quinta-feira, 31 de maio de 2018

THE BEATLES - PAPERBACK WRITER - SENSACIONAL!*****

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Em 30 de maio de 1966, o single “Paperback Writer / Rain” foi lançado nos Estados Unidos. O lançamento britânico já havia acontecido em 23 de maio, chegando ao primeiro lugar das paradas de sucesso. Estas duas músicas mostram claramente que o som dos Beatles estava se modificando, já talvez anunciando o que viria a seguir, os álbuns Rubber Soul e Revolver.
“Paberback Writer” foi lançada como Lado A do single que tinha "Rain" como Lado B, alcançou o topo das paradas britânica e americana. Mais tarde, foi incluída nos álbuns “Hey Jude”, “The Beatles 1962–1966”, “Past Masters, Volume Two” e “1”.
Primeiro single dos Beatles cuja temática não era o amor ("Nowhere Man" tinha sido a primeira canção), "Paperback Writer" contava a história de um romancista implorando a um editor que aceite seu livro de mil páginas. A composição da canção é creditada a Lennon/McCartney, embora muitos acreditem que tenha sido escrita apenas por Paul. Entretanto, em entrevista na década de 90, ele esclareceu a questão: "Eu cheguei à casa de John e lhe falei sobre a ideia de escrever uma canção sobre um autor, como uma carta para um editor. Então, nós fomos à sala de música dele e colocamos a melodia. Posteriormente, John e eu nos sentamos e terminamos a canção, mas ela foi creditada a mim porque a ideia original era minha". "Paperback Writer" foi surpreendente na época por ser um single pop com um tema tão incomum e uma levada tão boa. Paul disse que sempre gostou do som das palavras "paperback writer" e decidiu criar sua história em torno da expressão. O estilo epistolar da canção surgiu durante uma viagem de carro. "Assim que cheguei, disse a ele que queria que escrevêssemos uma música como se fosse uma carta", ele conta.Tony Bramwell recorda que a inspiração para boa parte da letra veio de uma carta real mandada a Paul por um aspirante a escritor. As brochuras tinham causado uma revolução editorial, tornando os livros acessíveis a pessoas que teriam considerado as edições de capa dura caras demais. O poeta Royston Ellís, primeiro autor publicado que os Beatles conheceram quando tocaram para acompanhar sua poesia em 1960, está convencido de que Paul se agarrou à expressão “paperback writer” a partir das conversas dos dois. "Apesar de eu escrever livros de poesia na época, se me perguntassem o que eu queria ser, eu sempre dizia um 'escritor de brochuras' porque era o que você tinha de ser se quisesse atingir o grande público", conta Ellis, que se tornou escritor de guias de viagem e romances comerciais. "Minha ambição era ser um escritor que vendesse seus livros e ganhasse dinheiro com isso. Era o meu equivalente para a ambição deles de fazer um single que vendesse um milhão"Assim como muitas composições de Paul, a letra era guiada mais pelo som das palavras do que pela lógica da narrativa. Interpretada literalmente, é sobre um autor que tinha escrito um livro baseado em um romance sobre um escritor de brochuras. Em outras palavras, é um romance baseado em um romance sobre um homem escrevendo um romance que, por sua vez, é presumivelmente baseado em um romance sobre um homem escrevendo um romance. O "homem chamado Lear" provavelmente é uma referência a Edward Lear, pintor vitoriano que, apesar de nunca ter escrito um romance, escreveu poemas e canções nonsense que John começou a ler quando críticos especularam que o autor o havia influenciado em In His Own Write. O Daily Mail recebe uma menção porque era o jornal que John lia. As matérias do Daily Mail mais tarde serviriam de inspiração para duas músicas de Sgt PepperA principal inovação musical em "Paperback Writer" era o uso do recurso "boost" no baixo, que possibilitou que o instrumento ganhasse um raro protagonismo na banda. Através de algumas inovações no estúdio feitas pelo engenheiro de som Ken Townsend, o baixo se tornou o instrumento mais proeminente da faixa, na linha do que faziam instrumentistas que acompanhavam Otis Redding e Wilson Pickett. Os backing vocais foram inspirados por Pet Sounds, dos Beach Boys. John e Paul receberam uma cópia do disco antes que ele fosse lançado. "Paperback Writer" foi um single número 1 em vários países, incluindo a Inglaterra, os EUA, Alemanha e Austrália.

THE BEATLES - RAIN - SENSACIONAL!*****

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Assim como I'm Only Sleeping em Revolver, Rain mostra os Beatles explorando os sentimentos de descolamento do pelo LSD e a crença de que a consciência aumentada pode ser encontrada dentro do eu. Os Beatles gravaram Rain durante duas sessões em 14 de abril de 1966, no mesmo dia em que Paul McCartney gravou sua parte de baixo para Paperback Writer. O grupo gravou a música em ritmo acelerado, para que, na edição, fosse propositadamente desacelerado. Eles terminaram a música em 16 de abril, adicionando overdubs incluindo pandeiro, baixo e vocais extras. É provável que os vocais para trás tenham sido adicionados neste dia, quando eles também realizaram as mixagens mono que apareceram no single com Paperback Writer.
Em uma primeira leitura, a letra de "Rain" parece fazer referência as pessoas que reclamam do clima. Mas, em uma análise mais profunda, propõe a libertação dos valores morais pré-estabelecidos. Além disso, sugere um estado de consciência alterado, não somente pelos seus versos, mas também pelos vocais arrastados e nos instrumentos tocados de forma mais lenta, porém pesados.

O último verso de "Rain" inclui um trecho tocado ao contrário, tendo sido um dos primeiros usos dessa técnica em um disco. George Martin disse que a ideia foi dele: “Eu sempre estava experimentando com as fitas e pensei que seria interessante fazer algo extra com a voz de John.Então levantei um pouco do seu vocal no canal principal, coloquei-o em outro carretel, virei-o e deslizei-o para frente e para trás até que ele se encaixasse. John estava fora no momento, quando voltou ele ficou surpreso e contente”. Só que John Lennon disse que não: "Após a sessão de gravação - que terminou às quatro ou cinco da manhã - eu levei a fita para casa para ver o que mais eu poderia fazer. E eu estava meio cansado, não sabendo bem o que estava fazendo, e coloquei no gravador de forma incorreta, tocando-a ao contrário. E gostei. Foi o que aconteceu". Seja como for, Rain acabou se tornando uma das preferidas dos integrantes da banda e também dos fãs. Ringo Starr considera a música seu melhor desempenho com os Beatles e Paul McCartney declarou várias vezes que é uma das suas preferidas.

MUSIC FOR MONTSERRAT - UM SHOW HISTÓRICO!

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Montserrat é uma pequena ilha, situada no mar do Caribe, nas Antilhas. Com a criação dos AIR Studios em 1979 pelo produtor dos Beatles, George Martin, a ilha atraiu músicos mundialmente famosos, que vieram gravar no tranquilo ambiente tropical de Montserrat. Na madrugada de 17 de setembro de 1989, o furacão Hugo, uma tempestade da categoria 4, atingiu Montserrat, com ventos que ultrapassaram os 140 km/h danificaram 90% dos edifícios da região. Os AIR Studios foram fechados e o turismo, que era a principal fonte de renda, praticamente desapareceu. A população se uniu e, com coragem e determinação, iniciou a reconstrução de sua vida nos meses seguintes. No entanto, o vulcão Soufrière Hills, que desde o século XVII não apresentava qualquer erupção, apesar de nos anos 1966/67 ter sido registrada alguma atividade sísmica, em 18 de julho de 1995 acordou e entrou em atividade, tendo a capital Plymouth sido evacuada. Em 1997 deu-se a maior erupção. Milhares de habitantes perderam tudo, e centenas de pessoas morreram.
No dia 15 de setembro de 1997, foi realizado em Londres no Royal Albert Hall um megaconcerto em prol da ilha, que ficou conhecido como Music for Montserrat. Organizado por George Martin, toda a renda desse espetáculo foi revertida para a reconstrução da pequena ilha de Montserrat. Alguns dos principais nomes da música popular como Paul McCartney, Eric Clapton, Phil Collins, Carl Perkins, Elton John, Mark Knopfler, Mick Huckanall, Sting, entre outros, estavam lá no Albert Hall para este grande show beneficente.
Infelizmente, esta foi a última aparição de Carl Perkins em público. Ele morreu quatro meses depois, vítima de câncer na garganta no dia 19 de janeiro de 1998. Um concerto histórico, um momento único.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

THE BEATLES - IN MY LIFE**********

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"In My Life" é uma das mais belas canções dos Beatles e também um dos seus maiores clássicos. Foi composta por John Lennon, mas creditada a Lennon/McCartney, e está presente no álbum Rubber Soul de 1966. A música, absolutamente genial, tornou-se uma das mais famosas dos Beatles, executada e regravada até hoje por dezenas de artistas e presente até em comerciais por todos os cantos do mundo. Com nostalgia, John lembra pessoas e lugares que desempenharam papel importante no seu passado. A música é contida com estilo em um clima sereno, e remete a "Penny Lane" e "Strawberry Fields Forever" que só viriam depois. George Martin disse que Lennon simplesmente chegou e falou: "toque como Bach". O arranjo de piano ao estilo barroco que Martin fez para o solo instrumental era rápido demais para ser tocado por ele; por isso, gravou-o na metade da velocidade, uma oitava abaixo, e depois acelerou a gravação para encaixá-lo no ponto certo da faixa. Após a separação dos Beatles, na famosa entrevista à revista Rolling Stone, John Lennon afirmou que compôs a música praticamente sozinho com uma pequena contribuição de Paul McCartney. Paul no entanto disse que não só ajudou na composição do começo ao fim como a melodia também era sua. Seja como for, o que realmente importa é que é mais um clássico dos Beatles, de Lennon & McCartney.

Aqui, a gente confere o texto escrito por Steve Turner no livro "The Beatles - A história por trás de todas as canções".
Mesmo que John tivesse começado a escrever canções mais declaradamente autobiográficas mais de um ano antes, foi com "In My Life" que sentiu ter alcançado a ruptura que Kenneth Allsop o encorajara a fazer em 1966, quando sugeriu que se concentrasse em sua vida interior. Gravada em outubro de 1966, foi fruto de uma longa gestação. Começou, de acordo com John, como um longo poema em que ele reflete sobre seus lugares preferidos de infância, fazendo uma jornada de sua casa na Menlove Avenue até o Docker's Umbrella, a estrada de ferro suspensa que corria pela zona portuária de Liverpool, sob a qual os estivadores buscavam abrigo da chuva. Contratado por Yoko Ono para realizar um inventário dos objetos pessoais de Lennon depois da sua morte, Elliot Mintz lembra de ter visto o primeiro rascunho da música escrito à mão. Em um rascunho dessa letra desconexa, John listava Penny Lane, Church Road, o relógio da torre, o Abbey Cinema, os galpões do bonde, o café holandês, St Columbus Church, o Dockers Umbrella e Calderstone Park. Apesar de ela preencher o requisito de ser autobiográfica, John percebeu que não era mais do que uma série de instantâneos agrupados livremente pela sensação de que pontos de referência um dia familiares estavam desaparecendo rapidamente. Os galpões onde estacionavam os bondes, por exemplo, não tinham mais bondes, e o Docker's Umbrella tinha sido desativado. "Era o tipo mais chato de música para cantar no ônibus sobre 'o que fiz nas férias', e não estava funcionando", afirmou. "Então me deitei e a letra sobre os lugares de que me lembro começou a brotar." John descartou todos os nomes de lugares e criou uma sensação de luto por uma infância e juventude perdidas, transformando o que de outra forma seria uma canção sobre a mudança na paisagem de Liverpool em uma canção universal sobre o confronto com a morte e a decadência. Era a história de um sujeito durão, conhecido por rir dos incapacitados, mas que também era um sentimental. No decorrer da vida, ele sempre teve uma caixa onde guardava recordações de infância. Mais tarde, John disse a Pete Shotton que, quando escreveu o verso de "In My Life" sobre os amigos mortos e vivos, estava pensando especificamente em Shotton e no antigo Stuart Sutcliffe, que morreu em decorrência de um tumor no cérebro em 1962. A letra guarda uma semelhança surpreendente com o poema de Charles Lamb do século XVIII "The Old Familiar Faces", com o qual pode ter deparado na antologia de poesia popular PalgravesTreasury. O poema começa com: "Tive parceiros de brincadeiras, nos meus dias de infância, nos meus alegres tempos de escola. Todos, todos se foram. Como alguns morreram, alguns me deixaram e alguns foram tirados de mim; Todos, todos se foram. A origem da melodia de "In My Life" continua em discussão. John afirma que Paul ajudou em alguns trechos. Paul ainda acredita ter escrito tudo. "Eu lembro que ele tinha a letra em forma de poema, e eu criei algo. A melodia, se eu me lembro direito, foi inspirada em The Miracles", ele conta. Paul quase certamente se referia a "You Really Got A Hold On Me". Na gravação, o solo instrumental foi executado por George Martin, que gravou o piano pessoalmente e depois tocou em velocidade acelerada para criar o efeito barroco. A opinião de John sobre o resultado era de que se tratava de "sua primeira obra realmente importante".

JOHNNY CASH - IN MY LIFE

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No final do ano de 1965, “In My Life” foi lançada pelos Beatles no álbum Rubber Soul. De lá para cá, “In My Life” já foi coverizada pelos mais diversos artistas, como: Judy Collins, John Denver, José Feliciano, Rod Stewart, Bette Midler, The Seekers, Charice, Diana Krall e muitos outros. De todas, sem dúvida, uma das melhores versões é a do incomparável Johnny Cash, 'The Man In Black'. Cash tornou-se conhecido por sua voz sombria e letras que pareciam vir direto do coração. Seus concertos gravados na prisão de Folsom e San Quentin são lendários. Seu sucesso continuou até seu último álbum, American IV: The Man Comes Around de 2002, que traz a versão de “In My Life”. Em 12 de setembro de 2003, Johnny Cash morreu aos 71 anos, de complicações de diabetes.

O 1º DIA DE YOKO ONO NO ESTÚDIO COM OS BEATLES

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O dia 30 de maio de 1968, há 50 anos, entrou para a história dos Beatles, como o dia em que, pela primeira vez, John Lennon levou Yoko Ono ao estúdio em Abbey Road, onde a banda começava as gravações do “Álbum Branco”. Esse fato é apontado por muitos, como o início do fim real dos Fab Four, inclusive por Geoff Emerick, engenheiro de som, autor do livro “Minha Vida Gravando os Beatles” e que a gerente confere agora justamente a parte em que ele fala sobre esse dia. Valeu!
Na tarde seguinte, George Martin, Phil e eu estávamos sentados na sala de controle tendo uma conversa tranquila quando John de repente irrompeu pela porta, com pressa, como de costume. Logo atrás dele havia uma japonesinha com uma câmera pendurada no pescoço. Ignorando-nos completamente, John a fez sentar numa cadeira em frente da janela da sala, e logo em seguida saiu cor­rendo e foi para o estúdio, juntando-se aos outros três Beatles, que estavam es­perando pacientemente a sessão começar. Ela apenas se sentou e sorriu para nós, mas não disse uma palavra. Um momento depois, John voltou, ele obviamente percebeu que tinha se esquecido de dizer alguma coisa para nós. “Essa é Yoko”, disse ele, ofegante, dando-lhe um pequeno beijo na bo­checha antes de desaparecer pela porta novamente. Essa foi a nossa apresentação à namorada de John e sua futura esposa, Yoko Ono. Pelas próximas duas horas Yoko apenas ficou tranquilamente sentada co­nosco na sala de controle. Deve ter sido mais desconfortável para ela do que para qualquer um de nós. Ela tinha sido colocada em uma situação embara­çosa, ficando bem na frente da janela, de forma que George Martin e eu tí­nhamos de torcer nossas cabeças para ver os outros no estúdio e nos comuni­carmos com eles. Como resultado, ela não parava de pensar que estávamos olhando para ela. Ela nos dava um sorriso tímido e educado sempre que ela nos via olhando em sua direção, mas na verdade nunca disse nada e nunca tirou nenhuma foto. Depois de um tempo eu comecei a sentir pena dela. Finalmente, John criou coragem para trazê-la para o estúdio. Levando Yoko pela mão, ele a guiou para fora da sala de controle até a pequena área de gravação onde os outros três Beatles estavam ensaiando. Eles a ignoraram completamente no princípio. Para começar, John a sentou ao lado de Mal. Um pouco mais tarde, ele a moveu e ela se sentou do lado dele - e foi lá que ela permaneceu pelo resto da carreira dos Beatles.

Daquele ponto em diante, a qualquer lugar que John fosse, ela ia. Se ele fosse ao banheiro, ela iria até o corredor e esperaria do lado de fora, encolhida, no chão. Quando ele saía, ela voltava com ele para o estúdio ou para a sala de controle e se sentava do lado dele novamente. Ninguém além de Neil e Mal havia se infiltrado nas sessões dos Beatles naquele grau, e era possível perceber, pela frieza nas expressões de Paul, George e Ringo, que eles não gostavam daquilo nem um pouco. O grupo deles havia sido sempre tão fechado que era impensável que uma pessoa de fora pudesse penetrar no círculo deles tão rápi­da e completamente. Mas através de suas ações John estava deixando bem claro que, gostassem ou não, não havia nada que pudesse ser feito. Assim que Yoko deixou a sala de controle, George Martin se virou para mim. Balançando tristemente a cabeça, ele disse: “O que será que John está pensando?” Nós reconhecemos o impacto de ela estar lá desde aquele primeiro dia. E a partir daquele ponto, tudo ficou diferente. Na sessão do dia anterior, lutar para conseguir aquele som de guitarra e lidar com a catarse emocional de Lennon já tinha sido bastante difícil, mas dali em diante tudo ficaria cada vez pior. Seria uma grande bola de neve. John podia de fato estar loucamente apaixonado por Yoko, mas não há dúvida de que a presença dela nas sessões era perturbadora. Todos nós sabía­mos disso, e em algum nível ele também devia saber, mas ele não parecia se importar; trazê-la para as sessões daquela forma era quase um ato de desafio. Se os quatro Beatles alguma vez discutiram a presença dela lá, isso aconteceu quando não estávamos por perto, mas nada mudou — ela continuou vindo todos os dias. Ela se tornou cada vez mais uma espécie de sombra de John; se ele estivesse sentado em uma ponta do banco do piano, ela estaria na outra ponta. Se ele deslizasse um pouco, ela deslizaria com ele. Era realmente mui­to estranho como ela parecia quase antecipar cada movimento dele. Eles nem sequer pareciam conversar tanto — na maioria das vezes, John estava trabalhando e ela estava apenas tranquilamente sentada ao seu lado. Entre os takes, ela podia sussurrar algo no ouvido dele, ou perguntar se ele queria uma xícara de chá, mas isso era tudo. Mas nós percebemos que ela nunca realmente fazia o chá, ou mesmo se oferecia para fazê-lo; ela simplesmente pedia para Mal. Depois de alguns dias, parecia mais que ela estava or­denando a Mal do que pedindo que ele fizesse as coisas, o que é algo que tenho certeza que não escapou à atenção dele — ou à dos outros Beatles. Ainda assim, nada foi dito; ela apenas estava lá. Não havia nada de desagradável em Yoko, mas nunca tivemos uma opor­tunidade de conhecê-la, porque na maioria das vezes ela não dizia nada. Eu certamente nunca conversei com ela durante as sessões do Álbum Branco além de um simples “olá” ou “tchau”, e eu não me lembro de ela conversar muito com George Martin ou Phil nessa época também. Na verdade, Yoko não disse uma palavra a ninguém, exceto a John, por vários dias. Então, certa tarde, no meio de um overdub de backing vocal, John de repente se virou para ela e disse: “Sabe, eu acho que você deveria fazer esse trecho”. Paul, que estava cantando aquele trecho, deu a John um olhar de des­crença e, em seguida, se afastou, desgostoso. George e Ringo, sentados a uma pequena distância, trocaram olhares sinistros. Imperturbável, Lennon entre­gou um fone de ouvido a ela, que deu um passo em direção ao microfone. Pela primeira vez, Yoko Ono apareceu em uma gravação dos Beatles... apesar do fato de John ter sido o único Beatle que a queria ali.Eu pensei que as coisas não poderiam ficar piores, mas eu estava errado. Poucos dias depois, os quatro Beatles, além de George Martin e, é claro, Yoko Ono, estavam na sala de controle ouvindo a reprodução de uma base quando John, bruscamente, perguntou o que ela achava. Para espanto de todos, ela, na ver­dade, tinha uma crítica a fazer. “Bem, está muito bom”, ela disse, com uma vozinha,“mas eu acho que poderia ser tocada num andamento um pouco mais rápido”Seria possível ouvir um alfinete cair naquela sala. Houve uma expressão de choque e horror no rosto de todos, até mesmo de John. Todo mundo olhou para John, mas ele não disse nada. Embora ele estivesse encantado por Yoko, ele deve ter percebido que sair em defesa dela apenas acrescentaria le­nha à fogueira. Depois de uma pequena pausa, eles voltaram a conversar, ig­norando Yoko e o que ela havia dito. Mas o estrago já estava feito, e as coisas nunca mais seriam as mesmas.
John parecia alheio, ou talvez ele simplesmente não ligasse para o que os outros pensavam. Ele estava apaixonado, e Yoko ficava lá do lado dele, ofere­cendo opiniões, se ela quisesse, e era simples assim. Mas eu podia entender o ressentimento dos outros BeatlesYoko não apenas era uma estranha aos olhos deles, mas ela não tinha nenhuma formação musical. Além da intrusão no espaço deles, aquilo era especialmente humilhante para George Martin e Paul, que era, afinal, o parceiro de longa data de John nas composições. Paul sempre teve dificuldade em lidar com críticas, mas ele tinha tanto respeito pelas habilidades de John que ele aceitava as críticas dele. Ele poderia até mesmo ouvir o comentário ocasional de Harrison ou Ringo, mas ele certa­mente não estava preparado para que a namorada de John dissesse a ele o que fazer, da mesma forma que ele não estava preparado para ouvir conselhos musicais de Patti Harrison ou Maureen Starkey. Aquele primeiro dia em que Yoko falou e deu uma opinião musical foi um ponto de virada para os Beatles, como se fosse o ato definitivo de autoafirmação de John. De muitas maneiras, aquele foi o começo do fim.

YOKO ONO ABRE EXPOSIÇÃO EM LIVERPOOL

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No último dia 18 de maio, Yoko Ono, de 85 anos, se mostrando bastante fragilizada esteve em Liverpool visitando as duas casas da infância de John Lennon, depois de viajar de Nova York para a terra dos Beatles. A artista, que foi casada com Lennon de 1969 até 1980, estava na cidade para abrir um museu dedicado ao seu relacionamento, cheio de exposições de sua própria coleção particular.Yoko Ono visitou Mendips, a casa onde Lennon passou a maior parte de sua infância, e tirou uma foto em seu quarto. Enviando a foto para o Instagram, ela escreveu: “I feel John here with me... I love you John. Yoko”.Lennon mudou-se para Mendips, na Avenida Menlove, 251, depois que o casamento de seus pais faliu. Yoko comprou a propriedade em 2002, antes de doar para o National Trust, que a restituiu como seria, enquanto ele vivia lá. Um álbum lançado após a morte de Lennon recebeu o nome da avenida onde fica a casa, Menlove Avenue. Yoko visitou a propriedade de Mendips pelo menos duas vezes antes, uma vez logo depois de adquiri-la em 2002, e uma segunda vez em 2010, quando ela também esteve na Dovedale School, escola que Lennon frequentou.
Durante esta visita a Liverpool, Yoko também esteve na primeira casa de Lennon, em Newcastle Road, que ela comprou em um leilão em 2013 por mais de três vezes o preço pedido. A mesma equipe de decoração que renovou a casa em Mendips, trabalhou em Newcastle Road. Lennon viveu nesta casa desde o nascimento até os cinco anos, quando o colapso do casamento de seus pais o levou a Mendips para morar com sua tia Mimi. A Newcastle Road fica a poucos metros de Penny Lane, que inspirou uma das músicas mais famosas dos Beatles, enquanto Mendips é onde a banda realizou alguns de seus primeiros ensaios. Yoko Ono foi inaugurar a exposição intitulada Double Fantasy - John e Yoko, que será exibida no Museu de Liverpool até abril do próximo ano. Incluídos nos itens expostos estão objetos pessoais de Lennon como os icônicos óculos redondos com armação de arame, uma rara guitarra Sardonyx usada por Lennon no álbum Double Fantasy, o green card que permitiu a Lennon viver permanentemente na América e obras de arte feitas pelo casal.
Yoko Ono disse: “Estou muito feliz e grata por termos nosso programa Double Fantasy - John & Yoko em Liverpool. É aqui que John nasceu e sei que John também seria muito feliz. Nós éramos um casal muito simples, apenas amando um ao outro todos os dias e eu só queria mostrar a simples verdade de nós. Em nossa vida pessoal, fazíamos todo tipo de coisa com amor um pelo outro. Tudo foi feito de amor. Descobrimos que ambos estávamos muito interessados ​​na paz mundial. Eu sinto que John e eu ainda estamos trabalhando juntos. Eu sempre sinto o calor dele ao meu lado”.

terça-feira, 29 de maio de 2018

A PEDIDOS - THE BEATLES - I CALL YOUR NAME*****

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"I Call Your Name" é uma canção dos Beatles escrita por John Lennon que escreveu a canção antes da formação dos Beatles, e em 1963 a cedeu para que Billy J. Kramer and The Dakotas a gravassem. Os Beatles a gravaram em 1964, quando foi lançada na Grã-Bretanha e nos EUA como lado B de "Long Tall Sally". "I Call Your Name" foi relançada em 1988 na coletânea Past Masters, Volume One. The Mamas & the Papas fizeram uma cover em 1966, e Ringo Starr gravou uma versão para um programa especial de televisão, no décimo aniversário da morte de Lennon.
John calcula que escreveu "I Call Your Name" quando "os Beatles ainda nem existiam como banda". Como o Quarry Men, seu primeiro grupo, foi formado pouco depois que ele comprou seu primeiro violão, em março de 1957, ele deve ter escrito a música enquanto aprendia a tocar ou até mesmo antes, quando só sabia tocar banjo. The Quarry Men era inicialmente um grupo de skiffle formado por amigos da escola Quarry Bank High. Rod Davis, que tocava banjo com eles, não se lembra de ter visto John escrevendo músicas naquela época. "O que nós fazíamos era ouvir os singles mais recentes no rádio e tentar anotar as letras", ele conta. "A questão é que, se você não conseguisse entender, ou não conseguisse escrever rápido o bastante, ficava empacado. Então o que John costumava fazer era colocar suas próprias letras nessas músicas. Ninguém parecia notar porque as pessoas também não sabiam as letras. Havia uma música chamada 'StreamlineTrain', que John reescreveu como 'Long Black Train'. Ele também colocou uma letra nova no sucesso de Del Vikings 'Come Go With Me', e eu não percebi até ouvir a versão original muitos anos depois". Se a canção foi escrita há tanto tempo quanto John achava, isso significa que ele já vinha escrevendo sobre o desespero nos tempos de escola. Os versos "I never weep at night, I call your name" são próximos de "In the middle of the night, I call your name", de 1971, de "Oh Yoko", que faz parte do álbum ImagineJohn adicionou o solo de blue beat jamaicano em 1964. Blue beat e ska, levados para a Inglaterra por imigrantes das Índias Ocidentais, estavam se popularizando entre os britânicos e o selo Blue Beat, fundado por Ziggy Jackson em 1961, havia lançado 213 singles nos três anos ante­riores. Duas semanas após a gravação de "I Call Your Name", o New Musical Express questionava se o ska e o blue beat se tornariam o grande tema do momento da música pop. Com os Beatles por perto, eles não teriam a menor chance. Steve Turner

JOHN LENNON - NOBODY LOVES YOU (When You're Down and Out)*****

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“Nobody Loves You (When You're Down and Out)” é a música que encerra de forma brilhante, o fantástico álbum Walls and Bridges de John Lennon de 1974. Também aparece no álbum Menlove Ave de 1986. Lennon a escreveu no início de seu tempo em Los Angeles quando de sua separação de Yoko Ono, conhecido como seu "fim de semana perdido". A música reflete seus sentimentos de depressão e solidão durante esse tempo. Além de sua separação de Ono, a letra é influenciada também pela decepção de Lennon na recepção negativa que seu trabalho recente vinha recebendo dos críticos e do público, e seus sentimentos de ter sido enganado pela indústria da música. A letra descreve o vazio que ele sentiu, bem como sua desilusão com o show business. Várias linhas poderiam ser tomadas como respostas cínicas a Ono, ou ao público de Lennon e aos críticos de música. Em resposta à pergunta de se ele ama alguém, o cantor responde "é tudo showbiz". O solo de guitarra é absolutamente perfeito e definitivamente matador. Depois dele, Lennon entra rasgando a alma. John Lennon disse que "Nobody Loves You (When You're Down and Out)" era uma canção ideal para Frank Sinatra cantar. Isso provavelmente se refere ao tom letárgico da música. A versão que aparece em Menlove Ave tem a letra alterada e instrumentação mínima. Essa versão parece ainda mais melancólica do que a versão de Walls and Bridges. O assobio de Lennon dá à versão um "senso de isolamento solitário" e a faz soar mais leve em relação à Walls. Participaram da gravação em Walls and Bridges: John Lennon - vocais, guitarra acústica; Jesse Ed Davis - guitarra elétrica; Klaus Voormann – baixo; Nicky Hopkins – piano; Ken Ascher - órgão; Jim Keltner – bateria; Bobby Keys, Steve Madaio, Howard Johnson, Ron Aprea, Frank Vicari – sopros.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

ÔBA - EIGHT DAYS A WEEK ESTREIA ESTA SEMANA NA NETFLIX!

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A Netflix anunciou que esta semana, uma das grandes estreias é o filme "The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years", um documentário de 2016 dirigido por Ron Howard sobre a carreira dos Beatles durante os anos de 1962 a 1966, de suas apresentações no Cavern Club em Liverpool até seu último show em San Francisco em 1966. Eight Days a Week foi lançado nos cinemas em 15 de setembro de 2016 no Reino Unido e 16 de setembro nos Estados Unidos e recebeu uma indicação ao prêmio de melhor documentário no 70º British Academy Film Awards.
O documentário The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years é um baú de recordações das mais intensas de uma época mágica onde o mundo conheceu de vez a lendária banda de Liverpool, Os Beatles. Dirigido brilhantemente pelo veterano cineasta norte americano Ron Howard, que durante as filmagens ainda teve acesso à arquivos históricos de gravações feitas por fãs, The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years é um presente para os fãs e também para quem quer conhecer melhor o porquê de tanta fama em cima dos quatro rapazes de Liverpool. O filme basicamente conta com detalhes um período marcante na trajetória dos rapazes, entre os anos de 1962 e 1966, quando fizeram nada mais nada menos que 250 shows e exploraram e conquistaram a América. O mais legal é que conseguimos definir melhor a personalidade de cada um dos integrantes do lendário quarteto, chega a arrepiar o estado de espírito dos fãs em todos os shows lotados que fizeram nesse período. Mas a rotina cansativa e estresse da mídia em cima deles acabaram criando um cansaço precoce nesses jovens garotos que não tinham descanso. Eight Days a Week também mostra relatos de famosos, fãs dos Beatles, como Sigourney Weaver e Whoopi Goldberg, em histórias que puderam acompanhar naquela época. A segunda estava presente em um emblemático show da banda que uniu negros e brancos na mesma plateia em uma época que havia um grande preconceito da sociedade norte americana. A função desse fantástico documentário é teletransportar o espectador a uma época onde não tinha explosões de redes sociais, onde a comunicação é muito setorizada e por conta disso que o empresário dos Beatles Brian Epstein resolveu fazer essa turnê histórica pela América. A influência de Brian perante sua banda foi enorme, propôs rapidamente uma nova maneira dos músicos se vestirem e se comportar no palco. A liberdade do quarteto vinha muito em torno da música, John e Paul escreveram nessa época músicas que tocam nossos corações e nas rádios até os dias de hoje. Se formos pensar como seria a exposição dos Beatles surgindo nos dias de hoje, fica até difícil fazer algum paralelo mas com as forças das redes sociais e as ações de um mundo cada vez mais globalizado, o sucesso seria maior ainda. Não importa a época, os Beatles sempre serão os Beatles e vai ser difícil outra banda chegar com tamanha idolatria com o público como eles conseguiram. Seja beatlemaníaco ou não, ninguém pode perder esse belo documentário! Bravo! Raphael Camacho - Cine Pop

PAUL McCARTNEY - NO MORE LONELY NIGHTS

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Paul McCartney compôs "No More Lonely Nights" em 1984 como a principal faixa da trilha sonora para o filme que ele próprio escreveu, dirigiu e atuou: "Give My Regards to Broad Street" (Mande minhas lembranças para Broad Street), que tem a participações de Ringo Starr, Linda McCartney, Barbara Bach, Bryan Brown, Ralph Richardson e Tracey Ullman no elenco. O filme, na época, foi tão ou mais massacrado pela crítica que "Magical Mystery Tour" dos Beatles em 1967 (também idealizado por Paul). A baladona conta com o fantástico solo de guitarra de David Gilmour do Pink Floyd que, anos e anos depois voltaria a colaborar com Paul no fantástico “Run Devil Run”. "No More Lonely Nights" liderou de assalto as paradas de sucesso, inclusive no Brasil, chegando direto ao primeiro lugar, onde permaneceu por mais de quatro semanas seguidas. Se o filme foi um tremendo fracasso comercial nos cinemas, a trilha sonora era de arrasar. Além de apresentar esta nova música ao público, McCartney fez novas leituras para algumas de suas melhores músicas com os Beatles e também com os Wings. "No More Lonely Nights" foi indicada aos prêmios "Golden Globe Award" e "Bafta Film Award" como a mais original canção de trilha sonora para filmes. Um sucesso esmagador e sem igual.

domingo, 27 de maio de 2018

THE BEATLES - É DISSO QUE O POVO GOSTA!!!

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“Os Beatles sempre foram extremamente visionários e não impunham limites a si mesmos. Eles poderiam ter simplesmente repetido a 'fórmula do sucesso' mas tinham uma necessidade artística maior de reinventá-la. O que eles realizaram com pouquíssimos canais e recursos de gravação é difícil de ser reproduzido ainda hoje, mesmo com toda a evolução dos equipamentos e profissionais”.
Reinaldo Almeida, da banda ZoomBeatles.

THE BEATLES - POP GO THE BEATLES - 1963

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Há 50 anos, neste mesmo mês, os Beatles gravaram o primeiro episódio de seu próprio programa de rádio, Pop Go the Beatles. Em 1963, os Beatles estavam no meio de seu ano mais cansativo de turnês: eles tocavam em concertos, muitas vezes dois ou até três num mesmo dia, apareciam sempre na TV e estavam no rádio o tempo inteiro. E em maio, ganharam seu próprio programa de rádio, Pop Go the Beatles. O programa era semanal e os Beatles tinham que tocar seis ou sete músicas para cada episódio. Pop Go the Beatles obrigou a banda a se aprofundar ainda mais em seu repertório. Durante os 15 episódios do show, eles tocaram várias músicas diferentes, a maioria covers, incluindo muitas que nunca gravaram para a EMI. Cada episódio tinha três componentes principais. Haveria uma banda convidada (muitas vezes outro grupo do Mersey Sound, como The Searchers ou os Hollies). Os Beatles interagiriam com o apresentador Lee Peters (que pelas costas, chamavam-no de “Pee Liters”) e tocariam algumas músicas. Nem todo mundo gostou do show. Como observa Mark Lewisohn em seu Complete Beatles Chronicle, um relatório da BBC estima que 5,3% da Grã-Bretanha ouviram, ou cerca de 2,8 milhões de pessoas, o que era típico do horário - mas o público não gostou tanto quanto a maioria dos outros programas. Pontuou abaixo de uma média de 52 em 100 no índice de apreciação. O show durou 15 semanas, terminando em setembro de 1963. Em dezembro, os Beatles tiveram seu próprio show novamente, desta vez chamado "From Us To You”. Grande parte do material do programa Pop Go the Beatles se encontra nos álbuns duplos da BBC, volumes 1 e 2.

A INCRÍVEL RUA DOS BEATLES... NA ASA NORTE!!!

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Certas coisas que acontecem comigo, só não me surpreendem ainda mais, porque são comigo. Se não fosse, até para mim, seriam difíceis de acreditar. Hoje, aos 56 anos, meu universo, minha vida, depois de passados mais de quarenta anos, ainda gira completamente em órbita do meu Planeta Beatles. E ainda de forma mais intensa que quando tinha 13 para 14 anos e minha doença foi diagnosticada por mim mesmo, Dr. Dudu, como crônica e potencialmente gradativa com o envelhecimento. Tudo que eu faço, é pensando nos Beatles, mesmo nos piores momentos. Meu celular é entupido de músicas e todos os dias, aguardo ansiosamente a hora de poder sair e caminhar e ver o dia, ver o sol, ouvir os bichos cantarem e pensar, pensar e pensar. À tarde eu trabalho, depois a noite, a lua e as estrelas... às vezes, nuvens negras, mas sempre com os Beatles nas orelhas e no pensamento. Nunca consegui imaginar como teria sido minha vida sem os Beatles. É impossível andar na rua, atravessar um sinal e cruzar uma faixa de pedestres sem pensar nos Beatles. E isso não é exagero. O cara que pode responder a qualquer hora qualquer pergunta, mesmo das mais absurdas sobre o universo dos Beatles, é o mesmo que não sabe pagar uma conta pela internet.
Pois muito bem, um dia desses, precisava pagar uma conta em um banco que fica a pouco mais de um quilômetro da minha casa. Moleza, beleza para mim que caminho quase quatro vezes isso todos os dias. Me apliquei atacando logo com Revolution para me aquecer e fui cumprir minha missão. Já tinha ido nesse banco de outras vezes, mas sempre por outro caminho. Desta vez, fui pelo lado oposto, que passa pelo Parque Olhos D’água. Essas quadras são chiques, dizem até que o Alexandre Garcia mora por aqui... grande coisa! Chegando a um dos blocos comerciais já perto do banco, não lembro qual música estava tocando, mas logo virando à esquerda da primeira esquina, qual não foi a minha surpresa? com o que me deparei bem logo de cara?
Com um painel incrível e genial, quase em tamanho natural, dos Beatles atravessando a Abbey Road numa das oito fotos tiradas por Ian McMillan no dia que a icônica fotografia da capa do álbum foi feita do lado de fora dos estúdios Abbey Road em 8 de agosto de 1969. Uau, que legal! O lugar se chama sugestivamente “London Street” e é um pub, uma cervejaria especializada em bebidas nacionais e importadas que fica no bloco D da CLN 214 Norte. Infelizmente, pelo horário, o lugar ainda não estava aberto, senão até tomaria uma de tão satisfeito que fiquei e até cumprimentaria o dono pelo bom gosto. Let it be, outro dia eu volto. Os Beatles mais uma vez, salvaram outro dos meus dias, que ainda paguei minha conta no tal banco e fui embora sorrindo e satisfeito por, de certa forma, me sentir parte daquilo. Thanks, Beatles! Por mais esta e muitas outras que ainda virão.

sábado, 26 de maio de 2018

A PEDIDOS - JOHN LENNON - IMAGINE - O FILME**********

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Um abraço para a amiga Ana Maria Franco. Valeu!
Em 1980, a morte de John Lennon foi chorada pelo mundo inteiro, desencadeando um processo de beatificação e idolatria de dimensões absurdas, comparável apenas ao que cercava a imagem de Elvis Presley ou Kennedy. Oito anos depois, um escritor da Pennsylvania, Albert Goldman, resolveu por conta própria, assassinar também o mito que havia sido criado em torno do ídolo, disparando sua metralhadora giratória nas páginas de “The Lives Of John Lennon”, um livro ultra- sensacionalista que despertou a fúria dos fãs e a ira dos amigos mais próximos de Lennon. Embora tenha criado estardalhaço na imprensa, o livro de Goldman não foi o maior evento relacionado ao ex-Beatle lançado em 1988. O que Goldman não imaginava, era que para combater seu livro maldito, Yoko Ono usaria de todas as armas que dispunha fazendo com que o livro de Goldman quase não fosse nem percebido. Naquele mesmo ano, chegava aos cinemas do mundo inteiro o documentário "Imagine: John Lennon", uma biografia especialmente preparada por Yoko com recursos multimídia semelhantes aos que seriam adotados pelos outros Beatles no projeto “Anthology”, anos depois. A história oficial da vida de John Lennon, ganhou um excelente longa-metragem, um álbum duplo com uma trilha sonora de primeiríssima linha e um livro sensacional. Narrado pelo próprio John Lennon, a partir de extratos selecionados em mais de 100 horas de depoimentos gravados, o documentário aborda todos os principais, ou mais conhecidos, momentos da vida do genial músico, desde seu nascimento em Liverpool até o trágico fim em Nova York. Essa biografia, feita a base de aproximadamente 240 horas de filmes e videotapes caseiros de Lennon e sua vida, é transformada em uma fascinante história de um dos mais complexos e extraordinários homens da era moderna da música. Inclui algumas cenas polêmicas, perspicazes e algumas até então nunca antes vistas pelo publico.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

BOB DYLAN & GEORGE HARRISON - IF NOT FOR YOU

Um comentário:

Não deixe de conferir também "GEORGE HARRISON & BOB DYLAN - IF NOT FOR YOU", de 2013, revista e atualizada!

THE COUNT FIVE - PSYCHOTIC REACTION - 1966

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Count Five foi uma banda de rock de garagem da década de 1960 formada em San José, Califórnia, que ficou mais conhecida pelo seu single Psychotic Reaction que alcançou a 1º posição nas paradas musicais da Record World e da Cashbox e ficou em 5º lugar na Billboard em 1966. A banda foi fundada em 1964 por John "Mouse" Michalski (guitarra) e Kenn Ellner (harmônica e vocais), dois amigos de escola que já haviam tocado em outras bandas locais. Depois de usar o nome "The Squires" por pouco tempo e trocar de integrantes, nasceu o Count Five. Foram incorporados Roy Chaney (baixo), John "Sean" Byrne (guitarra rítmica e vocais) e Craig "Butch" Atkinson (bateria). Logo no início a banda se distinguia por usar capas do estilo de Conde Drácula nos shows.
"Psychotic Reaction" foi seu principal sucesso, lançada no final de 1966 como um single, a música era influência de bandas da época como The Standells e Yardbirds. Depois do estouro nas paradas musicais, chegaram a dividir o palco com bandas famosas como Beach Boys, The Byrds, Animals, Gladys Knight e Dave Clark Five, inclusive o The Doors abriu alguns shows para o Count Five antes de estourar com o mega sucesso "Light my fire" em 1967. Após serem rejeitados por diversas gravadoras, assinaram um contrato com a Double Shot Records de Los Angeles. Mas sem nenhum sucesso comercial além de Psychotic Reaction e com os integrantes tendo interesses diferentes da carreira musical, a banda continuou por mais um ano e depois se separou. Os integrantes desistiram da música, como todos ainda eram muito jovens, procuraram terminar a faculdade e acabaram seguindo diferentes caminhos profissionais.

PAUL McCARTNEY - THE BEATLES - YESTERDAY**********

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Clássico dos clássicos, "Yesterday", a mais famosa balada de Paul McCartney mantém para si o recorde de música mais gravada de todos os tempos na era do rock. Se­te anos depois de seu lançamento, ha­via 1.186 versões, feitas por artistas tão variados quanto Frank Sinatra, Otis Redding e Willie Nelson. Mas a versão ori­ginal de McCartney - gravada em 14 de junho de 1965, no estúdio Abbey Road, da EMI, em Londres - permanece como a mais bela e ousada de todas: um poe­ma franco sobre arrependimento, com­posto e cantado com assustadora ele­gância. Não há nenhum outro Beatle na gravação. Não foi preciso. O arran­jo de George Martin para um quarteto de cordas enfatizou a melancolia da oi­tava mais baixa, enquanto o vocal qua­se sussurrado de McCartney reverberou com anseio nos grandes e sombrios espaços onde bateria e guitarras elétri­cas deveríam estar. A melodia, ele disse, veio durante um sonho: “Meu pai costu­mava conhecer uma série de velhas can­ções de jazz, achei que talvez eu tives­se apenas relembrado algo do passado”. McCartney mostrou a música a Martin, com o título provisório de “Scrambled Eggs”, em um quarto de hotel de Paris, em janeiro de 1964 - antes de os Bea­tles sequer excursionarem pelos Esta­dos Unidos - mas só a gravaria um ano e meio depois. “Ficamos com um pou­co de vergonha dela”, confessou McCar­tney. “Éramos uma banda de rock and roll”. Uma das faixas do compacto sim­ples que chegou à posição de número 1 em terras norte-americanas, “Yesterday” era, em suas próprias palavras, “a música mais completa que já compus”.

HAPPY BIRTHDAY MR. BOB DYLAN - 77 ANOS!

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Bob Dylan, nome artístico de Robert Allen Zimmerman nasceu em Duluth, Minnesota, no dia 24 de maio de 1941. Bob Dylan dispensa qualquer apresentação, ele é poeta, compositor, cantor, pintor, ator e escritor. A música folk, na cultura norte-americana, atingiu o auge de popularidade nas décadas de 1950 e 1960 e Bob Dylan incorporou todas as tensões dessa época da melhor forma. Neto de imigrantes judeus russos, aos dez anos, Dylan escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu a tocar piano e guitarra (violão) sozinho. Começou cantando em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi para a Universidade em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantor Woody Guthrie. Em 2004 foi eleito pela revista Rolling Stone o 7º maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o 2º melhor artista da música de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles, e uma de suas principais canções, "Like a Rolling Stone", foi escolhida como a melhor de todos os tempos. Influenciou diretamente grandes nomes do rock americano e britânico dos anos de 1960 e 1970. Em 2012, Dylan foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Foi laureado com o Nobel da Literatura de 2016, por "ter criado novos modos de expressão poética no quadro da tradição da música americana". E, assim, tornou-se o primeiro e único artista na história a ganhar, além do Prêmio Nobel, o Oscar, Grammy e o Globo de Ouro.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

THE BEATLES - TAXMAN - GEORGE HARRISON**********

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"One, two, three, four - tosse - one, two..." - Esse é o início de "Taxman". A primeira e única música composta por George Harrison a abrir um disco dos Beatles - o álbum "Revolver" lançado em agosto de 1966. Foi também a primeira composição escrita por George Harrison a fazer uma crítica social. É um ataque verbal à figura do Taxman (auditor-fiscal). O vocal é de Harrison, com vocais de fundo e em harmonia de Paul McCartney e John Lennon. A música é tão incisiva quanto a letra, com um riff espetacular de guitarra carregado de energia, sempre no ataque. Foi composta depois que Harrison descobriu estar no grupo do "imposto complementar" britânico, o que significava pagar uma nota em impostos. Foi sugerido que o tema da série de televisão Batman pode ter sido uma influência - o "taxman" (homem do imposto) no final da canção guarda uma semelhança com o refrão da música-tema de "Batman".
Até 1966, a programação das turnês dos Beatles tinha sido tão exaustiva que não havia tempo para examinar as contas em detalhes. Quando eles começaram a fazê-lo, descobriram que não tinham tanto dinheiro quanto imaginavam. "Na verdade, estávamos perdendo a maior parte (do nosso dinheiro) em forma de impostos", disse George Harrison. "Era, e ainda é, típico. Por que deveria ser assim? Estamos sendo punidos por algo que esquecemos de fazer?" Ironicamente, à luz de sua posterior conversão, quando passou a enfatizar a futilidade das coisas materiais, George sempre foi o Beatle que mais mencionava o dinheiro quando perguntavam sobre suas ambições.
John afirmou depois que teve uma participação na composição de "Taxman" e ficou magoado por George não mencionar isso isso em sua autobiografia "I Me Mine". John declarou que recebeu um telefonema de George enquanto estava tentando escrever a música. "Soltei comentários jocosos para ajudar a música a avançar, porque foi isso o que ele pediu. Eu não queria, mas como eu o amava, mordi a língua e falei 'tudo bem". Ele disse. A versão gravada certamente é melhor em relação ao esboço de George, em que "get some bread" rimava com "before you're dead". Nos primeiros takes, os backings do refrão eram "Anybody gotta lotta money/anybody gotta lotta money/ anybody gotta lotta money?", cantado em uma velocidade muito alta, mas foi modificado para fazer menção ao primeiro-ministro Wilson e ao líder da oposição Edward Heath.
Os dois políticos compartilhavam a distinção de serem as primeiras pessoas vivas mencionadas em uma letra dos Beatles. Apesar de nunca terem conhecido Heath, eles encontraram Wilson (que também vinha do norte do país) em diversas ocasiões, como quando receberam a comenda de Membro do Império BritânicoOs Beatles — quatro jovens empreendedores que basicamente vinham de famílias operárias — eram o tipo de pessoas que Wilson queria encorajar como parte de sua visão de uma nova Grã-Bretanha sem classes sociais. Quando o poeta e líder espiritual Thomas Merton ouviu "Taxman", escreveu em seu diário (10 de junho de 1967): "Taxman, dos Beatles, está passando pela minha cabeça. Eles são bons. Boa batida. Independência, sagacidade, insight, voz, originalidade. Eles têm prazer em ser os Beatles, e eu não me ressinto do fato de que sejam multimilionários, porque isso faz parte. Eles têm de brigar mesmo com esse sorrateiro homem dos impostos".
A participação e a colaboração de Paul foram providenciais e imprescindíveis. Ele dá uma verdadeira aula de baixo, além de fazer os solos de guitarra. Participaram da gravação: George Harrison - vocal principal e guitarra; John Lennon - backing e guItarra; Paul McCartneybacking, baixo e guitarra solo; Ringo Starr – bateria e tamborins. George Martin foi o produtor e Geoff Emerick o engenheiro de som. E é exatamente um trecho do livro dele "Minha Vida Gravando os Beatles", que a gente confere agora, sempre com a absoluta exclusividade do nosso blog preferido.
Notei um amadurecimento bem definido em George Harrison durante o decorrer das sessões de Revolver. Até aquele momento ele havia desempenhado um papel totalmente subordinado na banda - afinal, eram as canções de Lennon e McCartney que sempre se tornavam hits. Mas ele acabou gravando três canções originais nesse álbum — não sei ao certo por que lhe foi dado tanto espaço, mas é possível que ele tenha pressionado Brian Epstein para que ele, por sua vez, pressionasse George Martin. Todas essas discussões aconteciam reservadamente, fora do estúdio, mas havia definitivamente aspectos econômicos envolvidos, porque o dinheiro dos direitos autorais estava diretamente ligado à quantidade de músicas que o autor tinha em cada álbum. Paul e John não debochavam das habilidades de George como compositor ou das suas explorações com a música oriental — pelo menos, não em minha presença —, mas George Martin sempre me pareceu um pouco preocupado com a qualidade das composições de Harrison e a quantidade de tempo que se gastava nelas, o que tendia a tomar Har­rison um pouco inseguro. Olhando em retrospecto, George Martin lamentou em algumas de suas entrevistas sobre a pouca atenção que, por vezes, Harrison recebia, embora isso de certa forma fosse compreensível, considerando as feno­menais habilidades de composição de Lennon e McCartney. Não é de sé admi­rar que George tenha sido ofuscado muitas vezes. Eu achei que a canção mais forte de George em Revolver era “Taxman”, e George Martin deve ter concordado, uma vez que ele decidiu colocá-la em primeiro lugar no álbum—a posição mais importante, geralmente reservada para a melhor música, já que a ideia é tentar conquistar o ouvinte imediatamente. Harrison não gostava de pagar impostos, e a Receita Federal tinha ido atrás dele uma ou duas vezes, então ele escreveu uma canção sobre isso, com uma letra muito inteligente (My advice to those who die / Declare the pennies on your eyes [Meu conselho para aqueles que morrem / Declarem as moedas em seus olhos]). Hou­ve um pouco de tensão naquela sessão, entretanto, porque George teve muita dificuldade em fazer o solo — na verdade, ele não conseguiu fazer um bom tra­balho nem quando diminuímos a fita até à metade da velocidade. Depois de algumas horas vendo-o se esforçar, tanto Paul quanto George Martin começaram a ficar bastante frustrados— aquela era, afinal, uma canção de Harrison, e portanto ninguém estava preparado para gastar muito tempo naquilo. Então George Martin entrou no estúdio e, o mais diplomaticamente possível, anunciou que queria que Paul tentasse fazer o solo. Eu pude ver pelo olhar de Harrison que ele não havia gostado da ideia nem um pouco, mas ele concordou com relutância e, em seguida, tratou de desaparecer por um par de horas. Às vezes ele fazia isso - curtia sozinho o seu mau humor, e então vol­tava. Quaisquer conversas particulares que ele tivesse com John ou Paul em seu retorno ocorriam no corredor, onde nenhum de nós podia ouvir. Às vezes Ringo fazia parte da conferência, mas geralmente ele ficava no estúdio com Neil e Mal até que a tempestade tivesse passado. O solo de Paul ficou impressionante em sua ferocidade, sua forma de tocar guitarra tinha um fogo e uma energia que seu colega de banda mais jovem raramente conseguia ter, e foi alcançado em apenas um ou dois takes. Na verdade ficou tão bom que George Martin me pediu para colocá-lo de novo no fade-out da canção.