sexta-feira, 25 de outubro de 2019
terça-feira, 22 de outubro de 2019
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
OS INCRÍVEIS ÚLTIMOS VÍDEOS DOS BEATLES!

É difícil alguém precisar qual foi o primeiríssimo vídeoclipe, mas sem dúvidas, os Beatles foram os pioneiros a usar essa forma de mesclar cinema e música. Foram eles que se aventuraram pela primeira vez em vídeos musicais promocionais que, apesar de não serem considerados videoclipes de fato, serviam para que eles pudessem aparecer em mais programas de TV sem terem que ir ao vivo nos estúdios. Cansados da gritaria das plateias histéricas, os Beatles começaram a substituir as apresentações ao vivo na TV por gravações.

O diretor Richard Lester pode ser considerado o “pai dos videoclipes” pelo tratamento cinematográfico que preparou como pano de fundo para as canções presentes nos filmes A Hard Day’s Night (1964) e Help! (1965). De lá pra cá essa indústria cresceu demais e passados já quase 50 anos desde o fim (?) dos Beatles, graças a esses recursos tecnológicos e a genialidade de mentes brilhantes, somos brindados novamente com a beleza do novíssimo vídeo de “Here Comes The Sun”. No final do ano passado, já tinham sido produzidas outras duas belezas – os vídeos de “Glass Onion” e “Back In The USSR” para os 50 anos do Álbum Branco. Mas quem são essas tais mentes brilhantes por trás dessas pequenas maravilhas?

Alasdair Brotherston e Jock Mooney da Trunk Animation. A Trunk é uma produtora independente premiada pelo BAFTA com uma lista de diretores internacionais que utilizam inúmeras técnicas de animação, ação ao vivo e projeção. A empresa procura continuamente desenvolver estilos visuais e de narração eficazes, seja para comerciais, videoclipes, comissões de transmissão ou campanhas interativas.

A mágica com os Beatles começou quando a Universal e a Apple Corps Ltd. pediram aos diretores Alasdair & Jock para criar um videoclipe para os Beatles de “Glass Onion”, terceira faixa do álbum branco. Com fotos e imagens raras do arquivo dos Beatles, o videoclipe "Glass Onion" leva os fãs a uma jornada pela criação do poster que acompanha o álbum. Trabalhando em estreita colaboração com a Apple Corps, o vídeo foi produzido por Richard Barnett e Layla Atkinson, da Trunk Animation, e dirigido pela equipe de diretores da Alasdair & Jock, que reconstruiu meticulosamente e animou vividamente a montagem do poster original.

O poster, criado pelo diretor de arte do álbum branco Richard Hamilton, juntamente com Paul McCartney, foi construído em um cavalete no estúdio de Hamilton, no norte de Londres, usando imagens fornecidas por cada um dos Beatles. E foi com isso, com a construção desse poster que a equipe foi solicitada a se inspirar.


Trabalhar com uma arte estática como ponto de partida se tornou um desafio maravilhoso. O poster do White Album contém uma montagem de imagens, incluindo fotografias, tiras de filmes, desenhos e elementos coloridos à mão, todos fornecidos pela banda a Hamilton e McCartney, e que refletem a natureza eclética das faixas do álbum.

A equipe da Trunk, decidiu criar uma peça que mostrasse o processo de tomada de decisão curatorial da obra de arte, como se fosse pelos olhos de Hamilton e McCartney. À medida que a faixa é reproduzida, as imagens são adicionadas e removidas, os elementos são coloridos e manipulados, as filmagens são executadas e unidas e os elementos desenhados são trazidos à vida. Com acesso ao arquivo da Apple e ao arquivo pessoal de Paul McCartney, Alasdair & Jock puderam incluir imagens que contam histórias por trás da criação e distribuição do álbum, bem como imagens que refletem a letra.

A equipe usou uma infinidade de técnicas para dar vida à peça, incluindo stop motion, live action, 2D desenhado à mão em papel, modelagem 3D, filme de rascunho, substituições de corte de tribuna, pixilation e obras de arte pintadas à mão. Com o olhar artístico de Jock Mooney liderando a obra de arte e Layla Atkinson liderando a impressão, a pré-produção do projeto foi intensa. Para obter a aparência final, milhares de fotografias de fontes de arquivo foram editadas, impressas, numeradas e pintadas, arranhadas ou geralmente manuseadas, antes de serem filmadas sob uma câmera de controle de movimento. Como o vídeo continha tantas técnicas diferentes, nunca houve um momento de tédio, desde a criação de cenários que representavam o estúdio de Richard Hamilton até o corte cuidadoso de milhares de fotos, incluindo algumas imagens particularmente delicadas de Ringo Starr, que ostentava um penteado fabulosamente desgrenhado.

Os diretores Alasdair & Jock observaram: “Trabalhar em um álbum tão importante foi uma honra, e foi ótimo trabalhar com o arquivista da Apple Aaron Bremner, que foi capaz de fornecer imagens de alta qualidade para algumas das referências mais abstratas! Foi fundamental para nós obter as imagens certas para contar a história não apenas do pôster, mas do álbum e de todos os envolvidos. Espero que tenhamos capturado uma parte da magia, do frenesi e do processo turbulento de fazer um álbum tão incrível”.
Com o primeiro vídeo dos Beatles de Alasdair & Jock para 'Glass Onion' mal copiado para a 'nuvem', a Trunk trouxe novamente a mania dos Beatles para o estúdio. Dessa vez, Alasdair & Jock foram convidados a dirigir um vídeo com a letra de uma das faixas mais famosas do álbum – a que abre o álbum - “Back In The U.S.S.R”.

A música é um pastiche perfeito do som dos rapazes felizes dos Beach Boys, parodiando as despreocupadas 'California Girls', mas com um toque satírico. Há cinquenta anos, a faixa dos Beatles foi um sucesso instantâneo e, com o mix atualizado de Giles Martin, mais uma vez parece incrível. O conceito era brincar com texturas brancas sobre fundo branco e depois colocar traços selvagens de verde na peça para adicionar reflexos de cor.

Tendo jogado com algumas técnicas de scratch film em “Glass Onion”, sentiu-se que essa era uma boa área para começar. Jock Mooney liderou a equipe experimentando diferentes técnicas de pintura, garantindo uma série de diferentes efeitos de pintura. Assim como em “Onion”, cada quadro foi impresso. Essas molduras eram pesadamente pintadas à mão, às vezes várias vezes para ferver as texturas.

O verde da caligrafia de Paul tornou-se uma grande parte nas centenas de folhas de acetato produzidas por Layla Atkinson, que também era canhota e conseguiu entrar no fluxo da escrita de Paul. Com a edição de Alasdair Brotherston, as numerosas camadas de obras de arte e filmagens foram reunidas para formar belas sequências quase caóticas, que também têm uma pequena sugestão do humor dos Beatles. Alasdair & Jock observaram: “Sermos convidados para fazer um vídeo para “Back In The U.S.S.R” foi como um enorme voto de confiança pelo trabalho duro que dedicamos à Glass Onion durante o verão".

Todos os envolvidos concordaram que os dois vídeos deveriam pertencer à mesma família, mas que esse vídeo deveria se concentrar menos nas imagens da banda. Durante a produção de 'Glass Onion', passamos muito tempo trabalhando com o arquivista Aaron Bremner, que enviava clipes e trechos de bobinas que geralmente vinham com os líderes do filme repletos de escrita rabiscada, linhas e letras impressas e buracos. Pensamos que criar um vídeo com base nessa linguagem visual e poderia parecer realmente novo e urgente e combinar perfeitamente com a energia da faixa, além de capturar parte do processo pelo qual estávamos trabalhando.

Quando a equipe enviou a folha de letra manuscrita de Paul McCartney, ela realmente completou o quadro. Isso, junto com as filmagens feitas nos aeroportos e a bordo dos próprios Beatles, realmente deu ao vídeo um toque íntimo e pessoal”.

O vídeo de "Here Comes the Sun" foi lançado em comemoração ao 50º aniversário de Abbey Road, no ´dia 26 de setembro de 2019.

Novamente dirigido por Alasdair Brotherston e Jock Mooney, da Trunk Animation, e produzido por Maria Manton, também da Trunk. Um relógio, uma xícara, uma guitarra... O vídeoclipe de "Here Comes The Sun" mostra fotos vintage do grupo flutuando pelo Studio Two, da Abbey Road Studios, onde eles gravaram o icônico álbum. Fotografadas por Linda McCartney, as imagens passam pelos instrumentos, subindo acima da bateria de Ringo Starr para formar um sol dourado gigantesco.

O vídeo muda para a animação dos pés dos Beatles atravessando a famosa faixa de pedestres, com um pássaro branco olhando por eles. Conclui com imagens da sessão final de fotos da banda, quase um ano antes de anunciar sua separação em 1970.


O grupo fica em Tittenhurst Park, na Inglaterra, cercado por flores silvestres, na casa de John Lennon e Yoko Ono.

O vídeo apresenta o mix estéreo de 2019 de "Here Comes the Sun" da reedição do 50º aniversário de Abbey Road, no dia 27 de setembro. Foi remixado pelo produtor Giles Martin - filho do estimado produtor dos Beatles George Martin - e pelo engenheiro Sam Okell. Consiste em um remix de todas as 17 faixas, bem como 23 gravações íntimas e demos. Está disponível em uma variedade de pacotes, incluindo um conjunto de caixas de luxo composto por um livro de capa dura e um blu-ray do álbum em estéreo, som surround 5.1 e Dolby Atmos. É isso aí. Good job boys! E que venham ainda muitos mais!!!


PETER FRAMPTON DÁ ADEUS AOS PALCOS COM WHILE MY GUITAR GENTLY WEEPS

Nesses mais de onze anos do Baú do Edu, Peter Frampton já apareceu aqui incontáveis vezes. E acredito sinceramente que ainda vai continuar aparecendo por muitos anos, amém. Para mim, como para qualquer um que testemunhou Peter Frampton, no auge dos anos 70, blusa de peito aberto, empunhando uma Gibson Les Paul preta e ostentando uma vasta cabeleira loira - e chegou a ser chamado de "menino de ouro do rock", chega a parecer quase inacreditável que ele esteja sofrendo de um mal desses e ainda, de certa forma, tão jovem.

Peter Frampton, de 68 anos, fez a última apresentação de sua carreira no sábado, 12 de outubro, na cidade californiana de Conford. Ele foi diagnosticado com MIOSITE, doença degenerativa dos músculos, que com o tempo irá afetar sua habilidade em tocar guitarra. Mas Frampton reservou uma surpresa para a canção de encerramento do show. Ao invés de tocar "Show Me the Way" ou "Do You Feel Like We Do", o músico escolheu como tema de despedida uma canção dos Beatles: "While My Guitar Gently Weeps", de George Harrison, uma declaração de amor à guitarra.

O anúncio da doença de Peter Frampton foi feito em fevereiro, mas ele já vinha sentindo os sintomas da doença desde três anos e meio atrás, depois de sofrer uma queda. No ano passado, o autor de "Breaking All the Rules" percebeu que seus músculos estavam perdendo força rapidamente. A turnê de despedida do instrumentista inglês foi marcada por um ato de filantropia. Cada dólar obtido na venda dos ingressos foi revertido para o hospital John Hopkins, onde ele está sendo tratado da doença.

Em Concord, Frampton se apresentou para uma plateia de 12.500 pessoas. O guitarrista abriu o set com Baby (Something’s Happening), faixa de seu terceiro álbum, e mesclou o show com hits do passado e músicas que o influenciaram. No primeiro quadro estão baladas como "Baby I Love Your Way". No segundo, um punhado de canções do bluesman Freddie King e Black Hole Sun, do Soundgarden. "I Don’t Need no Doctor", de Ray Charles, remonta aos tempos em que Frampton integrava o Humple Pie, uma das lendas do rock inglês dos anos 60. A própria "While My Guitar Gently Weeps" tinha sido regravada pelo instrumentista no álbum Now, de 2003.

Peter Frampton é uma das lendas do rock desde o início dos anos 70. Um de seus feitos foi Frampton Comes Alive, disco duplo ao vivo e que vendeu onze milhões de cópias no mundo inteiro. Em entrevista à Rolling Stone, ele declarou que preferiu encerrar as atividades enquanto ainda é capaz de fazer um bom show. “Não estou fazendo uma turnê de despedida, mas sim mostrando que ainda sei tocar muito bem”.
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
THE BEATLES SINGLES COLLECTION 2019. É MOLE?

Neste ano, uma das obras-primas dos Beatles comemora 50 anos, Abbey Road. Para aproveitar a época de comemorações, edições deluxe foram lançadas e um clipe especial de "Here Comes The Sun" também foi ao ar. Agora, anunciaram um conjunto em vinil com todos os singles em edição limitada.

Todos os 23 singles lançados entre 1962 e 1970 foram remasterizados para a coleção que será lançada no dia 22 de novembro. Uma faixa dupla especial feita nos anos 1990, "Free As A Bird" e "Real Love" também está incluída. Cada single vem com a capa do lançamento original e cada conjunto de caixas possui um livrinho de 40 páginas com fotos, efemeridades e ensaios detalhados por Kevin Howlett, historiador dos Beatles.
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
AS VIDAS DE JOHN LENNON - ALBERT GOLDMAN X YOKO ONO
Publicada originalmente em 7 de outubro de 2015 e reeditada agora a pedido da amiga Ana Cristina. Valeu!

Em dezembro de 1980, a morte de John Lennon foi chorada pelo mundo inteiro, desencadeando um processo de beatificação e idolatria de dimensões absurdas, comparável apenas ao que cercava a imagem de Elvis Presley. Só que a beatificação de Lennon, era ainda maior que a de Presley pela forma como o ex-Beatle foi assassinado.
Oito anos depois, um escritor da Pennsylvania, Albert Goldman, resolveu assassinar também o mito que havia sido criado em torno do ídolo, disparando uma metralhadora giratória nas páginas de “The Lives Of John Lennon” (As Vidas de John Lennon), um livro ultra-sensacionalista que despertou a fúria dos fãs e a ira dos amigos mais próximos de Lennon.

Quando Goldman publicou a biografia de 600 páginas, em agosto de 1988, Paul McCartney ficou indignado. "Boicotem esse livro", ele disse aos fãs de Lennon e dos Beatles. "É revoltante que alguém como Goldman possa inventar uma penca de mentiras convenientes apenas para ele, e possa publicá-las sem receio de punição". "Ele devia se envergonhar de si mesmo", respondeu Goldman. "A geração dos anos sessenta sempre foi contundente em criticar tudo e todos. Agora, de repente, eles ficaram tão certinhos e moralistas que reagem quando alguém diz algo a seu respeito que não querem ouvir. Eles sabiam transmitir seus recados, mas agora é certo que não conseguem escutá-los".
Goldman carregou nas tintas ao retratar Lennon: fixado pela mãe, movido a drogas, instintivamente violento, psicologicamente problemático - a atitude de valentão teria sido a causa da morte do amigo Stuart Sutcliffe - e além do mais, masturbador compulsivo, homossexual reprimido e agressor do próprio filho, enquanto este ainda era um bebê. Mesmo nos momentos em que demonstra alguma afeição pelo personagem - e Goldman declarou-se acima de tudo um admirador do trabalho de Lennon - o autor usa termos como "dano cerebral genético", "violência de um caráter epilético", "extrema passividade", "ingênuo a ponto de ser facilmente enganado", "muito prepotente" e "perigoso". “The Lives Of John Lennon” pipocava de erros factuais e de interpretação, era especulativo ao extremo, cheio de má-fé e encharcado de esnobismo. Contudo, Goldman forneceu muitas evidências sobre: a necessidade quase patológica de Lennon pela dominação de uma mulher forte; a sinistra ambiguidade de um pregador da paz ter sido movido pela violência, explícita ou reprimida; o declínio de seus trabalhos após deixar a Inglaterra em 1971; e a necessidade instintiva de acreditar em algum poder maior que o dele mesmo, o que o levou de guru em guru, cada uma das obsessões esparramando-se em desilusões e desespero criativo. Ironicamente, o livro, que era para ser um best-seller mundial, da mesma forma que veio, logo caiu no esquecimento e desapareceu da história após a morte de Albert Goldman, em 1994.
Embora tenha criado estardalhaço na imprensa, o livro de Goldman não foi o maior evento relacionado ao ex-Beatle lançado em 1988. O que Goldman não imaginava, era que para combater seu livro “maldito”, Yoko Ono usaria de todas as armas que dispunha fazendo com que o livro de Goldman quase não fosse percebido. Naquele mesmo ano, chegava aos cinemas e lojas do mundo inteiro o documentário "Imagine: John Lennon", uma biografia preparada por Yoko Ono com recursos multimídia semelhantes aos adotados pelos Beatles no projeto “Anthology” anos depois. A história oficial da vida de John, ganhou um excelente longa-metragem, um álbum duplo com a trilha sonora e um livro sensacional.
Narrado pelo próprio John Lennon, a partir de extratos selecionados em mais de 100 horas de depoimentos gravados, o documentário aborda todos os principais, ou mais conhecidos, momentos da vida do genial músico, desde seu nascimento em Liverpool até o trágico fim em Nova York. Essa biografia, feita a base de aproximadamente 240 horas de filmes e vídeotapes caseiros de Lennon e sua vida, é transformada em uma fascinante história de um dos mais complexos e extraordinários homens da era moderna. Inclui algumas cenas polêmicas, perspicazes e algumas até então nunca antes vistas pelo publico.
Com o mesmo nome, “Imagine: John Lennon” é a trilha sonora do fime, lançada em 4 de outubro de 1988 nos EUA e 12 de outubro de 1988 no Reino Unido. Totalmente composta por Lennon e algumas de “Lennon & McCartney”. O álbum é dividido em duas fases distintas. Uma como um membro dos Beatles e a outra como artista solo (semelhante ao de George Harrison “The Best of George Harrison”). “Imagine: John Lennon Soundtrack” é uma coleção de sucessos desde o início da Beatlemania ao “Double Fantasy”. Além disso, o álbum apresenta duas gravações inéditas até então: uma demo acústica de "Real Love" gravada em 1979 (uma gravação alternativa que só seria concluída em 1996 pelos outros Beatles para o álbum “Anthology II” ) e um ensaio de "Imagine" em meados de 1971 antes do take final ser capturado. O álbum “Imagine: John Lennon” foi otimamente recebido por público e imprensa, chegando ao posto 31 nos EUA, e 64 no Reino Unido. Tsc, tsc... pobre Albert Goldman.

Em dezembro de 1980, a morte de John Lennon foi chorada pelo mundo inteiro, desencadeando um processo de beatificação e idolatria de dimensões absurdas, comparável apenas ao que cercava a imagem de Elvis Presley. Só que a beatificação de Lennon, era ainda maior que a de Presley pela forma como o ex-Beatle foi assassinado.

Oito anos depois, um escritor da Pennsylvania, Albert Goldman, resolveu assassinar também o mito que havia sido criado em torno do ídolo, disparando uma metralhadora giratória nas páginas de “The Lives Of John Lennon” (As Vidas de John Lennon), um livro ultra-sensacionalista que despertou a fúria dos fãs e a ira dos amigos mais próximos de Lennon.

Quando Goldman publicou a biografia de 600 páginas, em agosto de 1988, Paul McCartney ficou indignado. "Boicotem esse livro", ele disse aos fãs de Lennon e dos Beatles. "É revoltante que alguém como Goldman possa inventar uma penca de mentiras convenientes apenas para ele, e possa publicá-las sem receio de punição". "Ele devia se envergonhar de si mesmo", respondeu Goldman. "A geração dos anos sessenta sempre foi contundente em criticar tudo e todos. Agora, de repente, eles ficaram tão certinhos e moralistas que reagem quando alguém diz algo a seu respeito que não querem ouvir. Eles sabiam transmitir seus recados, mas agora é certo que não conseguem escutá-los".

Goldman carregou nas tintas ao retratar Lennon: fixado pela mãe, movido a drogas, instintivamente violento, psicologicamente problemático - a atitude de valentão teria sido a causa da morte do amigo Stuart Sutcliffe - e além do mais, masturbador compulsivo, homossexual reprimido e agressor do próprio filho, enquanto este ainda era um bebê. Mesmo nos momentos em que demonstra alguma afeição pelo personagem - e Goldman declarou-se acima de tudo um admirador do trabalho de Lennon - o autor usa termos como "dano cerebral genético", "violência de um caráter epilético", "extrema passividade", "ingênuo a ponto de ser facilmente enganado", "muito prepotente" e "perigoso". “The Lives Of John Lennon” pipocava de erros factuais e de interpretação, era especulativo ao extremo, cheio de má-fé e encharcado de esnobismo. Contudo, Goldman forneceu muitas evidências sobre: a necessidade quase patológica de Lennon pela dominação de uma mulher forte; a sinistra ambiguidade de um pregador da paz ter sido movido pela violência, explícita ou reprimida; o declínio de seus trabalhos após deixar a Inglaterra em 1971; e a necessidade instintiva de acreditar em algum poder maior que o dele mesmo, o que o levou de guru em guru, cada uma das obsessões esparramando-se em desilusões e desespero criativo. Ironicamente, o livro, que era para ser um best-seller mundial, da mesma forma que veio, logo caiu no esquecimento e desapareceu da história após a morte de Albert Goldman, em 1994.

Embora tenha criado estardalhaço na imprensa, o livro de Goldman não foi o maior evento relacionado ao ex-Beatle lançado em 1988. O que Goldman não imaginava, era que para combater seu livro “maldito”, Yoko Ono usaria de todas as armas que dispunha fazendo com que o livro de Goldman quase não fosse percebido. Naquele mesmo ano, chegava aos cinemas e lojas do mundo inteiro o documentário "Imagine: John Lennon", uma biografia preparada por Yoko Ono com recursos multimídia semelhantes aos adotados pelos Beatles no projeto “Anthology” anos depois. A história oficial da vida de John, ganhou um excelente longa-metragem, um álbum duplo com a trilha sonora e um livro sensacional.

Narrado pelo próprio John Lennon, a partir de extratos selecionados em mais de 100 horas de depoimentos gravados, o documentário aborda todos os principais, ou mais conhecidos, momentos da vida do genial músico, desde seu nascimento em Liverpool até o trágico fim em Nova York. Essa biografia, feita a base de aproximadamente 240 horas de filmes e vídeotapes caseiros de Lennon e sua vida, é transformada em uma fascinante história de um dos mais complexos e extraordinários homens da era moderna. Inclui algumas cenas polêmicas, perspicazes e algumas até então nunca antes vistas pelo publico.

Com o mesmo nome, “Imagine: John Lennon” é a trilha sonora do fime, lançada em 4 de outubro de 1988 nos EUA e 12 de outubro de 1988 no Reino Unido. Totalmente composta por Lennon e algumas de “Lennon & McCartney”. O álbum é dividido em duas fases distintas. Uma como um membro dos Beatles e a outra como artista solo (semelhante ao de George Harrison “The Best of George Harrison”). “Imagine: John Lennon Soundtrack” é uma coleção de sucessos desde o início da Beatlemania ao “Double Fantasy”. Além disso, o álbum apresenta duas gravações inéditas até então: uma demo acústica de "Real Love" gravada em 1979 (uma gravação alternativa que só seria concluída em 1996 pelos outros Beatles para o álbum “Anthology II” ) e um ensaio de "Imagine" em meados de 1971 antes do take final ser capturado. O álbum “Imagine: John Lennon” foi otimamente recebido por público e imprensa, chegando ao posto 31 nos EUA, e 64 no Reino Unido. Tsc, tsc... pobre Albert Goldman.
JOHN LENNON / RINGO STARR - GROW OLD WITH ME - SENSACIONAL!

"Grow Old with Me" é uma das últimas músicas compostas por John Lennon. Foi gravada por ele como demo durante a temporada que esteve nas Bermudas em 1980, e mais tarde apareceu no álbum póstumo “Milk e Honey” em 1984. Esta música, chegou a ser considerada para um possível single de reunião por seus ex-colegas de banda durante a produção de The Beatles Anthology. "Grow Old with Me" foi inspirada em duas fontes diferentes: de um poema escrito por Robert Browning intitulado "Rabbi ben Ezra" e uma música de Yoko Ono, chamada "Let Me Count the Ways" (que por sua vez foi inspirada em um poema de Elizabeth Barrett Browning). Lennon e Ono admiravam há algum tempo a poesia de Robert e Elizabeth Browning, e as duas músicas foram escritas propositadamente com o casal em mente.

Yoko Ono acordou em uma manhã no verão de 1980 com a música "Let Me Count the Ways" em sua cabeça e prontamente ligou para Lennon nas Bermudas para tocar para ele. Lennon gostou da música e Ono sugeriu que ele escrevesse uma peça de Robert Browning para acompanhá-la. Naquela tarde, John estava assistindo TV quando apareceu um filme com o poema "Rabino Ben Ezra", de Robert Browning. Inspirado por essa virada de eventos, Lennon escreveu "Grow Old With Me" como resposta à música de Ono e ligou de volta para tocá-la por telefone.

Em 1994, Yoko Ono deu a Paul McCartney algumas fitas contendo gravações demo de quatro das músicas inacabadas de John Lennon: "Grow Old With Me", "Free as a Bird", "Real Love" e "Now and Then". Os três Beatles restantes (Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr) nunca tentaram trabalhar em "Grow Old With Me" de maneira semelhante ao que fizeram com as outras canções de "reunião" dos Beatles. "Free as a Bird" e "Real Love" foram as únicas concluídas. Eles trabalharam em “Now and Then”, mas decidiram abandoná-la porque a demo original de Lennon exigia muito trabalho para elevá-la ao padrão necessário para um lançamento oficial.
Ringo Starr gravou uma versão de "Grow Old With Me", agora em 2019, para seu novíssimo álbum What's My Name, contando com Paul McCartney nos vocais de fundo e tocando baixo e ainda o produtor de “Milk and Honey”, Jack Douglas organizando os arranjos. Ringo decidiu regravar a canção de John Lennon após um encontro com o produtor Jack Douglas, que trabalhou ao lado de Yoko e seu marido no álbum "Double Fantasy" (1980) e no "Milk and Honey".

"Jack me perguntou se eu já havia escutado o 'Bermuda Tapes' (um álbum interativo com as últimas canções de John Lennon). Respondi que não", disse Ringo. "Mas aí ouvi as demos dessa época e amei 'Grow Old With Me'. Fiz o melhor que pude para gravá-la. Eu e Paul fizemos".
terça-feira, 15 de outubro de 2019
THE BEATLES - OLD BROWN SHOE - SENSACIONAL!*****

O ano inteiro de 1969 (e 1970 também), foi bem frutífero para George Harrison, principalmente os meses janeiro e fevereiro, período em que Harrison estava completando 26 anos. Ele compôs três pérolas que gravou em uma fita demo em Abbey Road com o engenheiro Ken Scott. A primeira era "Old Brown Shoe" e as outras duas "Something" - futuro single dos Beatles e "All Things Must Pass", faixa-título do seu 1º álbum solo de verdade.

As origens da letra de "Old Brown Shoe" estão na visão religiosa de Harrison de que precisamos nos libertar da realidade do mundo material porque ela é ilusória. Uma vez absorvidos pela consciência divina, não há certo "versus" errado, corpo versus alma, espírito versus matéria. De modo semelhante à maneira como Paul fizera em "Hello Goodbye", a letra de George era um jogo de palavras baseado em opostos. Não era uma canção que contava uma história, e o título intrigante “Old Brown Shoe”, vem da primeira estrofe - “stepping out of this old brown shoe" (descalçando este velho sapato marrom), que pode ser interpretado de várias maneiras, desde uma simples mudança de hábitos e desapego por coisas materiais.

Os primeiros versos são muito bons: “Eu quero um amor que seja certo, mas o certo é apenas parte do que é errado. Quero uma garota de cabelos curtos que às vezes use-os muito mais compridos. Por ora estou me livrando desse velho sapato marrom”.

"Old Brown Shoe" começou com George brincando em um piano e tocou uma sequência de acordes de que gostou. A música foi gravada dois meses depois da demo, e se tornou lado B de "The Ballad Of John & Yoko". Tempos depois apareceria nos álbuns "Hey Jude", "1967-1970", "Past Masters" e "Anthology". O compacto "The Ballad Of John & Yoko" / "Old Brown Shoe" foi lançado em 30 de maio de 1969 no Reino Unido e em 4 de junho de 1969 nos Estados Unidos. Foi número 1 em ambos.
VITINA MARCUS - MINHA MARCIANA FAVORITA

A beleza exótica de Vitina, habitou as fantasias de toda uma geração nos anos 60 e 70. Os fãs das grandes séries clássicas, certamente nunca a esqueceram. Dolores Vitina Marcus nasceu no Brooklyn em Nova York, em 1 de março de 1937. Esteve ativa entre cinema e televisão de 1957 a 1970.

Vitina Marcus apareceu em vários programas de TV durante as décadas de 1950 e 1960, às vezes, como Dolores Vitina, nome que apareceu no seu primeiro filme para o cinema de 1958, Never Love a Stranger, estrelado por John Drew Barrymore e Steve McQueen. Em seguida foi escalada para a produção de Irwin Allen de 1960 The Lost World. Apareceu em um episódio da série “Sea Hunt” (no Brasil, ‘Aventura Submarina’) e depois no filme “Taras Bulba” de (1962) com Tony Curtis e Yul Brynner.

Na televisão, ela apareceu na incrível e inesquecível série “Viagem ao Fundo do Mar”, no 7º episódio da primeira temporada "Turn Back the Clock" (Retorno no Tempo), que, no estilo clássico de Irwin Allen, reutilizou algumas de suas imagens em “The Lost World” e no último episódio da segunda temporada "O Retorno do Fantasma".

Em seguida, ela apareceu em dois episódios divertidos de “Perdidos no Espaço" (também de Irwin Allen) como “Athena”, a 'Dama Verde', a admiradora mais irresistível do Dr. Smith, enquanto ele completamente sob seu feitiço, colocava a vida de todos em perigo. Depois, Vitina participou também dos episódios 24 ("Chase through Time") e 26 ("Attack of the Barbarians") de “O Túnel do Tempo”, outra produção de Irwin Allen. Também apareceu nas séries “Xeque Mate”, “Rawhide”, “Gunsmoke”, “O Agente da UNCLE” e “The FBI”.

No início de 1970, ela deixou a carreira de atriz, passando a se dedicar à dança. Vitina se casou com o ator Steve Gravers, 15 anos mais velho que ela, com quem teve uma filha; o casal se separou no ano seguinte. Ao longo das duas décadas seguintes, trabalhou em shows em Las Vegas e em Paris. Também trabalhou como professora de interpretação em workshops da University of Nevada e como professora de Yoga. Vitina Marcus obteve sua licença como corretora no mercado imobiliário em 1986 e desde então atua nesta área como Vitina Graham. Atualmente com 80 anos, vive participando de feiras, convenções e workshops. Visite o site: www.vitinamarcus.com
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