O nome "Martha" veio da cadela sheepdog de dois anos de Paul McCartney, mas a música é um apelo a uma garota que sempre foi musa do cantor; ele pede que ela se lembre dele porque ainda acredita que nasceram um para o outro. Em janeiro de 1968, Paul e Jane Asher anunciaram que se casariam naquele ano, mas Paul começou a sair com outras garotas enquanto Jane estava fora atuando, e, em julho, ela cancelou o noivado. "Nós ainda nos vemos e nos amamos, mas não deu certo", Jane declarou, "Talvez sejamos namorados de infância que se encontram de novo e se casam aos 70 anos”. A música começou como um exercício de piano para as duas mãos. Ao explicar o surgimento da canção, McCartney disse: "Basicamente eu crio uma melodia e algumas palavras surgem na minha cabeça. Nesse caso, acabou sendo ‘Manha My Dear’. Elas não significam nada. Eu nem tento fazer comentários sérios. Você pode analisar o que quiser, é so uma música. Sou eu cantando para a minha cachorra!". ‘Martha My Dear’ foi gravada no Trident Studios, em oito canais, nos dias 4 e 5 de outubro de 1968. Ela foi concluída no dia 7 de outubro, em Abbey Road, com um remix para estéreo. "Martha My Dear" foi lançada como a primeira faixa do lado 2 do Álbum Branco em 22 de novembro de 1968.Nenhum dos outros Beatles participou, só Paul McCartney, conhecido por ser um multiinstrumentista. Os arranjos de orquestra ficaram a cargo do produtor George Martin. Além de Paul, participam: Dennis McConnell, Bernard Miller, Lou Sofier e Les Maddox nos violinos; Leo Birnbaum e Henry Myerscough nas violas; Reginald Kilbey e Frederick Alexander nos violoncelos; Leon Calvert, Stanley Reynolds e Ronnie Hughes - trompetes; Tony Tunstall - corneta; Ted Barker - trombone e Alf Reece - tuba.
Na capa do álbum "Paul Is Live" de 1993, Paul aparece conduzido por um cão sheepdog, que muitos acharam que era Martha. Mas ela já tinha morrido. O cão da foto é Arrow, um dos filhos de Martha.
Bungalow Bill, diz a letra, foi caçar tigre com seu elefante e sua arma. Em caso de acidentes, ele sempre levava a mãe. Composta por John Lennon na Índia, a música conta a história verídica de Richard Cooke III, um jovem universitário americano que foi visitar a mãe, Nancy, no curso de meditação em Rishikesh na mesma época que os Beatles estavam lá. John descreveu 'Bungalow Bill' como o clássico americano saxão teimoso e filhinho da mamãe, e Cooke concorda que era uma descrição correta dele na época em que conheceu os Beatles. Cooke tinha mais de 1,80m, vestia branco e cortava o cabelo feito reco. "Os outros Beatles foram muito legais comigo, mas John estava sempre distante. Eles eram a síntese da contracultura, e eu era o bom moço americano, o típico atleta universitário. Não havia muito para nos conectar". Disse Cooke. A caça ao tigre a que a canção se refere aconteceu a três horas de Rishikesh. Cooke e sua mãe viajaram de elefante e depois se esconderam em uma árvore sobre uma plataforma de madeira para esperar a chegada do tigre. "Rik ficou sentado, e eu fiquei em pé ao lado dele. Não demorou muito até eu ver um vulto preto e amarelo. Dei um grito, Rik virou e deu um tiro que atravessou a orelha do tigre", Nancy recorda. "Foi bem emocionante atirar em um tigre, mas o texano que organizou a caça veio até mim e disse 'você atirou, mas não diga uma palavra. Até onde o mundo sabe, você não atirou nesse tigre. Ele queria voltar para casa com a pele e as garras como troféu", relembra Cooke. Somente quando chegaram ao Ashram, foi que que Cooke começou a sentir remorso e questionar se matar o animal traria um 'carma ruim'. Ele e a mãe tiveram um encontro com o Maharishi, do qual John e Paul também participaram. "Eles estavam lá por acaso quando tive essa conversa com o Maharishi. Minha mãe é uma pessoa muito falante e estava contando animadamente sobre a morte do tigre. O Maharishi parecia bastante consternado que uma seguidora sua pudesse sair e fazer algo assim. Foi a única vez que eu o vi quase bravo", conta Cooke. E disse que estava se sentindo mal por causa daquilo e achava que nunca mais ia matar um animal. O Maharishi disse 'você teve o desejo, Rik, e agora não tem mais?'. Então John perguntou 'você não acha que isso é destruir a vida?', e eu disse 'éramos nós ou o tigre'. Ele estava pulando exatamente onde nós estávamos'". "Bungalow Bill" era uma alusão a Buffalo Bill, o nome artístico do cowboy americano William Frederick Cody (1846-1917), que, no pós-guerra, virou herói de uma história em quadrinhos para jovens.Tornou-se "Bungalow" porque toda acomodação em Rishikesh era em bangalôs. lan MacDonald comenta em 'Revolution In The Head' que a música parece ser baseada em "Stay As Sweet As You Are", que foi escrita por Mack Gordon e Henry Revel e foi usada no filme de 1934 Colkge Rhytlim. Richard Cooke III não sabia nada sobre "Bungalow Bill" até começar a receber cartões-postais dizendo "Hey Bungalow Bill. What did you kill?" dos amigos, que o reconheceram na música. Hoje, ele se divide entre o Havaí e o Oregon e trabalha como fotógrafo para a revista National Geographic. Sua mãe, Nancy, vive em Beverly Hills, Califórnia. "The Continuing Story of Bungalow Bill" abre com um solo de violão no estilo flamenco, criado por um teclado Mellotron e que fecha a música anterior, “Wild Honey Pie”, seguido por um refrão, cantado pelos Beatles, a então esposa de Ringo, Maureen, e Yoko Ono(esta última sendo a única voz feminina em gravação dos Beatles a cantar uma linha inteira). “The Continuing Story Of Bungalow Bill” foi gravada no Abbey Road Studios, em 8 de outubro de 1968 e foi completada com a inclusão de todos os overdubs nessa mesma sessão. Os Beatles também completaram a canção composta por Lennon, “I'm So Tired” durante a mesma sessão de gravação. Participaram da gravação: John Lennon – vocal, violão, órgão; George Harrison – violão, backing vocal; Paul McCartney – baixo, backing vocal; Ringo Starr – bateria, backing vocal, tamborim; Chris Thomas – mellotron; Yoko Ono – vocal, backing vocal; Maureen Starkey – backing vocal.
Publicada originalmente em 5 de junho de 2013. Em 1990, Boy George lançou o álbum “The Martyr Mantras”, sob o pseudônimo de “Jesus Loves You”, um movimento para ajudar as pessoas a se concentrar na música e não em nome do artista popular. Nos Estados Unidos, quando foi lançado em 1991, o álbum foi creditado com o nome do autor - “Boy George” , por exigência da Virgin Records. É um trabalho totalmente diferente de todos os álbuns já lançados pelo controvertido artista, com ou sem o Culture Club. A canção "Bow Down Mister", alcançou as paradas de sucesso tornando o mantra Hare Krishna ainda mais popular. Ainda bem! Hare Rama, Hare Krishna, Hare Hare Hare!
Essa foto é muito boa! Pena que não dá para saber quem é o autor. Um jovem Geoff Emerick tenso e apavorado, sob o olhar ameaçador de Lennon. Atrás deles, a figura do terrível Magic Alex (Alex Mardas).
Ao retornarem da Índia, todos os quatro Beatles se reuniram em Kinfauns, o "bangalô" em Esher de George Harrison. Eles gravaram demos de 27 músicas, para serem apresentadas como potenciais títulos para o próximo álbum, que seria o Branco. Dessas músicas, 19 acabaram encontrando seu caminho para o álbum. Um dos títulos descartados foi "Circles", aparentemente gravada somente por Harrison com apenas um acompanhamento de órgão.Vozes podem ser ouvidas num segundo plano, podem ser dos outros Beatles, ou possivelmente o som de uma televisão ou rádio, ou não. "Circles" é uma das letras mais filosóficas de Harrison até então. É liricamente semelhante a "The Inner Light" ou "Within You Without You", embora o conceito de mundo em mudança sendo observado por um indivíduo estacionário talvez seja mais claro em "I'm Only Sleeping" de John Lennon, em "Revolver". Os Beatles nunca gravaram "Circles" como um grupo, embora a demo de Harrison tenha sido posteriormente e largamente pirateada junto com as outras gravações de Kinfauns, como "Child of Nature" de Lennon - que também ressurgiu em uma forma diferente alguns anos depois."Circles" finalmente, só foi ver a luz do dia em 1982 quando Harrison finalmente a lançou em seu álbum de 1982, "Gone Troppo". Desta vez, foi gravada com uma banda completa - incluindo Billy Preston no órgão e piano - e com letras muito diferentes das escritas em 1968.
"A Little Less Conversation" foi gravada por Elvis Presley em 1968. Em 2002 ela foi relançada em um "CD-single" remixada pelo DJ holandês Tom Holkenborg, conhecido como Junkie XL, ou JXL, se tornando um sucesso arrasa-quarteirão. Essa gravação, de certa forma, serviu para que as novas gerações conhecessem e apreciassem o rei do rock! "A Little Less Conversation" é também, o carro-chefe do discão “Elvis: 30 #1 Hits”, uma coletânea com os grandes sucessos de Elvis Presley nos Estados Unidos e Inglaterra, exclusivamente só com as músicas que foram número 1 nesses países. Essas músicas compreendem o período de 1956 até 1977. Esse disco se tornou um dos mais vendidos no mundo no ano de 2002 para surpresa de muitos e também foi um dos mais vendidos de Elvis em todos esses anos. "A Little Less Conversation" virou um grande hit no mesmo ano, explodindo em primeiro lugar em vários países, inclusive no Brasil, como há muito tempo não acontecia. Essa música foi gravada em 1968 e não figurou nas paradas da época, com exceção de Cingapura onde foi número 1 naquele mesmo ano.
“Cosmically Conscious” esperou um quarto de século para ser gravada e lançada, após ser composta no ashram do Maharishi, em Rishkesh, quando os Beatles foram (tentar) estudar Meditação Transcendental em fevereiro de 1968. A música (mais uma vinheta, ao estilo de “Why Don’t We Do It ín the Road?”) entrou no álbum "Off the Ground" em uma versão abreviada, listada apenas como “And Remember to Be Cosmically Conscious” (na verdade, uma espécie de faixa oculta do disco). Na versão completa, incluída no CD single “Off the Ground”, ela ainda traz alguns segundos da canção “Down to the River” colados no final da faixa, algo como acontece, por engano, com “Her Majesty” em Abbey Road. A maior surpresa para quem acompanha Paul McCartney (quando o tema é mudar o repertório) foi o resgate de “Cosmically Conscious” em um show beneficente ocorrido em 4 de abril de 2009, em Nova Iorque - com o bônus de ter Ringo na bateria. Na apresentação, Paul explicou a origem da canção ao público que compareceu ao Radio City Music Hall para o evento sobre Meditação Transcendental organizado pelo cineasta David Lynch. “E não se esqueçam que vocês precisam ser cosmicamente conscientes... era uma das inúmeras frases do Maharish na índia". Paul toca inúmeros instrumentos na gravação de “Cosmically Conscious", em Sussex: Piano, sitar, violão, ocarina, mellotron e violão. Hamish Stewart toca contrabaixo, Robbie MCintosh assume o bandolim e Linda fica no harmônio. Blair Cunningham contribui com bateria e percussão. Fonte: "Masters - Paul McCartney em discos e canções" de Claudio Dirani, Sonora Editora, 2017.
Composta em Londres, Inglaterra,“Only Love Remains” é a canção de composição mais simples do álbum, incluída no LP para os "fãs mais conservadores", segundo o próprio Paul McCartney. A canção foi gravada em uma das últimas sessões de Press To Play, em julho de1985, arranjada por Tony Visconti. O maestro e produtor, aliás, já havia trabalhado em outras canções de McCartney, como My Love e no álbum Band OnThe Run, em 1973. O percussiomsta oficial de Elton John, Ray Cooper, toca triângulo, marimba e congas nesta faixa. A versão do compacto de 12 polegadas difere bastante da lançada neste LP, devido à adição de solos de saxofone e diferente mixagem (ver compactos). Instrumentos tocados por Paul McCartney: piano, sintetizador, cravo e violão de náilon clássico. Violão, por Eric Stewart. Bateria, por Terry Marotta. Percussão, por Ray Cooper. Orquestra regida por John Bradbury. Gravada no estúdio The Mill, em East Sussex, e no AIR Studios, em Londres. No videoclipe, Paul toca piano e dubla a canção, acompanhado por uma orquestra ao vivo, a Astarte Session Orchestra. Cenas de atores interpretando o casal McCartney envelhecendo juntos em um cenário rotatório no mesmo plano são intercaladas no clipe. As gravações aconteceram no estúdio Pinewood, em Londres, entre 17-19/11/1986, e finalizadas no dia 20 daquele mês. Produzido pela Front Row Films, e dirigido por Maurice Philips. Fonte: "Paul McCartney - Todos os segredos da carreira solo" de Claudio D. Dirani.
O que os álbuns “With The Beatles” e “The Beatles – White Album” tem em comum? Praticamente nada, a não ser pelo fato dos dois serem da mesma banda e terem sido lançados exatamente no dia 22 de novembro com 5 anos entre eles. With the Beatles foi o segundo álbum dos Beatles, lançado em 22 de novembro de 1963, e está completando 55 anos. Foi gravado quatro meses após o primeiro, e repetia a fórmula de Please Please Me. Selecionaram sete composições próprias de Lennon & McCartney e incluíram novamente seis covers das prediletas do repertório da banda. George Harrison fez sua estreia como compositor - "Don't Bother Me" e com o passar dos anos "All My Loving" firmou-se meio que, 'carro-chefe' do álbum. Confira: THE BEATLES - WITH THE BEATLES
A Postagem OS TEXTOS DAS CONTRA-CAPAS DOS DISCOS DOS BEATLES*****foi publicada em novembro do ano passado. Aqui, a gente confere novamente o texto sobre o Álbum Branco na contracapa do LP com a trilha de Yellow Submarine. Não deixe de conferir a postagem completa com os todos os textos que foram publicados nas capas de discos dos Beatles.
Uma das curiosidades bacanas que acompanhavam os primeiros álbuns dos Beatles, era que, a contra-capa trazia um texto explicativo – uma resenha – sobre cada um. Esses textos eram comerciais ao extremo, e de tão ingênuos para a época, chegavam a ser bobos e dispensáveis. Era uma prática comum, de uso quase obrigatório, os LPs (Long Plays) como foram batizados os discos de vinil de 10 polegadas no final dos anos 1940, trazerem um texto que tentasse atrair o consumidor de forma definitiva. Embora, cada vez com menos frequência, essa prática ainda perduraria por anos. Quando os Beatles apareceram, não foi diferente. Assim, os responsáveis pelos textos nas capas dos álbuns dos Fabs, eram feitos pelo assessor de imprensa de confiança, contratado por Brian Epstein. Tony Barrow foi o autor dos três primeiros: Please Please Me, With The Beatles e A Hard Day’s Night. Barrow foi o primeiro assessor de imprensa e publicitário dos Beatles. Foi ele que cunhou o indelével apelido “Fab Four” (quatro fabulosos) e ajudou a configurar a visão que o mundo tinha dos Beatles. E foi assim até a explosão de A Hard Day’s Night. Brian achou que os Beatles precisavam de um relações públicas que falasse diretamente ao mercado americano. Para Brian, Derek Taylorera "o cara". Barrow continuou colaborando com a Nems, mas também assessorava dezenas de outros artistas. Assim, coube a Taylor escrever o texto do próximo álbum, Beatles For Sale. A partir deste álbum, o uso desses textos foi se mostrando inútil e essa prática foi temporariamente encerrada. De forma que todos os álbuns seguintes dos Beatles (exceto Yellow Submarine) ficaram livres de carregarem esse fardo. Curiosamente, só no disco, que traz a trilha sonora do filme Yellow Submarine, lançado em 17 de janeiro de 1969, tornou a aparecer outro desses textos que, deveria ter sido escrito por Derek Taylor que acabou dando uma de joão-sem-braço e publicou uma crítica pronta de um tal Tony Palmer, do “London Observer” que, na verdade, era sobre o “Álbum Branco”. É importante nunca esquecer, que, como bem disse o amigo Valdir Junior na postagem sobre Tony Barrow, numa época distante onde ainda nem se imaginava sonhar com a internet e a informação era mínima, esses textos eram ouro! Aqui a gente confere o texto na íntegra, tal e qual foi publicado, sem correções ou atualizações de português. “Meu nome é Derek, ou seja, como mamãe me chamava; de fato, não é um grande nome, exceto que é o meu próprio. Gostaria pois de dizer que fui convidado a tecer os comentários para o álbum “Yellow Submarine”. Derek Taylor ex-divulgador |unto à imprensa para os Beatles; ele o foi depois nos Estados Unidos, hoje, ao tempo destas notas, é o seu homem de imprensa para a América. Dêsse modo, quando foi convidado a escrever algumas notas para “Yellow Submarine” concluiu que não só não tinha nada de novo que dizer sobre os Beatles de quem também é ardoroso fã - como o fato de ser muito bem pago por êles não o deixava inteiramente livre para usar de raciocínio crítico imparcial. De qualquer forma, seu desejo mesmo era que o público que se deliciou com “Yellow Submarine” também fosse prestigiado com êste magnífico álbum. Dêsse modo, aqui temos: não comprado, não influenciado, sem retoques, desvinculado, puro e um tanto auspicioso, o comentário dêste álbum Apple/EMI, dos Beatles, por Tony Palmer, do “London Observer” - jornalista e cineasta de nomeada. O "ÔLHO-DE-BOI" DOS BEATLES - Se ainda resta dúvida sôbre serem Lennon e McCartney os expoentes máximos da criação musical desde Schubert, o lançamento dêste álbum vem significar uma varrida nos últimos vestígios de vaidade cultural e preconceito burguês com um dilúvio de composições que apenas os incultos deixarão de apreciar, e só os surdos dêle não se aperceberão. Traz o simples título de THE BEATLES (BTX 1005/6), num envoltório singelamente branco, cujo adôrno são os nomes das canções... e aquelas quatro faces, que para alguns representam a ameaça da juventude de cabelos longos; para outros, a luta desesperada e aparentemente sem fim contra aquêles cínicos — os chamados “superiores”. Nos olhos dos Beatles, bem como em suas criações, vislumbra-se, como num espelho, o frágil e fragmentário da sociedade que os patrocina, representa, interpreta, faz-lhes exigências, e os pune quando fazem o que os outros consideram errado. Paul, sempre esperançoso e pensativo; Ringo, sempre o filhínho da mamãe; George, o “terror local”, hoje “o bom rapaz”; john, ensimesmado, tristonho, mas possuidor de uma inteligência lúcida, não turbada pelo que a moralidade organizada lhe lança à conta. São êles os nossos legítimos heróis, e melhores do que merecemos. Não é como se os Beatles sempre visassem a tal louvor. A qualidade superior das 30 novas canções das alegrias simples da vida dêles. O lirismo de seus versos transborda em fulgurantes lampejos, e tal é seu magnetismo, que é impossível resistir-lhes. Quase tôdas as faixas se conduzem num crescendo; vividas, descuidadas, indiferentes, leves. O tema varia, desde porcos ("Você viu os mais rotundos leitões/ Em camisas brancas e engomadas”) até o teor daquele filme de sábado à tarde ("£le desistiu da caçada ao tigre com seu fuzil para elefante/Para o caso de acidente, sempre levava a mamãe”); desde (“Porque não o fazemos na estrada") até os (“Fungos comestíveis do Savoy"). A habilidade na orquestração desenvolve-se com precisão calculada. A orquestra inteira, metais, violino, carrilhão, saxofone, órgão, piano, cravo, todo tipo de percussão, flauta, efeitos sonoros; tudo com equilíbrio e, daí, com habilidade. Suprimiram-se, ou melhor, ignoraram- se dispositivos eletrônicos em favor da musicalidade. Referências ou cotações, desde Elvis Presley, Donovan, The Beach Boys e outros, são tecidas dentro duma aura que os tornou os “tapeceiros persas” da música popular. Está tudo aqui, apenas apure o ouvido. Lennon canta “Contei-lhes dos campos de morango” e “Falei-lhes do tôlo lá na colina" — o que resta? Os Beatles são antes habilidosos que virtuosos instrumentistas. Sua execução conjunta, porém, é intuitiva e admirável. Eles dobram e retorcem ritmos e frases musicais, com aquela unânime liberdade que dão às suas aventuras harmônicas; o frenesi da expectativa e do imprevisível. As vozes — e a de Lennon em particular «*- são mais um instrumento: lamentoso, estridente, zombeteiro, choroso. Há uma tranqüila determinação de escaparem da falsa intelectualização que usualmente os cerca e à sua música. A letra é quase sempre deliberadamente simples — assim é a composição Aniversário, que encerra versos como “Feliz aniversário para você"; outra em que é repetido “Boa-noite"; ainda outra expressa: “Estou tão cansado, não consegui pregar o ôlho". A música é, igualmente, despojada de tudo, exceto da mais pura harmonia e ritmo — de sorte que aquilo que resta é um prolífico jôrro de melodia, criação musical de inequívoca clareza e beleza. A ironia e mordacidade que têm emprestado à sua música uma dificuldade e um limite, ainda está borbulhante — “Lady Madonna tentando viver dentro de suas posses — sim/Olhando através de óculos de cebola". A severidade de imaginação é ainda um tanto mais dura: “A águia bica meu ôlho/O verme que corrói meu osso”. “Nuvens negras, negros pássaros; asas partidas, lagartos, destruição". E a mais grotesca, uma extraordinária faixa que se chama apenas Revolução 9 e encerra efeitos de som, murmúrios ouvidos ao a£aso, formalismo retrógrado, sons discordantes de lembranças subconscientes de uma civilização que se debate. Cruel, paranóica, inflamada, agonizante, sem esperança, é-lhe dada forma pôr meio de uma voz anônima de bingo, que apenas segue repetindo: “Número nove, número nove, número nove”, até que você sente vontade de gritar. A melancolia acumulada reflete-se inteiramente em suas maneiras, como um véu purpúreo de irreal otimismo — fulgurante, inacessível, afetuoso. Por fim, tudo o que você tem a fazer é levantar-se e aplaudir. Qualquer que seja a medida do seu gôsto da música popular, você o satisfará aqui. Se julga qife música popular é Engelbert Humperdinck, creia, os Beatles foram um pouco mais além — sem sentimentalismos, mais apaixonadamente. Se pensa que o popular é rock’n'roll, saiba que êles o aprimoraram ainda — nas praias distantes da imaginação, ainda não palmilhadas por outros. Este álbum lhes consumiu cinco meses para o preparo, e, para o caso de você achar que foi muito lento, saiba que desde sua conclusão até a data destas linhas compuseram outras 15 canções. Nem mesmo Schubert trabalhou nesse ritmo.
O livro “Minha vida gravando os Beatles” (2013 – Novo Século Editora) de Geoff Emerick, é realmente instigante e curioso sobre vários aspectos. Desde pequenos segredos de técnicas e recursos utilizados no estúdio, como os bastidores de muitas das principais gravações da banda. Ainda aproveitando a oportunidade pelo aniversário de 50 anos de “The BEATLES”, o álbum de 1968, aqui no Baú do Edu, a gente confere um pequeno trecho do capítulo 11 “O dia que eu pedi demissão – o making of do Álbum Branco”.Eu tinha passado seis anos de altos e baixos com os Beatles, compartilhando do incrível sucesso deles com o Revolver e o Sgt. Pepper’s lonely hearts club band, me solidarizando com eles quando enterraram seu jovem empresário, Brian Epstein, e havia sofrido com as pedradas e flechadas dos críticos após o imprudente projeto do Magical Mystery Tour. Mas, agora, todos os maus sentimentos, a disputa, a mesquinhez estavam realmente começando a me afetar. Eu estava à beira de um colapso nervoso e pronto para dizer a eles que eu queria sair.Muita coisa havia mudado desde que eu tinha visto os Beatles pela última vez, apenas alguns meses antes. Eles tinham voltado da viagem à Índia completamente diferentes. Eles eram exigentes e elegantes; agora eles estavam desalinhados e despenteados. Eles eram espirituosos e cheios de humor; agora eles estavam solenes e irritadiços. Eles já tinham sido unidos como amigos de longa data; agora eles se ressentiam da companhia uns dos outros. Eles já tinham sido pessoas alegres e divertidas de se conviver. Agora eles estavam raivosos.Eu não tinha ideia do que eles tinham raiva, mas agora eles certamente mostraram um ressentimento em relação a todos quando retornaram ao estúdio, na primavera de 1968, para começar a trabalhar em um novo álbum. As sessões já estavam próximas de acabar, naquele outono, e eles nem sequer conseguiam achar um título adequado — eles estavam discutindo tanto naquela época que nem mesmo nisso conseguiam concordar. No final, o álbum foi chamado simplesmente de The Beatles, mas a maioria das pessoas o conhece pela sua capa simples e sem adornos. As sessões do Álbum Branco foram, de longe, as mais difíceis e controversas em que eu já havia trabalhado. Anos depois, Paul se referiria a ele como o Álbum Tensão, e eu não poderia concordar mais.Eu me informava sobre as notícias da viagem dos Beatles à índia com grande interesse, embora não tenha havido muita publicidade sobre aquilo, à época. Eu sabia que eles tinham ido em busca de paz interior e fiquei surpreso quando tudo desmoronou, apenas dois meses depois. Acho que os sinais de alerta já se mostraram quando eles começaram a voltar para a Inglaterra separadamente: Ringo primeiro, Paul em seguida. Foi a primeira vez, até onde sei, que eles iniciaram uma atividade em grupo e, em seguida, se separaram, como indivíduos.Além de seus problemas pessoais, havia várias pressões de negócios sobre os quatro Beatles. No vácuo criado pela morte de Brian, eles tinham decidido não apenas se empresariar, mas iniciar uma nova empresa ambiciosa chamada Apple Corps, que tinha interesses filantrópicos e comerciais. Pessoalmente, eu achava que a ideia de dar uma chance a artistas desconhecidos era louvável, ao menos em teoria. Era uma visão utópica, mas provavelmente estava condenada ao fracasso desde o início, tendo em vista os interesses muito diferentes e as habilidades para os negócios extremamente limitadas dos quatro principais proprietários. Mesmo com todos os seus objetivos elevados, tudo era realizado de forma aleatória, sem uma pessoa responsável, sem ninguém supervisionando. Neil Aspinall, que tinha formação em contabilidade, ganhou um escritório e a tarefa de fazer o balanço dos livros (o que significava que o veriamos muito pouco nas sessões dos Beatles a partir daquele ponto), mas ele realmente não tinha posição de autoridade alguma àquela altura. A Apple acabaria por engolir os Beatles como um todo, não apenas os distraindo de sua música, mas causando uma série de cisões e pequenos desentendimentos que cresceriam vertiginosamente até que a banda, de uma forma muito feia e pública, se quebrasse em quatro partes.Nenhum de nós na EMI realmente sabia muito sobre a vida privada deles, mas parecia que, desde o início das sessões do Álbum Branco, os Beatles estavam trazendo seus problemas para o estúdio pela primeira vez. Se tivesse havido um rancoroso encontro de negócios na sala de reuniões da Apple, naquela manhã, ele resvalaria para as gravações daquela noite. Se John tivesse feito uma piada desagradável sobre o Maharishi com a qual George tivesse ficado ressentido, eles se alfinetariam quando se reunissem em torno de um microfone para fazer backing vocais. Se Paul criticasse Ringo na bateria, Ringo ficaria mal-humorado; se George ousasse questionar qualquer uma das sugestões de Paul, Paul ficaria irritado. E, se algum dos membros da banda tivesse feito qualquer coisa que um John excessivamente defensivo visse como uma potencial grosseria à sua nova namorada — que ficava sentada ao lado dele, impassível, durante todo o tempo em que eles estavam fazendo o álbum —, ele atacaria a todos com sua língua ferina. Em suma, toda a atmosfera estava contaminada.
Isso foi só para se ter um gostinho. O mais legal é que esse capítulo vai bem mais longe daí de onde parou, a chegada de Yoko Ono, o ‘Magic’ Alex, até o dia em que houve o primeiro bate-boca de George Martin e um dos Beatles e depois disso Emerick pediu para sair. Mas essa, deixa pra outro dia. Valeu!
Oficialmente, hoje é o dia do aniversário de 50 anos do Álbum Branco, o LP duplo "The Beatles", quefoi o décimo álbum da banda, lançado em 22 de novembro de 1968. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. O álbum duplo é mundialmente conhecido como "White Album", por não haver nome, e ter a capa completamente branca, apenas com o nome "The Beatles" em relevo. Durante o processo de gravação das faixas, chegou a ser cogitado como título provisório "A Doll’s House", mas uma banda britânica chamada Family, já tinha lançado um álbum com nome similar. O álbum duplo foi o primeiro disco dos Beatles lançado após a morte de Brian Epstein. Em 1997, foi nomeado o décimo melhor disco de todos os tempos pela "Music of the Millennium" da Classic FM. Em 1998 a Q Magazine o colocou como 17° lugar e em 2000 em 7° lugar. A Rolling Stone colocou como o décimo entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos e o canal VH1 em 11° lugar. De acordo com a Associação da Indústria de Discos da América, o disco é 19 vezes disco de platina e o décimo disco mais vendido nos Estados Unidos. Em 2010, um colecionador argentino possuía o álbum com assinaturas originais dos quatro Beatles. A peça foi vendida na ocasião por 33 mil dólares.Em junho de 1968, logo depois do início das gravações para seu novo álbum, os Beatles encomendaram a vários artistas, o projeto gráfico da capa. Muitos foram reprovados sumariamente. Inclusive, o trabalho feito por Alan Aldridge (utilizado nos anos 80 na capa do “Ballads”) também foi proposto na época, e também foi rejeitado, óbvio. A capa do álbum duplo “THE BEATLES”, imaculadamente branca, foi elaborada pelo artista pop Richard Hamilton e sua principal característica foi o contraste com as capas psicodélicas dos dois discos anteriores, criando assim, apenas uma capa branca, com o nome da banda em relevo. A maioria das canções do disco foi composta durante a meditação transcendental em Rishikesh, na Índia com Maharishi Mahesh Yogi. Embora fosse uma meditação profunda concebida inicialmente para livrar os membros de todas as obrigações e aflições de seu mundo, ambos Lennon e McCartney davam suas escapadas para, clandestinamente, "irem ao quarto um do outro esboçar algumas ideias." Lennon recordaria tempos depois: "Eu escrevi minhas melhores músicas lá". Os Beatles deixaram Rishikesh antes do tempo, com Ringo indo embora primeiro seguido por McCartney. Lennon e Harrison foram embora juntos, algumas semanas depois. O motivo da partida de Lennon foi o seu desapontamento com Maharishi, devido aos rumores do possível assédio dele para com Mia Farrow. Essa história se transformou na música escrita por Lennon, "Sexy Sadie". O Álbum Branco foi gravado entre 30 de maio a 14 de outubro de 1968, com maior parte em Abbey Road e algumas sessões no Trident Studios. Apesar de produtivo, foram sessões indisciplinadas, e às vezes relapsas, com tensão crescente entre os membros. Conciliando as gravações com a nova empresa Apple Inc. Corps, os companheiros de banda acabaram se tornando homens de negócios, o que desgastou e muito a relação entre eles.As gravações também foram marcadas pela presença da nova namorada de Lennon, Yoko Ono, que criou mais uma tensão entre a banda já que nunca alguém, nem mesmo George Martin, ficava no estúdio quando os Beatles estavam compondo e gravando. O autor Mark Lewisohn relata que o disco contou com a primeira seção de gravações a durar 24 horas, com Lennon, McCartney e Martin fazendo os últimos ajustes e a sequência final de mixagem em um único dia. Apesar de o nome oficial do álbum ser apenas The Beatles, esse disco captura uma grande individualidade de seus integrantes. Os padrões de trabalho nele exercidos são drasticamente modificados com relação àquela sinergia e dinamismo de seus discos anteriores. Algumas vezes era possível encontrar McCartney trabalhando por horas em um estúdio, enquanto Lennon gravava em outro e Harrison e Ringo em um terceiro estúdio, todos os quatro com engenheiros diferentes. "Pela primeira vez eu precisei ser três produtores" dizia Martin, que em uma ocasião, com sua autoridade quase que ignorada pelos Beatles, deixou Chris Thomas na produção enquanto viajou num feriado. George Martin disse, em entrevistas posteriormente, que trabalhar com os Beatles estava quase se tornando impossível, e que a relação com a banda mudou nesse período com suas maiores qualidades parecendo desfocadas e seus objetivos sem inspiração. Em 16 de julho o engenheiro Geoff Emerick, que trabalhou com os Beatles desde o início, anunciou que não trabalharia mais com a banda, por causa do desgosto e deterioração do ambiente de trabalho e pediu as contas. Em 22 de agosto o baterista Ringo Starr também se foi abruptamente, explicando mais tarde que fez aquilo porque sentiu sua participação minimizada perante os outros membros e que estava cansado do trabalho contínuo e demorado do disco. Os outros três tiveram que implorar para Ringo retornar, o que aconteceu duas semanas depois com flores lhe esperando, espalhadas por toda a bateria. Mas a reconciliação foi só o começo do fim. Durante esse tempo McCartney, multi-instrumentista, tocou bateria em "Back in the U.S.S.R" e "Dear Prudence". Eric Clapton, através de um convite de George Harrison, tocou a guitarra solo em "While My Guitar Gently Weeps". Harrison tão logo retribuiu colaborando na canção "Badge" para o último disco do Cream, Goodbye Cream. Harrison disse anos depois: "A presença de Clapton no estúdio serviu para desanuviar as tensões entre o grupo e eles tiveram uma melhora em seu comportamento na sua presença". Nicky Hopkins também participou do disco tocando piano em "Revolution 1" e "Savoy Truffle" que também contou com uma seção de sopros. Jack Fallon, um violinista, foi recrutado para "Don't Pass Me By" e uma orquestra de música clássica e alguns vocais de apoio contribuíram para a canção de ninar, "Good Night". Apesar da presença de todos e de Yoko Ono na música "Revolution 9", nenhum deles ganhou créditos no encarte do disco. O principal avanço na gravação desse disco foi passar de 4 para 8 canais. Os estúdios de Abbey Road contavam com mesas de 4 canais mas também tinham mesas de 8 canais em estoque, compradas pela EMI e paradas por meses, esperando que alguém testasse. Os Beatles gravaram "Hey Jude" e "Dear Prudence" no Trident Studios em 8 canais, e quando descobriram que AbbeyRoad também tinha um desses, insistiram em usar e pediram para os engenheiros Ken Scott e Dave Harries que instalassem a máquina (sem a autorização dos chefes do estúdio) no estúdio n° 2, para o uso do grupo. Muitas músicas foram gravadas como demo, mas não fizeram parte desse álbum. Algumas delas: "Mean Mr. Mustard" e "Polythene Pam" (ambas presentes no disco Abbey Road), "Child of Nature" que mais tarde se transformou em "Jealous Guy" do disco Imagine de John Lennon, e "What’s the New Mary Jane". "The Long and Winding Road" de McCartney presente no disco Let It Be, "Jubille" que se tornou "Junk" no primeiro LP solo de Paul McCartney, "Etcetera" de McCartney gravada por Black Dyke Mills Band como "Thingumybob", "Circles" e "Not Guilty" de George Harrison que só foi gravá-la em 1982 no disco Gone Troppo, "Something" mais tarde em Abbey Road e "Sour Milk Sea" que Harrison deu a um amigo que era artista da Apple na época, Jackie Lomax, para o seu primeiro LP, Is This What You Want. O Álbum Branco foi o primeiro disco dos Beatles lançado pela Apple Records, assim como foi o primeiro e único disco duplo da carreira do grupo. O produtor George Martin era contra a ideia de se lançar o álbum duplo, e sugeriu que se pegassem as melhores canções e fizessem um disco só, com um trabalho mais forte, mas a banda não concordou. Em entrevista para o The Beatles Anthology,Ringo Starr diz que deveria ter sido lançado como 2 discos separados - 'white' e 'whiter'. Harrison reflete sobre a possibilidade de ter lançado muitas delas como Lado B, "mas havia uma batalha de egos em jogo". Na época ele apoiou a ideia de um disco duplo para mostrar mais seu trabalho e "limpar" todo o catálogo de músicas naquele período. McCartney em contraste, diz que o disco saiu do jeito certo e que "a ampla variedade de músicas só serve para mostrar todo o seu charme". Os quatro retratos dos Beatles que vinham encartados com os discos foram feitos pelo fotógrafo inglês JOHN KELLY, que também fez algumas fotos para o poster que também acompanhava o luxuoso lançamento. Aqui, a gente confere o que diz Steve Turner em seu livro "The History Behind Every Beatles Release". The Beatles, ou The White Album, como é mais conhecido, confundiu público e crítica com sua simplicidade. Era como se o grupo tivesse decidido tomar o caminho inverso e fazer exatamente o oposto de Sgt Pepper. Título comprido? Vamos chamá-lo só de The Beatles. Capa multicolorida? Vamos usar branco. Mixagens e overdubs incríveis? Vamos usar violões acústicos em muitas faixas. Temas sobrenaturais? Vamos cantar sobre cowboys, porcos, chocolates e sexo na estrada.A mudança, em parte, se devia ao interesse dos Beatles pelos ensinamentos do guru indiano Maharishi MaheshYogi. Pattie Harrison tinha assistido a uma palestra dele em fevereiro de 1967 e, seis meses depois, encorajou George e o resto da banda a irem ouvi-lo falar no Hilton Hotel em Park Lane, Londres. Como resultado desse encontro, todos eles embarcaram para um curso de dez dias de meditação transcendental na University College, Bangor, em North Wales.Lá, em 27 de agosto de 1967, um domingo, descobriram que Brian Epstein tinha sido encontrado morto em seu apartamento. A perda de Epstein, empresário deles desde o começo, no início de 1962, e que acabou se tornando uma figura paterna, pode muito bem ter deixado os Beatles ainda mais abertos à orientação do Maharishi, que eles foram visitar na índia em fevereiro de 1968. A viagem para a índia trouxe não apenas calma e autorreflexão para suas vidas sobrecarregadas, mas também refez a amizade musical. Paul Hom, flautista americano que estava lá na mesma ocasião, acredita que a meditação foi um grande estímulo para eles. “Você descobre mais sobre si mesmo em níveis mais profundos quando está meditando" , ele afirma. "Veja como eles ficaram produtivos em um período relativamente curto. Eles estavam no Himalaia, longe das pressões e longe do telefone. Quando você se envolve demais com a vida, a criatividade acaba suprimida. Quando você consegue ficar quieto, ela começa a vir à tona de novo.” Quando voltaram da índia, os Beatles disseram ter trazido trinta músicas que usariam em seu próximo álbum. De fato, havia trinta composições em The Beades, mas nem todas tinham sido escritas na viagem, e algumas da leva indiana (como “Sour Milk Sea” e “Circles”, de George) nunca foram gravadas pelos Beatles. Talvez fosse mais correto dizer que cerca de metade do álbum foi escrito ou pelo menos iniciado enquanto estavam fora. Como não tinham acesso a guitarras nem teclados, muitas dessas canções eram acústicas. Mais tarde, John se referiria a The Beatles como o primeiro disco não reprimido depois da grande fase reprimida da banda que, de acordo com ele, começou com Rubber Soul e terminou com Magical MysteryTour e Yellow Submarine. The Beatles foi lançado como álbum duplo em novembro de 1968 e chegou ao número 1 nos dois lados do Atlântico.