Matéria publicada originalmente em 11 de janeiro de 2010
Uma ex-funcionaria da Apple que teve acesso aos bastidores das bandas The Beatles e The Rolling Stones durante o final dos anos 60 e o começo dos 70 decidiu contar tudo o que sabe em uma autobiografia repleta de sexo, drogas e rock'n'roll. E junto com suas memórias, traz uma luz sobre o passado e o estilo de vida hedonista de alguns grupos e cantores que fizeram história.No livro, a americana Chris O'Dell - a mesma que inspirou a canção Miss O'Dell, do ex-Beatle George Harrison - lembra que chegou em Londres com 20 anos de idade e apenas 100 dólares no bolso. Ela conta como conseguiu um emprego de assistente pessoal na Apple Records e como isso contribuiu para seus casos com artistas como Ringo Starr, Mick Jagger e Bob Dylan.O título do livro não economizou palavras: Miss O'Dell: My Hard Days and Long Nights with the Beatles, the Stones, Bob Dylan, Eric Clapton, and the Women They Loved - Meus Duros Dias e Longas Noites com os Beatles, os Stones, Bob Dylan, Eric Clapton, e as Mulheres que Eles Amavam. Hoje, aos 62 anos, Chris O'Dell descreve a experiência como "ter ganhado as chaves para a Disneylândia".Sobre os Beatles, a tiete disse que a banda levava uma vida regada a drogas. "Todos nós bebíamos e usávamos cocaína, maconha e anfetaminas o tempo todo", escreveu Chris, segundo o jornal britânico Daily Telegraph.Sobre os Stones, cuja turnê acompanhou em 1972, afirma: "Se naquele tempo houvesse uma descrição sobre o que é trabalhar para os Stones, tenho certeza de que incluiria um pré-requisito do tipo: durma com Mick sempre que ele pedir".Sobre Bob Dylan disse: "ele era um cara muito estranho e confuso. Uma hora podia estar conversando com você olhando diretamente em seus olhos. Minutos depois não sabia quem você era".O'Dell também trabalhou para gente como Crosby, Stills, Nash and Young, Linda Ronstadt, Santana, Earth, Wind and Fire; Fleetwood Mac, Queen; Electric Light Orchestra, e Jennifer Warnes, muitos dos quais ela ainda considera amigos. O'Dell é hipnoterapeuta especializada na recuperação de viciados.Ela estava nos estúdios quando os Beatles gravaram o álbum branco, Let it be e Abbey Road. Em “Hey Jude” ela participa do coro.Ela estava no jantar com Ringo, Maureen, George e Patti quando Harrison disse para Ringo que estava apaixonado por sua mulher. No que Ringo respondeu: melhor você do que um estranho.O'Dell e Joni Mitchell disputavam a atenção de Sam Shepard, Mitchell faz uma referência a ela na canção "Coyote", como "a mulher do corredor".Ela aparece na contra-capa do disco “Exile On Main Street Street” dos Rolling stones.
Ringo é padrinho de William, filho de O’Dell nascido em 1982 A canção "MISS O'DELL" de George Harrison foi lançada como lado B do compacto Give me Love.
Com um abraço para o amigo João Carlos W. Mendonça!
Hoje é aniversário do grande Richie Havens. 72 anos. Ele nasceu no dia 21 de janeiro de 1941 no Brooklyn, em Nova Iorque. Começou a ficar famoso com o surgimento do movimento folk de Greenwich Village (que também catapultou as carreiras de Joan Baez e Bob Dylan). Em 1969, Havens abriu o Festival de Woodstock; ele foi aclamado pela multidão e foi tocando até ficar sem músicas, decidindo improvisar uma versão de "Motherless Child", a qual ele acrescentou um verso com a palavra "freedom" repetida várias vezes. Esta versão transformaria-se em um sucesso internacional com o lançamento do filme Woodstock em 1970. Mas Havens também notabilizou-se pelas belíssimas versões que fez de várias canções dos Beatles e Bob Dylan. Em sua homenagem, a gente confere aqui "Here Comes The Sun". Ótima!
No dia 21 de janeiro de 1966, depois de namorarem por dois anos, George Harrison e Pattie Boyd se casaram. Ela disse: “A cerimónia teve lugar no início da manhã no cartório Epsom, em Surrey, e o lugar não era nenhum pouco mais glamouroso, e a sala estava muito quente e abafada. Paul McCartney, foi padrinho de George. John e Ringo não compareceram. Estavam de férias com as esposas. Não foi o casamento que eu havia sonhado. Eu teria adorado casar na igreja, mas Brian não queria que ninguém soubesse. Todos confiavam nele assim, implicitamente, que quando ele disse que o casamento deveria ser apenas no cartório, George concordou. Brian também disse que tinha de ser muito rápido. Se a imprensa descobrisse, seria caótico. Na saída, fomos bombardeados por um batalhão de fotógrafos! Rapidamente entramos num Rolls-Royce e fomos para uma recepção na casa de George, em Esher. No dia seguinte, voamos para Barbados para nossa lua de mel. Ficamos lá até 8 de fevereiro de 1966”. Para conferir a a postagem especial sobre Pattie Boyd no Baú do Edu, clique no link: http://obaudoedu.blogspot.com/2009/10/pattie-boyde-imortalizada-na-historia.html
"Give Me Love (Give Me Peace on Earth)" é uma canção composta e gravada por George Harrison, é a faixa de abertura e carro-chefe do seu álbum de 1973 “Living in the Material World”. Foi lançada como o primeiro single do álbum em maio daquele ano e tornou-se o segundo single de Harrison a chegar ao número 1 nos Estados Unidos, o primeiro foi "My Sweet Lord ". “Give Me Love” brigou nas paradas com “My Love”, de Paul McCartney e seus Wings. Também alcançou o top dez na Grã-Bretanha e Canadá, e em paradas de singles em todo o mundo. É uma das canções mais populares de Harrison, entre fãs e críticos de música, e apresenta uma série de solos de slides sempre muito elogiados e venerados. Participaram da gravação: George Harrison - vocal, violão, guitarras slides , backing vocals; Nicky Hopkins – pianos; Gary Wright – órgão; Klaus Voormann – baixo e Jim Keltner – bateria.
George Harrison tocou "Give Me Love" em todos os concertos durante suas raras excursões como um artista solo, e uma versão ao vivo aparece em seu álbum de 1992 Live in Japan. Sobre “Give Me Love”, Harrison afirmou em sua autobiografia de 1980: "Às vezes, você abre a boca e não sabe o que vai dizer, e tudo o que sai é o ponto de partida. Se isso acontecer e você tiver sorte, pode geralmente ser transformada em uma canção. Esta canção é uma oração e declaração pessoal entre mim, o Senhor, e o universo". Marisa Monte, Dave Davies, Elliott Smith, Ron Sexsmith, Sting, James Taylor e Elton John estão entre os artistas que já gravaram “Give Me Love”.Em novembro de 2002, no “Concert for George”, o mega-concerto realizado em homenagem a Harrison, Jeff Lynne fez uma bela interpretação de "Give Me Love", com Andy Fairweather-Low e Marc Mann fazendo a parte dos slides.
A amiga Catarina Valadares perguntou ao Baú do Edu:
“Oi Edu. Sou nova por aqui e estou adorando tudo que vejo. Gostaria de fazer duas perguntas: 1ª) Qual o seu solo preferido de George em uma música dos Beatles? 2ª) Em quantas músicas dos Beatles John tocou a gaitinha? Desde já, agradeço e meus parabéns, viu?”
Vamos lá. Yer Blues, Day Tripper, Hey Bulldog, Let it Be, The End, Something, And Your Bird Can Sing… foram tantas, né? Que até pareceria difícil responder qual o meu preferido. Pareceria, mas não é. Para mim, os dois solos mais marcantes e matadores de George nas músicas dos Beatles são os de “I Saw Her Standing There” e “A Hard Day’s Night”, nessa ordem. E na opinião de vocês? Respondam nos Comentários, ok?
Agora, a segunda resposta.
John Lennon começou a tocar gaita quando era criança em Liverpool. A primeira que teve, foi presenteada pelo Tio George, marido de Mimi. Anos depois, em 1962, o astro americano Bruce Channel teve muito sucesso no Reino Unido com "Hey Baby", que trazia um solo de gaita de Delbert McClinton, músico de Nashville. John ficou impressionado e, quando conheceu McClinton, em junho de 1962, noTower Ballroom, New Brighton, onde os Beatles estavam fazendo o show de abertura para Channel, pediu que ele o ensinasse a tocar. "John estava muito interessado em gaita e, quando fomos fazer outras apresentações com os Beatles, ele e eu passamos muito tempo juntos", conta McClinton. "Ele queria que eu lhe ensinasse tudo o que pudesse. Ele queria tocar. Antes do fim desse período que passamos juntos, ele já tinha a própria gaita a postos no bolso." Os Beatles só gravaram "Love Me Do" três meses depois, e John pôde incluir um inconfundível solo de gaita. Ele continuou tocando gaita nos dois singles seguintes, "Please Please Me" e "From MeToYou", e também em "There's a place" (álbum Please Please Me), "Little Child" (With The Beatles), "I'll get you", "Thank you girl" (singles), "I Should Have Known Better" (A Hard Day's Night). A última vez que ele usou o instrumento em estúdio foi em "I'm A Loser" (Beatles For Sale), gravado em agosto de 1964. E é exatamente o vídeo dessa que a gente confere agora novamente e sempre. Abração, Catarina. Até a próxima.
Participem. Perguntem. Sugiram postagens. É bom para todo mundo. Abração em todos.
“The Youngsters” foi uma banda pioneira do “rock” e da “surf music” brasileira do Rio de Janeiro formada por volta do comecinho dos anos 60. Acompanharam Roberto Carlos na gravação do álbum ‘É Proibido Fumar’, e gravaram vários compactos e LP's até 1969. Os músicos que passaram pela banda, que antes chamou-se “The Angels” foram: Carlos Becker, guitarra base; Luiz Carlos - guitarra solo, GB - guitarra, Romir - bateria e Ivan Conti, atual baterista do Azymuth, Sergio Becker(sax), Jonas(baixista) e Milton(teclados). Nunca chegaram a explodir ou alcançar o sucesso de “Renato e Seus Blue Caps”. Gravaram a versão de “Ticket To Ride” dos Beatles em 1966 que virou “Gente Demais” e uma versão de “Help!” que também ficou bacana,“Vem!”. Uma pena que não exista um vídeozinho legal delas. Um dia, eu mesmo faço!
No dia 19 de janeiro de 1998, o grande Carl Perkins, ídolo e amigo dos Beatles, principalmente de George, morreu aos 65 anos de idade depois de sofrer vários derrames e foi enterrado no Ridgecrest Cemetery em Jackson, Tennessee. No funeral, George Harrison tocou “Your True Love” em homenagem ao amigo. Esta, acabaria sendo a última performance em público de George.
Em especial homenagem ao grande mestre do tock, a gente confere agora aqui no nosso blog preferido, nada mais, nada menos que "Carl Perkins & Friends - Blue Suede Shoes: A Rockabilly Session" inteirinho, na íntegra e excelente qualidade de som e imagem com as marcantes paricipações de George e Ringo. Apreciem sem moderação, afinal, é isso que é um autêntico show de Rock And Roll.
"Carl Perkins & Friends - Blue Suede Shoes: A Rockabilly Session" foi um concerto realizado pelo grande Carl Perkins em 21 de outubro de 1985 em Londres, no Limehouse Studios e que contou além da banda de Perkins, com supertime de fazer inveja a qualquer um. A constelação de conividados especiais contou com amigos - fãs e admiridadores - do mestre tais como: como: George Harrison, Ringo Starr, Eric Clapton , Dave Edmunds (que também foi o diretor musical do show) e Rosanne Cash. A maioria do repertório executado no show consistiu em canções clássicas de Perkins - puro rockabilly dos anos 1950. O concerto especial foi ao ar originalmente pelo canal Cinemax em 1986, com comentários introdutórios de Johnny Cash , Roy Orbison e Jerry Lee Lewis. O concerto é um destaque memorável tanto da carreira de Perkins como de todos que fizeram suas participações especiais, inclusive George Harrison.
A SUPERBANDA: Carl Perkins (guitarra e vocais), George Harrison (guitarra e vocal), Ringo Starr (bateria e vocal), Eric Clapton (guitarra, vocais), Dave Edmunds (guitarra, vocais), Greg Perkins (baixo), Lee Rocker (contrabaixo), Slim Jim Phantom (bateria), Earl Slick (guitarrista), David Charles (bateria), John David (baixo), Mickey Gee (guitarra), Geraint Watkins (piano) e Rosanne Cash (vocal).
O belíssimo e inspirado texto que a gente confere a seguir, foi escrito e publicado por nosso querido amigo João Carlos W. Mendonça em sua coluna "Sábado Som". Tenho orgulho de ser amigo desses caras! Valeu, JC. Arrasou!
Apesar de passados mais de 40 anos, foi não foi, publicam-se livros e críticas sobre o mais polêmico disco dos anos 60. Uns, cheios de paixões exageradas e irreais. Outros, destilando críticas e cobranças ainda mais sem sentido. Estes, geralmente, falam de falsa unidade, que não há um tema central ou que o álbum não é “conceitual”. Há até quem o censure, por ser tão bom que desvirtuou o rock, influenciando outros artistas negativamente. Mas a verdade é bem outra. Essa gente, às vezes até tenta disfarçar, fazendo crer que está "contextualizando" o SGT. PEPPER'S LONELY HEARTS CLUB BAND dos BEATLES. Balela !
Em 1966, mesmo após o lançamento do disco REVOLVER, a Beatlemania mantinha-se no auge. Apesar de terem virado "marijuaneiros" via Dylan desde 64 e já estarem empreendendo viagens pelo planeta LSD, a banda continuava se exibindo pelo mundo, com seus pobres amplificadores VOX de 100 watts competindo com a gritaria histérica da platéia, que variava entre 30 e 60 mil adolescentes por show. Com a tecnologia atual, tudo ficou fácil e simples, mas em 66, mesmo em pequenos teatros, era impossível produzir música ao vivo com a qualidade que discos como o citado Revolver e o Rubber Soul exigiam. Não havia como. Assim, em apresentações que não passavam dos 30 minutos, o conjunto era obrigado a repetir seus primeiros sucessos noite após noite. Imagino que, para quem vinha criando obras como Tomorrow Never Knows, For No One, I Want To Tell You, Norwegian Wood e In My Life, repetir She Loves You, Love Me Do, Can't Buy Me Love e que tais, deveria ser um tremendo saco... àquelas alturas. Para piorar, eram constantemente ameaçados pela violência dos fãs, da KKK, dos radicais direitistas japoneses e, no caso das Filipinas, chegaram a levar uns pontapés. Nesse ponto, o grupo definitivamente resolveu encerrar as turnês. Decisão unânime. E muito ousada.
Os Beatles estavam deslumbrados com a música do disco “Pet Sounds” dos Beach Boys (e do cérebro de Brian Wilson). Este álbum abalou positivamente a criatividade deles que, eram tão autoconfiantes e autosuficientes que, mais competiam musicalmente entre si do que com qualquer outro artista. Mesmo assim, formavam uma entidade hermeticamente fechada, alicerçada por uma amizade sólida, construída na quase-infância. Ralaram e chegaram até ali juntos, unidos, e fora os quatro, apenas Neil Aspinall e Mal Evans (amigos desde Liverpool) e um pouco Brian Epstein e George Martin, participavam da intimidade da banda. Para ilustrar, cito o caso de um membro do THE BYRDS que perguntou a Harrison sobre "espiritualidade" e ouviu deste que "NÓS ainda não sabemos nada sobre isso!”. Quando Paul McCartney caiu de uma bicicleta, quebrou um dente e feriu o lábio superior esquerdo, para disfarçar o inchaço, deixou crescer o bigode e foi assim que se apresentou para as primeiras sessões do Pepper. Os outros acharam aquilo o máximo e dias depois, lá estavam todos de bigodes (inclusive Neil e Mal).
Com o fim das turnês, resolveram dar-se um tempo com retorno marcado para novembro de 66. Lennon foi filmar na Almeria, levando na mala, além daquelas pílulas, as brochuras A Experiência Psicodélica (Leary) e O Livro Tibetano dos Mortos, voltando com “Strawberry Fields Forever” quase pronta. George Harrison foi passar 2 meses em uma casa/barco no Ganges, estudando música e filosofia hindu com Ravi Shankar, e voltou com sitar, tabla, swordmandell, sarod e outros instrumentos musicais indianos. Ringo ficou em casa engordando (SIC). E Paul ? Ah, Macca escreveu a trilha do filme The Family Way e zarpou pros EUA para encontrar a namorada e sondar as turmas dos Beach Boys, Byrds e Jefferson Airplane. Na viagem de volta, veio-lhe a idéia para o novo álbum quando, curiosamente, Mal Evans, que o acompanhava, perguntou o que significavam as letras “S e P” naqueles saquinhos do jantar e Paul respondeu: "salt and pepper" (sal e pimenta) e BLÉM! Tocou o sino. Dali para Sgt. Pepper foi um pulo.
Bom, já temos as origens do Sargento Pimenta e dos "bigodes". No reencontro, Paul colocou aquela "idéia" que teve no avião: “Este não será um disco dos Beatles, mas daquela BANDA DO CLUBE DOS CORAÇÕES SOLITÁRIOS DO SARGENTO PIMENTA. Que tipo de música eles fazem ? Todos. Sem amarras, vamos compor qualquer tipo de canção, de letras, de arranjos etc. O disco será como uma apresentação desta banda com suas músicas e temas diferentes. Portanto, poderemos fazer o que quisermos”. Observem que o "conceito" é exatamente nenhum conceito... ou todos. Em momento algum, note-se, alguém falou ou sugeriu um TEMA PREPONDERANTE a ser seguido. Bom, mas de onde saiu essa história de "álbum conceitual"? Ora, desse mesmo "povo" que agora reclama. Vejamos: Quando Lennon chegou com a idéia de STRAWBERRY FIELDS, ainda durante as gravações, McCartney apresentou “Penny Lane” (lembram da competição de que falei acima ?). Estas duas jóias raras deveriam entrar no disco, mas a EMI queria lançar um compacto urgente e, à contragosto, eles cederam as músicas, únicas prontas até então. Com o lançamento do single, a gravadora publicou cartazes com parte do mapa de Liverpool, indicando os 2 locais da cidade: o orfanato STRAWBERRY FIELDS e o girador central do bairro de PENNY LANE. Qualquer um que conheça estas letras, sabe que apesar de parecerem evocativas, elas tendem bem mais para o surrealismo psicodélico da época. Mas imediatamente, os agora revisionistas, alardearam que o novo disco traria como tema central “a região nordeste e a infância dos Beatles”. Seria evocativo. Mas quem do “staff” do grupo falou nisso?
Na verdade, como sempre o fizeram, eles queriam apenas compor mais um disco diferente. Sem repetir fórmulas. Até então, jamais tiveram a oportunidade de fazer um álbum com paciência e dedicação exclusivas. Queriam explorar as possibilidades de um estúdio, e não foi fácil. Não existiam as maquininhas mágicas de hoje, nem sintetizadores e computadores, nem números de canais de gravação ilimitados. Eles só tinham 4 canais. As sonoridades e timbres nunca antes ouvidos, foram produzidos na base da imaginação e muito suor. Os engenheiros e técnicos liderados pelo produtor George Martin, fizeram milagres. Inventaram um aparelho para dobrar a voz, ligaram microfones em caixas Leslie, quase colocaram Lennon "pendurado de cabeça para baixo, girando" para cantar e, Martin, na impossibilidade de usar um órgão Calíope, já fora de fabricação, gravou os sons de uma antiga produção numa fita, picotou-a em pequenos pedaços, misturou tudo e tornou a colar os pedacinhos de forma aleatória, criando o efeito desejado para a canção For “The Benefit Of Mr. Kite”. Um pequeno martelo foi utilizado em “Getting Better” , acionado contra as cordas de um piano.Usaram grupos de metais, músicos indianos e uma orquestra com 45 integrandes. As canções brotaram com naturalidade e o produto final foi, como combinado, realmente um catálogo de estilos, letras e sons de tirar o fôlego.Tinha o raga espiritual de “Within You Without You”, o vaudeville de “When I'm 64”, o circo do “Mr. Kite”, as "viagens" de Alice em “Lucy In The Sky With Diamonds”, a exuberância sonora de “A Day In The Life” e o comovente lamento de "pais aflitos" na irônica e bela “She's Leaving Home”, entre outras inventivas criações. Até que Neil Aspinall deu a idéia de a banda repetir a música título no final. E foi feito mas, eles modificaram o andamento e a letra que agora, anunciava o final do show. Tudo amarradinho como se fosse um concerto de verdade do grupo do Sargento. De fato, tudo era novidade naquele trabalho. Até um “apito para cães” foi registrado no finalzinho do disco.
Se os críticos de então e os revisionistas de agora "insistem" no tal disco conceitual que eles próprios inventaram, vale lembrar que após concluírem o repertório do trabalho, os Beatles deixaram para o George Martin a tarefa de distribuir e ordenar as canções do Pepper. E este o fez conforme seu ponto-de-vista, e fez bem. Mas se fosse um trabalho conceitual, certamente os Beatles fariam questão de “interferir” em algo tão “fundamental”. Na verdade, naquele momento eles já estavam gravando e filmando uma espécie de extensão do Pepper, chamada Magical Mystery Tour. E no ano seguinte já estavam de volta de Pepperland, prontos para uma nova aventura longe, bem distante da Terra da Pimenta. Algo absolutamente branco. O ÁLBUM BRANCO.
Há exatamente 33 anos, no dia 16 de janeiro de 1980, Paul McCartney foi preso em Tókio por carregar 225 gramas de maconha na bagagem. Fato bastante constrangedor, para a época. Talvez ainda para os dias de hoje. Nesse dia eu, inocente, puro e besta estava esperando a hora do almoço vendo o jornal “Hoje” na Globo, junto com meu pai e meu irmão. Eu já era um beatlemaníaco doente, quando apareceu a manchete: “EXCLUSIVO: Ex-Beatle Paul McCartney é preso com drogas no Japão!” Na mesma hora, meu pai apontou para a TV e disse: “Eu sabia, dessa gente não escapa um!” E veio o blá blá blá todinho da notícia e o de lá de casa. “Tá vendo?”, era o mínimo que eu escutava. Mas precisava saber de notícias e procurei meus amigos que sabiam tanto quanto eu. Numa época que a internet ainda não era nem sonho, tinha que esperar os jornais do outro dia. Assim, comprei logo na manhã seguinte o “Jornal de Brasília” e o “Correio Braziliense”, que traziam apenas pequenas notas, sem muita importância e sem acrescentar nada ao pouco que se sabia. Na semana seguinte, a revista “Manchete” publicou uma merdinha de reportagem sobre o drama de Paul, de sua família e de um possível fim dos Wings.
Chamar Paul McCartney de gênio é uma coisa normal. Ao lado de John Lennon formou a dupla de compositores de maior sucesso da história da música. É um excelente produtor e multi-instrumentista como poucos. Escolheu o baixo como ofício. Também toca, e muito bem, guitarra, piano, bateria ou qualquer outro instrumento que parar em suas mãos. E ainda é também é um dos maiores, senão o maior, cantor do rock de todos os tempos. Além de toda esta excelência musical, Paul McCartney tem outro grande talento, o cuidado com sua imagem. Olhando para trás, desde o início de sua carreira, no final dos anos 50 até os dias de hoje, é difícil encontrar fatos que possam arranhar sua imagem de bom moço, um Beatle que conquistou a realeza britânica e foi nomeado Sir. No entanto, um problema de Paul envolvendo drogas chegou às manchetes mundiais no início de 1980. No dia 16 de janeiro, ao desembarcar no aeroporto de Tokyo com a mulher, os filhos e os Wings, ele foi preso com 225 gramas de maconha. Paul ficou em cana por mais de uma semana. Disse que antes de viajar estava em Nova York com um fumo muito bom e como não tinha certeza se encontraria alguma erva no Japão, resolveu levar a mercadoria. “O negócio era bom demais para jogar na privada, então eu resolvi levar comigo” afirmou Paul. Ele também admitiu que esta foi umas das coisas mais imbecis que já fez na vida. Sua prisão no Japão também decretou o fim dos Wings. Os músicos Denny Laine, Laurence Juber e Steve Holly, insatisfeitos com a perda do contrato das apresentações (consequentemente, com a grana que iriam ganhar com os shows) e com uma remuneração baixa, resolveram cair fora!Matéria publicada originalmente na revista Manchete de 25 de janeiro de 1980.PAUL McCARTNEY – O BARATO SAIU CARO! Na desastrosa relação entre o rock e as drogas, um dos mais divulgados capítulos vem sendo escrito desde semana passada. O cenário era clássico: no aeroporto de Narita, Tóquio, milhares de fãs superexcitados aguardava a chegada de Paul McCartney e seu conjunto Wings para uma série de 11 apresentações no Japão. Inevitavelmente, a imprensa estava lá – em peso. O sorridente Paul McCartney apareceu de moço bem-comportado, com mulher e filhos, mas, ao que parece, as autoridades japonesas já estavam de olho em sua bagagem. Procuraram e encontraram: 220 gramas de maconha. E, em vez do palco, Paul McCartney acabou na cadeia, levantando-se, no Japão, grande polêmica sobre as severíssimas leis envolvendo drogas. Mas não é a primeira vez que o ex-Beatle enfrenta esse tipo de problema. Em 1972, por exemplo, em Gotenburgo, na Suécia, ele chegou a admitir o consumo de haxixe e o contrabando para aquele país, sendo multado em dois mil dólares. No ano seguinte, sofreu nova multa – desta vez por cultivar maconha em sua fazenda na Escócia.Ele chegou a Tóquio, o filho no colo e a mulher, Linda Eastman, pelo braço, sem demonstrar qualquer preocupação aparente, para fazer um total de 11 concertos com seu conjunto Wings. Mas a alegria de Paul McCartney e seus fãs iria durar pouco. As autoridades japonesas estavam de olhos bem abertos.
Até o início desta semana, a juventude japonesa estava mobilizada pelo affaire McCartney. Com os concertos cancelados - e um prejuízo calculado em pelo menos um Milhão de dólares – as rádios oficiais proibidas de apresentar músicas de Paul (enquanto as particulares tocavam adoidado “atendendo a pedidos”), alguns achavam que era “inocente, pois não conhecia as leis japonesas”, enquanto outros reconheciam: “Ele agiu mal.” Enquanto isso, na cadeia, o cantor e compositor entrava no regime de acordar às seis da manhã e dormir às oito da noite; na justiça ainda se discutia o que fazer: formalizar a acusação de posse de drogas (mantendo-o sete anos na cadeia, mais dois mil dólares de multa) ou simplesmente expulsá-lo do país. Pelo sim, pelo não, os Wings se mandaram. Mas Linda espera por Paul.Os policiais japoneses escoltaram um Paul McCartney já algemado para a delegacia. Os fãs tentaram tumultuar a prisão, e muitos não entendiam o que estava acontecendo, mas as provas eram muito evidentes. Em sua bagagem foram encontradas cerca de 220 gramas de maconha.
Quando os Beatles partiram de Londres, na terça-feira - 14 de janeiro de 1964 - para a sua temporada no Olympia foram recebidos no aeroporto Le Bourget, em Paris por 60 fans franceses e quase 100 jornalistas e fotógrafos. Ringo só se juntaria a eles no dia seguinte com Neil Aspinall a tempo de participar do ensaio no Cinema na Rua Cyrano Rameau, Versailles. O show da noite, que foi um aquecimento para a temporada de Paris, não tinha um público maior que 2.000 pessoas. Logo, logo estariam tocando para os maiores públicos da história do showbizz.O Fotógrafo Dezo Hoffman (http://obaudoedu.blogspot.com/2011/04/dezo-hoffmann-beatles-photographer.html) viajou no mesmo avião com John, Paul e George, e fez várias sessões com todos os Beatles durante sua estada em Paris. Lembra-se: na primeira noite alguém chutou um fio no palco e toda a casa entrou em curto. As luzes se apagaram e não havia nenhuma amplificação. Quando as vaias começaram, Ringo salvou a noite. No alto do seu kit, surrava a bateria como um louco. Todos foram à loucura, cantando "Rin-Go! Rin-Go! Ringo foi realmente o Beatle mais popular na França.Os Beatles foram contratados para tocar no famoso Olympia de Paris no Teatro des Capucines Boulevard por três semanas a partir de quinta-feira 16 de janeiro de 1964 até terça-feira 04 de fevereiro. Cada apresentação seguiria a seguinte ordem: The Beatles, Trini Lopez e Sylvie Vartan.A qualidade dos concertos que os Beatles fizeram em Paris é das melhores que fizeram ao vivo em toda sua carreira, porque não havia Beatlemania em Paris. Ouviam-se todas as suas harmonias e os vocais, guitarras, baixo e bateria eram perfeitos. A multidão reagia quase sempre em silêncio com poucos batendo palmas ao final de cada número. Quando Paul pediu para o público se juntar a eles em seu próximo número "Long Tall Sally", seguiu-se o silêncio. "Si vousne voulez pasvous joindre à nous, peu importe,nous allonsde toute façon." Paul disse: "Se vocês não quiserem se juntar a nós não importa, vamos de qualquer maneira”. A partir daí. a françezada começou a acordar.
Os Beatles nunca negaram sua admiração por Brigitte Bardot (princepalmente George) e pediram para conhecê-la durante a viagem. No entanto, o diretor da Odeon francesa enviou-lhes uma grande caixa de chocolates dizendo: "Infelizmente, Brigitte Bardot está de férias no Brasil. Esperamos que estes doces os confortem”.Vincent Mulchrone que escrevia para o jornal Daily Mai disse: "Se Paris e os Beatles vão ter um namoro, o início está muito lento. Você não pode culpar Paris. Ela está quente e convidativa. Os Beatles também são quentes, mas parece que preferem dormir”.John e Paul repartiram uma suite onde foram solicitados que começassem a escrever seis novas músicas para seu filme de estréia, além de uma canção para Billy J. Kramer e Peter and Gordon. Na primeira noite, um pianofoi levado para a suíte e eles começaram a trabalhar nas músicas enquanto George saiu e visitou o Eva Club.OsBeatles tocaram no Olympia por vinte dias, com duas, e até três apresentações por dia, 40 shows no total. No repertório estavam seus grandes hits até então: From Me To You, Roll Over Beethoven, She Loves You, This Boy, I Wanna Hold Your Hand, Boys, Twist and Shout e Long Tall Sally. A França era um mercado completamente diferente da Grã-Bretanha, especialmente na medida em que os gostos musicais faziam essa diferença. Eles não lançavam singles, apenas álbuns e copactos duplos - até 1967. Portanto, os franceses só conheciam dos Beatles, as canções lançadas nos dois álbuns.Durante a tarde de quinta-feira 16 de janeiro, os Beatles fizeram um show razoável diante de uma platéia de estudantes. Mas o show dessa noite foi um desastre. Toda a alta sociedade francesa estava na platéia trajados com smoking e vestidos de gala. Foi um dos shows mais difíceis para nossos heróis. Os franceses eram frios e não estavam nem aí para eles. Durante a apresentação, a amplificação quebrou três vezes e George expressou sua opinião dizendo que os fotógrafos haviam sabotado o equipamento.Após a recepção fria o grupo voltou para o Hotel George V. Anos mais tarde, George Harrison diria: "O público no Olympia não era parecido em nada com qualquer público para que nós tenhamos toicado antes. Eles eram pessoas velhas vestindo smoking, como se fossem ver a avant-premiere de algum filme famoso ou a estréia de um balé. Ficamos desapontados porque não havia garotas francesas. Todas as garotas que tinha ouvido falar sobre nós, estavam trancadas em casa por causa do catolicismo tão rigoroso na França naqueles dias”.Os críticos franceses também foram severos em suas opiniões. Mulchrome Victor, escrevendo para o "Daily Mail", comentou, "A Beatlemania , assim como a entrada Grã-Bretanha no Mercado Comum, é um problema que os franceses preferem adiar por um tempo." O jornal francês France Soir referiu-se aos Beatles como delinquentes e transgressores.Um entrevistador da BBC perguntou para John: "Os franceses dizem que não têm uma opinião formada sobre os Beatles. O que você acha deles? John respondeu: "Ah, nós gostamos dos Beatles. São artistas de verdade”.Na terça-feira 28 de janeiro, em seu dia de folga, John e George voltaram para Londres. John foi apara casa E George foi jantar com Phil Spector e suas Ronettes. Os dois voltaram a Paris na manhã seguinte. Em seguida, os Beatles gravariam as versões de SHE LOVES YOU e I WANT TO HOLD YOUR HAND em alemão. (http://obaudoedu.blogspot.com/2011/10/beatles-em-alemao-es-ist-weich-e-mole.html )Neil Aspinall, o road manager dos Beatles, comentou: "Enquanto estávamos no Hotel George V, um monte de coisas interessantes estavam acontecendo. Como a chegada de George Martin para as gravações em alemão, Derek Taylor entrevistando George para a coluna Daily Express que ele estava fazendo, John escrevendo novos números e também estava trabalhando em seu segundo livro, "A Spaniard in The Works”. Os Beatles ouviram pela primeira vez um álbum de Dylan e David Wynne, o escultor também estava lá, ele fez as esculturas das cabeças dos Beatles.Mas nem só de dissabores, foi a estada dos Beatles na França no início de 1964. Afinal, foi no hotel George V que, após chegarem de mais uma apresentação no Olympia, receberam um telegrama de um eufórico Brian Epstein parabenizando-os por terem chegado ao primeiro lugar nas paradas americanas. E para lá foram os rapazes conquistar os States e depois o resto do mundo! A próxima vez que os Beatles voltaram em Paris, foi em sua próxima turnê Européia, em junho de 1965. Mas, dessa vez, a França já tinha sido completamente dominada pela Beatlemania. E é exatamente o show de 1965 que está aqui para download com o link renovado. Vive les Beatles! Vive la France!
E agora, quebrando o cacete em Paris, com um desempenho fantástico de George Harrison... THE BEATLES - EVERYBODY'S TRYING TO BE MY BABY. A todos, um grande abraço!
Há 43 anos, no dia 15 de janeiro de 1969, John Lennon inaugurou sua primeira exposição de litografias eróticas. O evento foi batizado de "Bag One".
Uma série de litografias de John Lennon, que continham cenas sexuais do músico e sua mulher, Yoko Ono, não foram proibidas pela justiça britânica por temor de que isso afetasse outras coleções de arte, como a da rainha Elizabeth II. Assim parecem sugerir documentos oficiais guardados nos Arquivos Nacionais de Kew (sudoeste de Londres) e divulgados em 2004. Os relatórios esclarecem o famoso caso de 1970, quando oito trabalhos originais do ex-Beatle foram exibidos numa galeria da rua New Bond, em Londres, foram apreendidos pela polícia em virtude das leis vigentes contra a obscenidade.
O galerista, Eugene Schuster, foi acusado ante a justiça de violar uma norma do século XIX, a chamada Lei da Polícia Metropolitana de 1839, o que facilitou que, no final, o caso fosse arquivado por razões técnicas. Outros documentos do mesmo caso divulgados há alguns anos mostraram que as obras de Lennon da exposição "Bag One" não eram grande coisa e simplesmente não foram exibidas devido à fama de seu autor, como reconheceu o próprio galerista.
Para o detetive Frederick Luff, então responsável da brigada de publicações obscenas na Scotland Yard, as obras que representavam a vida sexual de Lennon e Ono não eram mais que "o trabalho de uma mente doente". Os papéis oficiais trouxeram mais luz sobre o caso, pois incluem a carta de um artista, Fuller de Maidstone, às autoridades britânicas na qual são expressos os temores do mundo artístico. "Se o tema supõe a base de um processo, então será a primeira das muitas iniciativas que seu departamento terá que enfrentar: há milhares de gravuras de Rembrandt que mostram atos sexuais, nomeando apenas uma obra que figura em coleções do Estado e privadas", escreveu. "O que ocorrer com as litografias de Lennon provocará que colecionadores de todo o mundo estudem o resultado com interesse; por isso sei, Vossa Majestade a rainha tem trabalhos bastante eróticos de Fragonard", apontou o artista.
A carta de Fuller foi levada em conta, pois recebeu uma resposta de um dos responsáveis da procuradoria, na qual se assinalava que seus temores estavam sendo considerados. Finalmente o caso foi arquivado, entre outras razões, pelo magistrado entender que uma galeria não era "um lugar público" e que não supunha nenhuma "moléstia" para os transeuntes, segundo os termos que estabelecia a lei do século XIX. Outro dos documentos divulgados demonstra o mal-estar que isso causou num dos responsáveis da procuradoria, Kenneth Horn, que considerou que o arquivamento deveu-se ao fato de o galerista ter sido processado com uma lei inadequada, algo decidido no último minuto. "Se o processo tivesse ocorrido de acordo com a Lei de Publicações Obscenas, teria havido mais oportunidades de sucesso", escreveu Horn.
John Lennon, desde 1966, vinha se destacando por seu experimentalismo artístico, inovando em músicas como "Tomorrow´s Never Knows" do álbum dos Beatles "Revolver", mas foi durante o ano de 68, que a vida de John Lennon mudou.
Em 18 de outubro, John foi processado por porte ilegal de haxixe, um mês antes do lançamento do primeiro álbum de John Lennon e Yoko Ono - "Unfinished Music No. 1 - Two Virgins", gravado na primeira noite que Yoko passou na mansão de John em Weybridge, Londres. O disco registra diálogos, gritos e sussurros do casal apaixonado. A capa do disco causou alvoroço ao registrar John e Yoko em nu frontal. Um filme homônimo, de 21 minutos, superpondo as faces de John e Yoko, e "Smile", uma seqüência rápida de 30.000 fotogramas por minuto de Lennon sorrindo, foram filmados no jardim da propriedade de Lennon, no verão de 68, e lançados no Festival de Filmes de Chicago em dezembro, iniciando a fase cinematográfica do casal.
O casamento de John e Yoko, em 20 de março de 1969, em Gibraltar, perto da Espanha, transformou-se num evento publicitário a favor da paz, contrário à Guerra do Vietnam. John e Yoko, após uma parada em Paris, para um almoço com o pintor Salvador Dali, voaram em lua de mel para o Hotel Hilton em Amsterdã, Holanda. Lá iniciaram uma série de entrevistas na cama num período de uma semana, conhecido como "Bed-in". Após o fim da badalada lua de mel, John e Yoko foram para Viena, na Áustria, para a estréia de "Rape", outro filme do casal, ambicioso projeto de 72 minutos, onde uma jovem atriz húngara é perseguida por uma câmera invadindo sua privacidade. "Rape" foi indicado como Hors Concours no Festival da Televisão de Montreaux. Animado com a repercussão de seus do filmes, em abril de 69, John Lennon cada vez mais distante dos Beatles, e inseparável de Yoko, abria a Bag Productions, produtora de filmes do casal. No último trimestre de 69, lançaram os filmes "Apotheosis", filmado de um balão que passava por várias regiões e "Self Portrait", que também gerou controvérsias ao exibir em câmera lenta e acelerada o pênis de John Lennon, do repouso à ereção. O LP "The Wedding Album" foi lançado numa luxuosa caixa repleta de souvenires do casamento dos dois. Durante vinte minutos cada um pronuncia o nome um do outro de diversas maneiras.
Apesar de toda atividade político-musical, o casal Ono Lennon, continuava a divulgar seus filmes. Após a conclusão e a não exibição de "Clock", uma tomada de uma hora de um relógio francês no St. Regis Hotel em Nova York, John e Yoko foram ao Festival de Cannes para divulgar "Fly", onde lentes potentes filmavam uma mosca explorando o corpo nu da atriz Virginia Lust ao som do álbum de Yoko de mesmo nome. Neste mesmo período, outro filme do casal - "Up Your Legs Forever" estreava no Elgin Theatre em Nova York, na época administrado pelo crítico de cinema do Village Voice – Jonas Mekas. A temática do filme consistia em filmar 365 pernas de celebridades como as do poeta Allen Ginsberg e as do ator George Segal em nome da paz. "Erection", outro filme deles, estava em produção, só concluída em 1972, após dezoito meses em que uma câmera fixa num ponto registrava a construção do London International Hotel.