sábado, 1 de agosto de 2026

GEORGE HARRISON & FRIENDS - THE CONCERT FOR BANGLADESH - 1971 ⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐

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Naquela tarde do dia 1º de agosto de 1971, um domingo, no centro do mundo, em Nova York, no Madison Square Garden, o clima era de muita expectativa. Afinal, o público americano não via um Beatle, ou ex-Beatle, ao vivo, pelo menos há 5 anos, desde o show do Candlestick Park. George Harrison, era o cara da vez, que não poupou esforços pela viabilização do projeto, e conseguiu uma boa cobertura da mídia. Na abertura do espetáculo, George "à paisana" conta como será o show. Depois de longos e intermináveis minutos da apresentação de Ravi Shankar e os indianos, o público pode ver o que realmente queriam ver há tantos anos, um Beatle. Ok. Haveria Dylan, haveria Clapton, haveria Ringo – mas todos estavam ali para ver George Harrison.

Quando as luzes do Garden acenderam-se sobre ele, o George Harrison que a plateia viu, era um homem maduro, totalmente adequado a seu tempo, que tinha amadurecido, tornara-se religioso, e nem de longe, ou quase nada, lembrava aquele do tempo que os Beatles apareceram no Ed Sullivan alguns anos antes. Ele parecia um profeta, um messias, elegantemente vestido em um terno branco, botas brancas, uma guitarra Fender branca e uma vistosa camisa laranja, cor dos Hare Krishnas. Nas lapelas do paletó, um pequeno “OM” bordado. Estava cabeludo e barbudão. Sua religiosidade e a amizade com Ravi Shankar foram os fatores incentivadores e definitivos para o êxito desse que foi um dos maiores, e melhores concertos de rock de todos os tempos. Um belíssimo espetáculo em seu mais amplo significado. Harrison ataca com sua guitarra branca e o riff matador de um super hard rock - Wah Wah - um rock tão pesado como o fardo que carregou em seus derradeiros dias como BeatleA música “Bangladesh” – lançada como compacto dois dias antes do show, no dia 30 de julho de 1971, narra exatamente como surgiu a ideia para o primeiro concerto beneficente da história do rock. Nessa época, George e Ravi Shankar estavam muito próximos. A religiosidade de Harrison também estava no auge. Com os olhos cheios de lágrimas, Ravi Shankar contou-lhe a história de Bangladesh, um país asiático rodeado quase por inteiro pela Índia, exceto a sudeste, onde tem uma pequena fronteira terrestre com Myanmar, país de origem de Ravi Shankar. Bangladesh vivia, e ainda sobrevive até hoje, flagelado pela fome e devastado pela guerra civil.
Ravi Shankar pediu a George para que, juntos organizassem um show cuja renda seria toda revertida em prol daquele país. George topou na hora. Então, começaram a correr atrás de patrocínios e colaboradores. Tudo na base do amor e boa vontade. George convidou o maior número possível de amigos músicos para participarem, entre eles, os outros ex-Beatles. “Pode ser que não apareçam todos, mas se 10% deles vier, será ótimo. Hare Krishna”. Disse GeorgeApareceram Bob Dylan, Eric Clapton, Ringo Starr, Billy Preston, Leon Russel, Klaus Voorman, Jesse Ed Davis, Badfinger entre outros, além claro, do próprio George Harrison e Ravi Shankar e os indianos. John Lennon e Paul McCartney não apareceram. Diz a lenda que John até havia aceitado o convite, mas quando soube que George não queria Yoko Ono no palco, pulou fora. Paul simplesmente não quis porque estava processando os outros três e não queria que ninguém confundisse nada como uma possível reaproximação. Os dois shows  ocorreram na tarde e na noite de 1 de agosto de 1971 no Madison Square Garden, em Nova York, e foram assistidos por mais de 40.000 pessoas. Foi o primeiro evento beneficente desse porte na história e arrecadou no total US$ 243,418.51. Dinheiro que foi que foi administrado pela UNICEF. As vendas do álbum e do DVD continuam a beneficiar o fundo de George Harrison para a UNICEF.
“The Concert for Bangladesh” teve enorme repercussão pelo mundo inteiro. E também, muitos problemas envolvendo principalmente seu lançamento em disco. A Capitol, distribuidora da Apple, gravadora dos Beatles, queria lançar o álbum triplo por ter George Harrison sob contrato. Mas a outra grande atração do concerto foi Bob Dylan, do cast da Columbia. Esta então passou a reivindicar os direitos de lançamento. A pendência se arrastou por longos meses, sendo vencida pela EMI, proprietária da Capitol.

Esse showzaço, chegou a sair em vídeo e depois em DVD em edição não autorizada. Em 2004 foi lançada a versão definitiva, em DVD duplo. O primeiro disco traz o show completo, que foi exibido nos cinemas como um documentário dirigido por Saul Swimmer. O segundo vem com um documentário recente sobre a história do concerto, números musicais gravados durante a passagem de som e o show vespertino e o making of do filme e do disco, com depoimentos dos profissionais envolvidos.

O ponto mais alto do espetáculo é o final da apresentação da noite, na útima canção - Bangladesh - George se emociona, tira a guitarra e deixa o palco ovacionado. Os músicos continuam tocando sem saber o que deviam fazer. Um final perfeito e adequado para uma obra-prima dessa grandeza.

POST Nº 12. 000 - BADFINGER - DAY AFTER DAY - 1971

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"Day After Day" é uma canção da banda britânica BadFinger, de seu terceiro álbum Straight Up, de 1971. Foi compsta e cantada por um gênio de nome Pete Ham e produzida por George Harrisonque toca algumas das partes de slide guitar junto com Ham. A canção foi lançada como single e se tornou o maior sucesso de BadFinger, alcançando um valente 4º lugar nos Estados Unidos e o 10º no Reino Unido, conquistando o certificado de ouro da Recording Industry Association of America (RIAA)"Day After Day" também conta com Leon Russell ao piano. Como a música estava inacabada quando Harrison deixou o álbum do Badfinger para produzir o Concert for Bangladesh, a mixagem final foi feita por Todd Rundgren, que assumiu Straight Up após a saída de Harrison.
Lançada como single nos EUA em novembro de 1971 (janeiro de 1972 em outros países), "Day After Day" tornou-se o single de maior sucesso do grupo naquele país, alcançando o 4º lugar na parada Billboard Pop Singles. Também alcançou o 10º lugar na parada de singles do Reino Unido em janeiro de 1972. Permanece uma das canções mais bonitas e conhecidas da banda, principalmente pelos solos de guitarra slide. Reconhecida pela crítica, recebeu o certificado de Ouro em março de 1972, tornando-se o primeiro e único single de ouro da banda. "Day After Day" alcançou o 10º lugar na parada Easy Listening da BillboardO crítico da Classic Rock, Rob Hughes, classificou "Day After Day" como a melhor música de BadFinger, devido à "melodia inquestionável, vocais plangentes e sentimento apaixonado, bem como aos maravilhosos solo de slide".

Pete Ham – Vocals, violão, guitarra slide; Tom EvansBacking vocals, baixo; Joey MollandBacking vocals, violão; Mike Gibbins – bateria, percussão; e George Harrison – guitarra slide; Leon Russell – piano.

THE BEATLES - O FANTÁSTICO MEDLEY DE ABBEY ROAD

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A ideia original era de McCartney, mas George Martin afirmou que o triunfo final da vida dos Beatles como uma banda de gravação - o medley de oito músicas que domina o lado 2 de Abbey Road - foi pelo menos parcialmente dele. "Eu queria fazer John e Paul pensarem mais seriamente sobre sua música", disse o produtor. "Paul era totalmente a favor de experiências assim". McCartney, na verdade, liderou a primeira sessão para aquela seção estendida do álbum - em 6 de maio de 1969, para "You Never GiveMe Your Money", sua ensolarada acusação a respeito dos pesadelos comerciais da Apple Corps.

Lennon estava muito menos interessado no medley, embora tenha contribuído com algumas de suas partes mais excêntricas, como a zombeteira "Mean Mr. Mustard" e a rápida e sarcástica "Polythene Pam". Ele posteriormente descartou o conceito como "lixo" na Rolling Stone, dizendo que "nenhuma das canções tinha nada a ver uma com a outra, nenhum fio condutor, apenas o fato de que as colocamos juntas".

Ele estava certo em algum sentido. A sequência de 16 minutos - variando de "Money" e o suspiro exuberante de "Sun King" de Lennon para o fragmento de alma pesada de McCartney "She Came in Through the Bathroom Window" e a doce canção de ninar "Golden Slumbers" e fechando com a famosa sentença de McCartney em "The End" ("O amor que você leva / É igual ao amor que você faz") - não tem qualquer conexão narrativa. Mas o medley de Abbey Road mostra os Beatles amadurecidos no seu melhor: divertidos, gentis, amargos e assombrosamente unidos pela música. Suas harmonias são arrebatadoras e complexas; as guitarras são confiantes e cortantes. "Estávamos aguentando firme, apesar de tudo o que estava acontecendo", disse McCartney com orgulho - uma referência às pressões e diferenças que os separavam desde o Álbum Branco - "ainda tínhamos um grande respeito um pelo outro, mesmo nos momentos mais terríveis".

Os Beatles gravaram o medley em vários momentos, fora de ordem, durante as sessões de julho e agosto de 1969 para Abbey Road. "Mean Mr. Mustard" era do início de 1968. A persistente histeria da Beatlemania apareceu em "She Came in Through the Bathroom Window", inspirada por uma fã mais empolgada. Mas o coração emocional da suíte eram as calamidades financeiras que estavam consumindo toda a energia dos Beatles e prestes a leva-los à falência. Lennon foi o personagem principal na contratação de Allen Klein, ex- gerente de negócios dos Rolling Stones, para equilibrar os livros e o caos na Apple Corps; McCartney queria que a banda contratasse Lee e John Eastman, pai e irmão de Linda. McCartney admitiu que "You Never Give Me Your Money era eu atacando diretamente a atitude de Allen Klein para conosco - só promessas, e nunca cumpridas". Posteriormente, em "Golden Slumbers" e "Carry That Weight" (a primeira com versos copiados de uma antiga canção de ninar publicada em 1603), McCartney voltou ao tema da exaustão. "Geralmente sou bastante otimista", disse ele, "mas em certos momentos as coisas me afetam tanto que simplesmente não consigo mais estar otimista, e esse foi um desses momentos. 'Carregue esse peso por muito tempo' - como para sempre".
A alternância de solos de guitarra em "The End" nasceu de um brainstorm da banda. Harrison achava que um break de guitarra daria um bom clímax. Lennon sugeriu que ele, Harrison e McCartney trocassem links. McCartney disse que iria primeiro. Vindo depois do solo de bateria de Ringo, o revezamento bombástico - com Harrison no meio e Lennon no final - foram gravados ao vivo em uma única tomada, uma última explosão de irmandade natural de uma banda á beira de sua separação. "Eu não sabia na época que era o último disco dos Beatles que faríamos, mas parecia que estávamos chegando ao fim da linha". Disse Harrison sobre Abbey Road. Ringo Starr afirmou: "Surgida das cinzas e de toda a loucura, aquela última gravação foi uma das melhores coisas que fizemos”.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

THE BEATLES - STRAWBERRY FIELDS FOREVER - 1967

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Os Beatles passaram o último mês de 1966 trabalhando quase unicamente em uma única canção, o nostálgico hino de John Lennon em homenagem a Strawberry Fields, um orfanato do Exercito da Salvação, na esquina do quarteirão onde ele havia crescido. Como era a mais complexa gravaçao dos Beatles até então, eles recorreram ao talento, à engenhosidade e ao arsenal de George Martin para gravar "Strawberry Fields Forever". A música tinha começado como uma simples balada acústica, mas à medida que o arranjo em grupo evoluía, ela assumiu um tom mais grave, de que John, observando as atividades de alguns grupos californianos, particularmente gostava. Os Beatles gravaram 26 tomadas diferentes, de versões em grupo a arranjos orquestrais e tomadas experimentais, e de algum modo, George Martin conseguiu cumprir o objetivo de John de refinar todas elas até obter um clássico complexo, multifacetado e atemporal. O compacto simples foi lançado em 17 de fevereiro de 1967, com "Penny Lane" - outro clássico, do outro lado. Os críticos logo aclamaram as duas músicas, e ao longo dos anos "Strawberry Fields Forever" só fez crescer, alcançando um status lendário. Aos olhos de muitos, é a mais preciosa faixa de vinil de todos os tempos. E quando avaliada em conjunto com o curta-metragem promocional feito no mesmo ano, o impacto é eletrizante. Nunca houve um conjunto de imagens que evocasse uma era de maneira tão concisa.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

THE BEATLES - SOMETHING - 1969 ⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐

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THE BEATLES - POP GO THE BEATLES - 1963

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Em 1963, os Beatles estavam no meio de seu ano mais cansativo de turnês até então; tocavam em concertos, muitas vezes dois ou até três num mesmo dia, apareciam sempre na TV e estavam no rádio o tempo inteiro. E em maio, ganharam seu próprio programa de rádio, Pop Go the Beatles. O programa era semanal e os Beatles tinham que tocar seis ou sete músicas para cada episódio. Pop Go the Beatles obrigou a banda a se aprofundar ainda mais em seu repertório. Durante os 15 episódios do show, eles tocaram várias músicas diferentes, a maioria covers, incluindo muitas que nunca gravaram para a EMI. Cada episódio tinha três componentes principais. Haveria uma banda convidada (muitas vezes outro grupo do Mersey Sound, como The Searchers ou os Hollies). Os Beatles interagiriam com o apresentador Lee Peters (que pelas costas, chamavam-no de “Pee Liters”) e tocariam algumas músicas. Nem todo mundo gostou do show. Como observa Mark Lewisohn em seu Complete Beatles Chronicle, um relatório da BBC estima que 5,3% da Grã-Bretanha ouviram, ou cerca de 2,8 milhões de pessoas, o que era típico do horário - mas o público não gostou tanto quanto a maioria dos outros programas. Pontuou abaixo de uma média de 52 em 100 no índice de apreciação. O show durou 15 semanas, terminando em setembro de 1963. Em dezembro, os Beatles tiveram seu próprio show novamente, desta vez chamado "From Us To You”. Grande parte do material do programa Pop Go the Beatles se encontra nos álbuns duplos da BBC, volumes 1 e 2.

JOHN LENNON - BEEF JERKY - 1974 ⭐⭐⭐⭐⭐

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A instrumental “Beef Jerky” (algo como “Carne Seca”), foi composta e gravada por John Lennon entre julho e agosto de 1974 e lançada no álbum Walls And Bridges, primeiramente em 23 de setembro de 1974 nos EUA, e em 4 de outubro de 1974, no Reino Unido“Beef Jerky” foi também lançada como lado B do single “Whatever Gets You Thru The Night” – único single de John Lennon em vida, a alcançar o #1 nos EUA.
“Beef Jerky”  é um funk pesado com bases de blues, recheado de riffs de guitarras irregulares e um arranjo bem arrojado. O riff de guitarra central foi criado por Lennon a partir de uma demo caseira gravada em 1973 que acabou se tornando “Tight A$”, do álbum Mind Games em novembro de 1973. Lennon também já tinha feito uma guitarra parecida em Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey, gravada pelos Beatles em 1968 para o álbum branco. Da gravação de “Beef Jerky” participaram: John Lennon, guitarra líder; Jesse Ed Davis, guitarra; Klaus Voormann, baixo; Arthur Jenkins, percussão; Jim Keltner, bateria; Bobby Keys, Steve Madaio, Howard Johnson, Ron Aprea, e Frank Vicari, metais. Sobre “Beef Jerky”, Lennon disse: "Eu gosto desta porque eu não canto, e posso ficar ouvindo sem ouvir minha voz o tempo todo".

MERSEY BEAT - THE BEATLES TOP POLL - 1962

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No dia 4 de janeiro de 1962, a primeira página do jornal “Mersey Beat” de Liverpool,  entrou para a história. É, com certeza uma das páginas mais reproduzidas e imitadas na história do jornalismo. Na capa, os Beatles (ainda com Pete Best) e em letras garrafais a chamada: "Beatles Top Poll!”Os Beatles no topo da lista!
Quando os Beatles voltaram de Hamburgo para Liverpool, estavam prestes a se tornar a banda mais popular da cidade. Muito se deve a ajuda de Bill Harry, criador do jornal "MERSEY BEAT" que começou a ser publicado, com sua primeira edição sendo lançada dia 6 de julho de 1961 com os Beatles na capa. Bill Harry, amigo de Stu e John desde o tempo da escola de artes, foi outro nome que surgiu em um momento decisivo na carreira da banda. Seu jornal, tratando somente sobre a cena musical de Liverpool, ajudou (e muito!) a divulgar e espalhar o nome dos Beatles pela cidade e todo o norte da Inglaterra. Logo, Lennon estaria contribuindo com o jornal mandando pequenas histórias, geralmente usando o pseudônimo de the Beatcomber.

GEORGE HARRISON - MYSTICAL ONE - 1982 ⭐⭐⭐⭐⭐

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A repetição da dobradinha de George Harrison com Ray Cooper, e a convocação de Phil McDonald para se juntar ao time de produtores, foi responsável por mais esse grande disco, bastante uniforme, com o pop-rock prevalecendo em quase todas as 10 faixas. Poucas exceções são "I Really Love You", e a instrumental "Greece", que também são ótimas. O misticismo continua forte na música de Harrison. "That's The Way It Goes" traz versos como "Há um fogo que queima as mentiras / manifestado no olho espiritual", enquanto "Mystical One" fala das experiências transcendentais do ex-Beatle. Outra que segue esta linha - principalmente pelos vocais no início da música, que lembram um mantra - é "Dream Away", que foi a música-tema do filme "Time Bandits" estrelado por Sean Connery em 1981. "Wake Up My Love" é uma das canções mais conhecidas do disco, que conta com a participação do tecladista do Deep Purple, Jon Lord, entre outros. Gone Troppo foi lançado pela primeira vez em 1982, e foi tão massacrado pela crítica que George Harrison optou por não promover o disco, que acabou passando quase despercebido pelo público. Além de leves e descontraídas, as canções do álbum contam com a participação de Billy Preston e Mike Moran nos teclados, Herbie Flowers no baixo, Jim Keltner, Ray Cooper e Henry Spinetti na bateria e percussão. O repertório inclui os singles "Wake Up My Love", mais comercial, e "Greece", além da deliciosa "That´s The Way It Goes". Mas o grande destaque do disco, fica mesmo por conta de "Mystical One" - momento insuperável de Harrison."Mystical One" é a sexta música do décimo álbum solo Gone TroppoA letra da música mostra Harrison "mais feliz que um salgueiro", contemplando a vida em silêncio e encontrando contentamento na "doce serenidade" de um outro não identificado. Pode ser Deus, sua família ou uma combinação de tudo o que lhe era caro. A gravação de "Mystical One" ocorreu entre 5 de maio a 27 de agosto de 1982. Gone Troppo foi lançado em 5 de novembro de 1982 (Reino Unido), 8 de novembro de 1982 (EUA).

terça-feira, 28 de julho de 2026

PAUL McCARTNEY - DAYS WE LEFT BEHIND - 2026 ⭐⭐⭐⭐⭐

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A balada "Days We Left Behind", acústica e de pegada nostálgica, é a terceira faixa de "The Boys of Dungeon Lane", o novo disco de Paul Mccartneylançado no dia 29 de maio. Em "Days We Left Behind", McCartney recorda a juventude em Liverpool, citando "bares esfumaçados e guitarras baratas", entre outras memórias. "Porque nada permanece igual/ E ninguém precisa chorar/ E ninguém tem culpa/ Pelos dias que deixamos para trás", ele canta.

"Days We Left Behind" foi lançada com um vídeo contendo a letra da canção e imagens antigas em preto e branco. Entre elas, há um registro de McCartney com John Lennon, seu amigo, parceiro e antigo companheiro nos Beatles.
McCartney lançou o single em um programa de rádio da BBC, no qual fez comentários sobre a canção. "Compositores e escritores em geral —de onde mais vocês podem tirar inspiração além do passado? "Quer dizer, você pode usar o presente, mas ainda assim há muito do passado nisso. Então, enfim, isso é o passado, sabe —são muitas lembranças de Liverpool para mim, e isso inclui um pouco sobre o John no meio." Ele também escreveu sobre a nova música em comunicado, dizendo que "sem dúvida, é uma canção de memórias para mim". "O título do álbum, ‘The Boys of Dungeon Lane’, vem de um verso desta música. Eu estava pensando exatamente nisso, nos dias que deixei para trás, e muitas vezes me pergunto se estou escrevendo apenas sobre o passado. Mas aí penso: Como posso escrever sobre qualquer outra coisa? São apenas muitas lembranças de Liverpool".
McCartney ainda comenta sobre um verso em que fala de "John [Lennon] e Forthlin Road, que é a rua onde eu morava. Dungeon Lane fica perto dali. Eu morava em um lugar chamado Speke, que é bem operário. A gente não tinha quase nada, mas não importava porque todo mundo era ótimo e a gente nem percebia que não tinha muita coisa".
"The Boys of Dungeon Lane", disco que McCartney fez co-produzido com Andrew Watt, foi o primeiro álbum do músico desde "McCartney III", que saiu em dezembro de 2020 e foi produzido somente pelo próprio ex-beatle durante a pandemia.
Com 14 faixas, o disco é apresentado como "seu álbum mais introspectivo até hoje, levando o ouvinte de volta ao início de tudo". Essas novas canções extraordinárias mostram Paul escrevendo com rara franqueza sobre sua infância na Liverpool do pós-guerra, a resiliência de seus pais e as primeiras aventuras compartilhadas com George Harrison e John Lennon, muito antes de o mundo sequer ter ouvido falar da Beatlemania. Assim como em toda sua carreira, ‘Dungeon Lane’ é musicalmente eclético e mostra Paul explorando uma variedade de instrumentos e estilos, demonstrando sua ampla musicalidade. Há rock no estilo Wings, harmonias no estilo Beatles, grooves no estilo McCartney, intimidade discreta, narrativas guiadas pela melodia, canções sobre personagens - o fio condutor sendo Paul". McCartney fez o disco em sessões em Los Angeles e Sussex espalhadas ao longo dos últimos cinco anos. A obra nasceu depois do encontro com Andrew Watt, em 2021. Além de álbuns pop recentes, como "Mayhem", de Lady Gaga, o produtor tem se destacado por produzir discos de veteranos do rock, casos de "Hackney Diamonds", dos Rolling Stones, e "Ordinary Man", de Ozzy Osbourne.

O texto de apresentação de "The Boys of Dungeon Lane" ainda dá detalhes do encontro de McCartney com Watt. "Enquanto dedilhava o violão durante a reunião, Paul se deparou com um acorde que nem ele mesmo - o compositor vivo de maior sucesso no mundo - reconheceu", diz o texto. "Sem se deixar abalar e impulsionado por sua natureza experimental, Paul continuou alterando uma nota após a outra, até chegar a uma sequência de três acordes - que Watt sugeriu que gravassem. Dessa sessão nasceu a faixa de abertura do álbum, ‘As You Lie There’. Encorajado por seu novo produtor, Paul desenvolveu a nova faixa, tocando a maioria dos instrumentos - muito no espírito de seu álbum de estreia solo de 1970, ‘McCartney’". Além de "Days We Left behinhd" Dungeon Lane tem mais duas baladas lindas: "First Star of The Night", com direito a beijinho de Paul no final e "Salesman Saint", que ganharão postagens próprias em breve. Só aqui.

domingo, 26 de julho de 2026

THE BEATLES - I'LL FOLLOW THE SUN - 1964 🌞🌞🌞🌞

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“I’ll FollowThe Sun” é a 5ª música do lado 1 do álbum Beatles For Sale, depois de "Rock and Roll Music" e antes de "Mr. Moonlight". É creditada a Lennon e McCartney, mas foi escrita somente por Paul ainda nos tempos da Fortlhin Road em 1959 e acabou guardada.

Beatles For Sale, lançado em 4 de dezembro de 1964, trazia oito faixas compostas por Lennon e McCartney, uma faixa de Chuck Berry (Rock And Roll Music), uma de Leiber e Stoller ("Kansas City"), uma de Little Richard (Hey Hey, Hey - Kansas City), uma de Buddy Holly ("Words Of Love") e duas de Carl Perkins (Honey Don't e Everybody's Trying To Be My Baby), todas gravadas às pressas perto do fim das sessões. "Ainda existem uma ou duas de nossas primeiras músicas que valeria a pena gravar. De tempos em tempos lembramos de algumas das boas que escrevemos no começo, e uma delas, “I’ll FollowThe Sun”, está no álbum", disse Paul McCartney à Mersey Beat na época.
Para Steve Turner, escritor e pesquisador, o contraste entre as visões que Lennon e McCartney tinham sobre a vida e o amor não poderia ser maior. Enquanto John normalmente se via como vítima, Paul demonstrava ter controle total de sua vida. Em "If I Fell"John pedia uma promessa de que o amor duraria. Em “I’ll FollowThe Sun”Paul sustenta que essa garantia não é possível. Ele sabe que nuvens negras podem aparecer em seu relacionamento, então decide apenas seguir o sol. Mesmo sendo uma canção um tanto egoísta, por não levar em consideração como a garota abandonada pode encontrar sua própria luz do sol, era um reflexo exato da vida romântica que Paul mantinha com Jane Asher.

“I’ll FollowThe Sun”, foi uma das canções mais doces de Paul, influenciada por Buddy Holly, a quem estava tentando copiar na época. Ele a compôs na sala da frente da Forthlin Road, e lá mesmo ela ficou. Então, em outubro de 1964, quando estavam desesperados por material novo para o álbum, Paul retomou essa antiga criação.
Ele a compôs pouco depois da morte de Buddy Holly, e havia uma onda de interesse por ele, que fez com que quatro singles do músico estourassem na Inglaterra. Em “I’ll FollowThe Sun”, é fácil detectar o efeito disso no jovem Paul McCartneyHolly era uma influência significativa para os Beatles porque, ao contrário de Elvis, escrevia todas as suas canções e tinha uma banda de apoio permanente e identificável. John (que era míope) sentia-se estimulado pelo fato de um cantor que usava óculos poder se tornar um astro do rock, e o nome dos Beatles foi inicialmente inspirado pelos Crickets, de Holly.
“I’ll FollowThe Sun” foi gravada em 18 de outubro de 1964, e lançada na Inglaterra no álbum Beatles For Sale em 4 de dezembro de 1964 e nos Estados Unidos em 15 de dezembro no álbum Beatles '65. Foi gravada no estúdio da EMI e produzida por George Martin tendo Norman Smith como engenheiro. Paul McCartney canta, toca baixo e violão; John Lennon faz backing vocals e toca guitarra; George Harrison toca guitarra e faz o belo solo e Ringo Starr faz percussão. Além deBeatles For Sale” e Beatles '65“I’ll FollowThe Sun” aparece também no álbum On Air – Live At The BBC Volume 2”.

PAUL McCARTNEY - HOPE OF DELIVERANCE - 1992 ⭐⭐⭐

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O single de "Hope of Deliverance" com "Long Leather Coat" do lado B, foi lançado por Paul McCartney em 28 de dezembro de 1992 e "Hope of Deliverance" também apareceu como a terceira faixa de seu nono álbum solo de estúdio, Off the Ground, lançado em 2 de fevereiro de 1993. Alcançou o número 18 no UK Singles Chart e se tornou um dos cinco maiores sucessos na Áustria, Canadá, Alemanha, Itália, Noruega e Suíça. Foi gravada durante sessões para o élbum, que ocorreram em 17 de julho de 1992. Em "Hope of Deliverance"McCartney continua a abraçar visões calorosas e positivas neste primeiro vislumbre de Off the Ground. Com um arranjo suave e ancorado à acústica, um ritmo alegre e as influências culturais espanholas e os ritmos de bater palmas dão à faixa uma vibração única e refrescante. O videoclipe oficial de "Hope of Deliverance" foi dirigido pelo diretor britânico Andy Morahan. Paul McCartney: violão, baixo, guitarra e vocal; Linda McCartney: autoharp e backing vocals; Hamish Stuart: violão e vocal de apoio; Robbie McIntosh: guitarra; Blair Cunningham: backing vocals e percussão; Paul "Wix" Wickens: piano, programação de bateria, percussão e backing vocals; David Giovannini: percussão; Dave Pattman: percussão; e Maurizio Ravalico: percussão.

GEORGE HARRISON - GOT MY MIND SET ON YOU - 1987 ⭐⭐⭐⭐⭐⭐

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THE BEATLES CARTOON - A HARD DAY'S NIGHT ⭐⭐⭐

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

THE BEATLES - HAPINESS IS A WARM GUN - 1968 ⭐⭐⭐

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A genial "Happiness Is a Warm Gun" é uma canção dos Beatles, do seu Álbum Branco de 1968. Foi escrita por John Lennon e creditada à parceria Lennon-McCartney, claro. Lennon derivou o título de um artigo na revista American Rifleman e explicou que a letra era um duplo sentido para armas e seu desejo sexual por Yoko OnoPara compor a música, John Lennon costurou três pedaços de composições que já tinha começado, mas não pareciam ir a lugar algum. A primeira era uma série de imagens aleatórias de uma noite de ácido com Derek Taylor, Neil Aspinall e Pete Shotton na casa que Taylor estava alugando. E é o próprio Derek Taylor quem conta boa parte dos segredos por trás dos versos de "Happiness".
"John disse que tinha escrito metade de uma música e queria que nós ajudássemos com frases. Primeiro, ele queria saber como descrever uma garota muito esperta, e eu lembrei de uma expressão de meu pai que dizia: “She's not a girl who misses much” (ela não é uma garota que perde muita coisa). Parece um elogio fraco, mas em Merseyside, naqueles dias, não havia nada melhor. Depois eu contei a história de um sujeito que Joan, minha esposa, e eu conhecemos no Carrick Bay Hotel na Isle of Man. Já era tarde da noite, nós estávamos bebendo no bar, e um cara que gostava de conhecer turistas e de bater papo de repente nos disse: 'Sabe, eu gosto de usar luvas de pele. Elas dão uma sensação diferente quando saio com minha namorada'. Depois disse: 'Não quero entrar em detalhes'. E não perguntamos. Mas isso gerou o verso 'she's well acquainted with the touch of the velvet hand' (ela conhece bem o truque de uma mão aveludada). 'Like a lizard on a window pane' (como uma lagartixa no vidro da janela), para mim, era o símbolo de um movimento bem rápido. Muitas vezes, quando morávamos em Los Angeles, era só olhar para cima que víamos pequenas lagartixas correndo na janela. “The man in the crowd with multicoloured mirrors on his hobnail boots” (o homem no meio da multidão com espelhos multicoloridos em suas botas de taxa) veio de algo que li no jornal sobre um torcedor de futebol de Manchester City que foi preso pela polícia por colocar espelhos na biqueira do sapato para poder ver por baixo da saia das garotas. Achamos que era uma maneira incrivelmente complicada e tortuosa de obter um prazer barato, então se tornou 'multicoloured mirrors' e 'hobnail boots' para encaixar na melodia. Um pouco de licença poética. A parte de “Tying with his eyes while his hands were working over time” (descansando com os olhos enquanto as mãos estão fazendo hora extra) veio de outra matéria, sobre um homem que sempre andava de capa e tinha mãos de plástico. Ele as apoiava no balcão das lojas enquanto, sob a capa, roubava coisas e as enfiava em um saco que estava enrolado na cintura. Não sei de onde saiu “soap impression of his wife” (uma impressão ‘lavada’ da esposa), mas a parte de comer algo e depois doar para o 'NationalTrust' veio de uma conversa que tivemos sobre os horrores de andar em lugares públicos em Merseyside, onde você sempre se deparava com evidências de que pessoas haviam defecado atrás de arbustos e em antigos abrigos antiaéreos. Doar o que você comeu para o National Trust (organização britânica que visa manter as belezas do interior do país) é o que hoje chamaríamos de 'defecar em áreas públicas do National Trust'. Quando John juntou tudo, criou camadas de imagens. Era como uma grande confusão de cores".

A segunda parte começa com "I need a fix, 'cause I'm going down" (Eu preciso de uma dose, pois estou afundando) tanto era uma referência sobre o desejo sexual de Lennon para com Yoko Ono, que tinha um papel maternal e dominador na vida de John, como também era uma clara referência ao seu problema com a heroína durante as gravações, apesar de Lennon ter declarado que não usava através de injeção. A seringa também seria uma arma quente porque é uma coisa que faz ele se sentir bem mesmo sendo algo que o faz mal, como uma arma mesmo. Então entra a estranha figura da Madre Superiora que dispara o gatilho.
Outra alusão ao seu desejo sexual por Yoko Ono é, "When I hold you in my arms / And I feel my finger on your trigger / I know nobody can do me no harm / because happiness is a warm gun, momma" (Quando eu te seguro em meus braços / e eu sinto o meu dedo em seu gatilho / eu sei que ninguém pode me fazer mal / porque a felicidade é uma arma quente, mamãe).

A parte final, que dá título à música, foi inspirada por algo que George Martin mostrou a John em uma revista americana sobre armas. Havia uma chamada na capa que dizia "Felicidade é uma arma quente", um trocadilho óbvio com o livro de 1962 do cartunista do Snoopy, Charles Schulz, ‘Happiness is a Warm Puppy’. A justaposição aparentemente bizarra de assassinato e prazer instigou a imaginação de John na época. "Eu pensei, que coisa fantástica de dizer: uma arma quente significa que você acabou de atirar em alguma coisa"Apesar das críticas mistas recebidas pelo Álbum Branco em seu lançamento, "Happiness Is a Warm Gun" foi bem recebida pela crítica musical, que destacou a complexidade da estrutura e da letra da canção. Todos os quatro Beatles a consideravam sua música favorita do álbum. Ela foi banida pela BBC devido à sua letra com conotação sexual.