domingo, 9 de agosto de 2020

ESPECIAL DIA DOS PAIS - OS PAIS DOS BEATLES

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Esta superpostagem sobre os pais dos Beatles foi publicada no dia 10 de agosto de 2014. Hoje, Especialmente em homenagem a todos os pais novos ou velhos, que passam sempre por aqui ou não. Feliz Dia dos Pais! Tudo o que eu mais queria era poder dar um beijo e um abração no meu. Valeu!
O pai de John Lennon, Alfred Lennon, nasceu em Liverpool em 14 de dezembro de 1912. Após a morte de seu pai, Jack Lennon, de doença hepática em 1921, Alfred, com nove anos de idade, foi colocado na Escola Bluecoat para órfãos, onde permaneceu até os quinze anos. Ao sair da escola, conseguiu um emprego como auxiliar de escritório, e foi durante este período que ele conheceu Julia Stanley - 14 anos de idade na época - em Sefton Park. Tempos depois, contra a vontade da família de Julia (o pai e a irmã Mimi), eles se casaram em 3 de dezembro de 1938. Trabalhando na Marinha Mercante, Alfred passava pouco tempo em casa e vivia em longas vigens pelo Meditarrãneo, Norte de África e das Índias Ocidentais e a família de Julia cobrava-lhe que deveria ter um emprego fixo em terra firme junto à família. Durante um curto período, tentou arrumar alguma coisa mas não conseguiu e voltou para o mar. Julia já estava grávida. John Winston Lennon nasceu em 9 de outubro de 1940, na enfermaria do segundo andar do Hospital Maternidade Oxford Street, em Liverpool. Alf só viu o filho pela primeira vez em novembro, quando ele apareceu depois de trabalhar como marinheiro mercante no transporte de tropas durante a Segunda Guerra MundialDurante seus períodos de ausência, sempre enviava parte do seu pagamento para ajudar Julia que morava com seu filho em Newcastle (casa da família Stanley). Alf, ocasionalmente, voltava para Liverpool, mas não para ficar por muito tempo quando embarcava de novo. Essa ajuda parou quando Alf desapareceu sem licença em 1943. Nem Julia nem a Marinha Mercante sabia do seu paradeiro. Julia, por sua vez, começou a sair para se divertir nas noites e conheceu um soldado galês chamado "Taffy" Williams. Alf se culpou por isso, pois, em suas cartas, dizia a ela que havia uma guerra e devia sair e se divertir. Julia seguiu o seu conselho, e muitas vezes dava para seu filho um pedaço de chocolate ou uma bobagem qualquer na manhã seguinte, já que ela tinha saido na noite anterior. Ficou grávida de Williams no final de 1944.
Quando Alf finalmente apareceu em casa em 13 de janeiro de 1945, ele se ofereceu para cuidar de Julia, do seu filho e do bebê que estava esperando, mas Julia rejeitou a ideia. Alf levou o pequeno John para a casa de seu irmão Sydney, num subúrbio de Liverpool - Maghull, poucos meses antes do nascimento da criança de Julia. A menina, Victoria, foi posteriormente doada para adoção (depois de intensa pressão do pai de Julia e da família) para uma família norueguesa. Então, Julia conheceu Bobby Dykins e foi viver com ele, mas depois de uma considerável pressão de Mimi - que por duas vezes há havia contatado o Serviço Social de Liverpool querendo a guarda de John, que dormia na mesma cama onde ela e o amante transavam. Julia relutantemente entregou o cuidado de seu filho a Mimi.Em julho de 1946, Alf visitou a casa de Mimi em Menlove Avenue e levou o pequeno John (agora com 5 anos) para Blackpool para umas ‘longas férias’ mas secretamente sua intenção era fugir para a Nova Zelândia com ele. Julia e Dykins descobriram e foram para Blackpool, e depois de uma discussão acalorada, Alf fez o menino escolher entre Julia ou ele. John escolheu Alf (duas vezes) e, em seguida, Julia foi embora, mas no final John, chorando, a seguiu. Alf perdeu contato com a família até a explosão da Beatlemania, quando ele e John se encontraram novamente.
Em 1958, quando Alf estava trabalhando com Charlie Lennon no Restaurante Celeiro, em Solihull, seu irmão Sydney lhe enviou um recorte de jornal do Liverpool Echo relatando que Julia tinha morrido. Alf entristecido deixou Solihull e mudou-se para Londres. Alf não fez nenhuma tentativa real para entrar em contato John novamente até os Beatles já serem famosos (dizendo que ele não sabia que John era um dos Beatles). Ele estava trabalhando como carregador de cozinha no Hotel Greyhound em Hampton, sul de Londres, quando alguém apontou uma fotografia de John Lennon em um jornal e perguntou se havia alguma relação entre eles. Quando os Beatles estavam filmando uma cena de “A Hard Day’s Night” no Teatro Scala, no Soho, em abril de 1964, Alf entrou no escritório de Brian Epstein na NEMS em Argyle Street com um jornalista. "Eu sou o pai de John Lennon", explicou a recepcionista. Quando Epstein foi informado, "entrou em pânico", e imediatamente enviou um carro para trazer John até o escritório da NEMS. Alf foi mal vestido, cabelo grisalho despenteado, aparência péssima. Ele estendeu a mão para John, mas John não retribuiu, dizendo: "O que você quer?". Alf respondeu: "Você não pode virar as costas para sua família, não importa o que eles fizeram". A conversa não durou muito tempo, com John logo ordenando que Alf e o jornalista fossem retirados do escritório. Poucas semanas depois, a esposa de John, Cynthia abriu a porta em Kenwood (sua casa em Weybridge) para um homem que "parecia um vagabundo", mas, de forma alarmante, tinha o mesmo rosto de John. Cynthia convidou Alf, e deu-lhe chá e biscoitos até John chegar em casa. Enquanto esperavam, Cynthia se ofereceu para cortar o cabelo e acertar as costeletas de Alf, o que ele permitiu que ela fizesse. Depois de esperar por um par de horas, Alf foi embora. John ficou muito irritado quando soube de sua visita. Mais tarde, ele cedeu um pouco. Alf foi contatado e poderia aparecer de vez em quando. Depois do Natal, em 1965, John tinha vergonha de ouvir que Alf tinha feito uma gravação: "Essa é Minha Vida" (That's My Life, My Love e My Home)”, lançado em dezembro de 1965. John pediu a Brian Epstein para fazer qualquer coisa para impedir que saísse ou que se tornasse um hit. Não vendeu nada. Em 1966, "Freddie Lennon" tentou novamente, e gravou mais três singles. Esses discos também não venderam nada. Hoje, um exemplar original de "Essa é Minha Vida", vale uma verdadeira fortuna.
Três anos depois do primeiro encontro com John no escritório da NEMS, Alf apareceu novamente em Kenwood, com sua noiva Pauline Jones, uma garota de 18 anos. Alf perguntou a John se ele poderia dar a Pauline um trabalho, de modo que ela foi contratada para ajudar a cuidar de Julian Lennon e também das pilhas de cartas de fãs. Pauline passou alguns meses morando em Kenwood no quarto do sótão. Alf e Pauline se mudaram para um apartamento em Patcham (um subúrbio de Brighton), Alf teve dois filhos com Pauline: Henry David Lennon e Robin Francis LennonJá no final da vida, Alf escreveu um manuscrito detalhando a história de sua vida que ele deixou para John. Foi a tentativa de Alf para preencher os anos perdidos quando ele não tinha estado em contato com o seu filho e explicar que foi Julia, e não ele, que havia acabado seu casamento. Em 1976, Alfred foi diagnosticado com câncer de estômago. Pauline procurou John via Apple Corps para se certificar de que ele sabia que seu pai estava morrendo. John enviou um grande buquê de flores para o hospital e ligou para Alf em seu leito de morte, pedindo desculpas por seu comportamento no passado. Alfred Lennon morreu em 1 de abril de 1976. Em 1990, Pauline publicou um livro chamado "Daddy, Come Home", detalhando sua vida com Alf e seus encontros com John. Pauline se casou novamente, e agora é conhecida como Pauline Stone.
James McCartney, o pai de Paul, conhecido apenas como Jim, nasceu em Everton, Liverpool, em 7 de julho de 1902, filho de Joe McCartney e Florença. Jim tinha dois irmãos e três irmãs. Uma queda feia aos 10 anos, resultou em um tímpano rompido, mas isso não o impediu de aprender a tocar piano sozinho. Começou a trabalhar com 14 anos como atendente em A. Hanney & Co, corretores de algodão de Chapel Street, Liverpool, onde recebia seis xelins por semana. Aos dezessete anos, começou a tocar ragtime e fez sua primeira aparição pública com uma banda no Salão de Vine Street. Eles se chamavam de Melody Makers Masked e usavam máscaras pretas. Foi durante este período que Jim escreveu um número instrumental chamado "Eloise". Com 28 anos, ele foi promovido para o cargo de vendedor e seu salário deu uma boa melhorada.
Em abril de 1941, com 39 anos, ele se casou com Mary Mohin na Igreja de St. Mohin Swithin em West Derby, em Liverpool e eles mudaram-se para uma casa em Anfield. O casal teve dois filhos, Paul e Michael. A fábrica de algodão foi fechada durante os anos de guerra e Jim foi trabalhar em Napier, uma firma de engenharia que produzia motores para o avião Sabre. Durante a noite, ficava de plantão como bombeiro voluntário. No final da guerra, ele encontrou trabalho como inspetor do no Departamento de Limpeza e depois retornou ao seu emprego na fábrica de algodão.

Os McCartney receberam uma casa da prefeitura em Forthlin Road 20, Allerton, onde os meninos passaram a juventude. Estavam morando em Forthlin Road fazia pouco tempo quando Mary começou a sentir dores no seio. As dores continuaram por 3 ou 4 semanas, desaparecendo e voltando, e ela pôs a culpa na menopausa. Falou com vários médicos, e eles concordaram com ela, aconselhando-a que procurasse esquecer. Mas as dores continuaram, cada vez mais fortes. Mary então decidiu procurar um especialista. Ele diagnosticou câncer. Operaram e ela morreu. Tudo aconteceu no espaço de um mês após ela ter sentido as primeiras dores realmente sérias.Paul lembra-se que fez um comentário maldoso logo que ficou sabendo. Disse "O que iremos fazer sem o dinheiro dela?". Arrependera-se durante meses de ter falado isso. Mas era verdade. Mary sempre ganhara mais do que Jim como parteira. Mas duas das irmãs dele ajudaram muito. Logo após a morte de Mary, Mike e Paul foram morar com Tia Jinny por uns tempos. Depois, uma delas vinha, uma vez por semana, a Forthlin Road, limpar a casa devidamente. Mas Jim estava arrasado, sentindo muito a falta da mulher. Teve então que confiar muito nos rapazes. O irmão de Paul, Michael, pensa que houve uma influência direta da morte de sua mãe sobre Paul. "Foi logo após a morte da mamãe que começou sua obsessão por guitarras. Tomou toda a sua vida. A gente perde a mãe e encontra uma guitarra? Não sei. Talvez tenha vindo naquela época e se tornou uma fuga". Sobre Jim, Michael comentou: "nós dois devemos muito a ele. Ele é um homem muito bom, e muito teimoso... teria sido fácil para ele ter ido embora quando minha mãe morreu, ou ter saído e ficar bêbado toda noite. Mas ele não fez. Ele ficava em casa e cuidou de nós". Em 1964, Paul disse ao pai para se aposentar e lhe comprou uma bela casa no Baskervyle Road, Heswall, Cheshire, por £ 8,750.

Para homenagear o pai, Paul também fez uma canção em Nashville com o título "Walking in The Park Com Eloise". Jim voltou a casar em 24 de novembro de 1964 com uma viúva, Angela Williams. Nos 10 anos seguintes, Jim tornou-se debilitado pela artrite e teve que se mudar para um bangalô mais próximo. O velho Jim McCartney morreu em 18 de março de 1976, de complicações pulmonares. Paul não teve tempo de visitá-lo nem de ir ao funeral. Estava em excursão com o Wings.

O nome do primeiro filho de Paul (homem) também é James, Jim, filho de Linda, seguindo a tradição. Quando Paul começou a ganhar dinheiro com os Beatles, chegou em casa e e disse ao pai que ele não precisaria mais trabalhar. O velho Jim disse que foi o dia mais feliz de sua vida!
Harold Hargreaves Harrison, nasceu em Liverpool em 28 de maio de 1909. Era filho de Henry Harrison e Thomson Jane. Seu pai foi morto na Primeira Guerra Mundial e sua mãe teve que criar vários filhos sozinha. Harold deixou a escola aos 14 anos para se tornar um garoto de entrega. Com 17 foi para o mar. Ele se juntou à linha White Star, que servia em navios de cruzeiro. Em 1929, durante uma de suas viagens para casa, ele conheceu sua futura esposa, Louise, enquanto ela estava trabalhando em uma mercearia de Liverpool, pediu o endereço dela e começou a escrever regularmente. Eles se casaram em 20 de maio de 1930. Longas viagens marítimas não estavam propícias para a vida de casado e ele deixou o mar em 1936, para passar 15 meses desempregado antes de encontrar um trabalho como motorista de ônibus. Harold e Louise viviam na área do Liverpool Wavertree, Speke, onde seus quatro filhos, Louise, Harry, Peter e George, nasceram. A vida social de Harold girava em torno da Corporação do Centro de Condutores e Motoristas de Liverpool. Ele se tornou um líder sindicalista e também mestre de cerimônias nas noites de sábado no Depot Speke Social Club, do qual ele era presidente. Ele e Louise também davam aulas de dança de salão no clube há mais de dez anos.
Em 1 de janeiro de 1959, Harold e toda a família foram assistir a apresentação de um grupo “The Quarry Men”, do qual, seu filho caçula era guitarrista no Salão Wilson do clube social na festa de Natal. Quando os Beatles explodiram internacionalmente, Harold e Louise estiveram particularmente perto de fãs, recebendo-os em sua casa e respondendo todas as cartas que chegavam para George por correio.

Em 1965, George perguntou ao pai quanto ele ganhava como motorista de ônibus. Harold disse-lhe o seu salário ainda era de 10 libras por semana, então George se ofereceu para pagar-lhe 50 por semana, para que ele se aposentasse mais cedo. George comprou para os pais, uma bela casa em Appleton. Louise morreu de câncer em 1970. George estava a seu lado. Harold continuou a visitar George em Friar Park e, ocasionalmente, viajou com ele em excursões e passeios como na excursão americana de 1974.

Chis O'Dell, Harold e Pattie
Depois de uma vida inteira fumando sem parar, Harold Harrison morreu de câncer do pulmão em maio de 1978. Aliás, toda a família de George Harrison foi dizimada por essa doença: ele, os irmãos, o pai e a mãe Louise. Com exceção de Louise, a filha, que ainda está viva.
Esta foto é jóia. Se clicar nela, acho que amplia um pouco. Em primeiro plano aparecem: Harold, Pattie e George. Lá atrás, Paul, Linda, Ringo e John. Estranhamente, a figura de Yoko Ono não aparece na foto. Estaria agachada?
Harold Harrison também aparece na capa interna do álbum 33&1/3.
A saga da vida de Ringo, começou de forma bem mais difícil em comparação com os outros, que vinham das classes média (John) e operária (Paul e George). Ringo era “comum, pobre”, um caso de vida dura. “Ele não era uma criança maltrapilha, descalça”, lembra Marie Maguire Crawford, vizinha e espécie de irmã postiça de Ringo. “Mas, assim como todas as famílias que moravam em Dingle, travava uma luta permanente para sobreviver”.

Quando Richard Starkey casou-se com Elsie Gleave em 1936, formou seu lar muito próximo da casa onde foi criado, em Dingle, bairro pobre de Liverpool. Eles se conheceram numa padaria, onde Richard trabalhava. Richard Starkey Jr., em homenagem a seu pai (uma tradição da classe trabalhadora da época), nasceu em 7 de julho de 1940. Alguns meses depois do seu nascimento, as coisas começaram a sair dos eixos. Richard (pai) pai, substituído pelo filho, se afastou cada vez mais da família. Tornou-se um boêmio e pouco ficava em casa. Depois de algum tempo, se divorciaram. O pequeno Richie estava com três anos.

Algumas histórias afirmam que Starkey saiu de Liverpool e foi para o mar em um dos luxuosos navios de passageiros que atracavam em Liverpool; outras, que ele se casou novamente e se estabeleceu “do outro lado da água”, Em Wirral. O mais provável, porém, é que Richard tenha permanecido perto do trabalho. Ringo o viu poucas vezes depois que foi embora. Pouco se sabe sobre ele desde então. Em 1980, o Daily Express publicou uma matéria sobre ele, na época, limpador de janelas. Sobre Ringo, ele disse: "Ele está muito bom, o rapaz. Desejo boa sorte para ele, mas ele não me deve nada”. Quem souber qualquer coisa sobre Richard Starkey (o pai), conte pra gente. Elsie casou-se novamente com Harry Graves, que fez o que pôde para trazer mais conforto à vida de Richie.
Ringo, Elsie e o padrasto Harry Graves em 1964
Para encerrar, a gente confere Alfred Lennon - O pai de John lançou seu primeiro e único single em 1965. Em "That's My Life", que foi composta pelo próprio Fred e pelo seu “manager” Tony Cartwright. A canção tem sons do mar (Fred era marinheiro), a voz tem a característica típica de John e é mais falada do que cantada em tom “country”. Conta a história da vida dele. "That's My Life", existe em CD, editado em 1993 na coletânea dupla “The Piccadilly Story” pela Sequel Records. Na época em que foi lançada, para tentar evitar constrangimentos, John, já um grande astro, tentou impedir o lançamento da música, mas sem sucesso.

E aqui, "Walking In The Park With Eloise", a bonita homenagem que Paul fez para seu pai. Abração, aproveite bem o seu pai!

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

THE BEATLES – ANTHOLOGY – OS ÁLBUNS, A SÉRIE E O LIVRÃO - ESPETACULAR!✶✶✶✶✶✶✶✶✶✶

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O projeto Anthology dos Beatles, foi sem dúvida alguma, o trabalho mais extraordinário e espetacular já feito sobre os quatro fabulosos de Liverpool desde que o grupo se dissolveu em abril de 1970. Porquê? Porque foi feito pelos próprios.

Pela primeira vez, a história dos Beatles foi contada pela própria banda, com declarações em primeira pessoa. A série “The Beatles Anthology”, é composta por 3 cd’s duplos, uma caixa com 5 dvd’s, e um livro enorme de quase 400 páginas. O trabalho de garimpar fotos e declarações começou em 1987, e só se tornou realidade porque Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr e Yoko Ono resolveram suas questões judiciais e pessoais para que tudo fosse realizado sem a ameaça do projeto ser interrompido ou abortado. Os três remanescentes junto com Yoko Ono, contribuíram abrindo seus arquivos pessoais, disponibilizando fotos inéditas e dando declarações que até então eram desconhecidas do grande público. As palavras ditas por Jonh Lennon foram pinceladas de entrevistas concedidas durante os anos 60 e 70.
A série de documentários foi transmitida pela primeira vez em novembro de 1995, com versões ampliadas lançadas em VHS e LaserDisc em 1996 e em DVD em 2003. O documentário usou entrevistas com os Beatles e seus associados para narrar a história da banda, como pode ser visto nas gravações e performances de arquivo. O livro “Antology”, foi lançado em 2000, paralelo ao documentário na apresentação da história do grupo através de citações de entrevistas.
O volume inicial do conjunto de álbuns (Anthology 1) foi lançado na mesma semana da data de lançamento do documentário, com os dois volumes subsequentes (Anthology 2 e Anthology 3) lançados em 1996. Eles incluíam performances inéditas e outtakes apresentadas em ordem cronológica, junto com com duas novas músicas baseadas em fitas demo gravadas por Lennon após o término do grupo: "Free as a Bird" e "Real Love", ambas produzidas por Jeff Lynne.
Aproximadamente coincidindo com o lançamento do single "Free as a Bird" e do álbum Anthology 1, a série de documentários The Beatles Anthology foi transmitida pela ITV no Reino Unido e pela televisão ABC nos Estados Unidos em 1995. A série assume uma forma semelhante à do livro Anthology, por ser uma série de relatos em primeira pessoa dos próprios Beatles, sem nenhuma narração "objetiva" externa. Além de contar sua história através de imagens de arquivo, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr aparecem em segmentos de entrevistas gravados exclusivamente para a série; John Lennon aparece apenas em imagens históricas de arquivo. As esposas dos Beatles, passadas e presentes, não aparecem (excluindo imagens de arquivo como o vídeo da Índia e o videoclipe da música de Harrison "Something").
A série, que incluiu mais de cinco mil horas de planejamento e produção, é composta por vários clipes de filme e entrevistas que apresentam uma história completa da banda a partir das perspectivas pessoais dos Beatles. Quando foi ao ar na ABC, a série compreendeu seis horas de programa, transmitidas em três noites em novembro de 1995. Mais tarde, foi lançada, como oito episódios expandidos, em VHS, laserdisc e em um conjunto de cinco DVDs (4 discos com 2 episódios cada e um disco de extras).

A parte 1 da série atraiu 17 milhões de famílias, significando uma média de 27,3 milhões de espectadores, o que era muito melhor do que o habitual para a ABC na época, mas estava por trás da maioria das transmissões de Friends na NBC, que em sua segunda temporada teve uma média de 29,4 milhões de espectadores por episódio.

Para acompanhar a série Anthology, três álbuns foram lançados, cada um contendo dois CDs ou três LPs de vinil de material dos Beatles quase nunca lançado (as exceções são o material da era Tony Sheridan), embora muitas das faixas tenham aparecido em bootlegs por muitos anos antes.
Dois dias depois que o primeiro especial de televisão da série foi ao ar, o Anthology 1 chegou às lojas e incluía músicas gravadas pelos Quarrymen, as famosas fitas de audição da Decca Records e várias gravações e demos dos quatro primeiros álbuns da banda. Também incluiu a música "Lend Me Your Comb", omitida da coleção Live at BBC, lançada no ano anterior (1994). A música "Free as a Bird" é a primeira que pode ser ouvida das 60 faixas dos dois CDs. 450.000 cópias do Anthology 1 foram vendidas em seu primeiro dia de lançamento, o maior número de vendas de um álbum em um único dia. O primeiro baterista da banda, Pete Best, substituído por Ringo Starr em 1962 antes dos Beatles gravarem profissionalmente para a EMI, recebeu seus primeiros royalties substanciais dos Beatles deste álbum, pela inclusão de faixas demo iniciais nas quais ele tocava. Em compensação, teve sua cabeça decepada na imagem da capa pela foto de Ringo Starr.
Anthology 2 foi lançado em 17 de março de 1996. A segunda coleção apresentou resultados e demos das sessões dos Beatles para Help!, Rubber Soul, Revolver, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club e Magical Mystery Tour. Isso incluiu demos iniciais selecionadas e tomadas para "Strawberry Fields Forever" de Lennon, anteriormente disponíveis apenas para colecionadores piratas. A nova música "Real Love" - que, como "Free As a Bird", também foi produzida por Jeff Lynne, também foi baseada em uma gravação inacabada de Lennon - também dá início à coleção de 45 faixas nos dois CDs.
Anthology 3 foi lançado em 28 de outubro de 1996. A terceira coleção apresentava cenas e demos de The Beatles ("White Album"), Abbey Road e Let It Be, além de várias músicas de Harrison e McCartney que mais tarde se tornaram faixas pós-Beatle.
As três capas dos álbuns, quando colocadas lado a lado, tornam-se uma colagem pintada de vários posteres e capas de álbuns que representam os diferentes estágios da carreira dos Beatles. Esse foi o trabalho criado por Klaus Voormann, que também criou a capa do Revolver em 1966. As capas de Anthology exigiam que Voormann recriasse elementos de sua capa para o Revolver dentro da colagem. Durante o videoclipe de "Free as a Bird", a colagem aparece como posteres na vitrine de uma loja enquanto a câmera se move rapidamente do outro lado da rua. O design também adornava o VHS, laserdisc e lançamentos em DVD, novamente para serem alinhados adequadamente, colocando-os lado a lado. Após o lançamento do Anthology 3, algumas lojas disponibilizaram uma capa de papelão de edição limitada, projetada para armazenar todos os três volumes de CD, dos quais cada lado da capa compõe metade da colagem.

Em outubro de 2000, foi lançado o livrão The Beatles Anthology, um calhamaço gigante medindo 26 x 35 x 4cm, 368 páginas, que incluía entrevistas com todos os quatro membros da banda e outros envolvidos, além de fotos raríssimas. Muitas das entrevistas citadas são das apresentadas nos documentários. O livro foi projetado como uma obra de capa dura de grande formato, com obras de arte imaginativas por toda parte, e várias páginas espantosas e impressionantes visualmente, com gráficos relevantes para a cronologia do processo, matrizes fotográficas e uma variedade de estilos de texto e layouts. O livrão foi direto para o topo da lista dos mais vendidos dos Estados Unidos. “The Beatles Anthology” (a série, os álbuns e o livro), é uma referência obrigatória sobre o grupo. É uma obra essencial para quem é fã ou para quem apenas quer conhecer mais sobre a história do maior fenômeno da música universal de todos os tempos.

Aqui a gente confere a Parte 1 desse super documentário que vai de julho de 1940 até março de 1963, audio original e sem legendas. Na plataforma Vimeo, quem quiser pode assistir todas as outras sete partes.

THE BEATLES - ANTHOLOGY - COMMERCIAL PROMOS

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THE BEATLES - ANTHOLOGY TRAILER - 1995 - ABSOLUTAMENTE SENSACIONAL!

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No dia 11 de novembro de 1995, a ABC-TV começou a exibir o trailer do documentário “Anthology”. The Beatles Anthology foi o nome escolhido dado ao programa feito para a televisão, uma série para a TV, três álbuns duplos e um livro enorme sobre a banda mais importante de todos os tempos. A série foi produzida especialmente pela Apple Corps e pela TV Granada. Os três Beatles sobreviventes, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, se reuniram desde 1994 para gravar entrevistas que foram juntadas à entrevistas de John Lennon (assassinado em 1980) onde, pela primeira vez, eles contaram a história do grupo. Várias imagens inéditas dos Beatles foram adicionadas ao documentário para ilustrar ainda mais a história. Nos Estados Unidos, o documentário foi transmitido entre 19 e 21 de novembro de 1995 pela rede ABC. Em 1996, ele foi lançado em VHS contendo oito fitas com duração de oito horas e em 2001, foi lançado em DVD contendo cinco DVDs. No Brasil, The Beatles Anthology estreou no dia 11 de dezembro de 1995 e foi exibido pela Rede Globo.

THE BEATLES - ANTHOLOGY COLLAGE DECONSTRUCTION

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domingo, 2 de agosto de 2020

THE BEATLES - FREE AS A BIRD - ABSOLUTAMENTE SENSACIONAL!!!

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“Free As A Bird” é creditada a Lennon-McCartney-Harrison-Starkey. A gravação ocorreu em fevereiro de 1977 e março de 1994. Os produtores aparecem nos créditos como John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr e Jeff Lynne e o engenheiro de som foi Geoff Emerick. O single foi lançado para o mundo no dia 21 de novembro de 1995. John Lennon faz os vocais e toca piano; Paul McCartney faz os vocais, toca baixo, violão, piano e teclados; George Harrison faz os vocais, toca guitarra, violão e ukulele; Ringo Starr faz vocais e toca sua bateria e Jeff Lynne faz backing vocals e toca guitarra.
Baseada em uma demo de 1977 gravada por John Lennon em Nova York“Free As A Bird” foi concluída pelos outros três Beatles 17 anos depois e lançada como a principal atração do projeto Anthology.

“Free As A Bird” estreou na BBC Radio 1 na manhã de 20 de novembro de 1995. Foi lançada como a primeira das 60 faixas dos do Anthology 1 no mesmo dia e como single“Free As A Bird” foi a primeira nova gravação lançada pelos Beatles desde 'The Long And Winding Road', em 1970. No Reino Unido, o número de vendas de mais de 120.000 cópias na sua primeira semana, colocou “Free As A Bird” no UK Singles Chart em número dois. Permaneceu nas paradas por oito semanas. Nos EUA, “Free As A Bird” alcançou o sexto lugar na Billboard Hot 100, tornando-se o 34º single dos Beatles no Top 10 dos Estados Unidos. Mais tarde, ganhou o prêmio Grammy de 1997 de melhor performance Pop por um duo ou grupo com vocal.
Sobre a espetacular “Free As A Bird”, a gente confere agora um pequeno trecho do sensacional livro de Peter Ames Carlin - "Paul McCartney - Uma vida".

A lenda seguinte dos Beatles começou em Liverpool, na manhã de Ano-Novo de 1994. Paul a descreveu de modo tipicamente extraordinário: ele acordou de bom humor, após a celebração anual da família McCartney, e pegou o telefone para desejar boas festas à alguém que não via há algum tempo. "Ela ficou um tanto surpresa de receber meu telefonema, porque sempre fomos meio concorrentes no negócio do entretenimento", ele disse. "Mas ficamos conversando. Liguei para ela mais algumas vezes depois disso, ficamos mais próximos, e essa ideia surgiu". Talvez as coisas não tenham acontecido exatamente assim. Yoko Ono teria dito que a primeira vez que ouviu falar do assunto foi algumas semanas antes disso, quando recebeu uma ligação de Neil Aspinall e George Harrison. Eles queriam saber se ela deixaria os Beatles sobreviventes fazerem uma espécie de colaboração post-mortem moderna e digital, acrescentando suas próprias contribuições a uma canção inédita de John Lennon. "Como se pudéssemos fazer o impossível", Paul continuou. "Falei com Yoko sobre isso e ela disse que tinha três faixas, inclusive Free as a Bird. Algumas semanas depois, Paul foi a Nova York para assistir à inclusão de John no Hall da Fama do rock, como artista solo, e deu um abraço em público na viúva do homenageado, que já não era mais sua rival dentro do grupo. Em seguida, Yoko recebeu Paul em casa para lhe mostrar algumas fitas demo de John que haviam sobrado. "Fui para lá, para o Dakota, onde fiquei até tarde só tagarelando, tomando chá e me divertindo. E ela disse: 'Vou tocar as fitas para você!' E eu ouvi três canções: 'Grow Old With me', 'Free as a Bird' e 'Real Love'. Eu gostei de 'Free as a Bird' logo de cara. E pensei: 'isso é exatamente o que eu teria adorado fazer junto com John.' (...) Se John tivesse me mostrado essas três, eu teria dito: 'Vamos trabalhar primeiro naquela do meio". Por fim, Paul voltou para casa com algumas fitas contendo cerca de meia dúzia de canções, inclusive "Real Love", "Grow Old With Me", "Girls and Boys", "Now and Then" e "I Don't Want to Lose You". Alguns desses títulos podem ser versões diferentes da mesma canção, mas o certo é que Paul continuava voltando a "Free as a Bird". Ele levou a melodia para George e Ringo e, conforme a história que contou depois, teve o cuidado de dizer a Ringo "para deixar o lenço à mão". Em seguida, Paul apertou o botão de tocar e todos ouviram o velho amigo captado no piano da sala de visitas, em algum dia de 1977, cantando de modo agridoce, dizendo de forma melódica que a liberdade só não é melhor do que o conforto do lar. O fato de que John tivesse deixado a ponte inacabada (com algumas linhas de lá-lá-lás e uma modulação estranha na volta do verso) serviu para deixar Paul mais feliz — parecia tão mais próximo do velho processo original, do tempo em que ambos tinham o hábito de levar suas canções quase terminadas para que o outro ajudasse nas finalizações. Dessa vez, George e Ringo dividiriam as tarefas também, para que tudo fosse ainda mais inclusivo. Eles se reuniram no Moinho, no dia 11 de fevereiro de 1994, com o amigo de George e membro da banda Traveling Wilburies, Jeff Lynne, sentado na cadeira de produtor (Lynne era muito esperto na digitali-zação, e Martin havia se retirado da linha de frente das gravações em razão de problemas auditivos), e puseram mãos à obra. Mais entrevistas, mais mitos, mais lendas: antes que começassem a trabalhar, Paul aliviou as tensões dizendo aos outros que imaginassem que John apenas saíra de férias, deixando-os encarregados de finalizar sua canção. Durante aquelas horas, pelo menos, eles fingiriam que estava tudo bem no mundo. "Então, foi ótimo", concluiu Paul. "E nós fizemos isso de novo no ano seguinte." Certamente, nada era assim tão simples. George não gostou da letra que Paul esboçou para a ponte de "Free as a Bird" e disse isso a ele de forma clara. "E você sabe que, quando compõe há tanto tempo, espera que as pessoas gostem das suas letras", disse Paul. "Ele estava certo, mas as coisas ficaram um pouco tensas por um tempo." Depois disso, Paul se aborreceu quando começou a suspeitar que George e Lynne se juntariam para marginalizar o impacto dele na canção. "Eu senti, durante um período, no começo, que gostaria de ter algumas pessoas ao meu lado naquilo!" Em particular, quando desconfiou que Lynne sugerira a George que fizesse um slide com a guitarra, para que o disco se parecesse mais com exibições dele de solo do que com autênticas faixas dos Beatles. "Eu pensei: 'É 'My Sweet Lord' novamente.' É a marca registrada de George. John talvez tivesse vetado aquilo", afirmou Paul. Todavia, ele esperou para ver como tinha ficado o som, e mudou de ideia. "Percebi que ele tocou de maneira brilhante". As sessões de "Free as a Bird" acabaram correndo de forma relativamente tranquila, de modo que eles se reencontraram no moinho, no dia 22 de junho, para fazer o trabalho com "Now and Then". Dessa vez, porém, problemas técnicos — um zumbido recorrente e mudanças rítmicas na fita original de John — e inúmeras palavras que estavam faltando tornaram impossível completar a canção sem conhecer exatamente as intenções reais de John. A sessão foi logo interrompida, e George sugeriu que eles se mudassem para o estúdio de gravação que ele mantinha em Friar Park, sua adorada mansão em estilo gótico em Henley-on-Thames. O plano original era filmar os três beatles durante as gravações de uma nova versão de "Let It Be" para usá-la como ponto alto do Anthology. Sabe-se lá de quem foi a ideia, mas quando o sol ficou a pino e eles se juntaram para fazer o filme, George, e talvez Ringo, decidiu que aquilo era uma forma muito centrada em Paul de terminar o que deveria ser uma história de todo o grupo. Diante dessa resistência, eles deixaram as coisas de lado e saíram para caminhar juntos nas aleias arborizadas do jardim de George, deixando para trás câmeras e microfones, durante um longo tempo (talvez cerca de três horas), e clareando as ideias. O que disseram um para o outro ficou entre as plantas silvestres. De qualquer maneira, foi o suficiente para animá-los a voltar para o estúdio e pegar seus instrumentos (George e Paul nas guitarras acústicas; Ringo na bateria), e entreter as câmeras com velhos sucessos do tempo do Casbah, com bate-papos calorosos e, ocasionalmente, com o acompanhamento do uquelele (de George e, às vezes, de Paul) quando se reclinavam na grama ensombreada do jardim de George. É provável que nem todo o tempo do mundo, nem os encontros alegres, nem a história vivida em comum pudessem resolver toda a tensão que pairava no ar entre os Beatles. Ela é menos evidente quando eles estão conversando, e menos ainda quando estão tocando juntos, quando tudo parece estar na superfície. Por um lado, eles estão em perfeita sintonia — conseguem chicotear os velhos arranjos de "Roll Over Beethoven" e "Raunchy" com a mesma facilidade que teriam ao guiar uma bicicleta construída para três, tudo é memória muscular e reflexo. Com mais profundidade ainda, George consegue lembrar a introdução da guitarra de "Thinking of Linking", sendo que essa canção de Paul jamais passou da introdução e do primeiro verso. Então, Paul começa a agir como dono do espetáculo e George se retrai dentro de si mesmo. Ele não canta com o entusiasmo de Paul; seus olhares de soslaio parecem ressaltar que Paul está sentado mais perto da câmera do que ele. Será que ele estava pensando em John e sentindo falta dele? Ou será que George estava intuindo novamente aquilo que Paul confessaria mais tarde: que, independentemente de estarem ficando mais velhos, ele jamais deixaria de enxergar George como o irmão mais novo Apenas oito meses mais jovem, um homem de grandes realizações na indústria musical e cinematográfica, de grande espiritualidade e de surpreendente experiência de vida. Mesmo assim, aos olhos de Paul, jamais tão sofisticado, jamais tão realizado. Será que Paul algum dia pensou que George poderia ter percebido essa atitude e se ressentido dela? É difícil saber, mas George já tinha saído do banco quando Paul convocou-os para tocar "Blue Moon of Kentucky" e, quando se sentou outra vez, para atender ao chamado do companheiro, deixou claro que sua energia tinha arrefecido: "Só uma versão mais curta". Os olhos de Paul estavam brilhando, ele tinha total controle da música e do momento, exatamente como gostava. George tocou junto, acrescentando a baixa harmonia ao coro, de forma obediente. Mas ele não sorria, e seus olhos já se moviam furtivamente em direção à porta.O trabalho continuou. O grupo fez ainda uma sessão frutífera de dois dias com Jeff Lynne, em fevereiro, adicionando os instrumentos e vozes à fita demo de John com a canção inacabada "Real Love". Eles ainda tamborilaram um pouco "Now and Then", mas não chegaram a lugar nenhum. Em seguida, gastaram algumas tardes nos estúdios da EMI, em Abbey Road, no inverno e na primavera, ouvindo fitas de velhas sessões. Eles pareciam gostar imensamente da experiência e da companhia um do outro. Certa tarde, os três beatles pararam o trabalho e desceram até a cantina do estúdio, onde se serviram de saladas e xícaras de chá. O pedido adicional do grupo de rock mais popular e influente da história foi uma travessa extra de batatas fritas, para que pudessem dividi-la. Então, eles se sentaram juntos, comendo e rindo, exatamente como haviam feito durante as tomadas de "Love Me Do", em 1962. "Mais velhos e ligeiramente diferentes, talvez, mas ainda assim eram três beatles sentados ali", disse Paul. "E com quem? George Martin! E que caixas estávamos olhando? As verdadeiras caixas das sessões. E embora pareça bobo, juro por Deus que, enquanto tocávamos as fitas, eu rezava para não ter feito nada de errado". A ideia original era que terminassem três canções de John, inserindo cada uma em cada um dos três CDs do Anthology. Mas eles ficaram sem gás depois de "Real Love", e toda aquela empolgação acabou no final da segunda rodada, indicando que a terceira canção teria de ser feita sem o rótulo de novo produto dos Beatles. Todos concordaram que "Free as a Bird" deveria ser o número de abertura do Anthology: primeira faixa do primeiro CD e clímax do primeiro episódio televisionado da respectiva série de TV. Afinal de contas, era a primeira colaboração dos quatro desde Abbey Road. Mais importante ainda, era a primeira vez que os Beatles falavam em uníssono sobre a sua ruptura: o que significaram uns para os outros; o que perderam; o que sempre desejaram reivindicar, mesmo nas profundezas da amargura. Todavia, por mais que parecesse impossível que os Beatles jamais tivessem existido, e que pudessem se reunir como quarteto 25 anos depois do seu rompimento, e quase quinze anos depois de a mania criada por eles ter se tornado assassina, eles encontraram um jeito de fazer isso mais uma vez. Por apenas um tiquinho, menos de quatro minutos e meio, ali estavam eles novamente. Começa com Ringo determinando a batida, depois com a guitarra de George dobrando uma única nota sobre o piano de John, o baixo de Paul e o tarol de Ringo, baixo, bateria e o címbalo. Os quatro em uníssono, e o vocal de John se inicia. Freeee... a fita original em baixa frequência enfatiza a sua distância, como se ele estivesse reluzindo em outro plano. Que é exatamente o que acontece. Ele queria deixar sua mensagem e, de alguma maneira, magicamente, os pensamentos de John se cristalizam nos sentimentos de todos os outros. Paul aguarda apenas as quatro batidas para se juntar à harmonia do resto do pensamento inicial de John — asa birrrd. Então, finalmente, aconteceu. Eles estão juntos de novo, aquelas duas vozes que se combinam perfeitamente, cantando não apenas uma com a outra, mas uma para a outra; para George e Ringo também; para os Beatles. E está tudo ali, nas etapas de concepção e execução, na voz agridoce de John, no padrão agitado do baixo de Paul, na guitarra suave de George e na percussão precisa de Ringo. Elementos diversos em equilíbrio quase perfeito. Juntos, eles cantam o fim do grupo, a necessidade de fugir um do outro, para buscar a liberdade criativa e pessoal que os vínculos tão estreitos jamais possibilitariam. E foi exatamente isso que encontraram, mas com que objetivo? Como John admitiu, aquilo era apenas a segunda melhor coisa do mundo. Que vinha depois de estar em casa e protegido. E é para lá que ele imagina voar, um pássaro no céu vazio, agora um pássaro rastreador que se precipita de forma determinada em direção ao lugar de onde partiu. Na ponte recentemente escrita, Paul e George, na segunda vez, chamam por John com as próprias palavras. O que aconteceu conosco? Como nos perdemos uns dos outros? Em seguida, todos compreendem a mesma coisa juntos: a unidade criativa e espiritual que eles tiveram antes foi tão libertadora quanto qualquer outra coisa que experimentaram na vida. Uma interpretação sentimental, talvez. Então, eles chegam aos momentos finais da canção, um falso término que se funde com uma referência psicodélica incorporada a um acorde fatal, que se esvai num trecho de uquelele tocado em estilo de music-hall, que desaparece quando uma voz familiar resmunga qualquer coisa parecida com o jargão sem sentido dos bastidores. Eles pegaram um fragmento da fita que continha uma fala posterior de John que dizia "Isso ficou bom", e o colocaram no final. Só que, quando tocaram nos alto-falantes, ouviram uma coisinha a mais, tão clara quanto o dia: "Feito por John Lennon!" Os outros Beatles ficaram embasbacados. "Nenhum de nós havia escutado aquilo enquanto compilávamos as fitas, mas quando falei com os outros e disse 'Vocês não vão acreditar...', eles me responderam: 'Já sabemos, também acabamos de ouvir!", afirmou Paul. "E juro por Deus que ele realmente diz isso! Nem em um milhão de anos poderíamos saber o que aquela frase significaria antes. É impossível. Então, há mágica de verdade ali.

Música mavilhosamente linda que é, “Free As A Bird” não poderia ser lançada sem um vídeo clipe simplesmente fantástico e à altura da importância do lançamento. O vídeo possui uma técnica de direção de fotografia inovadora, pois a câmera segue todo o tempo na primeira pessoa, tomando lugar da ave (Bird) que voa livre por Liverpool e Londres, mostrando toda a trajetória da banda e os lugares por onde os Fab Four passaram ao longo da infância e durante o tempo que estiveram juntos. Referências a Penny Lane, Paperback Writer, A Day in The Life, Eleanor Rigby, Helter Skelter e dezenas de outras são facilmente vistas, mas existem ao todo mais de 100 referências às músicas dos Beatles ao longo do vídeo, que foi produzido por Vincent Joliet e dirigido por Joe Pytka. Como não poderia ser diferente, o vídeo ganhou o Grammy Award como melhor vídeo de música em 1997.

THE BEATLES - REAL LOVE - SENSACIONAL!

Um comentário:

"Real Love" é uma música escrita por John Lennon, e gravada pelos outros três Beatles em 1995 para lançamento como parte do projeto The Beatles Anthology. Até à data, foi o último registro divulgado de novos materiais creditados aos Beatles. Lennon gravou seis vezes a música entre 1979 e 1980 incluindo uma chamada "Real Life", que se fundiu com "Real Love". A música foi ignorada até 1988, quando a sexta gravação foi usada na trilha sonora documental do filme Imagine: John Lennon.
"Real Love" foi posteriormente retrabalhada por Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr no início de 1995 e foi lançada como single dos Beatles em 1996 no Reino Unido, Estados Unidos e em todo o mundo. Foi a última canção "nova" dos Beatles creditada para ser incluída em um álbum. Até à data, foi o último single do grupo a se tornar um hit, entrando na lista de melhores 40 nos EUA. O single chegou ao número 4 e ao número 11, respectivamente, nos gráficos de singles do Reino Unido e dos EUA, e obteve um recorde de ouro mais rapidamente do que alguns outros singles do grupo.
Embora "Real Love" tenha sido lançada como single no Reino Unido e nos EUA em 4 de março de 1996, a primeira vez que a música foi transmitida publicamente foi em 22 de novembro de 1995, há exatos 22 anos, quando a rede de televisão americana, a American Broadcasting Company (ABC) exibiu o segundo episódio da série The Beatles Anthology. O single estreou nas paradas britânicas em 16 de março de 1996 no número 4, vendendo 50 mil exemplares na primeira semana. O desempenho do gráfico foi subsequentemente dificultado pela exclusão da BBC Radio 1 de "Real Love" de sua lista de reprodução. A Reuters, que descreveu a Radio 1 como "a maior estação de música pop da Grã-Bretanha", informou que a estação havia declarado: "Não é o que nossos ouvintes querem ouvir... Somos uma estação de música contemporânea". O porta-voz dos Beatles na época, Geoff Baker, disse que a resposta da banda era "Indignação, choque e surpresa. Realizamos pesquisas depois que a Antologia foi lançada e isso revelou que 41% dos compradores eram adolescentes". As ações da estação contrastaram fortemente com o que ocorreu no lançamento de "Free as a Bird" no ano anterior, quando a Radio 1 se tornou a primeira estação a tocar a música nas ondas britânicas. A exclusão de "Real Love" provocou uma reação feroz dos fãs e também provocou comentários de parlamentares britânicos. O deputado Harry Greenway chamou a ação de censura e pediu que a estação revertesse o que ele chamou de proibição. Paul McCartney, muito irritado, escreveu um artigo de 800 palavras para o jornal britânico Daily Mirror sobre a proibição. O controlador da estação, Matthew Bannister, negou que a falta de incluir "Real Love" fosse uma proibição, dizendo que isso significava apenas que a música não havia sido incluída na lista de reprodução de cada uma das 60 músicas mais regularmente apresentadas A estação também bateu de volta ao dedicar uma "Hora do Ouro" à música dos Beatles. Esta tal "Hora do Ouro" encerrava com "Real Love".
"Real Love" caiu das paradas britânicas em sete semanas, nunca atingindo a posição inicial de número 4. Nos Estados Unidos, o single entrou nas paradas em 30 de março de 2006 e atingiu o pico no número 11. Após quatro meses, 500.000 cópias foram vendidas nos EUA. O álbum de compilação dos Beatles Anthology 2, que incluiu a música, acabou por ultrapassar os gráficos de álbuns britânicos e americanos. As versões avulsas de John Lennon aparecem em várias compilações de Lennon, no filme e na trilha Imagine: John Lennon, e também em uma campanha publicitária de 2007 para JC Penney. Em novembro de 2015, a Apple Records lançou uma nova versão de luxo do álbum 1 em diferentes edições e variações (conhecido como 1+). A maioria das faixas foram remixadas dos masters originais por Giles Martin. Martin e Jeff Lynne também remixaram "Real Love" para os lançamentos de DVD e Blu-ray. O remix de "Real Love" limpa mais ainda o vocal de Lennon, e restabelece vários elementos excluídos originalmente gravados em 1995, como frases de guitarra e preenchimentos de bateria, além de tornar o cravo e o harmonium mais proeminentes na mixagem.

sábado, 1 de agosto de 2020

ESPECIALMENTE A PEDIDOS - THE POLICE - EVERY BREATH YOU TAKE – ABSOLOUTAMENTE SENSACIONAL!!!*****

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THE BEATLES - BLACKPOOL NIGHT OUT - SENSACIONOUT!

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Os Beatles fizeram apenas uma aparição na televisão na Grã-Bretanha para promover o álbum “Help!” Outros programas tiveram que executar clipes pré-gravados. O Blackpool Night Out foi produzido pela ABC TV e filmado no ABC Theater em Blackpool. Foi exibido em todo o Reino Unido, ao vivo no dia 1 de agosto de 1965. Os Beatles tocaram “I Feel Fine”, “I'm Down”, “Act Naturally” e “Ticket To Ride”, antes de Paul McCartney cantar “Yesterday” sozinho. Foi a primeira vez que esta música foi tocada na televisão britânica. O grupo encerrou com “Help!”, após o agradecimento irônico de John Lennon a McCartney: "Obrigado Ringo, isso foi maravilhoso". Os outros convidados do show foram Pearl Carr e Teddy Johnson, Johnny Hart e Lionel Blair. Os apresentadores eram os irmão Mike e Bernie Winters. Depois do show, Ringo Starr e Brian Epstein pegaram o voo de volta para Londres, enquanto os outros Beatles viajaram no Rolls-Royce de John. Quatro músicas do Blackpool Night Out “I Feel Fine”, “Ticket To Ride”, “Yesterday” e “Help!” - aparecem no Anthology 2 de 1996.

PAUL & LINDA McCARTNEY - EAT AT HOME - SENSACIONAL!

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“Eat At Home” foi um single de Paul e Linda McCartney lançado em vários países europeus em 1971, com 'Smile Away' no lado B e que também apareceu como a terceira faixa do lado 2 do LP Ram do mesmo ano. A música, um ‘rockenrollzão’ no estilo Buddy Holly, apresenta McCartney nos vocais, baixo, harmonias, percussão e guitarra elétrica; Linda McCartney fazendo backing vocals; David Spinozza - guitarra e Denny Seiwell, bateria.
“Eat At Home” é carregada de frases de duplo sentido, como “comer na cama” referindo-se ao início do relacionamento entre McCartney e Linda. Apesar de John Lennon ter criticado bastante muitas das músicas de Ram, achando que eram ataques velados a ele, admitiu publicamente que gostava bastante dessa música em particular. Mesmo sem ter sido lançada como single no Reino Unido ou nos EUA, foi lançada nesse formato em vários países europeus, América do Sul, Japão, Austrália e Nova Zelândia, alcançando o 7º lugar na Holanda e o 6º na Noruega. Mesmo nos EUA, “Eat At Home” recebeu consideráveis exibições de rádio sem ter sido lançada como single.