A última vez que Alvaro Ortega apareceu aqui foi em 7 de setembro de 2013. Quem não viu, vê agora. Quem já viu, vê de novo, oras! O espanhol Alvaro Ortega é um artista, ilustrador e músico há mais de 30 anos. Trabalha em jornais, revistas, histórias em quadrinhos, publicidade, animação e qualquer outro meio gráfico que possa expressar sua arte. Publicou dezenas de histórias em quadrinhos, obras de arte, gravuras, cartazes, capas de discos e animações e todas as formas de mídia que se imaginar, tanto em seu país quanto internacionalmente. No mundo da animação, em 2006, começou a fazer uma coleção de clipes de filmes temáticos em torno dos Beatles, sempre fazendo várias colaborações com bandas covers dos Beatles, principalmente "Los Escarabajos" que já apareceram aqui na também animação de Ortega para“Where Have You Been (All My Life)”. Muitas dessas animações estão disponíveis no canal de Ortega no YouTube, um artista brilhante e sem iguais! Vale muito à pena fazer uma viagem pelo psicodélico mundo de Alvaro Ortega: www.alvarortega.com
De todas as versões que os Beatles gravaram de outros artistas, "Please Mr. Postman" do álbum "With The Beatles" é, de longe, minha preferida, embora também adore as versões que fizeram dos rockões de Larry Williams. Toda vez que ouço "Please Mr. Postman", lembro de uma história que aconteceu comigo há muito, muito tempo quando eu era bem mais jovem, aprendiz de beatlemaníaco e tinha somente dois discos: Help e os Reis do Ié ié Ié. Um dia, eu e minha irmã Marília estávamos de carona no fusquinha da mamãe, indo para a aula de inglês. Então, no rádio, começou a tocar "Please Mr. Postman" com os Beatles. Fiquei em êxtase, pois nunca tinha ouvido aquela matadora versão dos Beatles. Já tinha ouvido com os Carpenters, mas a cover dos Beatles quase me matou! Nem sequer sabia o nome da música que, assim que terminou o locutor disse: "ouvimos os Beatles com Please..." e por causa do converseiro da minha mãe com minha irmã, não consegui ouvir o resto. E aquilo ficou na minha cabeça: "Please... o quê?". Assim que consegui juntar dinheiro para comprar mais um disco, corri para a "Discodil" e fui procurar um disco dos Beatles que tivesse uma música com o título "Please alguma coisa". Então peguei o "Please Please Me". Ora, se tinha o título e uma música com "please", só podia ser ele. Tomado pela emoção, nem entrei na cabine para ouví-lo. Comprei e corri para casa. Era um disco fantástico que só tinha um defeito: não tinha "Please Mr. Postman"! Depois que descobri que seu nome era "Please Mr. Postman" e que estava no álbum "With The Beatles", demorou quase um ano para poder comprá-lo, mas toda vez que ia à Discodil, ficava horas na cabine ouvindo só "Please Mr. Postman".
Please Mr. Postman foi lançada originalmente como single da banda The Marvelettes, o primeiro grupo vocal feminino da Motown a fazer sucesso, alcançar a posição de número 1 na Billboard. foi gravada também pelos Beatles em 1963 e pelos Carpenters em 1974. A gravação das Marvelettes teve a cantora Gladys Horton como solista, e conta a história de esperança que o carteiro traga uma carta de seu namorado, que está ausente. A gravação original teve o acompanhamento da banda The Funk Brothers, incluindo Marvin Gaye na bateria. Durante oito anos, as Marvelettes emplacaram 19 canções no Top 40 de R&B e dez no Top 10 Pop norte-americanos. O sucesso das Marvelettes precedeu a de outros grupos femininos da Motown, como Martha and the Vandellas e The Supremes, de Diana Ross. Os créditos da composição de "Please Mr. Postman" parecem ter mudado ao longo dos anos. A versão original é creditada tendo "Dobbins / Garett / Brianbert", como compositores, e "Brianbert" como produtor. No álbum dos Beatles é creditada apenas a Brian Holland. O livro de toda a discografia dos Beatles de 1974, All Together Now, a música acabou sendo creditada a Holland, Bateman e Berry Gordy. Em 1992, o box set Hitsville E.U.A. Motown: The Singles Collection tem Dobbins, Garrett, Holanda, Bateman e Gorman como compositores. A partir de 2006 no Hall da Fama, aparece como compositores creditados de "Please Mr. Postman", apenas Holland, Bateman e Gorman.
A gravação das Marvelettes teve a cantora Gladys Horton como solista, e conta a história de esperança que o carteiro traga uma carta de seu namorado, que está ausente na guerra. A gravação original teve o acompanhamento da banda The Funk Brothers, incluindo Marvin Gaye na bateria. Os créditos da composição de "Please Mr. Postman" parecem ter mudado ao longo dos anos. Na versão original constam como "Dobbins/Garett/Brianbert", como compositores, e "Brianbert" como produtor. No álbum dos Beatles é creditada apenas a Brian Holland. No livro com toda a discografia dos Beatles de 1974, All Together Now, a música acabou sendo creditada a Holland, Bateman e Berry Gordy. Em 1992, o box set Hitsville E.U.A. Motown: The Singles Collection, tem Dobbins, Garrett, Holanda, Bateman e Gorman como compositores. A partir de 2006 no Hall da Fama, aparecem como compositores creditados de "Please Mr. Postman", apenas Holland, Bateman e Gorman. A versão dos Beatles de Please Mr. Postman foi gravada em nove tomadas com John arrasando (como sempre!) nos vocais principais, na mesma sessão "Till There Was You" em 30 de julho de 1963. John Lennon inverte o sexo da namorada, colocando-se no papel de protagonista. Mais tarde, uma outra versão foi gravada pelos Carpenters em 1975. Essa regravação trouxe de volta ao 1º lugar na Billboard Hot 100, em janeiro daquele ano.
Em 1971, John Lennon conseguiu o sucesso que tanto precisava como artista-solo, com o álbum "Imagine", embora nunca tenha alcançado o primeiro lugar (curiosamente, só depois de sua morte). A faixa-título tornou-se um hino da paz no mundo inteiro. "Paz" essa que o próprio Lennon nunca viveu e nem experimentou, e que, neste álbum, deliberadamente ataca, de forma escancarada Paul McCartney na 8ª canção do disco "How Do You Sleep". John Lennon diz com todas as letras que a música que Paul faz é "muzak" (canções tocadas em elevador) para seus ouvidos e que a única coisa que Paul fez de bom foi "Yesterday", e que desde que os Beatles foram pro espaço, suas músicas são fracas como "Another Day"("The only thing that you done was 'yesterday'... and since you're gone you're just 'Another Day'). Na época, o álbum "Imagine" vinha recheado de brindes, com um belíssimo encarte, um pôster e uma foto em que John parodiava o álbum "Ram" de McCartney, segurando as orelhas de um porco. John alegou que Paul sempre o atacava sutilmente em seus discos (Paul admitiu que tinha feito referências a John no disco Ram) e que "How Do You Sleep" era uma resposta clara a essas provocações. Para o trauma ser ainda maior, Lennon, convocou para tocar a guitarra nessa musica, nada mais, nada menos, que um dos poucos amigos que ainda tinha (?): George Harrison que também era desafeto de Paul por causa da conturbada relação com Allen Klein. A letra, composta paralelamente, na mesma viagem de "Gimme Some Truth", faz ataques ao ex-amigo de todas as formas. Alguns até passavam despercebidos. "Those freaks was right when they said you was dead, The one mistake you made was in your head" - Aqueles malucos estavam certos quando disseram que você estava morto, o único engano que você cometeu foi dentro de sua cabeça. "Você vive com certinhos que dizem que você é rei". E por aí vai. "Um rosto bonito pode durar um ano ou dois, mas não demora e verão do que você é capaz". "O som que você faz é muzak para os meus ouvidos". "Você deveria ter aprendido algo todos esses anos". Em uma revisão contemporânea de “Imagine”, Ben Gerson, da Rolling Stone, destacou "How Do You Sleep?" entre os três "números musicalmente efetivos e valiosos do álbum", mas a considerou "horripilante e indefensável como uma música que "prejudica a personalidade, a família e a carreira de Paul". Escrevendo para o NME, Alan Smith disse sobre a faixa: "Musicalmente, é tremenda - aberta, grande, poderosa, trovejante, dramática - mas esta é uma música que será lembrada por seus versos...".
No ano passado o “Primus” (quem?) excursionou com o “Dinosaur Jr” (quem?), e quem também tocou nos shows foi a banda “Ghost of a Saber Tooth Tiger” (quem?) , que conta com Sean Lennon (quem?). Ao que tudo indica os encontros nos bastidores foram frutíferos e uma nova parceria surgiu a partir desses momentos na forma do “The Claypool Lennon Delirium”. Trata-se de um novo grupo do filho de John Lennon com Les Claypool (quem?), baixista e vocalista desse tal de Primus. Uma música chamada “Cricket And The Genie” foi disponibilizada e pode ser ouvida logo abaixo. O novo grupo é uma das atrações confirmadas para o festival de Bonnaroo (quem?) em 2016.
Sem a menor sombra de dúvida, “Maybe I'm Amazed” é uma das músicas mais completas de Paul McCartney, e também, uma das mais bonitas. Curiosamente, por conta de brigas com Klein, Apple e os Beatles, não foi lançada como single, na época do lançamento do seu 1º álbum – “McCartney” nem na Inglaterra e nem nos States, mas apareceu como single na França e na Alemanha. Somente em 1977, foi lançada como single ‘oficialmente’, numa versão ao vivo extraída do sensacional álbum triplo “Wings Over America”. “Maybe I'm Amazed” foi composta em Londres, para Linda, numa época que McCartney vivia numa tremenda angústia pela iminente separação dos Beatles, e ganhou o status de ser a primeira canção transformada em videoclipe de sua carreira solo, utilizando fotografias tiradas por Linda, com produção executada por Charlie Jenkins, o filme debutou nos EUA no tradicional The Ed Sullivan Show, onde os Beatles se apresentaram nos States pela primeira vez em Nova York, em fevereiro de 1964. Assim, como em todo o restante do álbum, em “Maybe I'm Amazed”, McCartney toca todos os instrumentos: contra-baixo, órgão Hammond, piano, bateria, três guitarras, violão e percussão. Linda McCartney faz alguns poucos backing vocals. Foi gravada e mixada no estúdio II da EMI, em Abbey Road, no dia 22 de fevereiro de 1970, junto com “Every Night”. “Maybe I'm Amazed” teve boas execuções nas rádios e chegou a ser elogiada pelo ex-colega de banda George Harrison, embora seus comentários tenham sido depreciativos sobre todo o resto do álbum. John Lennon, claro, detestou. Aqui, a gente confere “Maybe I'm Amazed” em três momentos: no filme “caseiro” da época, a versão “ao vivo” do “Wings Over America” e uma versão bem bacana com o “Faces” de Rod Stewart e companhia. Aquele abraço!
Arthur Alexander nasceu em Florence, no Alabama em 10 de maio de 1942. Morreu em Nashville, em 13 de junho de 1993 com 51 anos. Alexander foi um músico americano inicialmente influenciado pelos estilos Country e Soul. Suas canções foram gravadas por artistas como The Beatles, The Rolling Stones, Bee Gees e Elvis Presley. Teve um estilo suave, extremadamente melódico, como nas composições "Anna (Go to Him)" e "Soldier of love", ambas gravadas pelos Beatles e "You better move on", gravada pelos Rolling Stones. Tornou-se uma das grandes lendas do Rock and roll de todos os tempos.
Escrita pelo próprio Arthur Alexander, “Anna” foi lançada em 17 de setembro de 1962 pela Dot Records. A versão cover matadora gravada pelos Beatles foi lançada em 1963, no álbum “Please Please Me”. A versão original de Alexander, chegou ao número 68 dos charts pop e número 10 dos charts de R&B. Apesar do título ser “Go to him”, a letra diz “Go with him”.
A versão dos Beatles foi gravada em 11 de fevereiro de 1963, em tres takes e lançada em 22 de março de 1963, produzida por George Martin. A canção foi escolhida pra gravação e repertório dos Beatles pois era uma das canções preferidas de John Lennon. George Harrison tocou guitarra no lugar do piano tocado por Floyd Cramer na versao original de Arthur Alexander e a bateria de Ringo é muito semelhante à versão original de Alexander, porém os vocais de John alucinam e adicionam uma dor de tortura que não está presente na versão de Alexander. As harmonias vocais de Paul e George também dão um toque extra maravilhoso na canção. Os Beatles gravaram “Anna” duas vezes ao vivo na BBC. Uma em 17 de junho de 1963 e outra em primeiro de agosto. No Brasil, “Ana” foi gravada por Renato & Seus Blue Caps”, em 1964. Aqui, a gente confere X versões: umprimeiro, a original de Alexander, depois um mixezinho bem legalzinho De Alexander e os rapazes, os Beatles - a versão do Please Please Me (minha preferida) e por último, a versão do álbum "The Beatles - On Air Live at the BBC Volume 2". Valeu, Ana!
"The Originals" foi uma banda brasileira formada em 2005 por ex-integrantes das superbandas "The Fevers", "Renato e seus Blue Caps" e "Os Incríveis", famosa por dar arranjos originais para novas roupagens de sucessos da jovem guarda. Fez trilha sonoras para as novelas da rede Globo "A Lua Me Disse", "Ciranda de Pedra", "Ti Ti Ti" e "Guerra dos Sexos". Lançaram três CDs e DVDs. Aqui a gente confere a belíssima "A Primeira Lágrima", clássico e megasucesso inesquecível de Renato Barros e Seus Incríveis Blue Caps. Aquele abração!
"One, two, three, four - tosse - one, two..." - Esse é o início de "Taxman". A primeira e única canção composta por George Harrison a abrir um disco dos Beatles - o álbum "Revolver" lançado em agosto de 1966. Foi também a primeira composição escrita por Harrison a fazer uma crítica social. É um ataque verbal à figura do Taxman (auditor-fiscal). O vocal é de Harrison, com vocais de fundo e em harmonia de Paul e John. A música é tão incisiva quanto a letra, com um riff de guitarra carregado de energia, sempre no ataque. Foi composta depois que Harrison descobriu estar no grupo do "imposto complementar" britânico, o que significava na época pagar 19 xelins e 3 pence (96 pence) de cada 20 xelins (uma libra) em impostos. Foi sugerido que o tema da série de televisão Batman pode ter sido uma influência - o "taxman" (homem do imposto) no final da canção guarda uma semelhança com o refrão da música-tema de "Batman".
Até 1966, a programação da turnê dos Beatles tinha sido tão exaustiva que não havia tempo para examinar as contas em detalhes. Quando eles começaram a fazê-lo, descobriram que não tinham tanto dinheiro quanto imaginavam. "Na verdade, estávamos perdendo a maior parte (do nosso dinheiro) em forma de impostos", contou George. "Era, e ainda é, típico. Por que deveria ser assim? Estamos sendo punidos por algo que esquecemos de fazer?" Ironicamente, à luz de sua posterior conversão, quando passou a enfatizar a futilidade das coisas materiais, George sempre foi o Beatle que mencionava o dinheiro quando perguntavam sobre suas ambições.
John afirmou depois que teve uma participação na composição de "Taxman" e ficou magoado que George tenha deixado de mencionar isso em sua autobiografia, "I Me Mine". John declarou que recebeu um telefonema de George enquanto a estava escrevendo. "Soltei comentários jocosos para ajudar a música a avançar, porque foi isso o que ele pediu. Eu não queria, mas como eu o amava, mordi a língua e falei 'tudo bem'. Ele disse.
A versão gravada certamente é melhor em relação ao esboço de George, em que "get some bread" rimava com "before you're dead". Nos primeiros takes, os backings do refrão eram "Anybody gotta lotta money/anybody gotta lotta money/ anybody gotta lotta money?", cantado em uma velocidade muito alta, mas foi modificado para fazer menção ao primeiro-ministro Wilson e ao líder da oposição Edward Heath.
Os Beatles com o futuro Primeiro Ministro Sir Edward George Heath
Os dois políticos compartilhavam a distinção de serem as primeiras pessoas vivas mencionadas em uma letra dos Beatles. Apesar de nunca terem conhecido Heath, eles encontraram Wilson (que também vinha do norte do país) em diversas ocasiões, e cada um recebeu uma comenda de Membro do Império Britânico. Os Beatles — quatro jovens empreendedores que basicamente vinham de famílias operárias — eram o tipo de pessoas que Wilson queria encorajar como parte de sua visão de uma nova Grã-Bretanha sem classes sociais.
Mr. Wilson - o Primeiro Ministro
Quando o monge trapista, poeta e líder espiritual Thomas Merton ouviu "Taxman" e escreveu em seu diário (10 de junho de 1967): "Taxman", dos Beatles, está passando pela minha cabeça. Eles são bons. Boa batida. Independência, sagacidade, insight, voz, originalidade. Eles têm prazer em ser os Beatles, e eu não me ressinto do fato de que sejam multimilionários, porque isso faz parte. Eles têm de brigar mesmo com esse sorrateiro homem dos impostos".
A participação de Paul foi providencial e matadora. Na faixa, ele dá uma verdadeira aula de baixo, além de fazer os solos de guitarra espetaculares. Participaram da gravação: George Harrison - vocal principal e guitarra; John Lennon - backing e gutarra base; Paul McCartney – backing, baixo e guitarra solo; Ringo Starr – bateria e tamborins. George Martin foi o produtor e Geoff Emerick o engenheiro de som.
Para fechar com chave de ouro, a gente conferiria "Taxman" em três momentos: com os Beatles (mas não foi possível!), com George Harrison e Eric Clapton ao vivo no Japão; com Tom Petty And The Heartbreakers no "Concert For George."
Marco Túlio disse: "Edu, 'Os Beatles em Chorinho" já apareceu aqui? É demais, cara!
Edu disse: Já, Marco Túlio. A última vez foi em novembro de 2010. Claro que os links pros downloads não estão mais funcionando. Abração e obrigado pela participação! Volte sempre. A casa agradece! Confira: THE BEATLES "N" CHORO - SENSACIONAL!
“Toda vez que morre uma grande estrela do Rock, a gente se sente mais morto um pouquinho também”. Confessso que nunca fui fã e sequer tinha algum disco dele. A verdade é que não gostava mesmo, talvez porque não entendesse. Nos anos 1970, eu vivia o auge de minha beatlemania, e cada disco que conseguia, tinha de escolher bem. Como fã dos Beatles, para cada um que comprava, ainda restavam zilhões que eu não conhecia, e que passavam a ser prioridade pra mim. Assim, bandas como os Doors, Led Zepelin, Queen e Who, e artistas como Hendrix e o próprio Bowie, acabaram quase despercebidamente de propósito, passando por mim, com a minha eterna negligência dizendo para o universo: “um dia, pode ser que eu tenha tempo para isso”. Talvez, esse tempo tenha chegado agora. Esta semana, o mundo foi surpreendido pela notícia da morte de Bowie. Como não acompanhava sua carreira, nem ao menos sabia que estava doente, mas também me entristeci e lamentei.
David Bowie, nome artístico de David Robert Jones, nasceu em Brixton, Londres, em 8 de janeiro de 1947, e morreu em Manhattan no dia 10 de janeiro de 2016 com 69 anos. Foi cantor,compositor, ator, produtor musical e um dos maiores ícones do rock nos anos 70.
Por vezes referido como "Camaleão do Rock" pela capacidade de sempre renovar sua imagem, tem sido uma importante figura na música popular há cinco décadas e é considerado um dos músicos populares mais inovadores e ainda influentes de todos os tempos, sobretudo por seu trabalho nas décadas de 1970 e 1980, além de ser distinguido por um vocal característico e pela profundidade intelectual de sua obra. Sua morte, causou uma comoção em todo o mundo e, confesso, me surpreendi com o tamanho da repercussão que causou.
Yoko Ono, viúva do ex-beatle John Lennon, prestou sua homenagem a David Bowie, em seu site oficial, ela escreveu: “John e David se respeitavam muito um ao outro. Eles combinavam em intelecto e em talento. Tínhamos poucos amigos e sentia que Bowie era da família. Estava sempre por perto”. Ela ainda complementou: “Bowie tornou-se um tipo de figura paterna para nosso filho, Sean, após a morte de John. Quando Sean estava no colégio interno na Suíça, David ia buscá-lo e levá-lo, e também iam a museus juntos. Para Sean, perder outra figura paterna será difícil, eu sei. Mas temos muitas lembranças doces que vão ficar conosco para sempre”.
Sean Lennon também prestou homenagem em seu Instagram: “Absolutamente devastado com a notícia. Eu me sinto tão sortudo por ter considerado você um amigo. R.I.P. e obrigado por tudo”.
Paul McCartney disse: "Irei sempre lembrar as ótimas risadas que tivemos ao longo dos anos. Sua estrela vai brilhar no céu para sempre", postou o ex-beatle no Facebook. O baterista Ringo Starr também se manifestou: "Deus abençoe David Bowie, paz e amor para toda sua família", disse, em sua conta no Twitter.
A cantora Madonna afirmou nas redes sociais que estava "devastada" pela notícia. "Este grande artista mudou a minha vida! Primeiro show que já vi em Detroit! Descanse em paz".
O cantor Iggy Pop, amigo e parceiro nos anos 1970, quando teve seu primeiro disco solo, "The Idiot" (1977) produzido por Bowie, afirmou que a amizade com o cantor "foi a luz da minha vida". "Eu nunca conheci uma pessoa brilhante assim. Ele foi o melhor que existiu", divulgou em seu Twitter.
Os Rolling Stones divulgaram uma nota em que diziam estarem "chocados" e "extremamente tristes. Assim como era um homem maravilhoso e gentil, era um artista extraordinário e verdadeiramente original".
Aqui, a gente confere o incrível texto do nosso amigo maestro João Carlos de Mendonça, publicado na coluna Sábado Som de 12 de janeiro de 2016.
“Não há mistérios na vida e na arte de David Bowie. Nem mesmo na alcunha eterna, CAMALEÃO. O magrelo suburbano londrino desde que adotou o acordeão, passando para o saxofone e posteriormente as guitarras, sempre deu sinais do que pretendia ou, o que não pretendia ser. Afinal, paralelo à música começou a fazer teatro e gastou um bom tempo estudando e aprendendo mímica. Todos estes elementos se agregariam de forma simbiótica à sua arte desde então. Antes, porém, militou em várias bandas do circuito “underground” inglês, sem sucesso e de 67 a 69 lançou, já como David Bowie, vários “singles” ainda sem atingir o grande público. Bowie era a novidade, mas uma novidade difícil, pois seu som embora influenciado pela onda psicodélica em voga, continha pitadas de outras vertentes musicais. A guinada veio em 1969 com a música “SPACE ODDITY”, que ele estrategicamente lançou na véspera da chegada do homem à lua, atingindo de imediato as paradas européias e abrindo as portas da América, alavancando o álbum que veio em seguida (agora considerado um dos melhores do R&R), onde misturava budismo tibetano, cinema, teatro, muita encenação e amor. À medida que sua arte ganhava o mundo, Bowie fazia questão de se aproximar de colegas que, como ele, iniciavam carreiras, bem como dos já então estabelecidos no mundo da música, tanto os influenciando, como bebendo em suas fontes.
Já com MICK RONSON pilotando as guitarras, “THE MAN WHO SOLD THE WORLD” marcaria definitivamente o estilo que passou a ser denominado como “glam rock” ou “glitter”(na verdade o bom e velho R&R com visual andrógeno). Em 1972 ao retornar dos EUA, Bowie foi pra RCA, e com a preciosa colaboração de sua esposa Angela (Angie) passaria a mais que teatralizar, incorporar definitivamente os personagens que criava em seus discos. “HUNKY DORY” (com as músicas CHANGES e LIFE ON MARS) e com seu disco mais simbólico, “THE RISE AND FALL OF ZIGGY STARDUST AND THE SPIDERS FROM MARS” (ainda considerado a capa mais “bicha” do rock) atingiria o mundo de forma definitiva. O personagem, uma figura bissexual vinda de Marte para assumir a condição de “superstar”, encarnado de forma fantástica nos palcos, de fato o elevaria à condição de mito do pop. Um álbum repleto de clássicos, entre estes a icônica faixa STARMAN. Desde então, ficou fácil chamá-lo de CAMALEÃO, porque na medida em que ia finalizando um trabalho, ainda nos estúdios, começava a elaborar o próximo (e já com outros climas e personagens). Ainda mais ao trabalhar com LOU REED no icônico disco TRANSFORMER, de Lou, com Iggy Pop, com a banda MOTT THE HOOPLE e com seu “rival” amigo MARC BOLAN do T. REX. E em plena turnê de ZIGGY pelos EUA, com a sua persona bombando nas mídias, Bowie surpreenderia a todos (inclusive seus músicos) ao anunciar o fim da fase Ziggy Stardust. Afinal, ALADIN SANE já estava pronto para ser lançado, todavia ele embarcou para a França para urdir mais um clássico, que inesperadamente reunia apenas “covers” de outros artistas e de várias fases. PIN-UPS é uma pérola surpreendente, particularmente pela deliciosa versão do Camaleão para “SORROW”. Este álbum fecharia este ciclo.
O que viria então? Bowie mudou-se pros EUA e mergulhou de cabeça nos ritmos e sentimentos da música americana com o imprescindível YOUNG AMERICANS, cuja música título chegaria ao topo, mas, antes alcançaria pela 1ª vez as paradas com “FAME”, sua parceria com Lennon (também nos vocais e guitarras). Assim resolveu fixar residência em Los Angeles e deu um tempo para participar de 3 filmes enquanto elaborava outra jóia: STATION TO STATION ( seu personagem agora era o THIN WHITE DUKE) com o hit “Golden Years”, que já apresentava sons “eletrônicos” e cuja excursão o levou à Alemanha, onde resolveu fixar residência, embevecido por Berlim. Note-se que nestas alturas, o guitar hero MICK RONSON pulara do barco já que os xodós de David Bowie então eram o mago dos estúdios e dos modernos sons “tecnos”, BRIAN ENO e o não menos votado TONY VISCONTI. Essas parcerias renderam 2 álbuns antológicos. “LOW” e “HEROES”, cheios de experimentações e de inspiração surrealista, além dos sucessos “Sound And Vision” e a comovente faixa título “HEROES”. Este último, também com a presença do fantástico guitarrista ROBERT FRIPP. Eis a tão evocada “TRILOGIA DE BERLIM”. Nesta fase, nada era mais “IN” do que Bowie. Citá-lo em filmes, peças e livros era algo obrigatório e a garotada “por dentro” tinha de curtir seu som. Desde então, o Camaleão virou ícone e atravessou décadas com o mesmo prestígio e qualidade de sempre. Entretanto, nada disso nunca o deslumbrou. Continuou sereno, consciente de seu papel, como um ator veterano da cena musical. Reduziu sua produção de novidades, mas sempre que aparecia, tinha o que dizer e o fez com a categoria renovada. Por isso tudo, leva o respeito e a admiração que sempre mereceu. Nunca misturou o David Bowie com o David Bowie.
Na sexta-feira, dia 8 de janeiro de 2016, Bowie celebrou seu aniversário de 69 anos lançando seu último álbum, “BLACKSTAR”. No domingo, dia 10 de janeiro de 2016, voltou pra Marte”.
Paul McCartney, Mick Jagger e Elton John vão participar ao lado de outros 20 artistas de um concerto-tributo em homenagem a David Bowie, em Nova York, nos Estados Unidos. O show já estava agendado antes da morte do cantor e seria em homenagem aos 69 anos do músico. Porém, após a morte, ele foi alterado para um tributo que será realizado no dia 31 de março no Carnegie Hall. Em comunicado oficial, os organizadores do evento comentaram sobre a morte de Bowie. "A morte inesperada de David Bowie transformou esta homenagem na qual trabalhamos nos últimos sete meses em um tributo". Os organizadores também lamentaram a morte. "Estamos profundamente tristes por esta notícia. O momento da abertura de vendas para o público ganhou um timing bizarro. Este show ficou ainda mais emotivo. Descanse em paz David e que o amor de Deus esteja com você".
"In My Life" é uma das mais belas canções dos Beatles. Composta por John Lennon, mas creditada à Lennon & McCartney, aparece no álbum Rubber Soul. A canção, absolutamente genial, tornou-se uma das músicas mais famosas dos Beatles, executada e regravada até hoje por vários artistas e presente até em comerciais por todos os cantos do planeta. Com nostalgia, John lembra pessoas e lugares que desempenharam papel importante no seu passado. "In My Life" é contida com estilo em um clima sereno, e remete a "Penny Lane" e "Strawberrry Fields Forever". George Martin disse que Lennon simplesmente chegou e falou: "toque como Bach". O arranjo de piano ao estilo barroco que Martin fez para o solo instrumental era rápido demais para ser tocado por ele; por isso, gravou-o na metade da velocidade, uma oitava abaixo, e depois acelerou a gravação para encaixá-lo no ponto certo da faixa. Após a separação dos Beatles, na famosa entrevista à revista Rolling Stone, John Lennon afirmou que compôs a música praticamente sozinho com uma pequena contribuição de Paul McCartney. Paul no entanto disse que não só ajudou na composição do começo ao fim como a melodia também era sua. Seja como for, o que realmente importa é que é mais um clássico do Beatles, de Lennon & McCartney e uma das mais lindas de todas. All my life... Forever. Até o fim!