terça-feira, 28 de julho de 2015

THE BEATLES - I FEEL FINE AT THE SHEA STADIUM

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MUSICAL DOS BEATLES ENCERRA EM BRASÍLIA

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O Espaço Cultural Brasília do Shopping Iguatemi, no Lago Norte, apresenta o musical “Across the universe” no dia 1º de agosto, às 21h30, que conta a história de um garoto inglês que vai aos Estados Unidos em busca do pai, ao som dos Beatles. Brasília recebe o encerramento da turnê nacional, com ingressos variando entre R$ 30 e R$ 50, a meia-entrada.
No musical, o jovem parte de Liverpool, nos anos 60, para Nova York, junto com alguns estudantes. Nos Estados Unidos ele conhece movimentos sociais que contestam o caráter e a cultura da sociedade da época.O musical é uma adaptação livre do filme homônimo e conta com mais de 15 músicas dos Beatles, como “Let it be”, “All you need is love” e “I want you”, que serão interpretadas por 12 atores com a ajuda de uma banda ao vivo. "Across the universe" - Local: Espaço Cultural Brasília - Shopping Iguatemi, Lago Norte, dia 1º de agosto, às 21h30. Piso 1 - R$ 50 (meia); Piso 2 - R$ 40 (meia); Piso 3 - R$ 30 (meia). Classificação indicativa: 10 anos.

VIOLINISTA POP STAR TOCA EM BRASÍLIA

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O músico David Garrett está pela primeira vez noBrasil com sua turnê Classic Revolution, nesta quarta (29), às 21h, o Net Live Brasília será o palco para o alemão mostrar ao público o talento que fez com que fosse considerado um dos “violinistas mais rápidos do mundo”, com um repertório que intercala peças de Beethoven e Bach, além dos sucessos do Coldplay, The Beatles e Michael Jackson. Com um show emocionante e de qualidade musical extraordinária (?), David promete surpreender o público tocando seus famosos sucessos como Encore, Classic Romance, Legacy e "Rock Symphonies", bem como interpretando canções como Live and Let Die de Paul McCartney,Yesterday e Let It Be dos Beatles, Welcome to the Jungle de Guns N’Roses, entre outras. Um concerto aos 10 anos de idade fez deGarrett um prodígio do cenário clássico mundial. Graduado na classe de Itzhak Perlman na Juilliard School, a mais conceituada escola de música dos Estados Unidos, seu disco de estreia, aos 15 anos, com concertos de Mozart, foi gravado com ninguém menos que o renomado maestro Claudio Abbado. Após um caminho pavimentado por anos de sucesso em concertos e celebradas gravações de obras de Bach, Mozart, Beethoven, Paganini e Tchaikovsky, entre outros, Garrett decidiu abraçar também o cenário do pop/rock. Sem abandonar os clássicos, incorporou ao seu repertório hits de bandas como Metallica e Queen, e entrou para um seleto grupo de intérpretes que conseguiram sucesso transitando com desenvoltura entre os dois gêneros. David Garrett não só ganhou vários prêmios por suas gravações como recebeu elogios e incentivo de estrelas máximas do violino como Isaac Stern e Yehudi Menuhin. A partir de 2008, com o lançamento do premiado álbum Encore, com arranjos para clássicos e composições de sua autoria, o músico intensificou o trabalho de mesclar em suas apresentações peças clássicas com canções de rock e temas de filmes. Garrett coloca que “Bach, Mozart, Beethoven, todos os grandes compositores sempre incorporaram elementos que eram populares em sua época para conquistar o público, e não há nada repreensível sobre isso, pelo contrário”. A mistura de perfeccionismo no gênero clássico e a busca de novas vertentes com certeza explicam o sucesso mundial de Garrett desde então. A sucessão de composições próprias intercaladas com arranjos de peças clássicas, que variam da dificílima Rapsódia nº 24 de Paganini ao clássico Nothing Else Matters, do Metallica, surpreendeu o mundo da música. Defensores e críticos desencadearam um diálogo sobre os caminhos da música, mas Garrett foi recompensado com o Echo de 2008 na categoria Clássico sem Fronteiras. Nos EUA, David Garrett ficou vários meses como número um nas paradas de Clássicos e Classical Crossover. David Garrett gravou 14 álbuns entre os anos de 1995 e 2013 e lançou quatro DVDs. Também se aventurou pelo cinema – ele aparece nos filmes Tenor at the Movies e A New World, ambos de 2008, interpretando canções de O Poderoso Chefão e Cinema Paradiso, e também em The Devil’s Violinist, de 2013, onde interpreta o compositor e violinista italiano Niccoló Paganini.


THE PETE BEST BAND - BACK TO THE BEAT - DOWNLOAD

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De uns três anos para cá, quem acompanha o Baú do Edu, sabe que não é mais costume do blog disponibilizar discos para download. Como muito amigos têm pedido por e-mail esse álbum especificamente, hoje abrimos uma exceção.
Randolph Peter Best, nasceu em Madras (Índia) em 24 de novembro de 1941. O baterista conheceu John, Paul e George no Casbah, um bar para adolescentes fundado por sua mãe, em Liverpool. Os futuros Beatles, precisavam de um baterista que fosse com eles para a Alemanha e chamaram Best para entrar na banda. Mas, em 16 de agosto de 1962, quando as coisas começavam a melhorar para os Beatles, quando receberam uma proposta de contrato da gravadora EMI e produziam seu primeiro disco, o empresário Brian Epstein chamou Best e avisou que seus companheiros de banda tinham decidido substituí-lo por Ringo Starr. O resto é história. Esse disco é absolutamente fantástico e imperdível. Puro Rock and Roll da melhor qualidade! “THE PETE BEST BAND – BACK TO THE BEAT” foi gravado ao vivo no Cavern Club e lançado em 1995. No repertório, só tem clássicos, como vocês podem conferir na contracapa. Na época, “The Pete Best Band” era: Pete Best (bateria), Roag Best (irmão de Pete – bateria), Andy Kirk (baixo), Andy Brian (vocais), Paul Davis (teclados) e Vince Hagen (guitarra). Com o passar dos anos, esse disco acabou se tornando raríssimo. Abração!
DOWNLOAD NOW:
http://speedy.sh/8VeZs/thepetebestband-backtothebeat.obaudoedu.rar

LONG TALL SALLY - BEATLES COVER

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PAUL McCARTNEY - CHOBA B CCCP

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Assim como John Lennon fez em seu ábum “Rock’n’Roll”, de 1975, Paul McCartney também tinha um antigo projeto de gravar um álbum com velhos sucessos que marcaram sua juventude. Conhecido como o ‘álbum russo’, “CHOBA B CCCP” (“Back In The USSR”) é um álbum de covers dos primórdios do rock. Gravado em dois dias, Paul passa por canções de seus ídolos Little Richard, Elvis, Fats Domino e outros, em versões corretas, sem grandes destaques nem decepções. Lançado exclusivamente na antiga União Soviética em 1988, “CHOBA B CCCP” foi o primeiro disco de um artista ocidental a sair em um país comunista, liderando as paradas de lá, e sendo lançado no resto do mundo apenas em 1991.

Depois do álbum de estúdio Press to Play, em 1986, McCartney passou a maior parte do primeiro semestre de 1987, planejando o seu próximo álbum. Em julho, ele teve o desejo de voltar às suas raízes, cantando alguns de seus hits favoritos dos anos 1950 e ao longo de dois dias, com outros três músicos. Gravaram dezesseis canções, treze das quais foram escolhidas para o eventual lançamento do álbum na União Soviética no ano seguinte. Assim, "Снова в СССР", que nada mais é que "Back in the USSR" em russo, ganhou a luz do dia. A pronúncia do título é SNOVA V ESS-ESS-ESS-ER. 22 músicas foram gravadas originalmente, mas apenas 11 foram colocadas no álbum. Uma segunda prensagem Soviética, lançada em dezembro de 1988, aumentou o total para 13 músicas incluindo "I'm Gonna Be a Wheel Someday" e "Summertime". O lançamento do CD 1991 em todo o mundo continha 14 faixas, incluindo "I'm in Love Again", como uma faixa bônus. Mais duas faixas foram lançadas, no lançamento oficial: "I Wanna Cry", "This One". Seis canções das sessões permanecem inéditas: "I Saw Her Standing There"(dos Beatles), "Take This Hammer" (Lonnie Donegan) "Cut Across Shorty" (Eddie Cochran), "Poor Boy" (Elvis Presley), " Lend Me Your Comb "(Carl Perkins), e "No Other Baby" (The Vipers). Esta última seria regravada por McCartney em 1999 para “Run Devil Run”. O álbum inclui o encarte todo em russo, a partir do texto original por Roy Carr da New Musical Express. A capa foi desenhada por Michael Ross e mostra uma fotografia de Paul em uma estrela vermelha, símbolo da URSS. Essa foto foi tirada por Linda McCartney em 1971.

Снова в СССР, foi como um presente para os fãs soviéticos que, em geral, não conseguiram obter suas gravações legítimas, muitas vezes tendo de se contentar com cópias; para eles houve uma mudança, ter um álbum que as pessoas de outros países não seriam capazes de obter. Assim, o álbum de Paul McCartney nunca foi vendido fora da URSS. Após o colapso da União Soviética, Снова в СССР recebeu um lançamento mundial, em 1991, atingindo #63 no Reino Unido e #109 Nos EUA.

Mas McCartney voltaria às raízes do rock com mais propriedade uma década depois com o excelente “Run Devil Run”, muito mais pesado, mais rápido e muito mais comerciável. Mas, para o início da década de 1990, esse álbum tem seu charme e importância fundamental. Qual é a sua nota? A minha é oito. Nota oito!

THE OUTSIDERS - TIME WON'T LET ME

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The Outsiders (Os Renegados) foi uma das centenas de milhares de bandinhas legais americanas de rock and roll nos anos 1960. Formada em Cleveland, Ohio, fundada e liderada pelo guitarrista Tom King, tornaram-se conhecidos pelo megahit "Time Won’t Let Me" no início de 1966, que alcançou a posição # 5 nos EUA, mas a banda também teve outros três singles de sucesso que entraram no Hot 100 top 40 em 1966 e 1967. Lançaram um total de quatro álbuns ente 1965 e 1968.

TRAVELING WILBURYS - HANDLE WITH CARE!

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quarta-feira, 22 de julho de 2015

THE BEATLES THROUGH THE YEARS

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ROLL OVER BEETHOVEN - O CLÁSSICO

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"Roll Over Beethoven" é uma canção do cantor, guitarrista e compositor norte-americano Chuck Berry lançada em 1956 e contida em seu terceiro álbum de estúdio, "Chuck Berry Is on Top", de 1959. Essa mesma canção alcançou e fez muito sucesso, anos depois quando foi regravada pelos Beatles para o álbum "With the Beatles" de 1963. Foi regravada por centenas de outros artistas e a Rolling Stone classificou-a como número 97 na sua lista das '500 Maiores Músicas de Todos os Tempos'.

"Roll Over Beethoven" foi utilizada com muita aceitação popular como trilha sonora do filme Beethoven, que conta a história de um cão da raça São Bernardo que chegou a encantar crianças e adultos e, ao mesmo tempo, veio trazer ao conhecimento da juventude atual o sucesso da canção Roll Over Beethoven, que já estava,de certa forma, caindo no esquecimento dos dias atuais.

"Roll Over Beethoven" era uma das favoritas de John Lennon , Paul McCartney e George Harrison , mesmo antes de terem escolhido "The Beatles ", como o seu nome, e eles continuaram a tocá-la ao vivo em suas turnês americanas de 1964. Os Beatles gravaram sua versão em 30 de julho de 1963 com George Harrison nos vocais e guitarr solo. Nos Estados Unidos, foi lançada em 10 de abril de 1964 como a faixa de abertura deThe Beatles 'Second Album e 11 de maio de 1964 como parte do segundo EP pela Capitol "Four by the Beatles" .  Também f
oi lançada pela Capitol com “Please Mr. Postman" como lado B. Esta versão chegou a # 68 na Billboard Hot 100 e # 30 na Cashbox . Em 1994, os Beatles lançaram uma versão ao vivo de "Roll Over Beethoven" em Live at the BBC . Esta versão ao vivo foi gravada em 28 de fevereiro de 1964 e transmitida em 30 de março de 1964 como parte de uma série da BBC estrelada pelos Beatles chamada de “From Us To You”. Esta versão de "Roll Over Beethoven" foi usada no filmeSuperman III dirigido por Richard Lester , que também dirigiu os dois primeiros filmes dos Beatles, “A Hard Day’s Night” e “Help!” . Os Rutles fizeram uma'música-paródia muito legal com "Blue Suede Schubert" baseada na cover dos Beatles da canção de Berry.

A Electric Light Orchestra fez uma reformulação sofisticada de "Roll Over Beethoven" de oito minutos, que incluiu uma citação musical da abertura da Quinta Sinfonia de Beethoven e interpolações inteligentes de material a partir do primeiro movimento da sinfonia na canção de Berry. Essa versão aparece no álbum ELO 2, de 1973. tornou-se uma espécie de “marca registrada” da banda, e passou a ser usada para fechar todos os seus concertos. "Roll Over Beethoven" foi o segundo single lançado pela 
Electric Light Orchestra em janeiro de 1973, e tornou-se seu segundo consecutivo no 'top ten hit' no Reino Unido, bem como sucesso absoluto nos Estados Unidos.

RONNIE VON, UM PIONEIRO DA PSICODELIA BRASILEIRA

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Durante os 52 anos de carreira de Ronnie Von, vários lados de sua criatividade foram explorados. Ele começou como cantor, em 1963, fazendo sucesso com a canção A Praça. Apesar de o início de sua carreira coincidir com o auge do programa Jovem Guarda, apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, nunca chegou a participar da atração. Convidado pela TV Record, ele apresentaria seu próprio programa, chamado O pequeno mundo de Ronnie Von, em 1966. A atração contrastava bastante com o programa Jovem Guarda, por conter as primeiras demonstrações de influência psicodélica na TV e na música do país. O programa era temático, utilizava elementos fictícios presentes no livro O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, que narra em um ambiente fantasioso a saga de um herói da infância. O programa abriu espaço para que artistas considerados fora do contexto da Jovem Guarda se apresentassem. Os futuros tropicalistas Gilberto Gil e Caetano Veloso marcaram presença, assim como Os Bruxos, primeiro nome da banda Os Mutantes. O crítico musical brasileiro Carlos Calado, sugere no livro biográfico A divina comédia dos Mutantes, que teria sido Ronnie Von o responsável pelo nome que consagraria a banda internacionalmente como um dos impulsos de psicodelia mais fortes do fim dos anos 1960. Segundo Carlos, Os Bruxos se tornaram atração permanente no programa de Ronnie, e na época em que Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias alteraram o nome de sua banda, o apresentador estava lendo o livro O império dos Mutantes, e não conseguia falar em outro assunto. A escritora Lúcia Zanetti, em seu blog dedicado à Beatlemania (termo usado para definir fanáticos pela banda britânica The Beatles), descreve a importância de Ronnie Von e do disco Revolver, lançado pelos Beatles em 1966, na formação d’Os Mutantes. “Rita tinha um grupo de seis integrantes, mas brigaram, sobrando apenas ela e os irmãos Baptista, Arnaldo e Sérgio. Por sugestão de Ronnie Von eles formaram os Mutantes e foi assim que no dia 15 de outubro de 1966, lá estavam Ronnie e Os Mutantes na estreia do programa, ocasião em que tocaram quase todo o disco Revolver”. O entusiasmo de Ronnie Von com o tema psicodelia colocou-o em contato com muitas referências culturais no fim dos anos 60. A literatura de Antoine de Saint-Exupéry passou a ser recorrente em suas composições. Chegou a ser apelidado de 'príncipe', em referência ao livro O Pequeno Príncipe e também à ruptura que fazia com o estilo já em declínio que tinha representatividade na figura do “rei” Roberto Carlos. Além dos Beatles e do Pink Floyd, Ronnie Von também tomava como base, na hora de compor, uma banda britânica chamada Blossom Toes. De que ninguém nunca ouviu falar. Em 1969, lançou o disco Ronnie Von com uma capa totalmente surrealista e mística e temas que traziam a ideia de transcendência e da busca por algo inalcançável. O crítico Alexandre Dittrich faz uma resenha ao álbum, publicada no site Rate Your Music em 2009. “Indubitavelmente, o melhor disco de Ronnie e, pra mim, possivelmente, o melhor álbum pop já lançado por um brasileiro. Ronnie conseguiu cometer – bem auxiliado, é verdade – um disco antenadíssimo com seu tempo, com excelentes instrumentistas, produção criativa e, sobretudo, lindas canções pop-psicodélicas”. Outros dois álbuns completam a fase experimental da carreira de Ronnie. São eles A misteriosa luta do reino de parassempre com o império de nuncamais, também de 1969, e Máquina Voadora, de 1970. São considerados álbuns conceituais, ou seja, temáticos: todas as canções giram em torno de um universo em comum. Esse tipo de lançamento já era bastante comum no exterior, porém pouco explorado no Brasil. Apesar de bem recebidos pelos jovens, foi ignorado pelos críticos musicais da época, incapazes de receber tais novidades. Hoje a redescoberta da fase psicodélica de Ronnie Von vem permitindo maior contato com artistas atuais com mesmo intuito. Ronnie Von completou 71 anos no último dia 17 e comemorou com a banda 
Haxixins numa apresentação na TV Gazeta.


JOHN LENNON EM NOVA YORK - OS ANOS DE REVOLUÇÃO – PARTE 3

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"John Lennon em Nova York", do jornalista americano James A. Mitchell, será lançado neste mês no Brasil (Foto: Reprodução)
Fonte: jornaldocommercio. Por José Teles
Dois cigarros de maconhas levaram John Lennon a sair da letargia pós-Beatle e realizar sua apresentação nos Estados Unidos, em dezembro de 1971, em Ann Arbor, no campus da Universidade do Michigan. O ativista yippie, ala politizada dos hippies, Jerry Rubin conseguiu convencer Lennon a entrar na causa pela liberação de também ativista John Sinclair, condenado a dez anos de prisão, por oferecer dois baseados a uma polícia disfarçada (claro, a pena foi agravada por antecedentes). Começaria daí a fase de atuação política de John Lennon nos EUA, por conta de que passou a ser seguido, espionado e obrigado a lutar durante cinco anos para não ser deportado. Esta e outras passagens dos últimos dez anos da vida do ex-Beatle são contadas no livro John Lennon em Nova York - Os Anos da Revolução (no original The Walrus & The Elephants: John Lennon’s Years of Revolution), de James A. Mitchell (tradução de Pedro Jorgensen Jr.), lançamento da Valentina.
Passados 44 anos desde que John & Yoko mudaram-se para Nova York, e 35 desde seu assassinato na calçada do edifício Dakota, parece redundante escrever sobre uma dos personagens mais badalados do século 20. O autor, no entanto, conta sua história por outro ângulo, ironicamente ressaltado no título original. O Walrus (leão marinho, é John), e os Elephant’s Memory, que o acompanha no álbum Sometime in New York (1971), um jornal sonoro, uma série de canções de temática política imediatista.
Mitchell começa a traçar a trajetória de John Lennon por intermédio de Wayne “Tex” Gabriel, guitarrista da Elephant’s Memory (falecido em 2010). Através de Tex chegou a outros integrantes do grupo e a militantes da época, com os quais Lennon conviveu, e marchou pelas ruas nova-iorquinas. Quando decretou o fim do sonho, em God, faixas do álbum Plastic Ono Band (1970), Lennon referia-se à utopia hippie da paz e do amor, os tempos eram outros e pediam ação. Paradoxal, para quem fazia sucesso mundo com a pacifista Imagine.
Um ex-Beatle que queria viver com a mulher como pessoas comuns. Moraram no Village, num apartamento modesto para a fortuna que possuíam. Passeavam de bicicleta pelo bairro e frequentavam a Washington Square, ponto de encontro de malucos e descolados. Foi lá que conheceu Jerry Rubin, um dos ativistas políticos mais radicais dos EUA (que levou uns empurrões de Pete Townshend do Who, quando foi fazer proselitismo no palco do festival de Woodstock. Pouco tempo depois, ele entraria em ação, sua participação no concerto em Ann Arbor foi decisiva para liberar John Sinclair, e para que as autoridades revissem as draconianas leis antimaconha (até porque precisavam cortejar o eleitorado, que recebera naquele ano o direito de votar partir dos 18 anos).
“O flower power não deu certo?”, questionou Lennon no palco, naquela noite, entre uma e outra canção. “E daí? A gente começa de novo.” John Lennon começava a repensar seus anos de fama com os Beatles, numa entrevista ao jornalista Tariq Ali, do Red Mole, da imprensa underground inglesa: “Achava vergonhoso não ter participado mais ativamente dos movimentos contra a Guerra do Vietnã e em defesa dos direitos civis”, disse. “Eu gostaria de compor canções para a revolução. (...) Gostaria que eles vissem que rock and roll não é Coca-Cola. É por isso que venho dando declarações mais pesadas e tentando me livrar da imagem de moderninho”, comentou na entrevista. Mas embora tenha se esforçado, ele continua até um Beatle até o final da vida.
Em Ann Arbor, chegou a visitar uma loja de instrumentos, a Herb David Guitar. O dono o reconheceu e o cumprimento chamando-o de John, que brincou dizendo-se primo dele. Os fregueses demoraram a se dar conta de quem se tratava. “Lennon passou mais de uma hora na loja e deu até uma canja no violão para deleite dos fregueses que o ouviam, boquiabertos.” A cadeira ficou no mesmo lugar por quatro décadas, com uma inscrição em papelão dizendo: John Lennon sentou aqui em 1971 – uma autêntica peça de museu, venerada com status de memorabilia presidencial. Os produtores o tratavam como um Beatle, hospedando-o no melhor hotel da cidade, e dispensando segurança especial a ele durante o concerto. Não conseguiu, no entanto, detê-lo quando ele escutou a voz de Stevie Wonder, que se ofereceu para participar: “Stevie Wonder está aqui?”, gritou Lennon, incrédulo. “Eu preciso vê-lo!” Ao imaginar Lennon no meio da multidão, Andrews hesitou. “Um Beatle não desfila no meio do público”, advertiu Andrews. “Você não entendeu”, disse Lennon. “Stevie Wonder é o meu Beatle.”. E foi assistir no meio das pessoas que se aglomeravam diante do palco.
Em alguns momentos a história do ex-Beatle envereda pela Nova Esquerda americana, como o SDS (Students for a Democratic Society), de Jerry Rubin e Abbie Hoffman. A época era de confronto e radicalismos no mundo inteiro, que vivia a contrarrevolução que se seguiu à revolução frustrada de 1968. Se não cometia os mesmos crimes das ditaduras latino-americanas, o governo dos americanos do Norte tampouco seguia a risco a constituição. 
As atividades de John Lennon passaram a ser monitoradas, inclusive com escuta telefônica, por agentes que não fariam feio diante do atrapalhado agente 86, do seriado televisivo dos anos 60, vivido por Mel Brooks: “Um memorando de 2 de fevereiro sobre a mudança de John e Yoko do St. Regis dizia: ‘Lennon mudou-se, desde então, para endereço ignorado.’ Ora, nessa data já fazia meses que Lennon se instalara no apartamento da Bank Street, 105; o agente fora incapaz de descobrir o que quase todo o Greenwich Village já sabia. E, para se certificar da identificação, o mesmo memorando solicitava informações adicionais, ‘incluindo uma foto do investigado’.” Ou seja, para conseguir uma fotografia de John Lennon em Nova York era necessária a ajuda do QG. A atuação de Lennon incluía luta pelos direitos da mulher, dos negros, das minorias em geral, mas a autoridades competentes temiam a influência sobre os jovens que iam às urnas.
Mas, incompetências à parte, foram cinco anos difíceis para Lennon e Yoko, que só conseguiu o visto definitivo em 1976, quando ele se tornou dono de casa, cuidando do filho Sean, enquanto Yoko cuidava dos negócios. Muito bem, como se sabe. Mas John Lennon não conseguiria evitar que o dinheiro continuasse a jorrar em sua conta bancária.
O mito dos Beatles só fez crescer com o tempo, Lennon jamais deixaria de um dos quatro. Não foi o cidadão John Lennon em quem Mark Chapman disparou a carga de sua pistola, em 8 de dezembro de1980. Foi no Beatle John Lennon. Este ano ele completaria 75 anos, difícil imaginar que tipo de música ou atuação teria num mundo que virou cabeça para baixo. 
Jerry Rubin, cujo apelido durante muito foi B.O (de bad olor, mau cheiroso), nos anos 80 tornou-se corretor da bolsa em Wall Street, e nos anos 90, envolveu-se novamente com a polícia. Não mais por sua atuação política e sim por estar metido num esquema de pirâmide.

terça-feira, 21 de julho de 2015

THE BEATLES - "OLDIES... BUT GOLDIES" - A 1ª, A GENTE NÃO ESQUECE!

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O anúncio parecia o de um brechó, a capa também (não que não fosse bonita, mágica e convidativa): "Uma coleção dos Beatles - velhas, mas valem ouro!". Esse era o nome do álbum lançado oficialmente lançado pela EMI -  às vésperas do natal de 1966, para tentar suprir a falta de material novo dos Beatles nas lojas. Mas esse novo disco era uma grande confusão. Não havia 
nenhuma lógica. Até o mais incauto dos fãs poderia prever que estava, de fato, sendo ludibriado pela primeira vez, das tantas que seria ao longo dos mais de 50 anos seguintes. Mesmo assim, o álbum esgotou-se rapidamente como se fosse um disco de inéditas. O mesmo fenômeno que ainda perdura depois desses mesmos mais de 50 anos. 

Depois do lançamento de Revolver, os Beatles embarcaram no que seria a sua última turnê mundial, encerrada com uma apresentação no dia 29 de agosto de 1966+ no Candlestick Park em San Francisco. Seu último espetáculo no Reino Unido acontecera alguns meses antes, em 1º de maio, quando se apresentaram no Empire Pool em Wembley, como a principal atração do New Musical Express Poll Winner’s Show. O ano de 1966 também viu a realização de projetos pessoais: John participou do filme Como Ganhei a Guerra, rodado na Alemanha e Espanha; Paul compôs a trilha sonora do filme The Family Way; e George mergulhou na música indiana a ponto de viajar até a Índia para ter aulas de cítara com Ravi Shankar. Durante esse período, que se estendeu de junho a dezembro de 1966, e tendo em vista suas muitas atividades, os Beatles não entraram em estúdio para gravar.

Este álbum foi compilado para ser o lançamento pré-natalino da banda. Assim, o disco foi um paliativo, formado por oito faixas não lançadas em álbuns britânicos e outras oito extraídas de “A Hard Day’s Night”, “Help!”, “Rubber Soul” e “Revolver”. Entre o material novo estava "Bad Boy", do álbum americano Beatles VI, lançado um ano e meio antes. As sete faixas restantes eram “She Loves You”, “From Me To You”, “We Can Work It Out”, “I Feel Fine”, “Day Tripper”, “Paperback Writer” e “I Want To Hold Your Hand”. Sem uma fita master de estéreo à mão, George Martin tentou criar, para o novo álbum, uma versão em dois canais de “She Loves You” a partir da gravação em mono. A empreitada foi deixada de lado, mas a EMI mantém as diversas mixagens em estéreo em seus arquivos.

À época, o disco se encaixou bem no papel de coletânea de maiores sucessos. Mais recentemente, todas as faixas não incluídas em álbuns foram compiladas com mais critério nos discos Past Masters (Volume One e Volume Two). Quando do lançamento de “A Collection Of Beatles Oldies”, já havia 19 faixas não lançadas em álbuns britânicos (além das versões em alemão de “She Loves You” e “I Want To Hold Your Hand”), mas os Beatles surpreendentemente, optaram por usar apenas oito delas. "Oldies... but Goldies" como foi carinhosamente apelidado pelos fãs, é um álbum 'oficial' da discografia dos Beatles. Mesmo que muitos, até os próprios, não queiram.
 A gente fica com a imortal "She Loves You" e a matadora "Bad Boy". Oldies... but GOLDIES!

BEACH BOYS EM DOSE DUPLA: 'GOOD VIBRATIONS' E 'GOD ONLY KNOWS'

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“A palavra vibrações, me assusta", contou Brian Wilson certa vez, lembrando como, quando ele era criança, sua mãe, Audree, tentou explicar a ele por que os cães latiam para algumas pessoas e não para outras. "Um cachorro sente as vibrações das pessoas, algo que não se pode ver, mas se pode sentir. O mesmo acontece com gente." "Good Vibrations" extraiu essa energia e a transformou em um raio de sol eterno. "É uma canção muito espiritual", Wilson disse depois de seu lançamento, "e eu quero que ela passe boas vibrações".

Wilson, então com 24 anos, tam¬bém tinha outro objetivo em mente: "Isso vai ser melhor que 'You’ve Lost That Lovin' Feelin"' dos Righteous Brothers", falou. Wilson ainda estava trabalhando em sua obra máxima, Pet Sounds, quando começou "Good Vibrations" tarde da noite no dia 17 de fevereiro de 1966, no Gold Star Recorders, em Los Angeles. Durante os sete meses seguintes, em quatro estúdios diferentes, ao custo de mais de US$ 50 mil (na época a maior quantia já gasta na gravação de um single), Wilson construiu "Good Vibrations" em seções, colorindo seu balanço atmosférico com celos em ritmo de locomotiva, piano de saloon e o lamento espectral de um teremim. "No começo não pensáva¬mos em fazê-la em pedaços", conta Wilson hoje, "mas, depois das primeiras passagens no primeiro verso, percebemos que se¬ria um tipo diferente de disco". Muito diferente. Wilson - livre para experimentar enquanto os outros Beach Boys estavam em turnê - não conseguia parar de testar combinações de instrumentos e abordagens rítmicas. Uma versão descar¬tada da música tinha batida de R&B.

"Good Vibrations" se tornou o terceiro sucesso dos Beach Boys a chegar ao número 1, mas foi uma glória breve - comercialmente para a banda criativamente, e emocionalmente para Wilson. A música supostamente apareceria no álbum Smile, mas Wilson - sofrendo de depressão e lutando contra os outros membros dos Beach Boys pela direção musical do grupo - abandonou o álbum em maio de 1967, eventualmente completando-o e tocando-o em uma turnê em 2004. '"Good Vibrations' agora está melhor do que nunca", disse Wilson naquele ano. "Chegou ao número 1 em 1966, e agora somos aplaudidos de pé todas as vezes que a tocamos ao vivo. É incrível para mim."


"Ela sempre me dá um nozinho na garganta", disse Paul McCartney sobre a balada no álbum Pet Sounds. Na mesma noite em que McCartney e John Lennon ouviram Pet Sounds em uma festa em Londres, McCartney escreveu "Here, There And Everywhere", que foi diretamente influenciada por "God Only Knows". O despretencioso vocal de Carl Wilson tem afinação perfeita, mas é o arranjo de metais, sinos, cordas e acordeão que dá a "God" sua atmosfera celestial; Brian Wilson estava fascinado pela espiritualidade e disse que a música saiu de sessões de oração dentro do estúdio. O único problema: o uso da palavra "Deus" no título assustou alguns programadores das rádios. "God Only Knows" tornou-se uma das músicas mais bem colocadas nas paradas no ano de 1966 e 1967, ultrapassando até alguns clássicos dos Beatles. Está na 25º posição na lista das melhores músicas de todos os tempos da revista Rolling Stone. Foi um recorde comercial e a revista Mojo a considerou a segunda música mais importante dos anos 60 atrás de Good Vibrations, também dos Beach Boys. Aí também já é exagero, porra!

GOD ONLY KNOWS - By BEACH BOYS - SENSACIONAL!!!

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HEATHER MILLS ALFINETA PAUL McCARTNEY

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Heather Mills, ex-modelo e ex-mulher de Paul McCartney, em foto de 24 de janeiro de 2015 (Foto: FELIX HOERHAGER/DPA)
Ex-mulher de Paul McCartney, Heather Mills afirmou nesta sexta-feira (17) em entrevista ao jornal britânico "The Guardian" que é ela a responsável pela educação musical da filha, já que o Beatle não sabe ler partitura. Heather, que era esquiadora e atualmente trabalha como ativista ambiental, foi casada com Paul McCartney entre 2002 e 2008. Juntos, eles tiveram uma única filha, Beatrice, 11. "Beatrice diz que 99% dela vem de mim", afirmou a ex-mulher de Paul ao "Guardian". "Eu não sei isso é uma coisa boa. Acho que ela herdou o melhor de ambos, nós somos muito musicais. Ensinei a ela saxofone, porque o pai dela não sabe ler partitura, então eu dou todo o ensinamento musical, e sou boa com linguagens. Ela é uma poeta brilhante, então obviamente herdou isso dele, mas eu acho que ela tem o melhor de ambos." Ainda de acordo com Heather, Beatrice "odeia a fama e toda essa coisa de ficar sob os holofotes". "Ela quer ser bióloga marinha, não uma pop star."

sábado, 18 de julho de 2015

JOHN LENNON - WELL WELL WELL - OH, WELL!

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PAUL McCARTNEY - ONLY MAMA KNOWS

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THE BEATLES - CAN'T BUY ME LOVE

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Em abril de 1964, os Beatles finalizaram as cenas de "Can't Buy Me Love" no parque Thornbury Playing Fields, em Isleworth, Middlesex. John só participou pela manhã, pois tinha sido convidado para um almoço literário em sua homenagem, oferecido pela renomada livraria Foyle’s. Osbert Lancaster foi o anfitrião do evento, cujos convidados incluíam: Arthur Askey, Harry Secombe, Millicent Martin, Joan Littlewood, Helen Shapiro, Marty Wilde, Yehudi Mennhin, Victor Silvéster, Mary Quant e o cartunista Giles. Brian Epstein e Cynthia também estavam presentes, mas, curiosamente nenhum dos outros Beatles compareceu à recepção. Chistina Foyle ficou extremamente frustrada quando o tão esperado discurso de John limitou-se às seguintes palavras: “Muito Obrigado e que Deus os abençoe”.
No mesmo abril de 1964, os Beatles já reinavam absolutos e dominavam os Estados Unidos e o mundo completamente. Ocupavam as 5 primeiras posições da parada da Billboard (um recorde imbatível até hoje), e também se tornaram os únicos artistas a conquistarem três números 1 consecutivos: "Can't Buy Me Love" sucedeu "She Loves You," que sucedeu "I Want to Hold Your Hand". Nº 1 – Can´t Buy Me Love; Nº 2 – Twist And Shout; Nº 3 – She Loves You; Nº 4 – I Want To Hold Your Hand; Nº 5 – Please Please Me.
 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

GEORGE HARRISON - 33 & 1/3

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Em 1974, George separou-se da sua primeira mulher, Pattie Boyd. No mesmo ano, ele lançou o álbum Dark Horse, que teve muitas críticas negativas. George iniciou sua primeira tournê e seus shows foram muito criticados por conter um longo número do artista Ravi Shankar no seu início e também porque George sofria de problemas vocais e sua voz falhava durante os shows. George também lançou seu selo, a Dark Horse Records, passando o ano desenvolevndo-a. A Dark Horse Records começou a funcionar somente em 1976. George ainda lançou um último álbum, Extra Texture pela Apple, em 1975, um álbum para cumprir contrato com a gravadora. A música "You" foi o único sucesso, embora não tenha atingido o primeiro lugar nas paradas. O disco chegou na posição 8 nas paradas de sucesso dos Estados Unidos. Somente em 1976, é que George lançou um álbum pelo seu selo, a Dark Horse Records, 33 1/3.
Na época George ficou doente com hepatite, o que fez com que ele mudasse a distribuidora do álbum da A&M Records para a Warner Bros. Records pelo fato que a A&M Records queria que ele entregasse um novo álbum até junho e isso se tornou impossível com a doença. Para o álbum ele escreveu "This Song", música que satirizava o caso de plágio de "My sweet Lord". As músicas "This Song" e "Crackerbox Palace" fizeram um certo sucesso e o álbum atingiu o décimo primeiro lugar nas paradas de sucesso dos Estados Unidos. A única promoção que George fez para o álbum, além dos vídeoclipes foi se apresentar junto ao cantor Paul Simon no programa Saturday Night Live em 20 de novembro de 1976.


33 e 1/3 foi gravado em 1976 e apesar de não possuir nenhum grande sucesso como os discos anteriores de George Harrison - o maior foi Crackerbox Palace com a 14ª posição - é de seus melhores trabalhos e chama muito a atenção o humor pythonesco utilizado nos vídeos das músicas Crackerbox Palace, This Song e True Love. Além das canções já citadas (todas exibidas com exclusividade pelo Fantástico em 1976), merecem destaque "Woman Don't Cry for me", "Leaning how to love you", "See yourself" e "Beautiful Girl". Pena que não existam vídeos decentes para elas.

JOHN LENNON EM NOVA YORK - OS ANOS DE REVOLUÇÃO – PARTE 2

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"John Lennon em Nova York", do jornalista americano James A. Mitchell, será lançado neste mês no Brasil (Foto: Reprodução)
Quando John Lennon foi morar nos Estados Unidos, em agosto de 1971, o republicano Richard Nixon era o presidente, e a sociedade americana parecia viver um certo cansaço da contracultura e do espírito de rebeldia que marcaram a década de 60. Em um cenário de recessão econômica e de incerteza em relação ao futuro, persistiam, porém, as fissuras do corte geracional e comportamental que haviam transformado a América – fissuras ligadas à guerra do Vietnã, aos movimentos pelos direitos civis e defesa das minorias, ao feminismo, à liberação sexual e à difusão da maconha e outras drogas. Por sua vez, Lennon também passava por uma espécie de crise pessoal: queria deixar para trás de vez o período dos Beatles e se engajar em novos projetos, mas isso não era tão fácil em uma terra estranha. “John Lennon em Nova York – Os anos de revolução”, do jornalista James A.Mitchell (Valentina, 248 pgs. R$ 39,90), conta a história dessa fase relativamente pouco explorada da vida de Lennon, quando, em parceria com Yoko Ono, mergulhou no ativismo político, ao mesmo tempo em que consolidava a sua carreira-solo. Sem pretender ser exaustivo, Mitchell constrói uma narrativa saborosa, com base em entrevistas de amigos – como o guitarrista Wayne “Tex” Gabriel, da banda Elephant’s Memory (que aparece na foto com Lennon, em uma sessão de gravação) – e intelectuais e artistas contemporâneos do músico (como a feminista Gloria Steinem), reconstituindo com êxito a conturbada atmosfera cultural, social e política da época.

Associando-se a Jerry Rubin (um dos réus no famoso processo dos “Sete de Chicago”, grupo de ativistas acusados de incitarem protestos violentos durante a convenção democrata de 1968), Abbie Hoffman e outros líderes de um exaurido movimento de resistência ao “sistema”, Lennon logo se engajou em campanhas anti-Nixon, emprestando sua música e sobretudo sua fama a causas variadas. A consequência imediata foi que ele passou a ser vigiado de perto por agentes do FBI e do governo americano, que ameaçava deportá-lo, em uma batalha judicial que durou até 1976, que o autor reconstitui detalhadamente.

Mitchell reconstitui também os processos de criação dos álbuns americanos de Lennon (com exceção do último, “Double Fantasy”), chamando a atenção do leitor para aspectos musicais pouco aparentes de discos que na época receberam uma avaliação modesta ou francamente equivocada da crítica, como “Some time in New York City” e “Mind Games”. Por outro lado, ainda que seja um livro focado em Nova York, seria interessante recapitular o período entre o fim dos Beatles e a mudança para Nova York, o que o autor não faz. Por exemplo, para entender o Lennon “americano”, é importante saber que em 1970, ainda morando em Londres, ele foi à Califórnia para iniciar um tratamento de terapia primal que durou quatro meses – e que ajuda a entender diversas composições suas que lidam com a relação emocional conflituosa que ele tinha com sua mãe. Outro aspecto interessante da psicologia do músico é sua relação ambivalente com os valores burgueses ligados ao sucesso e ao conforto material: “Lennon parecia ter vergonha, dentre outros subprodutos da Beatlemania, de sua riqueza material”, escreve Mitchell. “(Ele) tentava se livrar dos atavios da riqueza e da fama, e ansiava, com igual intensidade, fazer parte de algo mais amplo do que ele mesmo e maior do que os Beatles”. Foi também em 1970 que Lennon conheceu Tariq Ali, que foi entrevistá-lo na Inglaterra e mais tarde seria outra ponte importante com os Estados Unidos.

Aqui, a gente confere um trechinho:
“A presença de Lennon em Nova York era uma oportunidade rara que Rubin agarrara com todas as suas forças. Sem grandes expectativas, ligou para a Apple Records e se surpreendeu tanto quanto todo mundo com o fato de Yoko Ono retornar a chamada. O primeiro encontro de Rubin e Hoffman com John e Yoko Rubin foi direto ao ponto, perguntando várias vezes o que exatamente Lennon queria fazer. Participar, disse-lhe Lennon. Queria montar uma banda e tocar, “devolvendo todo o dinheiro às pessoas”; fazer a sua parte no Movimento com a sua música. Disse que pretendia “compor músicas para a revolução” e que esperava levá-las às ruas para, quem sabe, sacudir um pouco as coisas. “Eu quero fazer alguma coisa política, radicalizar as pessoas, essa coisa toda”, disse Lennon. Sua atenção se voltara para os explosivos conflitos políticos e culturais que fermentavam nos Estados Unidos. No começo de 1971, ele dera longas entrevistas à Rolling Stone e ao Red Mole – um jornal underground britânico editado por Tariq Ali. Lennon achava “vergonhoso” não ter participado mais ativamente dos movimentos contra a Guerra do Vietnã e em defesa dos direitos civis. Sentira-se, muitas vezes, dividido entre o mercantilismo do sucesso dos Beatles – “todo mundo tentando nos usar” – e o desejo de insinuar temas mais maduros em suas canções.


RINGO STARR - A DOSE OF ROCK 'N' ROLL

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THE BEATLES - PAUL McCARTNEY - BACK IN THE USSR

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"Back in the U.S.S.R." é uma canção dos Beatles lançada no álbum The Beatles ou Álbum Branco, de 1968. Foi composta por Paul McCartney e creditada à dupla Lennon & McCartney. McCartney conta que sempre ouvia americanos que viajavam reclamarem da saudade do fast-food, dos donuts e das lavanderias automáticas, então, ele resolveu narrar o inverso: um russo saindo de Miami e voltando para sua pátria, a União Soviética. Ele usou harmonias típicas dos Beach Boys em "California Girls" e da surf music, algo bem americano. Percebeu então que a sigla em inglês da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que era USSR, continha a sigla dos Estados Unidos da América, US, e aproveitou-se disso para fazer uma paródia a canção "Back in the U.S.A." de Chuck Berry, em um ponto da música ele canta: "Back in the US, back in the US, back in the USSR" para deixar clara a brincadeira. A canção abre e fecha com um som de jato que se refere ao retorno de Miami Beach nos EUA à “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” (em inglês, "U.S.S.R."). Na letra, é possível ver a satisfação de se retornar ao país: "the Ukraine girls really knock me out" e "Moscow girls make me sing and shout" (“As garotas da Ucrânia me deixam louco” e “As garotas de Moscou me fazem cantar e gritar”). Outras referências à União Soviética são o trechos “show me round your snow peaked mountain way down south” (“me mostre a neve no topo das montanhas do sul”) e “let me hear you balalaika's ringing out” (“me deixe ouvir sua balalaica tocar”). A letra também contém uma referência à música de Hoagy Carmichael, "Georgia on My Mind": o trecho “And Georgia's always on my mind” pode ser interpretado como “E a Geórgia está sempre na minha mente” ou “E (as garotas da) Geórgia sempre (estão) na minha mente”, pelo trecho a seguir: "come and keep your comrade warm" (“venha e mantenha seu camarada aquecido”). A brincadeira relacionando as superpotências da Guerra Fria continua, pois a canção "Georgia on My Mind" refere-se justamente ao Estado americano da Geórgia. Em entrevista para a revista Playboy em 1984, McCartney disse: “Eu tinha consciência de como a União Soviética enxergava a música inglesa e como essa música seria mal interpretada pelos chefões do Kremlin, porém a molecada gostava, e isso me fez perceber o quanto aquilo era importante.” Em "Back in the U.S.S.R.", é o próprio Paul quem toca a bateria, porque em 22 de agosto, Ringo havia abandonado o grupo devido ao clima pesado nas gravações. McCartney também toca piano e guitarra (num dos seus solos mais fantásticos!). John aparece nos vocais de apoio, guitarra base e palmas. O baixo ficou com George. Ringo retornou duas semanas depois, após um pedido de desculpas dos outros Beatles com flores lhe esperando, espalhadas por toda bateria.

THE BEATLES - COME TOGETHER 2015

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"Come Together" veio à luz como uma música de campanha para o guru do LSD Timothy Leary quando, em 1969, decidiu concorrer ao governo da California com o então governador e futuro presidente Ronald Reagan. Leary e sua esposa Rosemary, foram convidados a irem a Montreal, por John Lennon e Yoko Ono quando se preparavam para mais um “Bed In” no 19º andar do Queen Elizabeth Hotel. Leary e a esposa chegaram em 1º de junho de 1969 e foram imediatamente convocados para cantarem junto o refrão de “Give Peace A Chance”, gravada no quarto do hotel. Foram recompensados com a inclusão de seus nomes na letra. Logo depois, Leary pediu a Lennon que o ajudasse em sua campanha e escrevesse uma música para ser usada em comerciais e comícios. O slogan de Leary era”Come together, join the party”, John Lennon pegou o violão e começou a desenvolver a canção. Leary fez que a música tocasse em estações de rádios altenativas por toda a Califórnia e passou a considerar que a música era dele. No entanto, sem que soubesse, Lennon tinha retornado a Londres e em menos de um mês, gravou o clássico “Come Together” com os Beatles. A campanha para governador da California de Leary, teve fim em dezembro de 1969, quando foi preso por porte de maconha. Foi na prisão que ele ouviu Abbey Road pela primeira vez e "Come Together” foi uma surpresa total. “Embora a nova versão fosse uma melhoria em termos de letra e melodia da minha música da campanha, fiquei um pouco bravo por Lennon ter me desconsiderado daquela forma... Quando mandei um pequeno protesto para ele, a resposta teve o típico charme e a sagacidade de Lennon, que disse que ele era um alfaiate e eu era o cliente que pediu um terno e nunca mais voltou. Então ele vendeu para outra pessoa.”

A versão gravada pelos Beatles, foi muito trabalhada no estúdio. O peso do baixo em estilo New Orleans foi adcionado por Paul. A música acabou sendo objeto de um processo judicial quando Maurice Levy, proprietáro da Big Seven Music, detentora dos direitos autorais de “You Can’t Catch Me” de Chuck Berry, alegou que Lennon “tomara emprestado” dois de seus versos. Para evitar meses de embate judicial, Lennnon concordou em gravar “You Can’t Catch Me” e “Sweet Little Sixteen”, também de Berry e publicadas pela empresa de Levy, e incluí-las no álbum “Rock And Roll”, de 1975.
A gravação dos Beatles teve início em 21 de julho de 1969, e foi concluída em 7 de agosto de 1969. Foi lançada em 6 de outubro de 1969, nos Estados Unidos, como lado B do compacto simples que tinha "Something" de George Harrison como lado A . Com este formato, foi sucesso absoluto também ao redor do mundo, inclusive no Brasil. O início desta gravação marca a volta do engenheiro de som Geoff Emerick ao trabalho com os Beatles. Ele havia abandonado o quarteto no dia 16 de julho de 1968 por não suportar o clima pesado que pairava sobre as sessões de gravação na época.

PAUL McCARTNEY - NO MORE LONELY NIGHTS

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Não é nenhum exagero afirmar que "No More Lonely Nights" foi uma das maiores ciações e um dos grandes hinos da carreira solo de Paul McCartney. Ele compôs a música no ano de 1984 como uma das trilhas sonoras para o filme que ele próprio escreveu, dirigiu e atuou: "Give My Regards to Broad Street" (Mande lembranças para Broad Street), que tem a participação de Ringo Starr, Linda McCartney, Barbara Bach, Bryan Brown, Ralph Richardson e Tracey Ullman no elenco. A balada conta com o fantástico solo de guitarra de David Gilmour do Pink Floyd que, anos e anos depois voltaria a tocar com Paul novamente no fantástico “Run Devil Run”. "No More Lonely Nights" liderou de assalto as paradas de sucesso, inclusive no Brasil. Se o filme foi um tremendo fracasso comercial nos cinemas, a trilha sonora é de arrasar. Além de apresentar esta canção ao público, Paul dá nova roupagem para algumas de suas melhores canções com os Beatles e também com os Wings. "No More Lonely Nights" foi indicada aos prêmios "Golden Globe Award" e "Bafta Film Award" como a mais original canção de trilha sonora para filmes. As cenas foram filmadas em um velho apartamento localizado no bairro St. Saviors Dock, em Londres.

domingo, 12 de julho de 2015

POR QUE “LET IT BE” NUNCA VAI SAIR EM DVD?

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A razão é muito simples e não é difícil de advinhar. É o próprio Paul McCartney quem veta, porque se sente envergonhado como agiu na época com os outros Beatles e não quer se ver no filme desempenhando novamente aquele papelão. Ringo Starr, Yoko Ono e Olivia Harrison também não consideram o relançamento adequado para a imagem e os novos tempos que a empresa “The Beatles” quer deixar como legado para a posteridade e os novos fãs. Ridículo! O que está feito, está feito. Let it be! Não existe ali nada que todos nós, não estamos carecas de saber! Parece até aquelas coisas mexicanas... A última e única vez que foi lançado 'let It Be' foi em 1981. Eu tenho o meu VHS.

MADONNA NÃO CONSEGUE COMPRAR APARTAMENTO NO DAKOTA

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Madonna anda furiosa. A cantora queria comprar um dos luxuosos apartamentos do edifício Dakota, em Manhattan, Nova York - onde John Lennon foi morto em 1980 - que está à venda, mas não foi aceita como residente do local. O prédio é conhecido por ser um dos lugares mais difíceis de aceitar residentes por causa de suas estritas normas e conselho, segundo o jornal New York Post, e por isso, a popstar teve a petição de compra do imóvel, avaliado em US$ 14,5 milhões - quase R$ 45 milhões - negada. Madonna, Billy Joel e Judd Apatow estão entre as celebridades que não conseguiram comprar a propriedade, nem mesmo dando seu melhor lance. Yoko Ono, viúva de Lennon, ainda mora no lugar. Mas por causa das regras, o apartamento número 46, está à venda há oito anos. Ele foi construído em 1882, tem quatro quartos, quatro banheiros, tetos altos e uma vista espetacular para o Central Park.

O Edifício Dakota foi construído entre 25 de outubro de 1880 e 27 de outubro de 1884. É um edifício de apartamentos localizado no canto noroeste da 72nd Street e Central Park West no Upper West Side de Manhattan em Nova York. O edifício tornou-se mundialmente famoso e conhecido por ser o local onde o músico John Lennon foi assassinado e por nele ser filmado o estranho filme "O Bebê de Rosemary", de 1968, dirigido por Roman Polanski, cujo a mulher Sharon Tate (grávida e ) foi brutalmente assassinada pela "Família Manson". A firma de arquitetura de Henry Janeway Hardenbergh foi contratada para criar o projeto para Edward Clark, chefe da companhia de máquinas de costura Singer. A empresa também projetou o Hotel Plaza.

MADONNA - RAIO DE LUZ NO POP DOS ANOS 80?

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THE BEATLES - TELL ME WHY - You cried and why you lied to me...

Um comentário:
“Tell Me Why” foi escrita para animar os shows das filmagens de A Hard Day’s Night. E animou muito mesmo! John tentou incorporar bandas como The Chiffons (aqueles, da canção ‘He’s So Fine’ – que seria a origem do suposto plágio de George Harrison no futuro, com “My Sweet Lord”) ou The Shirelles e “só deixou que a música viesse”. É um típico enredo de John Lennon e que ele desenvolveria tanto a partir dali. Alguém mentia para ele e o abandonava. Então, ele chorava e queria saber porquê. Isso seria tema em diversas das canções de John até 1970. Depois do fim dos Beatles, a mando de Yoko Ono, procurou o Dr, Arthur Janov. Mas isso já é outra postagem... Abração!

terça-feira, 7 de julho de 2015

THE BEATLES - RINGO STARR - BOYS

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HAPPY BIRTHDAY, RINGO!!! 75 ANOS

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 Foto: @Ringo Starr / Instagram
Hoje, 7 de julho do ano da graça de 2015, o maior baterista da história da música pop de todos os tempos, nosso queridíssimo RINGO chega aos 75 anos de uma vida gloriosa e uma carreira inigualável e em plena forma. Nos shows, parece um menino que ainda ama o rock and roll. Parabéns, velho Ringo! Que ainda venham muitos anos e muitos discos legais pela frente. Obrigado por existir. Em nome de todos os seus fãs do Baú do Edu. Abração!
RINGO, FALANDO DE RINGO
Durante minha entrevista com Ringo Starr, toquei alguns pedaços de músicas dos Beatles para ele, coisas que acredito que mostram seu brilhantismo – sua simplicidade, suas frases excepcionais, sua pegada. Ao escutar as músicas, Ringo se inspirou para me contar algumas coisas interessantes, e o fez quase que por livre associação. O resultado foi um raro vislumbre do mundo dos Beatles.
“I’M LOOKING THROUGH YOU”

RINGO: Até aí, estou tocando chocalhos. George estava batendo palmas. É feito numa caixa, não é?
MD: A documentação diz que é tocada nas suas coxas ou são palmas.
RINGO: (Escutando atentamente) Eu costumava tocar nos estojos dos tambores ou dava palmadas nas coxas. Mas parece que aí há uma caixa tocando também, portanto pode ser que estivesse coberta por panos – eu costumava colocar toalhas de mesa sobre os tambores – e talvez eu esteja tocando um tipo de rimshot. Não consigo me lembrar do que fiz. Parece haver uma caixa por baixo de tudo.
“IN MY LIFE”
RINGO: Isso eu “roubei” de You Better Move On, de Arthur Alexander. Essa era minha versão daquela batida. Onde está meu bumbo? Nunca consigo escutar o bumbo em nossas primeiras gravações. Tínhamos um microfone para ele, mas George Martin nunca achou necessário inclui-lo na gravação (risos). Digo, Sir George Martin.
MD: Se lembra de como a canção foi apresentada a você?
RINGO: A maioria das canções era apresentada por quem quer que a tenha escrito tocando guitarra ou piano. Era assim que George e eu escutávamos uma canção de Lennon & McCartney pela primeira vez. Eles gravavam uma fita e depois nos mostravam. Era mais “olhem aqui, temos isso”, e nós escutávamos e víamos o que podíamos fazer com aquilo.
“A TASTE OF HONEY”
RINGO: Trabalho de vassourinhas. Eu tinha esquecido disso até lançarmos os discos Anthology: que havia um pouco de trabalho de vassourinhas nas primeiras gravações. Eu sabia toca-las porque tinha tido experiência nas bandas das quias fiz parte anteriormente. Você tinha que saber um pouco de tudo naquela época. Mas essa é, na verdade, uma música de cabaré. Os Beatles eram uma banda cover e uma banda de cabaré – uma banda de cabaré roqueira. É algo muito simples, o que sempre chama atenção.
MD: Você disse que jazz não era sua coisa favorita.
RINGO: Não, não era. Não sinto que isso era jazz; era só o melhor que eu podia fazer com as vassouras. E é muito, muito básico. É como se estivesse tocando suingue com vassouras, e depois entra naquela coisa de “quatro”.
MD: Mas antes dos Beatles, o que havia para escutar não era jazz?
RINGO: Você tem que se lembrar que Bill Haley já tocava quando eu tinha 14 anos, portanto para mim foi aí que tudo começou. Bill Haley me influenciou muito, porque o fato de assistir aquele filme (Rock Around The Clock) foi o início de tudo. Antes daquilo, é claro, havia Johnny Era, Frankie Lane, Gene Autrey – e outros como eles. E eles também eram meus heróis. As vassouras faziam parte daquilo. Eu as usei muito quando estava em grupos Skiffle (N.R. Tipo de folk com elementos de jazz). Fazíamos alguns números de skiffle de pessoas como Lonnie Donegan, dos Vipers, coisas assim. Logo, devido ao fato de que eu costumava só tocar caixa, minhas primeiras experiências na bateria se concentravam nas vassouras. Algumas vezs tinha que implorar para usar a bateria. Costumávamos viajar de ônibus, o que era muito difícil, e eu só podia carregar a caixa, os pratos e as vassouras.
“DRIVE MY CAR”
MD: Você se recorda de como criou aquela parte?
RINGO: Não. As partes simplesmente aconteciam Entretanto, sempre me sentia liviado quando encontrava uma. Se escutar as gravações piratas que estão no Anthology agora, e ouvir as faixas mais antigas, verá que geralmente as partes de bateria são bastante similares às das versões finais. Quando encontrava minha parte, pensava “ok, esta parte está legal, agora vamos deixar a banda sobre ela”.
“RAIN”
RINGO: Rain é incrível. É aqui que se pode escutar quando comecei a trazer minhas colaborações para a faixa.
MD: Como essa foi apresentada a você?
RINGO: John estava apenas tocando guitarra e cantando a canção. Foi uma daquelas coisas que simplesmente aceitamos sem pestanejar. É basicamente rock. Naquela época acentuando e lendo mais a canção. Estávamos nos afastando de canções pop, que tinham”verso, refrão, meio, verso refrão e final”. Quando chegamos neste estágio estávamos todos fazendo experiências, inclusive eu. Começa naquele lugar estranho – algo como sete batidas para dentro. Eu estava tentando ser estranho de propósito. Já estava cansado de ficar restrito, portanto dizia “olha, eu posso entrar aqui. Posso fazer isso e tentar aquilo”. Rain é uam das minhas partes de bateria favoritas, e acho que é a primeira vez que toquei aquele acento no chimbal (pontuações “abertas”). E o que me ajudou a fazer isso, meus queridos bateristas, é que nasci canhoto. Escrevo com a direita, mas quando qualquer coisa que exija esforço físico, uso a esquerda. Logo, sou um cara canhoto com uma bateria para destros. Não consigo fazer rufos por toda a bateria; é impossível para mim começar na caixa, ir para o tom-tom de cima e depois para o surdo. Não consigo dar a volta na bateria dessa forma. Tenho que começar no surdo e ir para cima, e aqueles acentos no chimbal eram coisas que usava para me dar espaço e poder chegar a algum lugar, para que eu pudesse fazer minhas mão trabalharem e fazer com que meus braços se movessem pelos tambores.

“I’LL BE BACK”
MD: Me enlouqueceu escutar a versão em valsa de ‘’I'l Be Back", depois de estar familiarizado apenas com a versão final dela.
RINGO: Não estou tocando uma valsa, estou tocando quatros. A ideia que tínhamos era que se eles tocavam uma valsa, eu tocava 4/4. Se eu mudasse e começasse a tocar valsa, eles continuariam em 4/4.
MD: Na versão do Anthology, John tem dificuldade para cantá-la.
RINGO: Ele se perdia muitas vezes. Por isso resolvemos simplifica-la, facilitar as coisas para o volcalista; afinal de contas, foi ele que a escreveu. Tentávamos muitas coisas diferentes, mas éramos guiados pelo compositor. Ele achou impossível faze-la da maneira original, portanto nós a mudamos.
MD: De acordo com a documentação, mudou para a maneira que escutamos no máster já na segunda tomada.
RINGO: Mas essa metamorfose pode ter durado mais de duas horas. Nós provavelmente não dissemos simplesmente “ora, vamos fazer assim”. Provavelmente fizemos algumas tomadas antes de George Martin apertar o botão. A coisa mais divertida de escutar as gravações dos Anthology é que se pode escutar os erros que cometíamos: “Eu não consigo tocar isso”, “Meus dedos não conseguem fazer isso”, “Não sei o que aconteceu”, “Onde é mesmo que eu entro?”. Há poucos diálogos em que apareço, porque eu nunca tive um microfone para vocais. Eles gritavam uns com os outros e comigo através dos microfones de vocal. O microfone da bateria não captava direito a minha voz. Não há muitas conversas onde apareço por causa disso. Entretanto, eu sempre ouvia as discussões dos outros. Uma canção simplesmente de desenvolvia, pois essa é a natureza da música. “Esta é uma ótima idéia, vamos começar com isso”, e depois se tornava uma idéia ainda melhor. Algumas vezes, voltávamos à idéia original. Outra coisa que muitas vezes acontecia no estúdio era que queríamos fazer uma faixa de uma certa forma, e fazíamos uma tomada atrás da outra. Se desse certo, parávamos e íamos tomar uma xícara de chá. Voltávamos e a fazíamos exatamente da mesma forma, e de repente, funcionava perfeitamente. É difícil de explicar. Nos afastando dos Beatles por um isntante, o melhor exemplo disso foi quando gravei “Take 54” com Harry Nilsson e Richad Perry na Inglaterra. Tínhamos feito 53 tomadas que não haviam funcionado. Quando chegamos na tomada 54, dissemos, “esta tem que funcionar: é o nome da canção!” E foi uma merda.

RINGO STARR - CAPA DA ROLLING STONE - ABRIL/2015

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A matéria original sobre Ringo na capa da Rolling Stone, foi publicada em 16 de abril e trazia apenas o trecho que estava disponibilizado no site. Agora, pela primeira vez, a gente confere a matéria inteira, na íntegra. Happy Birthday, Mr. Ringo Starr!
A edição 104 da Rolling Stone Brasil, que chegou às bancas no dia 15 de abril, traz na capa o nosso querido Ringo Starr que vive o melhor momento de sua carreira solo iniciada há 45 anos. Em uma entrevista aprofundada e sensível, Ringo fala sobre as mortes de John Lennon e George Harrison, da vida na estrada atualmente, da relação por vezes tumultuada com Paul McCartney e até do que poderia ter ocorrido com o Fab Four caso todos os integrantes estivessem vivos. “A volta dos Beatles teria sido possível”, declara Ringo. Aqui, a gente confere um “trechinho”. 
Existem algumas coisas em que Ringo Starr acredita piamente. “Se você está em uma ilha deserta e há cocos nela, consegue sobreviver.” Ele não consegue responder a determinadas perguntas. “Taxman” foi gravada em quatro ou oito canais? “Pergunte a quem sabe. Só sei que estou nela.” E há momentos em que Ringo pode se mostrar bastante mordaz. “Jantei com ele recentemente em Los Angeles, com Dave Grohl e nossas esposas”, conta Paul McCartney. “Sei que Ringo está sóbrio há anos, então brinquei: ‘Qual é, Ringo, toma um uísque’. Ele me olhou por um segundo e disse: ‘Por que, para acabar parecido com você?’ Mereci.” O nome verdadeiro dele é Richard Starkey. A esposa, Barbara Bach (os dois estão juntos há 34 anos), o chama de Ritchie. Ele tem 74 anos. É um dos maiores bateristas do rock e, mesmo que não tenha os dons de composição dos outros Beatles, é um dos mais importantes artistas da história da civilização ocidental. Pense nisso: se você tem entre 20 e 80 anos e alguém menciona Ringo, o que você faz? Se não é Hitler, começa a sorrir. E se você é pai, agradece a Ringo pelos três minutos de serenidade que “Yellow Submarine” traz a cada moleque chorão de 4 anos. Ele consegue trabalhar alto – batucando ao fundo para John, Paul e George. Consegue trabalhar baixinho – em uma noite de quarta-feira para uma plateia idosa em Fort Pierce, Flórida, tocando “Rosanna”, do Toto. Ringo levará seu show à cidade de Cleveland em 18 de abril para um tipo diferente de evento, quando será induzido ao Hall da Fama do Rock and Roll como artista solo. McCartney fará o discurso. Haverá os elogios de sempre, mas provavelmente pouca conversa sobre Ringo como um artista torturado, caso de tantos outros homenageados. Esse não é Ringo, mesmo que ele tenha sobrevivido ao alcoolismo, crescido sem pai nem vaso sanitário e passado dois anos com tuberculose em um sanatório. “Sempre achei que tive uma ótima infância”, ele diz com uma risada, quando relembra o fato de que a mãe pegava dois ônibus e uma balsa pelo rio Mersey, no norte da Inglaterra, para visitá-lo uma vez por semana. “Então, um terapeuta me disse: ‘Bom, na verdade, soa como se você tivesse sido abandonado e morado em uma favela’.” O riso como o melhor remédio faz sentido para ele.
Ringo é magro como o Gollum de O Senhor dos Anéis e parece mais jovem que o filho dele, Zak, que toca bateria no The Who – provavelmente porque a dieta de Zak não consiste apenas de verduras, sucos e batata assada. “Toda vez que vejo Ringo, ele tem cheiro de couve”, brinca Joe Walsh, guitarrista do Eagles e cunhado do ex-beatle. “Não quero soar piegas, mas todos tivemos uma vida difícil”, diz McCartney. “Todos nós, exceto George, perdemos alguém. Perdi minha mãe aos 14 anos, John perdeu a dele, mas com Ringo foi pior. O pai dele sumiu; ele era tão doente que falaram para a mãe dele que não viveria. Imagine criar sua vida a partir disso, naquele ambiente. Sem família, sem escola. Ele teve de se reinventar. Todos tivemos de formar um escudo, mas Ringo formou o mais forte.” Parte desse escudo era fazer papel de bobo; outra parte foi a bebida. Isso levou a uma década perdida de festas em Los Angeles, Londres, Monte Carlo. Ele está sóbrio há 26 anos, mas existe uma coisa essencial que o mantém são e jovem: as baquetas e a bateria. “Toco com qualquer outro músico a noite inteira, mas não consigo fazer isso sozinho”, Ringo me diz enquanto nos dirigimos para o que ele estima ser algo entre o 800º e o 900º show da All Starr Band, em Fort Pierce. “Não vejo alegria em sentar ali sozinho.” Todd Rundgren, amigo e colega de banda, acrescenta: “Ele sempre toca com um segundo baterista. Acho que foi reconfortante nas primeiras turnês solo, mas agora é um hábito”.
Ringo é filho único. Perdeu os dois irmãos postiços – Lennon e Harrison – e seu melhor amigo, o cantor e compositor Harry Nilsson, muito precocemente. Viu a carreira solo ascender incrivelmente – sete participações no Top 10 entre 1971 e 1975 – e depois cair no esquecimento. Agora, atingiu um ritmo confortável em seus anos dourados com uma banda que incluiu de Billy Preston a Levon Helm. E Ringo ainda está aqui, com uma expressão jovial no rosto por ter durado mais que alguns dos melhores amigos dele. Espontaneamente, três integrantes da atual formação da All Starr Band me dizem a mesma frase com espanto feliz: “Ringo Starr é a porra de um beatle”. Sendo assim, as coisas são feitas de um jeito um pouco diferente. Na ocasião do nosso primeiro encontro, recebo um chamado para conversar rapidamente com Ringo no aeroporto da cidade de Van Nuys, Califórnia, antes de a banda partir para uma turnê que a levaria a Birmingham, Alabama, República Dominicana, Sarasota, Flórida e, recentemente, ao Brasil. Estou esperando no lobby quando recebo uma mensagem de texto urgente do empresário da turnê: “Só um lembrete, Ringo não dá apertos de mão. Cumprimenta com o cotovelo”. É uma questão com germes.
Ringo chega: é pequeno como um jóquei, talvez com 1,65 m e 54 kg. Batemos cotovelos. Brinco que esta deve ser sua milionésima entrevista. Ele sorri. “Talvez a bilionésima. Passei da marca dos milhões nos anos 1960.” Ele me olha um pouco sem entender (a equipe de Ringo pode não querer sobrecarregá-lo com detalhes; eles insistem que o músico ficaria feliz em bater um papo rápido e pular toda a “chatice” que o processo de uma reportagem de capa envolve). “Diga, por que você está aqui? Você veio para falar comigo por 15 minutos?” Balança a cabeça, para por um momento e faz uma piada: “‘Quinze Minutos no Aeroporto’ – parece o título de um romance”. Ringo afunda na cadeira e se reanima quando começa a falar sobre a banda. Aponta para um jatinho Gulfstream GIV. “A esta altura, só fazemos isso com luxo – avião particular e os melhores hotéis.” A All Starr Band existe há um quarto de século e, normalmente, Ringo muda a formação a cada ano. Esta formação está junta há três anos. Há uma exigência obrigatória: é preciso ter feito parte de uma banda com ao menos três singles de sucesso. Assim, o baterista consegue aumentar a ilusão de que é apenas mais um e só precisa ser o líder durante um terço do show. “Toda vez que digo ‘Esta é a última turnê deles’, acaba acrescentando mais shows”, conta Ringo. Alguém entra e diz que o avião está abastecido e pronto para decolar. Ele me agradece por não ter começado com perguntas sobre os Beatles e vai para a sala onde a banda o aguarda.

Ringo não poupa detaIhes sobre sua recuperação do vício em álcool. Ele e Barbara entraram jun­tos na reabilitação em 1988. Pergunto o que fi­nalmente o fez querer ficar sóbrio. 'A coisa fica muito solitária, sabe?', explica. “E muito frio e solitário. É uma doença mise­rável, no final. Há uma multidão ao seu redor e você está solitário. Porque tudo o que está fazendo é se detonar, entende?” Nos anos 1970, Ringo se encontrava em um lugar estranho e isolado na cultu­ra pop. Com a separação dos Beatles, as expectativas sobre o baterista eram mi­núsculas, mas ele conseguiu vários hits, frequentemente colaborando com Lennon e Harrison. Havia no trabalho dele um senso de humor dissimulado que não exis­tia na produção solo dos ex-companheiros de banda e uma audácia em músicas como “No No Song", um hit antidrogas gravado ironicamente enquanto ele ia a todas as baladas possíveis. Fazer Ringo falar sobre o Fab Four é com­plicado. Ele diz que nunca escreverá uma autobiografia, porque todos só querem ler sobre fofocas da época dos Beatles e não pretende alimentar isso. Mesmo assim, os fãs não vão ao show da All Sturr Band para ouvir covers de bandas como Toto: eles vão para escutar “Yellow Submarine" e “With a Little Help from My Friends". Ringo sabe disso e não tem medo de minar a nostalgia a seu próprio modo. O novo álbum dele é chamado Postcards from Paradise, uma referencia aos cartões-postais que recebia dos outros Beatles quando estavam de fé­rias. A faixa-titulo é essencialmente uma lista de nomes de músicas dos Beatles que Ringo escreveu em um envelope e deu a Todd Rundgren, junto com uma faixa de­mo, para formar uma música. Mas até Walsh, o cunhado astro do rock de Ringo, é cauteloso ao mencionar a anti­ga banda. “Faço algumas perguntas técni­cas - como ‘Que guitarra George usou nes­sa faixa?'”, conta. “Mas é melhor quando você relaxa e deixa que ele próprio traga o assunto. Valorizo esses momentos." Seguindo o conselho de Walsh, quan­to menos pergunto sobre os Beatles, mais Ringo fala sobre eles. O baterista se or­gulha de nunca ter perdido uma deixa no estúdio, sentado na bateria com uma xí­cara de chá esperando os outros dizerem o que tocariam em seguida, mas, às vezes, se percebia isolado. Durante as sessões de The Beatles (1968), o chamado Álbum Branco, ele não se sentiu bem. "Fui falar com o John", conta. “Bati na porta e disse: ‘Olha, acho que não estou tocando muito bem e sinto que vocês três estão muito próximos'. Ele disse: 'Achei que eram vocês três’. Fui até o Paul e falei a mesma coisa: ‘Acho que náo estou tocan­do muito bem e sinto que vocês três estão muito próximos'. Ele respondeu: 'Achei que eram vocês três!’ Pensei: ‘Que se dane, es­tou fora. É maluquice demais'.” Ringo ficou uns dez dias distante, pas­seando em Sardenha com os filhos e rela­xando no barco de Peter Sellers. Certo dia, pediu peixe com batata frita, mas a tripu­lação trouxe lula. Então, Ringo começou a perguntar ao capitão sobre polvos e ouviu que eles gostavam de ficar no chão do ocea­no e construir um jardim com objetos bri­lhantes (referência que serviu para a canção “Octopus’s Garden", ‘Jardim do Polvo", em português). Quando Ringo voltou, Harrison tinha coberto a bateria com flores, A banda aca­bou dois anos depois, em 1970. Com as mortes de John e George, Paul e Ringo seguiram em frente. Eles tem uma relação que, às vezes, é difícil. “É como família", afirma McCartney. “Às vezes ficamos loucos um com o outro. Que­ro algo dele e de não me dá, então fico bra­vo. mas passa. Irmãos brigam. Há esta his­toria revisionista de que era tudo em tomo de John e Paul, mas eram quatro cantos de um quadrado; não teria funcionado sem um dos lados.”

“Paul disse que fará o discurso do Hall da Fama” diz Ringo. Em seguida, ele fala com uma sagacidade britânica seca: ‘Acho que só estou fazendo isso para Paul sair à noi­te. Ele gosta de se manter ocupado". Ringo para de falar, antes de ficar sério. “Só que o outro lado dessa moeda é que não teríamos feito tantos discos se não fosse por Paul. John e eu morávamos muito perto um do outro e podíamos ficar preguiçosos. Paul ligava; ‘Oi, rapazes, é hora de voltar ao es­túdio'. Então, precisamos agradecê-lo por haver 12 discos." 
Falta uma hora para o show em Fort Pierce, e ele está com a banda na área do bufê do teatro. Isso não te­ria acontecido no início da All Starr Band. Para evitar a tentação, Ringo e Barbara entravam em um carro imediatamente depois do show, voltavam ao hotel e passavam o tempo ven­do TV e tomando sorvete. Metade da ban­da estava em recuperação e procurava reu­niões dos Alcoólicos Anônimos. Faziam uma nos bastidores se não conseguissem encontrar, enquanto os outros membros mantinham seus rituais pré-show mais tradicionais. Agora, ele está perto da mesa de jantar, tirando sarro de seu estilo de to­car na era Beatles. ‘Sabe aquilo que faço em The End’, do Abbey Rond?’, pergunta. Ele começa a batu­car na mesa. Ringo sorri. "Não tenho ideia de como fazer isso. Nunca mais conseguiria fazer." Parece triunfante. “Não consigo!" McCartney diz que isso não importa. Ele lembra que o primeiro show dos Beatles com Ringo, em 1962, no Cevern Club, em Liverpool, foi quando eles se tornaram uma banda de verdade. "Nos primeiros minutos em que Ringo tocou, olhei para George à esquerda e para John à direita e não falamos nada, mas me lembro de pensar "Caramba, isto e incrí­vel”, ele conta. McCartney  faz uma pau­as e dá um exemplo nada político. "Olha, amo o Led Zeppelin, mas você os vê tocar e observa que olhavam para John Bonham tipo: ‘Que diabos você está fazen­do? Esta é a batida’. Você podia olhar para Ringo e nunca ter de se preocupar. Ele transmitia segurança e você sabia que acertaria em cheio.” Ouso perguntar o quão de saco cheio ele se sen­te em ter de responder a perguntas sobre oito anos de sua vida que já se pas­saram há meio século. Ele suspira com uma bufada de resignação, mas sabe que não há como esca­par. “Tive uma vida antes de entrar para a banda e com certeza tive uma vi­da depois daquilo, mas... é como você, não dá para evitar me perguntar sobre os Beatles. Você precisa fazer isso. Eu entendo." Provavelmente é a melhor atitude para se ter. Há alguns anos, Ringo e Barbara estavam de férias em uma cídadezinha na Índia. Sairam para andar e, de repente, crianças indianas com álbuns dos Beatles nas mãos os cercaram. Não há como es­capar daqueles anos, não importa aonde Ringo vá. Um assistente traz o jantar. É uma mon­tanha de brócolis e meia batata assada. Ringo sorri e pede que esvaziem a sala. “Ok, podem ir." Ringo janta sozinho.
HAPPY BIRTHDAY RINGO!!!