terça-feira, 24 de março de 2020

THE BEATLES - YOUR MOTHER SHOULD KNOW✶✶✶✶✶✶

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"You Mother Should Know" é uma das campeãs aqui da casa - já esteve aqui uma dezena de vezes, inclusive este ano mesmo, no dia 20 de janeiro. Mas como estou reeditando todas as postagens de todas as músicas que entraram no álbum MAGICAL MYSTERY TOUR, aqui está ela novamente, só que atualizada e mais completa. Mesmo caso da próxima, "Blue Jay Way" de George Harrison. Espero que gostem. Aquele abraço!
"You Mother Should Know" foi composta por Paul McCartney, é creditada a Lennon e McCartney (claro!) e lançada em 1967, no álbum Magical Mystery Tour como a 5ª música do lado 1 do LP, após "Blue Jay Way" e antes de "I Am The Walrus". McCartney disse que escreveu a canção especialmente para o filme, que trazia um segmento de dança que inicia com os Beatles bem alinhados e ensaiados descendo uma grande escadaria trajando belos smokings brancos e dançando. Todos usam rosas vermelhas na lapela, exceto Paul, que usa um cravo preto. Isso colocaria ainda mais lenha na fogueira quando surgiu o boato sobre sua morte.
A fascinação de Paul McCartney pelas décadas de 1920 e 1930 começou a transparecer com "When I'm Sixty-Four", de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, em que fica clara a influência de Noel Coward (dramaturgo, ator e compositor britânico), e se revela mais uma vez nesta canção semelhante. Paul faz a voz principal e se junta a John e George nos vocais de apoio. Os vocais se iniciam no canal esquerdo, passam para o direito na segunda estrofe e voltam para o esquerdo na terceira e última estrofe.
A letra convida todos a se levantarem e dançar com uma música que suas mães deviam conhecer. Não há uma segunda parte, apenas um refrão - aliás bem agradável, um pastiche do tipo de música que a família de Paul costumava cantar e dançar em volta do piano no natal. Pareceu uma boa ideia colocar os quatro descendo uma escada de ternos brancos e se juntando aos pares de dançarinos, quando a música aparece no filme. Todos, até John, pareciam estar se divertindo. Para quem procura cabelo em ovo, alguns críticos escreveram - "Ao contrário do óbvio prazer de McCartney, as expressões faciais de Lennon e Harrison sugerem que eles preferem estar em outro lugar do que filmando a cena".

No filme Magical Mystery Tour"You Mother Should Know" aparece num segmento de dança à moda antiga que McCartney chamou de "o fim de Busby Berkeley” (diretor de cinema e coreógrafo musical americano). Foi filmado em 24 de setembro na RAF West Malling, uma base da Royal Air Force em Kent. Paul McCartney queria que a cena fosse filmada no Shepperton Studios, nos arredores de Londres, mas os Beatles não perceberam que os estúdios de cinema precisavam ser reservados com antecedência. Cerca de 160 dançarinas da equipe de dança de formação de Peggy Spencer e 24 cadetes da RAF foram contratados como extras. Segundo Maurice Gibb, McCartney teve a ideia do figurino dos Beatles depois de vê-lo em um concerto com o Bee Gees, todo vestido de branco.

Paul compôs "You Mother Should Know" na Cavendish Avenue, durante a visita de parentes, tocando-a num harmônio enquanto eles ouviam na sala ao lado. Era Paul com um pé na vida real, capaz de ser psicodélico e multifacetado, usando instrumentos indianos, e o outro pé no passado, pronto a comungar com todas as gerações."You Mother Should Know" foi gravada em três sessões em 22 de agosto, 16 e 29 de setembro de 1967. A sessão de 22 de agosto ocorreu no Chappell Recording Studios, porque o estudio da EMI não estava disponível naquela noite.

As sessões restantes aconteceram todas nos estúdios da EMI em Abbey Road. Foi durante as sessões no Chappell Studio que o empresário Brian Epstein fez a sua última visita aos Beatles, antes da sua morte. "You Mother Should Know" foi produzida por George Martin e teve John Timperley, Geoff Emerick e Ken Scott como engenheiros de som. Paul McCartney faz o vocal principal e backing vocals, toca piano e baixo; John Lennon faz backing vocals e toca o órgão Hammond; George Harrison também faz backing vocals e toca guitarra; e Ringo Starr toca bateria e pandeiro. Além do álbum Magical Mystery Tour"You Mother Should Know" só aparece no Anthology 2. Também aparece no LP Beatles Forever (1972) lançado com esse nome apenas aqui no Brasil.

PAUL McCARTNEY - YOUR MOTHER SHOULD KNOW

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segunda-feira, 23 de março de 2020

THE BEATLES - I AM THE WALRUS - ABSOLUTAMENTE SENSACIONAL!!!✶✶✶✶✶✶✶✶✶✶

Um comentário:

“I Am The Walrus” é só e apenas de John Lennon. É creditada a dupla Lennon e McCartney, e lançada no álbum Magical Mystery Tour em novembro de 1967. A gravação teve início em 5 de setembro e foi concluída em 29 de setembro de 1967. No dia 24 de novembro de 1967, “I Am The Walrus” foi lançada como lado B do single que tinha "Hello, Goodbye" de Paul McCartney como lado A . Este lançamento alcançou o primeiro lugar do Top Ten na Inglaterra e nos Estados Unidos.
John Lennon escreveu parte da letra, segundo ele próprio, em duas distintas "viagens" de ingestão de drogas, principalmente ácido. Alguns versos foram escritos após ler que um professor de sua antiga escola, Quarry Bank Grammar School, estava utilizando as letras das músicas dos Beatles para as aulas de inglês. Então ele criou versos totalmente sem sentido para confundir os que fossem utilizar esta canção para mais uma análise.

“I Am The Walrus” é a junção de três outras diferentes que Lennon resolveu fundir em uma. A primeira parte, era inspirada em uma sirene de ambulância: "I-am-he as you-are-he, "Mis-ter cit-y police-man". A segunda, inicia-se no verso: "Sitting in a english garden...". A terceira, é a mistura dos versos que ele escreveu para confundir os gramáticos. Toda a letra é, como um todo, sem sentido. Inúmeras interpretações vem sendo dadas ao longo dos anos para entendê-la. Os estudiosos não chegam sequer, à conclusão de quem ou o que seria de fato, o “walrus”. Walrus significaria "morsa" – uma espécie de leão marinho ou peixe-boi grande.
John Lennon dizia que essa música ainda era influência de Bob Dylan. O truque usado por Dylan era de nunca dizer o que você queria dizer, fazendo parecer que havia algo mais escondido. A letra da música é efetivamente nonsense com uma mistura de viagens de LSD.
Muitos dizem que o verso "estou chorando", que é repetido muitas vezes, se refere a morte de Brian Epstein, o qual John tinha uma figura muito próxima. A música foi gravada apenas 9 dias depois da tragédia. No final, o coro imenso de homens e mulheres cantam o verso "everybody's got one" (todo mundo tem um). Quando perguntado na histórica entrevista da Playboy, o que ele queria dizer com isso, simplesmente respondeu: "Qualquer coisa, você escolhe. Um pênis, uma vagina, um ânus - você escolhe". Esse verso é praticamente ininteligível porque mistura a base rock dos Beatles, aos violoncelos, barulhos eletrônicos, o som de alguém falando, tudo isso além do coro. No final da música muitos fãs que acreditam na morte de Paul dizem que ouvem, como em Strawberry Fields Forever, a frase "I buried Paul" (Eu enterrei Paul). Balela! Extraído do filme “Magical Mystery Tour”, o "clip" da música mostra os BEATLES, ora com roupas de estilo psicodélico coloridíssimas, ora vestidos de animais (entre eles a morsa - walrus) tocando a música. Em volta, diversas citações podem ser vistas: os eggman "homens-ovos" que são simplesmente pessoas vestidas de branco e com toucas em forma de ovo, agentes da polícia entre outros.

É curioso notar que no final, um dos "eggmans" têm um bigode parecido com o de Hitler, Lennon tinha tentado pôr Hitler na capa do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, mas nenhum dos outros Beatles, nem George Martin, nem Brian concordaram. Além de estar no filme Magical Mistery Tour esse vídeo musical também apareceu no documentário “Anthology”.

A única parte séria da letra, aparentemente, era o início, com sua visão de unidade por trás de todas as coisas: "Eu sou ele como você é ele como você sou eu e nós todos estamos juntos". "elementary penguin" que cantava "Hare Krishna" era John zombando de Allen Ginsberg que, na época cantava o mantra Hare Krishna em eventos públicos. A morsa, e tantas outras citações, vieram do poema de Lewis Carrol "the walrus and the carpenter".
A produção começou no início de setembro e foi realizada a gravação da base que orientaria o restante da música. No outro dia, John Lennon gravou suas vozes. Essa gravação base com a voz de John aparece no Anthology 2. A orquestra foi adicionada vinte dias depois, junto com as vozes dos cantores de Mike Sammes, que fazem os "ho-ho-hos", "hi-hi-his" e "hau-hau-haus". No dia 29 de setembro, Lennon sintonizou aleatoriamente a rádio BBC de Londres e gravou a audição de uma peça de Shakespeare, Rei Lear, ato quatro, cena seis, e a incluiu na gravação.

"I Am The Walrus" foi gravada nos dias 5 , 6 , 27 e 29 de setembro de 1967 nos estúdios da EMI em Abbey Road. Foi produzida por George Martin (claro) e teve Ken Scott e Geoff Emerick como engenheiros de som. John Lennon canta e toca o piano elétrico mellotron que domina a faixa inteira; George Harrison toca guitarra; Paul McCartney seu baixo Rickenbaker e pandeirola; e Ringo toca a velha bateria Ludwig com o bumbo redesenhado pelo The Fool”.

Com arranjos de George Martin, uma orquestra participa com os seguintes instrumentos: 8 violinos , 6 violoncelos, uma clarineta e 3 trompas. Para o coral de vozes, foi chamado o conjunto vocal Mike Sammes Singers, muito famoso na Inglaterra, e que contribuiu com oito vozes masculinas e oito vozes femininas.

Além de todos os singles e do álbum Magical Mystery Tour, "I Am The Walrus" também apareceu nos álbuns “Rarities” (1980), Anthology 2 (1996) e “Love” (2006).

O REI LEAR - WILLIAM SHAKESPEARE

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“King Lear” (Rei Lear) é uma tragédia teatral de William Shakespeare, considerada uma de suas obras-primas. No argumento, inspirado por antigas lendas britânicas, o rei enlouquece após ser traído por duas de suas três filhas, às quais havia legado seu reino de maneira insensata. Escrita em torno de 1605, a peça foi encenada pela primeira vez perante a corte inglesa no dia 26 de dezembro de 1606. Foi impressa em 1608 e novamente, numa versão revisada, em 1623. “Rei Lear” foi adaptada centenas de vezes para o teatro e cinema. No dia 29 de setembro de 1967, John Lennon sintonizou aleatoriamente a rádio BBC de Londres e gravou a audição de “Rei Lear”, ato quatro, cena seis, e a incluiu na gravação, no final de "I Am The Walrus".

IMAGEM DO DIA - VINCENT PRICE - THE EGGHEAD

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THE ANALOGUES - I AM THE WALRUS

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sexta-feira, 20 de março de 2020

THE BEATLES - HELLO GOODBYE - YOU SAY YES, I SAY NO - SENSACIONAL!!! ✶✶✶✶✶

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"Hello, Goodbye" foi composta exclusivamente por Paul McCartney, é creditada à dupla Lennon e McCartney, e foi lançada como compacto tendo "I Am The Walrus" de John Lennon como lado B (o que muito o desagradou), em 24 de novembro de 1967 no Reino Unido e 27 de novembro do mesmo ano nos Estados Unidos, alcançando o topo das paradas em todo o mundo, sendo 1º lugar nos EUA, Reino Unido, Nova Zelândia, Canadá, Austrália e vários outros países. Também fez muito sucesso aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, "Hello, Goodbye" foi direto para o topo da parada de singles da Billboard, permanecendo nesta posição por três semanas, e se tornou a 15ª música dos Beatles nº 1 no país. Além de ter sido lançada como single, "Hello, Goodbye" é a primeira música do lado 2 do LP Magical Mystery Tour antes de “Strawberry Fields Forever”. Apesar de estar incluída no álbum com a trilha sonora, "Hello, Goodbye" não aparece no filme. Mais tarde foi lançada nos álbuns "1967-1970", "1" e "Anthology 2".
A composição surgiu através de um exercício de associação de palavras entre Paul McCartney e Alistair Taylor, então assistente de Brian Epstein. Originou-se durante um período em que, após a conclusão do álbum Sgt. Lonely Hearts Club Band de Pepperos Beatles estavam adotando a aleatoriedade e a simplicidade como parte do processo criativo.
De acordo com Alistair Taylor, ele estava visitando Paul McCartney em sua nova casa em St. John's Wood, Londres, e perguntou ao Beatle como ele escrevia uma música. Em resposta, McCartney levou Taylor para uma sala onde havia um harmônio. McCartney começou a tocar o instrumento e pediu a Taylor para dizer o oposto de cada palavra que ele dissesse. E assim foi - preto e branco, sim e não, pare e vá, alto e baixo, olá e adeus. Tempos depois, Alistair Taylor refletiu: "Não tenho nenhuma lembrança da música. Você precisa lembrar que as melodias eram tão comuns em torno dos Beatles quanto os insetos na primavera. Alguns se tornam belas borboletas, outros secam e morrem. Eu imagino se Paul realmente inventou aquela música enquanto tocava ou se ela já estava passando pela cabeça dele".
Nos anos 90, conversando com seu biógrafo oficial, Barry Miles, Paul McCartney disse que a letra é sobre a dualidade, refletindo seu signo astrológico - Gêmeos (18/6/1942). Ele acrescentou: "É um tema tão profundo no universo, dualidade – Homem, mulher; preto, branco; ébano, marfim; alto, baixo; certo, errado – e foi uma música muito muito fácil de escrever".
Há controvérsias entre alguns biógrafos dos Beatles, sobre a data de composição da canção. Ian MacDonald diz que foi no 2º semestre de 1967, em setembro, enquanto Bob Spitz diz que foi escrita a tempo da transmissão internacional de televisão do programa Our World, em junho daquele ano. Segundo Spitz, McCartney sugeriu "Hello, Goodbye" como a contribuição dos Beatles para o programa, uma honra que foi concedida ao compositor John Lennon com "All You Need Is Love".
"Hello, Goodbye" tradicionalmente recebe uma resposta variada dos críticos de música. Enquanto alguns elogiam por suas qualidades pop clássicas, outros a consideram pouco atrevida para os “padrões Beatles” e inconsequente. Em seu livro Revolution in the Head, Ian MacDonald vê a faixa como "suavemente cativante" e comenta que sua longa permanência no número 1 na Grã-Bretanha "diz mais sobre o súbito declínio da parada de singles do que sobre a qualidade da música em si".
"Hello, Goodbye" foi gravada nos dias 2, 19, 20 e 25 de outubro e 2 de novembro de 1967. Os Beatles começaram a gravar no início de outubro de 1967, tendo como título de trabalho “Hello Hello”. Eles gravaram 14 tomadas da faixa de fundo - piano, órgão, bateria e outros instrumentos de percussão, incluindo bongôs, congas, maracas e pandeiro. Voltaram a ela um pouco mais de quinze dias depois. Em 19 de outubro, duas partes de guitarra foram adicionadas, assim como os vocais duplos de McCartney e os vocais de apoio de Harrison e Lennon. No dia seguinte, duas violas foram adicionadas. George Martin marcou os instrumentos, com base nas notas sugeridas por McCartney ao piano. McCartney adicionou sua primeira parte do baixo em 25 de outubro e outra em 2 de novembro - quando a música estava completa."Hello, Goodbye" foi produzida nos estúdios da EMI em Abbey Road. George Martin foi o produtor e teve Ken Scott e Geoff Emerick como engenheiros de som. Paul McCartney canta o vocal principal duplicado, faz backing vocals, toca piano, baixo, bongô e conga; John Lennon faz backing vocals, toca guitarra e órgão Hammond; George Harrison faz backing vocals e toca guitarras rítmica e solo; e Ringo Starr toca bateria, maracas , pandeiro, e também faz backing vocalsA última parte da gravação, em que os Beatles repetem "hela, hey, aloha", surgiu espontaneamente no estúdio ("aloha" é uma forma de cumprimento afetuoso no Havaí).
Para encerrar, no dia 10 de novembro de 1967, os Beatles se reuniram no Saville Theatre em Londres, um teatro alugado por Brian Epstein desde 1966, para fazer um filme promocional de "Hello, Goodbye". Acabaram fazendo três filmes diferentes. No primeiro, usavam suas roupas de Sgt. Pepper’s para se apresentar em frente a um cenário psicodélico. Um corte mostrou o grupo vestindo seus ternos sem colarinho de 1963, e algumas belas dançarinas locais com saias de palha para o que foi chamado de “Maori finale”. O segundo filme também foi uma performance, embora os Beatles usassem suas roupas cotidianas - ainda que elaboradas. Nesta versão, o bumbo de Ringo Starr exibia o conhecido logotipo dos Beatles 'drop-T', enquanto no primeiro ele estava ausente. E o terceiro foi composto por outtakes dos dois primeiros, além de imagens de John Lennon dançando o Twist. Aqui, vamos conferir apenas a versão final, remasterizada e em alta resolução. E isso é tudo, pessoal!
Resultado de imagem para hello goodbye - O BAÚ DO EDU

PAUL McCARTNEY - HELLO, GOODBYE - SENSACIONAL!*****

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Paul McCartney tocou "Hello, Goodbye" em muitas de suas turnês como artista solo. Algumas incluem a Driving World Tour de 2002 e a Back in the World Tour de 2003, quando ele abriu seus shows com a música, e a On the Run Tour em 2011-12. Outra versão ao vivo de "Hello, Goodbye" apareceu em Back in the US de 2002. Aqui, a gente confere ele tocando o clássico no Engenhão, no Rio de Janeiro no dia 22/05/11. Sensacional!*****

quinta-feira, 19 de março de 2020

THE BEATLES - STRAWBERRY FIELDS FOREVER - ABSOLUTAMENTE SENSACIONAL!!!✶✶✶✶✶✶✶✶✶✶

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Da mesma forma que sua companheira do single duplo lado A, "Strawberry Fields Forever", também já esteve aqui incontáveis vezes, inclusive este ano mesmo, em 30/01/2020 - E eu ainda acho é pouco! Essas duas músicas marcam um dos momentos mais criativos da história dos Beatles e da história da música universal.
Há mais de 53 anos, no dia 30 de janeiro de 1967, os Beatles filmaram o vídeo promocional de "Strawberry Fields Forever" no Knole Park em Sevenoaks, Kentno sudeste da Inglaterra. "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane", uma de John Lennon, outra de Paul McCartney, eram o prenúncio de algo extraordinário que estava em gestação: o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, lançado em 1º de junho daquele ano. Essas duas músicas são reminiscências da infância em Liverpool. Os Beatles fazem a música nova do presente falando do passado. "Strawberry Fields Forever", foi composta por John Lennon a partir das lembranças e fantasias que ele tinha de um orfanato do Exército da Salvação. O registro inicial não indicava que a canção pudesse se transformar num dos pontos altos da discografia do grupo e num marco indiscutível do Rock psicodélico. Os diversos registros confirmam que a canção cresceu no estúdio, enquanto era gravada. E, aí, soma-se a melodia enigmática de John Lennon ao arranjo deslumbrante de George Martin.

No outono de 1966, John Lennon foi para a Espanha filmar o papel do soldado Grippweed no filme “How I Won The War” – (Como Ganhei a Guerra), de Richard Lester. Foi o primeiro Beatle a realizar um trabalho sem os outros três.

Entre as cenas na praia da Almeria, ele começou a compor “Strawberry Fields Forever”, uma música originalmente imaginada para ser um blues arrastado. Começou com o que viria a ser o segundo verso da versão gravada.
"Viver é fácil com os olhos fechados, sem entender nada que vê. Está ficando difícil ser alguém, mas no fim tudo dá certo. Isso não me importa muito".
Era uma reflexão sobre a convicção de que desde a infância ele sempre fora, de alguma forma, diferente dos demais, de que via e sentia coisas que os outros não viam ou sentiam. Na versão mais antiga de suas fitas na Espanha, ele começa com: “No one is on my wavelenght”, para depois mudar a frase para “No one i think is in my tree”, aparentemente para disfarçar o que poderia ser visto como arrogância. Ele estava dizendo que acreditava que ninguém conseguia se sintonizar com sua forma de pensar e que, então, devia ser ou um gênio (“high”) ou louco (“low” ?). “Eu pareço ver as coisas de uma maneira diferente das pessoas”.
Foi apenas no take 4 da fita de composição que ele começou a falar em "Strawberry" e, no take 5, acrescentou a frase “nothing to get mad about” (nada para ficar bravo), que depois foi alterada para “nothing to get hung about” (nada para se preocupar). De forma absolutamente genial, ele já estava usando um modo deliberadamente hesitante para reforçar que essa era uma tentativa de articular conceitos que não podiam ser colocados em palavras. Ao retornar à Inglaterra, Lennon trabalhou na música em Kenwood, onde o verso final foi incluído - "That is I think I disagree" (Por isso eu acho que discordo). Foi só no estúdio que ele a terminou, acrescentando o verso de abertura - "Let me take you down' cause I'm going to strawberry fields" (Deixe-me levá-lo, porque eu estou indo para os campos de morango).
Na versão completa, um lugar é criado para representar um estado da mente - STRAWBERRY FIELD (mais tarde ele acrescentou o S) era um orfanato do Exército da Salvação na Beaconsfield Road em Woolton, a cinco minutos de caminhada de sua casa em Menlove Avenue.

Era uma enorme construção vitoriana em um terreno arborizado aonde o jovem Lennon ia com sua tia Mimi para os festivais de verão, mas também um lugar onde ele entrava sorrateiramente a noite e nos fins de semana com amigos como Pete Shotton e Ivan Vaughan para fumarem e beberem escondidos.
Strawberry Field era o playground do jovem Lennon. Essas visitas ilícitas eram para ele como as fugas de Alice pela toca do coelho e através do espelho. Ele sentia estar entrando em outro mundo, um universo que era mais próximo do seu mundo interior, e na vida adulta ele associaria esses momentos de alegria com sua infância perdida e também com uma sensação de psicodelismo, neste caso sem drogas. Na entrevista de 1980 para a Playboy, ele declarou que “entrava em alfa” quando era criança e via “imagens alucinatórias” de seu rosto quando se olhava no espelho.
Também disse que foi só quando descobriu o trabalho dos surrealistas que percebeu que não era louco, que não era o “único”, e sim membro de “um clube exclusivo que vê o mundo desse jeito”Strawberry Fields Forever” foi a primeira gravação do que viria logo em seguida o magnífico SGT. PEPPER’S, a segunda foi Penny Lane.
Estranhamente, o single Strawberry Fields Forever”  / “Penny Lane não foi imediatamente para o primeiro lugar, como era costume há vários anos desde "Please Please Me". Segundo Mark Lewisohn, o pesquisador, George Martin e seus asseclas, tentaram, gravaram e registraram mais de 100 vezes a canção de Lennon, que, em sua última conversa com Martin, disse a ele que nunca ficou satisfeito com o resultado final e que se ressentia com a forma que a gravação final da música foi feita de forma tão apressada.

O compacto com duplo lado A com “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane”, foi o 14º lançado pelos Beatles em 13 de fevereiro de 1967 nos Estados Unidos e 17 de fevereiro de 1967 no Reino Unido. Essas duas músicas também aparecem no álbum Magical Mystery Tour como a 2ª e 3ª faixas do lado 2 do LP, respectivamente. “Strawberry Fields Forever” foi composta por John Lennon e como sempre, creditada à dupla Lennon e McCartney. Este, foi o primeiro single lançado pelos Beatles depois de decidirem abandonar os concertos. Além de Magical Mystery Tour e vários tantos álbuns de coletâneas, “Strawberry Fields Forever” também está no Anthology 2 ((1996) e no álbum “Love” (2006).
A gravação de “Strawberry Fields Forever” foi uma mais complicadas já feitas pelos Beatles. Com George Martin, eles passaram algum tempo trabalhando no arranjo, passando por várias reformulações e passando 55 horas sem precedentes no estúdio completando a música. “Strawberry Fields” foi gravada em oito datas diferentes nas últimas semanas de 1966: 24 , 28 e 29 de novembro e 8 , 9 , 15 , 21 e 22 de dezembro de 1966. Foi produzida por George Martin (claro!) e teve Geoff Emerick como engenheiro de som; John Lennon faz o vocal principal duplicado, toca guitarramellotron (parte final) e bongôs; Paul McCartney toca baixomellotron (parte inicial), guitarra solo (parte final), tímpanos e bongôs; George Harrison toca guitarra solo (parte inicial), guitarra slidemaracas, harpa indiana (swarmandal) e tímpanos; e Ringo Starr toca sua bateria e faz percussão. Músicos adicionais: George Martin, além de produtor, toca violoncelo e fez arranjo de trompetes; Mal Evans toca reco-reco; Neil Aspinall aparece com o guiro (instrumento de percussão); Terry Doran toca maracas; Tony Fisher; Greg Bowen, Derek Watkins e Stanley Roderick tocam os trompetes e John Hall, Derek Simpson e Norman Jones, os violoncelos. “Strawberry Fields Forever” foi uma canção chave para a definição do rock psicodélico.
Strawberry Fields Forever e Penny Lane se completam em suas diferenças. São tão belas que formam um compacto sem lado B. Na época, a canção de Lennon provocou uma certa estranheza em alguns ouvintes, o que não ocorreu com a de McCartney. A passagem do tempo as fez igualmente poderosas. Ambas são extremamente inovadoras com todos os significados que encerram. Depois de todos esses anos, Strawberry Fields Forever e Penny Lane continuam fascinantes!