quinta-feira, 18 de julho de 2019

THE BEATLES - A HARD DAY'S NIGHT - A MÚSICA*****

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É uma explosão! "A Hard Day's Night" abre com o acorde mais famoso do rock: uma rajada radiante de uma guitarra Rickenbacker de 12 cordas, evocando o caos e a euforia da Beatlemania em seu auge. Provavelmente o acorde de abertura mais reconhecível de todo o cânone dos Beatles, e talvez até de qualquer música popular: um acorde estridente, chocante, magnífico, explosivo.
O tom ensolarado do acorde, a empolgação do desempenho dos Beatles e o suspiro de exaustão do título fazem de “A Hard Day’s Night”, um documentário compacto sobre a ascensão meteórica dos Beatles. "Naquela época, os começos e encerramentos das músicas eram algo que eu tendia a organizar", disse George Martin. "Precisávamos de alguma coisa arrasadora, que fosse um 'chacoalhão' súbito na música".
No começo dos anos 1960, era comum que astros pop fizessem filmes depois de uma sequência razoável de sucessos, assim como Elvis Presley fizera nos anos 1950. O consenso era de que o estrelato dos filmes durava mais e era mais substancial que o do pop. Os Beatles queriam fazer algo de um ângulo diferente e tiveram a sorte de serem apresentados a Dick Lester, cuja edição ágil e câmera criativa combinavam perfeitamente com a animação e o frescor do pop. As negociações para o filme começaram em outubro de 1963 e, em novembro, o roteirista de Liverpool Alun Owen acompanhou a banda a Dublin e Belfast para observá-los em ação e ver de perto a beatlemania.
Os Beatles tiveram de escrever as músicas para o filme sem nem ao menos ver o roteiro de Owen. Três músicas foram feitas em Paris em janeiro de 1964, três no mês seguinte em Miami durante uma sessão de duas horas e a faixa-título foi feita em Londres. “Todas as canções, com exceção de ‘A Hard Day's Night', foram compostas sem que soubessem o que eu estava escrevendo. Paul e John as escreveram, e elas foram entremeadas com o roteiro de forma improvisada. Nenhu­ma delas tem relação alguma com a história. Eram apenas músicas soltas", afirma Owen.
Depois de rejeitar OnThe Move, Lets Go e Beatlemania, os Beatles não tinham um nome para o filme. A Hard Days Night foi a última canção escrita e acabou se tornando o título tanto do álbum quanto do filme. A expressão é atribuída a Ringo Starr, que declarou em 1964: “Eu inventei a frase a hard day’s night. Simplesmente saiu. Tínhamos um compromisso, trabalhamos o dia todo e acabamos trabalhando a noite toda também. Eu saí achando que ainda era dia e disse “it’s been a hard day” , olhei em volta e acrescentei ‘s night".
Se Ringo de fato inventou a frase, deve ter sido em 1963, não no set de gravação como foi relatado, porque John a incluiu em seu livro In His Own Write, escrito naquele ano. Na história “Sad Michael” havia a frase: “He’d had a hard days [sic] night that day...”. Como quer que ela tenha surgido, Dick Lester gostou da expressão para o título por que resumia o ritmo frenético do filme, bem como o humor dos Beatles e, em determinada noite, no caminho de casa, disse a John que planejava utilizá-la. Na manhã seguinte, John trouxe uma música para acompanhá-la. A letra foi bem trabalhada. Pode parecer que a mensagem é simples: trabalhe duro, traga o dinheiro para casa e terá a felicidade conjugal. Há uma leve insinuação de chauvinismo quando ele se lamenta por estar trabalhando o dia todo por dinheiro para que ela tenha coisas.
A jornalista do Evening Standard Maureen Cleave, uma das primeiras em Londres a escrever sobre os Beatles, se lembra de John entrando no estúdio em 16 de abril de 1964 com a letra no verso de um cartão para seu filho Julian que tinha acabado de fazer um ano de idade.
Inicialmente a canção dizia: “But when I get home to you, I find my tiredness is through, And I feel all right”. Cleave disse a ele que achava que “my tiredness is through” era uma frase fraca. John riscou o trecho e escreveu “I find the things that you do". Maureen disse que “a canção parecia se materializar como mágica. Basicamente, John cantarolava, eles colocavam a cabeça para funcionar, cantarolavam tam­bém, e, três horas depois, lá estava a gravação. No final da sessão, quando quase todos tinham ido embora, vi o cartão pousado numa estante de música. Pedi para ficar com ele e John perguntou para que eu o queria. Eu disse que era porque tinha sugerido a mudança daquela frase da música”.
"A Hard Day's Night" foi gravada no dia 16 de abril de 1964 em 9 takes. Quando a sessão terminou, às 22h daquela mesma noite, Harrison havia esculpido um de seus mais memoráveis solos - um precioso dedilhado crescente tocado duas vezes e arrematado com um floreio circular, com o badalar de sino de igreja de sua guitarra ecoado no piano por George Martin. "George passava muito tempo trabalhando nos solos", disse Geoff Emerick. "Tudo era um pouco mais difícil para ele, nada veio muito facilmente". Harrison também tocou o arrasador fade-out, um ressoante arpeggio de guitarra que foi inspirado por Martin. "Eu estava frisando a eles a importância de fazer a música se encaixar, não exatamente terminando, mas ficando suspensa de modo a conduzir para a atmosfera do próximo clima", disse o produtor. “A Hard Day s Night” tocava durante os créditos de abertura e encer­ramento do filme. Foi a primeira faixa do álbum de mesmo nome com a trilha sonora e chegou ao primeiro lugar na Inglaterra e nos Estados Unidos.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

THE BEATLES - I SHOULD HAVE KNOWN BETTER - SENSACIONAL!*****

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“I Should Have Known Better” (Eu deveria ter imaginado) é uma música composta por John Lennon (creditada a Lennon e McCartney), gravada pelos Beatles e lançada em seu terceiro álbum A Hard Day’s Night, em 10 de julho de 1964. Também foi lançada como o lado B do single americano "A Hard Day's Night", em 13 de julho. Uma versão orquestrada conduzida pelo maestro George Martin aparece na versão norte-americana do álbum - A Hard Day's Night Original Motion Picture Soundtrack. “I Should Have Known Better” foi uma das várias canções escritas e gravadas especificamente para o filme de estreia dos Beatles.
A primeira sessão de gravação foi em 25 de fevereiro de 1964, em Abbey Road, quando três tomadas foram tentadas, mas apenas uma foi concluída. A música foi regravada no dia seguinte depois de algumas alterações no arranjo.
“I Should Have Known Better” é a primeira música que aparece no filme na cena em que os Beatles e o avô de Paul (Wilfred Brambell) estão no trem e são banidos para o vagão dos correios. Eles começam a jogar cartas e logo em seguida aparecem os instrumentos. A jovem Patty Boyd, futura senhora Harrison, é uma das garotas que aparecem na cena. Apesar de boa parte das filmagens terem sido feitas em trens entre Londres e West Country, “I Should Have Known Better” foi filmada em um cenário nos estúdios Twickeham Film.
Composta basicamente em cima de 2 acordes, essa música é típica de John, surpreendentemente ela é bastante otimista, que assim como outras do mesmo período, usa sua harmônica para compensar a falta de outros instrumentos, mas sem por isso, deixar de ser brilhante. Um rapaz ama uma garota, uma garota ama o rapaz, e está tudo bem.
Para Hunter Davies, em seu livro As Letras dos Beatles, “I Should Have Known Better é uma canção de amor direta, sem lamúrias nem tristezas. A música é simples, com poucas mudanças de acorde, embora John experimente o falsete quando brinca com a palavra “mine”. O único mistério ou característica incomum é o título: “Eu deveria ter imaginado”. É como se ele fosse escrever uma canção lamentosa e triste sobre remorsos e então tivesse pensado melhor. Mas quando se vê a letra não há arrependimentos. A música não é tão tocada hoje, mas eu a considero encantadora”.
Existe uma história bem bacana e curiosa sobre essa música que aqui no Brasil virou "Menina Linda" gravada por Renato & Seus Blue Caps em 1964 e publicada aqui em 19 de junho de 2013. Não deixe de conferir! RENATO & SEUS BLUE CAPS - MENINA LINDA - SENSACIONAL!!!

E para fechar com chave de ouro, como alguém bem disse aqui um dia, o mais legal é que ainda tem a dancinha do George Harrison. Demais!

domingo, 14 de julho de 2019

THE BEATLES - IF I FELL***********************************

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“If I Fell” é uma das mais belas canções de John Lennon e fala sobre uma relação ilícita. Ele pede à mulher em questão uma garantia de que, caso deixe a esposa para ficar com ela, será amado como nunca foi antes. E sobre alguém preocupado em evitar um confronto. No primeiro esboço ele escreveu “I hope that she will cry/ When she hears we are two”, em vez da versão final mais suave “And that she will cry...” Isso sugere que imaginava uma forma cruel de prazer quando sua parceira descobrisse sua infidelidade. A crueldade ainda está lá, mas é mais difícil de detectar. John afirmou que a canção era “semiautobiográfica” e sabe-se que ele era infiel a Cynthia, apesar de ela não saber disso na época. John viu isso como sua primeira balada de fato e uma precursora de “In My Life”, sua canção sobre crescer, que usaria a mesma sequên­cia de acordes. Steve Turner
"If I Fell" é uma música composta basicamente por John Lennon, com uma pequena ajuda de Paul McCartney, e creditada a Lennon e McCartney. Foi gravada pelos Beatles em 15 takes em 27 de fevereiro de 1964 e lançada como a terceira faixa do álbum A Hard Day's Night, em 10 de julho de 1964. Foi produzida por George Martin e teve como engenheiro Norman Smith. Os Beatles estão em seus instrumentos habituais: John Lennon – vocal, guitarra acústica; Paul McCartney – vocal, baixo; George Harrison – guitarra de doze cordas e Ringo Starr – bateria.
Os Beatles dublaram "If I Fell" durante o filme A Hard Day's Night. A cena acontece enquanto a equipe está montando o equipamento antes da apresentação. Divertidamente, Lennon canta a canção de amor para Ringo Starr. "If I Fell" tornou-se parte do repertório ao vivo dos Beatles em 1964. Como a única balada executada pelo grupo na época, ela frequentemente sofria por sua incapacidade de ser ouvida, sufocada pelos gritos da beatlemania. As versões ao vivo eram tipicamente mais rápidas que a gravação em estúdio. Gravações piratas também mostram Lennon e McCartney tentando em vão reprimir o riso enquanto cantam a música. Os Beatles gravaram "If I Fell" duas vezes para a rádio BBC. Primeiro em 14 de julho de 1964 na Broadcasting House, em Londres, e foi transmitido dois dias depois no programa Top Gear. A segunda vez ocorreu em 17 de julho no BBC Paris Studio, em Londres, e foi transmitida pela primeira vez em 3 de agosto.
Em 8 de abril de 1988, a letra de John Lennon para "If I Fell", escrita no verso de um cartão do Dia dos Namorados, foi vendida na Sotheby's em Londres por £ 8.580. Hoje facilmente alcançaria 500 mil.

sábado, 13 de julho de 2019

THE BEATLES - I'M HAPPY JUST TO DANCE WITH YOU*****

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Quando começou a compor suas próprias músicas, George Harrison manifestava descontentamento com o fato de poucas delas serem levadas em conta para os álbuns dos Beatles. Dessa forma, para o primeiro disco "Please Please Me", George conseguiu ficar com "Chains", uma música tolinha de Gerry Goffin e Carole King, e "ganhou" de John e Paul, os compositores por excelência, "Do You Want To Know A Secret?". No segundo álbum "With The Beatles", George debutou como compositor com "Don't Bother Me", além de liderar os Fabs no clássico de Chuck Berry "Roll Over Beethoven", além de ainda conseguir espaço para mais uma - "Devil in Her Heart" - musiquinha mediana escrita por Richard P. Drapkin que fez pequeno sucesso com um grupo chamado "The Donays". Mas isso tudo passava a olhos vistos pelos compositores e pela produção.

Quando chegou a vez do terceiro álbum, George achou que talvez fosse sua chance, mas o disco tinha que ser gravado às pressas para a trilha do filme "A Hard Day's Night", então John e Paul fizeram “I’m Happy Just To Dance With You" para George cantar no filme "para dar um pouco de ação para ele". A cena foi filmada no palco no ScalaTheatre, em Londres. Como o membro mais novo dos Beatles, George sempre viveu à sombra de Paul e John. Anos depois, John Lennon morreria muito magoado e ressentido quando George publicou sua biografia "I Me Mine", em 1980 sem fazer nenhuma menção à sua influência em qualquer uma de suas composições. Paul disse apenas que esta era uma "música que seguia uma fórmula, e era ótima para George cantar"Os Beatles gravaram “I’m Happy Just To Dance With You" em um domingo, a primeira vez que eles usaram o Abbey Road Studios em um dia diferente de um dia normal de trabalho. A música foi lançada no álbum "A Hard Day's Night" em 10 de julho de 1964. Ela também foi incluída no álbum "Something New", lançado pela Capitol Records em 20 de julho. Atingiu # 95 no Top 100 da Billboard em 1 de agosto de 1964, sua única aparição nesse gráfico. Os Beatles também gravaram uma versão para o programa de rádio "From Us to You" da BBC. Essa sessão ocorreu em 17 de julho de 1964, há 54 anos, no BBC Paris Studio, e foi transmitida pela primeira vez em 3 de agosto daquele ano. Único take ao vivo de “I’m Happy Just to Dance With You”.

THE BEATLES - AND I LOVE HER - SENSACIONALÍSSIMA!!!*****

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"And I Love Her" é uma música dos Beatles, composta principalmente por Paul McCartney (creditada a Lennon-McCartney). É a quinta faixa de seu terceiro álbum, A Hard Day's Night, lançado em 10 de de julho de 1964. Dez dias depois, juntamente com "If I Fell" também foi lançada como um single pela Capitol Records nos Estados Unidos, alcançando a 12ª posição na Billboard Hot 100. "And I Love Her" foi uma das três contribuições de Paul McCartney para o álbum A Hard Day's Night, junto com"Things We Said Today" e "Can't Buy Me Love".

Paul McCartney amava o som das big bands dos anos 1920 e 1930 que seu pai ouvia, as canções do teatro de varieda­des vitoriano que seus parentes cantavam em volta do piano e as canções dos musicais dos anos 1940 e 1950, apesar de seu amor pelo rock’n‘roll. Mesmo nos tempos de Hamburgo e do Cavem Club, em Liverpool, adorava um bolero (Besame Mucho) e cantava “Till There Was You”, popularizada por Peggy Lee e incluída em With The Beatles. Seu sucesso fez que ele percebesse que as baladas enri­queciam o show, então talvez, tenha composto “And I Love Her” para exercer essa função. John Lennon sempre gostou dela e disse que foi a primeira "Yesterday” de Paul. E Paul disse que foi a primeira música “que o deixou realmente orgulhoso”. As gravações começaram em fevereiro de 1964 e foi a primeira faixa dos Beatles a ter instrumentos somente acústicos. No filme A Hard Day s Night, com as belíssimas imagens em preto e branco de Dick Lester, eles aparecem fazendo a gravação para um programa de televisão. Apenas um mês antes da gravação, Jane Asher comentou com o escritor americano Michael Braun: “O problema (de Paul) é que ele quer a adulação dos fãs e a minha. Ele é muito egoísta. É o maior defeito dele. Ele não consegue ver que os meus sentimentos por ele são verdadeiros, e os (sentimentos) dos fãs são uma fantasia”. Desde então, Paul afirma que não a escreveu com ninguém específico em mente, mas é difícil acreditar que, no início de sua paixão por Jane Asher, ele estivesse compondo músicas tão delicadas para uma garota imaginária.

Para Hunter Davies, é uma canção de amor muito sincera mas simples. E sim, foi para Jane Asher. Davies diz: “Paul criou a letra quando morava na casa dela. Disse depois que não tinha ninguém em mente quando a escreveu, no que acho difícil de acreditar. Penso que quando lhe fizeram a pergunta o romance tinha acabado e ele não queria falar sobre isso. Os versos não são tão poéticos, nem tentam ser. Só um degrau acima de “Love Me Do” - com exceção da frase Bright are the stars that shine/dark is the sky [Claras são as estrelas que brilham/ escuro é o céu]. E mesmo isso soa um pouco forçado, como se ele precisasse de uma rima para will never die [nunca vai morrer], no fim da música". Como sempre ocorre com os clássicos dos Beatles, a belíssima "And I Love Her" vem sendo regravada pelos mais diversos artistas dos mais diferentes estilos ao longo dos anos – Jazz, Pop, R&B e até Grunge. Inclusive, até alguns medalhões brazucas já tentaram acabar com ela, mas não conseguiram: Roberto Carlos e Zezé de Camargo e Mariano.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

THE BEATLES - TELL ME WHY - SHOW!*****

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Um dos rocks mais animados dos Beatles, não apenas do álbum e do filme, "Tell Me Why" foi composta às pressas por John Lennon, para animar a parte final de “A Hard Day’s Night” quando os Beatles fazem o show.
Nos EUA, foi lançada tanto na versão americana do álbum com a trilha sonora, quanto no álbum "Something New". Creditada a Lennon e McCartney, foi escrita rapidamente por John Lennon para entrar no filme e foi gravada em oito takes em 27 de fevereiro de 1964. "Tell Me Why" aparece no filme como parte da sequência do 'show ao vivo no estúdio', filmada no Scala Theater, em Londres, em 31 de março de 1964. Isso marca a única vez que a música foi tocada em frente a uma plateia ao vivo, composta por 350 jovens figurantes, um dos quais era Phil Collins, então com treze anos, que mais tarde tocaria bateria no Genesis.
“Me diga por que você chora. E por que você mentiu para mim”. "Tell Me Why" tem um enredo típico de John. A moça chora porque o enganou e abandonou. Ele implora a ela que diga o que ele fez de errado para que possa consertar. Para psicólogos e psicanalistas de plantão, "Tell Me Why" é um prato cheio: “Crianças cujos pais as deixam ou morrem de repente costumam ficar com a sensação de culpa. “If theres something I have said or done/ Tell me what and i’ll apologize” (“Se há algo que eu tenha dito ou feito/ diga o que é e pedirei desculpas”), cantava". Paul mais tarde presumiu que havia ali um elemento autobiográfico. Foi somente quando se submeteu à terapia primal em 1970 que John passou a entender melhor esses medos subconscientes. O terapeuta Arthur Janov passou o exercício de vasculhar todas as suas composições para os Beatles e ver o que revelavam sobre suas ansiedades. Em seu primeiro álbum pós-terapia, John Lennon/Plastic Ono Band, John propôs expor esses traumas em seu contexto original, em canções como “Mother”, “Hold on”, “Isolation” e “My Mummys Dead”.

THE BEATLES - CAN'T BUY ME LOVE - SENSACIONAL!

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“Can't Buy Me Love” foi o sexto single dos Beatles, com “You Can't Do That” no lado B. Foi escrita enquanto o grupo estava em Paris para uma temporada de 19 dias no Olympia Theatre.
Acredita-se que a música tenha sido escrita no Hotel George V. Havia um piano no canto da suíte, para que eles pudessem trabalhar nas músicas para o seu primeiro filme. “Can't Buy Me Love foi minha tentativa de escrever de um modo mais bluesy. A ideia por trás disso foi que todos esses bens materiais são ótimos, mas eles não vão me comprar o que eu realmente quero. Era uma música muito animada. Ella Fitzgerald depois fez uma versão da qual me senti muito honrado.” Paul McCartney - Many Years From Now - Barry Miles.
Escrita por Paul McCartney, Can't Buy Me Love tornou-se o primeiro dos singles do grupo a apresentar apenas um cantor. O que deixou John Lennon meio enciumado sentindo sua posição como líder ameaçada. Depois do lançamento do single, Lennon escreveu, cantou e dominou a maioria das músicas do álbum A Hard Day's Night.
No momento em que Can't Buy Me Love foi lançada, os Beatles já eram um fenômeno de proporções inigualáveis. A música encabeçou os gráficos de quase todos os países em que o single foi lançado por várias semanas seguidas. Lançado nos EUA um pouco antes que no Reino Unido, vendeu mais de dois milhões de cópias só na primeira semana e recebeu um disco de ouro no dia do lançamento, em 16 de março de 1964. Na Inglaterra, quebrou menos recordes, mas ainda foi um fenomenal sucesso. Can't Buy Me Love teve compras antecipadas de mais de um milhão, e tornou-se o quarto número 1 seguido dos Beatles nas terras da Rainha.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

THE BEATLES - ANY TIME AT ALL*****

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Depois de escrever as canções que seriam usadas no filme, a corrida agora era para criar as músicas que preencheriam o segundo lado do álbum com a trilha sonora. John era obviamente o compositor mais prolífico da época, tendo escrito cinco das sete músicas do filme e em via de compor quase todas as canções do lado B, com exceção de uma, isso não foi tão fácil assim. “Any Time At All”, ele admitiu depois, tinha sido reescrita a partir de uma canção anterior, “It Won t Be Long”, usando a mesma progressão de acordes de dó para lá menor e a mesma forma de cantar (gritando) durante a gravação. A primeira música do lado dois de A Hard Day's Night, “Any Time At All” foi gravada durante a sessão final para o álbum em 2 de junho de 1964. Embora a música tenha sido lançada pela primeira vez no Reino Unido em A Hard Day's Night, nos EUA, apareceu no LP Something New. Ambos os álbuns foram lançados em julho de 1964.
“Any Time At All” ainda estava inacabada quando John Lennon a trouxe para o estúdio na tarde de 2 de junho de 1964. Os Beatles gravaram inicialmente sete tomadas da faixa rítmica, além de vocais de Lennon. O grupo correu para gravar “Things We Said Today” e “When I Get Home” antes de retomar “Any Time At All” quando já era noite. Naquela noite, gravaram quatro outras tomadas. Na última, take 11, adcionaram piano, violão e vocais. Foi primeiro mixada para mono em 4 de junho, mas isso foi descartado e novas mixagens mono e estéreo foram feitas em 22 de junho. Toda a composição de “Any Time At All” de última hora significou que os Beatles nunca chegaram a escrever a letra para a parte do meio. McCartney sugeriu um conjunto de acordes de piano, aos quais eles pretendiam adicionar letra, mas não conseguiram escrever nada. George Martin fez um solo de piano com ecos de guitarra de George Harrison levemente reproduzindo nota-por-nota. McCartney canta o segundo "Any Time At All" em cada coro, porque Lennon não conseguiu alcançar as notas. O prazo para as combinações finais do álbum significou que ele foi lançado em seu estado não intencionado, com “Any Time At All” não completada. O álbum “A Hard Day’s Night” foi lançado em 10 de julho no Reino Unido. A letra manuscrita de John Lennon para "Any Time at All" foi vendida por £ 6.000 em um leilão realizado na Sotheby's em Londres, em 8 de abril de 1988.

THE BEATLES - I'LL CRY INSTEAD*****

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Composta por John para o filme “A Hard Day’s Night”, esta música com influência do country and western traz Lennon e McCartney em dueto, cantando em uníssono e acompanhados por George numa afiada guitarra rockabilly. "I'll Cry Instead" seria originalmente usada na sequência da saída de incêndio em A Hard Days Night, mas foi substituída por "Can't Buy Me Love". No entanto, quando o filme foi remasterizado para o lançamento em vídeo, em 1986, ela foi "colada" em uma sequência antes dos créditos iniciais.

John já tinha escrito sobre o ato de chorar muitas vezes, mas "I'll Cry Instead" era diferente porque nela ele dizia que quando parasse de chorar voltaria para se vingar. Ele imaginava sair por aí partindo o coração de garotas mundo afora para depois esnobá-las, de modo a punir todas que o rejeitaram. John depois admitiu ter sido violento às vezes e, em "Getting Better", escreveu ter superado sua crueldade em relação às mulheres. Essa também foi a primeira música em que John admitiu sua tendência agressiva, um sinal de que entrava em um período intenso de autoanálise, que continuaria até seus primeiros álbuns solo, depois do fim dos Beatles.

THE BEATLES - THINGS WE SAID TODAY*****

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"Things We Said Today" é uma canção dos Beatles escrita por Paul McCartney e creditada a Lennon & McCartney. Foi composta para o filme "A Hard Day's Night" mas acabou não entrando no filme e aparece no álbum da trilha sonora. Também foi lançada como lado B do single "A Hard Day's Night no Reino Unido.
Em maio de 1964, depois de concluir as filmagens de A Hard Day's Night e cumprir alguns compromissos na Inglaterra e na Escócia, os Beatles e sua equipe saíram de férias. John e George fizeram uma volta ao mundo com paradas na Holanda, na Polinésia, no Havaí e no Canadá, enquanto Paul e Ringo foram para a França e para Portugal antes de partirem para as Ilhas VirgensQuando estavam no Caribe, Paul alugou um iate chamado Happy Days. Foi a bordo dele, com Ringo, Maureen e Jane, que ele compôs "Things We Said Today". A canção era uma reflexão sobre sua relação com Jane, considerando que ele sabia, por causa do ritmo de trabalho dos dois, que não teriam muitos momentos juntos. Quando estavam separados, disse Paul, ele se consolava lembrando daquele dia.
Os Beatles gravaram "Things We Said Today" em três takes no dia 2 de junho de 1964. O grupo também gravou a música outras duas vezes para o programa da BBC, em 14 e 17 de Julho de 1964. Também incluíram "Things We Said Today" como parte de seu set ao vivo durante sua turnê de 1964 dos Estados Unidos e Canadá.

THE BEATLES - WHEN I GET HOME*****

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“When I Get Home” foi descrita por John como “uma canção com ritmo marcado em quatro tempos”, influenciada pelo seu amor pela Motown e pela soul music americana. Na época da gravação, perguntaram qual música ele gostaria de ter escrito e sua primeira escolha foi “Can I Get a Witness”, de Marvin Gaye. “E gostamos de outras coisas da Tamla Motown também”, ele continuou. “É mais difícil escrever músicas boas em 12 compassos porque muito já se fez com isso antes. Prefiro compor uma canção com um monte de acordes".

A letra, de um otimismo raro para uma cançáo de John, revela o que ele está pensando em dizer e fazer com sua garota quando chegar em casa. Com uma temática ligeiramente parecida com a de “A Hard Days Night” (“But when I get home to you...”), mostra que ele ainda idealizava o lar como um lugar onde o amor verdadeiro o esperava. Apesar da imagem de machão, John na verdade era caseiro, do tipo que gostava de ficar na frente da televisão com alguns livros e revistas. Saber disso torna menos surpreendente que, em seus últimos anos de vida, ele tenha se tornado “dono de casa”, feliz em ficar confinado no apartamento do edifício Dakota, em Nova York. Steve Turner.

THE BEATLES - YOU CAN'T DO THAT - SENSACIONAL!*****

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"You Can't Do That" foi o lado B do compacto "Can't Buy Me Love", lançado em 16 de março de 1964 (EUA) e 20 de março de 1964 (Reino Unido), que arrasou nas vendas em todo o mundo. Nos EUA, ganhou um disco de ouro logo no dia do lançamento e vendeu 2 milhões de cópias. "You Can't Do That" também é a penúltima faixa do álbum “A Hard Days Night”. John Lennon a compôs inspirado por Wilson Picked, cantor negro americano de soul, que fazia muito sucesso no início dos anos 60 e que, no começo dos 70, gravaria Hey Jude.
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"A letra é ameaçadora, cantada por um personagem violento. Ele fala que tem uma coisa pra dizer que pode machucar a garota. Se ele a pegar conversando de novo com outro certo rapaz, vai deixá-la estirada no chão. Diz que já avisou que ela não pode fazer isso. É a segunda vez que a flagra conversando com o rapaz, e pergunta se vai ter que dizer mais uma vez. Acha que é um pecado, mas vai deixá-la mal, largada no chão. Ele está preocupado com a opinião da rapaziada: diz que todo mundo está bobo, porque foi ele que ganhou o amor dela. Mas os outros ririam na cara dele, se vissem a garota conversando com o outro rapaz daquele jeito. Por isso ele pede que ela o ouça, se quiser continuar a ser dele ou então vai perder a cabeça". Steve Turner. John berra a letra com voz rasgada e Paul e George fazem as harmonias vocais no refrão. Ringo manda ver uma batida metálica no cowbell, reforçada com um bongô. O solo de guitarra é executado por John (que o concebeu) e não por George, como seria o usual. Somente no dia 28 de março de 1995, foi lançado o documentário (que apareceu aqui outo dia) The Making Of A Hard Day’s Night. Pela primeira vez os Beatles aparecem tocando “You Can´t Do That”. Sensacional!

THE BEATLES - I'LL BE BACK - ATÉ O FIM!

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O terceiro álbum dos Beatles, o LP com a trilha sonora do filme “A Hard Day’s Night”, o primeiro e único disco dos Beatles com todas as músicas compostas por John Lennon e Paul McCartney, mostrava um crescimento claro e natural da banda. Lançado em julho de 1964, este álbum trazia inúmeras inovações, e bem diferente dos seus antecessores “With The Beatles” e “Please Please Me”, não encerrava com um ‘rockão’ gritado por Lennon, mas com uma balada doce e emocionantemente linda. Uma das melhores que já tinham feito até então.
"I'll Be Back" é basicamente uma composição de John Lennon creditada a Lennon-McCartney, e gravada pelos Beatles para a trilha de "A Hard Day's Night", mas não utilizada no filme. Essa música não foi lançada na América do Norte até o álbum “Beatles’65”, vários meses depois. Segundo o musicólogo Ian MacDonald, Lennon criou a música baseada nos acordes de "Runaway" de Del Shannon, que foi um sucesso no Reino Unido em abril de 1961. O autor Bill Harry acrescentou: "Ele apenas reformulou os acordes do número de Shannon e veio com uma música completamente diferente". Com seu violento estilo lírico e flamenco, o violão em "I'll Be Back" possui um ar trágico e é um pouco excêntrico em sua estrutura. Excepcionalmente para uma música pop, oscila entre notas maiores e menores; parece ter duas pontes diferentes e não tem um coro. O final do fade-out também chega inesperadamente, sendo uma meia estrofe prematura.Imagem relacionada
O produtor George Martin disse que preferia abrir e fechar os álbuns dos Beatles usando material dominante, afirmando: "Outro princípio meu ao montar um álbum sempre foi terminar cada lado fortemente, colocando o material mais fraco perto do final, mas depois saindo com um estrondo". Ian MacDonald ressaltou: "Desaparecendo em ambiguidade tonal no final de A Hard Day’s Night, foi uma despedida surpreendentemente inusitada e um sinal da próxima maturidade". O jornalista de música Robert Sandall escreveu na Mojo Magazine: "'I'll Be Back' foi o início da fase mais profética dos Beatles. Essa compreensão de como arranjos de cores em tons mais escuros ou mais suaves prenunciava uma jornada interior que eles acabaram realizando em em Rubber Soul". Os Beatles gravaram "I'll Be Back" em 16 takes em 1 de junho de 1964. Anos mais tarde, John Lennon a renegou, dizendo que foi uma das piores coisas que fez.

PAUL McCARTNEY - LET ME ROLL IT - SENSACIONAL!******

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O casal Paul e Linda McCartney e a dupla John&Yoko se encontraram em Nova Iorque na noite do dia 29 de janeiro de 1972, para um jantar onde, depois de muita discussão, os dois ex-parceiros combinaram de não mais atacarem um ao outro através da imprensa ou em músicas. Alguns anos depois, John Lennon, ainda se queixava, que McCartney não teria respeitado o acordo e voltara a fazer ataques pessoais a ele em “Let Me Roll It”.

"Let Me Roll It" é uma canção dos Wings, creditada a Paul e Linda McCartney e lançada no álbum “Band on the Run”, de 1973. Também lançada como single lado B de “Jet”. A música tem sido vista de forma bem distorcida pelos críticos como um pastiche ao som de John Lennon, particularmente o riff e o uso de ecos nos vocais. McCartney, entretanto, nunca disse que a canção foi planejada com qualquer referência a Lennon. McCartney disse que se o vocal soava como o de John, ele nunca tinha percebido isto. Paul McCartney tocou esta música em várias ocasiões, incluindo quase todos os CDs ou DVDs ao vivo que ele lançou até hoje, como Wings Over America, Back in the U.S., Good Evening New York City, Paul Is Live entre outros."Let Me Roll It" foi regravada por Brendan Benson, Richie Sambora, Jerry Garcia Band, The Grapes of Wrath, The Melvins, Mandy Moore, Robyn Hitchcock e Big Sugar no álbum multi-artista Hempilation, Vol. 2: Free the Weed.Resultado de imagem para MASTERS - Paul McCartney  em Discos e Canções
Aqui, a gente confere um trechinho do sensacional livraço "MASTERS - Paul McCartney  em Discos e Canções" de Claudio Dirani e que ainda pode ser encontrado.
Com suas guitarras reverberadas e eco no vocal, “Let Me Roll It” se tomou rapidamente a música escolhida pela crítica para comparar o estilo de Paul como a da Plastic Ono Band. Melhor dizendo, de seu parceiro, John Lennon. Em busca de referências imediatas, as análises do LP Band on the Run apareceram com comparações óbvias, espe­culando que “Let Me Roll It” seria uma resposta a John ou mesmo um pastiche de seu estilo. Paul dá sua primeira versão sobre a origem da música: “Tudo co­meçou na Escócia. Peguei meu violão e saí do estúdio, e comecei a procurar uns acordes que servissem. De repente, tive a ideia para o riff da música. Quando fomos para Lagos, gravamos a base comigo tocando batería, Denny na guitarra e Linda no órgão. Na volta para Londres nós adicionamos guitarras e conseguimos um som incrível plugando em um amplificador de voz muito poderoso.” Em uma rápida introdução, a letra de “Let Me Roll It” parece mais um agradecimento a um amigo ou mesmo à mulher Linda. Quase quarenta anos após sua gravação, Paul revelaria à revista Clash, a intenção de escrever uma letra com duplo sentido. “Let Me Roll It", então, seria traduzida literalmente como “Me Deixe Enrolar" - o méto­do de se produzir um baseado. ‘“Let Me Roll It’ não foi composta para John, só tinha o estilo que fazíamos nos Beatles e que John costumava aplicar, pelo uso do eco. Mas seria algo como ‘Eu não posso usar eco só porque John usava?’ Não acho que esteja certo. A música tem mais a ver com o fato de enrolar um baseado. Aqui estava o duplo sentido: ‘Let me roll it / Let me roll it to you / Let me roll it’ (‘Me deixe enrolar pra você. Me deixe levar, rolar até você’).” “Dear Friend” é uma música mais endereçada a John. Algo como “vamos ser amigos”. Iniciada em Lagos e finalizada no A.I.R. Studios em Londres, ^Let Me Roll It" foi gravada da seguinte forma: Paul tocou bateria e Denny Laine tocou guitarra na primeira sessão. No retorno à Inglaterra, Paul complementou com suas passagens de guitarra e baixo e gravou o vocal final, acompanhado por Linda e Denny nos backing vocais.