máximo possível de espaço John e Yoko – me perguntam de Paul e eu respondo – sei que isso fica um pouco pessoal – mas acreditem vocês ou
não eu tento responder direito – e as partes que eles usam são obviamente as partes apetitosas – não tenho ressentimento de seu marido – sinto pena dele. Eu sei que os Beatles são “pessoas bem bacanas” – eu sou um deles – são também uns grandes filhos da mãe como qualquer outro – então tire o seu cavalo da chuva! Por sinal – em um ano tivemos um interesse mais inteligente nas nossas novas
atividades do que tivemos durante toda a era dos Beatles. Por fim, sobre não dizer a ninguém que
eu tinha saído dos Beatles – PAUL e Klein gastaram o dia me convencendo de que era melhor não dizer nada me pedindo que não dissesse nada porque isso “prejudicaria os Beatles” – e “deixemos que isso se dissipe” – lembra? Então enfie isso na sua cabecinha pervertida, sra. McCartney – os cuzões me pediram que ficasse quieto. Claro, o lado do dinheiro é importante – para todos nós – especialmente depois daquela merdinha que veio da sua família/parentes insanos – e que DEUS O AJUDE, PAUL – vejo você daqui a dois anos – acredito que então você terá caído fora – Apesar de tudo – Com amor a ambos,
De nós dois.
P.S. Sobre endereçar a carta apenas para mim
– AINDA…!!!"
terça-feira, 15 de novembro de 2016
WINGS - TIME TO HIDE - DEMAIS!

"Time To Hide" foi a primeira faixa composta por Brian Hines - nome de batismo de Denny Laine - a fazer parte de um álbum do Wings. Seria incluída no repertório da banda na parte norte-americana da turnê 'Wings Over America'. Está no álbum 'Wings At Speed Of Sound'.
MORRE LEON RUSSEL AOS 74 ANOS

O compositor, cantor e produtor musical americano Leon Russell, membro do Salão da Fama do Rock and Roll, morreu neste domingo em sua casa de Nashville (Tennessee) aos 74 anos, informaram fontes de sua família. A esposa do músico, Janet Bridges, anunciou através de uma declaração divulgada no site do artista que Russell, que estava recuperando-se de uma operação de coração à qual tinha se submetido em julho, morreu enquanto dormia. Autor de canções como "A song for you", "Delta Lady", "Hummingbird", "Lady Blue", "Back to the island" e "Tightrope", Russell colaborou durante sua carreira com músicos da categoria de George Harrison, Joe Cocker, Elton John, Willie Nelson e Eric Clapton, entre muitos outros. Leon Russell, cujo nome de batismo era Claude Russell Bridges, nasceu em Lawton (Oklahoma) em 2 de abril de 1941, começou sua carreira como músico de estúdio para outros artistas, tocando piano e violão, e também compondo canções para outros intérpretes. Com sua reconhecida imagem de barba e cabelo longo até os ombros e cartola, Leon Russell ficou popular na década de 1970 por sua aparição no concerto para Bangladesh junto com George Harrison e Bob Dylan em Nova York, em 1971, e liderando a banda Mad Dogs and Englishmen que acompanhava Joe Cocker. Durante a década de 1960 chegou a trabalhar como músico de estúdio em Los Angeles (Califórnia) tocando piano em centenas de gravações junto a artistas como Aretha Franklin, Ray Charles, Frank Sinatra, Sam Cooke e Willie Nelson e bandas como Byrds, Rolling Stones e Beach Boys. Também fez excursões junto a músicos como Jerry Lee Lewis e os Rolling Stones e gravou alguns discos de country sob o pseudônimo de Hank Wilson. Seu primeiro disco foi lançado em 1970 e, embora já em 1972 tivesse composto canções como "Tightrope", a maior parte dos sucessos que escrevia era para outros intérpretes, como "This Masquerade", que George Benson popularizou, "Delta Lady", para Joe Cocker, e "Superstar", para os Carpenters. Membro também do Salão da Fama dos Compositores, em suas canções Russell misturava o jazz, o godspell, o country e o rhythm and blues, entre outros estilos, e músicos como Elvis Costello, Bruce Hornsby e Elton John o consideram uma influência para eles. Russell foi introduzido no Salão da Fama do Rock and Roll em 2011 precisamente por um discurso de Elton John, que o qualificou como "o mestre do tempo e do espaço". Segundo sua esposa, Leon Russell fez seu último show no último mês de julho, dias antes de submeter-se a uma operação quádrupla de ponte de safena.
FOTÓGAFO RECRIA ANTIGAS FOTOS DOS BEATLES
O fotógrafo amador Keith Jones, de 45 anos e natural de Liverpool, teve a incrível ideia de juntar algumas fotos bastante antigas dos Beatles andando por sua cidade natal e recriá-las nos dias de hoje. O resultado, mesmo para quem não viveu naquela época, é nostálgico! A matéria original foi publicada no site inglês Daily Mail, veículo para o qual ele disse: “eu sou suspeito, sabe? Mas quem não ama os Beatles? Eu sou e fui fã durante toda minha vida das músicas deles e, tendo viajado um pouco ao redor do mundo, ficou claro para mim que, para pessoas de outras partes do mundo, o grupo é absolutamente sinônimo de Liverpool”.
“Peça para alguém de Nova York ao Nepal, de Auckland ao Ártico, nomear alguém ou alguma coisa de Liverpool e eu imagino que John, Paul, George e Ringo serão as primeiras opções”. As fotos mostram justamente os quatro garotos de Liverpool antes de terem conquistado o mundo todo, mas quando já se tornavam bastante populares na Inglaterra, com filas imensas para suas apresentações no lendário Cavern Club. “Acho que nossa cidade deveria ter orgulho e ser grata à música deles, assim como seu impacto e sua mensagem, e misturar as fotos antigas dos Beatles com as cenas modernas me faz sorrir e também desejar que eu estivesse estado naquela fila para um show na hora do almoço do Cavern Club!”.
domingo, 13 de novembro de 2016
ROLLING STONE ENTREVISTA PAUL McCARTNEY
Com dois meses de atraso em relação a edição americana (onde foi capa), a Rolling Stone Brasil finalmente publicou a entrevista com Paul McCartney, que aqui, a gente confere na íntegra, sempre com absoluta exclusividade.

Paul McCartney dedilha um violão sentado no sofá de seu escritório em Londres, cantarolando baixinho enquanto tenta se lembrar de uma melodia da adolescência - uma das primeiras músicas, nunca gravada, que compôs em Liverpool com o amigo de escola John Lennon, antes de formar os Beatles. “Era...”, McCartney diz, e começa a tocar no violão algo no estilo rocka- billy, cantando com a voz potente e familiar. “Just Fun’”, ele afirma, anunciando o título com orgulho. “Eu tinha um cademinho de exercícios na escola em que escrevia essas letras. E no canto superior direito da página coloquei ‘Original de Lennon-McCartney’. Foi um começo humilde”, admite. “Crescemos a partir dali.” É um momento extraordinário - mas McCartney, de 74 anos e atualmente em turnê por arenas e estádios dos Estados Unidos, nunca está longe de fazer uma performance ao vivo. Em duas longas entrevistas - a primeira em Londres, a outra uma semana mais tarde na Filadélfia, nos bastidores antes de um show - ele usa a música para explicar algo: tocando acordes de outra canção da adolescência, cantando uma parte de "What’d I Say”, de Ray Charles, e imitando o jovem Mick Jagger. Em um momento, McCartney imita Lennon tocando uma música de Gene Víncent durante os dias em que os Beatles tocavam em botecos em Hamburgo, na Alemanha. “Sempre foi fascinante, para mim, ficar diante das pessoas e me apresentar”, diz. “Desde o começo, tentei descobrir qual é a maneira de se manter fiel a si mesmo e também ter as pessoas ao seu lado?” McCartney usa uma camisa azul-escura de manga curta e jeans, os pés descalços apoiados na mesinha de centro. Estamos em um trailer com uma cortina no lugar da porta e os visitantes avisam que chegaram tocando um cowbell vermelho perto da entrada porque, ele diz, “não dá para bater em uma cortina”. McCartney acabou de fazer uma passagem de som que foi um show por si só: 12 músicas, das quais quase todas ficarão de fora esta noite, incluindo a balada dos Beatles “I’ll Follow The Sun” (1964) e “Ram on” (1971), faixa solo que ele nunca toca nos shows. O músico está na estrada novamente com sua banda dos últimos 15 anos - os guitarristas Rusty Anderson e Brian Ray, o tecladista, Paul “Wix” Wickens, e o baterista, Abe Laboriel Jr. - justamente no 50º aniversário do verão em que ele, Lennon, George Harrison e Ringo Starr pararam de se apresentar ao vivo. (“Tínhamos nos cansado de tocar em palcos encharcados de chuva e com amplificadores ruins”, diz McCartney sobre a última turnê dos Beatles, que terminou no Candlestick Park, em São Francisco, em 29 de agosto de 1966.)Aquela era insana é celebrada no documentário The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years, dirigido por Ron Howard. O filme estreou em setembro nos Estados Unidos, mas ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. O músico também soltou Pure McCartney, coletânea com faixas do Wings e material solo. Além disso, em outubro ele termina este ciclo de turnê no Desert Trip, festival em que toca com velhos amigos, como Bob Dylan, Rolling Stones e Neil Young. "rock fóssil”, brinca, “mas é empolgante. Definitivamente preciso ligar para o Neil e perguntar ‘O que você acha, cara?” Em seu escritório londrino, McCartney está cercado por suas raízes e sua história dos Beatles e do W2ings e uma jukebox cheia de discos 78 rotações de Fats Domino, Wanda Jackson e Elvis Presley - mas na maior parte do tempo ele fala de suas composições e do palco no tempo presente. Disseca a recente colaboração com Kanye West e menciona que estava “procurando material para criar as letras” do próximo álbum. “Consigo escrever em todo lugar. Tenho muitas idéias quando estou em movimento."
Por que fazer shows ainda é tão vital para você a esta altura da vida?
Poder tocar com esta ótima banda - isso é bem atraente. Tem algo básico no coração da música que todos nós amamos. Isso está nas paredes de Nashville, nos clubes de Liverpool e Hamburgo. Para mim, um dos prazeres quando nos despedimos do público ao final do show, é que estamos em cinco. Aprendi algumas lições. Costumava ter pavor de cometer um erro. Percebi que não tem problema. O público até gosta.
Na infância, você já tinha essa necessidade de entreter, de agradar?Acho que sim. Se você entra na música, muito raramente tenta algo sem dar bola se as pessoas gostam ou não. Fico surpreso que algumas pessoas não queiram ser queridas - existem algumas, tenho certeza, mas acho que é só uma imagem. Nos Beatles, eu era basicamente o cara que pressionava. Era um trabalho danado. Em 1969, por exemplo, nenhum dos outros teria feito um esforço para sair do subúrbio onde moravam, ir para a cidade e filmar Letlt Be. O documentário acabou bem esquisito, mas o disco é bom. Muitas coisas que fazíamos em Hamburgo eram instigadas por mim, depois assumidas pelos outros. Trabalhavamos em uma cervejaria pequena que ninguém frequentava. Havia uma placa dizendo “Cerveja, 1,50 marco” ou algo assim. Você via estudantes entrarem e saírem dizendo “Ah, eu não posso pagar”. Estavam procurando algo mais barato. Então, realmente tínhamos de trabalhar. O gerente do lugar dizia “Mach schau” ("Façam o shou”). Tocávamos “Dance in the Street”, do Gene Vincent. John batia palmas, agitava e atraia os estudantes. Pensamos: “Conseguimos fazer com que ficassem, agora vamos tocar nossas coisas”. E eles gostaram.

Paul McCartney dedilha um violão sentado no sofá de seu escritório em Londres, cantarolando baixinho enquanto tenta se lembrar de uma melodia da adolescência - uma das primeiras músicas, nunca gravada, que compôs em Liverpool com o amigo de escola John Lennon, antes de formar os Beatles. “Era...”, McCartney diz, e começa a tocar no violão algo no estilo rocka- billy, cantando com a voz potente e familiar. “Just Fun’”, ele afirma, anunciando o título com orgulho. “Eu tinha um cademinho de exercícios na escola em que escrevia essas letras. E no canto superior direito da página coloquei ‘Original de Lennon-McCartney’. Foi um começo humilde”, admite. “Crescemos a partir dali.” É um momento extraordinário - mas McCartney, de 74 anos e atualmente em turnê por arenas e estádios dos Estados Unidos, nunca está longe de fazer uma performance ao vivo. Em duas longas entrevistas - a primeira em Londres, a outra uma semana mais tarde na Filadélfia, nos bastidores antes de um show - ele usa a música para explicar algo: tocando acordes de outra canção da adolescência, cantando uma parte de "What’d I Say”, de Ray Charles, e imitando o jovem Mick Jagger. Em um momento, McCartney imita Lennon tocando uma música de Gene Víncent durante os dias em que os Beatles tocavam em botecos em Hamburgo, na Alemanha. “Sempre foi fascinante, para mim, ficar diante das pessoas e me apresentar”, diz. “Desde o começo, tentei descobrir qual é a maneira de se manter fiel a si mesmo e também ter as pessoas ao seu lado?” McCartney usa uma camisa azul-escura de manga curta e jeans, os pés descalços apoiados na mesinha de centro. Estamos em um trailer com uma cortina no lugar da porta e os visitantes avisam que chegaram tocando um cowbell vermelho perto da entrada porque, ele diz, “não dá para bater em uma cortina”. McCartney acabou de fazer uma passagem de som que foi um show por si só: 12 músicas, das quais quase todas ficarão de fora esta noite, incluindo a balada dos Beatles “I’ll Follow The Sun” (1964) e “Ram on” (1971), faixa solo que ele nunca toca nos shows. O músico está na estrada novamente com sua banda dos últimos 15 anos - os guitarristas Rusty Anderson e Brian Ray, o tecladista, Paul “Wix” Wickens, e o baterista, Abe Laboriel Jr. - justamente no 50º aniversário do verão em que ele, Lennon, George Harrison e Ringo Starr pararam de se apresentar ao vivo. (“Tínhamos nos cansado de tocar em palcos encharcados de chuva e com amplificadores ruins”, diz McCartney sobre a última turnê dos Beatles, que terminou no Candlestick Park, em São Francisco, em 29 de agosto de 1966.)Aquela era insana é celebrada no documentário The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years, dirigido por Ron Howard. O filme estreou em setembro nos Estados Unidos, mas ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. O músico também soltou Pure McCartney, coletânea com faixas do Wings e material solo. Além disso, em outubro ele termina este ciclo de turnê no Desert Trip, festival em que toca com velhos amigos, como Bob Dylan, Rolling Stones e Neil Young. "rock fóssil”, brinca, “mas é empolgante. Definitivamente preciso ligar para o Neil e perguntar ‘O que você acha, cara?” Em seu escritório londrino, McCartney está cercado por suas raízes e sua história dos Beatles e do W2ings e uma jukebox cheia de discos 78 rotações de Fats Domino, Wanda Jackson e Elvis Presley - mas na maior parte do tempo ele fala de suas composições e do palco no tempo presente. Disseca a recente colaboração com Kanye West e menciona que estava “procurando material para criar as letras” do próximo álbum. “Consigo escrever em todo lugar. Tenho muitas idéias quando estou em movimento."

Por que fazer shows ainda é tão vital para você a esta altura da vida?
Poder tocar com esta ótima banda - isso é bem atraente. Tem algo básico no coração da música que todos nós amamos. Isso está nas paredes de Nashville, nos clubes de Liverpool e Hamburgo. Para mim, um dos prazeres quando nos despedimos do público ao final do show, é que estamos em cinco. Aprendi algumas lições. Costumava ter pavor de cometer um erro. Percebi que não tem problema. O público até gosta.
Na infância, você já tinha essa necessidade de entreter, de agradar?Acho que sim. Se você entra na música, muito raramente tenta algo sem dar bola se as pessoas gostam ou não. Fico surpreso que algumas pessoas não queiram ser queridas - existem algumas, tenho certeza, mas acho que é só uma imagem. Nos Beatles, eu era basicamente o cara que pressionava. Era um trabalho danado. Em 1969, por exemplo, nenhum dos outros teria feito um esforço para sair do subúrbio onde moravam, ir para a cidade e filmar Letlt Be. O documentário acabou bem esquisito, mas o disco é bom. Muitas coisas que fazíamos em Hamburgo eram instigadas por mim, depois assumidas pelos outros. Trabalhavamos em uma cervejaria pequena que ninguém frequentava. Havia uma placa dizendo “Cerveja, 1,50 marco” ou algo assim. Você via estudantes entrarem e saírem dizendo “Ah, eu não posso pagar”. Estavam procurando algo mais barato. Então, realmente tínhamos de trabalhar. O gerente do lugar dizia “Mach schau” ("Façam o shou”). Tocávamos “Dance in the Street”, do Gene Vincent. John batia palmas, agitava e atraia os estudantes. Pensamos: “Conseguimos fazer com que ficassem, agora vamos tocar nossas coisas”. E eles gostaram.
Qual é a dinâmica em sua banda? Quem te desafia? Alguém pode dizer: “Deveriamos fazer dessa maneira?”
Não funciona assim. Os Beatles eram desse jeito. O Wings era menos desafiador. Agora, é meio que entendido: “É sua banda”. O que faço para equilibrar isso é deixar as coisas em aberto quando ensaiamos. Às vezes, há coisas que não quero fazer, mas os rapazes dizem: “Tem que fazer. Vai dar certo”.
O que sugeriram que funcionou?
“Golden Slumbers" no meio de “The End" (de Abbey Road). Deu um pouco de trabalho, eu estava com preguiça. O Rusty sugeriu “Day Tripper". Não quis fazer porque a parte do baixo é muito difícil. “Being for the Benefit of Mr. Kite” é a mesma coisa. Essas são duas no show que eu não queria tocar, mas eles falaram que seria ótimo. Ao mesmo tempo, sou um ditador, e ninguém tem problema com isso – acho (risos). Estamos juntos há mais tempo do que os Beatles ou o Wings. Algo está acontecendo do jeito certo e acho que melhoramos, porque ficamos mais simples.
“Golden Slumbers" no meio de “The End" (de Abbey Road). Deu um pouco de trabalho, eu estava com preguiça. O Rusty sugeriu “Day Tripper". Não quis fazer porque a parte do baixo é muito difícil. “Being for the Benefit of Mr. Kite” é a mesma coisa. Essas são duas no show que eu não queria tocar, mas eles falaram que seria ótimo. Ao mesmo tempo, sou um ditador, e ninguém tem problema com isso – acho (risos). Estamos juntos há mais tempo do que os Beatles ou o Wings. Algo está acontecendo do jeito certo e acho que melhoramos, porque ficamos mais simples.
Você consegue se imaginar fazendo turnês assim aos 80 anos? Antigamente, fazer isso aos 40 parecia...
Inimaginável - e inadequado. Olha só, quando eu tinha 17 anos, havia um rapaz na escola de arte do John que tinha 24 anos - e eu tinha muita pena dele. Lamentava por ele (risos). Era tão velho. A Doris Day (cantora e atriz), que eu conheço um pouco, me disse: “A idade é uma ilusão”. Eu a lembrei disso recentemente - estava lhe desejando feliz aniversário. As pessoas dizem que a idade é só um número. É um número grande conforme você fica mais velho, mas se não interfere não me incomoda. Dá para ignorar. É o que faço.
Em relação à obra dos Beatles, você não está tão no controle do legado quanto as pessoas pensam?
A Apple (Corps) é uma democracia. Sou um dos votos. As coisas dos Beatles acontecem por conta própria. Alguém diz: “Ron Howard quer fazer um filme” e posso votar sim ou não. Minha preferência é sim - ele é bom.
Tem de ser uma decisão unânime - você, Ringo, Yoko Ono e Olivia Harrison?
Tem. Esse é o segredo dos Beatles - não dá para ser 3 a 1. Durante a separação, isso foi estragado - fazíamos 3 contra 1, mas, agora, tem de ser unânime. As duas são dos Beatles.
Há coisas para as quais você automaticamente diz “não”? Que tipo de veto você pode ter sobre as músicas dos Beatles quando não é dono da publicação?
Não temos um veto, mas deixamos claro que queremos que o assunto seja tratado com educação - “se for possível, senhor”. Podem ser ofertas financeiramente ótimas, mas colocamos limite em algumas coisas, como um carro que consome combustível demais. Pessoalmente, eu não permitiria música dos Beatles no McDonad’s, particularmente por causa das minhas crenças (McCartney é vegetariano há décadas). O show Love (em Las Vegas) foi quase assim. O George conhecia o cara do Cirque du Soleil e me levou para ver uma apresentação. Fiquei embasbacado. Estava totalmente convencido da ideia (de uma produção dos Beatles), mas o clima era: "Não, é sacrossanto. Você não pode fazer isso. Não deve". Falei: "Espera um pouco, não é sua música".
As pessoas podem se identificar com os Beatles de um jeito muito...Possessivo. Nunca demos bola para isso. Alguns fãs se aproximavam querendo algo e você dizia "não, desculpe, estou jantando*. Eles respondiam: “Bom, compramos seus discos". Retrucávamos: “Então parem de comprar, se é essa a troca". Sempre fomos assim, Ringo mais do que todos. As pessoas iam à casa dele, que dizia "Cai fora” e batia a porta na cara delas. Não tolerava isso. Você precisa impor limites, senão sua sanidade acaba.
Como você caracterizaria sua relação coma Yoko agora?
As pessoas podem se identificar com os Beatles de um jeito muito...Possessivo. Nunca demos bola para isso. Alguns fãs se aproximavam querendo algo e você dizia "não, desculpe, estou jantando*. Eles respondiam: “Bom, compramos seus discos". Retrucávamos: “Então parem de comprar, se é essa a troca". Sempre fomos assim, Ringo mais do que todos. As pessoas iam à casa dele, que dizia "Cai fora” e batia a porta na cara delas. Não tolerava isso. Você precisa impor limites, senão sua sanidade acaba.
Como você caracterizaria sua relação coma Yoko agora?
É muito boa, na verdade. Nos sentíamos meio ameaçados (na época). Ela ficava sentada nos amplificadores enquanto gravávamos. A maioria das bandas não conseguiría lidar com isso. Nós conseguimos, mas não incrivelmente bem, porque éramos muito coesos. Não éramos sexistas, mas garotas não entravam no estúdio - elas nos deixavam na hora de gravar. Quando o John começou com a Yoko, ela não ficava na sala de controle. Ficava no meio de nós quatro.
Ainda assim, você contribuiu com aquela citação na capa do álbum Tvvg Virgins (1968), de John e Yoko (uQuando dois grandes santos se encontram, é uma experiência que torna você humilde”).
Ainda assim, você contribuiu com aquela citação na capa do álbum Tvvg Virgins (1968), de John e Yoko (uQuando dois grandes santos se encontram, é uma experiência que torna você humilde”).
Meu grande despertar foi: se o John ama essa mulher, deve ser algo bom. Percebi que qualquer resistência era algo que eu tinha de superar. Foi um pouco difícil no começo, mas, gradual mente, conseguimos. Agora, é como se fossemos grandes amigos. Gosto da Yoko (risos). Ela é tão Yoko.
Com que frequência vocês quatro se encontram para discutir assuntos dos Beatles?
Com que frequência vocês quatro se encontram para discutir assuntos dos Beatles?
Pouca. Vejo muito o Ringo, porque ele é um cara adorável. Todos nos encontramos socialmente, vamos a festas. Quanto a reuniões, estou um pouco afastado disso. Saí da Apple durante o período pesado da separação da banda - mandei o (advogado) John Eastman no meu lugar e falei: “Você me conta o que todos estão dizendo, porque não suporto mais sentar àquela mesa”. Foi doloroso demais, como ver a morte de seu animal de estimação preferido. Do jeito que funciona agora, ouço todos os discos. Estou no processo de aprovação, mas a maior parte do trabalho para os Beatles já foi feita.
Sobrou alguma coisa nos arquivos que valha a pena lançar?
Sobrou alguma coisa nos arquivos que valha a pena lançar?
Esta é a pergunta: vale a pena? O negócio com os Beatles – era uma bandinha boa pra caramba. Não importa o que você ouça, até coisas que achávamos muito ruins não soam tão más agora. Porque são dos Beatles.
Você consideraria fazer uma tumê com o Ringo?
Você consideraria fazer uma tumê com o Ringo?
A ideia nunca surgiu. Nós nos reunimos para coisas como o Hall da Fama do Rock, mas realmente fazer uma tumê juntos - é melhor deixar as coisas como estão.
Sinais errados demais, como “reunião dos Beatles"?
Sinais errados demais, como “reunião dos Beatles"?
Acho que nenhum dos dois pensou em porque fazer isso ou não. É que nossos caminhos são paralelos, com cruzamentos e desvios. Ele é um ótimo baterista, cara. Esse é o negócio do Ringo. Ele tem um tipo de sentimento que ninguém mais tem. Quanto a botar o pé na estrada juntos, pode ser complicado.
Você estará no Desert Trip com os Rolling Stones. O que vê quando vai a um shov deles agora?
Você estará no Desert Trip com os Rolling Stones. O que vê quando vai a um shov deles agora?
É uma miragem. Vejo a banda que sempre conhecí. Você tem Mick, Keith e Charlie, que sempre estiveram lá, e o Ronnie - ele merece o posto de stone. Vejo uma boa banda de rock - não tão boa quanto os Beatles (sorrí), mas boa.
Que potencial viu em1963, quando você e John deram “I Wanna Be Your Man”a eles para gravar? Foi o primeiro single dosStones no Top 10 do Reino Unido.
Você olhava para todas as outras bandas que existiam. Sabíamos quem não era bom. Sabíamos quem era a concorrência. Foi bom saber o que estava acontecendo. Ouvíamos falar dos Stones. Eles tocavam no Station Hotel (em Londres). Fomos vê-los uma noite, no meio da plateia. Lembro que Mick estava no palco de jaqueta cinza batendo palma daquele jeito dele (batepalmas rapidamente). Dick Rowe, o cara que recusou os Beatles na Decca Records, por acaso perguntou ao George se ele conhecia alguém que valeria a pena contratar. Éramos amigos deles e pensei que “I Wanna Be Your Man” seria boa para que gravassem. Sabia que tocavam coisas do Bo Diddley e eram bons naquilo. Gosto de me exibir, dizer que demos o primeiro sucesso à banda. E foi o que aconteceu.
Agora, “bandinhas” muito boas como a sua e os Stones tocam em palcos gigantescos. Você consegue se imaginar tocando em lugares pequenos só com material novo? É um risco que vate a pena?
Agora, “bandinhas” muito boas como a sua e os Stones tocam em palcos gigantescos. Você consegue se imaginar tocando em lugares pequenos só com material novo? É um risco que vate a pena?
Não é um risco. É algo atraente. É uma das coisas que te fazem tocar muito bem, quando você e sua banda estão proximos. Sabíamos disso nos Beatles. Sempre gravávamos em Abbey Road, no Estúdio 2, mas para “Yer Blues” estamos falando de ficar espremidos, como sardinhas em lata. Entramos em um armário - um closet que tinha tomadas para microfone e coisas assim, com uma batería, amplificadores voltados para as paredes, um microfone para o John. Fizemos “Yer Blues” ao vivo e ficou muito bom. Criar novas músicas - é dar um passo adiante. É o que digo sobre as coisas dos Beatles - as idéeas simplesmente chegavam. Isso é algo que acabou de vir. Você propôs. E talvez aceitemos.
Em “All Day”, uma das faixas que fez com Kanye West, há um riff que você compôs na guitarra em 1969, mas não usou na época. Qual é a história?
Linda e eu havíamos tido nossa primeira filha, Mary. Ela estava se recuperando - e eu ficava sentado comendo batata frita, com meu violão na clínica, brincando. E havia uma pintura na parede que fiquei olhando durante dias - Picasso. “O Velho Guitarrista Cego”. O sujeito segurava o violão assim (imita a pose do quadro) e uma lâmpada acendeu na minha cabeça: “Que acorde é esse?” Pareciam ser duas cordas. “Sabe o que seria legal? Compor uma música só com dois dedos.” Então, escrevi esta coisa [toca a melodia]. Contei essa história ao Kanye. Assobiei para ele. Seu engenheiro estava gravando e ela entrou na lista de ingredientes. Kanye estava só coletando coisas. Não sentavamos e compúnhamos tanto quanto conversavamos e davamos idéias um ao outro. Foi só quando peguei esta música, a gravação da Ríhanna (“FourFiveSeconds") e “Only One”, as três faixas que fizemos, que pensei: “Entendí. Ele pegou meu assobio”. Ele voltou para mim como um riff hip-hop urbano. Amo aquele disco.
Você se sentiu como um colaborador ou um coadjuvante? Afinal, está acostumado a comandar uma sessão, ver uma música ser concluída do começo ao fim.
Você se sentiu como um colaborador ou um coadjuvante? Afinal, está acostumado a comandar uma sessão, ver uma música ser concluída do começo ao fim.
Tivemos algumas tardes juntos no Beverfy Hills HoteL O único acordo que fiz com Kanye foi que, se não desse certo, não contaríamos a ninguém. Eu não conhecia o sistema dele. Ouvia coisas como: 'Ele tem uma sala cheia de gente trabalhando em riffs e anda entre des dizendo "gosto disso'.”
Você acha o Kanye um gênio?
Você acha o Kanye um gênio?
Não fico usando muito essa palavra (risos). Acho que ele é um ótimo artista. Pegue “My Beautiful Dark Turisted Fantasy (2010). Botei para tocar enquanto cozinhava e pensei: ”E bom. Tem coisas muito inovadoras”. Quando o pessoal dele contatou minha equipe (risos) falei: “vamos dar uma chance”.
Você ouve muito hip-hop por diversão ou para acompanhar?
Você ouve muito hip-hop por diversão ou para acompanhar?
Escuto para, digamos, aprender. Ouço muito e às vezes vou a shows. Fui ver Jay Z e Kanye quando fizeram a tumê juntos. Já vi o Drake ao vivo. É a música do momento.
O que fazem parecer tão importante para roer nesta era quanto a musica que você fazia em 1966 e 1967? As pessoas dizem que o rock morreu, que já teve seu momento como força histórica.
O que fazem parecer tão importante para roer nesta era quanto a musica que você fazia em 1966 e 1967? As pessoas dizem que o rock morreu, que já teve seu momento como força histórica.
O tempo dirá se é tão bom. Não sou eu que tenho de dizer, mas acho empolgante. Você vai a um clube e ouve um disco ótimo de hip-hop - ele definitivamente dá conta do recado. Não quero comparar com “A Day in the Life” Para mim, é como reggae, no sentido em que não acho particularmente que consiga fazer isso. Deixo essa para o Bob Marley, para as pessoas que são aquilo. É o mesmo com o hip-hop. Foi empolgante trabalhar com o Kanye, ter uma contribuição para “All Day". (Sorri) É o melhor riff do disco.
Em seu trabalho com artistas mais jovens, como Kanye ou Dave Grohl. você sente o desafio que teve dentro dos Beatles, especialmente com John? Isso foi substituído de alguma forma? Não. Acho que nem pode ser. A certa altura, você precisa perceber que algumas coisas simplesmente não podem ser iguais. John e eu éramos crianças crescendo juntas, no mesmo ambiente e com as mesmas influências: ele conhece os discos que conheço, eu conheço os discos que ele conhece. Vocês compõem suas primeiras músicas inocentes juntos. Então, escrevem algo que é gravado. Os anos passam e vocês compram roupas mais legais, daí compõem músicas mais legais para combinar com as roupas mais legais. Estávamos no mesmo nível - no mesmo degrau da escada rolante. E insubstituível - esse tempo, a amizade e os laços.
Há pessoas a quem você pode recorrer atualmente para conselhos sobre uma nova música ou um disco novo?Na música, não tenho. Uso a experiência e o conhecimento do que teria acontecido se tivesse levado tal música para os Beatles. Esse é o melhor teste.
E quanto à vida em geral?Tenho alguns amigos muito bons. Lorne Michaels (produtor do programa Saturday Night Live) e eu somos bem próximos. Sempre posso sair para tomar um drinque com ele - podemos conversar de verdade. Tenho pessoas da família, meu irmão (Mike McGear) e minha esposa, Nancy. Ela é muito forte nesse sentido. Só que na música não preciso de parceiros. É muito difícil. Não dá para superar o John. E o John não poderia superar o Paul.
Seu mais recente álbum de estúdio, New (2013), se mostrou musicalmente agitado e emocionalmente positivo, mas veio depois de alguns trabalhos mais sombrios, até mais tristes, como Chaos and Creation in the Backyard (2005). Foi difícil compor músicas depois da morte de Linda e durante as dificuldades pessoais que se seguiram? (McCartney se divorciou da segunda esposa, Heather Mills, em 2008.)O lance em New foi a Nancy. Era a pessoa nova em minha vida. Foi um bom despertar. Aquilo me fez querer escrever músicas positivas. A música é como um psiquiatra. Você pode contar à sua guitarra coisas que não pode falar para as pessoas, e ela te responde com coisas que as pessoas não podem te dizer. Há um valor em músicas tristes. Algo ruim acontece - você não quer reprimir, então descarrega em si mesmo, com uma guitarra. Tenho algumas no próximo álbum que são um pouco... [faz uma cara de chocado]. Só que funciona, porque, com as músicas, você pode fazer isso.
Qual é sua rotina diária como pai quando você não está em turnê?Meus filhos já são adultos, exceto a caçula, Beatrice, de 13 anos. Fico metade do tempo com ela, por causa da custódia. Tento ser completamente ativo. Levanto de manhã e faço café para ela, levo à escola. Converso com os professores, vejo como está indo. Faço doação de algo para o leilão. Coisa bem típica de pai. No final desse período, entro no avião, vou para os Estados Unidos e sou um astro do rock.
Quão difícil foi equilibrar música e fama (quando você e Linda estavam criando uma família nos anos 1970 em uma fazenda?Era uma cultura mais hippie. Meio que educamos as crianças em casa. Ensinei a escrever. Quando estavam em idade escolar, levávamos professores particulares na tumê. Eu tinha de ir à escola, descobrir o que cobririam - geografia, história, matemática - e organizar do jeito mais sensato possível. Fizemos dar certo. Linda e eu sempre dizíamos: “O principal é que tenham um bom coração”. Todos eles têm. E também são muito inteligentes.
Você está em um momento raro - suficientemente velho para ver parte de seu trabalho ser criticado e, décadas mais tarde, elogiado.Faço álbuns e, tolamente, escuto o que as pessoas dizem sobre eles. Um crítico do New York Times (Richard Goldstein) execrou Sgt. Pepper’s quando foi lançado. O terrível é que isso faz você desanimar da própria música. Mexe com suas inseguranças, embora você as tenha superado para compor aquela música. Um tempo atrás, um dos meus sobrinhos, Jay, disse: “Ram é meu disco preferido de todos os tempos”. Achava que ele estava morto e enterrado, fedendo na vala comum. Daí, botei para tocar. “Uau, agora entendi o que eu estava fazendo na época.”
Ficou decepcionado por seu mais recente single, “Hope for the Future” (2014), não ter sido um sucesso?Fiquei. Era algo que eu achava que se sairia muito bem. Não saiu.
Você teve de mudar suas expectativas sobre o que forma um hit em comparação com o que sabia em 1966?Desisti de tentar descobrir. Não dá. Como esta coletânea, Pure - um dia me ligaram: “Chegou ao número 3”. “Uau, que legal. Mas quanto vendeu?” “15 mil cópias.” Pensei: “É uma piada, cara -15 mil não é nada bom”. As coisas são assim agora no mundo da venda de discos, a não ser que você seja Rihanna ou Beyoncé. Gravarei um novo álbum, mas não acho que vá vender muito. Vou lançar porque tenho músicas de que gosto. E farei o melhor que puder. O cenário mudou, mas isso não me perturba. Eu já tive o melhor deste mundo - o single de “Mull of Kintyre” (1977) vendia 100 mil cópias por dia. Já tive a alegria disso. Se não tiver agora, simplesmente isso não me diz respeito. Todos os meus contemporâneos, que ainda são muito bons, não têm isso, porque as coisas seguiram em frente. E quer saber? Já tivemos. E foi ótimo.
Em seu trabalho com artistas mais jovens, como Kanye ou Dave Grohl. você sente o desafio que teve dentro dos Beatles, especialmente com John? Isso foi substituído de alguma forma? Não. Acho que nem pode ser. A certa altura, você precisa perceber que algumas coisas simplesmente não podem ser iguais. John e eu éramos crianças crescendo juntas, no mesmo ambiente e com as mesmas influências: ele conhece os discos que conheço, eu conheço os discos que ele conhece. Vocês compõem suas primeiras músicas inocentes juntos. Então, escrevem algo que é gravado. Os anos passam e vocês compram roupas mais legais, daí compõem músicas mais legais para combinar com as roupas mais legais. Estávamos no mesmo nível - no mesmo degrau da escada rolante. E insubstituível - esse tempo, a amizade e os laços.
Há pessoas a quem você pode recorrer atualmente para conselhos sobre uma nova música ou um disco novo?Na música, não tenho. Uso a experiência e o conhecimento do que teria acontecido se tivesse levado tal música para os Beatles. Esse é o melhor teste.
E quanto à vida em geral?Tenho alguns amigos muito bons. Lorne Michaels (produtor do programa Saturday Night Live) e eu somos bem próximos. Sempre posso sair para tomar um drinque com ele - podemos conversar de verdade. Tenho pessoas da família, meu irmão (Mike McGear) e minha esposa, Nancy. Ela é muito forte nesse sentido. Só que na música não preciso de parceiros. É muito difícil. Não dá para superar o John. E o John não poderia superar o Paul.
Seu mais recente álbum de estúdio, New (2013), se mostrou musicalmente agitado e emocionalmente positivo, mas veio depois de alguns trabalhos mais sombrios, até mais tristes, como Chaos and Creation in the Backyard (2005). Foi difícil compor músicas depois da morte de Linda e durante as dificuldades pessoais que se seguiram? (McCartney se divorciou da segunda esposa, Heather Mills, em 2008.)O lance em New foi a Nancy. Era a pessoa nova em minha vida. Foi um bom despertar. Aquilo me fez querer escrever músicas positivas. A música é como um psiquiatra. Você pode contar à sua guitarra coisas que não pode falar para as pessoas, e ela te responde com coisas que as pessoas não podem te dizer. Há um valor em músicas tristes. Algo ruim acontece - você não quer reprimir, então descarrega em si mesmo, com uma guitarra. Tenho algumas no próximo álbum que são um pouco... [faz uma cara de chocado]. Só que funciona, porque, com as músicas, você pode fazer isso.
Qual é sua rotina diária como pai quando você não está em turnê?Meus filhos já são adultos, exceto a caçula, Beatrice, de 13 anos. Fico metade do tempo com ela, por causa da custódia. Tento ser completamente ativo. Levanto de manhã e faço café para ela, levo à escola. Converso com os professores, vejo como está indo. Faço doação de algo para o leilão. Coisa bem típica de pai. No final desse período, entro no avião, vou para os Estados Unidos e sou um astro do rock.
Quão difícil foi equilibrar música e fama (quando você e Linda estavam criando uma família nos anos 1970 em uma fazenda?Era uma cultura mais hippie. Meio que educamos as crianças em casa. Ensinei a escrever. Quando estavam em idade escolar, levávamos professores particulares na tumê. Eu tinha de ir à escola, descobrir o que cobririam - geografia, história, matemática - e organizar do jeito mais sensato possível. Fizemos dar certo. Linda e eu sempre dizíamos: “O principal é que tenham um bom coração”. Todos eles têm. E também são muito inteligentes.
Você está em um momento raro - suficientemente velho para ver parte de seu trabalho ser criticado e, décadas mais tarde, elogiado.Faço álbuns e, tolamente, escuto o que as pessoas dizem sobre eles. Um crítico do New York Times (Richard Goldstein) execrou Sgt. Pepper’s quando foi lançado. O terrível é que isso faz você desanimar da própria música. Mexe com suas inseguranças, embora você as tenha superado para compor aquela música. Um tempo atrás, um dos meus sobrinhos, Jay, disse: “Ram é meu disco preferido de todos os tempos”. Achava que ele estava morto e enterrado, fedendo na vala comum. Daí, botei para tocar. “Uau, agora entendi o que eu estava fazendo na época.”
Ficou decepcionado por seu mais recente single, “Hope for the Future” (2014), não ter sido um sucesso?Fiquei. Era algo que eu achava que se sairia muito bem. Não saiu.
Você teve de mudar suas expectativas sobre o que forma um hit em comparação com o que sabia em 1966?Desisti de tentar descobrir. Não dá. Como esta coletânea, Pure - um dia me ligaram: “Chegou ao número 3”. “Uau, que legal. Mas quanto vendeu?” “15 mil cópias.” Pensei: “É uma piada, cara -15 mil não é nada bom”. As coisas são assim agora no mundo da venda de discos, a não ser que você seja Rihanna ou Beyoncé. Gravarei um novo álbum, mas não acho que vá vender muito. Vou lançar porque tenho músicas de que gosto. E farei o melhor que puder. O cenário mudou, mas isso não me perturba. Eu já tive o melhor deste mundo - o single de “Mull of Kintyre” (1977) vendia 100 mil cópias por dia. Já tive a alegria disso. Se não tiver agora, simplesmente isso não me diz respeito. Todos os meus contemporâneos, que ainda são muito bons, não têm isso, porque as coisas seguiram em frente. E quer saber? Já tivemos. E foi ótimo.
"VALERIAN" TEM 'BECAUSE' NA TRILHA SONORA

A Europa Corp divulgou o primeiro trailer do filme “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, o novo filme do diretor francês Luc Besson (“O Quinto Elemento” e “Lucy”). O vídeo, de aproximadamente dois minutos, conta com a música “Because”, do clássico álbum “Abbey Road”, dos Beatles, como trilha-sonora, e mostra um pouco das aventuras do casal de humanos que percorre toda a galáxia enfrentando alienígenas e outras criaturas para manter a ordem do Universo. “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” ainda conta com um elenco muito especial, incluindo nomes como Dane DeHaan, Cara Delevingne, Rihanna, Clive Owen, Ethan Hawke, Rihanna, Herbie Hancock, Kris Wu e John Goodman.
A PEDIDOS (MEUS) - PAUL McCARTNEY - LONESOME TOWN
Meu carinho, meu respeito e meu abraço ao meu grande amigo João Neiva - "O velho cawboy", onde estiver. Forever.
THE BEATLES - WAIT
“Wait” apareceu em dezembro de 1965 no álbum Rubber Soul. Aperfeiçoada por Paul e John, face a face como nos velhos tempos, e também cantada a duas vozes. Se parece um retrocesso, é porque era mesmo. Composta na maior parte por Paul, talvez com Jane em mente, quando filmavam nas Bahamas, fora gravada para o álbum Help!, mas não usada. Eles a desencavaram para completar Rubber Soul. A garota é avisada de que deve esperar - ele está voltando para casa. A letra diz só isso. Pelo menos faz perceber como a maioria das novas músicas eram boas e representavam um avanço. John Lennon toca pandeiro e faz os vocais principais; Paul McCartney – baixo e vocais principais; George Harrison – guitarra solo; Ringo Starr – bateria e maracas. Quase como sempre, como não tem vídeo dos Beatles que valha à pena, a gente fica com as covers mesmo. Dessa vez com uma banda chamada Rubber Soul. Putz!RINGO STARR (with Carl Perkins) - HONEY DON'T

Mr. Carl Perkins sempre foi enorme influência e referência para os Beatles, que gravaram várias de suas músicas. Aqui, a gente confere um pedacinho desse supershow "BLUE SUEDE SHOES - ROCKABILLY SESSION - CARL PERKINS AND FRIENDS" apresentando ninguém menos que nosso Ringo Starr, uma estrela sem iguais!
MANY FACES OF THE BEATLES - QUE PORRA É ESSA?
Esse álbum triplo “The Many Faces Of The Beatles” – que custa R$ 59 pilas na Saraiva – é, no mínimo, curioso, porque não é um lançamento autorizado pela Apple. Então é o quê? Pirata? O CD1 é dedicado exclusivamente aos anos que a formação da banda contou com Pete Best como baterista. O CD2 é uma homenagem às suas canções, e traz versões das faixas interpretadas por vários artistas como Ike & Tina Turner, John Denver, The Marmalade (que chegou ao # 1 no Reino Unido com sua versão de Ob-La-Di, Ob -La-Da, incluído no The Many Faces). O CD3 é um passeio pelos originais das faixas que os Beatles fizeram versões em seus álbuns Please Please Me, With The Beatles, Beatles For Sale e em seus Eps, faixas como Anna, Twist and Shout e Money. Vale à pena? Só para loucos como eu.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
THE BEATLES - ROYAL COMMAND PERFORMANCE - 1963

4 de novembro de 1963, Prince of Wales Theatre, Londres. “Royal Command Performance”, show de gala beneficente com a presença da rainha-mãe e da princesa Margaret, acompanhada pelo lorde Snowdon.
Bemard Delfont arriscou-se ao convidar os Beatles, pois membros mais conservadores da elite britânica poderiam se sentir ofendidos ao ver o quarteto participar do show, com artistas mais tradicionais. Os Beatles foram o sétimo grupo a se apresentar, mas, com certeza, foram a atração da noite. A programação incluía: Marlene Dietrich, Max Bygraves, Harry Secombe, Buddy Greco, Wilfred Bramble & Harry H. Corbett, Charlie Drake, Michael Flanders & Donald Swann, Joe Loss & His Orchestra, Susan Maughan, Nadia Nerina, Luis Alberto Del Parana & Los Paraguáyos, Tommy Steele, Eric Sykes & Hattie Jacques, The Clark Brothers, Francis Brunn, The Billy Petch Dancers, Pinky & Perky e The Prince of Wales Theatre Orchestra. Aqui, a gente confere um trechinho do livro “Minha Vida Gravando Os Beatles” de Geoff Emmerick.
“Em dado momento, durante um curto intervalo, aconteceu de eu estar na sala de controle quando o telefone tocou. Apenas os produtores estavam autorizados a receber ligações enquanto estivessem em estúdio na EMI. Havia um complicado sistema de luzes coloridas na parede - vermelhas, amarelas, azuis e verdes, em várias combinações — que identificava para quem era aquela chamada. George Martin estava ocupado trabalhando com os rapazes lá embaixo, então eu atendi, e Brian estava na linha pedindo para falar com George, que se dirigiu à sala de controle para atender a chamada. A julgar pelo que pude entender da conversa, parecia que eles estavam discutindo a respeito do Royal Variety Show, ainda por acontecer. Havia sido anunciado recentemente na imprensa que os Beatles tinham sido convidados para tocar para a família real. Brian estava pedindo a opinião de George sobre quais canções deveriam ser executadas. “Definitivamente eu acho que eles deveriam tocar as duas músicas que estamos gravando esta noite”, disse George. “Ambas são absolutamente fantásticas, e esta será uma ótima maneira de promover o próximo single.” Quando a conversa terminou, George pegou o interfone e anunciou que o tempo de intervalo havia acabado. “Brian mandou um 'oi' para vocês”, disse ele. “Agora vamos voltar ao trabalho.” “Sim, senhor!”, Lennon gritou, enfatizando suas palavras, imitando o passo de ganso militar e batendo continência. Nessa altura podia-se ver que eles já estavam começando a se irritar um pouco, embora de maneira bem-humorada, com a atitude autoritária de George Martin. Mais tarde, quando pediram que eu descesse para ajustar um microfone, eu os ouvi conversando animadamente sobre a próxima, apresentação. Eles estavam muito felizes com aquilo, embora fosse óbvio que eles não se importavam com as pessoas da alta classe, em geral. Sempre atrevido, John sussurrou para Paul que ele pediria aos ricos da plateia que sacudissem suas jóias, em vez de aplaudir. A resposta de Paul foi uma provocação: “Duvido!”. Aquele era o tipo de relacionamento que eles tinham: John era o bad boy, o rebelde, e Paul — que certamente nunca sonharia em dizer aquilo — era o instigador, aquele que o incitava a fazer coisas chocantes. Não foi nenhuma surpresa para mim, então, quando John fez exatamente aquilo no show, algumas semanas depois. Não é necessário dizer que Brian ficou absolutamente aterrorizado, pedindo a John que não dissesse nada. Imagino que Brian estava sempre com medo que John agisse de maneira imprevisível, que ele dissesse algo que arruinaria a impecável imagem deles... o que, é claro, ele fez dois anos mais tarde com sua observação sobre os Beatles serem mais populares do que Jesus Cristo. Eu sempre senti que Brian nunca recebeu crédito suficiente pela maneira como ele trabalhava cuidadosamente a imagem do grupo; ele era muito exigente em relação à aparência deles: a maneira como eles se vestiam, a maneira como eles se apresentavam em público. As apresentações dos Beades ao vivo na televisão, no London Palladium e no Royal Command Performance, naquele outono, foram os eventos que os colocaram na primeira página de todos os jornais da Inglaterra e deram a eles a comprovação final da aceitação do público britânico. Depois daquilo, a carreira deles decolaria em direção a um novo e inexplorado território.”
JOHN LENNON - MENLOVE AVE – 1986

Em 27 de outubro de 1986, foi lançado o álbum “Menlove Ave” de John Lennon, o segundo lançamento póstumo de músicas de Lennon, tendo sido gravadas durante as sessões de seus álbuns Rock 'n' Roll e Walls and Bridges. Menlove Ave foi lançado sob a supervisão de Yoko Ono, contendo sobras de estúdio de John no período 1973 e 1974, e as inéditas “Rock ‘n’ Roll People” e “Here We Go Again”. No disco estão versões não aproveitadas de "Walls And Bridges" (1974), durante a época em que o casal estava separado. Assim, neste disco que, em poucas semanas escalou as paradas, estão incluídas cinco versões diferentes de músicas que entraram na edição final daquele álbum de 13 anos passados: "Steel And Glass", "Scared", "Old Dirt Road", "Nobody Loves You" e "Bless You". Neste disco, que ganha assim uma conotação histórica, estão os trabalhos representativos da fase em que Lennon trabalhou com o produtor e compositor Phil Spector, inventor da chamada "wall sound", a muralha de cordas ou metais em contraste com as guitarras do rock. Uma curiosidade: "Rock'n Roll People", que Lennon fez para Johnny Winter, mostra tímidas tentativas do Beatle na linha R&B. "Walls And Bridges" reflete a fase pesada de Lennon longe de Yoko. “Menlove Avenue”, cuja capa é uma foto de John pintada por Andy Warhol, não causou grande impacto no hit parade, mas curiosamente ganhou um disco de ouro no Brasil.
THE BEATLES - THIS BOY - SENSACIONAL!
“This Boy”
foi escrita às pressas por John Lennon e Paul num quarto de hotel como um
exercício de harmonia em três partes e foi inspirada, mais uma vez, por Smokey Robinson
and The Miracles. George afirmou que em parte da música “John tentava imitar
Smokey”. A letra, John afirmou, não era importante. O que interessava era o som
e a harmonia. A harmonia era uma parte fundamental do trabalho dos Beatles, e a
influência dos Everly Brothers fica especialmente evidente nessa música. Uma semana
depois de “With the Beatles” ser lançado, eles produziram outro single - com
“This Boy” no lado B e “I Want To Hold Your Hand” no lado A. Covardia. Por
isso, “This Boy” recebeu pouca atenção. John a rejeitava por não ter conteúdo,
“só a parte vocal”. A letra é curta, sem narrativa; pode-se dizer que revela a
luta de John com uma personalidade dividida. Eles tinham se familiarizado com a
harmonização em três partes cantando “To Know Her is To Love Her”, de Phil
Spector, um sucesso de 1059 com The Teddy Bears. Dizer que a letra não é
importante não era o mesmo que dizer que ela não tinha significado, porque mais
uma vez John se retratava como rejeitado, esperando tristemente a retribuição
de seu amor. A letra é curta, sem narrativa; pode-se dizer que
revela a luta de John com uma personalidade dividida. De um lado há este menino
(This Boy) que é feliz e a ama; do outro está aquele menino (That Boy), que não
é bom para você.
Ringo filmou para "A Hard Day's Night" a cena em que anda sozinho pelo Surrey com "This boy" instrumental ao fundo. Embora sua atuação nessa cena-solo tenha sido bastante elogiada por sua melancolia, ele revelou que na verdade estava de ressaca e foi direto de uma boate para as filmagens, chegando cedo e sugerindo a famosa cena. Pena que não tenha a cena da mulher caindo no buraco.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
GEORGE HARRISON - NORTH AMERICAN TOUR 1974
No início de 1974, George Harrison anunciou que planejava fazer uma tumê pela América no outono. Como já antecipara, a notícia encontrou grande apoio do público. Infelizmente, a visão cintilante em sua mente não conseguiu ser traduzida para o mundo real. Seu primeiro passo em falso foi esperar demais para escrever e gravar o material. Chegou a dar um título para o álbum, ‘Dark Horse’, mas desenvolveu uma terrível laringite quando ia começar a gravar as músicas e não conseguiria um tempo para recuperar a voz. Comprometido com um itinerário de concertos por sete semanas para os quais não estava preparado, partiu para os Estados Unidos sem o álbum completo. Agravou ainda mais sua condição nos ensaios e, quando a turnê começou, a qualidade de sua voz era péssima e diminuia ainda mais, a cada performance. Pior, a reação à justaposição de música indiana e a ocidental não foi tão calorosa quanto esperava. Seus apelos em relação a Krishna deixaram muitos na audiência se sentindo dogmatizados quando foram para ser entretidos.
Críticos começaram a se referir à turnê de George e amigos como a turnê “Dark Hoarse” (O rouco negro) e compararam sua voz às “noites boas e ruins” de Bob Dylan. George estivera em alguns dos concertos tumultuados de Bob Dylan no Reino Unido em 1966, quando a platéia o vaiou e gritou “Judas!” ao vê-lo entrando no palco com uma guitarra e uma banda de apoio, ao invés de seu violão. Dylan, deter¬minado a seguir sua própria vontade e deixar as coisas acontecerem, simplesmente se dirigiu à banda e disse: “Toquem mais alto!”. Harrison não era menos determinado a se manter verdadeiro consigo mesmo. Se ele recuasse diante das críticas, o que isso diria de seu comprome¬timento com suas crenças? Então ele pedia à multidão que cantasse “Hare Hare” e “Krishna! Cristo! Krishna! Cristo!” e os criticava quando não respondiam com entusiasmo suficiente. “Eu não sei o que estão pensando, mas daqui de cima vocês parecem bem mortos.” Para outra audiência apática, ele salientou: “Eu não estou aqui em cima pulando como um louco para meu próprio bem, mas para dizer que o Senhor está em seus corações. Alguém tem de lhes dizer isso”. Determinado a se distanciar do legado dos Beatles, resistiu a incluir músicas dos Beatles no show e, quando finalmente cedeu para agradar o público, ele mudou as letras. Em um cover da música de John Lennon, “In My Life”, ele cantou que “amava mais Deus”; e sua guitarra não sofria gentilmente, ela “sorria”. Mesmo quando grandes porções da plateia começavam a ir embora, ele continuava usando o palco como um púlpito. Terminava cada show com os mesmos dizeres: “Toda a glória para Sri Krishna!”.

Já não estando com boa saúde desde o começo da turnê, Harrison esgotava sua força física e mental a cada semana que passava. Quando retornou a Friar Park no fim da turnê, ele andava como se fosse um zumbi pelos jardins. “Isso foi o mais próximo que cheguei de um colapso nervoso. Eu não conseguia nem entrar na casa.” Ainda assim, estava satisfeito pela turnê ter representado alguma forma de vitória. Apesar das críticas negativas e seus vocais abaixo do padrão, apesar de qna se ter sofrido um colapso, centenas de milhares de pessoas haviam sido expostas à música indiana e à consciência de Krishna. O que o desapontou foram os tipos de pessoas que compareceram aos shows. Cada dia era uma jornada espiritual; ele pode ter falhado, mas fez um esforço consciente para amar Deus, seu povo e seu mundo. Os “fãs” que haviam ido ver George não possuíam objetivos tão nobres. “Eu poderia entrar no palco e ficar chapado, porque havia muitos baseados rolando. Eu só pensava: ‘Eu realmente tenho algo em comum com todas essas pessoas?’.

No começo da turnê, enquanto falava com a imprensa em Los Angeles, ele havia descrito a empreitada como um teste. Disse que ou ficaria “extasiadamente feliz” quando terminasse e faria uma turnê no mundo todo, ou voltaria novamente para sua “caverna” por cinco anos. No fim das contas, a volta à caverna se estendeu por 17 anos.
Um ponto luminoso nesse ano problemático fora Olivia Trinidad Arias. Nascida na Cidade do México em 1948, ela havia se mudado para a Califórnia com sua família. Trabalhando como secretária na A&M Records em 1974, foi contratada para o escritório em Los Angeles do novo selo de George, Dark Horse Records. Primeiro por telefone, depois pessoalmente, George a achou encantadora e animada. Ele gostava tanto de sua companhia que se certificou de que ela o acompanhasse em sua tumê, e o relacionamento dos dois floresceu. Depois da tumê, ela viajou com ele de férias para o Havaí, e de lá se mudou para Friar Park.
JOHN LENNON - MIND GAMES - 2016
Em julho de 1973 Lennon voltou aos estúdios Record Plant para novas gravações. Desnecessário dizer que sua vida pessoal estava um verdadeiro caos na época. A briga judicial com o governo Nixon seguia em frente, com John tentando de todas as formas permanecer nos Estados Unidos. Seu relacionamento com Yoko estava desgastado. As pressões que havia sofrido por ter se casado com ela tinham atingido um grau simplesmente insustentável. Na realidade o casal estava prestes a entrar em um rompimento duradouro. Talvez por isso seu novo disco trazia uma capa no mínimo inusitada. Nela Lennon aparece minúsculo ao lado de um perfil enorme de sua esposa. Claramente se percebe que ele se distancia dela. Segundo alguns a capa mostrava exatamente o que sentia Lennon durante a produção do disco. Um homem comum ao lado de uma "montanha". Para os cínicos porém tudo o que esse retrato representava era a eterna submissão do ex-beatle à mulher que o dominava completamente, em todas as ocasiões. Ali estava aquele homenzinho ao lado de sua dama dominante, maior que a paisagem ao redor.
Em “Mind Games” Lennon resolveu assumir todas as responsabilidades, assinando a produção, composição e arranjo do álbum. Convocou novos músicos aos estúdios e batizou a banda de The Plastico UFOno Band. A brincadeira tinha sua razão de ser. Poucas semanas antes da gravação ele afirmara que havia visto um disco voador da sacada de seu apartamento. Daí o uso da sigla UFO. O evento jamais foi esclarecido. Não se sabe ao certo se o cantor realmente viu algo ou se estava simplesmente viajando em uma de suas alucinações com LSD. De qualquer maneira ele resolveu que não queria deixar o fato passar em branco e por isso renomeou a banda com essa pequena referência ufológica. Musicalmente "Mind Games" não trazia grandes surpresas em relação ao outros discos da carreira solo de Lennon. Novamente o tema único de suas composições era seu relacionamento com Yoko, seus pensamentos mais pessoais em forma musical. Praticamente todas as faixas são ligadas a isso, de uma forma ou outra, direta ou indiretamente, com pequenas e esporádicas exceções. Yoko está em todas as músicas. Lennon se declara apaixonado, pede desculpas, a venera, a compara com as maravilhas da natureza e por aí vai. O fato é que realmente parecia que Lennon só tinha pensamentos para sua esposa e por isso o disco é recheado de citações à japonesa.
As letras continuavam feitas em primeira pessoa, bastante autorais. Esse fato aliado a uma produção que foi acusada na época de ser desleixada (o velho problema de arranjos da discografia solo de Lennon) fez com que apenas uma única faixa se destacasse nas paradas, justamente a canção titulo, "Mind Games" que foi excessivamente divulgada nas rádios por insistência da EMI. As demais músicas passaram em branco nas principais paradas musicais e com o tempo se tornaram as mais obscuras canções da discografia de John Lennon. Uma injustiça pois possuem melodias bonitas. Não são excepcionalmente bem arranjadas, mas possuem uma riqueza de melodia que era bem característico do cantor. Rocks são poucos, Lennon parecia muito empenhado em cantar seu romance com Yoko e por isso não sobrou muito para o estilo que o lançou ao estrelado. Apenas "Tight As" e "Meat City" possuem algum vigor roqueiro mas é só isso. "Mind Games" é acima de tudo uma obra de um autor profundamente apaixonado pela mulher de sua vida. Se não é uma obra prima de Lennon, passa longe de ser banal, pois pelo menos traz um instantâneo de sua vida em um momento particularmente confuso. Só mesmo Lennon para ter inspiração para tantas músicas românticas enquanto queriam lhe expulsar dos Estados Unidos. Não deixa de ser um feito e tanto.
OS PSEUDÔNIMOS USADOS PELOS BEATLES
Publicada originalmente em 17 de dezembro de 2013. Abração para a amiga Michellen Leal!
A primeira vez que os Beatles usaram pseudônimos foi em 1960 durante uma curta excursão pela Escócia. Paul chamou-se Paul Ramon, George se chamou Carl Harrison e Stuart Sutcliffe adotou o nome Stu De Stael. John chamou-se Johnny Silver, mas ele negou. Em outra ocasião, Paul chamou-se Bernard Webb. Os pseudônimos apareciam mais quando estavam gravando para discos de convidados. Todos adoravam poder usá-los, especialmente John que abusou deles em seu livro "In His Own Write". A gente confere aqui alguns dos principais pseudônimos usados pelos Beatles durante suas carreiras. Juntos ou separados.
A primeira vez que os Beatles usaram pseudônimos foi em 1960 durante uma curta excursão pela Escócia. Paul chamou-se Paul Ramon, George se chamou Carl Harrison e Stuart Sutcliffe adotou o nome Stu De Stael. John chamou-se Johnny Silver, mas ele negou. Em outra ocasião, Paul chamou-se Bernard Webb. Os pseudônimos apareciam mais quando estavam gravando para discos de convidados. Todos adoravam poder usá-los, especialmente John que abusou deles em seu livro "In His Own Write". A gente confere aqui alguns dos principais pseudônimos usados pelos Beatles durante suas carreiras. Juntos ou separados.

No filme “HELP!” há uma cena em que os Beatles estão disfarçados com barbas e bigodes, para escaparem da perseguição das fãs e dos fanáticos num aeroporto. Todos se divertiram muito com a experiência que os fez perceber o poder da maquiagem. Paul, particularmente, pediu à equipe de maquiagem para lhe confeccionar um bigode postiço. Depois das excursões em 1966, ele resolveu fazer uma experiência; foi sozinho à França passar duas semanas, e, ainda no aeroporto, após passar pela alfândega, colocou o bigode postiço, penteou o cabelo para trás, passou vaselina, e colocou óculos com lentes de vidro sem grau. Em Bordeaux, Paul encontrou-se com Mal Evans, que mal lhe reconheceu. Os Beatles sempre adoraram se fazer passar por outros papéis durante sua carreira e nos anos solos. Claro que aqui não vão todos. Só os que pude colher e lembrar. Claro que faltarão outros tantos. Quem lembrar de algum que faltou, já sabe.
Beatcomber - Esse é um dos muitos nomes de escritor que John Lennon usou quando escrevia para a revista de Liverpool, “Mersey Beat” de Bill Harry. Ele gostava de “Beach Comber”, de J.B. Morton, coluna regular do Daily Express.
Mel Torment - John, em sua música “Scared” do “Walls And Bridges”.
Dr. Winston O' Boogie - Apareceu no álbum Mind Games.
Dr. Winston O' Reggae - Em Steel And Glass.
Dr. Winston, Booker Table e The Maitre D's - Lennon na música “Beef Jerky”, o lado-B de “Whatever Get's You Through The Night”.
Reverend Thumbs Ghurkin - em “Old Dirt Road”.
Reverend Fred Ghurkin - Outro alter-ego usado por Lennon nas sessões de " Walls And Bridges”. Também usou esse nome quando viajava com Yoko Ono. Reverend Fred e Ada Ghurkin. Quando viajava também usava o nome "John Green".
Captain Kundalini - Mais um pseudônimo de John Lennon, desta vez na música “What You Got”, lado B de “No. 9 Dream”. “No. 9 Dream”. também apareceu usando o pseudônimo de “Dr. Dream”.
John O'Cean - Outro alter-ego de John Lennon, tirado da tradução para inglês do nome de Yoko: “Ocean Child”. John usou o nome no álbum de Yoko “Feeling The Space”.
Dwarf McDougal - John usou este nome no album “WALLS AND BRIDGES”. O nome se refere ao estilo de tocar guitarra de Bob Dylan que John usou em algumas faixas. Dwarf era o nome da companhia de música de Dylan, enquanto McDougal era o nome da rua onde ficava o apartamento de Dylan em Greenwich Village.Bernard Webb - Paul usou esse nome para assinar a música "Woman" gravada por Peter And Gordon. Ele queria saber como a canção seria recebida sem que aparecesse o nome mágico McCartney.
Billy Martin - Paul McCartney usou esse nome para marcar ensaios no estúdio quando estava trabalhando secretamente no seu primeiro álbum solo “McCARTNEY”.
Percy "Thrills" Thrillington - Pseudônimo usado por Paul McCartney para as gravações do album “Thrillington” de 1977. O álbum é um cover instrumental do álbum Ram de 1971.
Apollo C. Vermouth - Paul McCartney usou este nome quando fez uma aparição como produtor de uma música chamada “I'm The Urban Spaceman” pela “Bonzo Dog Doo Dah Band”. Paul também usou o nome quando produzia uma música na qual Ringo tocava batera, chamada “New Day” para o álbum de Jackie Lomax.
L'Angelo Misterioso - George Harrison. Ele e Ringo ajudaram a escrever o hit “Badge” do Cream. Nessa música, George usou o pseudônimo “L'Angelo Misterioso”. George também usou esse pseudônimo em agosto de 1969, no álbum de Jack Bruce chamado de “Songs For A Tailor”, onde tocou guitarra na música “Never Tell Your Mother She's Out Of Tune”.
Son Of Harry - George, numa música chamada “If You've Got Love” do álbum “It's Like You Never Left” de Dave Mason.
Hari Georgeson - George Harrison, claro. George usou esse pseudônimo no
álbum de Ravi Shankar “Shankar Family And Friends” e no album do Splinter “The Place I Love” e no álbum “It's My Pleasure” de Billy Preston na música “That's Life”. No álbum do Splinter, também aparece com o nome “Jai Raj Harisein”. Em outro álbum de Billy Preston “I Wrote a Simple Song”, aparece como George “H”.
The George O'Hara-Smith Singers - Voz de George, sobreposta para produzir o som de várias vozes, efeito usado em All Things Must Pass.
Jay Raj Harisein - Outro pseudônimo usado no disco do Splinter.
George O'Hara - George apareceu usando esse nome três vezes: duas em álbuns de Gary Wright, Footprin e That Was Only Yesterday, e uma no álbum de Nicky Hopkins The Thin Man Was a Dreamer.
Richie Snare - Esse foi um pseudônimo usado por Ringo Starr no álbum de Harry Nilsson, “Son Of Schmilsson”. George Harrison também estava no álbum, tocando slide guitar na música “You're Breakin' My Heart”, com o pseudônimo de George Harrysong.
R.S. - Quando Ringo participou do álbum de David Hentchel, Startling Music, ele apareceu usando apenas as iniciais.
Richie - usado no álbum Stills, de Stephen Stills. Também usou esse nome, assim mesmo sem o "t" no álbum The London Howling Wolf "Sessions".
Ognir Rats - simplesmente o nome de Ringo de trás para frente. Apareceu na adaptação de Mark Twain "The Prince & The Pouper".
English Richie - outro apelido que aparece no álbum de Stills.
Roy Dyke e Eddie Clayton - Ringo Starr e Eric Clapton no álbum solo de George “Wonderwall”.
The Siamese Quads - Este foi um apelido brincalhão que Ringo deu aos Beatles.
Johnny Silver, Paul Ramon, Carl Harrison, Stu DeStael e Tommy Moore -Exceto por Moore, esses foram nomes usados no palco pelos Silver Beatles equanto excursionavam pela Escócia com Johnny Gentle. George (Carl) era em homenagem à Carl Perkins. Stu Sutcliffe pegou o nome de um famoso pintor: Nicholas deStael. Paul usou o pseudônimo “Paul Ramon” aqui, e também quando tocou bateria, baixo, e backing vocals na música “My Dark Hour” da Steve Miller Band. John depois negou veemente ter usado o nome “Johnny Silver”, mas os outros ainda juram ser verdade.
Fonte: "The Book Of Beatle Lists" de Bill Harry
Assinar:
Comentários (Atom)

















