terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

THE BEATLES - THERE'S A PLACE

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Assim como “Misery” introduziu os sentimentos de isolamento e de rejeição que se tomariam tão significativos nas canções de John, “Theres a Place” apresentou o tema relacionado à fuga para seus pensamentos, sonhos e memórias. A música sugere ainda uma ideia que viria a se tomar mais central no seu trabalho com o avançar da década: o desejo de um estado alterado de consciência, o poder da mente de controlar o que é “real”. Em “Theres a Place”, John lida com a tristeza se recolhendo aos seus pensamentos, e é isso que caracteriza canções posteriores como “Strawberry Fields Forever”, “Girl”, “In My Life”, “Rain”, “I’m Only Sleeping”, “Tomorrow Never Knows” e tantas outras. “Bem típico de Lennon”, comentaria ele mesmo em referência a “There’s a Place”. “Está tudo na cabeça.” “Ele era uma combinação de introversão com extroversão”, conta Thelma McGough, que namorou John quando ambos cursavam a Liverpool School of Art e ela ainda usava o sobrenome Pickles. “Parecia muito extrovertido mas era tudo fachada. Na verdade, era profundo, mas mantinha esse lado muito bem escondido até que você ficasse sozinha com ele.” Embora John descrevesse a canção como sua, Paul alegaria depois que tivera a ideia original, sendo que o título derivava de “Theres a Place for Us”, de West Side Story (1957), de Leonard Bernstein (música) e Stephen Sondheim (letra), que integrava sua coleção de discos na Forthlin Road. Mas, ao mesmo tempo que Sondheim busca no mundo físico um espaço livre de pressões onde o amor possa germinar, John se recolhe em seu mundo interior, a fim de controlar o que acontece. Para uma canção criada numa época em que música pop não servia de veículo para poesia confessional, era reveladora como poucas. Musicalmente, John diz que “Theres a Place” foi a sua tentativa de fazer “uma coisa meio negra, tipo Motown”, referindo-se ao som novo e quente que então emergia de Detroit por meio da incipiente gravadora independente de Berry Goidy. A maior parte dos sucessos da Motown era composta no esquema de linha de produção e interpretada por grupos educados na escola do próprio selo: música dançante propulsionada por linhas de baixo criativas, gritos e harmonias vocais ao estilo gospel, e salpicada de pandeiros. Entre os artistas favoritos dos Beatles estavam Barrett Strong, os Miracles (com Smokey Robinson como vocalista), as Marvelettes, Marvin Gaye e “Little” Stevie Wonder. Os Beatles, por sinal, desempenhariam um papel crucial na popularização da Motown, ao gravar canções do selo como “Please Mr. Postman”, “You ve Really Got a Hold on Me” e “Money”, e depois ao mencionar seus artistas e discos em entrevistas. Em 1964, ao explicar à Record World o sucesso de sua gravadora, Berry Gordy disse: “Ajudou ter várias de nossas canções gravadas pelos Beatles. Eu os conheci e descobri que eram fas da Motown e vinham estudando a nossa música, então acabaram se tomando alguns dos maiores compositores da história. Ficamos absolutamente maravilhados.” A canção pode ter exercido influência sobre “In My Room”, de Brian Wilson, lançada em setembro de 1963 no álbum Surfer Girl, dos Beach Boys. Os versos de abertura são notoriamente semelhantes, bem como a reflexão sobre uma fuga dos problemas do mundo. Os Beach Boys e os Beades teriam efeito benéfico uns sobre os outros ao longo dos anos 1960, cada grupo impelindo o rival a subir de nível. Wilson, o gênio atormentado dos Beach Boys, tinha em comum com John a melancolia e com Paul a inventividade melódica e o ouvido impecável para harmonia.

50 ANOS DEPOIS, POR QUE A MÚSICA DOS BEATLES AINDA É TÃO BOA?

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Esse artigo de Adam Gopnik, escritor e ensaísta norte-americano, que a gente confere aqui foi publicado em 18/06/2012 no site Último Segundo, quando os Beatles estavam completando 50 anos.
A Grã-Bretanha celebrará neste verão (inverno, no Brasil) o jubileu de uma instituição que está durando mais tempo do que qualquer um imaginava, que transcendeu as fronteiras do país e que se mantém ainda hoje como uma fonte constante de alegria no mundo. Estou me referindo não à monarquia britânica - cuja rainha Elizabeth 2ª também celebra seu jubileu - mas ao 50º aniversário do primeiro show com a formação clássica dos Beatles.
Também há 50 anos foi feito o primeiro registro fotográfico de John, Paul, George e Ringo. A imagem foi feita em um ensaio à tarde, poucos dias antes de 22 de agosto de 1962 - a data do primeiro show dos Beatles. Coloco esta foto ao lado de outra imagem importante, feita no dia 22 de agosto de 1969 - exatamente sete anos depois. Este é o último registro dos quatro Beatles juntos. Existe algo sombrio, trágico ou até meio cósmico sobre os Beatles - foram sete anos de fama imediata, e longas décadas de tremores secundários.
Esses dias, vi um vídeo na internet sobre "coisas que as pessoas nunca falam". Um dos itens da lista é: "eu não gosto dos Beatles". Todos gostavam dos Beatles antes, e todos gostam deles ainda hoje. Meus filhos discordam de mim quando falamos sobre os Rolling Stones, e eles não entendem o jeito "metal farofa" do Led Zeppelin (por que eles cantam gritando com sotaque americano?). Mas para meus filhos, os Beatles são tão incontestáveis quanto a lua. Simplesmente algo que não para de brilhar. É um fenômeno.
Se a geração da época dos Beatles ainda estivesse escutando músicas de 50 anos atrás - como nós hoje -, eles estariam ouvindo canções da época da Primeira Guerra Mundial, o que é impensável. Então, por que os Beatles continuam atuais? A explicação que se ouve geralmente é que eles refletiam bem o seu tempo e eram um espelho para uma década que todos ainda reverenciam - os anos 1960.
Mas quanto mais eu os escuto e mais o tempo deles vai ficando no passado, mais fundamental o som deles se torna. Fico pensando se grandes personalidades do mundo pop não têm uma relação inversa com a sua própria época.
Charlie Chaplin, que é um dos poucos artistas com esse tipo de estatura, criou sua obra depois da Primeira Guerra Mundial - a era dos automóveis e da metralhadora, um dos períodos mais conturbados da história da humanidade. Mas seu trabalho era baseado no teatro vitoriano e na prosa de Charles Dickens, evocando uma época anterior ao seu tempo. "Luzes da Cidade" e "O Garoto" mostram a Londres dos anos 1890, não a Nova York dos anos 1920.
Eu acho que o mesmo acontece com os Beatles. Eles não eram provocadores. Seu grande tema é a infância perdida, e o que fazer diante de um mundo sério e austero, mas organizado e seguro da Inglaterra onde eles cresceram. Seus trabalhos mais duradouros - como "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane" - contam histórias como a de um menino solitário em um jardim que lhe traz conforto, ou de uma rua animada de Liverpool, onde um garoto esperto e sociável vê o mundo ao seu redor.
Sons estranhos do passado - como bandas de metais - adornam as músicas dos Beatles, como ilustrações em um livro infantil. Sexo é um tema presente no primeiro disco, mas é raramente tratado nos demais álbuns.
A música dos Beatles é duradoura sobretudo por causa do poder da colaboração entre opostos. John tinha profundidade. Ele entendia instintivamente o que separa um grande artista de um grande agente de entretenimento. O artista procura surpreender e até chocar seu público. Paul tinha compreensão, sobretudo do aspecto material da música, e sabia instintivamente que a arte que surpreende mas não consegue entreter é mera vanguarda.
Nós percebemos a diferença quando os ouvimos após a separação: Paul tinha milhares de melodias maravilhosas, mas ambições artísticas esporádicas; John tinha muita ambição artística, mas só um punhado de melodias. Mas naqueles sete anos que a profundidade de John encontrou a compreensão de Paul, nós todos subimos o Everest (que por sinal era para ser o nome do último disco dos Beatles).
O dom dos Beatles era o dom da harmonia, e sua visão sempre foi essa. Harmonia - as vozes se entrelaçando em uma canção - ainda é o nosso símbolo mais poderoso de um mundo melhor, onde os opostos cantam juntos como se fossem um só. É por isso que até mesmo Bach e Handel terminavam suas melhores obras com corais - para nos alegrar e encorajar com sons de um mundo harmônico onde nós ainda não chegamos, mas o coral já atingiu e agora está nos chamando.
A arte nos faz sentir vivos e conscientes, mas raramente ela nos faz sentir feliz. Cinquenta anos depois, a música dos Beatles ainda sobrevive porque eles nos dão um dos sentimentos mais incríveis: o de que a felicidade é algo que cabe na nossa mão.
 

PAUL McCARTNEY - TUG OF WAR - UM CLÁSSICO

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Em outubro de 1980, Paul McCartney se voltou para um velho projeto que consistia em juntar algumas faixas nunca gravadas para um novo álbum que se chamaria “Cold Cuts”, que já apareceu aqui no Baú até para download. Paul e seus Wings trabalharam nesse projeto durante um mês na fazenda dele em Sussex, mas o projeto foi cancelado. Em novembro, Paul e Denny Laine se juntaram no estúdio de George Martin em Montserrat. Paul McCartney começou então a elaborar um novo álbum em colaboração com Martin. Esta seria a primeira colaboração dos dois desde “Live And Let Die” de 1973. Então, os Wings acabaram. Foram dispensados Laurence Juber e Steve Holly e “Back To The Egg” foi o último e definitivo trabalho dos Wings.

Para o novo álbum, Macca queria ter vários convidados de peso para a gravação das canções. Em dezembro de 1980, John Lennon foi brutalmente assassinado e Paul interrompeu as gravações, decidindo recolher-se em Sussex. Finalmente voltou para Monserrat em fevereiro de 1981 e começou a gravar o que seria “Tug of War”. Vários músicos famosos foram convidados para participar das faixas do novo álbum: Dave Mattacks, Steve Gadd, Carl Perkins, Stevie Wonder, Stanley Clarke, Eric Stewart e Andy MacKay. Paul também recebeu a visita de Ringo Starr e George Harrison e começaram a gravar uma composição nova de George “All Those Years Ago” em homenagem a John Lennon. Foi quando finalmente Denny Laine e Paul terminaram a parceria definitivamente durante as primeiras sessões de Tug Of War. Denny começou sua carreira solo, porém não obteve sucesso algum.
O álbum “Tug Of War” foi lançado em abril de 1982 e muito bem recebido pelos críticos. Até hoje, para muitos, considerado como o melhor desde “Band On The Run”. A qualidade do álbum é indiscutívelmente sentida na colaboração entre Paul e George Martin e o acompanhamento dos artistas escolhidos por Paul desde o inicio das gravações do álbum, sem mencionar a maturidade crescente de Paul que, aquela altura mostrava-se ainda melhor como compositor e como artista.
“Tug Of War” foi um sucesso arrasador em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos onde ficou durante 3 semanas em primeiro lugar. Ainda figurou nas paradas americanas durante 29 semanas. Por “Tug Of War”, Paul foi premiado como o melhor artista britânico e melhor contribuição para música britânica (BPI Awards) em 1982. Esta obra-prima é dada o chute inicial com a música tema, Tug Of War, belíssima balada que começa lentamente com uma introdução acústica e, ao decorrer, se torna mais elétrica e poderosa, contando com o apoio de uma orquestra. Nesta canção, como em muitas outras do álbum, Eric Stewart auxilia ainda nos vocais de apoio juntamente com Paul e Linda. Sem dúvida alguma, um álbum fundamental em qualquer discoteca, de fãs dos Beatles, ou apenas de boa música. “Tug Of War” levou ainda para as paradas o megasucesso gravado com Steve Wonder “Ebony and Ivory” e a maior paulada do disco: a clássica “Take It Way”, além da belíssima homenagem a John Lennon, “Here Today”.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A PEDIDOS - RINGO STARR - O HOMEM DAS CAVERNAS

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Um abraço para o amigo Leandro Pereira. Valeu!“Caveman”, no Brasil “O Homem das Cavernas” é um filme de 1981, comédia, dirigido por Carl Gottlieb e estrelado pelo nosso incomparável Ringo Starr. Foi durante as filmagens, que em 1980, Ringo conheceu Barbara Bach e se casaram em abril de 1981.A história começa a “zilhões” de anos antes de Cristo. “O Homem das Cavernas” conta a história de Atouk (Ringo), um homem pré-histórico e sua paixão pela mulher do chefe de uma tribo rival.Ele sai pelo deserto para encontrar a garota de seus sonhos e vive uma série de aventuras. A comédia é estrelada por Ringo Starr, Dennis Quaid, Shelley Long, Barbara Bach e grande elenco. Mostra o cotidiano dos homens das cavernas, sua evolução e sociedade da forma mais hilária possível. A linguagem do filme são somente algumas palavras e grunidos pré-históricos, o que torna o filme universal.

Atouk aprende os segredos do fogo, como cozinhar a carne, a desenvolver armas de luta e se defender de monstros brutais. Tudo isso enquanto busca por sua amada Lana (Barbara Bach). Ela é a sexy namorada do grandalhão Tonda, o chefe de uma tribo hostil e rival. Lana não dá bola para Atouk e ele - acidentalmente - se torna líder de um novo grupo formado por um velho cego, um anão e um casal gay entre tantos outros tipos engraçados e rejeitados por outras tribos.O filme tem seus deslizes, do ponto de vista histórico, quando coloca no mesmo ambiente e período, homens e dinossauros. Do período paleolítico ele não leva em consideração suas especificidades, do tipo: os homens andavam nus. Mas é uma boa diversão e, ora, estrelado por Ringo e Barbara Bach, no auge da forma. Aqui, a gente confere a hilária cena da invenção da música e logo embaixo o filme inteiro. Abração!

sábado, 25 de fevereiro de 2017

THE BEATLES - HAPPY BIRTHDAY, GEORGE!

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HAPPY BIRTHDAY GEORGE! 74 ANOS

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Nosso querido George Harrison estaria completando 74 anos hoje, apesar do próprio afirmar em seus últimos anos, que havia descoberto ter chegado ao mundo material no dia 24 de fevereiro. Sua trajetória foi interrompida em 29 de novembro de 2001, aos 58 anos, pelas sequelas de um câncer que começou na garganta, foi para o pulmão e por fim para o cérebro. Seu estado de saúde agravou-se depois de sua casa ser invadida por um idiota que o esfaqueou diversas vezes. O estudo das religiões e ensinamentos orientais o levaram a desenvolver o mais elevado sentimento que um ser humano pode ter, o amor universal. Um ser humano absolutamente iluminado que soube, como poucos, enfrentar seu destino com coragem e dignidade. Um exemplo para todos nós. Parabéns, amigo. Jamais esqueceremos. Podem passar mil anos! Hare Krishna!

GEORGE HARRISON - TRUE LOVE / THIS SONG / CRACKERBOX PALACE

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GEORGE HARRISON - O MÍSTICO ENTRE OS TRABALHADORES

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Na primavera de 1965, quando aceitou um convite de longa data para jantar, George Harrison não tinha motivos para suspeitar que a trajetória de sua vida religiosa estivesse prestes a mudar para sempre. Filho de uma mãe católica e um pai anglicano pouco convicto, Harrison passara uma década afastado dos ensinamentos espirituais de sua juventude. Ao atingir uma idade em que se sentia confortável para imitar as escapadas de seu pai da missa de domingo, também ele começou a evitar aqueles períodos de tédio. Pregações impressionantes, porém desatualizadas, não tinham o menor apelo sobre ele. Como já ocorrera à sua irmã e a seus dois irmãos mais velhos, foi levado a um estado mental irreligioso, focando-se, ao contrário, nas preocupações usuais dos adolescentes e na banda que ele e seus amigos Paul McCartney e John Lennon haviam formado. Quando, no final das contas, os Beatles explodiram em um sucesso estratosférico e fama estelar, ele aproveitou tudo que o mundo material tinha para oferecer. Preocupações espirituais não passavam por sua mente. Quando os Beatles estavam filmando Help! em Londres, Harrison e sua namorada convenceram John Lennon e sua esposa a se juntarem a eles em um jantar oferecido pelo dentista dos Beatles. Após o jantar, sem o conhecimento deles, o anfitrião lhes deu café batizado com LSD. Harrison depois relatou o que aconteceu: “Meu cérebro, minha consciência e minha percepção foram levados para tão longe, que a única maneira em que eu poderia começar a descrever isso seria como um astronauta na Lua ou em sua nave espacial, olhando de volta para a Terra. Eu estava olhando de volta para a Terra de minha percepção”. O que ele encontrou por meio de sua percepção levada “para tão longe” veio como uma revelação. Na clareza arrebatadora de uma experiência com LSD, George inesperadamente encontrou Deus. O reconhecimento pleno dessa descoberta não lhe veio senão meses depois. Naquela noite, em abril de 1965, ele apenas compreendeu que fora preenchido por uma emoção estranha e poderosa. Ele relembra: “Eu me apaixonei, não por algo ou alguém em particular, mas por tudo. Tudo era perfeito, em uma luz perfeita, e eu possuía um desejo incontrolável de andar pelo clube dizendo a todos o quanto eu os amava — pessoas que nunca tinha visto antes”. Com o tempo, ele foi capaz de relembrar objetivamente a experiência, e percebeu que nessas horas incríveis acolheu o divino e foi por ele acolhido. Sua vida nunca mais seria a mesma. Esse primeiro grande passo em direção a um novo caminho levou a outros. Ele descobriu uma afinidade com a distante índia. Tomou-se amigo de Ravi Shankar e estudou a cítara. Aderiu ao yoga e começou a entoar cânticos. Estudou meditação com Maharishi Mahesh Yogi e apoiou a missão mundial de Swami Prabhupada. Tornou-se um devoto do Hinduísmo, visitando templos e lugares sagrados e estudando os escritos de seus homens sacros. Veio a adorar Krishna. George trabalhou bastante para dominar seu próprio ego e dedicou grandes esforços para compreender a verdade escondida atrás desse sonho consciente que acreditava que nós habitamos. Assim que aprendeu a ver o mundo pelos olhos de um místico, Harrison passou a oscilar entre apego e desapego por ele. Preferia manter-se fora do centro das atenções, mas sua empatia por pessoas sofrendo do outro lado do planeta o levaram a comandar o primeiro super evento rock ‘n’ roll beneficente. Ele estava satisfeito com seu próprio relacionamento com a divindade, mas sentia a urgência de escrever músicas para despertar as massas “adormecidas”. Ainda que vivesse sua vida como um dos homens mais famosos do mundo, ficava sempre contente em vestir um macacão e botinas e participar do trabalho manual ao redor de suas propriedades. Quando deixou o mundo material, sucumbindo ao câncer aos 58 anos, aqueles que o acompanharam em suas horas finais, além de sua família, foram os que compartilhavam de suas crenças espirituais - membros da Sociedade Internacional da Consciência Krishna e seu amigo de longa data, Ravi Shankar. George Harrison viveu uma vida fascinante, única, e, no entanto, nunca perdeu a conexão com suas raízes. Ao mesmo tempo em que se equiparava a artistas brilhantes, titãs financeiros e líderes políticos do mundo, permaneceu um filho de Liverpool. À vontade com os homens sagrados, discutindo a sabedoria de Upanishads e o Bhagavad Gita, ele era sempre o rapaz pé no chão cujo pai dirigia um ônibus, cujos irmãos eram comerciantes, e que trabalhou como aprendiz de eletricista na Blackler até o dia em que seu destino o chamou.

GEORGE HARRISON & PAUL SIMON - INESQUECÍVEL

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

POWWOW HIGHWAY - UMA ESTRADA SEM LIMITES

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Em 23 de fevereiro de 1989, George compareceu à estréia do filme “PowWow Highway” de sua produtora, a Handmade Films, que George criou para revitalizar o cinema inglês arcando com todos os custos, chegando até mesmo a hipotecar sua casa.O filme não teve repercussão alguma e foi um grande fracasso. Conta a história da viagem de dois índios americanos pelo interior dos Estados Unidos para salvar um amigo, preso de forma injusta. No caminho, eles vivem várias aventuras que ressaltam as diferenças culturais entre peles-vermelhas e brancos. Retrato do mal tratamento dado a indígenas norte-americanos, desde fatos como habitação e moradia precárias até a história de sua supressão cultural.

THE BEATLES - HELP! DIAMANTES SÃO ETERNOS

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Uma das maiores frustrações que eu tinha aqui com o nosso blog preferido era que, nos últimos três anos, “Help! acabou aparecendo pouco aqui, embora que, entre 2008 e 2012, apareceu 48 vezes, incluindo um superespecial que se tornou uma postagem épica. Depois disso, apareceu algumas vezes, mas nunca mais o vídeo oficial da abertura do filme - que era e ainda é o que mais me deixa acachapado – O Youtube retirou-o de circulação, restando poucas opções como dos shows do Shea Stadium e do Hollywood Bowl, ou de alguns poucos especiais de TV mas nenhuma dessas se compara a da abertura do filme. De todas as canções dos Beatles, ou melhor, de todas as canções que eu conheço no universo, “Help!” é de longe a que eu mais gosto e a que mais me identifico! É a música que eu gosto mais, o disco que eu gosto mais e o filme que eu gosto mais!
Os Beatles apareceram definitivamente em minha vida nas férias de julho de 1975 – eu tinha 13 anos. Dois primos da minha idade estavam hospedados lá em casa. Num sábado à tarde, procurando o que fazer, abri o jornal e vi que estava passando “Help!” no cinema 1 do Conjunto Nacional. Foi ali que eu levei o choque: logo no comecinho quando de repente, aparecem os Beatles em preto e branco, todos em seus trajes negros de gola chanel na maior alegria e jovialidade mandando ver com “Help!”.Eu fiquei encantado, pararisado, estupefado e embasbacado com aquela visão daquela imagem dos Beatles gigantes bem na minha frente! Desde de então, minha vida nunca mais foi a mesma. Me tornei O Beatlemaníaco mais maníaco que já conheci e hoje tenho no mínimo uns 20 LPs de “Help!” de vários países, fora os tantos nacionais, CDs e fitas cassete. Não tenho medo de errar ou estar mentindo em afirmar que até hoje, já assisti “Help!” mais de 500 vezes! Não pelo filme, roteiro ou diretor, somente, única e exclusivamente, por causa dos Beatles e sua música maravilhosa. Graças a Deus, o mundo têm girado e existe vida inteligente além do Youtube.

ODEIO MÚSICA - LEMBRANÇAS MUSICAIS DE UMA ÉPOCA

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“Há lugares e pessoas em minha vida de que sempre lembrarei. Alguns estão mortos e alguns ainda vivem. Em minha vida, eu amei todos eles”. Os versos da canção de John Lennon poderiam muito bem definir a obra “Odeio Música – Lembranças musicais de uma época” de João Carlos de Mendonça. O livro narra, de forma muito, muito bem humorada, as peripécias de um rapaz que, ainda muito jovem, embarcou no mundo da música atuando em conjuntos de baile (bandas de rock que animavam bailes) entre 1965 e 1975, desde sua primeira adolescência, sua paixão pela música, pelas garotas, suas inquietações, dúvidas e as aventuras e desventuras com as bandas pelas quais passou. Conhecendo o estilo de João Carlos pela sua coluna “Sábado Som”, não foi surpresa nenhuma para mim, tão deliciosa e divertida leitura, rápida e dinâmica como o próprio rock and roll que permeia todo o livro. Guardadas as devidas proporções, não pude deixar de me identificar com o protagonista. Tudo o que é narrado ali, poderia muito bem ter sido com qualquer um de nós. Caro amigo João Carlos: meus parabéns e muito obrigado por me proporcionar tantas lembranças e conseguir arrancar dessa minha carranca, o mais largo sorriso. Fico de cá, feliz e observando o sucesso do livro, que cresce a cada dia. Aquele abraço! Edu.


ODEIO MÚSICA – Lembranças musicais de uma época” – em formato de eBook Kindle e à venda pela Amazon e Saraiva por apenas R$ 9,90. ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

THE BEATLES - A GLORIOSA VOLTA PARA CASA

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No dia 22 de fevereiro de 1964, terminou a primeira visita dos Beatleas aos EUA. Após as mini-‘férias’ em Miami, os Beatles voltam para à Inglaterra. Desembarcam às 8h10 no Heathrow Airport em Londres onde 3.620 fãs enlouquecidas os aguardavam em meio a uma tumultuada recepção de boas-vindas. Concederam uma entrevista coletiva no salão Kingsford-Smith no aeroporto, que, posteriormente, foi exibida pela BBC TV no programa esportivo Grandstand. Informações sobre a volta da banda também foram transmitidas nos noticiários das rádios e outros programas.

THE BEATLES - THE BEING FOR THE BENEFIT OF MR. KITE

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Em janeiro de 1967, os Beatles foram ao Knole Park, perto de Sevenoaks, em Kent, para rodar o filme promocional de “Strawberry Fields Forever”. “Perto do hotel onde tínhamos nos hospedado havia um antiquário”, diz Tony Bramwell, ex-funcionário da Apple. “John e eu entramos para dar uma olhada, ele viu um cartaz vitoriano de circo emoldurado e comprou.”
Impresso em 1843, o cartaz orgulhosamente anunciava que o Circo Royal de Pablo Fanque apresentaria a “mais sublime noite de sua temporada” em Town Meadows, Rochdale, Lancashire. A produção aconteceria “em benefício do Sr. Kite” e teria como atração “o Sr. J. Henderson, o famoso saltador” que “apresentará seus extraordinários saltos mortais e de trampolim sobre homens e cavalos, entre argolas, sobre ligas e por fim através de um tonel em chamas. Neste ramo da profissão o Sr. H. desafia o mundo”. Dizia-se que o Sr. Kite e o Sr. Henderson asseguravam ao público que “a produção da noite será uma das mais esplêndidas já produzidas nesta cidade, sendo preparada há alguns dias”.
John começou a compor uma canção com base no texto do cartaz, que passou a ficar pendurado na parede da sua sala de música. Pete Shotton o viu estreitando os olhos para ler o texto enquanto tentava achar uma melodia ao piano. John modificou alguns fatos para que melhor se adequassem à música. No cartaz era o Sr. Henderson que desafiava o mundo, não o Sr. Kite; os Henderson “não tinham saído da Pablo Fanques Fair”; Kite, sim, “saíra do Circo Wells”. Para acertar a rima com “dont be late”, John moveu o evento de Rochdale para Bishopgate, em Londres, e fez do circo uma feira (“fair”) para rimar com “will all be there”. Também o nome original do cavalo era Zanthus, e não Henry. Para John, Pablo Fanque, o Sr. Kite e os Henderson nunca passaram de nomes exóticos, mas os registros históricos mostram que eles foram astros no mundo do circo há 150 anos. O Sr. Kite era William Kite, filho do dono de circo James Kite, que fundara o Kite’s Pavilion Circus por volta de 1810. William aparentemente teria nascido por volta de 1825 em Lambeth, Londres, e se tornado um artista versátil e especializado em trabalho equestre. Integrou o circo de Lord Sanger, depois o Wells e, de 1843 a 1845, trabalhou no de Pablo Fanque. Ele se casou com Ann Deveraux e em 1875 tiveram uma filha, Elizabeth.
Pablo Fanque era um artista de muitos talentos e foi o primeiro negro a ser dono de um circo na Grã-Bretanha. Seu nome verdadeiro era William Darby. Nasceu em Norwich em 1796, filho de John e Mary Darby. Nos anos 1830, quando atuava como equilibrista, começou a se apresentar como Pablo Fanque. Morreu em Stockport, em maio de 1871, e foi enterrado no cemitério de Woodhouse, em Leeds, no terreno que hoje está situado dentro do campus da universidade local. Os Henderson eram John, que se apresentava na corda bamba, a cavalo, no trampolim e como palhaço, e sua esposa Agnes, filha do famoso dono de circo Henry Hengler. O casal circulou por toda a Europa e pela Rússia nas décadas de 1840 e 1850. Os “somersets” que o Sr. Henderson executava sobre “chão duro” eram saltos mortais, “garters” ou “ligas” eram panos que duas pessoas seguravam, uma em cada ponta, e “trampoline” naquela época era o próprio trampolim, de madeira, não as camas elásticas de hoje.
Era comum naquele tempo que artistas de circo conhecidos ganhassem espetáculos em sua homenagem, ficando com todo o lucro. Alguém estabelecido e popular como William Kite podería contar com pelo menos um destes eventos por ano. Na época, John achou que “Being for the Benefit of Mr. Kite!” era uma canção descartável, contando a Hunter Davies que “não tinha orgulho dela. Não tinha me dado trabalho de fato. Eu estava no piloto automático porque precisávamos de uma canção nova para o Sgt. Peppers naquele momento”. No entanto, ao criar uma música a partir do texto de um anúncio, o que ele estava fazendo era o que Marcei Duchamp fizera na arte em 1917, ao colocar um mictório em exposição. William Burroughs e Bryon Gysin realizaram algo parecido ao incorporar textos de anúncios, diários e jornais à sua poesia e ficção. Em 1980, John mudou radicalmente de opinião, dizendo ao repórter da Playboy, David Sheff, que “ela é tão cosmicamente linda... a canção é pura, como uma pintura, a mais pura aquarela”.
Participaram da gravação: John Lennon: vocais e backing vocals, loops e gaita; Paul McCartney: baixo e guitarra solo; George Harrison: tamborim, gaita órgão Hammond; Ringo Starr: bateria, tamborin, maraca; George Martin: piano, gaita, órgão, glockenspiel e loops; Mal Evans: gaita baixo; Neil Aspinall: gaita e Geoff Emerick: loops.

E, para encerrar essa postagem com chave de ouro, a gente confere um um vídeozinho artesanal, mas bem legal dos Beatles, e com a cena do filme “Across The Universe”.

PERCY THRILLS THRILLINGTON - THRILLINGTON

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Em 1977 chegava às lojas de discos “Thrillington”, um álbum de autoria de um tal Percy Thrillington, um suposto socialite britânico, que pegava várias canções de Paul McCartney e lhes dava uma roupagem assumidamente "retrô". O álbum praticamente passou despercebido, sendo que a única ligação com McCartney - além das canções - era uma menção ao ex-Beatle nas notas do disco, em que era descrito como um "amigo" de Percy. Durante vários anos, suspeitou-se que fosse o próprio McCartney o autor deste álbum, até que o músico o confirmou durante uma conferência de imprensa em 1989. À essa altura, a sua "confissão" fez disparar o valor das cópias do álbum para mais do seu triplo. Um ano depois, McCartney dizia ser ele, também, o autor das notas do álbum Clint Harrigan, que também havia "escrito" as notas de Wild Life, álbum dos Wings. “Thrillington” já foi reeditado três vezes: em 1995, 2004 e, mais recentemente, em 2012, tendo McCartney criado uma conta fictícia no Twitter como Percy Thrillington para promovê-lo. Em abril, “Thrillington”, completará 40 anos, sendo um dos ítens mais curiosos da longa carreira de Paul. Esse álbum já esteve aqui para download em junho de 2011 e aqui a gente confere novamente o texto do jornalista e pesquisador Cláudio D. Dirani em seu livro: "Paul McCartney - Todos os segredos da carreira solo".http://2.bp.blogspot.com/-_6lY6mruOrE/TdKEZkA6TkI/AAAAAAAAJ_k/PHK1xplJ6Yo/s400/
THRILLINGTON - “Instrumental original” - Um projeto complexo e requintado, produzido em apenas quatro dias, que permaneceu sete anos guardado nos arquivos perdidos do baú de Paul McCartney.
Em maio de 1971, McCartney convidou o arranjador Richard Hewson para trabalhar em seu novo projeto: uma versão instrumental do álbum Ram, ainda inédito naquele momento. Hewson era um conhecido de Paul, dos tempos da Apple, tendo colaborado com ele anteriormente nos arranjos e orquestrações da faixa Goodbye, e do LP Postacard da cantora Mary Hopkin. Com os arranjos preparados, Paul convocou o engenheiro de som, Tony Clark, para juntar-se às sessões de gravação de Thrillington, nos dias 15, 16 e 17 de junho, que aconteceriam no Studio 2 de Abbey Road. As bases rítmicas das canções – antes de receberam os arranjos compostos por Hewson foram gravadas por uma banda composta por Herbie Flowers (contrabaixo), Steve Grey (piano), Vic Flick (guitarra elétrica e violão), Clem Cattini (bateria), Roger Coulan (órgão) e Jim Lawless (percurssão). Após as sessões, que duraram cerca de 11 horas, no dia 15 de junho, os arranjos criados anteriormente por Hewson puderam ser gravados, com a adição de dez violinos, quatro calos, duas clarinetas, dois saxofones altos, e um cravo com som de harpa utilizado na faixa Uncle Albert / Admiral Halsey. No dia seguinte, Paul e Hewson continuaram trabalhando nos arranjos. Nessa data, mais um trompete piccolo (o mesmo utlizado na canção Penny Lane), quatro flautas e um coral formado por garotos do grupo The Swingle Singers foram adicionados às canções. O coral, proveniente da França, participaria apenas da canção Ram On. No dia 17 de junho, mais instrumentos seriam registrados, desta vez, no maior estúdio da Abbey Road, o Studio I. Entre eles, trompetes, trombones e uma tuba. Com todas as gravações prontas, o dia 18 de junho foi reservado para o trabalho de mixagem. Tony Clark, um dos mais envolvidos no projeto, ficou a cargo dessa tarefa, com supervisão de Paul McCartney. Embora muito esforço tenha sido colocado no projeto, Thrillington só chegaria às lojas, sem muito alarde, em meados de 1977. O LP (lançado como CD apenas em 1995), entretanto, não seria divulgado como um trabalho de Paul McCartney mas, sim, como mais um de seus pseudônimos, o maestro irlandês Percy “Thrills” Thrillington. “Depois que finalizamos Ram, eu tive a idéia de lançar uma versão “Big Band” do álbum. Percebi que ninguém faria isso por mim (risos), então decidi produzir o disco com Richard Hewson, só que usando um pesudônimo. Acho que foi um pouco de indulgência da minha parte, porque ninguém mais faria isso, ou lançaria um álbum desse tipo. A verdade é que gosto de fazer algumas bobagens como essa”, explicou McCartney em entrevista ao fanzine official, Club Sandwich, em 1992.

ÔBA! PAUL & RINGO JUNTOS NO ESTÚDIO

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Uma foto icônica para os fãs dos Beatles foi publicada no Twitter de Ringo Starr no último domingo (19). Nela, Ringo aparece abraçado com seu velho companheiro de banda, Paul McCartney. “Obrigado por ter vindo e tocado seu baixo tão bem. Eu te amo, cara. Paz e amor”, escreveu Ringo na legenda. Outra imagem divulgada por Ringo mostra os dois ex-Beatles com Joe Walsh, guitarrista dos Eagles. "E olha só, Joe W. veio tocar. Que dia estou tendo", escreveu Ringo.
Como já foi confirmado, Paul fará uma participação no novo álbum do amigo, mas ainda não há mais informações sobre o lançamento. A última colaboração entre Paul e Ringo foi no álbum Y Not, lançado por Ringo em 2010. Desde já, estamos todos ansiosos para conferir essa nova parceria! Confira abaixo “Walk With You”, música de Ringo Starr com participação de Paul nos vocais.

A ARTE INSPIRADORA DE RENÉ MAGRITTE

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A década de 1960 trouxe um grande aumento na conscientização do público sobre a obra de Magritte. Um dos meios pelos quais sua imaginação se tornou familiar a um público mais vasto foi através da reprodução em álbuns de rock. Os primeiros exemplos incluem o álbum de 1969 “Beck-Ola” do Jeff Beck Group - reprodução de Magritte da obra The Listening Room, e o álbum de 1974 de Jackson Browne, Late for the Sky, inspirado por Magritte em L'Empire des Lumières.
Alan Hull da banda de folk-rock UK Lindisfarne, utilizou pinturas de Magritte em dois álbuns solo em 1973 e 1979. A banda Styx fez uma adaptação de Magritte (Carte Blanche) para a capa de seu álbum de 1977 The Grand Illusion, enquanto a capa do álbum de Gary Numan de 1979 “The Pleasure Principle”, assim como John Foxx em seu álbum de 2001 ‘The Pleasures of Electricity”, que foi baseada na pintura de Magritte “Le Principe du Plaisir”.
A banda de rock Jethro Tull menciona Magritte em uma letra “1976”, a canção de Paul Simon "Rene and Georgette Magritte with Their Dog After the War" aparece no álbum de 1983, Hearts and Bones. Magritte também é o tema e título de uma canção de John Cale em 2003 “Hobo Sapiens”. E por aí vai. Se fosse pesquisar de verdade, acredito que ainda haveria mais.
No entanto, de todos os ícones da Cultura Pop, ninguém é mais fã de Magritte do que Sir Paul McCartney, desde os anos 60. Paul é dono de muitas de dezenas de suas pinturas, e afirma que uma pintura de Magritte o inspirou a usar o nome Apple para empresa multimídia dos Beatles.
Em uma entrevista com Johan Ral em 1993, Paul McCartney lembra: "tinha um amigo chamado Robert Fraser, que era proprietário de uma galeria em Londres, costumávamos sair muito e eu disse a ele que eu realmente amava a obra de Magritte. Fomos descobrindo Magritte nos anos sessenta, apenas através de revistas e essas coisas e simplesmente adorávamos seu senso de humor. Quando ouvimos que ele era um cara muito comum que costumava pintar nove horas por dia com o seu chapéu-coco, tornou-se ainda mais intrigante. Robert foi atrás de algumas gravuras para mim, porque sabia que eu realmente gostava dele. E foi tão barato, então, é terrível pensar o quão barato elas eram. Mas de qualquer forma, adorei. Um dia ele trouxe esta pintura para a minha casa. Estávamos no jardim,era um dia de verão. E ele não queria perturbar-nos, eu acho que nós estávamos filmando ou algo assim. Então, ele deixou esta imagem de Magritte. Era uma maçã - e ele apenas deixou na mesa da sala de jantar e se foi. Havia uma inscrição sobre ela "Au revoir". E naquele momento surgiu a ideia da Apple. E esta maçã verde grande, que eu ainda tenho agora, tornou-se a inspiração para o logotipo. E então decidimos cortá-la ao meio para o lado B".
A pintura que se tornou a inspiração para o logotipo da Apple é chamada Le jeu de Mourre e data de 1966. 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

TRAVELING WILBURYS - RUNAWAY - SENSACIONAL!

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“A HARD DAY’S NIGHT” NA NOVELA DAS SETE – É MOLE?

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A maldita rede ataca de novo! Não satisfeita em ter acabado com “Lucy In The Sky With Diamonds” na abertura da novela brilhante (2015) cantada por um tal de Dan Torres, a Globo dessa vez vai utilizar nada menos que “A Hard Day’s Night” na abertura da próxima novela das sete “Pega Ladrão”, comédia que substituirá “Rock Story”. A versão será cantada pelo Skank.

ÁGUA NO FEIJÃO QUE A NEGADA VAI JANTAR!

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Podia ter sido a formação de um novo supergrupo, mas não passou de um jantar entre amigos. Paul McCartney, Dave Grohl, Ringo Starr e Tom Hanks foram vistos, esta semana, juntos no mesmo restaurante. O encontro foi no restaurante Giorgio Baldi, em Santa Mónica, Califórnia, na última quarta-feira. Além destes quatro, também Joe Walsh, dos Eagles, cunhado de Ringo, casado com a irmã de Barbara Bach se juntou a eles, sendo que o ator Martin Short e a atriz Maya Rudolph também se encontravam no mesmo estabelecimento. Os quatro foram filmados e fotografados pelos paparazzi presentes no local, tendo um destes questionado Ringo Starr sobre a visita de Donald Trump ao Reino Unido.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

IMAGINE: YOKO ONO COMPLETA 84 ANOS

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Yoko Ono completa hoje 84 anos. A controvertida artista, taxada como vilã pelo fim da maior e melhor banda de todos os tempos, nasceu em Tóquio, em 18 de fevereiro de 1933. É viúva de John Lennon e mãe de Kyoko Chan Cox e Sean Lennon. Suas obras, tanto musicais quanto plásticas e conceituais, são caracterizadas pela provocação, introspecção e pacifismo. Dizem também que é uma pessoa notável e que quase nunca desiste. Porém, para muitos, sua fama é negativa, acusada de ter sido a causa da separação dos Beatles, consagrada como a maior da história. Nascida numa família rica, Yoko Ono teve oportunidade durante a infância de estudar em Gakushin, uma das mais exclusivas escolas do Japão. Durante este período estudou também piano clássico e canto. Durante a Segunda Guerra Mundial deslocou-se frequentemente entre cidades do Japão e Estados Unidos até 1952, quando se mudou definitivamente para Nova Iorque. A partir de então frequentou a faculdade de música Sarah Lawrence, onde conheceu importantes músicos de vanguarda, que posteriormente seriam inspiração para o surgimento do grupo Fluxus. Em 1956 casou-se com Toshi Ichiyanagi. Entre o fim da década de 1950 e 1960, Yoko Ono realizou obras de cunho conceitual que oscilam entre a introspecção poética e sátira provocadora. Em 1961, após desentendimentos com o marido, Toshi, retorna ao Japão. A má repercussão de seus trabalhos e a crise conjugal acabam por lhe causar um estado de profunda depressão e é internada. Foi removida do hospital pelo amigo Anthony Cox que denunciou que ela estava recebendo doses anormais de medicamentos. Uma relação amorosa entre os dois culmina na separação de Yoko e Toshi e no seu casamento com Anthony, com quem veio a ter uma filha, Kyoko Chan Cox, em 1963. Na América, entrou para um novo grupo vanguardista denominado Fluxus. Em 1964 lança o livro Grapefruit. Em 1965 se apresenta novamente no Carnegie Recital Hall com sua performance Cut Pieces ("corte pedaços"), onde permanecia sentada, convidando o espectador a cortar com uma tesoura pedaços de sua roupa até ficar nua. Com a repercussão de suas obras, Yoko é convidada em 1966 a realizar uma exposição individual. Nesta exposição, foi exposta a obra Ceiling Painting, uma instalação na qual uma escada conduz o observador até um vidro no teto, onde há uma lupa presa para que se leia a pequena inscrição "Yes!". John Lennon, visitou a exposição. Ele viu uma escada que chegava ao teto, subiu e, com uma lupa, leu uma pequena mensagem que dizia apenas "sim". "Foi um grande alívio que não estivesse escrito "não" ou "foda-se" ou algo assim. Eu fiquei muito impressionado", contou o músico em sua famosa entrevista para a revista Rolling Stone em 1970. Foi, artisticamente, amor à primeira vista. Seu encantamento com a obra despertou interesse pela produção artística de Ono. Lennon financiou sua próxima instalação, Half-A-Room, uma peça intimista e melancólica. A partir de 67, Yoko Ono e John Lennon começaram a produzir composições de vanguarda, sem estrutura musical alguma. Lennon se separou de sua primeira esposa e casou-se com Yoko em 20 de março de 1969, e eles tiveram um filho, Sean Lennon, em 9 de outubro de 1975. John Lennon foi assassinado em 1980 e em todos esses anos que passaram, Yoko Ono preserva o acervo do marido com mão de ferro, à sete chaves. E o resto é história.

O John Lennon que o mundo conhece deve muito a Yoko Ono
Os Beatles se separaram há quase cinco décadas, mas milhares de fãs ainda abominam Yoko Ono por atribuir a ela o fim do quarteto. Nunca fiz parte dos que viam a mulher de John Lennon com maus olhos. Sempre achei que ela, como artista de vanguarda, apontou novos caminhos para ele. Alguns, ainda na época do grupo. Outros, depois da separação. Yoko ia para o estúdio com John (as imagens do documentário “Let It Be” registram) e o influenciava em ousadias como “Revolution 9”. A tentativa de fazer música avan-garde que temos no “White Album” certamente não existiria sem Ono, que, embora não creditada, é, de fato, coautora da faixa. John Lennon era sete anos mais novo do que Yoko Ono. Ele, nascido em outubro de 1940. Ela, em fevereiro de 1933. Os dois, crianças da guerra, conforme assinalava o livro “A Balada de John & Yoko”, editado há uns 35 anos pela revista Rolling Stone. No momento em que Lennon nasceu, Liverpool era bombardeada pelos alemães. Ono cresceu num país devastado pela guerra. Filha de uma família abastada, criada longe do pai, entre um professor que lhe apresentou a Bíblia e um criado que dava aulas de budismo. No meio, havia um piano. Quando os dois se conheceram, em meados dos anos 1960, Yoko não parecia destinada a se aproximar do universo do rock. John e Yoko se encontraram em novembro de 1966 na Indica Gallery, em Londres. Ele foi à pré-inauguração da exposição dela. Lennon subiu uma escada que havia no meio da sala, olhou por um pequeno telescópio preso a uma tela pendurada no teto e leu a palavra “sim”. Também estava escrito: pregue um prego. Ele perguntou se poderia fazer isto. Ela disse que não. Afinal, a exposição ainda não estava aberta ao público. A história está no livro da Rolling Stone. E em muitos outros. Lenda ou realidade? Se for lenda, que prevaleça sobre a realidade quando aquela é melhor do que esta. Aprendemos com John Ford no clássico “O Homem que Matou o Facínora”. Antes mesmo que os Beatles acabassem, o casal gravou três discos experimentais. “Two Virgins”, “Life With the Lions” e “Wedding Album” são trabalhos radicalíssimos que se contrapõem ao que John Lennon fazia ao lado de Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Mas que enriquecem a trajetória do artista que ele era e, indiretamente, do grupo ao qual seu nome esteve vinculado durante toda a década de 1960. John não era o melhor músico dos Beatles, mas a personalidade mais importante, inquieta, polêmica e controvertida. Yoko desempenhou papel fundamental na consolidação da sua figura pública e do que o mundo guarda da sua memória. Yoko conduziu John por caminhos que talvez ele não tivesse trilhado sem ela. Nas exposições, nos filmes experimentais. Mas Lennon também levou Ono para os rocks e baladas do seu universo. O disco duplo “Sometime in New York City”, de 1972, confirma. É panfletário e ingênuo, mas irresistível. Flagra o casal em seu momento de mais intensa militância política em Nova York. Gritando contra as injustiças, a guerra. Sonhando com um mundo melhor. “A guerra acabou, se você quiser”, dizem os versos da canção natalina que ouvimos até hoje. John Lennon foi assassinado em 1980. Yoko envelheceu cuidando da memória dele. Hoje, ela faz 84 anos.