sábado, 23 de maio de 2020

PETER FRAMPTON - BREAKING ALL THE RULES✶✶✶✶✶

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No início dos anos 80, Peter Frampton já estava cansado da fama de "garoto romântico do rock" e resolveu fazer o disco mais roqueiro, comercial e agressivo de sua carreira. "Breaking All The Rules" de 1981, ultrapassou todas as barreiras. "Breaking" sempre foi o álbum menos conhecido e ouvido de Peter Frampton , em parte devido à falta de jeito da gravadora em promover adequadamente o disco e porque Frampton realmente quebrou algumas regras aqui; ele decidiu fazer um LP de rock em vez de um gerador de hits Top 20. É claro que há uma melodia doce e brilhante, tocando "Going To L.A.", que também deveria ter sido um sucesso nas paradas. Para produzir um álbum como este, Frampton contratou uma banda de apoio fantástica, incluindo a metade do Toto; Steve Lukather e Jeff Porcaro. Lukather troca passagens matadoras com Frampton (a faixa-título é um exemplo), mas também contribui com sua marca registrada, guitarra rítmica distinta, enquanto Porcaro fornece seu toque de groove único em toda a gravação.

Uma prova da natureza impulsionada pela guitarra deste álbum é a matadora faixa de abertura “Dig What I Say”, iniciando o álbum em um clima de rock com solos por todo o lado, algo incomum para um lançamento de Frampton. Aqui ele também usa sintetizadores de guitarra com bons resultados. A cover de "I Don't Wanna Let You Go" é feita em uma veia de Frampton absolutamente clássica, mas mesmo aqui a guitarra gira como nunca antes. Escrita pelo Alessi Brothers “Rise Up” é outra música com um potencial de sucesso, há um elegante meio tempo em “Wasting The Night Away”, uma versão pesada e rocker do clássico “Friday On My Mind” (também coverizado por Gary Moore), enquanto “Lost A Part Of You” é a balada do álbum. No final, temos a faixa-título mencionada - "Breaking All The Rules",  uma pancada com força de sete minutos com riffs matadores, um verso melódico e um excelente duelo de Frampton / Lukather em uma peça Hard Rock. Aqui, Frampton demonstra toda a sua habilidade não só como o excelente guitarrista que é mas também como vocalista. O som pesado é sempre comandado pela guitarra de Frampton e a sua voz mais "quente" e forte dá um tom mais Blues à música.

Para mim, "Breaking" é de longe, o melhor disco de Peter Frampton em todos esses anos. Se tivesse que fazer uma lista com os 10 discos que gosto mais, certamente este não faltaria! Em setembro de 2010, tive a honra de ver ao vivo, "a lenda" fazer suas estripolias com a velha Gibson Les Paul preta. Inacreditável! Um leão que perdeu a juba mas nunca perdeu a mejestade! Esse discãozaço já esteve aqui para download em 2012 e 2014. Indispensável!

THE BEATLES - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT - DIG IT

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"Dig It" é uma música dos Beatles de apenas 50 segundos lançada no álbum “Let It Be” de 1970. É creditada aos quatro: Lennon, McCartney, Harrison e Starkey. É uma das poucas músicas assinadasm por todos os Beatles - As outras são "Flying" (do Magical Mystery Tour), "Suzy Parker" (do filme Let It Be), "12-Bar Original" (Anthology 2), "Los Paranoias" (Anthology 3) e a versão final de "Free as a Bird". Esta música e "Maggie Mae" aparecem no álbum Let It Be, mas não estão incluídas no “Let It Be ... Naked”, foram substituídas por "Don't Let Me Down" - mas aparecem no disco bônus "Fly On The Wall".
“Dig It” começou como uma composição oscilante de John chamada “Can You Dig It” que consistia em variações do título sobre um riff. A versão lançada em Let It Be era um excerto de uma jam muito mais longa em que todos os Beatles inventaram versos na hora, daí o cré­dito de composição compartilhado. Foi gravada nos últimos dias de janeiro. A versão editada de 50 segundos é parte da gravação de 26 de janeiro, que era uma sessão de doze minutos. No começo da sessão, John Lennon canta a letra principal com intervenção de Harrison, enquanto Heather ficava no vocal de fundo.
Conforme a performance ia piorando, Lennon estimulou os outros a continuar. Paul adicionou um vocal barítono de "dig it up, dig it up, dig it up" ("desenterre, desenterre, desenterre") e variantes e Lennon começou a repetir "Like a rolling stone" (Como um rolling stone), pessoa sem estabelecimento fixo, então vai para a parte das "pessoas famosas", mencionando o FBI, a CIA, a BBC, B.B. King, Doris Day e Matt Busby (treinador do Manchester United que apareceu no noticiário anunciando sua aposentadoria). Dig It, Dig It, Dig It... Entra com fade in e acaba com a frase “That was Can You Dig It? by Georgie Wood, now we’d like to do Hark The Angels Come” e emenda com “Let It Be”. A expressão “Dig it?” (Sacou?) ou "Dig it" (curta) era uma gíria muito usada na época. Georgie Wood era um anão inglês de vaudeville que se apresentava caracterizado de criança, daí a vozinha fina que John faz. “Hark the angels come” anunciando a próxima música (Let It Be) como um hino religioso.
Para Hunter Davies (biógrafo 'oficial' dos Beatles), em seu livro "As Letras dos Beatles", "Dig It" é "uma música boba, com uma letra boba e sem sentido com palavras e nomes tirados da cabeça ou de jornais". E encerra ainda: "No final, John fala coisas bobas às custas de Paul. “Agora gostaríamos de tocar ‘Ark the Angels Come’ [um hino religioso]”, ele diz numa voz aguda de Georgie Wood - introduzindo a faixa seguinte, uma canção séria e sentida de Paul sobre sua mãe. Isso não foi nada gentil".

PAUL McCARTNEY - NO MORE LONELY NIGHTS✶✶✶✶✶✶

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sexta-feira, 22 de maio de 2020

PIANO RED - DR. FEELGOOD / MR. MOONLIGHT

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Willie Lee Perryman, conhecido profissionalmente como Piano Red e mais tarde como Dr. Feelgood, foi um músico de blues americano, o primeiro a chegar às paradas de música pop. Nasceu numa fazenda perto de Hampton, na Georgia. Ele era um pianista autodidata que tocava no estilo barril de blues (um tipo de piano de percussão alto e adequado para bares barulhentos ou tabernas). Suas carreiras de performance e gravação surgiram durante o período de transição da "música de negros" completamente segregada para o Rhythm and Blues, comercializado tanto para o público branco quanto para o preto. Alguns historiadores creditam a gravação de Perryman em 1950 "Rocking With Red" pela popularização do termo "Rock and Roll" em Atlanta. Perryman tocava de forma peculiar, sua mão esquerda simples e pesada e sua mão percussiva direita, juntamente com seu alegre grito, lhe trouxeram considerável sucesso ao longo de três décadas. Ele nasceu em uma fazenda na Georgia, onde seus pais eram caseiros. Sua família era tão numerosa, que não se sabe ao certo quantos irmãos e irmãs ele tinha. Perryman era um afro-americano albino, assim como seu irmão mais velho, Rufus, que também teve uma carreira no piano de blues como "Speckled Red".
Em 1961, Perryman assinou com a Okeh Records e começou a usar o nome Dr. Feelgood & The Interns, lançando vários hits, incluindo a muito gravada "Doctor Feelgood". A persona era uma que ele adotara inicialmente em seus programas de rádio. Em 1963, a banda Merseybeats gravou uma cover do lado B de "Doctor Feelgood", intitulada "Mr. Moonlight" (escrita por Roy Lee Johnson) como o lado B de "I Think of You". "Mr. Moonlight" também seria gravada pelos Beatles, no álbum Beatles for Sale no Reino Unido e no Beatles '65 nos Estados Unidos.
Perryman continuou a ser um artista popular no underground de Atlanta. Fez várias turnês pela Europa no final de sua carreira, incluindo participações no Montreux Jazz Festival, no Berlin Jazz Festival, e também se apresentou na BBC Radio. Durante esse período, ele fez amizade com Bill Wyman, Keith Richards, Mick Jagger, Eric Clapton, Paul McCartney, e Pete Ham, da superbanda Badfinger, que escrevera uma música em sua homenagem. Perryman foi diagnosticado com câncer em 1985 e morreu no mesmo ano no dia 9 de julho. Estava com 73 anos. Entre os que compareceram ao seu funeral estavam o governador da Georgia e o prefeito de Atlanta.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

THE BEATLES - MR. MOONLIGHT - 1964 ✶✶✶✶

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John berra o começo de "Mr Moonlight" com toda a força e expressão que sua laringe podia prover. Ele faz o vocal principal da faixa (e não poderia ser de outra forma), com Paul harmonizando em alguns momentos. McCarney também toca um órgão Hammond que soa em alguns momentos como algo saído de O Fantasma da Ópera. Ringo marca o ritmo com um bongô, enquanto George acrescenta a batida oca de um antigo tambor africano. "Mr Moonlight" foi gravada pelos Beatles entre agosto e outubro de 1964 e lançada no álbum Beatles for Sale, em dezembro do mesmo ano. É a sexta música do lado 1 do álbum, o quarto na discografia oficial da banda. "Mr Moonlight" fazia parte do repertório dos Beatles nos tempos de Hamburgo, e, quando precisaram de material para preencher o álbum (Beatle For Sale) a tempo do Natal, resolveram gravá-la.
"Mr Moonlight" foi escrita por Roy Lee Johnson. A primeira gravação conhecida foi do pianista de blues Piano Red, gravando como Dr. Feelgood and the Interns. Foi lançada como lado B de 'Dr. Feelgood', um pequeno hit de R&B em 1962. Os Beatles tentaram gravar "Mr Moonlight" duas vezes no estúdio em 1964. A primeira vez foi em 14 de agosto, quando eles gravaram quatro tomadas - a última delas foi por um tempo considerada a melhor.
O Anthology 1 traz os takes 1 e 4. O primeiro quebrou quase imediatamente; o 4 estava completo e contou com um solo frenético de guitarra de George Harrison. Os Beatles refizeram a música em 18 de outubro. Mais uma vez, eles gravaram quatro tomadas, as duas últimas com o solo de órgão Hammond, um tanto berrante de Paul McCartney. Apesar do vocal estridente e arrojado de John Lennon, 'Moonlight' é considerada por muitos fãs dos Beatles como uma das músicas menos bem-sucedidas em seu catálogo e uma das mais fracas do álbum.
"Mr Moonlight" foi gravada no estúdio da EMI em Abbey Road nos dias 14 de agosto e 18 de outubro de 1964. Foi produzida por George Martin e teve Norman Smith como engenheiro. Aparece nos álbuns Beatles For Sale, Beatles '65 e Anthology 1. John Lennon arrasa nos vocais e toca guitarra; Paul McCartney faz backing vocals, toca baixo e órgão Hammond; George Harrison também faz backing vocals, toca guitarra e um tambor africano; e Ringo Starr toca percussão.
A única vez que ‘Mr Moonlight’ apareceu aqui no Baú foi em 14 de fevereiro de 2017, e na ocasião, os saudosos amigos João Carlos e Valdir Junior também fizeram seus comentários. O primeiro disse: "Eu continuo achando-a estranha e deslocada. Porém...", e o outro disse: "Eu também acho ela o ponto mais fraco do "Beatles For Sale", apesar do ótimo vocal do John, na minha opinião deveriam ter trocado ela por "Leave My Kitten Alone" que é MUITO MAIS animada e deixaria o disco mais forte". Pode ser que sim, pode ser que não. Para mim, depois de mais de 45 ouvindo o disco, não consigo imaginá-lo sem Mr. Moonlight. E só o berro de John Lennon no começo da música já faz o disco valer a pena.

"PAUL IS DEAD" INSPIRA HISTÓRIA EM QUADRINHOS

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Uma das lendas mais famosas da música como um todo é a de que Paul McCartney teria morrido em 1966. Indo além, os boatos dizem que ele foi substituído por um sósia, chamado Willian Campbell - ou Billy Shears, conforme teria sido anunciado no álbum 'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band' (1967). Agora, o popular caso conspiratório vai inspirar o lançamento de uma história em quadrinhos nos Estados Unidos. Intitulada 'Paul Is Dead: When The Beatles Lost McCartney', a HQ chegará a público no dia 3 de junho por meio da Image Comics. A criação é do escritor Paolo Baron, com arte de Ernesto Carbonetti. A sinopse adianta: "Novembro de 1966. John Lennon não consegue falar. Ele não consegue tirar os olhos de uma foto de um carro em chamas com o corpo de Paul McCartney dentro dele. O amigo dele não está mais ali e isso significa que os Beatles também não existem mais. Porém, John quer saber a verdade e, com George Harrison e Ringo Starr, ele vai reexaminar as horas finais da vida de Paul". Em entrevista ao site da Forbes, Paolo Baron explica que tanto ele quanto Ernesto Carbonetti são músicos e gostam de histórias relacionadas às lendas do rock. "A lenda urbana do 'Paul Is Dead' sempre foi difícil de se acreditar. Sempre dei risada, mas era curioso com isso. Agora, estou lançando essa HQ com base em todas as pesquisas que fiz em jornais, livros, documentários e entrevistas a respeito dessa conspiração. É como investigar um 'caso arquivado' e dar sua opinião", afirmou. Curiosamente, não é a primeira vez que uma produção recente busca reimaginar a trajetória dos Beatles. Em 2017, Bryce Zabel lançou o livro 'Once There Was a Way', que buscava responder à pergunta: e se a banda tivesse continuado junta? Já em 2019, o diretor Danny Boyle divulgou o filme 'Yesterday', que reflete sobre como seria o mundo se o grupo nunca tivesse sido formado e um compositor "roubasse" as músicas feitas por eles. Bom, é isso. Só nos resta aguardar e torcer para ser lançada aqui no Brasil também.


Não deixe de conferir A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BOATO DA MORTE DE PAUL, publicada em 18 de junho de 2017.

GEORGE HARRISON - HORSE TO THE WATER ✶✶✶✶✶✶

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"Horse To The Water” foi a última canção escrita por George Harrison e seu filho Dhani. Foi originalmente realizada pela Orchestra de Rhythm and Blues de Jools Holland, com George Harrison, para o álbum Small World, Big Band (também conhecido como de Jools Holland Big Band Rhythm & Blues). Foi gravada em 2 de outubro de 2001, e é o último registro de uma performance de Harrison. Ele gravou apenas os vocais, enquanto já estava fraco demais lutando contra o câncer para conseguir tocar guitarra e morreu pouco mais de oito semanas depois, em 29 de novembro. Ele listou o editor da música como "RIP Music Ltd", em vez de sua empresa de costume Harrisongs. Segundo Holland, era o sentido obscuro de Harrison de humor. "Horse To The Water”  foi um pouco de humor negro de sua parte, um pouco de piada interna sobre sua incapacidade de parar com o tabagismo pesado que ostensivamente causou seu câncer. Ele continuou trabalhando sem parar até o fim. “Você pode até levar o cavalo até a água, mas não pode obrigá-lo a beber”. Hare Harrison!

PAUL McCARTNEY - EVERYBODY OUT THERE✶✶✶✶✶

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"Everybody Out There" é a oitava música do álbum New, o 16º disco de estúdio de Paul McCartney, lançado em 14 de outubro de 2013 e seu primeiro trabalho de músicas inéditas desde Memory Almost Full (2007). Produzido por Giles Martin e com colaboração de Mark Ronson, Ethan Johns e Paul Epworth, New contém canções de textura mais alegres, em relação aos seus lançamentos anteriores. Neste disco, Paul decidiu trazer, sob uma ótica mais recente, o espírito dos Beatles sob sua obra solo. New recebeu críticas positivas da mídia especializada, sendo considerado, por algumas revistas e portais de música, como um dos melhores álbuns da carreira solo de Paul McCartney. A revista Rolling Stone o classificou como o quarto melhor lançamento de 2013.
"Everybody Out There" foi uma música que escrevi especialmente para os shows, para o público participar cantando junto”- Paul McCartney. "Everybody Out There" foi gravada entre março e julho de 2013 em diversos estúdios: A.I.R. Lyndhurst, Londres; Henson, Los Angeles; Abbey Road, Londres; e The Mill, East Sussex. Uma curiosidade legal é que todos os cinco filhos de Paul – Mary, Stella, Beatrice, James e Heather – é que fazem o coral. “Quando gravamos Everybody Out There, basicamente fizemos tudo em seis horas, do começo ao fim. Até Paul estava ficando exausto no final. E terminamos por volta das 7 horas da noite. Paul olhou para mim no final e disse: 'Uau, isso foi no ritmo dos Beatles!”- Giles Martin.

domingo, 17 de maio de 2020

MATÉRIA DA CAPA - MORRE ASTRID KIRCHERR AOS 81 ANOS

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A fotógrafa alemã Astrid Kirchherr faleceu na terça-feira (12), pouco antes de completar 82 anos no dia 20 de maio. Ela nasceu em Hamburgo em 1938 e também morreu em Hamburgo. No período em que os Beatles passaram fazendo concertos em uma casa noturna da cidade, o Kaiserkeller, conheceram o artista plástico Klaus Voormann e este, posteriormente, acabou levando a então namorada para conhecer o grupo. Começou daí o envolvimento da fotógrafa com o conjunto e principalmente com o então baixista Stuart Sutcliffe. Os dois apaixonaram-se, o que acarretou na saída do "quinto" Beatle. Astrid teria sido a responsável pelo estilo de corte de cabelo e pelo design dos ternos dos Beatles, sendo dela também os registros fotográficos deste período inicial da banda de Liverpool durante a estada em Hamburgo.

Astrid era filha de um executivo da representante alemã da Ford Motor Company. Durante a Segunda Guerra Mundial, sua família fugiu para Mar Báltico, onde suas recordações da guerra são as piores possíveis. Também foi testemunha do estado de ruínas que ficou a cidade de Hamburgo quando retornaram. Depois da morte de seu pai, Astrid foi criada por sua mãe, Nielsa Kirchherr, no suburbio de Altona, em Hamburgo.
Depois de se formar no colégio, matriculou-se no Meisterschule für Mode, Têxtil, Graphik und Werbung, uma escola de arte de Hamburgo, já que queria estudar desenho de moda. Mas demonstrou mesmo ter talento foi para a fotografia em preto & branco. Reinhard Wolf, o professor de fotografia, convenceu-a que escolhesse a carreira de fotógrafa e prometeu que iria contratá-la-ia quando se formasse. Astrid trabalhou para Wolf de 1959 até 1963. No final dos anos 1950 e princípios dos anos 1960, Astrid Kirchherr e seus amigos da escola de arte estiveram envolvidos no movimento existencialista europeu, cujos seguidores foram apelidados de “Exis” por John Lennon - algo como “emos” de hoje.
Astrid Kirchherr, Klaus Voormann e Jurgen Vollmer (fotógrafo que fez a foto que John usou em seu álbum Rock"n"Roll), tinham as mesmas ideias a respeito da moda, da cultura e da música. Numa noite, depois de uma discussão com os dois, Klaus Voormann saiu vagando pela Reeperbahn no distrito de St. Pauli quando ouviu a música que vinha do Kaiserkeller. Voormann entrou e viu os Beatles em ação quebrando o cacete e encantando a plateia. Na noite seguinte Voormann tornou a voltar ao Kaiserkeller desta vez, trazendo Kirchherr e Vollmer para que eles também ouvissem aquela nova música. Astrid também voltou ao clube no dia seguinte, e no outro e no outro. Até que decidiu que queria estar tão perto dos Beatles quanto lhe fosse possível. O rock and roll ainda não tinha chegado aos ouvidos dos Exis. O que conheciam da música americana era o jazz tradicional e um pouco de Nat King Cole e The Platters. O três continuaram visitando o Kaiserkeller quase todas as noites, chegando às 9 e sentando-se em frente do palco. Kirchherr disse mais tarde: “Era como um carrossel em minha cabeça, eles eram absolutamente impactantes... Toda minha vida mudou em dois minutos. Todo o que queria era estar com eles e conhecê-los”.
Stuart Sutcliffe ficou fascinado com o trio, especialmente com Astrid e rapidamente arranjou uma forma de conhecê-los e descobriu que os três tinham frequentado Meisterschule, que era o mesmo tipo de escola de arte que ele e John Lennon estiveram em Liverpool. Astrid quis saber dos Beatles se importariam de fazer uma sessão de fotos, o que os impressionou bastante, já que os outros grupos concorrentes nunca tinham sido fotografados de forma profissional. Na manhã seguinte, ela os fotografou em num parque municipal chamado "der Dom", perto da Reeperbahn, e a tarde levou todos (exceto Pete Best, que decidiu não ir) à casa de sua mãe em Altona. O lugar onde ela vivia era completamente estranho para os jovens proletários de Liverpool. Havia sido todo decorado por Voormann, com quem ela tinha uma relação, ainda que depois de suas visitas ao Kaiserkeller estivesse absolutamente apaixonada por Stu. E logo, explodiria a paixão dos dois.
Foi Astrid quem apresentou aos Beatles o Preludin, uma droga que se tomava junto com cerveja, e os fazia sentir eufóricos e se manter espertos até a madrugada. Os Beatles tinham usado coisa parecida antes, mas só era possível se obter essas anfetaminas com uma receita médica, o que a mãe de Astrid conseguia fácil de um farmacêutico local, que lhe entregava a droga sem perguntar nada. Depois de conhecer a artista Astrid Kirchherr, John Lennon enchia suas cartas para Cynthia Powell com "Astrid disse isto, Astrid fez aquilo", o que fez com que Cynthia se sentisse issegura e ameaçada com a presença da alemã. Só sossegou quando soube que ela estava vivendo um romance com Stu. Quando Cynthia visitou Hamburgo junto com Dot Rhone (a namorada de Paul McCartney) em abril de 1961, ficaram na casa dela (Astrid) e se tornarama grandes amigas. Em agosto de 1963, Astrid se encontrou com Lennon e Cynthia em Paris enquanto eles estavam em uma lua de mel tardia e Kirchherr estava ali com uma amiga durante umas férias. Os quatro foram de bar em bar e finalmente terminaram indo ao hotel onde a fotógrafa se hospedava e terminaram dormindo todos juntos na mesma cama. Os Beatles se encontraram novamente com Astrid Kirchherr em Hamburgo em 1966, enquanto realizavam uma turnê pela Alemanha. Astrid deu a John Lennon todas as cartas que ele tinha escrito a Sutcliffe durante 1961 e 1962, o qual John considerou como "o melhor presente que recebi em anos".Constantemente, Astrid Kirchherr é apontada como a “inventora” do corte “moptop” do cabelo dos Beatles. Ela nega veementemente e fica irritada ao lembrar que aquilo foi herdado dos Exis. Não ela, ou Klaus, ou Vollmer. Era um reflexo da época!
Stuart Sutcliffe, totalmente impressionado por Astrid, vivia perguntando aos amigos dela quais as cores, os filmes, os livros e os pintores que ela mais gostava. Pete Best comentou que o início da relação foi como "um desses contos de fadas". Astrid e Stu comprometeram-se em novembro de 1960 e trocaram anéis seguindo a tradição alemã. Sutcliffe escreveu a seus pais contando seu compromisso, eles ficaram muito desapontados porque queriam que o filho não descambasse “por aquele mundo de artistas”. O casal viajou para Liverpool no verão de 1961, já que Astrid queria conhecer a família de Stuart e a cidade onde nasceu. Todos esperavam uma estranha artista beatnik de Hamburgo, mas ela chegou à casa da família em Aigburth levando uma orquídea como presente e vestida com um suéter de cachemira e uma saia de sastre.

Em 1962, Sutcliffe teve um colapso no meio de uma aula na escola de arte em Hamburgo. Ele sofria de fortes dores de cabeça e a mãe de Kirchher fez que os melhores médicos alemães o examinassem, mas nenhum foi capaz de determinar a causa das dores. Enquanto vivia na casa dos Kirchherr, a situação de Stuart foi só piorando. No dia 10 de abril de 1962, teve outro ataque fortíssimo (praticamente nos braços de Astrid) e foi levado ao hospital mas morreu antes de chegar lá. Três dias depois, Astrid recebeu os Beatles no Aeroporto de Hamburgo, onde lhes disse que Sutcliffe tinha morrido de uma hemorragia cerebral.
Em 1964, Astrid Kircherr tornou-se fotógrafa freelancer. Em 1967, casou-se com o baterista inglês Gibson Kemp, que substituiu Ringo Starr no grupo Rory Storm and the Hurricanes. O casal se divorciou sete anos mais tarde. Astrid uniu-se depois com um homem de negócios alemão, mas também não deu certo e separaram-se em 1985. Junto com seu colega Max Scheler foi escolhida para ser a fotógrafa oficial dos Beatles durante “A Hard Day's Night “, para a revista alemã Stern. Mais tarde, George Harrison pediu-lhe que trabalhasse na capa de seu álbum Wonderwall em 1969.
Ela nunca publicou suas fotografias até 1995, quando foi lançado o livro Liverpool Days em edição limitada, de fotografias em preto e branco. Em 1999, publicou outro livro chamado “Hamburg Days” com fotografias de Kirchherr e desenhos de Klaus Voormann.

Astrid dimirava o trabalho de vários outros fotógrafos, como Annie Leibovitz, Irving Penn, Richard Avedon, Jim Rakete e Reinhard Wolf, e dos cineastas franceses François Truffaut e Jean Cocteau. Dizia que suas fotografias favoritas são as que tirou de Sutcliffe no Mar Báltico e as de Lennon e Harrison no sótão de sua casa onde Stu pintava.
Kircherr demostrava reservas com a fotografia digital, admitindo que não ter habilidade nenhuma com computadores e ainda se assustava com a internet. Dizia também, que não era boa nos negócios e que não era suficientemente organizada, já que nunca se preocupou com os negativos de suas fotografias para provar que eram de sua autoria. Seu sócio Ulf Krüger, um compositor e produtor discográfico, tem encontrado muitos dos negativos de Astrid bem como várias outras fotos, às quais registrou todas com os devidos direitos autorais. Ele acha que Astrid Kircherr possa ter perdido mais de 500.000 libras esterlinas devido a todos que usaram suas imagens sem permissão. Em julho de 2001, ela visitou Liverpool para a inauguração de uma exposição de seu trabalho na galeria de arte na Mathew Street, perto da antiga localização do Cavern Club. Também apareceu como convidada na Semana do Festival dos Beatles na cidade no feriado de agosto. O trabalho de Astrid Kircherr tem sido exibido internacionalmente em lugares como Hamburgo, Bremen, Londres, Liverpool, Nova York, Washington D.C., Tokio e Viena.
Kircher trabalhou como conselheira no filme Backbeat, que retratava o envolvimento dela com Stu e os Beatles quando estiveram estiveram em Hamburgo. O ator Stephen Dorff (Stu Sutcliffe no filme) impressionou Astrid Kirchher, que disse que ele tinha a idade adequada (19 anos então) e a maneira que fumava, falava e se movia eram as mesmas de Sutcliffe. O papel de Astrid Kirchherr foi interpretado pela bela e competente Sheryl Lee. É isso aí. Descanse em paz, Astrid.
Confira também: A HISTÓRIA DE STU E ASTRID EM QUADRINHOS

PAUL McCARTNEY - BEAUTIFUL NIGHT - SENSACIONAL!*****

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A belíssima “BeautifuI Night", que aparece no álbum Flaming Pie de 1997, começou a ser trabalhada por Paul McCartney em agosto de 1986 no Rude Studios – Escócia. Paul compõs a base de uma balada, nomeada por ele “Beautiful Night”. No mesmo mês de agosto, duas outras faixas seriam criadas: “Without Permission” e “Loveliest Thing”, logo unidas em ape­nas uma: “The Loveliest Thing”. Ainda em agosto, “Beautiful Night” foi gravada com produção de Phil Ramone, no Power Statíon Studios, em Nova Iorque. Na banda, Neil Jason no baixo. David Brown na guitarra. Liberty De Vitto na bateria. David Lebolt no sintetizador. Paul está no vocal principal e tocando a base no piano. Paul tinha muita esperança nessa balada, mas algo não se encaixava. Durante 1991-1992, foi feita mais uma tentativa de gravar “BeautifuI Night” durante as sessões de Off the Ground, sem sucesso. Em breve, a canção iria prosperar. Ou melhor, em alguns anos. No meio do projeto Anthology, Paul não resistiu. Seu próximo trabalho solo teria de contar com Ringo na bateria, ao menos em algumas faixas. A última vez que os dois Beatles dividiram o estúdio em um projeto solo havia sido em 1984, em “Give My Regards to Broad Street”. Era tempo demais. Convite feito... e Richard estava no The Mill, para dar conta da nova versão de “BeautifuI Night”.
“Escrevi ‘BeautifuI Night’ havia alguns anos e sempre curti a canção. Até as pessoas que ouviram a primeira versão, feita em Nova Iorque com alguns músicos da banda de Billy Joel, tinham curtido a música. O problema é que também achava que aquela versão não era a definitiva. Então, decidi gravá-la com Ringo. Já tinha comentado com ele que precisávamos trabalhar mais tempo juntos. Ele é ótimo. Sentei ao piano e Ringo ficou na bateria. Foi muito confortável traba­lhar com Ringo de novo. Ele também ficou feliz e ainda cantou em um trecho que não estava na versão original”.

Em 13 de maio de 1996, Paul soltaria a voz de forma definiti­va para completar a música. Ao compararmos as versões, a nova “BeautifuI Night” parecia ter alma revigorada. Com Ringo a bordo, Paul quebrou o encanto de uma de suas músicas encalhadas nos ar­quivos. Tudo parecia perfeito, mas algo ainda faltava para “BeautifuI Night” ganhar a pompa necessária. Esse algo seria providenciado pelo mestre George Martin. “BeautifuI Night” foi gravada nos dias 13 de maio de 1996, no es­túdio The Mill, em East Sussex e 14 de fevereiro de 1997, em Abbey Road, Londres. Assim como “Young Boy”, “Beautiful Night” foi lançada em CD single chegando ao 21° lugar nas paradas inglesas.
No vídeo promocional de “Beautiful Night”, Paul aparece em uma sala repleta de aparelhos e monitores de TV, onde aparentemente con­trola o sistema de energia da cidade. O clipe segue mostrando seus habitantes em diversas atividades, incluindo Ringo, tocando sua bate­ria Ludwig em um apartamento. Em certo ponto, a energia é cortada e as pessoas começam a se confraternizar no blecaute. A cena mais polêmica do filme apresenta um casal de namorados no rio Mersey, em Liverpool, onde a modelo (Emma Moore) aparece nua. Em razão disso, duas edições deste promo foram preparadas, sendo a mais di­vulgada com o último trecho cortado.
Linda McCartney aparece no clipe em uma cabine telefônica. Esta seria a última aparição de Linda em um trabalho de McCartney, antes de sua morte em 17 de abril de 1998. “Beautiful Night” foi rodado em preto e branco em diversas localidades da Inglaterra: Greenwich, Londres, Liverpool e Hackney - onde Paul toca violão, acompanha­do por uma banda colegial chamada Spud. Produzido e dirigido por Julian Temple. Fonte: “Masters – Paul McCartney em discos e canções” de Claudio Dirani.

Não deixe de conferir também de jeito nenhum: PAUL McCARTNEY - FLAMING PIE - 2017

THAT'LL BE THE DAY - UM CERTO VERÃO - 1973 ✶✶✶✶✶

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“That’ll be the Day”, no Brasil “Um Certo Verão” é um filme britânico de 1973 estrelado por Ringo Starr e o ator/cantor David Essex. Acontece na Inglaterra no final dos anos 50 e início dos anos 60 e captura o que deve ter sido como crescer lá, logo antes dos Beatles assumirem. Ringo rouba o filme, embora Essex faça uma boa atuação também.
O filme é parcialmente baseado nos tempos dos primeiros dias de Liverpool dos pré-Beatles e sua banda adolescente, The Quarrymen. Jim MacLaine, o protagonista, personagem de David Essex, é um cruzamento entre Paul McCartney e John Lennon. Como Lennon, ele vem de uma casa sem pai, mas consegue um emprego em um acampamento de férias, onde famílias da classe trabalhadora britânica escapariam para passar as férias de verão. Lá, MacLaine conhece o personagem de Ringo, Mike, um veterano no circuito de rock’n’roll, que coloca o tímido e inocente (a princípio) Jim, sob suas asas e mostra alguns truques para o lidar com as pessoas e especialmente, as garotas.
“That’ll be the Day” foi filmado parcialmente na Ilha de Wight. Ringo especialmente se encaixa no papel, interpretando alguém que ele realmente poderia ter sido. Antes dos Beatles, Ringo estava em uma banda chamada Rory Storm & the Hurricanes e até a chegada dos Beatles, eles eram a banda mais popular em Liverpool. De fato, um dos personagens, Stormy Tempest, é uma montagem com o nome Rory Storm e é interpretado pelo cantor britânico Billy Fury. Keith Moon, o baterista doidão do The Who, também está no filme. Ringo realmente tocou em acampamentos de férias semelhantes quando estava com Rory Storm.

O roteiro foi escrito por Ray Connolly, de Liverpool e depois jornalista de Londres, que conhecia bem os Beatles e sua história. Mais tarde, ele escreveria o respeitado livro John Lennon 1940/80. O roteiro e o filme evocam a época e os personagens perfeitamente. Essex expressa a crescente ambição de se tornar um rocker até o final do filme. A trilha sonora é composta por algumas das melhores músicas de rock 'n' roll dos anos 50 e início dos anos 60.
“That’ll be the Day” se saiu tão bem na Inglaterra, principalmente, que teve uma sequência em 1974, o excelente “Stardust”. O personagem de Essex, continua a se tornar a estrela do rock que ele ansiava ser no primeiro filme, mas ele também é pego em suas armadilhas. Stardust, a sequência, também tem no elenco mais músicos britânicos de rock, como Adam Faith e Dave Edmunds (mas não Ringo). David Essex, além de seu grande sucesso mundial, "Rock On", em 1973, continuaria popular no Reino Unido, tanto como cantor quanto como ator.
“That’ll be the Day” e “Stardust” são considerados por muitos como alguns dos melhores filmes sobre o sonho de se tornar roqueiro e, especialmente, aquele momento fértil da música pop, quando os Beatles estavam prestes a chegar para abalar o mundo. Esse filme (That’ll be the Day) é tão difícil que até um "trailer oficial" parece impossível de ser achado. A gente confere aqui um pequeno trecho que tem no You Tube, e mais embaixo uma cena da continuação "Stardust" em que a semelhança e a referência da banda de Jim McClane com os Beatles é mais que clara, óbvia e evidente. Valeu.

A ESTRANHA MORTE DE EDGAR ALLAN POE

Um comentário:

Publicada originalmente em 7 de outubro de 2011, tendo sido vista por 2.708 pessoas.
A morte de Edgar Allan Poe ocorreu no dia 7 de outubro de 1849, quando o escritor tinha quarenta anos de idade. Cercada de mistério, sua causa ainda é discutida. Quatro dias antes de falecer, Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore, Maryland, em um estado delirante. Segundo Joseph W. Walker, a pessoa que o encontrou, o escritor estava muito angustiado, e precisava de ajuda imediata. Poe foi levado ao hospital da Universidade Washington (Washington College Hospital), onde morreu num domingo, às 5 horas. Em nenhum momento o escritor contou com a lucidez necessária para explicar de forma coerente como havia chegado àquele estado. Grande parte da informação existente sobre os últimos dias de sua vida provém do médico John Joseph Moran, que o tratou no hospital. Depois de um pequeno funeral, Poe foi enterrado no cemitério anexo à igreja de Westminster (Westminster Hall and Burying Ground) mas, anos mais tarde, em 1875, seus restos mortais foram transferidos para um monumento maior. Este último marca também o lugar de enterro de sua esposa, Virginia, e o de sua sogra, Maria Clemm.
As teorias sobre as causas da morte do escritor incluem suicídio, assassinato, cólera, raiva, sífilis e ter sido capturado por agentes eleitorais que o teriam forçado a beber para fazê-lo votar e abandonaram-no, já em estado total de embriaguez, à sua sorte. Contudo, a evidência a respeito da influência do álcool é incerta. Dois dias depois da morte de Poe, apareceu um obituário assinado por um certo "Ludwig", que logo se revelou sendo, na verdade, o crítico e antologista Rufus Wilmot Griswold. Griswold, que mais tarde se converteu no executor literário efetivo das obras de Poe, apesar de ter sido um de seus rivais e quem posteriormente publicou a sua primeira biografia completa, retratando-o como um depravado, bêbado e louco tomado pelas drogas, chegando inclusive a falsificar cartas do poeta como prova disso. Acredita-se que grande parte das evidências utilizadas para construir essa imagem foram forjadas por Griswold e, apesar de muitos amigos de Poe terem denunciado o biógrafo, foi a interpretação que teve um impacto mais duradouro no meio popular.

Mais de 200 anos após a sua morte, o "poeta do mistério" continua bem presente na cultura contemporânea. Na música, influenciou compositores como Debussy ou os incomparáveis The Beatles.

"The Raven" é apenas um dos álbuns mais paradigmáticos da influência de Edgar Allan Poe na criação musical contemporânea. Lou Reed recriou, em 2003, o ambiente da escrita do autor num disco conceitual. Mas o legado de Poe não se esgota na obra do ex-Velvet Underground. Na verdade, pouco tempo depois da morte do escritor, Claude Debussy compôs uma ópera baseada no conto "The Fall of the House of Usher", que, no entanto, não chegou a concluir. Já nos anos 80, do século XX, o minimalista Philip Glass produziu uma ópera baseada nessa mesma obra.
"Man, you should have seen them kicking Edgar Allan Poe" (Cara, você devia ter visto todos eles chutando Edgar Allan Poe), cantava John Lennon, em "I Am The Walrus", dos Beatles, um protesto de revolta em relação ao modo como Poe havia sido tratado pelos seus conterrâneos.

Em 1967, figura de Edgar Allan Poe também ficou imortalizada na capa do álbum "Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band". Ao longo de 200 anos, Edgar Allan Poe foi uma fonte de inspiração na estética musical e artística contemporânea. Contos como "The Raven", "The Fall of the House of Usher" e "The Mask of the Red Death" foram alguns dos escritos mais influentes no universo artístico, nomeadamente na música.

Edgar Allan Poe é considerado, juntamente com Julio Verne, um dos precursores da literatura de ficção científica e fantástica modernas. Algumas das suas novelas, como The Murders in the Rue Morgue (Os Crimes da Rua Morgue), The Purloined Letter (A Carta Roubada) e The Mystery of Marie Roget (O Mistério de Maria Roget), figuram entre as primeiras obras reconhecidas como policiais, e, de acordo com muitos, as suas obras marcam o início da verdadeira literatura norte-americana.
"Em 7 de outubro de 1849, Edgar Allan Poe foi encontrado à beira da morte em um banco de praça em Baltimore, Maryland. Seus últimos dias de vida permanecem um mistério". Estas são as primeiras palavras a aparecerem em The Raven (O Corvo) - filmaço de 2012, dos gêneros terror e suspense, dirigido por James McTeigue, com roteiro de Ben Livingston e Hannah Shakespeare. O filme dramatiza os últimos dias de vida do escritor Edgar Allan Poe (John Cusack), que teria morrido de causas misteriosas em 1849. O título refere-se ao famoso poema de Poe mas não tem relação com produções anteriores com o mesmo nome, de 1935 e 1963.

A história do filme é basicamente a seguinte: Em 1849, a polícia de Baltimore descobre num apartamento trancado o cadáver de uma mulher estrangulada. O detetive Emmett Fields percebe similaridades com o conto policial "The Murders in the Rue Morgue" e resolve investigar o autor, Edgar Allan Poe, que passa por bloqueio criativo e vive entregue ao alcoolismo, enquanto mantém um romance com a deliciosa Emily Hamilton, filha de um rico militar que o detesta. Enquanto Fields confronta Poe, outros crimes e assassinatos inspirados nas histórias do escritor continuam a acontecer, e a polícia percebe que enfrenta um sanguinário serial killer. Aqui, a gente confere o trailer e logo abaixo, "I Am The Walrus". Valeu.