quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

THE BEATLES - GOOD MORNING, GOOD MORNING

Steve Turner: "Paul dominou Sgt. Pepper porque John tinha se tornado um Beatle preguiçoso. Ele raramente se aventurava longe de casa, dava pouca atenção aos negócios e não se inspirava mais em arte contemporânea, mas nas questões da vida doméstica - jornais, idas à escola e à programação diurna da TV".

"Good Morning, Good Morning" era um resumo correto dessa situação e uma admissão de que ele não tinha mais o que dizer. Era uma música sobre sua vida indolente - o resultado de muitas drogas, um casamento frio e dias medidos por refeições, pelas horas de sono e por programas bobos e fúteis na TV como "Meet The Wife".

"Quando ele estava em casa, passava muito tempo deitado na cama com um bloco de anotações", lembra Cynthia. "Quando se levantava, sentava ao piano ou ia de um cômodo ao outro ouvindo música, abobalhado com a televisão e lendo jornais. Ele basicamente estava se desligando de tudo o que estava acontecendo. Estava pensando sobre as coisas. As coisas com que ele estava envolvido fora de casa eram bastante dinâmicas. Enquanto ficava sentado nesse estado, sons estranhos e trechos de conversa traziam novas (boas e más) ideias".

Foi um comercial de televisão dos cereais de milho Kellogg's que deu a John o título e o refrão de "Good Morning, Good Morning". O comercial em preto e branco não trazia nada além de cereais de milho sendo colocados em uma tigela. O jingle de quatro versos dizia: "Bom dia, bom dia, O melhor para você toda manhã. Café da manhã alegre, Kellogg s Corn Flakes, crocante e cheio de diversão". "Walk by the old school” era uma referência ao ato de levar Julian para Heath House e é provável que a pessoa que ele esperava que "turn up at a show" fosse Yoko Ono, que ele tinha conhecido em novembro de 1966. O "show" seria, então, uma exposição de arte, não uma apresentação. 
A música é bem animada com Lennon cantando,acompanhado de McCartney no refrão. O final da faixa pode ser descrito como um caos total gravado no estúdio: uma caça às raposas que se desenrola pelos canais, culminando no cacarejar de uma galinha, que George Martin notou soar como nota de guitarra que abre a faixa seguinte. Ele cuidadosamente editou esse som para fundir o cacarejo e o som da guitarra. A gravação ainda contou com a ajuda de uma banda de metais de Liverpool,o “Sounds Incorporated”, velhos conhecidos de Liverpool, que tocaram três saxofones, dois trombones e uma trompa. Infelizmente, como não tem vídeo disponível no You Tube, a gente fica com uma cover. Pelo menos as fotos são legais.

3 comentários:

João Carlos disse...

Esse Steve Turner é mais um desinformado tentando fazer carreira. Paul apenas teve a ideia e coordenou as coisas. PQP Turner! E Lucy e Mrs Kite e A Day in The Life (sem contar Strawberry) e as parcerias com Paul (A little help, She´s leavin home)? John conseguia cria de forma psicodélica qualquer coisa (família, Alice, jornais, revistas, cartazes vitorianos e etc.) Vai lamber sabão, mané!

PS: Não falei em Carnival of light, Tomorrow Never..., You know my name...

Edu disse...

Eu não concordo com o comentário apaixonado do amigo João Carlos. Steve Turner é um dos maiores pesquisadores da história dos Beatles e a origem de suas canções, ombreado por Mark Lewisohn e Hunter Davies, e há um consenso entre todos - incluindo o próprio Lennon sobre esse seu período indolente, e que McCartney dominou e coordenou toda a gravação de Pepper, é inegável. Abração JC!

Valdir Junior disse...

Discordo também do amigo João Carlos e concordo com o Edu. Em todas as entrevistas do John, ele comenta esse período como uns dos mais chapantes da sua vida, e é bem nesse momento que ele conhece a Yoko e se aventura nas idéias de arte de vanguarda dela. Ele escreveu boas musicas nesse período, mas era o Paul que mais agitava nessa época.