quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

THE BEATLES - ROCKY RACCOON ★★★★★★★★★★★★★

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“Rocky Raccoon" era um faroeste musical que havia começado a ser escrito por Paul na Índia. Ambientado nas montanhas de Dakota, conta a história do jovem Rocky, cuja namorada Nancy Magill foge com Dan. Rocky persegue Dan e tenta atirar nele, mas Dan atira mais rápido. Na sequência, Rocky recebe cuidados em seu quarto de hotel de um médico que fede a bebida. “Quando compus essa, estávamos sentados no telhado, lá no bangalô do Maharishi, só curtindo. Eu comecei a criar os acordes e o título originalmente era ‘Rocky Sassoon'. Aí eu, John e Donovan começamos a inventar a letra, que saiu bem rápido, e acabou virando ‘Rocky Raccoon’ porque soava mais como coisa de caubói". A letra tem uma leve semelhança com o popular poema de Robert Service “The Shooting of Dan McGrew” (1907), que também narra uma história de amor e vingança com personagens parecidos. Em ambos acontece um tiroteio num saloon. A mulher fatal no caso de Rocky é descrita no verso “she called herself Lil... but everyone knew her as Nancy” (“ela dizia se chamar Lil... mas todo mundo a conhecia como Nancy”) - Já no caso de Dan McGrew, a moça é “conhecida como Lou”.

Quanto à canção, Paul revelou: “Eu só tentei fazer com que fosse divertida. Sou eu escrevendo uma peça, uma peçazinha de um ato, e botando a maior parte dos diálogos nas bocas deles”. Ele disse que imaginou o personagem principal usando um chapéu de guaxinim como Davy Crockett. “Rocky Raccoon" foi gravada em 15 de agosto em Abbey Road, a canção traz um Paul inspirado e cantando como um sulista americano, ou do Meio Oeste e traz a participação do produtor George Martin no piano, que tem um som bem sujo e velho que lembra o som de velhos pianos 'honkytonk', populares em filmes de faroeste.

THE BEATLES REUNION - PAUL, GEORGE & RINGO - FRIAR PARK - 1994

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Em 23 de junho de 1994, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr se reuniram na humilde casinha de Harrison - mais conhecida como Friar Park em Henley-on-Thames, Inglaterra - para filmarem algumas cenas extras para o novo projeto, The Beatles Anthology. Caso alguém não saiba, o Anthology foi o nome do documentário feito para a televisão, uma série de três álbuns duplos, um livro e também uma coleção de DVDs, feito pelos próprios Beatles, contando sua própria história. De acordo com algumas fontes, Paul, George e Ringo deveriam fazer o "Let It Be" dos Beatles naquele dia, e as filmagens resultantes teriam encerrado a série. No entanto, a ausência de John Lennon foi aparentemente tão avassaladora e perturbadora que, após uma longa conversa, os três decidiram simplesmente ir ao estúdio caseiro de George e casualmente tocar algumas canções antigas - músicas que datavam dos primeiros dias dos Beatles. "Foram apenas duas guitarras acústicas e eu nas vassouras", disse Ringo. Eles tocaram trechos de "Raunchy", "Thinking of Linking" e "Blue Moon of Kentucky". Depois, vão para um dos imensos jardins encantados de Harrison, onde Paul e George estão com um par de Ukeleles de George, enquanto Ringo fica só olhando. Alguém deveria ter dado a ele alguns bongôs. Eles brincam de tocar "Baby What You Want Me to Do", de Jimmy Reed e "Ain't She Sweet". "Raunchy" ocupa um lugar especial na história dos Beatles. Em 1958, George então com 14 anos, tocou a música na guitarra para John e Paul no segundo andar de um ônibus de forma tão perfeito que John Lennon decidiu deixá-lo entrar em sua banda, os Quarrymen, que se tornaram os Beatles, apesar das reservas sobre a idade de George. McCartney escreveu "Thinking of Linking" quando tinha cerca de 16 anos. Os Beatles estavam familiarizados com a gravação de 1954 de "Blue Moon of Kentucky" de Elvis (McCartney também tocou no MTV Unplugged em 1991) e - como qualquer garotinho sabe - os Beatles fizeram cover de "Ain't She Sweet" com Pete Best na bateria em 1961.
Um dia inesquecível na vida de homens inesquecíveis. Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr foram carinhosamente apelidados de "The Threetles" pelos fãs, enquanto estiveram juntos novamente durante toda a produção do Anthology.

A MOLESKINE E OS 50 ANOS DE YELLOW SUBMARINE

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A Moleskine é uma marca de cadernos, agendas e guias de cidades, produzidos pela empresa italiana Moleskine SRL. Embora o nome aluda ao tecido de mesmo nome, moleskin, o caderno não é produzido ou revestido com ele, e sim com uma capa dura de cartão envolvida por material impermeável. Nos 50 anos do filme Yellow Submarine, a Moleskine celebra as técnicas pioneiras de animação e arte pop usadas para criar a aventura surreal baseada na música homônima dos Beatles, com uma coleção de cadernos de edição limitada, cuja arte da capa tem uma vibe distintamente psicodélica. Para marcar o lançamento da coleção, o artista e diretor holandês Rogerc Wieland criou um vídeo inspirado no universo fantástico de Yellow Submarine e na capa dos cadernos dos Beatles com animações 3D psicodélicas que parecem sair da tela e levam a um passeio em um submarino pelo mundo mágico dos cadernos da coleção Yellow Submarine da Moleskine. Bem bacana.

THE BEATLES - HONEY PIE*****

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“Honey Pie” era uma homenagem de Paul para seu pai, Jim McCartney. “Meu pai sempre tocou músicas antigas ótimas como essa, e eu gostava delas. Queria ter sido compositor nos anos 1920 porque gosto dessa coisa de fraque e cartola”, disse McCartney.
Os Beatles começaram a gravar Honey Pie em 1 de outubro de 1968 , no Trident Studios em Wardour Street, em Londres. Apenas foi registada uma única tomada no primeiro dia, embora seja provável que um número de tentativas de ensaio tinham sido previamente gravadas e limpas. McCartney tocou piano, Harrison estava em um baixo Fender de seis cordas, Lennon tocou uma guitarra elétrica, e Ringo estava na bateria. No dia seguinte, McCartney gravou seus vocais, e uma parte de guitarra foi adicionado. De acordo com George Harrison, John Lennon tocou o solo de guitarra: “John tocou um solo brilhante no Honey Pie - soou como Django Reinhardt ou algo assim. Ele era um deles, onde você apenas fecha os olhos e deixa acontecer para acertar todas as notas certas ... parecia um pequeno solo de jazz”, disse Harrison.
O arranjo de sopros foi preparado por George Martin, a partir de uma mistura feita no final da primeira sessão no Trident - foi gravado em 4 de outubro. Escrito no estilo jazz dos anos 1920, e que contou com cinco saxofones e dois clarinetes.
“Nós colocamos um som na minha voz para soar como um disco velho arranhado. Portanto, não é uma paródia, é uma homenagem à tradição vaudeville e foi criado a partir daí”. disse McCartney. O autor Steve Turner, em seu livro “The Beatles – A História por Trás de Todas as Canções”, acha que “Honey Pie” foi outra das influências sobre Charles Manson, assim como “Helter Skelter” e “Piggies”. Ele diz: Manson voltou a encontrar instruções em “Honey Pie”. Afinal, ela era endereçada às pessoas nos Eua, convidando-as a revelar a magia de sua ‘Hollywood Song’. Manson vivia perto de Los Angeles. Não era óbvio?”. Eu não acho assim tão óbvio, não. Seja como for, participaram: Paul McCartney: vocais, piano; John Lennon: guitarra solo e base; George Harrison: baixo de 6 cordas; Ringo Starr: tambores; Dennis Walton, Ronald Chamberlain, Jim Chester, Rex Morris, Harry Klein: saxofones; Raymond Newman, David Smith: clarinetes. O produtor foi George Martin e o engenheiro, Barry Sheffield.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

PAUL McCARTNEY - BACK IN BRAZIL - SHOW!

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PAUL McCARTNEY EM SÃO PAULO E CURITIBA EM 2019

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Em março de 2019, o Brasil receberá dois shows de Paul McCartney, que confirma seu retorno ao país com a "The Freshen Up Tour". A primeira apresentação está marcada para o dia 26 de março, no Allianz Parque, em São Paulo. Já no dia 30, o astro se apresenta em Curitiba, no Estádio Couto Pereira. A última vez que McCartney se apresentou na capital paranaense foi em 1993, na Pedreira Paulo Leminski, em show que comemorarava os 300 anos da cidade.

Paul McCartney traz para a América do Sul sua nova The Freshen Up Tour, incluindo shows no Brasil, Chile e Argentina em março de 2019. Lançada em setembro de 2018 no Canadá, a turnê recebeu críticas positivas da imprensa e do público. Em outubro, a turnê fez parte do 17º Austin City Limits, nos Estados Unidos. Em novembro, Paul completou a agenda japonesa da turnê. O lançamento da turnê coincidiu com Paul McCartney conquistando a posição #1 na Billboard com seu novo álbum, bem como liderando as paradas em muitos países ao redor do mundo. A última viagem de Paul McCartney à América do Sul foi em 2017, com a One on One Tour. Nesta turnê, o artista recebeu prêmio pela venda de mais de 1,5 milhão de ingressos só no Brasil em todos os tempos, incluindo seu histórico show no Maracanã, no Rio de Janeiro, em 1990. Nesta apresentação, Paul McCartney estabeleceu o recorde mundial para o maior público em estádio de todos os tempos - 184.000 pessoas! Em 2019, a Freshen Up Tour levará o ex-Beatle de volta à Argentina pela primeira vez em quase três anos, assim como ao Chile pela primeira vez desde 2014.

A experiência de assistir um show ao vivo de Paul McCartney é tudo o que um amante de música poderia querer de um show de rock: quase três horas dos melhores momentos dos últimos 50 anos da música, dezenas de canções de Paul, dos Wings e, claro, dos Beatles. Como se fossem as trilhas sonoras de nossas vidas. Paul e sua banda já se apresentaram em diversos locais incluindo Américas, Reino Unido, Europa, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Essa agenda inclui shows em locais ícones como: próximo ao Coliseu, em Roma; a Praça Vermelha, em Moscou; o Palácio de Buckingham, em Londres; a Casa Branca, em Washington; um show gratuito no México para mais de 400.000 pessoas; e o último show no Candlestick Park, em São Francisco, onde os Beatles tocaram pela última vez em 1966; uma semana de 2016 no deserto da Califórnia que incluiu dois shows no festival Desert Trip e um show especial para algumas centenas de fãs sortudos no Pappy & Harriet’s Pioneertown Palace; e até mesmo uma apresentação ao vivo no espaço.
Nos últimos 15 anos, Paul McCartney se apresenta com a banda formada por: Paul “Wix” Wickens (teclados), Brian Ray (baixo / guitarra), Rusty Anderson (guitarra) e Abe Laboriel Jr (bateria).
Os ingressos para as apresentações em São Paulo e Curitiba passarão a ser vendidos em breve, com valores a partir de R$200 e R$130, respectivamente, e poderão ser adquiridos via Tickets For FunOs shows são realizados pela Time For Fun. Em São Paulo, o patrocínio é da Allianz Seguros e a rede hospitalar do Sancta Maggiore é a fornecedora oficial de serviços médicos. Fonte: bemparana.com.br

THE BEATLES - JOHN LENNON - JULIA**********

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A belíssima "Julia", que encerra o lado B do disco 1 do Álbum Branco dos Beatles, foi composta por John Lennon quando os Beatles estavam em RishikeshJohn escreveu para sua mãe Julia Stanley Lennon, que morreu atropelada pelo carro de um policial bêbado, em 1958. John tinha 17 anos. Apesar de Lennon declarar em entrevistas posteriores, que dedicou a música para Yoko Ono também: "Era como imaginar a minha mãe e Yoko em uma só pessoa". O estilo dedilhado do violão da canção, também presente em "Dear Prudence" foi ensinado a John por Donovan, o músico escocês amigo dos Beatles que também estava em Rishikesh.

Os primeiras dois versos, "Metade do que vou dizer é sem significado, mas eu digo apenas pra te alcançar, Julia", é uma adaptação do poema "Sand and Foam" do poeta libanês Kahlil Gibran. As linhas originais são: "Metade do que vou dizer é sem significado, mas eu digo a outra metade apenas pra te alcançar". O verso "Quando eu não consigo cantar com o coração, eu só posso falar com a minha mente" vem da frase em tradução livre, "Quando a vida não acha um cantor para cantar o coração dela, a vida produz um filósofo para falar com sua mente". Essa frase é do mesmo poema. Outro termo extraído do poema é "seashell eyes" (olhos de concha). Yoko Ono, que tem o primeiro nome traduzido como "filho do mar" em Japonês, é referida na música na frase, "Filha do oceano, vem me chamar"  e também em "Silent Clouds" (na Índia, Lennon recebeu uma carta de Yoko Ono que dizia: "Sou uma nuvem, olhe para mim no céu").Os Beatles gravaram uma demo de "Julia" na casa de George Harrison em Esher, em maio de 1968. Embora muito parecida com a versão posterior de estúdio, essa versão trazia vozes dos outros Beatles e assobios paralelos no final. "Julia" foi a última música gravada para o Álbum Branco. Lennon gravou 3 takes em 13 de outubro de 1968, duplicou as vozes e o violão na última dessas. Apenas John Lennon gravou essa canção, se tornando sua primeira gravação solo.

THE BEATLES - PAUL McCARTNEY - WILD HONEY PIE*****

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“Wild Honey Pie” é a 5ª música(...) do lado 1 do Álbum Branco. Aparece entre
 "Ob-La-Di, Ob-La-Da" e "The Continuing Story of Bungalow Bill". Dura apenas 53 segundos. Esta faixa tem a letra mais curta e repetitiva dentre todas as criadas pelos Beatles. Paul McCartney havia composto durante o retiro espiritual na Índia, e resolveu gravá-la em um momento que ele posteriormente classificou de “experimental”. Na opinião de Hunter Davies (renomado autor dos Beatles): “Wild Honey Pie” é só uma vinheta, com menos de um minuto, sem letra de verdade além das palavras “Honey Pie”. É mais uma autoreferência". Anos depois, McCartney disse sobre a canção: “Estávamos num período experimental, então eu disse ‘Será que posso entrar nessa também? Eu comecei com a guitarra e fiz umas gravações sobrepostas na sala de controle e na saleta ao lado. É uma canção caseira; Eu fui construindo sobreposições e usando muito vibrato nas cordas da guitarra, puxando-as furiosamente, por isso ‘Wild Honey Pie’ (Queridinha Selvagem), foi uma referência a outra música que fiz para o álbum, ‘Honey Pie’”A gravação foi realizada no dia 20 de agosto de 1968, e concluída em 13 de outubro de 1968 no estúdio 2 de Abbey Road, enquanto os outros Beatles, John Lennon e Ringo Starr gravavam no estúdio 3 e George Harrison havia tirado uns dias de folga e viajado para a Grécia. Todos os instrumentos e os vocais são de Paul, que realizou tratamento acústico na voz e na guitarra, duplicando-as e acrecentando efeitos à voz. A música base foi gravada em apenas uma tomada.

ALVARO ORTEGA - WILD HONEY PIE

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

GEORGE HARRISON - WONDERWALL - 50 ANOS

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Paul McCartney já havia feito sua estreia sem o acompanhamento dos outros três em 1966, com a trilha sonora do filme “The Family Way” (já comentado aqui no site), feito em parceria com George Martin. Dois anos depois foi a vez de George Harrison se lançar em um trabalho solo, sem qualquer vínculo com os Beatles. O álbum, assim como o de Paul, era uma trilha sonora e o filme em questão é “Wonderwall”, dirigido por Joe Massot, que convidou George para fazer a trilha, afirmando que usaria o que quer que ele fizesse. Nessas condições, Harrison aceitou o trabalho. O disco foi lançado no dia 1º de novembro de 1968 no Reino Unido e em 2 de dezembro nos Estados Unidos. Foi o primeiro LP a sair pela Apple Records, gravadora recém fundada dos Beatles, que lançaria outros nomes como Billy Preston, James Taylor, Badfinger e Mary Hopkin. O disco foi relançado em 1992, em CD. Quando Joe Massot chamou George para fazer a trilha, ele respondeu que nunca havia feito algo do tipo e que não sabia como funcionaria. Com a condição de Massot de que este aceitaria o que Harrison fizesse, o convite foi imediatamente aceito. Em novembro de 1967, eles foram para os estúdios de Twickenham, onde foram feitas as demos para a trilha sonora, a partir de uma versão não-acabada do filme, exibida pelo próprio Massot. George queria fazer o disco como uma espécie de “antologia da música indiana”, despertando assim o interesse do público pela cultura hindu. Com esse objetivo em mente, ele resolveu ir gravar em Bombaim, na Índia, no estúdio da EMI. As gravações de “Wonderwall Music” começaram em dezembro de 1967, em Londres, no De Lane Lea Studios, onde foram gravadas 8 das 19 músicas do álbum (“Red Lady Too”, “Drilling a Home”, “Ski-ing”, “Dream Scene”, “Party Seacombe”, “Cowboy Music”, “Glass Box” e “Wonderwall to Be Here”). O restante foi gravado a partir do dia 9 de janeiro de 1968, nos estúdios da EMI em Bombaim, na Índia. Um fato curioso acerca das gravações é que, apesar de ser um disco de George, o Beatle não participa como músico em nenhuma das canções. Ele é creditado na ficha técnica apenas como produtor, arranjador e compositor. Sobre as sessões em Bombaim, George lembrou mais tarde: “Foi realmente fantástico. O estúdio era no topo dos escritórios [da EMI], mas não havia isolamento de som. Então se você ouvir atentamente algumas das faixas indianas do LP, pode ouvir alguns táxis passando. Toda vez que os escritórios encerravam às 5:30, nós tínhamos de parar a gravação, por que se podia simplesmente ouvir todo mundo descendo as escadas.” Nessas sessões, após finalizar o trabalho com “Wonderwall Music”, George gravou alguns “ragas” e outros temas hidus. Foi nesse período que nasceu a base de “The Inner Light”, que seria lançada em 15 de março de 1968, como lado B de “Lady Madonna”. George voltou de Bombaim no dia 18 de janeiro e chegando em Londres, foi dar os últimos retoques nas gravações, em Abbey Road, trabalho que se estendeu até o dia 30 daquele mês. Entre os músicos que participaram das sessões em Londres, estavam os integrantes do Remo Four, banda de Liverpool contemporânea aos Beatles. Além disso, segundo dizem, Eric Clapton, Peter Tork (dos Monkees) e Ringo Starr teriam participado sem que fosse creditado (alguns afirmam que Clapton e Ringo usaram os pseudônimos de Eddie Clayton e Richie Snare, respectivamente, mas na capa do disco não consta nenhum dos dois nomes). Texto - Vítor Franke / Fonte: beatlescollege.wordpress.com
Não deixe de conferir também a superpostagem WONDERWALL - O FILME - 1968 e também JANE BIRKIN AND SERGE GAINSBOURG - JE T’AIME MOI NON PLUS. Imperdíveis!

THE BEATLES - JOHN LENNON - HAPINESS IS A WARM GUN*****

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Para compor "Happiness Is A Warm Gun", John Lennon costurou três pedaços de composições que já tinha começado, mas não pareciam ir a lugar algum. A primeira era uma série de imagens aleatórias de uma noite de ácido com Derek Taylor, Neil Aspinall e Pete Shotton na casa que Taylor estava alugando. E é o próprio Derek Taylor quem conta boa parte dos segredos por trás dos versos de "Happiness".
"John disse que tinha escrito metade de uma música e queria que nós ajudássemos com frases. Primeiro, ele queria saber como descrever uma garota muito esperta, e eu lembrei de uma expressão de meu pai que dizia: “She's not a girl who misses much” (ela não é uma garota que perde muita coisa). Parece um elogio fraco, mas em Merseyside, naqueles dias, não havia nada melhor. Depois eu contei a história de um sujeito que Joan, minha esposa, e eu conhecemos no Carrick Bay Hotel na Isle of Man. Já era tarde da noite, nós estávamos bebendo no bar, e um cara que gostava de conhecer turistas e de bater papo de repente nos disse: 'Sabe, eu gosto de usar luvas de pele. Elas dão uma sensação diferente quando saio com minha namorada'. Depois disse: 'Não quero entrar em detalhes'. E não perguntamos. Mas isso gerou o verso 'she's well acquainted with the touch of the velvet hand' (ela conhece bem o truque de uma mão aveludada). 'Like a lizard on a window pane' (como uma lagartixa no vidro da janela), para mim, era o símbolo de um movimento bem rápido. Muitas vezes, quando morávamos em Los Angeles, era só olhar para cima que víamos pequenas lagartixas correndo na janela. “The man in the crowd with multicoloured mirrors on his hobnail boots” (o homem no meio da multidão com espelhos multicoloridos em suas botas de taxa) veio de algo que li no jornal sobre um torcedor de futebol de Manchester City que foi preso pela polícia por colocar espelhos na biqueira do sapato para poder ver por baixo da saia das garotas. Achamos que era uma maneira incrivelmente complicada e tortuosa de obter um prazer barato, então se tornou 'multicoloured mirrors' e 'hobnail boots' para encaixar na melodia. Um pouco de licença poética. A parte de “Tying with his eyes while his hands were working over time” (descansando com os olhos enquanto as mãos estão fazendo hora extra) veio de outra matéria, sobre um homem que sempre andava de capa e tinha mãos de plástico. Ele as apoiava no balcão das lojas enquanto, sob a capa, roubava coisas e as enfiava em um saco que estava enrolado na cintura. Não sei de onde saiu “soap impression of his wife” (uma impressão ‘lavada’ da esposa), mas a parte de comer algo e depois doar para o 'NationalTrust' veio de uma conversa que tivemos sobre os horrores de andar em lugares públicos em Merseyside, onde você sempre se deparava com evidências de que pessoas haviam defecado atrás de arbustos e em antigos abrigos antiaéreos. Doar o que você comeu para o National Trust (organização britânica que visa manter as belezas do interior do país) é o que hoje chamaríamos de 'defecar em áreas públicas do National Trust'. Quando John juntou tudo, criou camadas de imagens. Era como uma grande confusão de cores".
A segunda parte começa com "I need a fix, 'cause I'm going down" (Eu preciso de uma dose, pois estou morrendo) tanto era uma referência sobre o desejo sexual de Lennon para com Yoko Ono, que tinha um papel maternal e dominador na vida de John, como também era uma clara referência ao seu problema com a heroína durante as gravações, apesar de Lennon ter declarado que não usava através de injeção. A seringa também seria uma arma quente porque é uma coisa que faz ele se sentir bem mesmo sendo algo que o faz mal, como uma arma mesmo. Então entra a estranha figura da Madre Superiora que dispara o gatilho.
Outra alusão ao seu desejo sexual por Yoko Ono é, "When I hold you in my arms / And I feel my finger on your trigger / I know nobody can do me no harm / because happiness is a warm gun, momma" (Quando eu te seguro em meus braços / e eu sinto o meu dedo em seu gatilho / eu sei que ninguém pode me fazer mal / porque a felicidade é uma arma quente, mamãe).
A parte final, que dá título à música, foi inspirada por algo que George Martin mostrou a John em uma revista americana sobre armas. Havia uma chamada na capa que dizia "Felicidade é uma arma quente", um trocadilho óbvio com o livro de 1962 do cartunista do Snoopy, Charles Schulz, ‘Happiness is a Warm Puppy’. A justaposição aparentemente bizarra de assassinato e prazer instigou a imaginação de John na época. "Eu pensei, que coisa fantástica de dizer: uma arma quente significa que você acabou de atirar em alguma coisa".

THE BEATLES - PAUL McCARTNEY - I WILL*****

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"I Will" é Paul em sua melhor forma: música ótima, com bela harmonia vocal, boa letra. Ele teve a ideia da melodia na Índia e tocou-a para várias pessoas, inclusive Donovan, mas foi só ao voltar que conseguiu colocar palavras apropriadas nela.
A letra é simples, sem truques engenhosos, trocadilhos ou alusões, apenas uma canção á moda antiga que diz “amo você de todo o coração”, o tipo de coisa que os Beatles não faziam havia algum tempo, tendo, pelo visto, abandonado as músicas de amor melosas. "I Will" foi lançada como a penúltima faixa do lado B do disco 1 do álbum Álbum Branco de 1968, depois de "Why Don't We Do It in the Road?" e antes de "Julia"Em contraponto com "Why Don't We Do It in the Road?" que contém um apelo sexual, "I Will" é mais romântica. Foi a primeira canção de cinco que Paul escreveu e dedicou para sua namorada e futura esposa Linda Eastman (As outras quatro são: "Two of Us", "The Lovely Linda", "Maybe I'm Amazed", e "My Love"). A harmonia da canção, Paul fez ao ler no jornal que um crítico escreveu, dizendo que os Beatles nunca mais fariam baladas como "Yesterday". O tema de "I Will" ou "Eu Irei" é bem o estilo McCartney de escrever suas canções de amor. Na letra ele diz que fará o que for preciso para ficar com ela e amá-la, dizendo que a amará para sempre, de todo seu coração, mesmo quando estiverem longe um do outro. A sessão de gravação se tornou uma sessão de ensaios, produzindo uma curta canção, "Can you take me back", que acabou entrando no final de "Cry Baby Cry", assim como "Los Paranoias" que apareceu no "Anthology", "I Will" levou 67 takes para ser gravada. George Harrison, não participou, pois estava trabalhando em "Piggies" em outro estúdio de Abbey Road. Um "baixo com a voz" foi realmente feito por Paul McCartney que gravou com a boca acompanhando os graves do violão, adicionou um overdub e mais alguns efeitos. Quem ouvir atentamente, perceberá que não é um baixo comum. Uma versão alternativa de "I Will" aparece no "Anthology 3". Essa versão foi o primeiro take a ser gravado em 1968. Instrumentos tocados por Paul McCartney: vocal, violão, baixo com a voz; John Lennon: percussão com pedaço de madeira; Ringo Starr: chimbal, bongôs e maracas.

No Anthology, Paul, George e Ringo estão em um momento de boa, descansando. Ringo pergunta a Paul sobre quais canções ele escreveu na Índia e ele responde, "I Will". Então George começa a tocá-la em seu ukulele, enquanto Ringo e Paul começam a harmonizar a canção. 
"I Will" aparece no filme romântico de 1994, estrelado por Annette Bening e Warren Beatty, "Segredos do Coração" (The Love Affair). "I Will" está em versão reggae no disco "Read My Lips" de Tim Curry. Uma versão similar do riff aparece na canção "My Best Friend's Girl" da banda The Cars e uma versão com Diana Ross aparece no seu disco de retorno "I Love You", de 2007.

domingo, 2 de dezembro de 2018

PAUL McCARTNEY – DESPITE REPEATED WARNINGS*****

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“Despite Repeated Warnings” (Apesar dos  repetidos avisos) é uma música de Paul McCartney, lançada em 7 de setembro de 2018. É a 14ª faixa do 18º álbum solo de McCartney, “Egypt Station”. O álbum bateu “Kamikaze” de Eminem, na primeira posição da Billboard 200. Com isso, “Egypt Station” viu McCartney conquistar seu primeiro número um nos Estados Unidos em quase 4 décadas (aproximadamente 36 anos).A letra de “Despite Repeated Warnings” centra-se nas questões climáticas e no aquecimento global. Durante uma entrevista à BBC, perguntaram a McCartney se durante o processo de composição, ele tinha algum político famoso em mente. Ele respondeu dizendo que sim e que o político não era outro senão o presidente dos EUA, Donald Trump. No entanto, ele afirmou que a mensagem na música pode se aplicar a muitos outros líderes e figuras proeminentes por aí que negam a mudança climática.
“Eu estava no Japão, lendo o jornal Tokyo Times ou Japan Times, acho, e havia algo sobre mudança climática e aquela típica coisa de que as pessoas não estão realmente fazendo nada sobre o assunto, que tudo ficará bem e não é necessária preocupação, etc. Claro, esses icebergs derretendo não têm importância, não estão derretendo em Londres, então não há importância. E a frase que estava na matéria era ‘Despite Repeated Warnings’ [Apesar dos avisos repetidos]. Eu gostei dessa frase e achei que resumia muito o que as pessoas pensavam. E aí quis fazer uma música na qual eu usasse simbolismo e a pessoa seria simbólica de certos políticos e pessoas que discutem que a mudança climática é um boato. Conhecemos algumas pessoas assim. E aí pensei em um capitão e ele está dirigindo um barco e decide ir em direção aos icebergs. Ele foi avisado, mas decide seguir em frente porque acredita que está certo e acha que estão se preocupando demais com isso. É uma história, como o Titanic se tivessem sido avisados que eles afundariam por conta de um iceberg e o capitão não se importasse e achasse que eles ficariam bem. É uma música como ‘Band On The Run’ ou ‘Live And Let Die’, de certa forma episódica, com uma produção épica. Espero que lembre as pessoas que a mudança climática não é um boato e que nós devemos evitar ter um capitão louco nos dirigindo aos icebergs”.

THE BEATLES - I FEEL FINE NO SHEA STADIUM*****

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THE BEATLES - I FEEL FINE - 2018**********

JOHN LENNON - O HOMEM DO SÉCULO!

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Publicada originalmente em 8 de dezembro de 2016.
Quando, no final de dezembro de 1969, a BBC-TV exibiu o especial “O Homem da Década”, dedicado a John Lennon (prêmio que ele recebeu no dia 2 de dezembro em entrevista concedida à ATV), a revista Rolling Stone proclamou John Lennon como a "Personalidade do Ano" (The Man of the Year) e muitos críticos e jornalistas, contrários ao fim dos Beatles, ao lado pacifista adotado por Lennon, sua luta utópica pela paz, e à própria Yoko Ono, espalharam que na verdade, deveria receber o título de "PALHAÇO DO ANO". No que Lennon prontamente respondeu:"Parte da minha política e da Yoko é não sermos levados à sério. Somos humoristas. Todas as pessoas sérias, como Kennedy, Luther King e Gandhi, foram assassinadas. Queremos ser os palhaços do mundo. Fico orgulhoso em ser ‘O Palhaço do Ano’ num mundo em que gente séria está se matando e destruindo em guerras como a do Vietnam". John Lennon foi um dos três homens nomeados por eminentes pensadores para o “Man Of The Decade”. Lennon foi indicado por intermédio do antropólogo Desmond Morris. As outras escolhas foram John F. Kennedy, escolhido por Alistair Cooke e Hi Chi Min, nomeado por Mary McCarthy. Morris, Cooke e McCarthy apresentaram um segmento de 20 minutos sobre suas escolhas como parte de um documentário encomendado pela Associated TeleVision (ATV). O documentário foi exibido no Reino Unido na terça-feira, 30 de dezembro de 1969, das 10h30 às 11h30, com a seção sobre Lennon aparecendo por último. Lennon e Morris se encontraram alguns dias antes para selecionar imagens de arquivo para acompanhar o discurso. Morris visitou Tittenhurst Park, a casa de Lennon em Ascot, Berkshire, no dia 2 de dezembro de 1969 para gravar a entrevista. A maior parte da filmagem envolveu Lennon caminhando pelos terrenos de Tittenhurst com Desmond e Yoko Ono, discutindo uma série de tópicos. Lennon descreve sua educação como uma perda de tempo, dizendo o pouco que ele aprendeu além de ler e escrever. Ele diz que muitos músicos encontram sucesso fora do sistema convencional e valores convencionais, e continua a discutir a jornada da música contemporânea desde o início do rock and roll até a psicodelia e voltar para a Terra. Lennon parece positivo sobre o futuro, falando favoravelmente sobre os festivais Woodstock e Isle of Wight e a recente guerra anti-guerra em Washington. Ele disse que cada evento foi menos violento do que um show médio dos Beatles, apesar de envolver mais jovens. Falando em drogas e meditação, ele diz que elas eram as maneiras de lidar com as pressões da vida, e descreve seu relacionamento com Yoko Ono como uma planta que precisa de cuidados constantes. Somente concentrando-se em tais relacionamentos, ele diz, e, comunicando-se abertamente, o mundo acharia harmonia. A entrevista termina com Lennon especulando que a próxima década seria boa, dizendo aos espectadores para não temer um mundo gerido por pessoas como ele. A equipe da BBC passou os próximos cinco dias filmando os Lennons em vários locais, em troca de entregar os direitos de filmagem. Grande parte disso foi usada no documentário de 1988, Imagine: John Lennon.

ELETRIC LIGHT ORCHESTRA - ROCKARIA - SENSACIONAL!!!*****

Um comentário:

"Rockaria!" é o nome do enérgico rockenrollzão sinfônico, composto e produzido por Jeff Lynne para a Eletric Light Orchestra. Foi a terceira faixa do álbum de 1976 da banda, A New World Record, e o segundo single do álbum. Em alguns dos CDs de A New World Record, ela aparece sem o ponto de exclamação.

A New World Record foi o sexto álbum de estúdio da Electric Light Orchestra (ELO). Lançado em setembro de 1976 pela United Artists Records nos EUA e em 19 de novembro de 1976 pela Jet Records no Reino UnidoA New World Record marcou a mudança da ELO em direção a canções pop mais curtas, tendência que continuaria em toda a sua carreira. Segundo álbum a ser gravado no Musicland Studios em Munique, o LP provou ser o avanço da banda no Reino Unido; depois que as três gravações anteriores de estúdio não conseguiram figurar em seu mercado doméstico, A New World Record tornou-se seu primeiro álbum no top dez no Reino Unido.Tornou-se um sucesso global e atingiu o status de multi-platina nos dois lados do Atlântico. O álbum vendeu cinco milhões de unidades em todo o mundo em seu primeiro ano de lançamento. A arte da capa apresenta o logotipo ELO, projetado por Kosh (nascido John Kosh), um diretor de arte inglês, designer de capas de álbuns, artista gráfico e produtor / diretor de documentários. Este logotipo seria incluído na maioria dos lançamentos subseqüentes do grupo. O álbum rendeu quatro singles de sucesso, incluindo "Livin 'Thing", o top transatlântico de sucesso "Telephone Line", que se tornou o primeiro single de ouro da banda nos EUA, o hit no Reino Unido "Rockaria!" e o hit número 24 nos EUA "Do Ya", um remake do single de 1972 do 'The Move', do qual Lynne foi membro entre 1970 e 1972.

sábado, 1 de dezembro de 2018

DAVE CLARKE FIVE / JULIAN LENNON - BECAUSE*****

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A única relação que “Because” de 1964, com “Because” dos Beatles de 1969, além do nome, é o fato da primeira ter sido regravada mais de vinte anos depois, em 1985 por Julian Lennon, filho de John Lennon. Essa versão chegou ao número 40 no UK Singles Chart daquele ano.

"Because" é uma canção original da banda The Dave Clark Five do seu terceiro álbum de estúdio American Tour, de 1964. Originalmente, lado B de "Can't You See That She's Mine" no Reino Unido, mas Dave Clark, o autor e líder da banda, insistiu para que "Because" fosse lançada como single lado A nos Estados Unidos, e assim alcançou o número três na Billboard Hot 100.

THE BEATLES - WHY DON'T WE DO IT IN THE ROAD?

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Um dos pontos fortes da parceria Lennon e McCartney era que, embora o ato de se sentar para criar uma música do zero juntos estivesse ficando cada vez mais raro, eles se instigavam a ir além no que estava se tornando um trabalho cada vez mais solo. Às vezes eles tentavam se superar compondo com um estilo mais associado com o outro. O Àlbum Branco continha a sensível "Julia" e a sentimental "Goodnight", de John, à Paul, e as audaciosas "Helter Skelter" e "Why Don't We Do It In The Road?", de Paul, no melhor estilo John. "Why Don't We Do It In The Road?" aborreceu John porque Paul a gravou com Ringo em um estúdio separado em Abbey Road, e o estilo escolhido por Paul — uma letra maliciosa com arranjos escassos — era próximo do estilo a que ele, John, estava associado e queria tê-la cantado. Paul teve a ideia na Índia quando viu dois macacos copulando a céu aberto. Ele ficou impressionado pela maneira aparentemente descomplicada como os animais se acasalam em comparação com as regras, rituais e hábitos do sexo humano.
Os Beatles sempre foram um grupo de rock", Paul explicou em novembro de 1968. "É que não somos só rock'n'roll. É por isso que fazemos 'Ob-la-di ob-la-da' uma hora e depois fazemos esta. Quando nos apresentávamos em Hamburgo, não tocávamos rock a noite toda porque havia muitos executivos velhos e gordos chegando - e executivos velhos e magros também —, e eles nos pediam para tocar mambo ou rumba. Eu não costumo escrever uma música e pensar: 'Certo, essa vai ser sobre algo específico'. As palavras acabam surgindo. Eu não me obrigo a falar sobre nada sério. São apenas palavras que acompanham a melodia. E você pode ler o que quiser nelas". Paul McCartney faz o vocal rasgado, toca guitarras acústica e elétrica, piano, baixo e palmas; Ringo Starr toca bateria e palmas. John Lennon e George Harrison não participaram.

THE BEATLES - DEAR PRUDENCE**********

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"Prudence" era Prudence Farrow (irmã mais nova da atriz americana Mia Farrow), que fez o mesmo curso que os Beatles na Índia. A música era um apelo para que ela saísse de seus períodos de meditação excessivamente longos e relaxasse com o resto do grupo. No final da versão demo de "Dear Prudence", John continua tocando violão e diz: "Ninguém tinha como saber que mais cedo ou mais tarde ela ficaria completamente desvairada sob os cuidados do Maharishi. Todas as pessoas em volta estavam muito preocupadas porque ela estava enlouquecendo. Então nós cantamos para ela". Depois, John explicaria que Prudence tinha ficado levemente "maluca", ela estava trancada em seu quarto meditando havia três semanas, "tentando chegar a Deus mais rápido do que qualquer um". Paul Horn, o flautista americano, diz que Prudence era uma pessoa extremamente sensível e que, ao mergulhar direto em profunda meditação, contrariando a orientação do Maharishi, tinha se permitido entrar em um estado catatônico. "Ela estava totalmente pálida e não reconhecia ninguém. Não reconheceu nem o próprio irmão, que estava no curso conosco. A única pessoa a quem ela demonstrou algum sinal de reconhecimento foi o Maharishi. Todos estavam muito preocupados, e o Maharishi designou uma enfermeira em tempo integral para ela".
Prudence, cujo alojamento ficava no mesmo prédio que os quatro Beatles e suas parceiras, nega que estivesse louca, mas concorda que era mais fanática por meditação que o resto do grupo. "Eu meditava desde 1966 e tinha tentado fazer o curso em 1967, então foi como a realização de um sonho para mim. Estar naquele curso era mais importante do que qualquer coisa no mundo. Eu estava muito empenhada em fazer o máximo de meditação possível, para que pudesse adquirir o máximo de experiência para dar aulas. Sei que deve ter parecido estranho por que eu sempre corria de volta para o quarto depois das palestras e refeições para meditar. Era tudo tão fascinante para mim. John, George e Paul queriam ficar tocando e se divertindo, e eu voava para o quarto. Eles eram muito sérios sobre o que estavam fazendo, mas não eram tão fanáticos quanto eu. A música que John escreveu só dizia 'venha brincar conosco. Saia e se divirta'", ela diz. Ela acabou aceitando o convite e conheceu bem os Beatles. O Maharishi a colocou no grupo de discussão depois das aulas com John e George. Ele achava que os dois seriam bons para ela. "Nós falamos sobre as coisas pelas quais estávamos passando. Estávamos questionando a realidade, fazendo perguntas sobre quem éramos e o que estava acontecendo. Eu gostei deles, e acho que eles gostaram de mim", ela conta. Apesar de a música ter sido escrita na Índia e de Prudence ter ouvido várias jam sessions com os Beatles, Mike Love e Donovan, John nunca tocou a música para ela. "Foi George que me falou da música", diz. "No fim do curso, quando estavam indo embora, ele comentou que tinham escrito uma música sobre mim, mas eu só ouvi quando ela foi lançada no álbum. Fiquei lisonjeada. Foi um gesto lindo".
"Dear Prudence" foi gravada no Trident Studios, em oito canais, nos dias 28 e 29 de agosto de 1968. Mais tarde, foi concluída no dia 13 de outubro, em Abbey Road. Ringo Starr não participou, pois ele havia se aborrecido com Paul e com o clima das sessões de gravação e por alguns dias, abandonou o trabalho com seus companheiros. McCartney, assumiu as baquetas durante o período em que Ringo esteve ausente (além desta, ele tocou bateria também em Back in the U.S.S.R.). Ringo retornou após um pedido de desculpas pela banda com flores espalhadas pela sua bateria, um presente especial de George Harrison. Prudence hoje é casada e vive na Flórida, onde dá aulas de meditação.