terça-feira, 24 de dezembro de 2019

THE BEATLES - HEY JUDE - THE SONG **********************

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“Hey Jude” foi composta por Paul McCartney, lançada como lado A do single Hey Jude / Revolution em agosto de 1968. Apesar de sua longa duração (mais de sete minutos, o que era muito incomum para a época), foi o single mais vendido dos Beatles desde então. Foi escrita em junho de 1968, quando Paul foi visitar Cynthia Lennon e seu filho Julian. Após o interesse de John em Yoko Ono e o pedido de divórcio de Cynthia, Paul como amigo do ex-casal, sentiu que precisava dar seu apoio a ela a ao menino.
Paul: "Eu achei que como amigo da família eu poderia ir a casa deles dizer que tudo ficaria bem, tentar animá-los e ver como estavam. Eu dirigi cerca de uma hora. Eu costumava desligar o rádio nessas viagens e cantarolar, vendo se conseguia compor alguma coisa. Então comecei a cantar - 'Hey Jules - don't make it bad, take a sad song, and make it better...' – como uma mensagem de esperança para Julian. Tipo, ‘qual é cara, seus pais estão se divorciando, sei que não está feliz, mas você ficará bem’. Depois mudei o nome de 'Jules' para 'Jude', porque achei que soava melhor". Cynthia relembra: "Eu fiquei realmente surpresa quando, numa tarde, Paul chegou por iniciativa própria. Eu fiquei comovida pela sua evidente preocupação por nosso bem-estar, e ainda muito mais comovida quando ele me presenteou com uma rosa vermelha acompanhada de uma mensagem bem-humorada 'que tal isso, Cyn, se nós dois nos casássemos?' Nós dois rimos ao imaginarmos a reação do mundo a um anúncio desses. No caminho, ele compôs ‘Hey Jude’ no carro. Nunca me esquecerei de seu gesto de carinho e consideração vindo nos ver. Isso me fez sentir importante e amada, em oposição a me sentir descartada e ultrapassada".
McCartney gravou uma demo no piano após seu retorno. Em 26 de julho, Lennon e Yoko estavam hospedados em sua casa, e Paul tocou para eles pela primeira vez. Paul fala sobre no livro “Many Years From Now” de Barry Miles: “Eu terminei tudo na minha casa em Cavendish e eu estava na sala de música no andar de cima quando John e Yoko vieram. Eles estavam de pé atrás de mim enquanto eu tocava para eles a canção. E quando chegou na frase: ‘The movement you need is on your shoulder,’ Eu olhei para ele e disse, ‘eu vou mudar essa linha, está meio fraco.’ E John disse, ‘Você não pode e sabe disso... é a melhor frase da canção.’ Essa foi sua colaboração. Quando alguém fala firmemente para você manter algo que iria jogar fora. E toda vez que canto essa linha penso em John". John Lennon mais tarde deixou sua opinião sobre a canção ser direcionada ao seu relacionamento com Yoko, como dito na entrevista para a revista Playboy em 1980: “Paul disse que escreveu para Julian. Ele sabia que me separava e deixava de morar com Julian. Ele cuidava de Julian como um tio, e compôs ‘Hey Jude.’ Mas, sempre achei que fosse uma canção direcionada a mim. Se pensar bem, não quero ser comparado àqueles fãs que lêem coisas nas canções... Mas a letra: ‘Hey, John... go out and get her.’ Em seu subconsciente o anjinho dizia, ‘Seja abençoado, me deixe’ mas o seu diabinho não gostava nada daquilo, pois ele não queria perder sobretudo seu parceiro".
As anotações de "Hey Jude" foram compradas por Julian Lennon em um leilão por £25,000. A letra pode ter várias interpretações. Ela começa dizendo para Jude ou Julian não ficar para baixo e pegar uma canção triste e torná-la melhor. Lembrando-se de deixá-la entrar no coração para se sentir melhor. No segundo trecho, ele diz para Jude não ficar com medo, já que ele foi feito para sair e ficar com ela. (Foi esse trecho que confundiu os pensamentos de Lennon sobre a canção). Muitos idiotas acreditam que esse trecho tem uma referência às drogas, principalmente a heroína: “The minute you let her under your skin / Then you begin to make it better” - "no minuto em que você deixá-la entrar sob à pele, começará a fazê-la melhor”No refrão ele diz que a qualquer hora que sentir dor, contenha-se e não carregue o mundo nas costas e que não ache legal o fato do mundo se tornar mais frio. Julian Lennon, diz que não se atém à letra de Hey Jude, mas que se emociona toda vez que escuta.

Os Beatles começaram as gravações de “Hey Jude” em 29 de julho de 1968. A primeira sessão era mais um ensaio do que gravação. Eles sabiam que a música teria uma boa repercussão como um single, então dedicaram o tempo para aperfeiçoar os arranjos. Gravaram seis takes naquele dia. No “Anthology”, Paul fala um pouco sobre George Harrison e as gravações: “Em ‘Hey Jude’ quando eu sentei ao piano e comecei a cantar, ‘Hey Jude...’George veio com um riff de guitarra. Eu continuei, ‘Don’t make it bad...’ e ele com o mesmo riff, ou seja, ele estava respondendo com riffs todas as frases. Então eu disse, ‘Ei George, eu não acho que isso fica bom na canção. Talvez você devesse tocar só nas estrofes inteiras, mas por enquanto vamos manter as coisas simples, OK?’ Ele disse: Ok, ok.’ Mas continuou. Eu estava ficando chateado com aquilo, ele não estava entendendo o que eu queria”. Na noite seguinte eles continuaram trabalhando na canção, gravando os takes 7 ao 23. George Harrison não tocou, então decidiu esperar na sala de controle do lado de fora. A sessão foi gravada para o documentário do Conselho Nacional de Música da Grã-Bretanha, que filmaram e transformaram num curta-metragem chamado “Music!”. Ao final da sessão, o produtor George Martin fez uma mixagem padrão afim de trabalhar na trilha orquestral que foi gravada em 1° de agosto. Também no “Anthology”, Ringo disse: “Essa canção se tornou clássica. Me senti bem em gravá-la. Foi cansativo algumas vezes, mas ficou perfeita como tinha que ser”.
Em 31 de julho eles foram para o Trident Studios gravar a música na mesa de 8 canais, novidade na época. “Hey Jude” foi completada no dia 1 de agosto, com Paul adicionando baixo, vocais e os outros Beatles com os vocais de apoio. Depois a orquestra foi adicionada e os músicos foram chamados para uma sessão de vocais de apoio e palmas a fim de tornar a canção mais grandiosa. “Hey Jude” foi lançada poucas semanas depois de sua gravação e trazia "Revolution", de Lennon, no lado B. O single foi lançado primeiro nos Estados Unidos em 26 de agosto, e no Reino Unido em 30 de agosto de 1968. Foi número 1 dos dois lados do Atlântico.

Paul: “Eu fui ao escritório da Apple no lançamento do single de ‘Hey Jude’. As janelas da frente estavam com cera de limpeza branca e eu pensei, “Que grande oportunidade, muitos ônibus passam pela Baker Street lotada... então, eu rabisquei na janela ‘Hey Jude’ na cera branca. Um cara ficou super furioso e me ameaçou gritando: ‘Vou mandar um dos meus filhos que estão por aí para te darem uma surra!’ Eu disse: ‘Calma, calma... Porque isso!?’ e ele disse: ‘Você escreveu “Jude” na janela!’ Eu não tinha ideia de que ‘Jude’ era na verdade judeu, em alemão. Se você olhar o filme feito na Alemanha nazista, 'Juden Raus' eles escrevem ‘judeu’ nas janelas junto com a Estrela de Davi. Eu juro que isso nunca me passou pela cabeça”. A música de quase 7 minutos foi o single mais longo a atingir as paradas britânicas. Seu fade out tem propositalmente 1 segundo a mais do que o hit da parada de um ano antes de Richard Harris, “MacArthur Park”.
George Martin: “Nós gravamos ‘Hey Jude’ no Trident Studios. Era uma canção muito longa. Na verdade, depois de cronometrar eu disse, ‘Vocês não podem fazer um single tão longo. E John perguntou, ‘Porque não?’ Eu não conseguia pensar numa boa resposta na hora, exceto na resposta patética de que os DJ’s não tocariam uma música tão longa. Ele disse, 'Irão tocar se for nossa.' E é claro, ele estava absolutamente certo". “Hey Jude” foi lançada no dia 26 de agosto de 1968 nos EUA. Ficou pelas próximas 9 semanas no topo das paradas e vendeu 5 milhões de cópias nos seis meses seguintes. Ficou ao todo 19 semanas nas paradas.

Os Beatles contrataram Michael Lindsay-Hogg (que mais tarde seria o diretor de “Let It Be”) para dirigir um vídeo para promover “Hey Jude” e outro com "Revolution". Hogg já tinha feito os vídeos de “Paperback Writer” e "Rain" e eles tiveram a ideia de filmar com uma controlada audiência, ao vivo. Eles fizeram o vídeo no programa, The Frost Show. O programa foi ao ar em 8 de setembro. “Senhoras e senhores, vocês irão ver a maior orquestra de ‘salão de chá’ do mundo. É um prazer apresentar, em sua primeira aparição na TV após sabe-se Deus quantos anos longe das plateias, os Beatles!”. Em 6 de outubro de 1968, essa filmagem foi transmitida nos Estados Unidos, no programa "The Smothers Brothers Comedy Hour". Como era muito longa, eles também produziram uma versão mais curta para as rádios americanas, porque algumas das estações se recusavam a tocar.
"Hey Jude" foi o single de maior sucesso de toda a carreira dos Beatles. Chegou ao topo das paradas no mundo todo e, antes do fim de 1968, mais de 5 milhões de cópias tinham sido vendidas! Foi numero 1 na Billboard Hot 100 de 1968, e foi disco de ouro antes mesmo de entrar nas paradas dos EUA. Em 2001 entrou para o Hall da Fama do Grammy. Em 2004, ficou em 8° no ranking das 500 melhores musicas de todos os tempos da revista Rolling Stone. Ficou em 3° na lista das 100 melhores do Channel 4. Sobre HEY JUDE, John Lennon decretou: “Tem uma letra dos diabos! Talvez seja a melhor composição dele”.

JOHN LENNON SKETCHBOOK - O FILME COM DESENHOS DE LENNON

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O curta de animação “John Lennon Sketchbook” foi criado seis anos após o assassinato de John Lennon em 1980, numa parceria entre Yoko Ono e o animador e historiador John Canemaker. O pequeno filme animado foi disponibilizado no YouTube a partir de 2015. Com produção executiva de Yoko Ono e concebido, dirigido e animado por Canemaker, o desenho “é uma espiada pungente na mente fértil do ex-Beatle cujo talento prodigioso e sua criação musical são imortais”. Ele foi criado a partir de desenhos originais de John Lennon e uma trilha sonora que eu também editei em conjunto com Yoko Ono, que consiste em trechos de conversa entre John e Yoko e trechos de músicas", disse Canemaker. “Lennon era um "doodler” inveterado, com uma capacidade genuína como artista gráfico. Tomado como um todo, os desenhos de Lennon são outro aspecto válido de sua criatividade, visual, biográfica, imaginativa e individualista como a sua música. John Lennon Sketchbook é uma rendição pungente e cinética da história de Lennon e que agora, quase 30 anos após a sua conclusão, e agora, está ao alcance de qualquer pessoa com um computador”. Concluiu Canemaker.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

PAUL McCARTNEY - ONCE UPON A LONG AGO**********

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Gravada em Abbey Road, produzida por Phil Ramone e mixada por George Martin, que também assina os arranjos de orquestra, “Once upon a Long Ago” teve a seguinte formação de músicos: Paul McCartney canta, toca violão, sintetizador, guitarra elétri­ca, piano e baixo. Linda McCartney canta e toca pandeiroia. Adrian Brett é o flautista, enquanto Tim Renwick ficou na guitarra-base e Nick Glennie-Smith nos teclados. O baterista na sessão foi Henry Spinetti. Músicos adicionais: Stan Sulzmann no saxofone e Nigel Kennedy tocando violino - Fonte: Claudio Dirani - "Paul McCartney - Discos e Canções" - 2017.
O belo clipe de “Once upon a Long Ago” foi montado a partir de uma edição de imagens completamente distintas. Parte do vídeo é composta por um desenho animado onde uma família passa a noite de Natal e cuida de um cãozinho labrador. A segunda parte apresenta Paul McCartney e banda dublando a canção rodada no Vale das Ro­chas, em Lynmouth, Devon, Inglaterra, no dia 16/10/1987. A maior dificuldade da equipe de produção foi suportar os fortes ventos que sopravam naquela região montanhosa, além das rajadas vindas das hélices do helicóptero usado para filmagens. Foi produzido por Michael Gross e dirigi­do por Lexi Godfrey.
"Once Upon a Long Ago" alcançou o número dez na parada de singles do Reino Unido. O single não foi lançado nos Estados Unidos nem incluído na versão americana de All the Best, embora tenha aparecido na versão mais longa do Reino Unido / Canadá. Também não foi incluída em nenhum grande álbum lançado nos EUA; no entanto, apareceu no álbum promocional Never Stop Doing What You Love.

BOBBY DARRIN - BEYOND THE SEA - SENSACIONAL!

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Bobby Darrin (nascido Walden Robert Cassotto) nasceu no Harlem, em Nova Iorque, no dia 14 de maio de 1936 e morreu em Los Angeles, em 20 de dezembro de 1973 aos 37 anos. Era cantor, compositor e ator. Desde seu nascimento, enfrentou diversas dificuldades, a começar quando, ainda em sua infância, o médico após examiná-lo, constatou que ele sofria de problemas cardíacos e lhe estimou pouco tempo de vida, devido a tamanha gravidade da sua enfermidade. Por isso decidiu viver a sua vida de maneira muito intensa. Viveu como se todo dia fosse o último.
Bobby Darrin é um exemplo de superação de sensibilidade, que encontra forças em suas lembranças de infância para enfrentar a vida com alegria e acima de tudo muito talento. Entretanto, foi um conquistador, um vencedor nato, pra começar venceu a infância extremamente difícil, porque além de ficar recluso por causa da doença, sem poder brincar como as outras crianças, não conheceu o pai. Este abandonou sua mãe. Cresceu em um bairro pobre, e mesmo contra as recomendações do médico e da sua mãe de não fazer muitos esforços, tornou-se mais tarde umas das maiores estrelas da América. Os seus maiores sucessos foram as canções "Dream lover" e "Splish splash" (a mesma gravada no Brasil por Roberto Carlos). Sua carreira começou graças a sua 'mãe', Holly, que ao descobrir que o filho talvez não chegasse aos 15 anos o incentivou a aprender a tocar vários instrumentos.

Quando foi à Itália gravar "Quando Setembro Vier" conheceu aquela que seria sua esposa, a também atriz Sandra Dee. Fez de tudo para conquistá-la e acabou conseguindo, mas a mãe da atriz nunca aceitou o romance deles e tentou separá-los. Bobby Darin casou-se com Sandra Dee em 1960. Embora a amasse de verdade, Bobby começou a brilhar mais do que sua companheira no cinema, concorrendo ao Oscar, e seu brilho apagou o da sua mulher. Este talvez tenha sido o seu maior problema no relacionamento. Em 1961, nasceu seu único filho Dodd Mitchell Darin e ele se divorciou de Dee em 1967. Lutando muito, dia após dia, percorreu um caminho que o levou dos duvidosos clubes noturnos até ao seu destino de sonho, o Copacabana, onde levou multidões ao delírio com as suas interpretações. Ele era o máximo, tanto quando cantava, quanto quando escrevia as canções ou quando tocava, apesar da doença que o perseguia desde a sua infância. Isolado e confuso, foi obrigado a confiar nos seus amigos, na família e no seu extraordinário talento para acalmar os seus demônios e aceitar quem era e o que a sua vida significou. Foi indicado a um Oscar e ganhou um Grammy. Por causa de Sandra (Sandy como costumava chamar), Bobby interrompeu a sua carreira para se dedicar mais a sua vida particular, e isso fez com que a sua carreira fosse por água abaixo.
Sua esplendorosa volta ao palco aconteceu antes de sua morte. Só aí apresentou a sua verdadeira mãe, Nina, pois só naquela época descobriu que a sua suposta irmã mais velha era na verdade sua mãe, isso com certeza foi uma das maiores decepções de sua vida. Darrin faleceu no dia 20 de dezembro de 1973, após uma cirurgia no coração. Em 2004, o ator Kevin Spacey dirigiu, estrelou e co-produziu o filme "Beyond the Sea", uma biografia do artista Bobby Darin. O ator foi premiado com o Oscar e também enfrentou o desafio de cantar as canções de Darrin no filme e em sua trilha sonora. A canção "Beyond the Sea" também foi a musica tema do filme "Procurando Nemo". No Brasil, o filme de Kevin Spacey virou "Uma Vida Sem Limites".

PRISCILLA PRESLEY RELEMBRA ENCONTRO DE ELVIS COM OS BEATLES

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Elvis Presley era um grande ídolo para os Beatles e, quando a Beatlemania explodiu no início da década de 1960, todos estavam ansiosos para conhecer o rei do rock and roll. Em entrevista recém-descoberta e publicada pelo jornal Daily Express, a ex-esposa de Elvis, Priscilla Presley, relembra o dia em que eles finalmente se conheceram.
Ela cumprimentou os quatro Beatles naquela noite e mostrou a casa de Graceland para eles antes de levá-los até a sala, onde Elvis estava relaxando. "Eles eram tão fofos", revelou Priscilla. “Eles estavam tão animados, mas tão nervosos. Você poderia ouvir um alfinete caindo quando eles entraram. Tudo o que importava era ver o Elvis". Priscilla disse que a atmosfera estava um pouco "estranha" no começo. “Fiquei impressionada com a timidez deles. Eles ficaram sem palavras”, ela continuou. “Especialmente John Lennon. John estava tímido, tímido, olhando para ele… Ele simplesmente não acreditava que estava lá com Elvis Presley. Foi um pouco estranho, porque eles continuaram olhando para ele sem dizer uma palavra. Elvis precisou dizer: 'Sabe, pessoal, se vocês ficarem parados olhando para mim, é melhor eu ir para a cama". Elvis então pegou um baixo e começou a tocar, quebrando a tensão. "Aquilo iluminou a noite inteira e tudo ficou mais descontraído", afirmou Priscilla.
Lennon admitiu que estava extremamente nervoso por conhecer seu ídolo. Conversando com a revista Spin em 1975, ele lembrou: “Ficamos aterrorizados. Ele era nosso ídolo. Fomos encontrá-lo, os quatro neste dia. Entramos e ele estava sentado na frente de uma TV. Estávamos no meio de uma turnê, em 65 ou algo assim. Ele tinha essa TV, eu lembro; um amplificador e um baixo conectado a ela". E acrescentou: "Ele estava assistindo a TV sem som, tocando baixo e cantando, e estávamos meio que cantando junto. Mas nós paramos para assistir ele. Eu sempre pensei nisso do nosso ponto de vista; eu nunca pensei no dele. E anos depois, ouvi de um amigo, amigo da ex-esposa dele, que ele também estava aterrorizado: a) porque éramos a coisa nova e b) o que ia acontecer. E que ele estava há horas em preparação, pensando no que ia nos dizer. E nós o adoramos. É uma história estranha ... eu lembro de estar sentado lá e ele tocando baixo. E eu pensando: É o Elvis! É o Elvis!!!. Ele parecia ótimo mas era um pouco tímido. Eu gostaria de vê-lo em Las Vegas, porque é onde ele deve se sentir em casa. Mas ficaria envergonhado se dissessem: 'John Lennon está na plateia.' Eu odeio isso. Estou morrendo de vontade de vê-lo".

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

CHUCK BERRY & JULIAN LENNON - JOHNNY B GOODE

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Em outubro de 1986, Keith Richards organizou para Chuck Berry - seu ídolo confesso, um grande concerto para comemorar os 60 anos do velho rocker. O showzaço foi realizado em Saint Louis onde foi filmado o documentário "Hail! Hail! Rock 'n' Roll", no qual Berry recebe vários convidados famosos, como Etta James, Robert Cray e Eric Clapton, além do próprio Richards, entre outros para celebrar sua carreira. Aqui, a gente confere um dos grandes momentos do filme com Chuck Berry e um convidado especial: o filho do lendário John Lennon, Julian Lennon.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

MORRE KENNY LYNCH AOS 81 ANOS

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Kenny Lynch, cujos hits pop - incluindo "Up on the Roof"fizeram dele um dos artistas britânicos negros mais conhecidos da década de 1960, morreu aos 81 anos. Lynch foi a primeira pessoa a lançar um cover de uma música dos Beatles, com "Misery", em 1963, e apareceu na capa do álbum Band On the Run, de Paul McCartney, uma década depois. Lynch, que cresceu no leste de Londres entre outros 12 irmãos, recebeu a Ordem do Império Britânico em 1970 e apareceu ao lado de Sid James e Charles Hawtrey no cinema, na comédia Carry On Loving, no mesmo ano.
Kenny Lynch, nascido em março de 1938, era cantor, compositor, artista e ator. Participou e apareceu em vários programas de variedades na década de 1960. Na época, Lynch estava entre os poucos negros cantores da música pop britânica. Ele teve vários singles de sucesso no Reino Unido no início da década de 1960, incluindo dois Top Ten hits, "Up On The Roof", em dezembro de 1962, e "You Can Never Stop Me Loving You" em junho de 1963. Lynch também fazia parte do staff de Brian Epstein e excursionava juntamente com Helen Shapiro e os Beatles.

Também ficou conhecido por um single, também emitido em 1963, o primeiro cover de uma música de Lennon & McCartney - “Misery”, que não emplacou. John e Paul haviam escrito “Misery” para que fosse gravada por Helen Shapiro, mas ela estranhamente recusou. Lynch continuou sua trajetória na TV, nos palcos e na música e, curiosamente foi convidado por Paul McCartney em 1973 para ser um dos elementos da “banda em fuga” que aparece na capa do álbum “Band On The Run”.

PAUL McCARTNEY - NETFLIX VAI FILMAR "HIGH IN THE CLOUDS"

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A Netflix e Paul McCartney, fizeram uma parceria para produzir um filme de animação baseado no livro "High in the Clouds" (Lá no Alto das Nuvens), escrito e publicado pelo ex-Beatle em 2005. É esperado que McCartney componha algumas canções inéditas para a adaptação. Escrito em parceria com Philip Ardag, "Lá no Alto das Nuvens" fala sobre a vida de uma esquila adolescente chamada Wirral, que conhece um grupo de jovens rebeldes nas nuvens. Segundo a agência, a direção da adaptação ficará a cargo de Timothy Reckart ("A Estrela de Belém"), com roteiro de Jon Croker ("Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald").
Forçados a deixar sua casa na floresta, destruída pelos planos de expansão ambiental e desenvovimento, a esquilo Wirral parte para encontrar a terra lendária de Animalia, onde todos os animais podem viver em liberdade e sem medo. Este é basicamente o argumento de “High In The Clouds”. Paul McCartney sempre gostou de contar histórias para crianças desde cedo. Na adolescência, sua maior distração eram os clássicos da Disney. Ele criou uma série de filmes de animação, em colaboração com Geoff Dunbar, o artista que criou as ilustrações para o livro, que é um dos diretores mais finos do mundo de animação e já trabalhou em curtas-metragens como Rupert and the Frog Song, também com Paul McCartney tendo recebido diversos prêmios. Philip Ardagh, produz  best-sellers para crianças há anos, e seus livros já foram traduzidos para 27 idiomas.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

PAUl McCARTNEY & WINGS - LIVE IN GLASGOW - 17/12/1979 - COMING UP

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Esta, apenas muito poucos são os que sabem. Exatamente hoje, há 40 anos, nos dias 16 e 17 de dezembro de 1979, no Apollo Theater, em Glasgow (palco que os Beatles arrasaram em dezembro de 1965), aconteceu (ou ceram, não sei nunca!) os dois últimos shows do Wings, a fabulosa banda que Paul McCartney liderou por quase dez anos depois dos Beatles. O show inteiro, foi gravado e aparece completo no álbum duplo pirataço “WINGS - THE LAST FLIGHT - 1979 – GLASGOW”, que já esteve aqui para download. Bons tempos. O grande barato desses 2 discos, é que são uma oportunidade rara de se ouvir músicas dos álbuns “Back To The Egg” (‘Getting Closer’, ‘Again And Again And Again’, ‘Old Siam, Sir’, ‘Spin It On’, ‘Arrow Through Me’, ‘Rockestra Theme’ e ‘Goodnight Tonight’) e mesmo do “London Town" (‘I've Had Enough' e 'Mull Of Kintyre') executadas ao vivo, pela primeira e última vez. E a grande curiosidade mesmo, fica por conta de ser o último registro “ao vivo” do Wings em disco, antes de embarcarem para a fatídica excursão para o Japão que não aconteceu por causa da prisão de Paul com um pouquinho de maconha. O fato é que de todo o setlist dos shows, somente "Coming Up" chegou a ver a luz do dia em disco de verdade. Nos Estados Unidos e no Canadá, a versão ao vivo, de "Coming Up" gravada ao vivo em Glasgow, lançada como lado B do single Coming Up (ao vivo), fez muito mais sucesso, lançada quase um ano depois, em 1980.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

THE BEATLES - A ÚLTIMA TURNÊ BRITÂNICA E O ÚLTIMO SHOW EM LIVERPOOL*****

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Há 54 anos, no dia 12 de dezembro de 1965, os Beatles encerraram a última excursão que fizeram pelo Reino Unido com dois shows em Cardiff. O último show dos Beatles em Liverpool, sua terra natal, aconteceu no dia 5 de dezembro de 1965. Ninguém – talvez nem eles próprios – sabia que aquela seria a última vez que a cidade veria uma apresentação de seus filhos mais ilustres.
A última turnê britânica dos Beatles aconteceu entre os dias 3 e 12 de dezembro de 1965, com 18 shows por nove cidades em toda a Inglaterra, Escócia e País de Gales. Coincidiu com o lançamento do fantástico Rubber Soul, e do single duplo lado A com "Day Tripper" e "We Can Work It Out". Na manhã do dia 2 de dezembro de 1965 (um dia antes do lançamento de Rubber Soul). Eles partiram rumo à Escócia numa limousine conduzida pelo seu chofer Alf Bicknell, na época com 37 anos. Além dos quatro, o veículo levava também Neil Aspinall, um dos dois fiéis escudeiros. O outro, Mal Evans, provavelmente já estava lá, pois viajara na noite anterior em uma van com sete guitarras, a bateria e os amplificadores, deixando para os Beatles somente os violões que usavam para ensaiar e compor. No caminho para a Escócia para o primeiro show, uma Gretsch Country Gentleman de Harrison caiu da van e foi destruída por um caminhão, deixando-o com duas guitarras para a turnê.
Os Beatles tinham pela frente 560 quilômetros até o norte da Inglaterra, onde parariam para passar a noite antes de continuar até a Escócia para fazer o primeiro dos dezoito shows da turnê britânica de 1965.
O roteiro era o seguinte: No dia 3 de dezembro, fariam dois shows em Glasgow no Odeon Cinema; No dia 4, dois shows em Newcastle no Newcastle City Hall; No dia 5, dois shows em Liverpool no Empire Theatre; No dia 7, dois shows em Manchester no Ardwick ABC Cinema; No dia 9, dois shows em Birmingham no Odeon; No dia 10, dois shows em Londres no Hammersmith Odeon; no dia 11, mais dois shows em Londres no Odeon Astoria e encerrariam a turnê no dia 12 com dois shows em Cardiff no Capitol Cinema.
A principal fonte para esse texto (em vermelho) que a gente confere a seguir, foi compilado e editado tendo como base o excelente e fundamental (e ainda encontrável) livro do pesquisador Steve Turner, “1966 – o Ano Revolucionário”, lançado aqui no Brasil em 2106 pela Editora Benvirá. Outras fontes foram: "Paul McCartney - Uma vida" de Peter Ames Carlin"The Beatles - A Biografia" de Bob Spitz; "O Diário dos Beatles" de Barry Miles e "Os Anos da Beatlemania" dos brasileiros Ricardo Pugialli e Marcelo Fróes. Além da internet, claro.
De início, não havia planos para uma turnê de fim de ano no Reino Unido, porque os Beatles fariam um filme na Espanha para a Pickfair Eilms Limited, uma empresa de Brian Epstein, empresário deles, e de George “Bud” Ornstein, ex-chefe de produção da United Arlists. Esta filmagem acabou sendo postergada e isso permitiu que uma curta turnê fosse agendada, a primeira no Reino Unido em um ano. Em comparação às turnês de hoje em dia, que envolvem meses de ensaios, containeres cheios de equipamentos, luzes, montagem de palco complexa, equipes de segurança, centenas de técnicos, serviço de bufê, assistentes, motoristas e gerentes de mídia, a turnê britânica dos Beatles em 1965 parece bastante primitiva. A equipe inteira que os acompanhou na estrada era composta por Mal Evans, Neil Aspinall, Brian Epstein, o relações públicas Tony Barrow e o motorista Alf Bicknell. Eles chegaram a Berwick-upon-Tweed, em Northumberland, cinco quilômetros ao sul da fronteira escocesa, acobertados pela escuridão, e fizeram o check-in para passar a noite no King’s Arms Hotel, uma estalagem do século XVIII próxima ao rio no centro da cidade. No dia seguinte, os Beatles dormiram até tarde, tomaram café da manhã no quarto e saíram na hora do almoço com casacos pretos gros­sos sobre paletós e blusas de gola rolê. Então partiram de Berwick rumo a Glasgow sob uma chuva torrencial, uma viagem de 210 quilômetros.
Em Glasgow, ficaram no Central Hotel, na Gordon Street e deram a primeira coletiva de imprensa da turnê no Odeon Cinema onde fariam os shows.
Assim como em toda a turnê, em Glasgow os Beatles também fizeram dois shows noturnos e tiveram quatro grupos de abertura: Moody Blues (com Denny Laine, que mais tarde entraria para o Wings), Paramenmts (cujo tecladista, Gary Brooker, formaria o Procol Harum, Marionettes e os Koobas, de Liverpool. No dia seguinte percorreram mais 240 quilômetros até Newcastle, onde se hospedaram no Royal Turk’s Head Hotel.
Os shows em Newcastle foram notáveis não por causa dos tumultos nem pelos desmaios de fãs, mas pela chuva de balas de goma e “gonks” (bonequinhos ovais com cabelos arrepiados que estavam na moda na época) arremessados no palco.


Entre os shows os Beatles jantaram e de­ram uma entrevista ao jornalista local Philip Norman que bem mais tarde escreveria para o Sunday Times e se tornaria um renomado biógrafo de John Lennon e Paul McCartney.
Quando o segundo show acabou, eles voltaram para a sala de TV para assistir à peça The Parafffin Season de Donald Churchill, na série Armchair Theatre, que pouco tempo antes ti­nha sido retirada de seu cobiçado horário no domingo à noite. Os hotéis nessa época raramente forneciam TV, e uma das estrelas do The Season, o ator de Liverpool Norman Rossington, tinha atuado com os Beatles no ano anterior em Os reis do iê iê iê (em que interpretou o empresário do grupo, Norm). De acordo com Alan Smith (jornalista do NME que cobriu toda a turnê), foi uma noite tranquila, e todos os ga­rotos voltaram para o hotel depois do show. De acordo com outra fonte, pelo menos alguns ficaram acordados até tarde, na farra com o Moody Blues e escutando LPs do Isley Brothers e do B.B. King.
No dia seguinte, os quatro levantaram tarde e só foram para Liverpool depois das 13h. Nenhuma outra cidade britânica teve os Beatles por tanto tempo. Desde a primeira encarnação do grupo em 1957, eles tinham feito mais de 500 apresentações em Liverpool. Tios, tias, amigos de escola, pais e primos ainda moravam lá, assim como muitos dos fãs fiéis a eles na época em que tocavam covers e sonhavam com o estrelato internacional. “Liverpool é nossa casa”, disse John. “Como todo mundo nos conhece, esperam que a gente toque bem, e nós ficamos nervosos”.
Os dois shows que fizeram no Empire Theatre seriam os últimos que os Beatles fizeram em Liverpool. O Empire foi importante em momentos-chave da carreira de­les. Foi lá que Paul e George viram o show do quarteto vocal Crew-Cuts em setembro de 1955, e onde Paul fez fila diante do palco para pegar autógrafos. Foi ali que John se apresentou (sem sucesso) com o Quarry Men para o caça-talentos Carroll Levis em 1957. Foi também nesse local que John, Paul e George se apresentaram como Johnny and the Moondogs para o mesmo Levis em 1959. Em outubro de 1962, este foi o palco do primeiro grande show em teatro deles, num evento que tinha Little Richard como atração principal. Em dezembro de 1963, eles tocaram ali para membros do fã-clube num evento especial vespertino como parte do que seria transmitido na TV pela BBC como IT’S THE BEATLES.No dia do último compromisso do grupo em Liverpool, aconteceu algo meio estranho: eles foram abordados por fãs que faziam cam­panha para evitar o fechamento do Cavern, a casa de shows que ficava num porão perto das docas onde os quatro tinham feito quase 300 shows no início da carreira. A prefeitura exigia a modernização das instalações sanitárias e de esgoto, porém o dono não tinha como arcar com os custos.
Os Beatles não estavam dispostos a bancar um negócio à beira da falên­cia. Nessa época, ainda não havia uma indústria turística na cidade volta­da para os Beatles, e ninguém pensava em placas comemorativas, tombamento nem em envolvimento da National Trust. Foi Paul quem sugeriu que o espaço poderia ser transformado numa atração local, enquanto John anunciou: “A gente não acha que deve nada físico ao Cavern". Dois meses depois, a casa fechou e, apesar de ter funcionado de novo por um curto período, foi aterrada e ocupada por um estacionamento no ende­reço em que ficava em 1973.
Assim como nos shows em GIasgow o nível do entusiasmo dos fãs em Liverpool era difícil de calcular: o policiamento cuidadoso conteve tumultos nas ruas como nos anos anteriores, e a contagem de desmaios (meros 17 em um público total de 5 mil) fez a imprensa noticiar que a plateia ficou menos histérica, mas os gritos e a dança frenéticos persistiram, O barulho era alto o bastante para que Paul perguntasse ansioso se sua voz estava sendo captada pelos microfones e para que Ringo comentasse depois: “Vocês ouviram. Vocês viram. Essa é a resposta aos idiotas que falam que os Beatles estão em decadência”. Ainda assim, Alan Smith escreveu no New Musical Express: “Até em casa, na cidade de Liverpool, notei uma reação um pou­co mais tranquila da plateia em comparação com shows anteriores. Não estou criticando de maneira nenhuma, só acho que os fãs do grupo estão fi­cando um pouco mais sensatos ultimamente. Houve toneladas trovejantes de aplausos para compensar a diminuição no nível de decibéis dos gritos”.
Amigos e familiares foram cumprimentar o grupo nos bastidores, in­cluindo Bessie Braddock, membro do parlamento do Partido Trabalhista do distrito eleitoral de Liverpool; o jovem comediante Jímitry Tarbuck que tinha estudado com John; Elsie e Harry Graves, mãe e padrasto de Ringo; e os pais de George, Harold e Louise, além de sua namorada, a modelo Pattie Boyd, que ele tinha conhecido em 1964 no set de Os reis do iê iê iê. De início, havia planos para mais shows naquela segunda-feira, mas os quatro preferiram tirar uma folga para passar um tempo com os parentes e amigos.
Os Beatles tinham orgulho de ser de Liverpool. Ao contrário de ge­rações anteriores de artistas do norte do Reino Unido, eles não tentavam modificar seu sotaque nem disfarçar suas raízes proletárias. Adoravam o sentimento de comunidade que tinha sido fomentado pela época de dificuldades, a modéstia natural, o senso de humor peculiar e o cosmopolitismo proveniente de gerações de imigrantes. Muito daquilo que transformou os Beatles em algo singular — a espirituosidade, os jogos de palavras, as raízes rústicas e a afinidade com a esquerda - foi uma herança de terem nascido e crescido em Liverpool.
No entanto, a cidade também era um lugar de onde jovens com ambição como eles tentavam escapar. As pessoas eram cordiais e predominantemente da classe trabalhadora, embora a arquitetura do centro da cida­de fosse austera e tivesse certa grandiosidade imperial.
Havia instigantes conexões com importantes portos do mundo por causa dos navios que saiam do Mersey, embora, do ponto de vista cultural, Liverpool fosse atrasada em relação ao sul. Nos anos 1950 e início dos anos 1960, todas as cidades britânicas da região estavam dois ou três anos atrás da capital quando o assunto eram tendências de moda e estilo de vida. Era para Londres que os Beatles olhavam para descobrir as últimas mudanças na música pop, e foi para Londres que se mudaram no primeiro ano em que fizeram sucesso. George disse: “Tenho uma sensação estranha quando volto a Liverpool. Fico triste porque as pessoas lá estão vivendo em um círculo. Elas estão perdendo tanta coisa. Eu gostaria que elas ficassem sabendo de tudo que aprendi fugindo da rotina”.
Os shows de terça-feira em Ardwick, Manchester, foram afetados pe­las más condições da estrada. Uma neblina densa travou o trânsito na Liverpool-East Lancashire Road, e os Beatles só chegaram ao ABC Cinema 20 minutos depois do horário em que tinham que estar no palco. Foi preciso inserir um intervalo extra na programação para compensar, os grupos de abertura estenderam suas apresentações, e o mestre de ce­rimônias Jerry Stevens teve que inventar freneticamente coisas para falar a fim de evitar a revolta do público. De Manchester, eles seguiram para a industrial Sheffield, onde toca­ram no Gaumont Cinema na quarta-feira, 8 de dezembro, e em seguida foram para Birmingham e tocaram no Odeon, no dia 9. Em Sheffield, 20 fãs desmaiaram, e alguém atirou uma jujuba no olho de Paul, o que o incomodou o show inteiro.
O auge da turnê foram as duas datas de apresentação em Londres - a primeira no dia 10 no Odeon Cinema, em Hammersmith, e a segunda no dia 11 no Astoria Cinema, no Finsbury Park. A expectativa era de que aqueles seriam os shows mais difíceis, porque os londrinos tinham mais oportunidades de ver grandes espetáculos e, portanto, se orgulhavam de seu comedimento descolado. Esperava-se que o público do interior fosse à loucura de qualquer maneira, porém os fãs de Londres geralmente faziam com que os grupos tivessem que se esforçar muito para conseguir aplausos. Desta vez, o oposto provou-se verdadeiro. O público nos dois locais entrou em erupção.
Depois do segundo show no Finsbury Park, o jornalista Alan Smith relatou: “Foi o show mais selvagem e rasgado dos Beatles que vi nos últimos dois anos. As garotas corriam pelo palco possuídas por uma fúria alucinante e eram perseguidas por seguranças fortes. Algumas estavam histéricas, e vi uma menina ser carregada para fora do teatro berrando e esperneando com lágrimas escorrendo pelo rosto contorcido. Havia 3 mil pessoas no Finsbury Park Astoria, e juro que todo mundo subiu nos assentos. Agora, depois do show, alguns assentos nas primeiras fileiras jazem em montes de destroços e deixaram de existir. Fiquei saben­do que a histeria e as cenas dos fãs foram ainda piores no Hammersmith Park Astoria, ontem à noite. Eu achava que não diria isso de novo, mas, sem dúvida, A BEATLEMANIA ESTÁ DE VOLTA! Não me entenda mal. Ao afirmar isso, não estou influenciado simplesmente pelos gritos. No NME da se­mana passada, falei sobre como foi extraordinária a recepção dos Beatles em Glasgow, Newcastle, Liverpool e Manchester. Mas esses shows em Londres foram diferentes. Eu não via uma histeria dessas num show dos Beatles desde que a palavra Bealemania explodiu nas manchetes!"
O último dia da turnê britânica foi no Capitol Theatre, em Cardiff, no domingo, 12 de dezembro, um dia depois do show em Finsbury Park. Quase no final do segundo set, ocorreu um incidente preocupante: um homem conseguiu subir no palco quando tocando “Day Tripper” e se jogou sobre Paul e George antes de ser agarrado pelos seguranças. Ele rapidamente foi expulso de lá, mas foi um lembrete claro de como os Beatles estavam vulneráveis a ataques.
E é isso. Depois daquele dezembro de 1965, os quatro Beatles nunca mais voltaram à Liverpool juntos. Assim como todos os shows da turnê, o repertório que tocaram no Empire Theatre foi o mesmo com 11 músicas: I Feel Fine, She’s A Woman, If I Needed Someone, Act Naturally, Nowhere Man, Baby’s In Black, Help!, We Can Work It Out, Yesterday, Day Tripper e I’m Down.

Enquanto eu preparava esta superpostagem, o que mais me surpreendeu e impressionou, foi a falta de vídeos, filmagens, fotos e mesmo informações dessa pequena e última turnê que os Beatles fizeram pelo Reino Unido. Há vários pequenos registro, quase todos, só áudio (ruim) e sem resolução. Por isso, para não encerrar sem nenhum, a gente fica com o show dos Beatles no Empire Pool, em Wembley em abril de 1965, na entrega da premiação do NME. Os Beatles tocaram cinco músicas: "I Feel Fine", "She's Woman", "Baby' In Black", "Ticket To Ride" e "Long Tall Sally". Por enquanto é só pessoal! Espero que tenham gostado e até a próxima. Valeu.