1987 foi um ano fértil para George Harrison, que já estava há 5 anos sem gravar nada. “Cheer Down” (composta por Harrison e a letra em parceria com Tom Pettye produzida por Jeff Lynne) já dava pistas do que seria o Traveling Wilburys. O título, algo como "anime-se" é atribuído à Olivia Harrison, que, sempre que George perdia o entusiasmo, ela insistentemente dizia ao marido: "Ok, anime-se grande companheiro". A letra contêm dicas de Harrison com bom humor e ironia em que ele belisca o slogan familiar "anime-se", acrescentando seu charme inconfundível e decididamente árido para versos como: "Se seu cabelo cair, se suas ações falharem, ou tiver até mesmo uma erupção cutânea, não há lágrimas para serem derramadas. Eu vou te amar em seu lugar, eu quero você por perto. Se o seu cão morrer, eu vou te amar em seu lugar. O mundo ama um palhaço, anime-se”. “Cheer Down”foi produzida em 1989 para o filme Máquina Mortífera 2 e lançada como single para promover o mesmo. No final de 1989, foi incluída no álbum-compilação “The Best of Dark Horse (1976-1989)como faixa final, e ressurgiu na turnê do Japão em 1991, aparecendo no álbum duplo de 1992 “Live In Japan”. Em 2009 foi incluída na melhor coletânea de Harrison“Let It Roll: Songs by George Harrison”.
Geralmente considerada seu primeiro grande trabalho, o destaque de Paul McCartney no segundo álbum dos Beatles foi escrito durante a turnê da banda com Roy Orbison, que começou em 18 de maio de 1963. A música rapidamente entrou no set ao vivo dos Beatles, permanecendo em 1963 e grande parte de 1964. Também marcou o ponto em que Paul McCartney começou a emergir do domínio de John Lennon, afirmando-se como um talento igualmente digno de atenção. "All My Loving" tocou bastante nas rádios inglesas, apesar de não ter sido lançada como single. Os Beatles gravaram "All My Loving" em quatro ocasiões para a BBC. Em 17 de dezembro de 1963, para o Saturday Club, que foi transmitido em 21 de dezembro. A segunda versão para a BBC foi em 18 de dezembro de 1963, para o primeiro show From Us to You, que foi transmitido em 26 de dezembro. A terceira ocorreu em 7 de janeiro de 1964 para mais um episódio do Saturday Club, transmitido em 15 de fevereiro. A versão final, que foi incluída no álbum Live At The BBC, foi novamente para From Us to You, foi gravado em 28 de fevereiro e foi ao ar em 30 de março. All My Loving foi a primeira música interpretada pelos Beatles em sua apresentação de estreia no The Ed Sullivan Show em Nova York em 9 de fevereiro de 1964. Esta gravação extremamente importante foi incluída na coleção Anthology 1. A versão que aparece no álbum With The Beatles, os Beatles gravaram em 30 de julho de 1963, uma sessão bem ocupada em que também finalizaram "Please Mister Postman", "It Won’t Belong", "Money (that’s what i want)", "Till There Was You" e "Roll Over Beethoven". "All My Loving" foi a última gravada nesse dia. “All My Loving é Paul, lamento dizer, ha-ha-ha. Porque é um bom trabalho. (Cantando) ‘Todo meu amor ...’ Mas eu toco um violão muito bonito na parte de trás”.John Lennon, 1980.
Hoje, dia dos namorados nesse ano nada romântico de corona
vírus, a gente aproveita para conhecer a história (também nada romântica) por
trás da foto do beijo mais famoso do mundo. Feliz dia dos Namorados. Use a
máscara! Fonte do texto:iphotochannel.com.br. Esta foto de um beijo apaixonado entre um marinheiro e uma enfermeira virou ícone de romantismo através do mundo. Uma comemoração amorosa na Times Square, em Nova York (EUA), pelo final da 2ª Guerra Mundial. A imagem intitulada “The Kiss” foi feita pelo fotógrafo Alfred Eisenstaedt em 14 de agosto de 1945, enquanto ele trabalhava para a revista Life. Acontece que a verdadeira história não é tão romântica assim. A imagem foi publicada em uma seção de fotos da Life que mostrava as celebrações da vitória dos EUA. Após a publicação, a foto se tornou famosa rapidamente, e o mistério sobre quem era o casal começou. Como se pode ver, o rosto de nenhum dos dois está claro na fotografia. Depois de muita pesquisa, descobriu-se que o homem era George Mendonsa. Na empolgação das comemorações, e com um pouco de álcool no sangue, George agarrou a enfermeira que passava pela rua e a beijou. A enfermeira era Greta Zimer Friedman, que trabalhava em um consultório dentista na época. Como é possível ver a seguir, é uma série de fotos, e não apenas uma, com a última mostrando a mulher tentando reagir ao beijo: Os dois nunca tinham se visto e o marinheiro simplesmente agarrou a moça. “Eu não o vi a chegar, mas subitamente estava presa num abraço forte”, contou Greta. “O homem era muito forte. Eu não estava beijando ele, ele estava me beijando”. O que, nos termos claros de hoje, trata-se de assédio sexual, algo pouco falado na época. Greta diz que não viu o ato como assédio, apenas lembra como o dia de um “evento feliz”.
A história é esmiuçada no livro “The Kissing Sailor”, publicado em 2012. De acordo com a publicação, o marinheiro era de uma família de imigrantes portugueses e estava naquele dia em um encontro com outra mulher, chamada Rita, com a qual havia iria ao cinema e com quem se casou tempos depois. George e Greta mantiveram contato durante os anos e ambos já faleceram.
No dia 14 de abril de 2018, foi publicada aqui no Baú do Edu, a matéria anunciando a chegada do filme"Hare Khrishna! O Mantra, o Movimento e o Swami que começou tudo", premiado documentário do diretor norte-americano John Griesser sobre a trajetória do revolucionário cultural Srila Prabhupada. Pois nesse 2020 doente, empesteado de corona vírus, dengues e um governo incapaz, eis que um bom amigo teve a boa graça e deixou ontem, naquela postagem, o link do filme completo no You Tube. Obrigado Marcos Vinícius, abração e HareKrishna! O filme retrata a vida de Prabhupada - o Swami indiano de 70 anos de idade, que chegou num cargueiro, sem recursos financeiros ou contatos, em Nova York, em meio à turbulenta década de 1960, e que se tornaria um dos principais agentes de um imenso fenômeno cultural do século XX. "Hare Krishna!" traz arquivos inéditos, gravações de áudio do próprio Prabhupada e entrevistas com seus primeiros seguidores, além de muitos registros dos anos 60 e 70, auge da contracultura. O documentário fez parte do grupo de 170 produções que estavam aptas a concorrer a uma das cinco vagas no Oscar 2018. O documentário apresenta os bastidores do movimento cultural nascido na cena artística e intelectual, no Bowery de Nova York e na meca hippie de Haight-Ashbury de São Francisco, passando pela beatlemania de Londres. Mostra como George Harrison ajudou a lançar um single com o mantra do movimento HareKrishna pelo selo dos Beatles. O canto de um mantra rítmico e meditativo de 16 palavras - "Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare, Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare". George gravou com os primeiros devotos em Londres o mantra em um compacto pela Apple Records, tornando esta milenar meditação em um hit na Inglaterra. Posteriormente, seu sucesso "My Sweet Lord" apresentou o canto de "Hare Krishna" para todo o planeta, sendo considerado, inclusive, uma das músicas mais icônicas da época. A partir daí o movimento de Prabhupada explodiu definitivamente, e seus seguidores - agora conhecidos como os Hare Krishnas ficam famosos por cantarem e dançarem nas ruas, estando presentes em todos os principais grandes fatos culturais da década, festivais de música, filmes e manifestações em todo o mundo. É um filme muito bonito e vale muito a pena conferir. Minha nota é 8,5 e a sua?
"My Sweet Lord", lançada em novembro de 1970 em seu álbum triplo All Things Must Pass é sem dúvida, o maior sucesso de George Harrison. Também foi lançada como single, o primeiro de Harrison como artista solo, e liderou paradas em todo o mundo; foi o single mais vendido de 1971 no Reino Unido. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, a música foi o primeiro número 1 de um ex- Beatle. Harrison originalmente deu a música para Billy Preston gravar; essa versão, que Harrison co-produziu, apareceu no álbum Encouraging Words, de Preston, em setembro de 1970. Harrison escreveu "My Sweet Lord" em louvor ao Deus hindu Krishna, enquanto pretendia a letra como um chamado para abandonar o sectarismo religioso através da mistura da palavra hebraica aleluia com cânticos de "Hare Krishna" e orações védicas. A gravação apresenta o tratamento Wall of Sound do produtor Phil Spector e anunciou a chegada da técnica de guitarra slide de Harrison, que um biógrafo descreveu como "uma assinatura musicalmente tão distinta quanto a marca de Zorro". Preston, Ringo Starr, Eric Clapton e a superbanda Badfinger estão entre os outros muitos músicos que participaram da gravação. Mais tarde, em meados dos anos 1970, "My Sweet Lord" estaria no centro de um processo de violação de direitos autorais amplamente divulgado devido à sua semelhança com a música de Ronnie Mack, "He's So Fine", um sucesso de 1963 para o grupo feminino de Nova York The Chiffons. Em 1976, descobriu-se que Harrison, mesmo que subconscientemente plagiou a música, um veredito que teve repercussões em toda a indústria da música. Em vez da música dos Chiffons, George disse que usou o hino cristão sem direitos autorais "Oh Happy Day" como inspiração para a melodia. George Harrison tocou "My Sweet Lord" no Concert for Bangladesh em agosto de 1971, e continua sendo a composição mais popular de sua carreira pós-Beatles. Ele a reformulou como "My Sweet Lord (2000)" para inclusão como faixa bônus na reedição do 30º aniversário de All Things Must Pass. "My Sweet Lord" está classificada em 460º na lista da revista Rolling Stone das 500 Maiores Músicas de Todos os Tempos. "My Sweet Lord" alcançou o número 1 na Grã-Bretanha pela segunda vez quando foi relançada em janeiro de 2002, dois meses após a morte de Harrison.
"We Can Work It Out" foi composta mais por Paul McCartney com grande colaboração de John Lennon e é creditada
a Lennon e McCartney, óbvio."We Can Work It Out" foi lançada como single duplo Lado A junto com "Day Tripper" em dezembro de 1965. Foi gravada durante as sessões do fantástico Rubber Soule lançada no mesmo dia - 3 de dezembro de 1965 na Inglaterra e 6 de dezembro nos Estados Unidos, chegando ao topo das
paradas dos dois lados do Atlântico. "We Can Work It Out" foi
incluída mais tarde nos álbuns de compilação "The Beatles 1962/1966", "Past
Masters - Volume Two" e no disco "1". Novamente, assim como
em “I’m Looking Through You” e “You Won’t See Me”, a música é
sobre o mau relacionamento de Paul McCartney e sua namoradinha
gatinha Jane Asher.
Em outubro de 1965, enquanto os Beatles gravavam RubberSoul, Jane Asher entrou para a British Od Vic Company, o que
significava uma mudança de Londres para o oeste da Inglaterra. Sua
partida irritou muito Paul McCartney e
causou a primeira grande crise na relação do casal. Como suas canções sugeriam,
a noção de McCartney de uma
boa mulher na época era a de alguém que conseguia ficar feliz simplesmente por
estar ao lado dele. O ponto de vista de Asher era incomum para a
época. Ela não estava satisfeita em ser a namorada de uma estrela do rock.
Era uma mulher de boa educação, com ideias próprias, e queria, acima de tudo,
estabelecer-se profissionalmente. Em "We Can Work It Out",
McCartney não tenta entrar no mérito da questão, ele simplesmente pede que sua
garota veja as coisas pelo lado dele, porque acredita que está certo e ela errada. "We Can Work It Out" é amplamente interpretada como uma canção que faz referência a lutas internas dos Beatles como banda e como amigos, muito em particular entre JohnLennon e Paul McCartney, mas não é nada disso, embora, a música apresente características tão distintas entre ambos os compositores. Paul McCartney escreveu os versos e o refrão otimistas, enquanto John Lennon teve a ideia do contraponto pessimista "A vida é muito curta". Diferentemente de Day Tripper, "We Can Work It Out" nunca entrou para o repertório ao vivo dos Beatles. Eles gravaram, no entanto, três filmes promocionais para a música em 23 de novembro de 1965, no Twickenham Film Studios, em Londres, onde dublaram a música. O som do órgao foi acrescentado em estúdio como uma decisão posterior,
e George Harrison sugeriu então mudar o bridge para o tempo de valsa. Os
Beatles passaram quase 11 horas trabalhando nesta faixa, o que a tornou a
mais longa sessão de estúdio até aquele ponto. "Day Tripper" foi originalmente concebida para ser o single final dos Beatles de 1965. No entanto, "We Can Work It Out" foi considerada pelo grupo e Brian Epstein como a música mais comercial. John Lennon discordou e lutou para manter "Day Tripper" como a música principal. O resultado foi o single ser comercializado como o primeiro duplo lado A do mundo, lançado em 3 de dezembro de 1965 no Reino Unido e três dias depois nos EUA. Das duas músicas, "We Can Work It Out" foi solicitada com mais frequência pelos compradores de discos e também pelas estações de rádio. No Reino Unido, entrou no gráfico no número 1 cinco dias após seu lançamento, onde permaneceu por cinco semanas e vendeu mais de um milhão de cópias. "We Can Work It Out" foi produzida por George Martin e teve Norman Smith como engenheiro. Paul McCartney canta e toca baixo; John Lennon canta, toca violão e harmônio; George Harrison toca pandeiro e Ringo Starr tocabateria.
Em janeiro de 1991, Paul McCartney gravou ao vivo no London Limehouse o seu “Unplugged”para a MTV mesclando músicas dos Beatles, da carreira solo e diversos covers. A apresentação de Paul e sua banda foi realmente “desplugada” com microfones na frente dos violões a partir de uma ideia oferecida à MTV pelo próprio Paul. PAUL McCARTNEY – UNPLUGGED (The Official Bootleg) foi o primeiro álbum da série MTV Unplugged a ser produzido e comercializado – com edição mundial limitada a 500 mil cópias. Paul McCartney foi o primeiro de uma longa série de artistas a lançar um álbum desplugado. Aqui, a gente confere o belíssimo arranjo acústico de "We Can Work It Out". Valeu!
Em 1970, Stevie Wonder gravou uma cover de "We Can Work It Out" em seu álbum Signed, Sealed & Delivered, e a lançou como single em 1971. Esse single alcançou o número 13 na Billboard Hot 100. A versão de Wonder lhe rendeu sua quinta indicação ao Grammy em 1972, por Melhor Performance Vocal Masculina de R&B. Wonder tocou a música para Paul McCartney depois que este recebeu um Grammy Lifetime Achievement Award em 1990. Em 2010, depois que McCartney recebeu o Prêmio Gershwin pela Biblioteca do Congresso, Wonder novamente tocou seu arranjo de "We Can Work It Out" numa cerimônia da Casa Branca realizada em homenagem a McCartney. O Maravailha tocou pela terceira vez em janeiro de 2014, no 50º aniversário da aparição dos Beatles no The Ed Sullivan Show.
"Jealous Guy", uma das mais belas canções de John
Lennon, apareceu pela primeira vez como a quarta faixa do lado 1 do seu álbum IMAGINE, lançado em 9 de setembro de 1971. A história da criação começa em Rishikeshi, na Índia, ainda
em 1968. Depois que os Beatles assistiram a uma palestra do Maharishi Mahesh
Yogi sobre um "son of the mother nature", as palavras de Maharishi
inspiraram os dois, tanto Paul McCartney como John Lennon para escreverem
canções sobre o mesmo assunto. A música de McCartney "Mother Nature's Son"foi
selecionada para o álbum branco, enquanto a canção de Lennon"Child of
Nature" não foi. No entanto, ambas foram gravadas como demos na casa de
George Harrison em Esher em maio de 1968. A demonstração contou com vocal de
Lennon e uma guitarra acústica. Depois disso, Lennon continuou a tocá-la em
algumas sessões. Eventualmente, a letra e o conceito foram demolidos e
substituídos pelos versos de "Jealous Guy" que foi lançada somente em
IMAGINE e durante a vida de Lennon, nunca foi lançada como single. Inexplicavelmente, somente quase cinco anos após o assassinato de John Lennon,
e quatro anos e meio depois do Roxy Music chegar ao o número um nas paradas em
1981, a gravação de "Jealous Guy" de Lennon, foi lançada pela
Parlophone como single em novembro de 1985, tendo "Going Down on
Love" do álbum Walls And Bridges como lado B - Não dá para entender mesmo!
Esse single de John Lennon, alcançou o número 65 nas paradas do Reino Unido e
nos Estados Unidos, chegou ao número 80 da Billboard Hot 100 em novembro de
1988, junto com o lançamento do filme Imagine: John Lennon. John Lennon gravou as bases de "Jealous Guy" em 24
de maio de 1971 no Ascot Sound Studios, o estúdio de oito canais que instalou
em sua mansão em Tittenhurst Park, onde seus vocais foram gravados em 29 de
maio de 1971. Os músicos incluem Mike Pinder, do The Moody Blues,
e Joey Molland e Tom Evans, do Badfinger. Da gravação participaram então: John Lennon que faz os vocais, toca violão e assobia; Nicky Hopkins: piano; Joey Molland: violão; Tom Evans: violão; John Barham: harmonium; Klaus Voormann: baixo; Jim Keltner: bateria; Alan White: vibrafone; Mike Pinder: pandeiro e The Flux Fiddlers: cordas. "Jealous Guy" é uma das músicas mais regravadas de
John Lennon, com pelo menos 92 versões, sendo a mais conhecida a gravação do
Roxy Music, que alcançou o número 1 em vários países três meses após a morte de
John Lennon. Lou Reed gravou
a música em 2001 e Joey Cocker gravou "Jealous Guy" em ritmo de
reggae em 2004 para seu álbum Heart & Soul. Recentemente, o brasileiro
Supla, surpreendeu com sua versão de "Jealous Guy". Quem quiser,
confere aqui. Após a morte de Lennon em 1980, a banda Roxy Music adicionou uma versão de "Jealous Guy" ao seu set durante uma turnê na Alemanha, que eles gravaram e lançaram em fevereiro de 1981. O single foi lançado pela Polydor com "To Turn You On" como o lado B. A música foi o único hit número 1 do Reino Unido para a Roxy Music, liderando as paradas por duas
semanas em março de 1981. A cover da Roxy Music de "Jealous Guy" aparece em muitas coleções de Bryan Ferry / Roxy Music e coletâneas dos anos 80.
O novo álbum do The Pretenders deveria ter sido lançado em maio, mas a pandemia de COVID-19 jogou o lançamento de Hate for Sale, para 17 de julho. O primeiro trabalho de estúdio da banda desde Alone, de 2016, já teve alguns singles revelados que foram recebidos muito bem pelos fãs, ao mostrar a sonoridade característica do grupo e um vocal impecável de Chrissie Hynde. Há poucos dias, o grupo disponibilizou mais uma amostra do seu novo trabalho com “Didn’t Want To Be This Lonely”, faixa que chega em formato de videoclipe produzido em quarentena, com cada integrante da banda entregando sua participação diretamente de sua casa. Arranjos simples, letra fácil e uma batida pra não deixar ninguém parado funcionam de forma incrível com o vocal de Hynde em mais uma boa demonstração de que vem aí mais um trabalho marcante dos Pretenders. Confira mais esta novidade aqui no Baú do Edu. Valeu!
Apesar de seus momentos de arte inspirada, o quarto álbum de Julian Lennon, Help Yourself, não encontrou público em 1991. Logo após seu lançamento, Lennon se separou da Atlantic e entrou em um período de reclusão. Quando ele voltou a gravar em 1998, de várias maneiras, bandas como Oasis e Blur deram a Lennon o sinal verde para retornar à música Beatlesca de seu bem recebido álbum de estreia, Valotte (1985), e é exatamente isso que ele faz em Photograph Smile, seu primeiro álbum em sete anos. Grande parte do disco é dedicada a baladas de piano semelhantes ao "Valotte", com alguns números de pop de guitarra lançados em boa medida. Não há muito alcance no álbum, mas toda a música é bem trabalhada e melódica - o tipo de música que receberia maiores elogios se não fosse feita pelo filho de um Beatle, logo de John Lennon.
Aqui, a gente confere outros dois grandes momentos de Julian Lennon: o primeiro é “Saltwater” do álbum “Help Yourself” (cheia de referências aos Beatles) com participação especialíssima de George Harrison tocando guitarra-slide e a segunda, a bonita “Day After Day” (cheia de referências ao seu pai) de Photograph Smile. Muito bom!
Há 56 anos, durante sua primeira turnê de verdade pela América do Norte, em setembro de 1964, Os Beatles se recusaram a fazer um show caso a plateia fosse segregada entre brancos e negros, obrigando o contratante a mudar seus planos racistas, tão comuns naquele período. O show em questão aconteceu no estádio Gator Bowl, em Jacksonville, Flórida, Estados Unidos, no dia 11 de setembro de 1964. Os Beatles já haviam tocado no país em fevereiro, mas apenas em algumas poucas cidades durante sua primeira viagem à América. Antes de 1964, as turnês ficavam restritas à Europa. Nesta segunda passagem pelos Estados Unidos, que também contemplou o Canadá, foram dezenas de shows. O rock and roll de Elvis Presley, Chuck Berry e Little Richard já havia quebrado a regra racista de plateias segregadas em diversos locais, mas em Jacksonville, os shows ainda aconteciam com separação de público. Aquela escrita se quebrou com os Beatles. Eles se recusaram a subir no palco até que o promotor do show garantisse que não haveria segregação racial na plateia. A exigência foi atendida. Na época, John Lennon disse: "Nunca tocamos para públicos segregados e não vamos começar a fazer isso agora. Prefiro perder o dinheiro do show a fazer isso". A situação foi relembrada por Paul McCartney, em uma publicação também recente nas redes sociais, onde se manifesta sobre o assassinato de George Floyd por um policial branco nos Estados Unidos. A morte de Floyd motivou uma série de protestos, não só no país, como em todo o mundo. "Em 1964, os Beatles tocariam em Jacksonville, nos Estados Unidos, e descobrimos que o show seria feito para uma plateia segregada. Parecia errado. Falamos: 'não vamos fazer isso!'. E o show que fizemos foi o primeiro de Jacksonville sem plateia segregada. Então, passamos a garantir que essa exigência estivesse em todos os contratos de shows. Para nós, parecia bom senso", afirmou. Fazia sentido, mesmo em um período onde o racismo era "normal". A influência da música negra no trabalho dos Beatles é imensurável e reconhecida por eles próprios. Não à toa, canções de artistas negros, como “Long Tall Sally” (Little Richard), “Twist and Shout” (The Top Notes), “Roll Over Beethoven” (Chuck Berry) e “Boys” (The Shirelles) eram tocadas pela banda na época e naquele show. Além das quatro covers, os Beatles tocaram várias músicas do álbum A Hard Day's Night – “Can't Buy Me Love”, “If I Fell” e a faixa-título, bem como materiais de outros períodos, como “I Want to Hold Your Hand” e “All My Loving”. Não existem filmagens desse show, já que a banda (Brian Epstein) também exigiu que equipamentos de rádio e TV, como gravadoras e câmeras, não fossem utilizados durante o show. O motivo, segundo eles, é que esses veículos acabariam captando o material para venda posterior sem pagar os devidos direitos autorais. O show também foi notável porque foi realizado no dia seguinte a passagem do furacão Dora, atingido St. Augustine e Jacksonville. A maior parte de Jacksonville ficou sem eletricidade e a energia não foi restaurada por vários dias. Apesar do furacão, 23.000 fãs compareceram, pagando US $ 4 e US $ 5 pelos ingressos. Durante o show, a bateria de Ringo Starr teve de ser atarrachada no palco por causa dos ventos de 80 km/h.
O que disse Paul McCartney:"Enquanto assistimos os protestos e manifestações em todo o mundo, sei que muitos de nós queremos saber exatamente o que podemos fazer para ajudar. Ninguém tem todas as respostas e não há solução rápida, mas precisamos mudar. Todos nós precisamos trabalhar juntos para de alguma forma superar o racismo. Precisamos aprender mais, ouvir mais, conversar mais, nos educar e, acima de tudo, agir. Em 1964, os Beatles iam tocar em Jacksonville nos EUA e descobrimos que seria para um público segregado. Parecia errado. Dissemos: 'Não vamos fazer isso!' E o show que fizemos foi para o primeiro público não segregado. Nos asseguramos que estaria em nosso contrato. Para nós, parecia senso comum. Sinto-me enjoado e com raiva por estarmos aqui quase 60 anos depois, e o mundo está chocado com as cenas horríveis do assassinato sem sentido de George Floyd pelas mãos do racismo policial, junto com os inúmeros outros que vieram antes. Todos nós aqui apoiamos e apoiamos todos aqueles que estão protestando e levantando suas vozes neste momento. Quero justiça para a família de George Floyd, quero justiça para todos aqueles que morreram e sofreram. Não dizer nada não é uma opção".