sábado, 30 de novembro de 2019

THE BEATLES - IN MY LIFE - SENSACIONAL!!!***************

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"In My Life", uma das mais belas músicas dos Beatles e também um dos seus maiores clássicos, foi composta por John Lennon e é creditada a Lennon e McCartney. Está localizada exatamente no meio do lado 2 do fantástico Rubber Soul (lançado em 3 de dezembro de 1965) como a 4ª música, depois de “I'm Looking Through You” de Paul McCartney e antes de "If I Needed Someone" de George Harrison. Absolutamente genial, e uma das melhores já compostas por Lennon, "In My Life", tornou-se uma das mais famosas da banda, executada e regravada até hoje por centenas de artistas e presente até em comerciais por todos os cantos do mundo.
Com nostalgia, John Lennon lembra pessoas e lugares que desempenharam algum papel importante no seu passado. A música é contida com estilo em um clima sereno, e remete a "Penny Lane" e "Strawberry Fields Forever" que só apareceriam depois.
Em 1970 (e sempre!), na famosa entrevista para Jann Wenner da revista Rolling Stone, John Lennon afirmou que compôs a música praticamente sozinho com uma pequena contribuição de Paul McCartney. Paul no entanto disse que não só ajudou na composição do começo ao fim como a melodia também era sua. Pessoalmente, dessa vez acho que Macca se enganou. E redondamente.
Mesmo que John tivesse começado a escrever canções mais declaradamente autobiográficas mais de um ano antes, foi com "In My Life" que sentiu ter alcançado a ruptura que o jornalista Kenneth Allsop o encorajara a fazer em 1965, quando sugeriu que se concentrasse em sua vida interior. Gravada em outubro de 1966, foi fruto de uma longa gestação. Começou, de acordo com John, como um longo poema em que ele reflete sobre seus lugares preferidos de infância, fazendo uma jornada de sua casa em Mendips até as docas, a estrada de ferro suspensa que corria pela zona portuária de Liverpool, sob a qual os estivadores buscavam abrigo da chuva. No rascunho da música escrito à mão, na letra meio desconexa, John também listava Penny Lane, Church Road, o relógio da torre, o Abbey Cinema, os galpões do bonde, o café holandês, St Columbus Church, o Dockers Umbrella e Calderstone Park.
Apesar de ela preencher o requisito de ser autobiográfica, Lennon percebeu que não era mais do que uma série de instantâneos agrupados livremente pela sensação de que pontos de referência um dia familiares estavam desaparecendo rapidamente. Os galpões onde estacionavam os bondes, por exemplo, não tinham mais bondes, e o Docker's Umbrella tinha sido desativado. "Era o tipo mais chato de música para cantar no ônibus sobre 'o que fiz nas férias', e não estava funcionando. Então me deitei e a letra sobre os lugares de que me lembro começou a brotar", afirmou. Descartou todos os nomes de lugares e criou uma sensação de luto por uma infância e juventude perdidas, transformando o que de outra forma seria uma canção sobre a mudança na paisagem de Liverpool em uma canção universal sobre o confronto com a morte e a decadência.
Era a história de um sujeito durão, conhecido por rir dos incapacitados, mas que também era um sentimental. No decorrer da vida, ele sempre teve uma caixa onde guardava recordações de infância. Quando escreveu o verso de "In My Life" sobre os amigos mortos e vivos, estava pensando especificamente em Pete Shotton e no antigo Stuart Sutcliffe, que morreu em decorrência de um tumor no cérebro em 1962. John a compôs aos 24 anos e parece um tanto prematuro que olhasse para trás em sua vida, que mal tinha começado. Porém, quando se lê a carta que escreveu para Stu Sutcliffe em 1961, quando só tinha 20, fica evidente que já era um pouco filosófico e sentimental em seus textos e divagações pessoais - mesmo que não fosse ainda nas músicas -, discutindo a natureza da vida e do universo, e tudo o mais.
A origem da melodia de "In My Life" continua em discussão. John Lennon afirma que Paul ajudou em alguns trechos. Paul ainda acredita ter escrito tudo. "Eu lembro que ele tinha a letra em forma de poema, e eu criei algo. A melodia, se eu me lembro direito, foi inspirada em The Miracles", ele conta. Paul quase certamente se referia a "You Really Got A Hold On Me". Esta é boa: Em 2018, os matemáticos Mark Glickman e Ryan Song, da Universidade de Harvard, e Jason Brown, de Dalhousie, fizeram um estudo baseado em estatísticas e concluíram que a música foi escrita por John Lennon. Há, há, há!
Para engrandecer ainda mais essa beleza, "In My Life" ainda é adornada pelo belo solo de um som que lembra um cravo, tilintando como um minueto de Bach e lhe dando uma qualidade absurda, clássica, atemporal. Era George Martin, num piano com som acelerado - sua segunda grande contribuição instrumental a uma música dos Beatles, depois do quarteto de cordas em “Yesterday”. George Martin disse que Lennon simplesmente chegou e falou: "toque como Bach".
"In My Life" foi uma das primeiras músicas a serem gravadas para Rubber Soul, os Beatles gravaram a faixa rítmica em 18 de outubro de 1965. Eles fizeram em três tomadas, após um período de ensaio. A pausa instrumental foi deixada sem solo, pois o grupo estava indeciso sobre como deveria soar. Esse dilema foi resolvido em 22 de outubro quando resolveram que George Martin faria o solo de piano. Assim como todas as faixas do álbum, "In My Life" foi produzida por George Martin com Norman Smith como engenheiro de som. John Lennon faz os belíssimos vocais e toca guitarra; Paul McCartney faz backing vocals e toca baixo; George Harrison toca guitarra; Ringo Starr toca sua bateria e percussão e George Martin toca o piano e pandeiro.
A revista Rolling Stone classificou "In My Life" em número 23 na lista de "As 500 Maiores Músicas de Todos os Tempos" e a quinta na lista das "100 Maiores Músicas" dos Beatles. Também ficou em segundo lugar nas 50 faixas da CBC. A revista Mojo a nomeou a melhor música de todos os tempos em 2000. Segundo a Acclaimed Music, é a 160ª música mais celebrada da história da música popular e é uma das mais lembradas dos Beatles sobre nostalgia e sentimentos.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

JOHNNY CASH - IN MY LIFE - SENSACIONAL!!!*****

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No dia 3 de dezembro de 1965, “In My Life” foi lançada pelos Beatles no álbum Rubber Soul. De lá para cá, “In My Life”, de John Lennon, já foi coverizada pelos mais diversos artistas: Judy Collins, John Denver, José Feliciano, Rod Stewart, Bette Midler, The Seekers, Charice, Diana Krall e tantos outros. De todas, sem dúvida, uma das melhores versões é a do incomparável Johnny Cash, que tornou-se lendário por sua voz sombria e letras que pareciam vir direto do coração. Seu sucesso continuou até seu último álbum, American IV: The Man Comes Around de 2002, que traz a versão de “In My Life”. Johnny Cash morreu aos 71 anos em 12 de setembro de 2003. Esse vídeo apareceu aqui originalmente em 30 de maio de 2017 e não haveria momento mais oportuno para ver de novo que agora.

JOHN LENNON – UMA CARTA PARA STUART SUTCLIFFE – 1961 – SENSACIONAL!*****

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Desde que foi lançado aqui no Brasil em 2012, o livrão “AS CARTAS DE JOHN LENNON” de Hunter Davies, já apareceu por aqui incontáveis vezes. Desta vez, ele volta para  a gente conferir uma carta que o genial John Lennon escreveu para Stu Sutcliffe em algum momento de 1961. Como essa carta será citada na matéria sobre “In My Life”, imaginei que valeria a pena. Enjoy!
No final da segunda passagem por Hamburgo, Stu resolveu sair dos Beatles e ficar na cidade, pois estava apaixonado por Astrid Kirchherr, estu­dante de arte de Hamburgo. Nascido em Edimburgo em 23 de junho de 1940, Stu Sutcliffe foi considerado o aluno mais talentoso da Faculdade de Arte de Liverpool. Ganhou um prêmio de 60 libras na exposição anual John Moores, realiza­da na Galeria Walker, em Liverpool. John o convenceu a gastar o dinheiro em um baixo, apesar de Stu não saber tocar. Mas ele aprendeu e se juntou aos Beatles na miniturnê pela Escócia em maio de 1960, e em seguida nas duas primeiras viagens deles a Hamburgo. Stu teve grande influência no estilo dos Beatles; nas roupas, no corte de cabelo e no modo de pensar. John tinha um misto de admiração e temor por Stu e seu conhecimento sobre livros, pintura e filosofia. Stu era mais introvertido, sério e intenso do que John, o mais dominante dos dois. Foi tanto Stu quanto John que primeiro chamaram a atenção dos estudantes de arte de Hamburgo, entre eles Klaus Voormann e Jürgen Vollmer, bem como Astrid Kirchherr. Em algum momento do verão de 1961, depois de os quatro Beatles terem voltado para Liverpool, John escreveu uma carta a Stu, já compro­metido com Astrid e morando em Hamburgo.
A carta começa com 19 linhas escritas em verso e em seguida vagueia por todo lado. Ocupa quatro folhas de papel pautado grande, a maioria delas decorada com pequenos desenhos e garatujas. Algumas das palavras de John são difíceis de decifrar atualmente. John e Stu se escreviam com frequência - e algumas das cartas digressivas de Stu para John estendem-se por até 30 páginas. De vez em quando Stu fingia ser Jesus ao escrever, por isso John respondeu como João Batista. Em certo sentido, eles realmente estavam falando sozinhos, geralmente reclamando do mundo. John tinha 20 anos na época e mostrava sinais de certa angústia e tormento, normalmente bem escondidos atrás de sua face externa extrovertida, aparatosa, agressiva. Ainda não se sabe o que aconteceu com todas as cartas de John para Stu, nem onde se encontram. Essa carta de John na verdade nunca foi en­viada, mas por algum motivo ele a guardou. Depois a deu a mim - e agora está na sala de manuscritos da Biblioteca Britânica.

IMAGENS DO DIA - JOHN LENNON AND THE CAT

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Esta é especialmente para a Dani. Quando terminarem as postagens de "Rubber Soul", prometo que faço uma postagem "THE BEATLES & THE PETS". Beijão.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

THE BEATLES - I'M LOOKING THROUGH YOU*****

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“I'm Looking Through You” (de Paul), com seus 2:25 de duração é a 3ª música do lado 2 do fantástico Rubber Soul depois de "Girl" (de Lennon) e antes de "In My Life" (também de Lennon). Foi composta por Paul McCartney e creditada a Lennon-McCartney, claro.
Assim como emYou Won’t See Mee “We Can Work It Out”, “I'm Looking Through You” também é sobre seu relacionamento com a atriz inglesa Jane Asher, sua namorada por boa parte dos anos 1960, e sua recusa em desistir de sua carreira para se concentrar nas necessidades dele. A frase "Você não parece diferente, mas mudou" reflete a insatisfação de Paul com o relacionamento. A letra também se refere à mudança de estado emocional: "O amor tem um hábito desagradável de desaparecer da noite para o dia" (Love has a nasty habit of disappearing overnight).
Aqui, a gente confere um trecho do livro de Steve Turner: “A mudança de Jane Asher para Bristol começou a preocupar Paul McCartney. Significava que ela não estava mais à disposição, mesmo que ele ainda estivesse morando na casa da família Asher. Como um jovem de origem operária de Liverpool, era difícil para ele entender uma garota que colocava sua carreira antes do amor. Anos depois, McCartney admitiu para Hunter Davies que toda a sua existên­cia até aquele momento girava em torno de levar uma vida de soltei­ro sem preocupações. Ele não tratava as mulheres como a maioria das pessoas. Sempre havia muitas em volta dele, mesmo quando esta­va em uma relação estável. "Eu sei que era egoísta. Jane foi embora e eu disse 'tudo bem, vá. Eu encontro outra pessoa'. Foi devastador ficar sem ela. Foi quando escrevi “I’m Looking Through You", ele contou. Era sua canção mais amarga até então. Em vez de questionar as próprias atitudes, Paul acusa a mulher de ter mudado e faz a amea­ça levemente velada de deixar de gostar dela. O amor tem o hábito, ele alerta, de desaparecer da noite para o dia. Ele depois se lembraria da canção como tendo servido para livrá-lo de "uma pesada bagagem emocional".
Durante outubro e novembro de 1965, os Beatles gravaram três versões de "I'm Looking Through You". A 1ª tomada (take 1) foi gravada em 24 de outubro e era mais lenta que a versão lançada no álbum. Tinha um ritmo significativamente diferente e não possuía o "Por que, me diga por que...” (Why, tell me why...), na entrada do refrão. Esse Take 1 apareceu em 1996 no Anthology 2. Os Beatles gravaram o primeiro remake da faixa em 6 de novembro, já no final das sessões do Rubber Soul, mas ficaram novamente insatisfeitos com o resultado. O Take 4, a versão final, foi gravado em 10 de novembro com overdubs em 11 de novembro.
Os créditos da contracapa do single e do álbum, indicam que Ringo Starr tocou órgão eletrônico nesta canção, um instrumento não usual para o baterista, só que o escritor Mark Lewishon afirma que não se pode ouvir o instrumento na gravação e que o crédito não consta nas fitas de gravação originais da música.
"I'm Looking Through You", assim como todas as faixas do álbum, foi produzida por George Martin e teve Norman Smith como engenheiro de som. Paul McCartney faz os vocais e toca baixo; John Lennon faz backing vocals e toca guitarra; George Harrison toca guitarra e pandeiro e Ringo Starr toca sua bateria, órgão e percussão.

A próxima do fantástico Rubber Soul é um clássico de John Lennon - a imortal "In My Life" - uma das melhores do álbum e uma das melhores que ele criou. Até. Valeu!

MUPPET SHOW - I'M LOOKING TROUGH YOU - SENSACIONAL!****

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Uma versão bem bacana e divertida de "I'm Looking Through You" foi ao ar no episódio 119 do Show dos Muppets cantada por fantasmas. No Brasil, no episódio dublado, ela ficou “Eu vejo o mundo... através de você”. Procurei até cansar o vídeo com essa versão dublada na internet, mas não achei de jeito nenhum. Então a gente confere em inglês mesmo.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

THE BEATLES - GIRL - SENSACIONAL!**********

4 comentários:

Será que alguém vai ouvir minha história, sobre a garota que veio para ficar? Quando perguntaram para John Lennon na época em que Rubber Soul foi lançado - “quem era a garota em "Girl?” - ele respondeu que era uma figura de sonho, uma mulher ideal que ainda não tinha aparecido em sua vida. "Eu sempre tinha esse sonho de que uma mulher específica entrava na minha vida. Eu sabia que não seria alguém que compra os discos dos Beatles. Eu esperava uma mulher que pudesse me dar o que obtenho intelectualmente de um homem. Queria alguém com quem pudesse ser eu mesmo", ele declarou. Revendo esta frase tempos depois de modo isolado, não há como não pensar em Yoko Ono, que ele ainda nem conhecia nessa época. Só isso, já parece meio mágico. Mas ainda é somente o primeiro verso.

No entanto, apesar de todo esse floreio, a garota da canção parece longe do seu ideal. Ela não tem coração, é convencida e o humilha. Talvez existam duas garotas em “Girl”: a garota dos sonhos, na primeira metade, em quem ele parece ser quase viciado, e a garota do pesadelo, na segunda, que o ridiculariza.
O máximo que Lennon falou sobre a música, entretanto, não tinha a ver com imagens femininas, e sim com sua imagem da igreja cristã. Em 1970, ele disse à Rolling Stone que o verso em que pergunta se ela aprendeu que a dor leva ao prazer e que um homem deve se esforçar para ganhar seu lazer era uma referência ao "conceito cristão/católico". Ele prossegue: "Eu estava... tentando dizer alguma coisa sobre o cristianismo, ao qual eu me opunha na época".
É possível que John Lennon estivesse pensando no relato bíblico do Gênesis sobre os efeitos da desobediência de Adão e Eva, em que é dito a Eva que "com dor terás filhos" e a Adão que "maldita é a terra por causa de ti; com dor come­rás dela todos os dias da tua vida". O cristianismo, em especial Jesus Cristo, parecia incomodar Lennon (ele ainda não tinha dito a famosa frase sobre Jesus). Na época da composição de "Girl", Lennon estava devorando livros sobre religião, um tema que o preocuparia até sua morte.
“Girl” é a 2ª faixa do lado 2 do fantástico Rubber Soul, depois de “What Goes On” e antes de “I’m Looking Through You”. Foi composta principalmente por John Lennon, é creditada a Lennon e McCartney (claro!) e tem duração de 2:33 minutos. Foi a última música gravada para Rubber Soul no dia 11 de novembro de 1965. Começaram de tarde e finalizaram de noite.
Uma das características marcantes são as respirações profundas durante o refrão. Para alguns sabichões, isso poderia simbolizar respirações durante o consumo da maconha ou inalações no uso de cocaína. Ai, ai. Assim como todas as faixas do álbum, foi produzida por George Martin e teve Norman Smith como engenheiro de som. John Lennon canta e toca violão; Paul McCartney faz backing vocals e toca baixo; George Harrison faz backing vocals, toca a guitarra acústica principal e bouzouki*; e Ringo toca sua bateria.
*O bouzouki é um instrumento de cordas da família do alaúde. Muito popular na música tradicional grega, seu nome é derivado da palavra turca buzuk.


Além de Rubber Soul, “Girl” aparece também no álbum “Love” (iTunes bonus track). Em 8 de fevereiro de 2011, o álbum “Love” foi colocado à venda na iTunes Store da Apple e foram disponibilizadas duas faixas bônus: "Girl" e "The Fool On The Hill". O remix de “Girl” foi o menos aventureiro dos dois, mas contou com violão de “And I Love Her” e bateria de “Being For The Benefit Of Mr Kite”.

Como em todo o álbum, os Beatles buscavam incansavelmente por novas cores e novos sons. O uso do bouzouki pode ter sido influenciado pelo single "Zorba's Dance", de Marcello Minerbi, da trilha sonora de “Zorba, o Grego”. Os vocais ao fundo imitavam o refrão "Ia Ia Ia Ia" dos Beach Boys em "You're So Good To Me" (julho de 1965), mas meio que de brincadeira eles cantaram "tit tit tit tit" no estúdio em vez de "dit dit dit dit". Esses empréstimos mostram que os Beatles eram tão influen­ciados pela música das paradas quanto por lados B raros e pelo rhythm and blues dos anos 1950.
A próxima faixa do fantástico Rubber Soul (não canso de dizer isso!) é "I’m Looking Through You" que apareceu aqui há pouco tempo, no dia 30 de julho de 2019 e agora volta reeditada e atualizada. Só para terminar: no Brasil, "Girl" virou "Meu Bem" - versão de Ronnie Von em 1966 e que chegou ao topo das paradas. A gente confere aí logo abaixo. Valeu!

RONNIE VON - MEU BEM (GIRL) - 1966

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Esta postagem foi publicada originalmente no dia 28 de julho de 2014. Ele poderia ter sido piloto de avião. Economista, talvez. Ou simplesmente se deitado no berço esplêndido de onde viera. Mas não. Tornou-se cantor quase por acidente; bateu de frente com Roberto Carlos sem intenção; foi fundo na psicodelia, apesar de não ter experimentado drogas alucinógenas; conheceu o sucesso popular meio que por acaso. Também – e isso por muito querer – tornou-se uma “mãe de gravata” e desafiou a morte. Aos 70 anos, completados no dia 17, Ronaldo Lindenberg von Schilgen Cintra Nogueira ganhou a biografia Ronnie Von – O príncipe que podia ser rei (Planeta), dos jornalistas Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel. É mesmo um presentão. Recheado de fotos e com a discografia completa, a narrativa – resultado de 100 horas de conversa com Ronnie Von, além de entrevistas com 50 pessoas que convivem ou conviveram com ele – apresenta um retrato simpático do biografado. Por vezes recai mais num perfil, evitando polemizar ou aprofundar-se em assuntos mais difíceis. Mas carrega como maior mérito conseguir traduzir a trajetória de Ronnie Von, que nunca se deteve em um só aspecto. Ronnie Von é hoje um senhor que conversa amenidades de toda sorte (e com conhecimento de causa) em programa diário que, a despeito de seu alcance limitado (o "Todo seu" é exibido pela TV Gazeta, disponível apenas em São Paulo), é referência no país (houve quem apostasse que ele seria o substituto de Hebe Camargo). Também tem seu lado empresário, mas o que interessa aqui são os diferentes matizes que compõem seu passado.
Apaixonado pelos Beatles e com um fraco pelo existencialismo, foi alçado ao posto de novo ídolo jovem na década de 1960 graças a uma versão para uma música do lado 2 de Rubber soul, dos Beatles. Com a ajuda do pai, que nem em seus maiores pesadelos poderia imaginar um filho cantor, Ronnie Von criou a versão para "Girl", de Lennon e McCartney (um dos primeiros a verter os Beatles no Brasil). "Meu bem" foi a porta de entrada para o universo jovem. Em contraponto ao rei Roberto Carlos, Ronnie Von – com seus cabelos longos e um rosto bonito – tornou-se o Pequeno Príncipe. Não entrou para a Jovem Guarda mas conseguiu virar febre da juventude. Os então recém-formados Mutantes se tornaram sua banda de apoio e, na virada dos 1960 para os 1970, no auge da popularidade, Ronnie gravou três álbuns que só foram compreendidos 30 anos mais tarde. A chamada fase psicodélica, que gerou os LPs reeditados recentemente Ronnie Von (1968), A misteriosa luta do reino de parassempre contra o império de nunca mais (1969) e Máquina voadora (1970), fez dele objeto de culto mundo afora. Na segunda metade dos anos 1970 se reconciliou com o público mais popular. Virou figura fácil dos programas de auditório comandados por Silvio Santos e voltou a fazer muitos shows com seu viés de cantor romântico. Até que pouco antes da virada dos anos 1980, passou pelos maiores percalços da vida – fim conturbado do primeiro casamento e diagnóstico de uma doença rara, que lhe tirou os movimentos e o levou a ser desenganado pelos médicos. Ronnie Von sobreviveu a tudo, criou os filhos (até hoje ganha presente no Dia das Mães) e deu outro foco tanto à carreira quanto à vida pessoal. É o produtor Arnaldo Saccomani, que trabalhou a seu lado durante anos, quem melhor o resume: “Você vê que ele sempre buscou a diferenciação. Buscou ser uma pessoa distante da Jovem Guarda. Às vezes de maneira correta, às vezes de maneira errada, não importa. O que importa é que ele nunca foi na mesmice”. RONNIE VON – O PRÍNCIPE QUE PODIA SER REI - De Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel - Editora Planeta, 120 páginas, R$ 34,90.

Trecho: “Quando, em 15 de outubro de 1996, Ronnie Von estreou O pequeno mundo de Ronnie Von na mesma Record, Roberto Carlos sentiu o seu castelo estremecer. Nos bastidores, alguns pauzinhos foram movidos e os convidados do Jovem Guarda ficaram impedidos de entrar no mundo de Ronnie. Mas, apesar disso e da gritante carência de recursos, o programa decolou. Decolou tanto que apenas dois meses depois, segundo conta quem estava no estúdio, o Rei teria colocado uma foto do Príncipe na sua frente e cantado, com a ajuda dos pulmões e do fígado, a música "querem acabar comigo / isso eu não vou deixar”.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

THE BEATLES - WHAT GOES ON *****

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O lado 2 de Rubber Soul começa quase como um repeteco do início do lado 2 de Help! - uma música com uma certa levada country cantada por Ringo. "What Goes On” era outra melodia antiga que voltou à vida no último momento e foi polida para completar o álbum e dar a Ringo uma faixa. Composta alguns anos antes por John, "What Goes On” foi tocada para George Martin no dia 5 de março de 1963, quando pensavam no que se seguiria a “Please Please Me”- mas Martin a recusara. As outras músicas que os Beatles tocaram foram “From Me To You”, “Thank You Girl” e “The One After 909”."What Goes On” foi a única que o produtor decidiu não gravar naquele dia, e ela ficou esquecida até 4 de novembro de 1965, quando foi recuperada e espanada para que Ringo a cantasse.
John decidiu retrabalhá-la e tanto Paul quanto Ringo ajudaram a melhorar a letra. Eles acrescentaram uma nova ponte, dando ao baterista seu primeiríssimo crédito como compositor. Assim, no álbum, lê-se que a faixa é de Lennon-McCartney-Starkey. Quando perguntaram para Ringo em 1966 exatamente qual tinha sido a sua con­tribuição para a música, ele modestamente disse: “Umas cinco palavras”. Na verdade, seis palavras - mas elas formam a bela expressão “waiting for the tides of time” (esperando as marés do tempo). Os primeiros versos são bastante bons: “What goes on in your heart? What goes on in your mind? You are tearing me apart, when you treat me so unkind. What goes on in your mind?” (O que se passa em seu coração? O que se passa em sua mente? Você está me destruindo, quando me trata tão mal. O que se passa em sua mente?).
A versão de Rubber Soul foi gravada em uma tomada, com overdubs, no dia 4 de novembro de 1965. Dizem (eu nunca consegui ouvir), que no verso antes do solo após Ringo cantar "me diga o por quê", Lennon pode ser ouvido dizendo: "Já lhe dissemos o porque" em referência a "Tell Me Why" de A Hard Day's Night. A sessão começou às 23h; era um começo extraordinariamente tardio para o grupo, mas era necessário pelo prazo iminente para lançamento do álbum. Após a gravação da faixa rítmica, Ringo gravou seus vocais principais e Lennon e McCartney fizeram overdubs dos vocais de harmonia. Ainda durante esta sessão, os Beatles gravaram também, uma longa música instrumental que se chamou "12-Bar Original" por falta de um nome melhor. Esta música não foi incluída em Rubber Soul e não estava disponível comercialmente até 1996, quando uma versão editada do take 2 foi incluída no álbum Anthology 2.
Além do fantástico Rubber Soul, nos EUA, foi lançada como lado B de “Nowhere Man” em feve­reiro de 1966. Assim como todo o álbum, foi produzida por George Martin tendo Norman Smith como engenheiro de som. Ringo Starr comanda o vocal principal e toca bateria; John Lennon faz backing vocals e toca guitarra; Paul McCartney faz backing vocals e toca baixo e George Harrison toca a guitarra-solo.
Quase sempre, “What Goes On” faz parte do set list dos shows da All Star Band, de Ringo. Uma versão ao vivo bem legal aparece no álbum “Ringo Starr & His All-Starr Band - Live at the Greek Theatre 2008”.

THE BEATLES - 12-BAR ORIGINAL - 1965******

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"12-Bar Original" é uma das poucas faixas instrumentais dos Beatles. Foi gravada no dia 4 de novembro 1965, no mesmo dia depois de "What Goes On" durante as sessões de Rubber Soul, mas não esteve disponível comercialmente até 1996, quando uma versão editada do take 2 foi incluída no álbum Anthology 2. Antes da edição, a duração dessa tomada era de 6:36. "12-Bar Original" também é uma das poucas músicas creditadas a John Lennon, Paul McCartney, George Harrison  e Ringo Starr e publicada pela Lenono Music, Inc., MPL Communications LtdHarrisongs Ltd. e Startling Music Ltd. Outras músicas creditadas a todos os quatro Beatles são "Flying" do Magical Mystery Tour, "Dig It", de Let It Be e "Christmas Time (Is Here Again)".
Dos Beatles, apenas John Lennon e Ringo Starr  comentaram sobre a música. Durante algumas entrevistas de rádio nos Estados Unidos, Lennon foi perguntado se havia alguma gravação dos Beatles não lançada e ele respondeu que tudo o que podia lembrar era de "um 12 bar péssimo". Ringo disse ao jornalista Peter Palmiere que "todos nós fizemos a faixa e eu tenho um acetato de uma das versões". "12-Bar Original" foi a primeira faixa instrumental dos Beatles após a assinatura de contrato com a EMI e foi produzida por George Martin tendo Norman Smith como engenheiro.Entre outras instrumentais gravadas pelo grupo, estão a já mencionada "Flying", uma versão informal dessa canção chamada "Aerial Tour Instrumental" e "Cry for a Shadow", dos tempos de Tony Sheridan.

MARK LEWISOHN - THE BEATLES COMPLETE RECORDING SESSIONS

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“The Beatles Complete Recording Sessions - The Official Abbey Road Session Notes 1962 – 1970” de Mark Lewisohn, é um livrão enorme, começando pelo título! É do formato de um LP (três “Wings Over America” juntos), tem 204 páginas e pesa uma tonelada. Em termos de tamanho e peso, acho que só perde para o Anthology. Foi publicado pela primeira vez em 1988 pela editora Hamlyn (uma divisão da Octopus Publishing Group), e produzido pelo executivo Norman Bates para a gravadora EMI. O livro é um histórico completo de todas as sessões de gravação dos Beatles, realizadas nos estúdios da EMI (mais tarde, Abbey Road) desde 4 de setembro de 1962, logo após os Beatles terem retornado da Alemanha para a Inglaterra, até 2 de abril de 1970, quando Let It Be, foi mixado. Possui reproduções fac-símile de vários documentos de gravação das sessões e cerca de 1000 (mil) fotos legais e raras. Sensacional!

O livro inclui uma entrevista exclusiva com Paul McCartney e comentários dos outros três Beatles, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr, dos produtores George Martin e Phil Spector e de alguns dos músicos que tocaram em músicas dos Beatles. Foi produzido pela primeira vez em 1988 pela EMI para a Europa, impresso e encadernado na China e produzido, também em 1988, pela Toppan para o mercado asiático e pela Harmony Books para os Estados Unidos, com o título abreviado “The Beatles Recording Sessions”. Em 2004, foi novamente editado pela EMI para ser vendido em outros mercados em todo o mundo, mas passados mais de 15 anos, nunca foi editado em português. A edição original (em inglês) já esteve aqui no Baú para download em 2010 e depois em 2013. Agora aparece aqui de novo atendendo ao pedido do amigo Márcio Parente Vianna. O link para o download desta pérola é válido por 30 dias. Valeu, abração!

domingo, 24 de novembro de 2019

THE BEATLES – MICHELLE, MA BELLE**********

Um comentário:


“Michelle ma belle, these are words that go together well , my michelle...”. Assim são os primeiros versos de "Michelle". Na segunda estrofe, ele diz quase a mesma coisa, só que em francês – “Michelle ma belle, sont les mots qui vont tres bien ensemble, très bien ensemble...” (Michelle minha bela, são palavras que ficam muito bem juntas, muito bem juntas).
"Michelle" é a última música do lado 1 do fantástico Rubber Soul, lançado pelos Beatles, no dia 3 de dezembro de 1965. Foi composta por Paul McCartney com contribuições de John Lennon. É cantada por Paul e possui alguns poucos versos em francês. McCartney tinha a melodia da estrofe desde os tempos de colégio. Nas festas da Faculdade de Artes que John Lennon cursava, McCartney frequentava e costumava participar. Havia uma brincadeira de cantar uma música imitando o sotaque francês, na qual Paul participava para ver se obtinha mais sucesso entre as garotas. Na época das gravações de Rubber Soul, John Lennon lembrou da canção e sugeriu a Paul fazer a letra.
“Gostei do som das palavras em francês, e tinha um amigo cuja mulher ensinava francês. Estávamos todos juntos, mostrei a ela o que tinha da letra e perguntei o que eu poderia usar em fran­cês. Combinamos bem as pa­lavras. A causa principal foi que eu sempre achei que a música tinha alguma coisa de francesa. E na verdade não sei falar francês, além des­sas palavras”Paul McCartney.
Após sua inclusão em Rubber Soul, "Michelle" foi lançada como single (a maioria com "Girl" do lado B) em vários países europeus e na Nova Zelândia, e em um EP na França, no início de 1966. Todos com enorme sucesso. Foi Hit Número 1 dos Beatles na Bélgica, França, Noruega, Holanda e Nova Zelândia, enquanto gravações simultâneas da música de David, Jonathan e Overlanders tiveram o mesmo sucesso no Canadá e na Grã-Bretanha"Michelle" ganhou o Grammy de Canção do Ano e, desde então, tornou-se uma das músicas mais frequentemente regravadas dos Beatles.
Como já foi dito,"Michelle" vem dos tempos de Liverpool. Era uma época em que a vida intelectual parisiense estava na moda entre os estudantes de arte, e a boemia era sinalizada por boinas, barbas e cigarros Gitanes.
"Naqueles dias, as pessoas apontavam para você na rua em Liverpool se você tivesse barba", relembra Rod Murray, que dividiu um apartamento com John Lennon e Stuart Sutcliffe. "Se você usasse boina, era chamado de beatnik. Nós gostávamos de Juliette Greco, e todo mundo fantasiava com Brigitte Bardot. Em uma dessas festas, um estudante de cavanhaque e camiseta lis­trada estava debruçado sobre seu violão cantando o que parecia ser uma música francesa. Pouco depois, Paul começou a fazer uma imi­tação cômica para divertir os amigos. Continuou sendo uma música de festa, com nada além de alguns gemidos ao estilo Charles Aznavour como acompanhamento, até que, em 1965, John sugeriu que Paul escrevesse uma letra de verdade e a incluísse no álbum".
Steve Turner - o pesquisador - conta em seu livro: "A apresentadora de rádio Muriel Young, que trabalhava na Rádio Luxemburg, lembra que Paul a visitou em sua casa em Portugal. Isso aconteceu em setembro de 1965, quando os Beatles tiraram férias, entre a turnê americana, que terminou em 31 de agosto, e o novo álbum, cuja gravação deveria começar em 12 de outubro. "Ele estava sentado no nosso sofá, tentando encontrar as palavras certas. Ainda não era 'Michelle, ma belle'. Ele estava cantando 'Goodnight sweetheart' e depois 'Hello my dear', procurando algo que se encaixasse no ritmo. Paul acabou optando pelo clima francês e incorporou um nome francês e algumas palavras francesas. Então ele falou com Jan Vaughan, que era professora de francês".
Quando McCartney tocou a música para Lennon, ele sugeriu a parte do "I love you, i love you, i love you" , especificando que a ênfase deveria recair sobre a palavra "love" toda vez. A partir daí, veio todo o resto. Em termos instrumentais, Paul também foi inspirado pelo dedilhado de Chet Atkins.
"Michelle" foi gravada no dia 3 de novembro de 1965 nos estúdios da EMI em Abbey Road. Os Beatles gravaram a faixa rítmica em uma única tomada, usando todas as quatro faixas disponíveis nas máquinas de fita do estúdio. Mais tarde, no mesmo dia, fizeram overdubs de guitarras extras e seus vocais principais e de harmonia. Assim como todo o álbum, "Michelle" foi produzida por George Martin tendo Norman Smith como engenheiro de som. Paul McCartney faz o vocal principal, toca baixo e violão; John Lennon faz backing vocals e toca violão; George Harrison - faz backing vocals, toca guitarra e violão de 12 cordas e Ringo Starr toca sua bateria. Além de Rubber Soul, "Michelle" aparece nos álbuns (coletâneas) “A Collection of Beatles Oldies” (1966), “1962–1966 - Álbum Vermelho” (1973), “Love Songs” (1977) e “The Beatles Ballads” (1980); além de aparecer também nos álbuns ao vivo de Paul McCartney “Paul Is Live” (1993) e “Back In The World” (2003).
Paul McCartney tocou "Michelle" durante sua turnê mundial em 1993. Isso raramente aconteceu desde então, mas a incluiu em uma performance de 2009 em Washington, DC, em homenagem a Michelle Obama, a primeira-dama americana, e tocou na maioria (se não todas) de suas apresentações na França ou outros países de língua francesa. Em 2 de junho de 2010, depois de receber o Gershwin Prize for Popular Song do presidente Barack Obama em uma cerimônia na Casa Branca, Paul tocou a música para Michelle Obama, que cantou junto de seu assento. McCartney brincou: "Eu poderia ser o primeiro homem a ser agredido por um presidente". Michelle Obama teria dito a outros mais tarde que "nunca poderia imaginar, crescendo como uma garota afro-americana no lado sul de Chicago, que algum dia um Beatle cantaria "Michelle" para ela como primeira-dama dos Estados Unidos". Sem dúvidas, um final bem apropriado.

A próxima de Rubber Soul, é a faixa que abre o lado 2 do LP, "What Goes On", cantada por Ringo e estranhamente creditada a 'Lennon - McCartney - Starkey'. Valeu. Até lá.