sexta-feira, 20 de setembro de 2019

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

THE BEATLES - POLYTHENE PAM - SENSACIONAL!!!*****

Nenhum comentário:

"Você devia ver a Polythene Pam. É bonitinha, mas se parece com um homem. Você devia vê-la travestida, usando uma bolsa de plástico. É, você devia ver a Polythene Pam. Yeah, yeah, yeah". Uma das curiosidades mais bacanas de "
Polythene Pam" é que os Beatles voltam a se utilizar dos famosos "yeah, yeah, yeahs" como nos bons tempos.
“Polythene Pam” é a 6ª música do lado 2 do LP E 12ª do CD. Foi composta por John Lennon, é creditada a Lennon e McCartney, e é a quarta música da seqüencia do medley que vai até o fim de Abbey Road. Os Beatles a gravaram em julho de 1969 como uma peça contínua com "She Came In Through the Bathroom Window", a seguinte. Tal e qual “Mr. Mustard”, Lennon compôs "Polythene Pam" durante a temporada dos Beatles na Índia em 1968  e também foi gravada por eles como uma demo em Kinfauns, Esher, na casa de George Harrison. Essa gravação foi lançada mais tarde no Anthology 3 e na edição super deluxe de 2018 do Álbum Branco. Em The Beatles Anthology, Lennon também descartou a música, junto com Mean Mr. Mustard - "um pouco de porcaria que escrevi na Índia".
Apesar que John Lennon inicialmente tenha insistido que “Polythene Pam” era sobre “uma vadia mítica de Liverpool vestida com botas de cano alto e kilt”, na verdade a canção se baseou em duas pessoas que ele conheceu. O nome veio de uma garota - Pat Hodgetts (posteriormente Dawson), parte do círculo original de fãs que conheciam bem o grupo na época do Cavern Club. Ela tinha o estranho hábito de mascar polietileno e, assim, tomou-se conhecida entre eles como Polythene Pat. “Eu comecei a ir ver os Beatles em 1961, com 14 anos, e fiquei bem amiga deles”, lembra ela. “Quando tocavam fora da cidade, me davam carona de volta na van. Foi nessa época que começaram a me chamar de Polythene Pat. É meio constrangedor. É que eu comia plástico o tempo todo. Eu dava uns nós e comia. E depois arrumei um amigo que trabalhava numa fábrica de bolsas de plástico, o que era maravilhoso porque assim eu tinha suprimento constante”. Mas Polythene Pat nunca se vestiu com um saco plástico, como dizia a canção. Essa pequena excentricidade veio de outro incidente envolvendo uma moça chamada Stephanie, que John conhecera nas Ilhas do Canal durante uma turnê em agosto de 1963. E sobre essa história, a gente confere um pedacinho do livro de Steve Turner – A História por Trás de Todas as Canções”.

Embora não a tenha identificado pelo nome na entrevista da Playboy em 1980, Lennon deu algumas pistas. “‘Polythene Pam” era eu me lembrando de uma situação com uma mulher em Jersey, e de um homem que era a resposta inglesa a Allen Ginsberg, que nos apresentou a certas coisas”.
A tal resposta inglesa ao poeta beat americano Ginsberg era Royston Ellis, que havia conhecido os Beatles em junho de 1960 ao ser convidado para recitar poesia em um festival das artes na Universidade de Liverpool, e a coisa a que ele apresentou a banda foi benzedrina, a primeira droga de que tomaram conhecimento. A “situação com uma mulher”, como John a descrevera, não aconteceu em Jersey, mas em Guernsey, quando ele se encontrou com Ellis, que nessa época trabalhava na ilha durante o verão como engenheiro da balsa.
Após o show dos Beatles em 8 de agosto no Auditorium de Guernsey, Ellis e sua namorada, Stephanie, levaram John para o apartamento no sótão que o poeta alugava. Foi ali que o plástico entrou na história. “Ellis disse que Miss X, a garota que ele queria que eu conhecesse, vestia sacos plásticos”, lembraria John mais tarde. “Vestia mesmo. Ela não usava botas de cano alto nem kilt. Eu meio que inventei. Sexo pervertido num saco plástico! Eu estava só procurando algo sobre o que falar”.

Ellis, que vive hoje no Sri Lanka e escreve guias de viagem, não se recorda de nenhum “sexo pervertido”, mas se lembra da noite passada na cama com John e Stephanie. “Líamos essas coisas todas sobre couro e nenhum de nós estava usando couro, mas eu estava com a minha roupa de oleado e nós tínhamos uns sacos plásticos de algum lugar. Nós todos nos vestimos com eles e os usamos na cama. John passou a noite conosco, na mesma cama. Eu acho que não aconteceu nada de muito excitante e todos ficamos pensando qual era a graça de ser safados’. Isso provavelmente foi mais ideia minha que do John”, diz ele. Pouco depois de apresentar John às delícias do plástico, Ellis foi embora da Inglaterra e, desde então, passa a maior pane do tempo viajando. Tomou-se tão afastado da cena pop britânica que nunca tinha sequer escurado "Polythene Pam”. Ele se lembra com algum orgulho, no entanto, de que, em 1973, John escreveu ao jornal alternativo International Times para corrigj-locs sobre as circunstâncias da primeira experiência dos Beatles com drogas. "O primeiro barato, por meio de um inalador de benzedrina, foi dado aos Beatles (John, George, Paul e Stu) pela versão inglesa de Allen Giiuberg — um certo Royston Ellis, conhecido como ‘poeta beat’, Portanto vamos dar nome ao santo", disse John Lennon.
A faixa básica de "Polythene Pam" e "She Came in Through the Bathroom Window" foi gravada no Estuido 2 da EMI em Abbey Road, no dia 25 de julho de 1969. A formação era Lennon no violão de 12 cordas, Harrison no violão, Paul McCartney no baixo e Ringo Starr na bateria. Lennon cantou um vocal de guia fora do microfone em sua música, enquanto McCartney fez o mesmo em "She Came In Through the Bathroom Window". Durante o solo de guitarra em "Polythene Pam", Lennon gritou palavras de encorajamento "Fab! That's great! Real good, that. Real good ..." ("Fab! Isso é ótimo! Muito bom, isso. Muito bom"), algumas das quais apareceram na edição final. Na postagem de "Sun King", na parte do texto do livro de Geoff Emerick, em certo ponto eu disse que a partir dali já era outra parte da história e que a gente ia conferir quando fosse a hora certa. Essa hora é agora:
John estava realmente de bom humor durante toda a sessão de “Sun King”, eu podia ver que ele estava um pouco mais solto, um pouco mais recuperado de seus feri­mentos, e muito menos preocupado com Yoko, que já não estiva deitada na cama. O clima era tão bom que, dessa vez, Paul foi convidado por John para par­ticipar de ambas as músicas, o que pareceu levantar muito o ânimo dele. Eles ainda desapareceram um tempo por trás dos abafadores em certo ponto para fumar um baseado, apenas os dois, e quando voltaram estavam tendo um ataque de riso enquanto cantavam a baboseira pseudo espanhola; na verdade, eles descobriram que era impossível fazer um take sequer sem cair na gargalhada. As coisas não foram assim tão agradáveis quando voltamos na semana se­guinte para enfrentar “Polythene Pam”, de John, que se juntou com “She came in through the bathroom window”, de Paul, uma depois da outra. John estava descontente com a bateria de Ringo e comentou acidamente que ela “soava como Dave Clark”, o que claramente não era um elogio. Ele estava tão impa­ciente com a inabilidade de Ringo de conseguir uma execução adequada que ele finalmente disse: “Deixa para lá, vamos gravar assim mesmo”. Mas Ringo ficou tão chateado por John estar descontente com sua bateria que ele passou boa parte do tempo trabalhando nela com Paul, mesmo após a base ter sido feito. Finalmente, ele disse a John: “Por que não gravamos a base de novo? Acho que tenho algo que você vai gostar agora”, mas Lennon se recusou. “Eu não vou tocar a droga da música de novo, Ringo. Se você quiser refa­zer a bateria, vá em frente e faça um overdub!”. Naquela noite, Ringo fez exatamente isso. Felizmente estávamos trabalhan­do em oito canais, então eu pude gravar a nova faixa sem apagar a antiga. Foram necessárias muitas horas para fazer, mas Ringo finalmente conseguiu, tocando a nova parte da bateria do início ao fim, sem perder o ritmo... e naquele tempo não tínhamos faixas de clique, então sua única referência era a faixa de bateria original, que nós mandamos para ele através dos fones de ouvido. Apesar de todo o tumulto, aquelas eram faixas divertidas de se gravar, e no conjunto ficou excelente. Sentado na sala de controle do Studio Two, comentei com George Martin que o som parecia dos velhos Beatles, com os quatro to­cando juntos como a banda de 1963.“Você está certo”, disse George sarcastica­mente. “Não dá nem para perceber que um não suporta o outro”.
Os Beatles fizeram overdubs na faixa em 28 de julho, embora muitas dessas contribuições, como piano e piano elétrico, tenham sido cortadas mais tarde. A gravação foi concluída em 30 de julho, quando foram gravados os overdubs finais de vocal, violão e percussão. Isso incluiu uma segunda parte de guitarra de Harrison, tocando as notas descendentes (acompanhando o falado de Lennon "Oh, Look out!” (Ô, atenção!), no início de "She Came In Through the Bathroom Window". "Polythene Pam" foi produzida por George Martin, com os engenheiros Geoff Emerick e Phil McDonald. John Lennon faz os vocais, toca violão de 12 cordas, guitarra rítmica e bate palmas; Paul McCartney faz backing vocals, toca baixo, guitarra, piano e piano elétrico. George Harrison faz backing vocals e toca guitarra e Ringo Starr toca bateria, pandeiro e percussão.
Esse corte seco nesse último vídeo aí de cima, é de lascar o cano!!! Assim, como foi dito em "Mean Mr. Mustard", é impossível separar as músicas do medley, então novamente nesta e nas seguintes, a gente confere também o medley completo a partir de "You Never Give Your Money", da forma como foi planejado inicialmente - com "Her Majesty" entre "Mean Mr. Mustard" e "Polythene Pam" até terminar com "The End".

A próxima é "She Came In Through the Bathroom Window". Fique de olho para não perder e deixe seus comentários. Valeu, até lá!

"OVERDUB" - O QUE É ISSO?

Nenhum comentário:

Durante todas essas postagens sobre todas as músicas de Abbey Road, a gente tem ouvido muito falar em "Overdub". Mas, afinal, o que é isso? O processo de produção em estúdio sofreu diversas modificações ao longo da história da indústria fonográfica, estando intimamente ligado ao desenvolvimento das tecnologias de produção e reprodução do som. Inicialmente, este processo consistia no mero registro de uma performance. As possibilidades de manipulação do material gravado praticamente não existiam e o resultado final dependia, em última análise, da capacidade dos músicos e cantores de realizar uma boa performance.
Com o surgimento da fita magnética, o processo de gravação foi se tornando cada vez mais dependente de operações realizadas após o registro do som. Em primeiro lugar, permitiu que se fizessem edições de gravações realizadas em diferentes momentos, selecionando os melhores trechos de cada take, para montar a versão definitiva. O próximo passo foi dado pelo surgimento do overdub – ou overdubbing –, técnica que possibilita gravar um novo material, ao mesmo tempo que se ouve (sem apagar) o material já gravado.
Em seguida vieram os gravadores multipistas, ou multitrack, que permitem que cada instrumento seja gravado independentemente. Esta técnica ofereceu uma grande flexibilidade ao processo de produção, possibilitando que várias decisões, antes tomadas durante a gravação, pudessem ser adiadas para outras fases do processo: a edição, a mixagem e a masterização. Hoje a produção em estúdio se dá através de cinco fases bem definidas: pré-produção, gravação, edição, mixagem e masterização, realizadas através do trabalho conjunto de uma equipe de profissionais – produtores, cantores, instrumentistas, arranjadores, técnicos e engenheiros de som.
A gravação em Overdub surgiu como uma conseqüência da possibilidade de se realizar gravações adicionais sobre um material já gravado. A técnica – criada por Les Paul, em torno de 1950 – revolucionou o processo de produção em estúdio, definindo suas diversas fases. Agora, não era mais necessário que os músicos estivessem juntos em um mesmo ambiente para que a música fosse gravada. Agora era possível captar múltiplos takes tocados pelos mesmos músicos. Músicos e instrumentos podiam ser gravados separadamente, em momentos diferentes e em ambientes sonoros diferentes”. O controle individual sobre cada uma das partes gravadas é muito maior e podem-se realizar edições, processamentos e adição de efeitos para cada trilha considerada individualmente, bem como substituir partes já gravadas ou adicionar novas partes ao arranjo. A gravação em overdub é a mais utilizada na indústria fonográfica, especialmente na música pop, rock e música popular em geral. Embora ao término da gravação muitas decisões referentes ao resultado final já tenham sido tomadas, é comum se gravar várias versões de um mesmo instrumento ou voz, ou mesmo versões alternativas de partes instrumentais e vocais específicas, que poderão estar ou não presentes na edição final.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

THE BEATLES - MEAN MR. MUSTARD - SENSACIONAL!!! *****

2 comentários:

“Sun King” se liga a “Mean Mr. Mustard”, que se mistura com “Polythene Pam”, e assim por diante até o fim de Abbey Road. Para muitos, “Mr. Mustard”, juntamente com “Hammer” e “Octopus” – do lado 1, é uma das mais divertidas e descontraídas do disco. Para o autor Hunter Davies (o “biógrafo oficial” dos Beatles) o medley não passa de 'encheção de linguiça': “Essas pequenas faixas estão conectadas assim porque são fragmentos, pedaços de músicas incompletas, embriões, que não eram boas o bastante, ou ninguém estava disposto para elaborá-las como músicas crescidas, totalmente emplumadas”.

"Mean Mr. Mustard" - o ‘Mesquinho’, o ‘Malvado’, o ‘Desprezível’ Mr. Mustard - é uma música dos Beatles do álbum Abbey Road, lançado em 26 de janeiro de 1969. Composta por John Lennon durante a temporada que os Beatles estavam na Índia, é creditada a Lennon e McCartney, e é a quinta na sequência do lado 2 do álbum (LP) e a terceira do medley. Como foi dito na postagem de “Sun King”, as duas foram gravadas juntas como uma peça contínua.

John Lennon disse que a música foi inspirada em uma matéria de jornal sobre um homem velho e avarento que escondia todo seu dinheiro sempre que podia para impedir que as pessoas o obrigassem a gastá-lo. John admitiu ter inventado o verso sobre enfiar uma nota de 10 xelins no nariz (“Keeps a ten bob note bob up his nose”) e declarou não ter absoluta­mente nada a ver com cheirar cocaína.
A referência a um “dirty old man” no último verso pode ser alusão ao personagem Albert Steptoe em “Steptoe & Son” (1962-1974), uma comédia apresentada pela BBC TV. O filho de Steptoe, Harold sempre o chamava de “YOU DIRTY OLD MAN”. A expressão se tornou um bordão no Reino Unido na mes­ma época que Wilfrid Brambell, o ator que interpretava Steptoe, aceitou o papel de avô de Paul em A Hard Day s Night (isso explicaria as muitas referências no filme ao fato de o avô de Paul estar “muito limpo”).

Uma versão demo de "Mr. Mustard" foi gravada em maio de 1968 em Kinfauns, casa de George Harrison em Esher. Aparece no Anthology 3. Nesta versão, o “Sr. Mustard” tem uma irmã que se chama “Shirley”. Quando estavam gravando o álbum, Lennon mudou para "Pam" quando percebeu que facilitaria o link com a próxima música - "Polythene Pam". Durante o desenvolvimento do longo medley, "Her Majesty" foi originalmente incluída entre Mean Mr. Mustard e Polythene Pam, antes de Paul McCartney decidir que assim, a sequência não funcionava. No entanto, desde que “Her Majesty" foi movida para o final do álbum, "Mustard" foi editada com "Polythene Pam" e, portanto, a nota final de "Mustard", passou a ser a inicial de "Her Majesty", uma faixa autônoma na conclusão do álbum. Essa versão de "Mr. Mustard" (com seu final limpo original), até alguns anos só podia ser ouvida na trilha sonora do game “The Beatles: Rock Band” (que já esteve aqui para download).
"Mean Mr. Mustard" foi gravada nos dias 24, 25, e 29 de julho de 1969. Foi produzida por George Martin, que teve como engenheiros Geoff Emerick e Phil McDonald. John Lennon canta, toca guitarra, piano e maracas; Paul McCartney faz backing vocals e toca baixo fuzz; George Harrison toca a guitarra principal e Ringo Starr toca bateria e pandeiro. E eu, toco a bola pra frente que lá vem gente! Como já foi dito, a próxima é outra de John Lennon, "Polythene Pam", que o tempo tornou irmã de Mr. Mustard. Valeu.  Deixe seus comentários e até!

De "Mean Mr. Mustard" em diante, é praticamente impossível separar as músicas do medley. Por isso, nesta e em todas as seguintes, a gente confere também o medley completo a partir de "You Never Give Your Money", da forma como foi planejado inicialmente - com "Her Majesty" entre "Mean Mr. Mustard" e "Polythene Pam".

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

THE BEATLES - SUN KING - SENSACIONAL!!! **********

2 comentários:

Agora estamos bem adiantados no lado 2 de Abbey Road e daqui até o fim, são todas peças curtas que se vão se fundindo em um fantástico amálgama - o famoso "medley".
"Sun King" é a quarta música do lado 2, atrás de “You Never Give Me Your Money” e antes de "Mean Mr. Mustard". Foi gravada em Abbey Road, nos dias 24, 25, 29 de julho 1969 – faltava 2 meses para o lançamento do álbum. Foi produzida por George Martin que teve como engenheiros Geoff Emerick e Phil McDonald. Os quatro Beatles participaram da gravação que também teve George Martin tocando um órgão de Lowrey. John Lennon faz os vocais, toca guitarra e maracas; Paul McCartney faz os vocais de harmonia, toca baixo, harmônio, piano e loops de fita; George Harrison faz os vocais de harmonia e toca guitarra e Ringo Starr toca sua bateria, bongô e pandeiro.
Assim como "Being For The Benefit Of Mr Kite!" e tantas outras, a opinião de John Lennon sobre "Sun King" mudaria com o passar dos anos, mas, como quase sempre, de boa para ruim. Em 1971, ele se referiu a ela como algo que tinha surgido para ele em um sonho, deixando implícito que se tratava de uma grande inspiração. Em 1980, ele a reavaliou como mais um "lixo". A ideia da música surgiu para John Lennon após a leitura de uma biografia sobre o Rei-Sol (Sun-King) Luís XIV da França, que reinou de 1643 a 1715 escrita por Nancy Mitford , e pode ter sido com ele que John sonhou que um Rei entrava em seu palácio e encontrava todos os seus convidados rindo felizes – Everybody is Happy.
A letra é simples e curta e inicia quase com os mesmos dizeres de "Here Comes the Sun" de George Harrison, inclusive o nome inicial era para ser "Here Comes the Sun King" encurtada em seguida para "Sun King" para não haver confusão.
O trecho final da letra mistura palavras em inglês, espanhol, italiano, e algumas inventadas por John, formando frases sem nenhum sentido — "paparazzi", "abrigado", "para-sol", "mi amore". Mais uma vez, como fizeram em "Because", os três, John, Paul e George, cantam em uníssono.

Aqui, a gente confere mais um pedacinho do livro de Geoff Emerick – Minha Vida Gravando os Beatles“Poucos dias depois fizemos as bases de “Here comes the sun king” e “Mean Mr. Mustard”, de Lennon, ambas gravadas juntas em uma única passagem. Há um pequeno intervalo entre as duas canções, então elas poderiam facilmente ter sido gravadas separadamente, mas sabendo de antemão que seriam sequenciadas naquela ordem, John tomou a decisão de tocá-las ambas de uma só vez, tornan­do aquilo um desafio para a musicalidade da banda. Mas eles conseguiram — foi realmente um esforço de grupo, e todos os quatro Beatles tocaram com energia e entusiasmo, cada um dando sua contribuição única para o som e o arranjo. Até Ringo surgiu com uma ideia firme, cobrindo seus tom-tons com pesadas toa­lhas de chá e tocando-os com batedores de tímpano, a fim de dar a John o som de “tambor de selva” que ele estava procurando. John estava realmente de bom humor durante toda a sessão. Eu podia ver que ele estava um pouco mais solto, um pouco mais recuperado de seus feri­mentos, e muito menos preocupado com Yoko, que já não estava deitada na cama, embora esta permanecesse desfeita em um canto do estúdio, um mudo lembrete da estranheza com a qual tivemos de lidar nas últimas semanas. O clima era tão bom que, dessa vez, Paul foi convidado por John para par­ticipar de ambas as músicas, o que pareceu levantar muito o ânimo dele. Eles ainda desapareceram um tempo por trás dos abafadores em certo ponto para fumar um baseado, apenas os dois, e quando voltaram estavam tendo um ataque de riso enquanto cantavam a baboseira pseudo espanhola do final de “Here co­mes the sun king”; na verdade, eles descobriram que era impossível fazer um take sequer sem cair na gargalhada. As coisas não foram assim tão agradáveis quando voltamos na semana se­guinte para enfrentar “Polythene Pam”, de John, que se juntou com “She came in through the bathroom window”, de Paul, uma depois da outra”. Mas aí já é outra parte da história que a gente vai conferir, quando chegar a vez dela. Certo?

Como outras faixas de Abbey Road, “Sun King” apresenta uma exuberante e multi-controlada harmonia vocal. A música lentamente se desvanece em sons do pântano no final de "You Never Give Me Your Money". No final, a música pára abruptamente e a bateria de Ringo Starr leva para faixa seguinte, "Mean Mr. Mustard". Em uma entrevista em 1987, George Harrison disse que a gravação foi inspirada pela canção "Albatross" da banda Fleetwood Mac. “Sun King”, além de Abbey Road, aparece também em “Love” de 2006, mas com o título e a música ao contrário - “Gnik Nus”, que a gente confere na postagem mais abaixo.

THE BEATLES – GNIK NUS (From ‘LOVE’ Album) - 2006

Um comentário:

“Gnik Nus” é nada mais que “Sun King” em reverse (ao contrário) e à capela num interessante e criativo arranjo e produção de Giles Martin (filho de George Martin) para o sensacional álbum “Love” com a trilha sonora do espetáculo homônimo, lançado em novembro de 2006. Uma sacada absolutamente genial! A letra ficou assim: “Gnik nus eht semoc ereH, gnik nus eht semoc ereH, gnihgual s'ydobyrevE, gnihgual s'ydobyrevE, gnik nus eht semoc ereH”.

FOTO DO DIA - MEU ANÚNCIO PREFERIDO DOS ANOS 70

2 comentários:

Esse anúncio tem uma história curiosa, pelo menos para mim. Ele foi publicado originalmente na contra-capa da revista VIGU (Violão e Guitarra) ESPECIAL Nº 7 em 1977. Totalmente sobre os Beatles (e em bom português), esta revista, na época, valia ouro para qualquer Beatlemaníaco privado de tantas boas e valiosas informações sobre a banda já extinta há sete anos. Coisa raríssima naquele tempo. Eu consegui ter a minha (que ainda guardo os restos mortais até hoje) e contei essa história na postagem "THE BEATLES - O SONHO DE UM GAROTO DE 14 ANOS" - Partes I e II em 2011, numa época em que a minha já estava toda estraçalhada e eu disse que compraria uma outra nova em bom estado pelo preço que fosse (ou algo assim) e para minha surpresa, fui presenteado pelo amigo Júlio Schroeder, de Belo Horizonte com um exemplar bem mais conservado que o meu. Inesquecível!

FLEETWOOD MAC – ALBATROSS - 1968

Um comentário:

"Albatross" é uma música da banda Fleetwood Mac, escrita exclusivamente pelo guitarrista e compositor britânico Peter Green (fundador do Fleetwood Mac), e foi inspirada no poema de 1798, "The Rime of the Ancient Mariner", do poeta inglês Samuel Taylor Coleridge. No poema, um albatroz segue um grupo de marinheiros e lhes dá azar depois que um deles o mata com uma besta.
"Albatross" foi produzida pelo inglês Mike Vernon - que também produziu músicas para vários artistas de renome, de Eric Clapton a David Bowie e Ten Years After - e foi lançada em 22 de novembro de 1968 como um single. Depois, apareceu em alguns álbuns de compilação. "Albatross" foi o primeiro single número 1 da banda no Reino Unido e na Europa. Além disso, esta faixa também liderou as paradas na Holanda. Esta peça teria inspirado a música de 1969 dos Beatles, "Sun King", de acordo com uma entrevista de 1987, o guitarrista George Harrison, dos Beatles, disse que "Albatross" era "o ponto de origem" de "Sun King". Na lista das 100 Maiores Faixas de Guitarra da revista Q, em 2005, "Albatross" ocupa a posição número 37.

sábado, 14 de setembro de 2019

THE BEATLES - YOU NEVER GIVE ME YOUR MONEY*****

3 comentários:

“Klein lentamente, começou a exercer pressão sobre o chefe da EMI, Sir Joseph Lockwood, assinalando que os Beatles efetivamente cumpriram os termos do contrato de 1967 e poderiam decidir se expressar por outros meios se o acordo das gravações musicais não fosse melhorado. Lockwood respondeu que os Beades sabiam o que tinham assinado em 1967 - ‘Eles tiveram um ano para pensar a respeito. Conheciam seus direitos’ - e ‘cumpriram tudo para alegria e satisfação de todos.’ Ele estava disposto a negociar um contrato revisto que beneficiasse ambas as partes. Mas acreditava que os Beatles, por si mesmos, já estavam perfeitamente satisfeitos com o acordo existente: as objeções, sugeriu Lockwood, vinham de Klein e não de seus clientes. Tanto Klein quanto os Beatles entenderam que Lockwood nunca concordaria em melhorar as condições do contrato se o grupo não estivesse mais em atividade. Assim, em parte para provar que ainda existiam, em parte pela força do hábito, os quatro Beatles concordaram em retornar ao ambiente familiar dos estúdios de Abbey Road”. - A Batalha pela alma dos Beatles - pg. 101.
“Em público, a dupla ainda se colocava como uma frente unida. Lennon mais tarde se declarou vigorosamente contra o lendário medley [combinação de canções] que domina o lado 2 do álbum Abbey Road, mas foi o primeiro do grupo a vangloriar-se publicamente da ideia. Na mesma entrevista, revelou que ele e McCartney estavam aproveitando um feroz surto criativo e afirmou que ‘o resultado de todos esses negócios financeiros não importa. Ainda faremos discos, e alguém disputará algum dinheiro e nós disputaremos algum dinheiro, e tudo vai continuar assim mesmo’. McCartney, mais prático, canalizou sua frustração numa canção melodiosa, intitulada You Never Give Me YourMoney (Você nunca me dá seu dinheiro). Rememorando-a em 1996, ele explicou que “a canção não foi dirigida aos outros membros da banda. Eu realmente não sentia que eles eram os culpados. Estávamos como que no mesmo barco, e não foi senão depois de Allen Klein aparecer que realmente nos dividimos e começamos a ter cada um seu próprio advogado, e coisas desse tipo. Porque ele nos dividiu. Foi basicamente ele quem nos dividiu”. - A Batalha pela alma dos Beatles - pg. 119.


“You never give me your Money, you only give me your funny paper and in the middle of negotiation, you break down” (Você nunca me dá seu dinheiro, só me dá papéis engraçados e no meio das negociações, se descontrola).

“You Never Give me Your Money” é uma música dos Beatles composta por Paul McCartney, creditada a dupla Lennon e McCartney, e lançada no álbum Abbey Road em 26 de setembro de 1969. A gravação teve início no dia 6 de maio e foi concluída em 21 de agosto. É a terceira música do lado 2 do álbum, depois de “Because” e antes de “Sun King”. É o início do medley que domina o outro lado de Abbey Road. “YNGMYM” dura exatos 4:03 minutos.

Muitos autores identificam quatro músicas dentro de uma em "You Never Give me Your Money". A primeira que se inicia com "You never give me your money, you only give me your funny paper..." falaria das dificuldades passadas por Paul com a má administração da Apple (o caso Allen Klein/Eastman). Paul canta de modo clássico. A segunda com início no verso "Out of college money spent, see no future pay no rent...", sem ligação com o verso anterior, fala da falta de dinheiro e de um "sentimento mágico". Paul passa a cantar em tom mais forte e elevado. A terceira, com início em "One sweet dream...", Paul volta a modificar o modo de cantar. E a última, é cantada em coro o refrão: "One two three four five six seven... all good children go to heaven" (Um dois três quatro cinco seis sete... todas as criancinhas boas vão para o céu). Todas as partes são harmoniosas, mas bem distintas.
“YNGMYM” foi basicamente gravada no dia 6 de maio. Alguns poucos acréscimos foram feitos, mas faltava definir como seria a sua ligação com a música seguinte, "Sun King". Após algumas tentativas, Paul optou pelos sons de sinos, correntes, pássaros e outros efeitos sonoros, e ela foi concluída no dia 21 de agosto de 1969. Ao todo, foram gravadas 36 tomadas, das quais a trigésima foi a escolhida para tratamento posterior com acréscimos gravados, e termina com um longo fade out que entra pela canção seguinte, "Sun King" de John Lennon.


“You Never Give me Your Money” foi produzida por George Martin e teve como engenheiros Glyn Johns, Phil McDonald e Geoff Emerick. John Lennon toca guitarra solo e faz backing vocals; George Harrison toca guitarra e faz backing vocals; Ringo Starr toca bateria e percussão e Paul McCartney faz os vocais, backing vocals, toca baixo, guitarra rítmica, sinos, loops de fita, piano e efeitos sonoros (sintetizador Moog). “You Never Give me Your Money”, com The Beatles, só aparece em Abbey Road.

Legal, né? A próxima é outra obra-prima de John Lennon, “Sun King”. Fique de olho e deixe seus comentários. Até!

PAUL McCARTNEY - YOU NEVER GIVE ME YOUR MONEY - SENSACIONAL!

Um comentário:

"WHAT'S MY NAME" - NOVO ÁLBUM DE RINGO STARR*****

Nenhum comentário:


O baterista mais famoso do mundo, Ringo Starr anunciou nesta sexta-feira (13) o seu 20º álbum de estúdio, já batizado de "What’s My Name", programado para chegar às lojas e plataformas digitais no dia 25 de outubro. Trata-se do mais recente trabalho do ex-Beatle de uma série de álbuns produzidos em seu estúdio caseiro na companhia de amigos. Os camaradas de Ringo que frequentam sua casa são Paul McCartney, Joe Walsh, Edgar Winter, Dave Stewart, Benmont Tench, Steve Lukather, Nathan East, Colin Hay, entre outros grandes nomes da música. “Não quero mais estar em um estúdio de gravação antiquado. Já tive o suficiente em minha vida de grandes paredes de vidro. Estou junto de todos que convido para estar aqui”, explica o músico que faz questão de colocar o nome até mesmo de familiares nos créditos do disco. A faixa-título de "What’s My Name" é o primeiro single disponibilizado para audição desse novo álbum e chega como um hino empolgante. Confira agora!

STRAWBERRY FIELDS ABRIRÁ SEUS PORTÕES "PARA SEMPRE"

Nenhum comentário:

Strawberry Fields, o jardim de um orfanato mantido pelo Exército de Salvação na cidade de Liverpool, na Inglaterra, e imortalizado pelos Beatles na música “Strawberry Fields Forever”, abrirá pela primeira vez seus lendários portões vermelhos neste sábado, 14, hoje, como uma atração turística pública. O local estará disponível para visitação ao lado de um novo centro turístico, café e lojinha. Também haverá uma nova exposição interativa sobre a juventude de John Lennon. O clássico dos Beatles, de 1967, foi inspirado em lembranças de Lennon do local quando era criança.

Anthony Cotterill, do Exército da Salvação, disse o seguinte: “John Lennon encontrou refúgio aqui quando criança e é exatamente isso que queremos oferecer abrindo os portões de Strawberry Field para sempre”.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

PETER DOGGETT - A BATALHA PELA ALMA DOS BEATLES

3 comentários:

Quando esse livro foi lançado aqui no Brasil no final de 2014, recebeu três postagens aqui no Baú. Em nenhuma poupei elogios à excelente obra de Peter Doggett – “A Batalha Pela Alma dos Beatles” (o nome no original em inglês é You Never Give Your Money). Como ainda está em catálogo e pode ser encontrado, talvez este, seja um momento bem oportuno para dar novamente uma olhada nele. Desta vez, a gente confere a análise de Ricardo Seelig, publicada no site collectorsroom.com.br em 29 de novembro de 2014. Imperdível!
Existem inúmeros livros sobre os Beatles. Centenas, milhares de obras já analisaram a carreira da banda e de seus integrantes, partindo dos mais variados pontos e chegando às mais diversas conclusões. No entanto, nenhum é como A Batalha Pela Alma dos Beatles (Your Never Give Me Your Money: The Beatles After the Breakup, no título original em inglês), escrito pelo jornalista inglês Peter Doggett, o autor conta, através de uma pesquisa extensa e com grande riqueza de detalhes, a colossal disputa jurídica que envolveu John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr e praticamente qualquer pessoa que tenha cruzado o caminho dos Beatles, após o anúncio do fim do grupo, em 1970.
Baseado em inúmeras entrevistas com os quatro e com dezenas de pessoas que tiveram relacionamento com a banda e seus músicos (assistentes, familiares, roadies, jornalistas, amigos, ...), A Batalha Pela Alma dos Beatles é um livro notável ao lançar inúmeros focos de luz sobre os bastidores de um conflito épico e quase desconhecido do público em geral. Traçando perfis profundos de Lennon, McCartney, Harrison e Starr, além de Yoko Ono, Linda McCartney, Brian Epstein (primeiro empresário), Allen Klein (substituto de Epstein e segundo empresário do grupo), Lee e John Eastman (respectivamente sogro e cunhado de Paul, e também responsáveis por seus negócios) e os funcionários mais próximos da banda, Doggett revela como os Beatles foram se dissolvendo lentamente desde a morte de Epstein em 1967, passando por longos confrontos jurídicos durante toda a década de 1970 e 1980, processo esse que resultou em rusgas e diferenças profundas e praticamente intransponíveis entre John, Paul, George e Ringo, além de uma contenda aparentemente infinita entre os clãs Lennon e McCartney. A leitura proporciona um mergulho profundo na mecânica interna dos Beatles, esmiuçando não só como funcionava a banda legalmente, mas também como eram as relações entre seus integrantes. A forma como a Apple, empresa criada pelo quarteto e que tinha como objetivo ser o início de uma nova forma de fazer negócios, se metamorfoseou ao longo das décadas é impressionante, indo de ícone da contracultura à gigante do capitalismo. Salta aos olhos a inocência que envolveu os negócios dos Beatles ao longo de sua carreira. A época era outra, mas a forma quase amadora com que a banda conduziu suas finanças e assinou contratos que depois se transformaram em enormes dores de cabeça, impressiona. A chegada do controverso Allen Klein ao universo Beatle, substituindo o falecido Brian Epstein, apenas realçou ainda mais os problemas administrativos do grupo. Notório por sua fama de mau caráter, Klein obteve o apoio quase incondicional de John, George e Ringo, e, simultaneamente, a antipatia imediata de Paul, razão pela qual as disputas entre os músicos acabaram indo parar nas cortes inglesas. Outro ponto que merece destaque e surpreende o leitor é o quão próximo de se reunir o quarteto esteve em diversas ocasiões até a morte de Lennon, em 8 de dezembro de 1980. Encontros não divulgados, intenções mútuas de aproximação, parcerias não finalizadas: o que não faltaram foram contatos pessoais e criativos entre os quatro músicos durante toda a década de 1970, deixando a banda a um passo de concretizar o sonho de milhões de fãs em todo o planeta. Extremamente bem escrito e riquíssimo em informações, A Batalha Pela Alma dos Beatles é um livro sensacional. Não apenas uma obra indicada para fãs dos Beatles, mas, sobretudo, uma aula esclarecedora sobre como funciona a máquina administrativa e financeira por trás de uma grande banda, movida a milhares de contratos e zilhões de advogados. O sonho acabou em 1970, mas aqui ele mostra a sua verdadeira face, nem sempre agradável, porém sempre surpreendente. Altamente recomendável!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O DIA EM QUE UMA CAMA PARA YOKO ONO FOI INSTALADA EM ABBEY ROAD

4 comentários:

O período entre o início de 1968 e o final de 1969 teve a "separação dos Beatles" escrita e contada por toda parte. E foi nesse período que o amor entre John e Yoko mais floresceu e eles se casaram. Mas antes que os Beatles seguissem caminhos separados, eles tinham mais uma obra-prima para gravar: Abbey Road – novo álbum que seria lançado em 26 de setembro daquele ano. No dia 1 de julho de 1969, John, Yoko, Julian e Kyoko sofreram um grave acidente de carro em Golspie, Escócia, quando John perdeu o controle do veículo. Todos foram hospitalizados no Lawson Memorial Hospital. Yoko levou 14 pontos, Kyoko, 4, e John, 17 pontos (?)* - (O Diário dos Beatles - Barry Miles). Julian entrou em choque. Enquanto isso, em Abbey Road, os outros Beatles davam sequência aos trabalhos de gravação do novo álbum. John e Yoko ficaram vários dias sem aparecer e isso trazia uma paz que há muito não se experimentava. No dia 9 de julho de 1969, John retornou ao estúdio acompanhado de Yoko Ono. Depois que eles chegaram, todos foram surpreendidos por uma entrega feita imediatamente após eles entrarem na sala. Inicialmente, Geoff Emerick imaginou que era um piano, mas estava errado – era uma cama da Harrods para que Yoko pudesse se convalescer no piso principal do estúdio. Em “Here, There e Everywhere - Minha Vida Gravando os Beatles”, Emerick descreveu com riqueza de detalhes, como isso surpreendeu a todos, principalmente Paul, George e Ringo. "Passei quase sete anos da minha vida em estúdios de gravação e pensei já ter visto tudo, mas aquilo não tinha comparação”, escreveu Emerick. Uma vez que a cama estava no lugar e os entregadores também trouxeram lençóis, travesseiros e cobertores, Yoko tratou de se acomodar. Depois de estar devidamente aconchegada, John mandou que um microfone fosse instalado sobre ela para que ela pudesse se comunicar com o grupo. Todo mundo que trabalhava no estúdio ficou pasmo, mas não houve tempo de reagir. Enquanto os Beatles trabalhavam no álbum, Yoko falava com todo mundo pelo microfone de sua cama. Como estava se recuperando de ferimentos, ela usava apenas camisola e tinha uma grande tiara na cabeça que cobria cicatrizes dos destroços. Nas semanas seguintes, Yoko causou alguns problemas como quando comeu os biscoitos de George Harrison (que se referiu a ela como "aquela vadia" e geralmente causou uma distração com seu fluxo constante de visitantes. Mas aquele primeiro dia com a entrega da cama era algo que ninguém podia esquecer. E é exatamente esse trecho do livro de Geoff Emerick que a gente confere com todos os detalhes agora, pela 1ª vez aqui no Baú do Edu.
Resultado de imagem para Geoff Emerick- o baú do edu
Recebíamos relatórios diários sobre a evolução da saúde de John e Yoko enquanto eles lentamente se recuperavam em casa, e na manhã de 9 de julho, George Martin recebeu um telefonema de Mal Evans dizendo que o Sr. e a Sra. Lennon estavam finalmente em seu caminho para o estúdio de gravação. A me­dida que a tarde avançava, houve uma grande expectativa quanto ao estado em que John chegaria e qual seria seu humor. Todo mundo estava preocupado com o seu bem-estar - havia sido um acidente grave, e ele teve a sorte de sair com vida —, mas havia também uma preocupação implícita sobre como a presença de John e Yoko afetaria o clima relativamente bom das sessões até então. De repente, sem aviso, John e Yoko se materializaram na porta do estúdio, como duas aparições vestidas de preto. Após um momento de hesitação, todos corremos para ver se ele estava bem. “Sim, eu estou bem”, Lennon nos tranquilizou, suavemente. Quando todos se reuniram ao seu redor ansiosamente, ele pareceu se iluminar. Con­versando animadamente com seus companheiros dos Beatles, Lennon pare­ceu esquecer Yoko por um momento. Visivelmente irritada, ela o puxou pela manga e soltou um pequeno gemido, tomando sua atenção. “No entanto, receio que a mãe ainda não esteja muito bem”, ele disse. Já durante as sessões do Álbum Branco John se referia a Yoko dessa forma, como “mãe” o que sempre achei um pouco assustador.
Yoko começou a dizer algo, mas antes que pudesse terminar, a porta se abriu novamente e quatro homens de casaco marrom entraram trazendo um objeto grande e pesado. Por um momento, pensei que era um piano vindo de um dos outros estúdios, mas logo me dei conta de que eram entregadores: os casacos marrons que estavam usando tinham a palavra "Harrods" escrita na parte de trás. O objeto que estava sendo entregue era, na verdade, uma cama.
De queixo caído, todos vimos como foi trazida para o estúdio e co­locada próxima às escadas, em frente à mesa de chá e torradas Mais homens de casaco marrom apareceram com lençóis e travesseiros e sombriamente arrumaram a cama. Então, sem dizer uma palavra, Yoko se deitou, arrumando cuidadosamente as cobertas. Eu passei quase sete anos da minha vida em estúdios de gravação e pen­sei que tinha visto de tudo... mas aquilo levou o prêmio! George Martin, John Kurlander, Phil e eu trocamos olhares cautelosos, e pelo canto do olho eu pude ver que Paul, Ringo e George Harrison estavam tão assustados quanto nós. Lennon foi até a cama. “Você está bem?”, ele perguntou solicitamente. Yoko murmurou uma afirmativa. Lennon virou-se para nós.“Vocês podem puxar um microfone até aqui, para que possamos ouvi-la nos fones de ouvido?”, ele perguntou. Pasmo, eu acenei para John Kurlander e ele começou a ajeitar um pedestal, suspendendo o microfone acima do rosto indiferente da Sra. Lennon. Pelas semanas seguintes Yoko ficou naquela cama. Seu guarda-roupa consistia em uma série de camisolas, complementadas com uma tiara, cuidadosamente posicionada para esconder a cicatriz na testa causada pelo acidente. Conforme ela foi recuperando as forças, ela recuperou tam­bém sua confiança, lenta, mas firmemente começando a irritar os outros Beatles e George Martin com seus comentários. Ela falava com uma vozinha bem fina e sempre se referia aos Beatles de forma peculiar e impessoal, na terceira pessoa: “Beatles vão fazer isso, Beatles vão fazer aquilo”, deixando sempre de fora o artigo “os”. Isso costumava realmente irritar Paul. Na oca­sião, ele até tentou corrigir: “Na verdade, é ‘Os’ Beatles, querida”, mas ela persistentemente ignorou.
Também não era como se Yoko estivesse deitada na cama descansando tranquilamente - havia uma longa fila de visitantes ao lado de sua cama aten­dendo seus pedidos quase todo o tempo. Os Beatles gravavam em uma extre­midade da sala, e ela ficava no outro extremo conversando com amigos, fa­zendo com que sua presença fosse ainda mais evidente e agravante para o resto da banda. George Martin havia retornado, na premissa de que seria como nos bons velhos tempos, mas nunca tivemos uma esposa de um Beatle numa cama no estúdio conosco nos velhos tempos. Isso provavelmente expli­ca por que ele parecia tão deprimido e frustrado durante aquelas semanas.
Houve uma nítida mudança no ambiente depois que John e Yoko che­garam, embora, pessoalmente, eu sentisse que isso tinha mais a ver com Len-non estar lá do que com sua esposa acamada. Ele andava rabugento e mal-humorado, e se recusou a participar na criação de “Maxwel’s Silver Hammer”, que ele classificava como “apenas mais uma música de vovô do Paul”. No dia seguinte à chegada de John, o grupo estava gravando os backing vocais para a canção, com George Harrison e Ringo juntos de Paul no microfone, enquanto John, impassível, simplesmente se sentou na parte de trás do estúdio para assisti-los. Depois de um momento desconfortável, Paul se aproximou e convidou seu velho amigo e colaborador para se juntar a eles. Aquele me pareceu um gesto simpático, uma proposta de paz. Mas um Lennon inexpressivo simplesmente disse: “não, melhor não”. Poucos minutos depois, ele e Yoko se levantaram e foram para casa. Não tendo nada a contribuir, John não queria estar lá.
Durante os primeiros dias em que eles estavam de volta, John e Yoko passaram a maior parte de seu tempo encolhidos em um canto sussurrando um com o outro, ou andavam pelo corredor até o escritório do produtor - a sala verde — e faziam algumas ligações. Não me surpreendi, apenas encarei como parte do trabalho. Um dia George Martin me disse: “Eu queria que John se envolvesse mais”, mas que eu saiba ele nunca disse ou fez qualquer coisa para conseguir que o Beatle relutante participasse mais. Aquela altura, John estava definitivamente muito estranho, e seu envolvimento em todas as sessões do Abbey Road era esporádico. Na maior parte do tempo, se não es­tivéssemos trabalhando em uma de suas canções, ele simplesmente não pare­cia interessado.