quarta-feira, 19 de agosto de 2026

JOHN LENNON AND BOB DYLAN, LONDON, 1966


Em maio de 1966, John Lennon e Bob Dylan haviam se tornado os únicos candidatos sérios ao recém-criado título de "Porta-voz de uma Geração". No auge de suas capacidades criativas, cada um dos dois buscava se libertar de suas próprias reputações, criando músicas sem precedentes. Dylan, que havia expandido a própria definição de canção pop com "Like a Rolling Stone" em julho do ano anterior, acabara de concluir o extenso álbum duplo Blonde On Blonde. O inovador Revolver, dos Beatles, só seria lançado no final do verão, mas as gravações começaram semanas antes com "Tomorrow Never Knows", de Lennon, uma faixa que misturava letras filosóficas com toques psicodélicos e uma produção ousada e inovadora. As únicas imagens conhecidas de Dylan e Lennon juntos foram filmadas durante este ano fantasticamente produtivo. Mas, em vez de registrar um encontro artístico de altíssimo nível, a câmera capturou os delírios incoerentes de duas estrelas do rock visívelmente chapadas, passeando por Londres no banco de trás de uma limusine com motorista.
A cena foi filmada em 27 de maio de 1966 pelo diretor D.A. Pennebaker como parte de "Eat the Document", uma sequência de seu documentário de 1965, Don't Look Back, que havia narrado a primeira turnê de Dylan pela Inglaterra. O músico estava insatisfeito com a abordagem em preto e branco do filme anterior e optou por dirigir ele mesmo o novo documentário da turnê. Essa segunda passagem pelo Reino Unido provou ser ainda mais agitada do que a do ano anterior, graças ao uso controverso de sua guitarra elétrica, que provocou um alvoroço danado. Mas, em vez de se concentrar nessas performances eletrizantes e momentos de bastidores, Dylan filmou cenas surreais improvisadas com membros de sua equipe.
Uma dessas imagens mostrava Dylan e John Lennon passeando pelo Hyde Park, em Londres, em 27 de maio de 1966, depois de uma noite na casa do Beatle nos arredores da cidade. Enquanto Bob Neuwirth, associado de Dylan, cuidava do som, Pennebaker filmava.
“Eles tinham uma relação engraçada desde o início”, lembrou o cineasta em uma entrevista de 1999 para a revista Gadfly“Nessa cena em particular, era como se estivessem tentando inventar algo para mim que fosse divertido de alguma forma, mas ao mesmo tempo estavam fazendo isso um para o outro”. Pessoas menos benevolentes chamariam o diálogo de um balbucio incompreensível sob efeito de drogas. Dylan, em particular, estava em péssimo estado. “Não era exatamente uma conversa”, diz Pennebaker. “Dylan estava tão fora de si e em um estado tão terrível que, depois de um tempo, acho que ele não sabia o que estava dizendo”Completamente desprovido de lógica, o diálogo se desenrola como uma rotina de comédia dadaísta que precisa ser vista para ser acreditada, mas nunca totalmente compreendida. Eles abordam o motivo pelo qual os ingleses derrotaram Hitler na Segunda Guerra Mundial (resposta: o Rio Tâmisa), a saudade de casa, jogos de beisebol e figuras da cena musical contemporânea – incluindo The Mamas and the Papas, Johnny Cash, um grupo inglês de folk-rock chamado Silkie e os próprios companheiros de banda de Lennon.

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