sábado, 28 de setembro de 2019

ABBEY ROAD - TODAS AS POSTAGENS NUMA SÓ!***********

6 comentários:

Caros amigos todos: acho que desde que imaginei pela 1ª vez juntar todas as postagens de todas as músicas de Abbey Road e fazer uma ilustração exclusiva para cada uma, foi sonhando com essa imagem aí de cima... todas juntas. Tenho certeza absoluta que de agora em diante, O Baú do Edu nunca mais será o mesmo. Se divide em “antes” e “depois” dos 50 anos de Abbey Road. Nunca, em toda a história desse blog, um único disco recebeu tamanha atenção, esforço, dedicação e tanto, tanto carinho – com todas as postagens sobre todas as faixas, desde a 1ª “Come Together”, publicada no dia 16 de agosto, até “The End”, publicada ontem - todas recebendo o tratamento e o status de ‘superproduções épicas’, um show de imagens, textos e os melhores vídeos que haviam disponíveis. Acho que os que mais se aproximaram foi o Álbum Branco no ano passado e o Sgt. Pepper’s em 2017, mas nenhum se compara com o trabalho para o aniversário do Abbey Road. Como se já não bastassem as postagens das músicas em si, ainda houve as “coadjuvantes’: O Dia que os Beatles atravessaram a rua; Dr. Timothy Leary -Turn on, Tune in, Drop out; Tittenhurst Park - As últimas fotos dos Beatles juntos; Ethan Russel - o fotógrafo das grandes estrelas do Rock; Paul Cole - O anônimo que ficou famoso em Abbey Road; Os Beatles e o Sintetizador Moog; SolidState: um livraço sobre Abbey Road e o fim dos Beatles; Beethoven - Sonata ao Luar; O dia em que uma cama para Yoko Ono foi instalada em Abbey Road; Peter Doggett- A Batalha Pela Alma Dos Beatles; Fleetwood Mac – Albatross – 1968 e "Overdub"- O que é isso?. Ufa! Uma trabalheira de realmente tirar o fôlego. Muitas das faixas de Abbey Road nunca haviam aparecido aqui, e das que já tinham, não aproveitei quase nada. A maioria das músicas do medley (com exceção de “The End”), eram inéditas. Para cada música, fiz as pesquisas, as ilustrações e tive de reler rapidamente os livros de alguns dos maiores monstros da minha estante – Steve Turner, Hunter Davies, Mark Lewisohn, Peter Carlin, Jeff Russel, Peter Dogget, Bob Spitz e o mais consultado de todos: Geoff Emerick. Além de consultar diariamente os sites que mais achei preparados para esse tipo de abordagem que eu queria fazer. Também pude contar sempre à mão, com meu acervosinho de revistas e recortes que juntei ao longo dos anos, nada mal. Foi trabalhoso, foi. Mas foi fabuloso! Uma experiência única e enriquecedora demais. Também tive que fazer muitas "capas" para o topo do Baú, enquanto a música comia frouxa.
Ouvir faixa por faixa, de novo, centenas de vezes seguidas, dia após dia, só fazia aumentar ainda mais a minha certeza que não existe nada, absolutamente nada, nesse universo ou em qualquer outro, que possa se comparar com os Beatles. Nessas miniaturas logo embaixo, se você clicar em cada uma, irá para a postagem correspondente. Legal, né? E é isso aí. Por enquanto é só, pessoal. Espero que tenham gostado de tudo porque foi feito com todo o amor das Coisas Beatles que aprendi nessa minha vida ordinária. Agora o nosso blog preferido vai descansar e deixar vocês descansarem também por um tempo. Mas ninguém se anime não, que eu não aguento ficar mais que alguns dias longe. Vou ler uns livros, ver uns filmes e estudar um pouco para tentar aprender algumas novas técnicas e aprimorar cada vez mais a minha arte. Aproveitem para deixar seus comentários nas postagens. E lembrem:se: "O COMENTÁRIO, É O ALIMENTO DO BLOGGER". Obrigadão, valeu, até! BEATLES FOREVER ATÉ O FIM!!!

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

ABBEY ROAD - O CLÁSSICO DOS CLÁSSICOS - 50 ANOS DE SUCESSO ABSOLUTO!

2 comentários:

Sete anos depois das primeiras gravações nos estúdios Abbey Road, os Beatles voltaram para aquelas que seriam as últimas sessões juntos. Em junho de 1962, eles eram rapazes provincianos de olhos arregalados prontos para deixar sua marca no mercado musical. Em julho de 1969, tinham se tornado homens sofisticados, cansados do mundo, com as vidas dete­rioradas pelas lutas por poder e dinheiro.
As músicas de Abbey Road refletem essas frustrações. São sobre nego­ciações legais, dívidas não pagas, roubos, karma ruim e, de modo geral, sobre carregar o peso do mundo nas costas. Havia até uma canção falsamente alegre sobre um martelo de prata (o "martelo de Maxwell") esperando para bater em você quando as coisas começam a melhorar. Apesar desse humor - ou talvez por causa dele - Abbey Road foi um presente de despedida excepcionalmente criativo. Ele traz duas das melhores canções de George, "Here Comes The Sun" e "Something", uma criação atípica de John, "ComeTogether", e um medley de canções inacabadas habilmente entremeadas por Paul. George Martin lembra que, depois de Let It Be, Paul pediu que ele produzisse um álbum dos Beatles com o tipo de sensação que a banda costumava produzir jun­ta. Martin concordou em ajudar se os Beatles estivessem preparados para oferecer sua cooperação. "Foi assim que fizemos Abbey Road. Não era exatamente como nos velhos tempos porque eles ainda estavam trabalhando nas canções antigas e traziam outras pessoas para traba­lhar como músicos contratados, em vez de trabalharem em equipe". Na Inglaterra, Abbey Road foi lançado no dia 26 de setembro de 1969 e ficou no primeiro lugar por dezoito semanas. Nos EUA, foi lançado em outubro e foi o número 1 por onze semanas.

Há exatos 50 anos, o derradeiro álbum: Abbey Road, o 12° álbum de estúdio lançado pelos Beatles. Abbey Road está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, onde ocupa a 12ª posição. Apesar de ter sido o penúltimo lançado pelos Beatles, foi o último a ser gravado. As músicas de "Let It Be", foram gravadas alguns meses antes das sessões que deram origem ao Abbey Road. O álbum é considerado um dos melhores do grupo e parecia que os momentos de turbulências haviam passado e tudo havia voltado ao normal entre eles, mas na verdade o maior problema começou a esquentar: Uma terrível guerra de egos.
Após a morte de Brian Epstein, Paul McCartney queria que Lee Eastman, advogado de sucesso e pai de Linda Eastman, tomasse conta dos negócios mas os outros (JonheYoko, George e Ringo), desconfiando e visando uma proteção maior ao legado de todos sugeriram que Allen Klein, (que era promotor dos Stones e já vinha tentando "roubar" os Beatles de Epstein há muito tempo), era a melhor opção pelo seu jeito durão de "homem das ruas". McCartney não concordou por achar absurdo pagar 15% de todos os lucros para Klein. Após a separação da banda, Eastman foi advogado da carreira solo de Paul e Allen Klein foi a justiça por ter roubado uma média de mais de 5 milhões de dólares dos Beatles. O restante dos Beatles mantiveram contrato com Klein até 1977.
George Martin produziu e orquestrou o disco junto com Geoff Emerick como engenheiro de som, Alan Parsons como assistente de som e Tony Banks como operador de fitas. Martin considera Abbey Road o melhor disco que os Beatles fizeram. E não é por menos: ele é o mais bem acabado de todos, um dos mais cuidadosamente produzidos (comparável somente a Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band). Sua estrutura foi bastante pensada e discutida, e as visões discordantes dos integrantes da banda só contribuíram para a riqueza da criação final. Também foi em Abbey Road que George Harrison se firmou como um compositor de primeira linha. Após anos vivendo sob a sombra de John Lennon e Paul McCartney, ele finalmente emplacou dois grandes sucessos com este álbum. Ambas foram regravadas incessantemente ao longo dos anos, sendo que "Something" chegou a ser apontada pela revista Time como "a melhor música do disco" e como a segunda música mais interpretada no mundo, atrás somente de "Yesterday", também dos Beatles.
Este disco foi marcado pelo uso de novos recursos tecnológicos que estavam surgindo na época. Um deles foi o sintetizador Moog, que começava a ser utilizado em maior escala dentro do rock. Ele possibilitava que virtualmente qualquer som fosse gerado eletronicamente. O Moog pode ser notado claramente em músicas como "Here Comes the Sun", "Maxwell's Silver Hammer" e "Because". Por seu trabalho em Abbey Road, os engenheiros de som Geoff Emerick e Phillip McDonald ganharam o
Grammy.
Após as desastrosas sessões de gravação do álbum então chamado de "Get Back" (mais tarde intitulado "Let It Be"), Paul McCartney sugeriu ao produtor George Martin que os Beatles se reunissem e fizessem um novo álbum "como nos velhos tempos… como a gente fazia antes", gravado ao vivo, sem overdubs e, logicamente, livres dos conflitos que começaram desde as sessões do Álbum Branco. Martin pensou, levou em consideração o acontecido de ter sido produtor secundário do álbum Get Back e aceitou, mas com a condição que a banda se comportasse "como nos velhos tempos", e ele seria tratado como o "produtor dos velhos tempos" também. Queria o consentimento de Lennon que aceitou numa boa pois eles estavam loucos para compor e gravar. Porém algumas faixas como "Something" e "Golden Slumbers/Carry That Weight/The End" seguiram o estilo do Álbum Branco, de gravarem individualmente. Mas o resultado final acabou sendo um grande álbum, considerado por muitos críticos como o melhor da banda, e segundo a revista Rolling Stone o 14° melhor álbum de todos os tempos.
Na época do lançamento do disco, George fez uma análise, des­crevendo faixa por faixa:
'Something' — "É uma música minha. Eu a escrevi quando nós estávamos terminando o último álbum, o branco. Mas nunca a termina­va. Nunca conseguia encontrar as palavras certas para ela. Joe Cocker fez uma gravação também, e há conversa de que será o próximo compacto dos Beatles. Quando a gravei, pensei em alguém como Ray Charles fa­zendo a música, pensando na sensação que ele deveria ter. Mas como não sou Ray Charles, sou muito limitado, nós fizemos o que podíamos. É um bom pensamento e, provavelmente, a melhor melodia que já escrevi."
'Maxwell's Silver Hammer' — "É algo só de Paul, passamos um diabo de tempo gravando. É uma daquelas músicas que se assobia ins­tantaneamente, algumas pessoas vão odiar e outras vão amar. É como 'Honey Pie', um tipo de coisa divertida, mas provavelmente vai pegar, porque na estória o camarada mata todo mundo. Usamos meu sintetizador moog e eu acho que saiu com grande efeito."
'Oh! Darling' — "É outra música de Paul, típica dos anos 50/ 60, principalmente nos acordes. É uma música típica da época dos gru­pos Moonglows, Paragons, She/ls e tudo o mais. Nós fizemos alguns oh, oohs no vocal e Paul gritando."
'Octopus Garden' — "É de Ringo, a segunda que escreveu. É linda. Ringo fica chateado só tocando bateria. Ele toca piano, em sua casa, mas só conhece três acordes. E ele sabe o mesmo na guitarra. Gosta principalmente de música country, tem um sentimento bem country. É realmente uma grande música. Superficialmente, é uma mú­sica boba e infantil, mas acho a letra muito significativa. Ringo escre­ve suas músicas cósmicas sem saber. Eu encontro significados profun­dos em suas letras e provavelmente ele nem sabe disso. Linhas como 'Resting our head on the seabed' (descansando nossa cabeça no leito do mar) e 'we'll be warm beneath the storm' (nós estaremos aquecidos debaixo da tempestade) fazem com que eu entenda que quando se che­ga dentro de nossa consciência, tudo é de muita paz."
'I Want You (She's so heavy)' — "É uma música bem forte. Foi John quem tocou guitarra solo e cantava, isso é bom porque a frase- solo que ele toca é basicamente blues. Mas é uma música muito original do tipo Lennon, tem algo de espantoso no seu ritmo; ele sempre cruza algo, coisas diferentes no ritmo, por exemplo 'All You Need Is Love', da qual o tempo vai de 3-4 para 4-4, mudando o tempo todo. Quando você pergunta para ele sobre isso, ele não sabe como. Faz naturalmente. No instrumental inicial e nos intervalos, ele criou uma excelente seqüencia de acordes."
'Here Comes The Sun' — "É a primeira faixa do lado 2. É a música que escreví para este álbum. Eu a fiz em um dia ensolarado no jardim de Eric Clapton. Nós tínhamos passado por muitos problemas nos negócios, e tudo era muito pesado. Estar no jardim de Eric Clap­ton era como fazer bagunça depois da escola. Eu senti um tipo de alí­vio e a música saiu naturalmente, é um pouco parecida com 'lf I Needed Someone', com aquele tipo de solo correndo por ela. Mas, realmente,' é muito simples."
'Because' — "É uma das coisas mais bonitas que fizemos. Tem uma harmonia de três partes — John, Paul e eu. John escreveu a músi­ca, e o acompanhamento é um pouco parecido com Beethoven. As­semelha-se com o estilo de Paul escrever, mas só por causa de sua sua­vidade. Paul geralmente escreve coisas mais suaves e John é mais deli­rante, mais pirado. Mas, de tempos em tempos, John gosta de escre­ver uma música simples de 12 compassos. Acho que é a faixa de que mais gosto do álbum. É tão simples, especialmente a letra. A harmonia foi muito difícil de ser feita, tivemos que aprendê-la mesmo. Eu acho que vai ser a música que impressionará a maioria das pessoas. Os pira­dos vão entender e os caretas, pessoas sérias, e críticos, também. Depois vem a seleção de músicas de John e Paul, todas juntas. É difícil descre­vê-las sem que se ouça todas juntas. 'You Never Give Me Your Money' parece ser duas músicas, uma completamente diferente da outra. Em seguida vem 'Sun King' (Rei Sol) que John escreveu. Originalmente, ele a tinha chamado de 'Los Paranoias'."
'Mean Mister Mustard e Polytheme Pam' — "São duas músicas pequenas que John escreveu na India, há 18 meses."
'She Came In Through the Bathroom Window' — "É uma mú­sica muito boa de Paul com uma boa letra."
'Golden Slumbers' — "Ê outra música muito melódica de Paul que se encadeia."
'Carry The Weight' — "Fica entrando por todo o tempo (pot pourri)."
'The End' — "É o que é: uma pequena sequencia que finaliza tudo. Eu não consigo ter uma visão completa de 'Abbey Road'. Com 'Pepper', e até o álbum branco, eu tive uma imagem do começo ao fim do produto, mas nesse disco eu ainda estou perplexo. Acho que é um pouco parecido com 'Revolver', não sei direito. Não consigo realmente ainda vê-lo como uma entidade completa."

ABBEY ROAD – A MAGIA DE UMA RUA QUE ATRAVESSA O TEMPO

Um comentário:

"Rua da Abadia" - Abbey Road. Naquela rua simples, muito tempo atrás, havia um mosteiro e daí veio o nome. Mas a fé nunca deixou o lugar. Depois da abadia, o estúdio eternizado pelo álbum homônimo transformou o local em templo de adoração de uma religião de seguidores fanáticos pelos Beatles.
A faixa de pedestres mais famosa do mundo fica no final de uma rua que tem em torno de 1.500 metros de extensão – mais precisamente, na esquina das ruas Abbey Road com Grove End, em Londres. Foi esse cruzamento que os Beatles eternizaram na capa do último álbum lançado pelo quarteto em 26 de setembro de 1969, “Abbey Road” – nome adotado pelo estúdio da EMI, depois do sucesso do disco dos Beatles. Onde eles gravaram a maior parte das seus sucessos. De lá para cá, a capa dos Beatles já foi reproduzida milhares e milhares de vezes.
O prédio em estilo Georgiano foi construído em 1813, na arborizada região de St. John’s Wood, e adquirido pela Gramophone Company em 1931. Depois de uma fusão, a empresa adotou o nome Electric and Musical Industries Ltd - EMI.
Abbey Road fica entre os bairros de Kilburn e St. John’s Wood, e a origem do seu nome se perdeu na memória. O livro “Old and new London” (“Antiga e nova Londres”), de 1878, diz que o nome provavelmente vem de uma capela instalada no centro da vila de Kilburn.
A vila foi incorporada à cidade à medida em que Londres cresceu no sentido noroeste, mas o nome da rua se manteve. Além dos estúdios, ela dá nome ao banco Abbey, que foi fundado em uma igreja batista também em Abbey Road, no século XIX.Imagem relacionada
O cruzamento fica a poucos minutos de caminhada da estação de metrô de St. John’s Wood, na Jubilee Line. Saindo da estação de metrô, o fã que quiser chegar até a faixa de pedestres deve virar à direita, acompanhando a rua Grove End. Três quadras depois, vai se deparar com um monumento em um cruzamento – ali é a Meca! Abbey Road.Imagem relacionada
O monumento branco, adornado por uma estátua de uma mulher nua, é uma homenagem ao poeta Edward Onslow Ford, morto em 1901 e morador da região. A estátua é uma réplica da imagem da Musa da Poesia, que Onslow esculpiu para adornar o túmulo do poeta P. B. Shelley.
Resultado de imagem para Abbey Road with Grove End
O cruzamento tem um trânsito movimentado, o que não impede os fãs de continuarem atravessando a rua para tirar fotografias como os Beatles. Na esquina, fica um conjunto de apartamentos chamado Abbey House – a região é predominantemente residencial, e foi um dos primeiros “subúrbios” de Londres, começando a ser ocupada dessa forma a partir do século XIX.

Em frente ao monumento ficava uma placa indicando a rua, trocada quase anualmente porque é grafitada e roubada constantemente.Resultado de imagem para Abbey Road wall
Ao lado da Abbey House está um muro branco cheio de rabiscos. Ali fica o complexo de estúdios Abbey Road. As mensagens e desenhos deixados pelos fãs dos Beatles não ficam expostas para sempre, porque o muro é repintado com frequência. Além disso, os estúdios mantêm uma webcam ligada durante 24h, apontada para faixa de pedestres, que pode ser acessada pela internet.
O complexo de estúdios ocupa uma casa georgiana, construída em 1831, e adquirida pela Gramophone Company em 1931. Abbey Road tem três estúdios, baseados no tamanho dos grupos usados para executar peças de música erudita. O Estúdio Um comporta uma orquestra sinfônica inteira, o Estúdio Dois tem espaço para uma orquestra de 35 peças e no Estúdio Três é possível acomodar um pequeno grupo de câmara. No mesmo ano em que o estúdio foi inaugurado, a Gramophone Company se fundiu com a Columbia Company, criando a Electrical and Musical Industries - EMI.
Em 1962, os Beatles entraram lá pela primeira vez para uma sessão de gravação com George Martin, que se tornaria o produtor e fiel escudeiro (ao menos nos assuntos sonoros) dos Fab Four, e lá ficaram até o fim.
Apesar de não terem sido os primeiros no rock, os Beatles usaram o estúdio como instrumento para outra revolução – a psicodelia. A partir de meados da década de 60, deixaram de excursionar e começaram a trabalhar seus álbuns somente dentro de Abbey Road. Faixas como “Tomorrow Never Knows” e “Strawberry Fields Forever” exploravam todas as possibilidades do estúdio – mesmo que na época as mesas de gravação tivessem apenas quatro canais. “A Day In The Life”, última música do disco “Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, contou com uma orquestra de quarenta músicos, aproveitando o espaço do Estúdio Um.
Além da faixa de pedestres, o nome do álbum ajudou não apenas a tornar definitivamente famoso o estúdio, como também tornou aquela faixa de pedestres e aquele cruzamento, os mais icônicos do mundo. Pontos turísticos obrigatórios de qualquer turista mais saudoso que queira dar uma volta ao passado. Dizem que, quando Rita Lee esteve lá, lambeu a maçaneta da porta que os rapazes abriam naturalmente todos os dias para trabalharem. Depois de toda a mágica que os Beatles deixaram ali, naquele estúdio, o sonho de qualquer artista que ganha “um qualquer” é gravar lá. E a lista é bem grande! É claro que a brasileirada também já fez sua fezinha gavando lá: Legião Urbana, Skank e Roupa Nova, sem contar outros tantos que não caberiam aqui. O estúdio se modernizou de diferentes maneiras, incluindo equipamentos de gravação digital e um serviço especial – a masterização on-line. Qualquer artista pode enviar as faixas de seu disco para serem masterizadas em Abbey Road pela internet. E, parece que não é tão caro assim. Também não é só atravessar a rua.

THE BEATLES - THE END - SENSACIONAL!!!*****

2 comentários:

"Tudo tem um começo, um meio e um fim. Não há como escapar dessa verdade absoluta. Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se foram". Fonte: A Soma de Todos os Afetos"The End" é uma música dos Beatles, lançada no álbum Abbey Road. Foi iniciada em 23 de julho de 1969 com o nome provisório de "Ending". Tem 2 min e 19 s (dois minutos e dezenove segundos) de duração e originalmente era para ser a última música do álbum, não fosse a inclusão "acidental" de Her Majesty. É iniciada com o refrão "Oh, yeah! Alright! Are you gonna be in my dreams tonight?", em seguida vem um solo de bateria de Ringo Starr que dura 16 segundos - o único em todas as músicas gravadas pelos Beatles. Em seguida, Paul McCartney, George Harrison e John Lennon, nesta ordem, revezam-se em solos de guitarra, em três blocos. Então entra um suave piano e o refrão com o epitáfio "And in the end, the love you take is equal to the love you make", entrando em seguida uma orquestra e encerrando a canção. Apesar da grande participação de George Harrison e Ringo Starr, a música é creditada somente à dupla Lennon e McCartney.
Como a faixa final apropriada para o último álbum gravado pelos Beatles, "The End" se tornaria a música que encerrou a carreira de estúdio da banda. Totalmente filosófico, Paul rima ao dizer que o amor que você "take" (leva) é igual ao amor que você "make" (faz). Ele podia não estar dizendo nada mais que "é dando que se recebe", mas John Lennon ficou impressionado a ponto de declarar que se tratava de um "verso muito cósmico", provando que "quando Paul quer, ele é capaz de pensar".
Paul viu sua parelha de versos como o equivalente musical do dístico com que Shakespeare encerrava algumas peças, um resumo e também um sinal de que ações do drama terminavam ali. Com certeza, a música foi um bom balanço da carreira de gravação deles - que começou com os pedidos bobos de adolescentes enamorados em "Love Me Do" e amadureceu até revelar palavras enigmáticas de sabedoria do grupo que transformou a história da música popular.
Super legal, né? Para encerrar com chave de ouro, a gente confere aqui, com absoluta exclusividade, mais um trecho sensacional do livraço “Here, There And Everywhere – Minha Vida Gravando os Beatles” de Geoff Emerick, sobre uma das últimas sessões de gravação de Abbey Road, quando todos estavam trabalhando no processo de finalização de “The End” e os três Beatles guitarristas, se armaram como pistoleiros em um embate de guitarras histórico.Valeu, até a próxima. Não esqueça de fazer seus comentários. Até!
“Passamos os próximos dias fazendo overdubs e dando os toques finais em algumas canções. O foco foi rapidamente deslocado para a canção intitulada "The end", que pensávamos ser a que fecharia o álbum, por isso era muito importante. Havia uns poucos compassos vazios para serem preenchidos com o solo de bateria de Ringo — Paul tinha dito "vamos pensar em alguma coisa mais tarde", da mesma forma que havia feito com a parte do meio de "A day in the life"— e houve uma longa discussão sobre o que adicionar para completá-la. "Bem, um solo de guitarra é a coisa óbvia", disse George Harrison. "Sim, mas dessa vez você deve me deixar tocar", disse John, meio que brincando. Ele gostava de tocar guitarra solo durante os ensaios, mas sabia que não tinha o requinte de George ou Paul, então ele raramente o fazia na gravação. Todos riram, inclusive John, mas pudemos ver que ele estava falando muito sério. "Já sei!", ele disse, maliciosamente, sem vontade de encerrar o assunto. "Por que não tocamos todos o solo? Podemos revezar e trocar pequenos fraseados. Solos longos de guitarra com "duelos" de guitarristas estavam se tornando moda na época, por isso foi uma sugestão que claramente tinha mérito. George não estava confiante, mas Paul não só abraçou a ideia, como também foi ainda mais longe:"Melhor ainda", disse ele,"por que nós três não tocamos ao vivo?". Lennon adorou a ideia; pela primeira vez em semanas, vi um brilho real nos seus olhos. Não demorou muito para o entusiasmo de John passar para George, que finalmente entrou no clima. Mal Evans foi imediatamente enviado para o estúdio para configurar os amplificadores de guitarra, enquanto os três Beatles ficaram na sala de controle, ouvindo a base e pensando sobre o que eles iriam tocar. Paul anunciou que queria fazer o primeiro solo, e uma vez que a canção era sua, os outros aceitaram. Sempre competitivo, John disse que teve uma grande ideia para o fim, por isso ele viria por último. Como sempre, o pobre George Harrison foi ofuscado por seus dois companheiros de banda e ficou no meio. Yoko, como de costume, estava sentada ao lado de John na sala de controle enquanto eles estavam tendo essa discussão, mas, quando Lennon se levantou para sair para o estúdio, ele se virou para ela e disse suavemente: "Epere aqui, amor, não vai levar mais de um minuto". Ela pareceu ter ficado um pouco chocada e magoada, mas ela fez o que ele pediu, sentando-se próxima à janela da sala de controle assistindo ao restante da sessão. Foi quase como se John soubesse que ela iria estragar a atmosfera se estivesse no estúdio com eles. Algo disse a John que, para fazer aquilo funcionar, ele deveria estar apenas com Paul e George, e que seria melhor que Yoko não estivesse ao lado dele naquele momento. Talvez fosse esse o motivo, ou talvez porque em algum nível subconsciente eles decidiram suspender seus egos em prol da música, mas durante o período de aproximadamente de uma hora que eles levaram para gravar aqueles solos, toda a hostilidade, toda a disputa, tudo de ruim que havia entre os três antigos amigos foi esquecido. John, Paul e George pareciam ter voltado no tempo, como se fossem crianças de novo, tocando pelo simples prazer de tocar. Mais do que tudo, eles me lembraram de pistoleiros, com suas guitarras a tiracolo e olhares de aço, determinados a superar um ao outro. No entanto, não havia nenhuma animosidade, não havia nenhuma tensão, qualquer um poderia ver que eles estavam apenas se divertindo. Enquanto eles estavam praticando, tomei muito cuidado em criar um som diferente para cada Beatle, de modo que seria aparente ao ouvinte que eram três pessoas tocando e não apenas uma pessoa fazendo um solo estendido. Cada um deles estava tocando uma guitarra de modelo diferente e através de um tipo diferente de amplificador, por isso não foi tão difícil alcançar o que eu queria. Fiz com que Mal alinhasse os três amplificadores em uma fileira — não havia necessidade de uma grande separação, porque todos seriam gravados em um único canal. Havia pouca sobreposição entre cada solo de dois compassos, então eu sabia que poderia equalizar os níveis mais tarde, simplesmente mexendo no botão de volume. Incrivelmente, após apenas breve período de ensaio, deu tudo certo em um único take. Quando acabou, não houve tapinha nas costas ou abraços — os Beatles raramente se expressavam fisicamente —, mas vimos um monte de sorrisos largos. Foi um momento emocionante — uma das raras vezes em que eu pude dizer isso nos últimos meses —, e eu fiz questão de felicitar cada um deles quando entraram na sala de controle para ouvir o resultado. Eu estava tão impressionado pela performance de Harrison em particular, que fiz questão de dizer "Aquilo foi realmente brilhante" assim que ele entrou pela porta. George parecia um pouco surpreso, mas ele me deu um aceno com a cabeça e um gracioso "obrigado". Foi uma das poucas vezes em que me senti como se eu tivesse me ligado a ele em um nível pessoal. Acredito que tenha havido também a possibilidade de que, enquanto estavam tocando, eles tenham percebido que poderiam nunca mais tocar juntos; talvez eles estivessem vendo naquele momento uma despedida comovente. Foi a primeira vez em muito tempo que os três estavam realmente tocando juntos no estúdio; na maioria das sessões do Abbey Road haveria apenas um ou dois deles, e algumas vezes, Ringo. Além disso, eles sabiam que essa faixa encerraria o álbum; parecia já ter sido decidido que "The big one", como chamavam o medley, faria parte do lado dois do álbum, em contraste com o lado um, que conteria canções individuais, abrindo e fechando com composições de Lennon. Para mim, aquela sessão foi sem dúvida o ponto alto do verão de 1969, e ouvir aqueles solos de guitarra ainda me faz sorrir até hoje. Se os bons sentimentos engendrados por aquele dia estivessem presentes ao longo de todo o projeto, imaginem como o Abbey Road poderia ter sido ainda mais grandioso!”