sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

THE BEATLES EM MIAMI - FEVEREIRO/1964

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No dia 12 de fevereiro, o ‘day-after’ da espetacular estreia tocando ao vivo no Coliseum em Washington, os Beatles pegaram o trem de volta para Nova York. A viagem durou duas horas, mas quando chegaram, sua limousine não estava na estação, pois, em virtude do feriado da comemoração de Abraham Lincoln, as escolas estavam fechadas e 10 mil fãs os esperavam, bloqueando as ruas ao redor de Penn Station. Eles foram levados ao hotel escondidos em táxis comuns. Depois seguiram para o Carnegie Hall, onde fariam duas apresentações de 25 minutos. Após os shows, naquela noite, última que passariam em Nova York, foram para o Headliner Club para uma noitada, depois, foram a um café em Greenwich Village e voltaram para o hotel ao amanhecer.
O voo da National Airlines partiu às 13h30 do dia 13 de fevereiro levando os Beatles e sua comitiva para a ensolarada Florida. Chegaram à Miami às 16h, onde 7 mil fãs enlouquecidas os esperavam, instigadas pelas rádios concorrentes WFUN e WQAM, que divulgaram a hora da chegada do voo. Os Beatles saíram do avião direto para a limousine que os esperava e rumaram para Deauville Hotel, em Miami Beach. Foram escoltados por três limousines pretas e batedores em motocicletas.
Murray the K os acompanhou, além de dividir os aposentos com George, uma suíte com três quartos, protegida por seguranças da agência Pinkerton. (George ficara irritado e nunca conseguiu entender como o abusado DJ de Nova York con­seguiu acompánhá-los por toda a viagem). À noite, foram à discoteca Mau Mau Lounge, onde assistiram a banda The Coasters. Depois, Murray the K levou-os para ver Hank Ballard e The Midnighters em outra disco­teca, o Miami Peppermint Lounge, onde foram cercados por caçadores de autógrafos, tendo de ir embora rapida­mente.

O dia 14 de fevereiro começou com um breve ensaio para o Ed Sullivan Show, depois uma sessão de fotos para a revista Life na piscina da casa de um executivo da Capitol Records e um passeio por Miami Harbour em um luxuoso barco, oferecido por um tal de Bernard Castro. Dois repórteres, escondidos a bordo, fo­ram encontrados e o barco voltou à costa, para que pudessem ser ex­pulsos. O segurança particular dos rapazes, o sargento Buddy Bresner, levou-os até sua casa para que pu­dessem conhecer sua mulher e seus filhos - Dottie, Barry, Andy e Jeri - e lhes preparou uma típica refeição americana.

À noi­te, ficaram no hotel e assistiram aos shows nos nightclubs do hotel: os comediantes Don Rickells e Myron Cohen e a cantora Carol Lawrence.
No dia seguinte, vestindo calções de banho, os Beatles ensaiam no Napoleon Room do hotel. Fizeram o ensaio de figurino para o Ed Sullívan Show para uma plateia de 2.500 pessoas, muitas das quais haviam esperado em fila fora do estúdio desde as pri­meiras horas da manhã. Depois, foram pescar.
O Ed Sullivan Show, no dia 16 de fevereiro foi gravado no próprio Deauville Hotel. A CBS distribuiu 3.500 ingressos, mas a lotação era de 2.600 lugares. A polícia teve de enfrentar o tumulto causado pelos fãs, que, mesmo com ingressos perfeitamente válidos nas mãos, não conseguiram enttrar (imagine...). Os Beatles tocaram: “She Loves You”, “This Boy”, “All My Loving”, “I Saw Her Standing There”, “From Me To You” e “I Want To Hold Your Hand”. Os boxeadores Joe Louis e Sonny Linston estavam na plateia. A atriz, cantora e dançarina Mitzi Gaynor foi a atra­ção principal do programa, mas os 70 milhões de espectadores que es­tavam assistindo ao show queriam era ver os Beatles.

O dia seguinte foi só diversão. Os Beatles esquiaram e foram à praia onde foram cercados por dezenas de jovenzinhas de bikini doidas para dar (sua atenção) para eles (rsrs). Ao que parece, Ringo foi quem mais se divertiu.

No dia seguinte, os Beatles foram conhecer Cassius Clay, no ginásio de treinamento onde ele es­tava se preparando para a revanche contra o campeão Sonny Liston. Os fotógrafos enlouqueceram quando o ex-campeão dos pesos-pesados (que recuperaria o título nessa luta com Liston), levantou Ringo como se fosse de papel.

Depois, participaram de um churrasco nos jardins da casa de um milionário, onde comeram os maiores filés que já haviam visto na vida e, ainda, pilotaram lanchas de corrida pela primeira vez. À noite, foram a um drive-in assistir ao filme Seresteiro de Acapulco, estrelando Elvis Presley. No dia 21 de fevereiro, os Beatles e sua comitiva pegaram um voo de Miami para Londres, com escala em Nova York. Era o fim daquela última semana que os rapazes passaram nos Estados Unidos e encantou Miami, a América e encantou os Beatles também.

VOCÊ CONHECE MURRAY THE K - "O 5º BEATLE"???

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Publicada em 14 de novembro de 2011.
Fotógrafos a postos. Fãs histéricos. Jornalistas à beira de um ataque de nervos. Seguranças perdidos diante de uma multidão ensandecida. Assim foi a primeira entrevista dos Beatles em solo americano, em 7 de fevereiro de 1964. A banda já era número 1 na América e a coletiva de imprensa, realizada numa sala do Aeroporto John Fitzgerald Kennedy, em Nova York, pode ser considerada um marco. Na chegada, John, Paul, George e Ringo foram ciceroneados pelo disc jockey Murray the K. O DJ estreitou laços com o grupo na Europa, alguns meses antes, quando empresariou bandas que dividiam o palco com os próprios Beatles.
Murray Kaufman nasceu em 14 fevereiro de 1922. Conhecido profissionalmente como “Murray the K”, foi um influente empresário e DJ dos anos 1950, 1960 e 1970. Durante os primeiros dias da Beatlemania, ele frequentemente refería-se a si mesmo como o “Quinto Beatle". Murray Kaufman veio de uma família do show business: sua mãe, Jean, tocou piano, no vaudeville e escreveu a música e sua tia era uma atriz no palco e no cinema. Ainda criança, foi um "extra" em vários filmes de Hollywood em 1930. Entrou para a escola militar e mais tarde foi para o Exército, onde era uma espécie de "animador" das tropas. Depois da guerra, apareceu em vários shows e também fazendo "escada" para artistas em evidência. A grande chance para Murray veio em 1958, depois que foi para a rádio WINS-AM para fazer um show todas as noites, que ele intitulou "The Swingin Soiree".
Durante toda a 1ª estadia dos Beatles nos Estados Unidos, coube ao DJ Murray The “K” guiá-los pelas boates da moda de Nova Iorque e de Miami. Eles conheceram a Peppermint Lounge e também, o Playboy Club. Indagado por um repórter em Washington sobre “que diabos Murray "The K", está fazendo aqui?”, George Harrison respondeu: “ele é o quinto beatle”. O DJ começou a usar o título de “quinto beatle” em suas intervenções na Rádio 1010 WINS, o que irritou Brian Epstein à primeira vista, mas, posteriormente, ele entendeu que isso ajudaria ainda mais a promover os Beatles. Nos dois shows que os Beatles realizaram no Carnegie Hall, em Nova Iorque, no dia 12 de fevereiro, Murray "The K", fez as honras da casa antes do show do quarteto. Em 21 de fevereiro de 1982, Murray "The K", o "quinto Beatle", morreu de câncer aos 60 anos de idade.

THE BEATLES - THANK YOU GIRL*****

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Apesar de John e Paul terem declarado no começo que escreveram mais de cem músicas juntos entre o verão de 1957 e o verão de 1962, Paul admite que o número estava mais perto de vinte. Agora que eram astros, não podiam mais ter uma produção lenta, e tudo o que escrevessem daquele ponto em diante teria de ter potencial para ser um sucesso. Entre 1963 e 1965, eles lançaram pelo menos três singles por ano e dois álbuns, uma produção inacreditável para um grupo que estava fazendo tumês, filmando, falando com a imprensa e escrevendo a maior parte de seu material. Na época em que os Beatles surgiram na indústria, a música pop estava engessada e um tanto sem graça. Os lados B dos singles tendiam a ser canções descartáveis, muitas vezes escritas pelo produtor sob um pseudônimo para que pudesse se beneficiar dos royalties mecânicos, e os álbuns continham um ou dois sucessos recentes, além de uma porção de músicas tapa-buraco. Os Beades mudaram isso completamente. De repente, toda canção era importante. Cada um dos singles tinha um lado B que era tão bom quanto o lado A, e todo álbum estava cheio de singles em potencial. Os singles, por outro lado, raramente apareciam nos álbuns. “ThankYou Girl”, originalmente intitulada “ThankYou Little Girl”, foi escrita como uma sequência a “Please Please Me”, e “From MeTo You” foi pensada para ser seu lado B. No final, foi “From Me To You” que soou como um single mais natural, então as duas mudaram de lugar. Na época, John parecia bem orgulhoso da canção, mas, em 1971, ele a menosprezou como “só uma canção boba que fizemos nas coxas” e, em 1980, como “uma das nossas tentativas de escrever um single que não funcionou”. Paul parece concordar. “Uma canção sem valor , afirmou. “Mas valeu pelo exercício". - Steve Turner

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

THE BEATLES IN WASHINGTON - 1964 - TÁ TUDO DOMINADO!

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No dia 11 de fevereiro de 1964 – apenas dois dias depois da apresentação histórica no The Ed Sullivan Show – Os Beatles fizeram história novamente com um inacreditável show na capital dos Estados Unidos. No primeiro concerto que fizeram no Washington Coliseum, eles tornaram a encantar os americanos. Agora não era um programa de televisão. Era um dos primeiros shows de Rock And Roll para um público que vivia de lembranças de tragédias recentes, como a terrível morte de seu líder, JFK. Os Beatles eram tudo de bom e correspondiam totalmente à imagem que era associada a eles: limpos e íntegros. Mesmo contra todos os contra-tempos sobre eles, foi um sucesso, mesmo com Ringo tendo que girar sua bateria no braço. O saudoso amigo João Carlos disse um dia (não por acaso), que nesse show, Ringo deveria receber o dobro, talvez, até mais! Naquele dia, uma tempestade de neve atingiu a costa leste e todos os vôos foram cancelados; portanto, para que os Beatles pudessem ir para Washington, foram enfiados em um trem da Pennsylvania Railroad, o King George, um antigo vagão-leito que fazia parte da linha Richmond, Fredericksburgand Potomac. Quando chegaram à estação, a imprensa havia tomado tudo. A cada parada, os câmeras se espremiam do lado de fora das janelasImagem relacionada
Três mil fãs (a maioria de meninas de no máximo 15 anos) enfrentaram 30 centímetros de neve para dar-lhes as boas-vindas na Union Station, em Washington, onde eles logo fizeram uma coletiva de imprensa. Em seguida, visitaram a WWDC, a primeira estação de rádio americana a tocar um disco dos Beatles, onde foram entrevistados pelo DJ Carroll JamesThe Beatles e sua comitiva ficaram hospedados no Shoreham Hotel, ocupando todo o sétimo andar, cujo acesso foi bloqueado aos fãs. Uma família de hóspedes negou-se a deixar seu quarto; portanto, a administração do hotel cortou o aquecimento central, a água quente e a eletricidade, alegando falha elétrica. A família, contrariada, acabou se mudando para outro andar.
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Aproximadamente 8 mil fãs, em sua maioria garotas, assistiram ao show no Washington Coliseum, sob a proteção de 362 policiais, sendo que um deles usou balas de revólver como protetores de ouvido, por causa da altura do som. Os Beatles tocaram: "Roll Over Beethoven", "From Me To You, "I Saw Her Standing There', "This Boy", All My Loving", I Wanna Be Your Man”, "Please Please Me”, “Till There was you”, “She Loves You”, “I Want To Hold Your Hand”, “Twist And Shout" e Long Tall Sally". Além do quarteto de Liverpool, também fizeram parte do show: The Chiffons (que curioso...) e Tommy Roe. Depois desse show, Lady Ormsby-Gore ofereceu uma recepção na Embaixada Britânica. Houve um baile a rigor em prol da associação de proteção a criança, e ao final, foi pedido aos Beatles que entregassem os prêmios da rifa. A comunidade britânica, debutantes e aristocratas arrogantes, tiveram um comportamento lamentável, e uma mulher chegou a cortar uma mecha do cabelo de Ringo, bem atrás da orelha esquerda. John afastou todos os que pediam autógrafos reclamando: "Essa gente não tem a mínima educação" e, agarrando Ringo pelo braço, disse: "Vamos embora!". Naquela noite, os Beatles exigiram que Brian nunca mais os expusesse aquele tipo de situação. No dia seguinte, o destino era novamente Nova York. Duas apresentações ocorreriam no Carnegie Hall.

Os Beatles voltaram no mesmo trem e, ao chegarem, sua limusine ainda não estava na estação, pois os fãs haviam bloqueado toda a passagem das ruas. Eles tiveram que ir para o hotel de táxi, de onde tiveram que sair, mais tarde, usando o elevador dos fundos e a cozinha. E agora, chega de conversa e vamos logo para o que interessa: aqui no nosso blog preferido - a gente confere o primeiro show completinho da estreia dos Beatles ao vivo em território americano. É isso aí. BEATLES FOREVER!

THE BEATLES EM WASHINGTON - BOB SPITZ

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Aqui, a gente segue com a leitura do do livrão "The Beatles - A Biografia", de Bob Spitz, com outra parte capítulo "Era Uma vez na América" – iniciada há dois dias, nas postagens sobre a apresentação no Ed Sullivan. Agora, os Beatles estão em Washinton D.C. – foram de trem, debaixo de neve. Como já sabemos, no Coliseum, eles arrebentaram e estavam bem radiantes durante e depois do espetáculo. Infelizmente, na festa da embaixada, uma idiotinha estragou tudo. Vamos conferir?
O Washington Coliseum era o maior lugar em que já haviam tocado, um antigo ginásio de 18 mil lugares no centro da cidade, que sediava principalmente lutas de boxe e jogos de hóquei sobre o gelo. Brian não os havia preparado para o tamanho do lugar, tampouco havia dito alguma coisa sobre o palco incomum. A estrutura tinha sido mon­tada como para uma luta de boxe, o que significava que tocariam em uma plataforma no meio de um círculo, uma disposição que exigiria a movimentação dos equipamentos a cada poucas músicas.
O espetáculo foi aberto por três atrações que aqueceram a plateia: um grupo britâ­nico chamado Caravelles; o velho amigo Tommy Roe, companheiro da primeira turnê no Reino Unido; e as Chiffons*. Os planos dos Beatles de assistir ao número das garotas foram descartados quando Murray the K apareceu sem avisar, determinado a transmitir seu pro­grama do camarim deles. Foi quase um alívio quando chegou a hora de tocar. *George foi processado e condenado em 1986 a pagar uma indenização de 587 mil dólares à Bright Tunes - seu sucesso solo “My Sweet Lord” (1970) teria infringido os direitos autorais da canção “He’s Só Fine”, das Chiffons.
Na maioria dos auditórios circulares, os artistas entram em cena por tú­neis subterrâneos, mas ali, devido ao rinque, era impossível chegar ao palco sem marchar entre a plateia. Então, Harry Lynn, o produtor, mandou três DJs com pe­rucas-Beatles irem distrair a multidão, enquanto os rapazes, cercados por qua­renta seguranças, passavam rápido pelo corredor sob uma ensurdecedora rajada de gritos. Uma explosão ofuscante de flashes banhou o ginásio de luz. E, então, ou­tra onda de gritos, mais altos e mais descontrolados ecoou pelas paredes. “A reação da plateia foi impressionante”, Paul comentou sem fôlego alguns minutos após o show, classificando aquela como “a recepção mais espetacular que já ouvi na vida”. Logo que chegaram ao palco, os Beatles souberam que aquela não seria uma apresen­tação qualquer. A atmosfera era elétrica e vagamente perigosa, com um público infla­mado que fazia lembrar lugares como o Wilson Hall, em Garston. Destemidos, eles se acomodaram em um palco do tamanho de um selo postal, com fãs transbordando pelas beiradas. 
Era como uma “corrida de obstáculos” em meio a braços que tentavam agarrá-los e cabos que serpenteavam pelo chão. Ringo se equilibrava precariamente em cima de uma plataforma circular que, sob circunstâncias ideais, deveria ter funcionado como base para a sua bateria. Os amplificadores, empoleirados, ameaçavam tombar sob a menor provocação.
“Boa-noite, Washington!”, gritou Paul ao microfone, dando tempo para os outros ligarem os instrumentos e tomarem fôlego. Uma equipe de filmagem estava gravando o espetáculo para futura transmissão por canal fechado, e desde os primeiros acordes de “Roll Over Beethoven” a plateia — adoles­centes na maioria ficou ensandecida. Várias dezenas de policiais contornavam o palco, observando a plateia com apreensão, para logo entrar em ação, agarrando fãs que ten­tavam pular sobre o conjunto. “Todos os ingredientes da Beatlemania estão aqui em Wa­shington”, relatou a NME, incluindo, como a publicação notou, “o arremesso de confeitos ‘feijõezinhos’ e jujübas” — não as jujubas macias e moles da terra natal, mas suas primas americanas, mais duras, chamadas de “jelly babies”. “Naquela noite, nós fomos exatamente fuzilados por aquelas malditas coisas”, lembrou George. “Para piorar as coisas, estávamos em um palco aberto para todos os lados, então elas nos atingiam de todas as partes [...] saraivadas de miniprojéteis duros como pedras chovendo sobre a gente”.
No fim das contas, isso não fez a mínima diferença para a qualidade do espetá­culo. A apresentação dos Beatles naquela noite foi iluminada por algo especial, vindo de dentro. Eles tocaram com a intensidade eletrizante, anfetaminada vista pela última vez em Hamburgo, indo muito além das usuais apresentações eficientes e rigidamente controladas. “Ringo, em particular, tocou feito um louco”, escreveu Albert Goldman, “revelando um fogo que ninguém suspeitava existir sob seu estilo discreto”. Era menos um menosprezo pela habilidade de Ringo do que a revelação do poder implícito contido em seu estilo enérgico e Consistente. Algo primitivo o dominou transformando cada impulso, cada batida, em energia pura. Seus braços sacolejavam febrilmente e sua cabeça sacudia com um balançar demoníaco, fazendo-o parecer, por vezes, convulsivo e, por outras, dinâmico e hercúleo.
Nem importava que “a acústica fosse horrível” ou que o equipamento tivesse de ser apressadamente ajustado depois de cada música. Nem isso, em nenhum momento, interrompeu a fluidez ou a tensão contagiante que se espalha­vam pelo ginásio. Durante a última música, uma versão fantástica e banhada de suor de “Long Tall Sally”, a plateia manteve-se de pé, gritando descontroladamente em um único e ensandecido urro.
Depois, os Beatles ficaram atordoados de exaustão e euforia. Ringo, em especial, estava encantado com os fãs. “Eles poderiam ter me rasgado em pedaços e eu não me importaria”, disse nos camarins, encharcado de suor. O show durou apenas 28 minutos.
Os Beatles não ficaram para nenhum tapinha nas costas de última Hora. Ao contrário, foram rapidamente levados para a embaixada britânica, a alguns quilômetros do ginásio, onde uma festa regada à champanhe e um baile de máscaras beneficente em sua honra os espe­rava. Esse era exatamente o tipo de coisa que eles evitavam rotineiramente, festas cheias de engomadinhos e de outros tipos refinados que os viam como uma novidade a usufruir. A em­baixada estava lotada de diplomatas britânicos bem-vestidos e suas famílias, a quem os Beatles ofereciam um lampejo muito bem-vindo de orgulho nacional. Bandejas de comida refinada se estendiam de um lado ao outro do salão de festas. Quando os rapazes fizeram sua entrada descendo por uma grandiosa escadaria em forma de cisne pata a rotunda, todos os presentes se voltaram para recebê-los. Foi um gesto extremamente simpático. O embaixador britânico, Sir David Ormsby-Gore, mostrou-se agradável e hospitaleiro, e chegou a rir quando Ringo, que o olhou de cima a baixo, perguntou: “Então, o que o senhor faz?”
Mas, afinal, era uma festa da embaixada, uma ocasião bastante pomposa e que nem de longe tinha o tipo de público que agradava aos rapazes. Disseram a eles que seria uma “festinha tranquila” para os atribulados funcionários da embaixada, mas o prédio estava tomado por uma multidão agressiva e antipática — “uma porção de deslumbrados metidos”, como George Martin os descreveu. “As_ pessoas nos focavam quando passavam por nós”, relembrou John, nada contente com a situação. Segundo Ringo, foi como se os Beatles esti­vessem em exposição, “como num zoológico”. Paul fez o máximo para “trocar gentilezas” com os convidados, mas aquilo foi demais até para ele. Quando uma “mulher levemente bêbada” o envolveu com os braços e quis saber seu nome, Paul, respondeu: “Roger. Roger McClusky Quinto”, antes de se esquivar. 
Naquela noite foi Ringo quem, imitando ironicamente o sotaque da aristocrática faculdade de Eton, conseguiu convencer John a não fazer uma cena enquanto anunciava os vencedores da rifa da embaixada, desafiando os ganhadores a trocar suas cópias autogra­fadas de Meet The Beatles por uma de Frank Sinatra. No entanto, durante o desenrolar do sorteio, uma debutante se esgueirou por trás de Ringo e cortou um chumaço de seu cabelo com uma tesourinha de unhas. Aquilo já era demais. Ringo virou-se e disse: “Que diabo você acha que está fazendo?” Ele estava furioso, totalmente fora de si. “Este pessoal aqui é aterrorizante — muito pior que as fãs”, ele espumou. John rumou para a porta, balbuciando xingamentos, com Ringo logo atrás dele, pedindo um táxi. Foi o melhor que puderam fazer para evitar uma cena. “Eles estavam muito tristes”, lembrou o fotógrafo Harry Benson, que fazia parte da comitiva dos Beatles. “John, em particular. Eles não ficaram enraivecidos. Estavam humilhados”.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

THE CAREFREES - WE LOVE YOU BEATLES******

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Em 1964, Beatlemania já tomando conta dos States, surgiu essa musiquinha meio pegajosa e insuportável para muitos: “WE LOVE YOU BEATLES”, era nterpretada pelo grupo “The Carefrees” e por incrível que possa parecer, chegou a ficar em 39º lugar entre as 100 mais da Billboard naquele ano. Foi baseada em “We Love You Conrad” do musical Bye Bye Birdie, e tem letra e melodia bem simples. Cada Beatle é citado de acordo com sua personalidade na época. E ainda tem yeah, yeah, yeahs e woo, woos no melhor estilo da 1ª fase dos Beatles e a explosão da Beatlemania.

TONY BARROW - O CRIADOR DO TERMO “FAB FOUR”

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Tony Barrow foi o primeiro assessor de imprensa e publicitário dos Beatles. Foi ele que cunhou o indelével apelido “Fab Four” (os quatro fabulosos) e ajudou a configurar a visão que o mundo tinha dos Beatles. Ele aos 80 anos de idade no dia  14 de maio de 2016, em Morecambe, na Inglaterra.

Barrow começou a carreira como escritor quando tinha 17 anos, fazendo resenhas de discos sob o nome “Disker” no The Liverpool Echo. Em dezembro de 1961, Brian Epstein o abordou e pediu a ele que mencionasse um grupo de fama crescente, chamado The Beatles, em sua coluna “Off the Record”. Na ocasião, Barrow recusou o pedido porque a banda não tinha nenhum material gravado à época. Depois, Epstein deu a ele uma gravação de baixa qualidade da banda tocando ao vivo e Barrow arranjou a famosa audição dos Beatles com a gravadora Decca. Depois de os Beatles assinarem com a subsidiária da EMI, a Parlophone, em 1962, Barrow se tornou assessor de imprensa e publicitário de uma nova companhia, a NEMS Eterprises. Com sólida formação em jornalismo musical, Barrow distribuiu os releases de imprensa aos antigos companheiros.
Foi ele que, em um comunicado, pela primeira vez disse que os Beatles eram o “Fab Four”, e o apelido simpático pegou. Barrow também escreveu as notas de capa de todos os primeiros álbuns e EPs dos Beatles na Inglaterra. E também convenceu a banda a gravar um disco natalino para ser enviado a integrantes do fã clube. Paul McCartney até pediu a Barrow para gravar o show derradeiro da banda, no Candlestick Park, em São Francisco (nos EUA), em 29 de agosto de 1966. Ainda que o registro nunca tenha sido lançado oficialmente, ele já foi vastamente distribuído em bootlegs.Resultado de imagem para tony barrow and beatles
Barrow e os Beatles eventualmente pararam de trabalhar juntos, após a morte de Epstein, em 1967. O quarteto de Liverpool depois fundou a própria companhia, a Apple, e Barrow depois deixou a NEMS para começar a própria companhia publicitária, a Tony Barrow International (posteriormente Tony Barrow International Management). Antes de deixar a profissão de lado em 1980 – quando voltou a escrever e editar –, Barrow representou diversos artistas da MCA Records, além de The Kinks e Bee Gees. Em 2005, ele publicou um livro de memórias relacionadas ao tempo dele com os Beatles, chamado John, Paul, George, Ringo & Me: The Real Beatles Story.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

AMANHÃ - OS BEATLES QUEBRAM TUDO OUTRA VEZ!

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O INCRÍVEL HULK - A INCRÍVEL SÉRIE DE TV

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Especialmente com um abração para meu amigo Junior Brown!
A série "O Incrível Hulk", foi ao ar nos Estados Unidos de 1977 a 1982, e foi uma bem sucedida adaptação de um herói de quadrinhos para a TV, apesar de ter sofrido mudanças radicais em relação a HQ original. Na história da TV, saem o cientista Bruce Banner e a explosão de uma bomba gama. Entra em cena o médico (e também cientista) David Banner, interpretado por Bill Bixby. Durante uma pesquisa, ele descobre que pessoas expostas a raios gamas vindos do sol liberam uma força oculta em momentos de estresse. Em uma simulação em seu laboratório, Banner se expõe a uma overdose dos raios, mas ele só notará os efeitos quando tenta trocar um pneu na chuva e destrói o carro, em um momento de ódio.O "Hulk" era protagonizado por Lou Ferrigno, um fisiculturista de quase 2 metros de altura que tinha de passar horas em um trailer refrigerado durante as gravações para evitar estragar a maquiagem verde que tinha pelo corpo. Na história, Hulk é perseguido por Jack McGee, um jornalista sensacionalista, o que o faz David Banner se mudar de cidade a cada episódio, o que o obriga a arranjar novos empregos e a trocar de sobrenomes.Em todos os episódio, após se meter em alguma confusão e sempre ser ultrajado ou levar socos e pontapés, David Banner se transformava por duas vezes (em cada filme) no Gigante Verde, cujas calças nunca rasgavam. Além das cenas de pancadaria e quebra-quebra, o roteiro era planejado para agradar a toda família - e talvez seja essa uma das razões de seu sucesso: as histórias constantemente continham "temas sociais" como alcoolismo, abuso sexual e problemas de saúde. Um certo avanço para os padrões da época.
Bill Bixby já era um ator de renome quando foi escalado para aquele que seria seu papel mais famoso, o de David Banner, na adaptação televisiva da história em quadrinhos do Hulk (criada por Stan Lee e Jack Kirby). Kenneth Johnson, o criador da série, disse que Bixby era o único ator que poderia fazer o papel, e insistiu em sua contratação. A série foi um grande sucesso, e valeu ao ator uma enorme popularidade, apesar de já ser um veterano nas telas. Com o fim da série, ele retornou ao personagem em três filmes: O Retorno do Incrível Hulk (The Incredible Hulk Returns, 1988), O Julgamento do Incrível Hulk (The Trial of the Incredible Hulk, 1989) e A Morte do Incrível Hulk (The Death of the Incredible Hulk, 1990). Em O Julgamento do Incrível Hulk, Stan Lee faz uma ponta, como um dos integrantes do juri. Foi a primeira aparição de Lee em um filme baseado em um personagem seu, algo que se tornaria obrigatório nos filmes seguintes. Em 1991, Bill Bixby foi diagnosticado com câncer de próstata, e submetido a tratamento. No dia 21 de novembro de 1993, faleceu, com apenas 59 anos de idade. Na época, ele era diretor da série Blossom, estrelada por Mayim Bialik.

A melancólica e belíssima música tema de “O Incrível Hulk” foi composta por Joe Harnell, que morreu em 2005 aos 80 anos. Entre 1967 a 1973, trabalhou como diretor musical do The Mike Douglas Show. Em 1973, Harnell mudou-se para Hollywood e trabalhou em partituras e composições de televisão, compondo para “A Mulher Biônica” e “O Incrível Hulk”, com a música "The Lonely Man Theme" com a qual todos os episódios de The Incredible Hulk terminavam, sempre com David Bruce Banner partindo em mais uma estrada solitária.

THE BEATLES – YELLOW SUBMARINE, DE BILL MORRISON

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"Acredito que todos, mas TODOS já tenham ouvido falar em Yellow Submarine. Ou a canção composta pelos Beatles ou talvez o longa animado de 1968 comandado por George Dunning. O desenho colorido e psicodélico comemorou 50 anos em 2018 e a Darkside Books lançou a versão graphic novel desenvolvida por Bill Morrison pela Titan. Pouco conhecido no Brasil, Morrison é conhecido por muitos trabalhos importantes como a fundação da Bongo Comics, onde trabalhou ao lado de Matt Groening, criador dosSimpsons e Futurama. Atualmente ele é o editor da MAD. Ou seja, foi a escolha ideal para adaptar a conceituada animação em forma de quadrinhos. A história dos quadrinhos segue a obra original com os habitantes de Pepperland subjugados pelos Malvados Azuis, um grupo de criaturas que odeia música. O prefeito da cidade despacha o velho marinheiro Fred a Liverpool, na Inglaterra, onde ele pede a ajuda John, Paul, George e Ringo – Os Beatles. A banda então dirige um submarino amarelo até a ocupada Pepperland. A grande virtude de Bill Morrison foi transportar toda a viagem fantástica do submarino amarelo para as páginas. Os momentos que os Beatles atravessam os mares, cada um com uma característica peculiar, alcança o mesmo nível surreal da animação. Nas páginas que acompanham o Mar do Nada como o monstro aspirador, Bill Morrison faz a própria página ser sugada ficando o fundo em branco. O equivalente da quebra da quarta parede que a animação faz com tanto brilhantismo. Tanto a animação quanto a graphic novel são recheadas de referências com canções dos Beatles. Então, um beatlemaníaco aproveitará melhor a obra do que alguém que não conheça a carreira da banda. Mas, pode ser o início de compreender a importância do quarteto de Liverpool. Yellow Submarine se tornou um símbolo da cultura pop pela inovação, experimentação e representar um período marcante da contra cultura. Bill Morrison explora ao máximo tudo de fantástico da animação e trata a adaptação com o carinho que ela merece. A edição da Darkside Books se torna um item essencial para todo fã da banda". Por Renan Lelis - Fonte: poltronanerd.com.br

PESADELO - A HARD DAY'S NIGHTMARE

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"Fãs" dos Beatles juntaram cenas do filme "A Hard Day’s Night" com o terror sul-coreano "The Train To Busan" e o resultado foi inusitado. The Train To Busan é considerado um filme cult, mesmo que tenha sido lançado em 2016, e mostra uma sequência de eventos que acontecem após zumbis atacarem um trem para a cidade de Busan, na Coreia do Sul. A versão recém-criada, não coloca os zumbis como a maior ameaça. No vídeo, aparecem quatro rapazes de Liverpool e eles fazem com que coreanos comecem uma desesperada corrida pela sobrevivência. Chamado de A Hard Day's Nightmare, o vídeo feito por fãs traz cenas de The Train To Busan habilmente combinadas com as famosas cenas do filme dos Beatles, de 1964. Uma tolice sem igual.