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sábado, 28 de janeiro de 2023

THE BEATLES - TILL THERE WAS YOU - SENSACIONAL!

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"Till There Was You" foi escrita por Meredith Willson para sua peça musical de 1957 The Music Man, e que também apareceu na versão do filme de 1962. A primeira gravação foi lançada em 1958, produzida por Nelson Riddle e apresenta a vocalista de 17 anos, Sue Raney e sua orquestra. Em 1959, Anita Bryant gravou um single que atingiu o ranking #30 da Billboard Hot 100.

Os Beatles incluiram "Till There Was You" em seu segundo álbum With the Beatles, lançado em 22 de novembro de 1963 no Reino Unido. Paul McCartney conheceu a canção através de George Harrison, que tinha o disco. "Till There Was You" fez parte do repertório dos Beatles em 1962, no Star Club em Hamburgo. Tornou-se uma amostra da versatilidade dos Beatles, provando que eles poderiam mudar facilmente entre o rock and roll e as balladas românticas. Os Beatles a tocaram na audição da Decca Records em 1 de janeiro de 1962, e foi a segunda de seis canções apresentada no programa de televisão de Ed Sullivan em 9 de fevereiro de 1964. A gravação dos Beatles para o álbum With the Beatles ocorreu nos dias 18 e 30 de julho de 1963 nos estúdios da EMI em Abbey Road. Foi produzida por George Martin e teve Norman Smith como engenheiro. Paul McCartney - vocal e baixo; John Lennon - violão; George Harrison - violão solo; e Ringo Starr - bongôs. "Till There Was You" aparece nos álbuns With The Beatles, Live At The BBCAnthology 1 e On Air – Live At The BBC Volume 2.

No Brasil, o cantor mineiro Beto Guedes gravou uma bonita versão - escrita por Ronaldo Bastos - de muito sucesso em 1984 de "Till There Was You" que se chamou "Quando Te Vi".

domingo, 21 de janeiro de 2018

UNDER THE INFLUENCE - AS CANÇÕES ORIGINAIS QUE OS BEATLES REGRAVARAM

4 comentários:
Postagem publicada originalmente em janeiro de 2010.
Há alguns anos, esse disco era uma pérola para fãs curiosos que não conheciam as versões originais das músicas que os Beatles regravaram. Hoje, com a internet, ficou fácil. Mas isso não tira o mérito e o charme dessa coleção "UNDER THE INFLUENCE -THE ORIGINAL VERSIONS OF THE SONGS THE BEATLES COVERED". O nome já diz. Um álbum indispensável para os velhos fãs, para o novos, ou apenas apreciadores da boa e velha música pop. É curioso ouvir essas gravações originais (algumas bem raras) e observar como os Beatles eram espertos na escolha do repertório e estavam tão na frente do seu tempo na hora de gravá-las. É sempre bom lembrar que quase todas essas músicas tem ou estão completando quase 60 anos. Algumas faixas são excelentes como Please Mr. Postman, Baby It’s You e Slow Down. Outras são meio chatas como Chains, Boys e A Taste Of Honey, que é uma das que eu particularmente, não suporto nem com os Beatles.
Twist And Shoult – The Isley Brothers
Em 1960, Phil Spector tornou-se produtor na Atlantic records. No ano seguinte ele foi designado para produzir um single para um grupo vocal chamado “The Top Notes” (ás vezes chamados de "Topnotes") com a canção "Twist and Shout". Em 1962, The Isley Brothers decidiram regravar a canção e foram produzidos pelo próprio compositor Bert Russell, que não tinha ficado satisfeito com a produção de Phil Spector. Essa música tornou-se a primeira gravação do trio a entrar para lista da revista Billboard (entre as 40 mais). Twist And Shout logo se tornou um cover frequente no início dos anos 60. Quando os Isleys a gravaram eles não pensaram que ela se sairia tão bem quanto seu hit de três anos anos "Shout!". Para a surpresa deles, a canção se tornou im dos maiores sucessos entre as listas de música pop e rhythm and blues. Os Beatles lançaram a canção em seu álbum de estréia no Reino Unido, Please Please Me. Eles já tinham gravado 11 canções para o álbum e Twist and Shout foi a última a ser gravada em uma única sessão e a partir daí a música virou deles.
Anna - Arthur Alexander
Arthur Alexander, de Florença, Alabama, escreveu e gravou “Anna” em 1962 pelo selo Dot. A música alcançou a posição # 68 nas paradas americanas em outubro de 1962. O primeiro sucesso de Alexander, You Better Move On, também foi regravada por outro grupo britânico, The Rolling Stones. A versão com os Beatles, com John fazendo os vocais de Anna de forma brilhante, foi em 11 fevereiro de 1963 para seu primeiro álbum Please Please Me, que foi lançado um mês depois.
Chains - The Cookies
“The Cookies” foram um trio vocal de R&B de Nova York. Elas fizeram o trabalho de backing vocal para Neil Sedaka, Carole King e Little Eva. Em 1950, eles trabalharam para Ray Charles como o Raelettes. Tiveram três hits entre 1962 e 1964 pelo selo Dimension, “Chains” foi o primeiro, atingindo o número 17 em dezembro de 1962. “Chains” foi a segunda música cover dos Beatles no álbum Please Please Me, desta vez com George fazendo vocal principal, e John, na gaita.
Boys e Baby It's You - The Shirelles
Um "girl group" de R&B de Passaic, New Jersey, The Shirelles, lideradas por Shirley Owens, tiveram seu primeiro sucesso em 1960 com “Will You Love Me Tomorrow” pelo selo Scepter, e o lado B foi “Baby It's You”. Alguns de seus outros sucessos incluem “Dedicated To The One I Love”, “Mama Said” e o “Soldier Boy”. The Shirelles foram introduzidas no Rock and Roll Hall of Fame em 1996. “Boys” foi a terceira música cover dos Beatles no álbum Please Please Me, desta vez com Ringo fazendo o que se tornaria sua marca em todo disco dos Beatles. “Baby It's You” chegou ao número oito com “The Shirelles” em janeiro de 1962. É a quarta cover dos Beatles no álbum Please Please Me. John foi o vocalista, e George Martin tocou piano na faixa.
A Taste Of Honey - Lenny Welch
Embora houvesse algumas versões instrumentais em 1962, a versão de Lenny Welch, lançada em 17 de setembro de 1962, foi a primeira versão vocal de “A Taste Of Honey”. Lenny Welch era um cantor negro de Asbury Park, New Jersey, e teve hits no início dos anos sessenta com “Since I Fell For You” e “Ebb Tide”. A Taste Of Honey foi a quinta canção gravada para o álbum Please Please Me. Paul faz o vocal principal com a voz dobrada.
Till There Was You - Peggy Lee
“The Music Man”, escrita por Meridith Wilson, foi um grande sucesso da temporada da Broadway de 1957, tendo 1.375 performances e batendo o recorde de "West Side Story”. O elenco original era estrelado por Robert Preston e Barbara Cook, que cantou “Till There Was You”, uma das canções do show. Till There Was You foi um hit no Reino Unido gravado por Peggy Lee em março de 1961. Paul McCartney foi apresentado à música por um primo mais velho. A versão dos Beatles de Till There Was You foi gravada em 18 de julho e 30 de julho de 1963, com Paul fazendo vocal e Ringo nos bongôs, já que foi decidido que a bateria seria muito pesada para esta faixa.
Please Mr. Postman - The Marvelettes
Outro girl group de Detroit, “The Marvelettes” juntaram-se em 1960, e foram descobertas pela Motown, após entrar em um concurso de talentos ainda na escola. O hit “Please Mr. Postman” chegou ao número 1 em 1961, e foi só isso. Gravada na mesma sessão de Till There Was You em 30 de julho de 1963, a versão dos Beatles de Please Mr. Postman foi gravada em nove tomadas com John nos vocais principais.
Roll Over Beethoven - Chuck Berry
Chuck Berry dispensa apresentações. Nascido em 1926 em St. Louis, Berry foi descoberto por Leonard Chess da Chess Records em Chicago indicado pelo cantor de blues Muddy Waters, e passou a influenciar cada músico de rock que apareceu depois dele, incluindo os Beatles. Seu primeiro hit pela Chess Records foi Maybellene em 1955. O segundo, Roll Over Beethoven, alcançou o número 29 no top 40 das paradas em 1956. Ele chegou a ter mais 10 hits no top 40 até 1964, incluindo uma outra canção que os Beatles também gravaram “Rock and Roll Music”, de 1957. A gravação dos Beatles com George comandando os vocais também foi em 30 de julho de 1963. Em cinco takes.
You Really Got A Hold On Me - The Miracles
Formado em 1957 em Detroit, o grupo “The Miracles” mais tarde ficou conhecido como Smokey Robinson and The Miracles. Bob Dylan já considerou Smokey Robinson como "O maior poeta vivo da America". Seu quarto sucesso, “You Really Got A Hold On Me”, foi lançado em 1963 e atingiu o número 8 nas paradas pop. The Miracles ainda tiveram muitos outros sucessos nos anos sessenta, seu último hit foi Tears of a Clown em 1970. A versão dos Beatles de You Really Got A Hold On Me, com John nos vocais principais, foi a primeira música gravada durante as sessões de With The Beatles em 18 de julho de 1963.
Devil In His Heart - The Donays
Durante 1961 a 1966, no auge da era das girl groups, muitos grupos obscuros iam e vinham rapidamente. The Donays, com a vocalista Yvonne Allen lançaram “Devil In His Heart” (cujo lado B era Bad Boy) que não chegou aos charts em 1962. Separaram-se logo depois. Essa versão das Donays conseguiu atenção depois que os Beatles fizeram sua versão. Eles a rebatizaram de “Devil In Her Heart”, e foi gravada em 18 de julho de 1963, em três tomadas, com três overdubs, e George conduzindo os vocais.
Money - Barrett Strong
A carreira de Barrett Strong começou em 1961 com “Money”, um dos primeiros sucessos do fundador da Motown, Berry Gordy, alcançando o número 23 nas paradas pop. Barret, em seguida, continuou, com Norman Whitfield, escrevendo alguns dos maiores sucessos da Motown, incluindo “Ball of Confusion” e “Papa Was a Rolling Stone”. Ele também escreveu o sucesso “I Heard It Through The Grapevine”, brilhantemente regravada pelo Creedence Clearwater Revival. Os Beatles gravaram “Money” em 18 de julho de 1963, em sete takes.
Dizzy Miss Lizzy e Bad Boy - Larry Williams
Larry Williams foi o autor de algumas das pedradas mais violentas já gravadas pelos Beatles. O mundo tremeu quando ouviu Dizzy Miss Lizzy, Slow Down e Bad Boy na interpretação magnífica e enérgica de John Lennon! Larry Williams, nasceu em 10 de maio de 1935, em New Orleans. Se projetou a princípio como o pianista da banda de Lloyd Price, mas ganhou notoriedade quando os Beatles ragravaram vários de seus sucessos. Williams era um dos compositores preferidos de John Lennon, que em sua carreira solo ainda gravou Just Because e Bony Moronie e de Paul McCartney que regravou She Said, Yeah no seu álbum Run Devil Run. Em 7 de janeiro de 1980, Larry Williams, o criador de "Bad Boy”, se matou com um tiro de revólver.

sábado, 19 de setembro de 2015

A PEDIDOS - UNDER THE INFLUENCE - LINK NOVO

7 comentários:
Esse disco é uma maravilha para fãs curiosos que não conhecem ou nunca ouviram as versões originais das músicas que os Beatles regravaram. UNDER THE INFLUENCE -THE ORIGINAL VERSIONS OF THE SONGS THE BEATLES COVERED. O nome já diz. Um álbum indispensável para os velhos fãs, para o novos, ou apenas apreciadores da boa música pop. É curioso ouvir essas gravações originais (algumas bem raras!) e observar como os Beatles eram espertos na escolha do repertório e estavam tão na frente do seu tempo na hora de gravá-las. É sempre bom lembrar que quase todas essas músicas estão completando ou tem mais de 50 anos. Algumas faixas são excelentes como Please Mr. Postman, Baby It’s You e Slow Down. Outras são meio chatinhas como Chains, Boys e A Taste Of Honey. De qualquer forma, tire suas conclusões. Vale muito à pena.
VAMOS CONHECER ALGUNS DESSES ARTISTAS?
Twist And Shoult – The Isley Brothers
Em 1960, Phil Spector tornou-se produtor na Atlantic records. No ano seguinte ele foi designado para produzir um single para um grupo vocal chamado “The Top Notes” (ás vezes chamados de "Topnotes") com a canção "Twist and Shout." Em 1962, The Isley Brothers decidiram regravar a canção e foram produzidos pelo próprio compositor Bert Russell, que não tinha ficado satisfeito com a produção de Phil Spector. A canção tornou-se a primeira gravação do trio a atingir a entrar para lista da revista Billboard (entre as 40 mais). Twist And Shout logo se tornou um cover frequente da música soul no início dos anos 60. Quando os the Isleys a gravaram eles não pensaram que ela se sairia tão bem quanto seu hit de três anos atrás "Shout!". Para a surpresa deles, a canção se tornou im dos maiores hits dentre as listas de música pop e rhythm and blues. Os Beatles lançaram a canção em seu álbum de estréia no Reino Unido, Please Please Me. Eles já tinham gravado 11 canções para o álbum e Twist and Shout foi a última a ser gravada em uma única sessão.

Anna - Arthur Alexander
Arthur Alexander, de Florença, Alabama, escreveu e gravou “Anna” em 1962 pelo selo Dot. Ela alcançou a posição # 68 nas paradas americanas em outubro de 1962. O primeiro sucesso de Alexander, You Better Move On, também foi regravada por outro grupo britânico, The Rolling Stones. A versão com os Beatles, com John fazendo os vocais de Anna de forma brilhante, foi em 11 fevereiro de 1963 para seu primeiro álbum Please Please Me, que foi lançado um mês depois.

Chains - The Cookies
“The Cookies” foram um trio vocal de R&B de Nova York. Elas fizeram o trabalho de backing vocal para Neil Sedaka, Carole King e Little Eva. Em 1950, eles trabalharam para Ray Charles como o Raelettes. Tiveram três hits entre 1962 e 1964 pelo selo Dimension, “Chains” foi o primeiro, atingindo o número 17 em dezembro de 1962. “Chains” foi a segunda música cover dos Beatles no álbum Please Please Me, desta vez com George fazendo vocal principal, e John, na gaita.
Boys e Baby It's You - The Shirelles
Um "girl group" de R&B de Passaic, New Jersey, The Shirelles, lideradas por Shirley Owens, tiveram seu primeiro sucesso em 1960 com “Will You Love Me Tomorrow” pelo selo Scepter, e o lado B foi “Baby It's You”. Alguns de seus outros sucessos incluem “Dedicated To The One I Love”, “Mama Said” e o “Soldier Boy”. The Shirelles foram introduzidas no Rock and Roll Hall of Fame em 1996. “Boys” foi a terceira música cover dos Beatles no álbum Please Please Me, desta vez com Ringo fazendo o que se tornaria sua marca em todo disco dos Beatles. “Baby It's You” chegou ao número oito com “The Shirelles” em janeiro de 1962. É a quarta cover dos Beatles no álbum Please Please Me. John foi o vocalista, e George Martin tocou piano na faixa.

A Taste Of Honey - Lenny Welch
Embora houvesse algumas versões instrumentais em 1962, a versão de Lenny Welch, lançada em 17 de setembro de 1962, foi a primeira versão vocal de “A Taste Of Honey”. Lenny Welch era um cantor negro de Asbury Park, New Jersey, e teve hits no início dos anos sessenta com “Since I Fell For You” e “Ebb Tide”.A Taste Of Honey foi a quinta canção gravada para o álbum Please Please Me. Paul canta o vocal principal com a voz dobrada.
Till There Was You - Peggy Lee
“The Music Man”, escrita por Meridith Wilson, foi um grande sucesso da temporada da Broadway de 1957, tendo 1.375 performances e batendo o recorde de "West Side Story”. O elenco original era estrelado por Robert Preston e Barbara Cook, que cantou “Till There Was You”, uma das canções do show. Till There Was You foi um hit no Reino Unido gravado por Peggy Lee em Março de 1961. Paul McCartney foi apresentado à música por um primo mais velho que ocasionalmente era babá dos dois irmãos McCartney. A versão dos Beatles de Till There Was You foi gravada em 18 de julho e 30 de julho de 1963, com Paul fazendo vocal e Ringo nos bongôs, já que foi decidido que a bateria seria muito pesada para esta faixa.

Please Mr. Postman - The Marvelettes
Outro girl group de Detroit, “The Marvelettes” juntaram-se em 1960, e foram descobertos pela Motown, após entrar em um concurso de talentos ainda na escola. O hit “Please Mr. Postman” chegou ao número 1 em 1961, e foi só isso. Gravada na mesma sessão Till There Was You em 30 de julho de 1963, a versão dos Beatles de Please Mr. Postman foi gravada em nove tomadas com John nos vocais principais.

Roll Over Beethoven - Chuck Berry
Chuck Berry dispensa apresentações. Nascido em 1926 em St. Louis, Berry foi descoberto por Leonard Chess da Chess Records em Chicago indicado pelo cantor de blues Muddy Waters, e passou a influenciar cada músico de rock que apareceu depois dele, incluindo os Beatles. Seu primeiro hit no Chess Records foi Maybellene em 1955. O segundo, Roll Over Beethoven, alcançou o número 29 no top 40 das paradas em 1956. Ele chegou a ter mais 10 hits no top 40 até 1964, incluindo uma outra canção que os Beatles também gravaram “Rock and Roll Music”, de 1957. A gravação dos Beatles com George comandando os vocais também foi em 30 de julho de 1963. Em cinco takes.
You Really Got A Hold On Me - The Miracles
Formado em 1957 em Detroit, o grupo “The Miracles” mais tarde ficou conhecido como Smokey Robinson and The Miracles. Bob Dylan já considerou Smokey Robinson como " O maior poeta vivo DA America". Seu quarto sucesso, “You Really Got A Hold On Me”, foi lançado em 1963 e atingiu o número 8 nas paradas pop. The Miracles ainda tiveram muitos outros sucessos nos anos sessenta, seu último hit foi Tears of a Clown em 1970. A versão dos Beatles de You Really Got A Hold On Me, com John nos vocais principais, foi a primeira música gravada durante as sessões de With The Beatles em 18 de julho de 1963.
Devil In His Heart - The Donays
Durante 1961 a 1966, no auge da era das girl groups, muitos grupos obscuros iam e vinham rapidamente. The Donays, com a vocalista Yvonne Allen lançaram “Devil In His Heart” (cujo lado B era Bad Boy) que não chegou aos charts em 1962. Separaram-se logo depois. Essa versão das Donays conseguiu atenção depois que os Beatles fizeram sua versão. Eles a rebatizaram de “Devil In His Heart”, e foi gravada em 18 de julho de 1963, em três tomadas, com três overdubs, e George fazendo vocais.
Money - Barrett Strong
A carreira de Barrett Strong carreira começou em 1961 com “MONEY”, um dos primeiros sucessos fundador da Motown, Berry Gordy, alcançando o número 23 nas paradas pop. Barret, em seguida, continuou, com Norman Whitfield, para escrever alguns dos maiores sucessos da Motown, incluindo “Ball of Confusion” e “Papa Was a Rolling Stone”. Ele também escreveu o sucesso “I Heard It Through The Grapevine”. Os Beatles gravaram “Money” em 18 de julho de 1963, em sete takes.

Dizzy Miss Lizzy e Bad Boy - Larry Williams

Larry Williams foi o autor de algumas das pedradas mais violentas já gravadas pelos Beatles. O mundo tremeu quando ouviu Dizzy Miss Lizzy, Slow Down e Bad Boy na interpretação magnífica e enérgica de John Lennon! Larry Williams, nasceu em 10 de maio de 1935, em New Orleans. Se projetou a princípio como o pianista da banda de Lloyd Price, mas ganhou notoriedade quando os Beatles ragravaram vários de seus sucessos. Williams era um dos compositores preferidos de John Lennon, que em sua carreira solo ainda gravou Just Because e Bony Moronie e de Paul McCartney que regravou She Said, Yeah no seu álbum Run Devil Run. Em 7/01/1980, Larry Williams, o criador de "Bad Boy”, cometeu suicídio com um tiro de revólver. 

domingo, 24 de abril de 2011

IMPERDÍVEL! UNDER THE INFLUENCE - A PEDIDOS

5 comentários:
Esta, é a segunda vez que esse álbum sensacional aparece aqui. A primeira foi em 10 de outubro de 2009. Agora, atendendo ao pedido da amiga Ana Maria Costa. Esse disco é uma maravilha para fãs curiosos que não conhecem ou nunca ouviram as versões originais das músicas que os Beatles regravaram. UNDER THE INFLUENCE -THE ORIGINAL VERSIONS OF THE SONGS THE BEATLES COVERED. O nome já diz. Um álbum indispensável para os velhos fãs, para o novos, ou apenas apreciadores da boa música pop. É curioso ouvir essas gravações originais (algumas bem raras!) e observar como os Beatles eram espertos na escolha do repertório e estavam tão na frente do seu tempo na hora de gravá-las. É sempre bom lembrar que quase todas essas músicas estão completando ou tem mais de 50 anos. Algumas faixas são excelentes como Please Mr. Postman, Baby It’s You e Slow Down. Outras são meio chatinhas como Chains, Boys e A Taste Of Honey. De qualquer forma, tire suas conclusões. Vale à pena. Espero que gostem como eu gostei. Abração! Valeu, Ana Maria! Feliz Páscoa para todos!
PARA BAIXAR O DISCÃO, CLIQUE:

VAMOS CONHECER ALGUNS DESSES ARTISTAS?
Twist And Shoult – The Isley Brothers
Em 1960, Phil Spector tornou-se produtor na Atlantic records. No ano seguinte ele foi designado para produzir um single para um grupo vocal chamado “The Top Notes” (ás vezes chamados de "Topnotes") com a canção "Twist and Shout." Em 1962, The Isley Brothers decidiram regravar a canção e foram produzidos pelo próprio compositor Bert Russell, que não tinha ficado satisfeito com a produção de Phil Spector. A canção tornou-se a primeira gravação do trio a atingir a entrar para lista da revista Billboard (entre as 40 mais). Twist And Shout logo se tornou um cover frequente da música soul no início dos anos 60. Quando os the Isleys a gravaram eles não pensaram que ela se sairia tão bem quanto seu hit de três anos atrás "Shout!". Para a surpresa deles, a canção se tornou im dos maiores hits dentre as listas de música pop e rhythm and blues. Os Beatles lançaram a canção em seu álbum de estréia no Reino Unido, Please Please Me. Eles já tinham gravado 11 canções para o álbum e Twist and Shout foi a última a ser gravada em uma única sessão.

Anna - Arthur Alexander
Arthur Alexander, de Florença, Alabama, escreveu e gravou “Anna” em 1962 pelo selo Dot. Ela alcançou a posição # 68 nas paradas americanas em outubro de 1962. O primeiro sucesso de Alexander, You Better Move On, também foi regravada por outro grupo britânico, The Rolling Stones. A versão com os Beatles, com John fazendo os vocais de Anna de forma brilhante, foi em 11 fevereiro de 1963 para seu primeiro álbum Please Please Me, que foi lançado um mês depois.

Chains - The Cookies
“The Cookies” foram um trio vocal de R&B de Nova York. Elas fizeram o trabalho de backing vocal para Neil Sedaka, Carole King e Little Eva. Em 1950, eles trabalharam para Ray Charles como o Raelettes. Tiveram três hits entre 1962 e 1964 pelo selo Dimension, “Chains” foi o primeiro, atingindo o número 17 em dezembro de 1962. “Chains” foi a segunda música cover dos Beatles no álbum Please Please Me, desta vez com George fazendo vocal principal, e John, na gaita.
Boys e Baby It's You - The Shirelles
Um "girl group" de R&B de Passaic, New Jersey, The Shirelles, lideradas por Shirley Owens, tiveram seu primeiro sucesso em 1960 com “Will You Love Me Tomorrow” pelo selo Scepter, e o lado B foi “Baby It's You”. Alguns de seus outros sucessos incluem “Dedicated To The One I Love”, “Mama Said” e o “Soldier Boy”. The Shirelles foram introduzidas no Rock and Roll Hall of Fame em 1996. “Boys” foi a terceira música cover dos Beatles no álbum Please Please Me, desta vez com Ringo fazendo o que se tornaria sua marca em todo disco dos Beatles. “Baby It's You” chegou ao número oito com “The Shirelles” em janeiro de 1962. É a quarta cover dos Beatles no álbum Please Please Me. John foi o vocalista, e George Martin tocou piano na faixa.

A Taste Of Honey - Lenny Welch
Embora houvesse algumas versões instrumentais em 1962, a versão de Lenny Welch, lançada em 17 de setembro de 1962, foi a primeira versão vocal de “A Taste Of Honey”. Lenny Welch era um cantor negro de Asbury Park, New Jersey, e teve hits no início dos anos sessenta com “Since I Fell For You” e “Ebb Tide”.A Taste Of Honey foi a quinta canção gravada para o álbum Please Please Me. Paul canta o vocal principal com a voz dobrada.
Till There Was You - Peggy Lee
“The Music Man”, escrita por Meridith Wilson, foi um grande sucesso da temporada da Broadway de 1957, tendo 1.375 performances e batendo o recorde de "West Side Story”. O elenco original era estrelado por Robert Preston e Barbara Cook, que cantou “Till There Was You”, uma das canções do show. Till There Was You foi um hit no Reino Unido gravado por Peggy Lee em Março de 1961. Paul McCartney foi apresentado à música por um primo mais velho que ocasionalmente era babá dos dois irmãos McCartney. A versão dos Beatles de Till There Was You foi gravada em 18 de julho e 30 de julho de 1963, com Paul fazendo vocal e Ringo nos bongôs, já que foi decidido que a bateria seria muito pesada para esta faixa.

Please Mr. Postman - The Marvelettes
Outro girl group de Detroit, “The Marvelettes” juntaram-se em 1960, e foram descobertos pela Motown, após entrar em um concurso de talentos ainda na escola. O hit “Please Mr. Postman” chegou ao número 1 em 1961, e foi só isso. Gravada na mesma sessão Till There Was You em 30 de julho de 1963, a versão dos Beatles de Please Mr. Postman foi gravada em nove tomadas com John nos vocais principais.

Roll Over Beethoven - Chuck Berry
Chuck Berry dispensa apresentações. Nascido em 1926 em St. Louis, Berry foi descoberto por Leonard Chess da Chess Records em Chicago indicado pelo cantor de blues Muddy Waters, e passou a influenciar cada músico de rock que apareceu depois dele, incluindo os Beatles. Seu primeiro hit no Chess Records foi Maybellene em 1955. O segundo, Roll Over Beethoven, alcançou o número 29 no top 40 das paradas em 1956. Ele chegou a ter mais 10 hits no top 40 até 1964, incluindo uma outra canção que os Beatles também gravaram “Rock and Roll Music”, de 1957. A gravação dos Beatles com George comandando os vocais também foi em 30 de julho de 1963. Em cinco takes.
You Really Got A Hold On Me - The Miracles
Formado em 1957 em Detroit, o grupo “The Miracles” mais tarde ficou conhecido como Smokey Robinson and The Miracles. Bob Dylan já considerou Smokey Robinson como " O maior poeta vivo DA America". Seu quarto sucesso, “You Really Got A Hold On Me”, foi lançado em 1963 e atingiu o número 8 nas paradas pop. The Miracles ainda tiveram muitos outros sucessos nos anos sessenta, seu último hit foi Tears of a Clown em 1970. A versão dos Beatles de You Really Got A Hold On Me, com John nos vocais principais, foi a primeira música gravada durante as sessões de With The Beatles em 18 de julho de 1963.
Devil In His Heart - The Donays
Durante 1961 a 1966, no auge da era das girl groups, muitos grupos obscuros iam e vinham rapidamente. The Donays, com a vocalista Yvonne Allen lançaram “Devil In His Heart” (cujo lado B era Bad Boy) que não chegou aos charts em 1962. Separaram-se logo depois. Essa versão das Donays conseguiu atenção depois que os Beatles fizeram sua versão. Eles a rebatizaram de “Devil In His Heart”, e foi gravada em 18 de julho de 1963, em três tomadas, com três overdubs, e George fazendo vocais.
Money - Barrett Strong
A carreira de Barrett Strong carreira começou em 1961 com “MONEY”, um dos primeiros sucessos fundador da Motown, Berry Gordy, alcançando o número 23 nas paradas pop. Barret, em seguida, continuou, com Norman Whitfield, para escrever alguns dos maiores sucessos da Motown, incluindo “Ball of Confusion” e “Papa Was a Rolling Stone”. Ele também escreveu o sucesso “I Heard It Through The Grapevine”. Os Beatles gravaram “Money” em 18 de julho de 1963, em sete takes.
 
Dizzy Miss Lizzy e Bad Boy - Larry Williams

Larry Williams foi o autor de algumas das pedradas mais violentas já gravadas pelos Beatles. O mundo tremeu quando ouviu Dizzy Miss Lizzy, Slow Down e Bad Boy na interpretação magnífica e enérgica de John Lennon! Larry Williams, nasceu em 10 de maio de 1935, em New Orleans. Se projetou a princípio como o pianista da banda de Lloyd Price, mas ganhou notoriedade quando os Beatles ragravaram vários de seus sucessos. Williams era um dos compositores preferidos de John Lennon, que em sua carreira solo ainda gravou Just Because e Bony Moronie e de Paul McCartney que regravou She Said, Yeah no seu álbum Run Devil Run. Em 7/01/1980, Larry Williams, o criador de "Bad Boy”, cometeu suicídio com um tiro de revólver. Link para o discão de Larry Williams: http://obaudoedu.blogspot.com/2011/01/rock-and-roll-classics-larry-williams.html

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

THE BEATLES - WITH THE BEATLES - 1963 - A SEGUNDA BOMBA ATÔMICA 💥💥💥💥⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐

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Os Beatles tiveram cinco anos para se preparar para o primeiro álbum e menos de cinco meses para se preparar para o segundo. Depois de anos se reunindo na casa de Paul, com muito tempo livre, eles agora eram forçados a escrever em quartos de hotel, ônibus de turnê e camarins — onde quer que tivessem um momento de sossego. Essas pressões fazem com que a fonte de alguns compositores se acabe, mas isso provou ser um estímulo positivo para John e Paul, que logo, desenvolveram uma extraordinária habilidade de compor, quando quisessem, sucessos que chegavam ao número 1. Os dois pareciam ter uma sensibilidade natural para descobrir o que seu público queria ouvir. Por entenderem que era importante que cada garota da plateia sentisse que cantavam exclusivamente para ela, muitas das canções tinham "you" no título - "From Me To You", "Thank You Girl" e "I'll Get You". No entanto, se no começo da carreira eles podiam escrever para um público pequeno, que conheciam pessoalmente, com o sucesso tudo mudou.
De repente, a polícia tinha de criar formas mirabolantes de transportá-los com segurança, e eles se tornavam famosos em países que nunca tinham visitado. Ainda assim, no auge da Beatlemania, muitas vezes sendo perseguidos por hordas de fãs histéricos, eles ainda conseguiam fluxo constante de singles de sucesso. "I Want To Hold Your Hand", por exemplo, foi escrita para o mercado americano e os impulsionou ao topo da parada da Billboard, fazendo deles os primeiros artistas britânicos a conquistar os EUA. De fato, as viagens internacionais constantes e a mudança para Londres colaboraram para as composições porque expuseram os Beatles a um número muito maior de influências. Todo mundo que eles conheciam parecia querer mostrar algo novo. Através do seu relacionamento com a atriz Jane Asher, Paul estava se familiarizando com musicais, com o teatro e a música clássica. Enquanto isso, John estava enfurnado em seu apartamento em Kensington ouvindo discos importados de grupos negros americanos, como The Miracles,The Shirelles e The Marvelettes.

WITH THE BEATLES, o segundo álbum da banda, foi uma gravação muito mais pensada que o primeiro, com sessões espalhadas em um período de três meses. Ele chegou ao número 1 na Inglaterra pouco depois de seu lançamento, em novembro de 1963, e se tornou o primeiro álbum pop a vender mais de um milhão de cópias. Uma versão de With The Beatles, intitulada Meet The Beatles, foi lançada nos EUA em janeiro de 1964 e também chegou ao primeiro lugar.

Com mais dinheiro, George Martin se deu ao luxo de reservar os estúdios em Abbey Road de julho a outubro de 1963, período em que o segundo disco dos Beatles foi gravado. A idéia era seguir a mesma linha de Please Please me. Metade das faixas era composta de covers, a outra metade, originais dos Beatles. Só que agora, a inspiração vinha da Motown. As canções de Lennon & McCartney também eram mais bem acabadas e menos derivativas, trazendo um inconfundível toque pessoal. All I've Got To Do, It Won’t Be Long e Not a Second Time, de Lennon, eram persistentes e incisivas. Little Child era um exercício de R&B de John e Paul, com a gaita de Lennon fazendo a diferença. Já McCartney reciclou Hold Me Tight (rejeitada de Please Please Me) e também criou All My Loving, um sucesso cuja melodia agradava pessoas de 8 aos 80. George Harrison timidamente saia do casulo e apareceu com sua primeira música em um álbum oficial dos Beatles, Don’t Bother Me. John e Paul escreveram I Wanna Be Your Man especialmente para os Rolling Stones. Quando chegou a vez dos Beatles registrarem a canção, Ringo Starr ficou com os vocais e cantou com energia e entusiasmo. Para não quebrar a regra, havia um cover de um grupo de garotas Devil In Her Heart, das Donays e uma regravação de um clássico de Chuck Berry, Roll Over Beethoven. E Paul novamente veio com uma canção oriunda do teatro musical. Desta vez era Till There Was You, de Meredith Wilson, da peça The Music Man. Os covers da Motown são bem acima da media, incluindo You Really Got Hold On Me de Smokey Robinson & The MiraclesPlease Mr. Postman (The Marvelettes) e Money (That’s What I Want) de Barret Strong. Aqui, Lennon repetiu a dose de Please Please Me e simplesmente tornou sua uma canção que antes era identificada como de outro artista. A capa do álbum foi obra de fotógrafo, design e cineasta Robert Freeman.

Essa foto dos Beatles, na capa de With The Beatles, fotografados à meia-luz, também se tornou mais outro clássico, valorizando ainda mais o discãozaço que trazia. 10, nota 10!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

THE BEATLES - A CONQUISTA DO OESTE - PARTE 2

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Indiscutivelmente, 1964 foi o ano decisivo para a carreira dos Beatles e do “fenômeno” mundialmente conhecido como “Beatlemania”. E o dia 9 de fevereiro, entraria para a história do mundo e da música, como o dia mais importante de suas carreiras. “O dia em que os gigantes andaram sobre a terra pela primeira vez”. Naquele dia, os Beatles – quatro rapazes do norte da velha Inglaterra – conquistaram numa paulada só, todo os Estados Unidos: público, crítica, gravadoras e distribuidoras. O trabalho de marketing que Brian Epstein fez antes, durante e depois da primeira apresentação dos Beatles nos Estados Unidos, foi louvável, no mínimo brilhante e absolutamente sensacional. Isso deveria ser ensinado hoje nas “Escolas Superiores de Propaganda”. Ali, quando aterrisaram e saíram do avião em Nova York, os Beatles comprovaram tudo que Brian lhes prometera quando fizeram o acordo. Naquele dia, nascia a tal da “globalização”: os dois lados do Atlântico totalmente dominados. Nenhum outro grande conquistador da história havia consseguido isso. Pela primeira vez, o mundo falaria uma mesma língua: Yeah, yeah, yeah!
Caros amigos: esta é a 2ª parte do especial “THE BEATLES – A CONQUISTA DO OESTE”. Espero (claro) que gostem e se divirtam antes de tudo. A parte 3 (e última) será no dia 21 de fevereiro, quando os Beatles finalmente voltaram para casa, depois de todo o “tsunami” que causaram nos States. Não deixem de conferir. Imperdível!
Esta matéria que a gente confere a seguir, foi publicada no site da revista Veja (http://veja.abril.com.br/historia/beatles-beatlemania-1964/show-ed-sullivan-tv-conquista-america.shtml) e eu acabei achando legal porque quem “fez” a matéria, a deixou ‘quase’ como se tivesse sido escrita realmente em fevereiro de 1964. Na verdade, o primeiro nº da revista (impressa) foi em 10 de 1968 e a chamada da capa era “O grande duelo no mundo comunista”.
A espera foi longa e sofrida – ao menos para os padrões de um adolescente que não consegue tirar alguma coisa da cabeça. Demorou mais de um ano desde que eles estouraram na terra da rainha, mas os americanos finalmente puderam ver de perto os Beatles, o jovem fenômeno britânico que contagia multidões e enlouquece seus fãs, no último dia 9, no Ed Sullivan Show, da TV CBS. A audiência televisiva da apresentação, realizada num teatro da Broadway, em Manhattan, foi nada menos que impressionante: 73 milhões de pessoas ficaram grudadas à tela durante a exibição. A partir do momento em que Paul McCartney abriu a boca para cantar close your eyes and I’ll kiss you (de All My Loving), não tinha mais volta. Não há um canto da América que não tenha sucumbido à febre da chamada "beatlemania".
Foram cinco canções apenas: All My Loving, Till There Was You, She Loves You, I Saw Her Standing There e I Want To Hold Your Hand. E foi o bastante para que os Beatles tivessem os Estados Unidos a seus pés. Mas o começo ainda foi tenso, por conta de um contratempo: o guitarrista George Harrison só conseguiu subir ao palco às custas de muito remédio, por causa da violenta gripe com a qual tinha desembarcado na América. George não participou da passagem de som e nem do teste de palco para as câmeras, realizados no dia 8. Quando os Beatles tocaram Till There Was You, John Lennon foi enquadrado pela câmera, e uma legenda divertida apareceu: Sorry girls – he’s married ("Desculpem, garotas – ele é casado"). Segundo a produção do programa, a platéia que assistiu os Beatles dentro do estúdio da CBS foi de 728 pessoas – todas elas agora na mira da inveja de dezenas de milhões de fãs.
Não é para menos. A apresentação dos Beatles no programa já entrou para a história. Há mais de uma década, o carismático Ed Sullivan apresenta o show de variedades que se tornou uma verdadeira instituição americana. Todos os domingos, às 20 horas em ponto, os telespectadores ligam a TV e não perdem uma cena do programa, transmitido ao vivo – não só para ver nomes consagrados da música popular, mas também para descobrir novas tendências e talentos promissores. Com os Beatles não foi diferente, ainda que tenham se apresentado entre comediantes e shows de mágica. Na noite em que os quatro rapazes ingleses tomaram o palco, algo de muito especial aconteceu. Numerosos artistas já tiveram a chance de se apresentar ali. O impacto do show dos britânicos, porém, parece ter sido mais poderoso do que qualquer outro.
Um exemplo? A polícia de Nova York informou que, durante o tempo em que os Beatles se apresentaram naquela noite de domingo, não houve um crime sequer reportado nos Estados Unidos. Ao ser questionado sobre isso, George Harrison brincou: "Até os criminosos pararam durante 15 minutos enquanto estávamos no ar". E ele está certo. Difícil ficar indiferente a uma apresentação da banda. Não é apenas o charme de John, Paul, George e Ringo que contagia. As melodias são memoráveis e as letras das canções são diretas e coloquiais, criando um elo emocional instantâneo entre os quatro garotos e seus fãs. As mensagens são claras: "de mim para você", "ela te ama", "quero segurar sua mão". Nada mais simples, nada mais doce. Os Beatles, pelo que se vê, aprenderam esse truque ouvindo muito Carole King e Gerry Goffin, do Brill Bulding.
Estratégia e promoção - Quando a gravadora Capitol lançou I Want To Hold Your Hand e I Saw Her Standing There, em 26 de dezembro do ano passado, o coração da indústria musical americana já estava preparado. Já na semana seguinte, o disco entrou na parada, em 83º lugar,pulando para 42º na outra semana e chegando ao topo em 15 de janeiro. Os Beatles, que na ocasião estavam trabalhando duro em Paris, comemoraram com o empresário Brian Epstein (que colocou um penico na cabeça imitando um chapéu) e com o produtor George Martin, os dois mentores do sucesso do grupo.
Antes da primeira incursão até os EUA, a Capitol montou um cuidadoso esquema de divulgação, incluindo anúncios, aparições promocionais e até peças publicitárias.Além da agenda montada pela gravadora, Brian havia planejado outras aparições para a banda. Com muita insistência, convenceu Sullivan a receber os Beatles em seu conceituado programa de TV. Quando o apresentador estreou seu show, em 1947, já era respeitado nos bastidores da TV americana (ele vem do colunismo social e também teve passagem pelo rádio). O programa dele, contudo, não foi o único responsável por dar início à febre.
Na verdade, a conquista dos Estados Unidos começou já no dia 7, quando o voo 101 da Pan Am aterrissou em Nova York, no Aeroporto Internacional da cidade (que há dois meses passou a ser chamado de John F. Kennedy, em tributo ao presidente morto no ano passado). No exato instante em que os Beatles pisaram pela primeira vez em solo americano, cerca de 10.000 fãs entraram em delírio à beira da pista. E a cena atraiu a atenção do mundo todo. A histeria da beatlemania é algo até hoje nunca visto, nem nos anos de Elvis Presley.
Humor contagiante - Aproximadamente duzentos jornalistas estavam a postos no saguão do aeroporto. Os repórteres pareciam certos de que conseguiriam arrancar alguma declaração tola ou polêmica dos rapazes. Mas os quatro lançaram mão de seu charme e irreverência e dobraram qualquer resistência à sua chegada. Quando um repórter perguntou sobre um movimento em Detroit para acabar com os Beatles, Paul respondeu: "Nós também temos nosso movimento para acabar com Detroit". Quando a entrevista começou a ficar muito barulhenta, John soltou um sonoro "calem a boca". Todos riram. No dia seguinte, o jornal londrino The Times publicou: "O humor dos Beatles é contagiante".
Os garotos de Liverpool não são, contudo, uma unanimidade. O mundo adulto não sabe bem o que fazer com eles. Boa parte da imprensa "séria" americana tratou o quarteto com condescendência. Como a abertura da reportagem da revista semanal Newsweek: "Visualmente, são um pesadelo. Ternos eduardianos apertados e cabelos em forma de tigela. Musicalmente, um desastre: guitarras e bateria detonando uma batida impiedosa, que afugenta ritmo, melodia e harmonia. As letras (pontuadas por gritos de ‘yeah, yeah, yeah’) são uma catástrofe, um amontoado de sentimentos baseados em cartões do dia dos namorados".
Seguindo a mesma linha, O New York Daily News publicou: "Bombardeada com problemas ao redor do mundo, a população voltou seus olhos para quatro jovens britânicos com cabelos ridículos. Em um mês, a América os terá esquecido e vai ter que se preocupar novamente com Fidel Castro e Nikita Krushev". Mas será mesmo que eles logo mergulharão de volta à obscuridade? Os Beatles podem parecer estranhos a princípio, quase como bonecos. Mas uma os difere do resto das estrelas que dominam as paradas de sucessos hoje em dia: ninguém os manipula. O jovem quarteto provou que artistas pop não têm que ser falsos ou bobos, ou uma combinação de ambos. O importante é que são reais. Fumam, bebem, até falam palavrões. E derrotam seus inimigos com charme e um doce sorriso.
Na virada para 1964, os Beatles se tornaram a maior banda do mundo. Agora, há uma câmera ligada em qualquer lugar em que estejam. A visita aos EUA só potencializou o espantoso assédio a que são impiedosamente submetidos: são filmados ou fotografados dentro do avião, com a multidão à espera no aeroporto, no desembarque, na entrevista coletiva, dentro da limusine, no hotel, nos estúdios de rádio do DJ nova-iorquino Murray the K (talvez o maior incentivador da beatlemania nos EUA), e, claro, no palco do Ed Sullivan Show. As lentes que capturaram a eletrizante apresentação dos quatro no programa, porém, fizeram mágica. Transmitiram para mais de 70 milhões de pessoas uma sensação que já tinha conquistado multidões de fãs do outro lado do Atlântico. Apostar que tenha sido apenas uma febre momentânea parece no mínimo arriscado.
A mesma edição traz ainda um texto bem legal do próprio George Martin.
A FÁBRICA DE HITS
O produtor responsável pelas gravações de sucesso dos Beatles explica como conseguiu capturar a essência do grupo e registrar em disco toda a energia que os rapazes apresentavam no Cavern
Minha admiração pelos Beatles começou antes mesmo de eles pisarem nos estúdios da EMI, em Abbey Road, onde trabalho como produtor musical. Eu tinha estado no Cavern e visto uma apresentação deles, conhecia seu repertório, sabia o que podiam apresentar, e então disse: "Vamos gravar todas as músicas que vocês têm. Venham até o estúdio e faremos uma gravação rápida em um dia". Começamos por volta das 11 da manhã, terminamos às 11 da noite, e gravamos um álbum completo durante esse tempo. Portanto, podemos dizer que o primeiro LP dos Beatles foi gravado em doze horas.
O primeiro álbum foi, na verdade, uma amostra do repertório deles. Normalmente, gravamos singles, e as músicas que não são lançadas como singles vão para os álbuns. O segundo LP, With The Beatles, também foi feito assim. É apenas uma coleção de suas músicas, e uma ou outra feita por outras pessoas. Só agora isso está mudando, as bandas estão começando a pensar um álbum como algo completo e com identidade própria. Já estamos comprometidos com essa nova ideia para o próximo disco, que será lançado neste ano.
Inicialmente, os Beatles não tinham muita experiência em gravações. A coisa funcionava de um jeito muito simples: eles ensaiavam uma música e ela era gravada em seguida. Eu os encontrava, trabalhava no material disponível e pedia que apresentassem a próxima. Eles então ensaiavam e a gente gravava. Foi somente depois do primeiro ano que eles começaram realmente a se interessar por técnicas de estúdio. Agora são mais exigentes e por isso nem sempre tudo fica pronto no primeiro take. Eles escutam e aí repetem tudo duas ou três vezes até conseguirem o que querem. Mas isso começou agora. Só mais recentemente puderam arcar com mais tempo de estúdio e refazer todas as gravações que desejam.
Como produtor musical, não tenho grande influência nas letras dos Beatles. Apenas digo quando acho que uma letra não soa muito bem, ou sugiro que façam outros oito compassos ou mais, mas eles normalmente me dão as músicas prontas. Meu trabalho é principalmente contribuir com ideias para os arranjos. Devo confessar que, no ano passado, cheguei a pensar que os Beatles não durariam. Mas foi muito gratificante quando eles chegaram no topo das paradas.
Levou um ano inteiro até conseguirem um sucesso internacional. Só agora alcançaram o primeiro lugar nos Estados Unidos – todo o ano de 1963 foi dedicado a consolidar o nosso trabalho na Inglaterra. Lançamos vários singles de sucesso, como Please Please Me, From Me To You, She Loves You e I Want To Hold Your Hand. Assim que gravávamos, eu mandava uma cópia para meus amigos da Capitol Records, nos EUA, dizendo: "Este grupo é fantástico, vocês precisam ouvi-los, lançá-los e vendê-los aí". E era sempre a mesma coisa. Eles recusavam, dizendo: "Sinto muito, mas conhecemos nosso mercado melhor do que você, e além disso eles não são muito bons". Fico imaginando o que eles devem estar pensando agora.
Para terminar, a gente confere o que Barry Miles fala no livro "O Diário dos Beatles" sobre o histórico 9 de fevereiro de 1964:
Studio 50, West 53rd Street. Durante toda a manhã, os Beatles ensaiam para o Ed Sullivan Show. A tarde, eles gravam músicas para outro Ed Sullivan Show, que seria levado ao ar depois que deixassem o país. Este seria o terceiro show da banda - o primeiro seria exibido ao vivo naquela noite e o segundo seria transmitido ao vivo da Flórida, em 16 de fevereiro. Para a "terceira" apresentação eles gravaram: "TwistAnd Shout", "Please Please Me" e "I Want To Hold Your Hand". O público que participou da gravação do terceiro show foi diferente do que compareceu à transmissão ao vivo naquela noite, que também contou com a participação de Gordon e Sheila MacRae e The Cab Calloway Orchestra. Os Beatles abriram o show às 20h com "All My Loving", "Till There Was You" e "She Loves You", em seguida houve uma pausa comercial do analgésico Anadin, e outros convidados Sullivan se apresentaram - Georgia Brown & Oliver Kidds, Frank Gorshin, Tessie O'Shea. Após outro intervalo comercial, agora dos cigarros Kent, os Beatles fecharam o show com "I Saw Her Standing There" e "I Want To Hold Your Hand". Foram 13 minutos e meio de televisão que mudaram a cara da música popular americana. De acordo com a pesquisa Nielsen, 73.700.000 pessoas assistiram aos Beatles no Ed Sullivan Show, um recorde de audiência não só do programa, como da história da TV. Meia hora antes de subir ao palco, Brian Sommerville entregou-lhes um telegrama: "Parabéns pela participação no Ed Sullivan Show e pela visita aos Estados Unidos. Esperamos que o programa seja um sucesso e a sua estada no país agradável. Lembranças ao sr. Sullivan. Atenciosamente, Elvis & o "Coronel". George leu o telegrama e perguntou com a maior cara de pau, "Quem é esse tal de Elvis?". Após o programa, Murray the K levou os Beatles ao Playboy Club; mas George não pode acompanhá-los, pois ainda estava com dor de garganta. Protegidos por uma escolta policial, aventuraram-se a caminhar algumas quadras até a 59th Street, onde foram rapidamente levados ao bar do clube para jantar. Mais tarde, foram à discoteca Peppermint Lounge, o berço do twist, onde Ringo brilhou dançando com uma jovem chamada Geri Miller ao som dos Beatles. Os rapazes foram embora às 4h.
De tudo, o que acho mais legal, foi que os Beatles não tremeram e em nenhum momento se fizeram de rogados. Não eram apenas caipiras ingleses que se apresentavam ali. Eles (os quatro), estavam incrivelmente limpos, bonitos, e usando os ternos “Dior”, com os cabelos cuidadosamente penteados. Sabiam bem da missão que iriam cumprir. Embaixo daquilo tudo, das roupas, das botas e dos cabelos, eles ainda eram (quase) os mesmos meninos Beatles que pouco antes (menos de 3 anos) saíram de Liverpool, para conquistar primeiro os alemães, em Hamburgo. Agora, os Beatles eram os “reis”: do pop, do rock, do strot... de qualquer coisa! Esses Estados Unidos e sua gente, nunca tinham visto nada parecido antes. Nem seu próprio rei, Presley. Ainda durante a chegada no aeroporto JFK, eles já sabiam: “TÁ TUDO DOMINADO!”. E estava mesmo! ‘Vimos, viemos e conquistamos!’ – John Lennon. E agora, vamos ao que mais interessa: os Beatles quebrando o cacete no show do Ed Sullivan em 9 de fevereiro de 1964. Abração a todos!
"AND NOW... HERE THEY ARE: THE BEATLES!"