segunda-feira, 16 de setembro de 2019

THE BEATLES - SUN KING - SENSACIONAL!!! **********

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Agora estamos bem adiantados no lado 2 de Abbey Road e daqui até o fim, são todas peças curtas que se vão se fundindo em um fantástico amálgama - o famoso "medley".
"Sun King" é a quarta música do lado 2, atrás de “You Never Give Me Your Money” e antes de "Mean Mr. Mustard". Foi gravada em Abbey Road, nos dias 24, 25, 29 de julho 1969 – faltava 2 meses para o lançamento do álbum. Foi produzida por George Martin que teve como engenheiros Geoff Emerick e Phil McDonald. Os quatro Beatles participaram da gravação que também teve George Martin tocando um órgão de Lowrey. John Lennon faz os vocais, toca guitarra e maracas; Paul McCartney faz os vocais de harmonia, toca baixo, harmônio, piano e loops de fita; George Harrison faz os vocais de harmonia e toca guitarra e Ringo Starr toca sua bateria, bongô e pandeiro.
Assim como "Being For The Benefit Of Mr Kite!" e tantas outras, a opinião de John Lennon sobre "Sun King" mudaria com o passar dos anos, mas, como quase sempre, de boa para ruim. Em 1971, ele se referiu a ela como algo que tinha surgido para ele em um sonho, deixando implícito que se tratava de uma grande inspiração. Em 1980, ele a reavaliou como mais um "lixo". A ideia da música surgiu para John Lennon após a leitura de uma biografia sobre o Rei-Sol (Sun-King) Luís XIV da França, que reinou de 1643 a 1715 escrita por Nancy Mitford , e pode ter sido com ele que John sonhou que um Rei entrava em seu palácio e encontrava todos os seus convidados rindo felizes – Everybody is Happy.
A letra é simples e curta e inicia quase com os mesmos dizeres de "Here Comes the Sun" de George Harrison, inclusive o nome inicial era para ser "Here Comes the Sun King" encurtada em seguida para "Sun King" para não haver confusão.
O trecho final da letra mistura palavras em inglês, espanhol, italiano, e algumas inventadas por John, formando frases sem nenhum sentido — "paparazzi", "abrigado", "para-sol", "mi amore". Mais uma vez, como fizeram em "Because", os três, John, Paul e George, cantam em uníssono.

Aqui, a gente confere mais um pedacinho do livro de Geoff Emerick – Minha Vida Gravando os Beatles“Poucos dias depois fizemos as bases de “Here comes the sun king” e “Mean Mr. Mustard”, de Lennon, ambas gravadas juntas em uma única passagem. Há um pequeno intervalo entre as duas canções, então elas poderiam facilmente ter sido gravadas separadamente, mas sabendo de antemão que seriam sequenciadas naquela ordem, John tomou a decisão de tocá-las ambas de uma só vez, tornan­do aquilo um desafio para a musicalidade da banda. Mas eles conseguiram — foi realmente um esforço de grupo, e todos os quatro Beatles tocaram com energia e entusiasmo, cada um dando sua contribuição única para o som e o arranjo. Até Ringo surgiu com uma ideia firme, cobrindo seus tom-tons com pesadas toa­lhas de chá e tocando-os com batedores de tímpano, a fim de dar a John o som de “tambor de selva” que ele estava procurando. John estava realmente de bom humor durante toda a sessão. Eu podia ver que ele estava um pouco mais solto, um pouco mais recuperado de seus feri­mentos, e muito menos preocupado com Yoko, que já não estava deitada na cama, embora esta permanecesse desfeita em um canto do estúdio, um mudo lembrete da estranheza com a qual tivemos de lidar nas últimas semanas. O clima era tão bom que, dessa vez, Paul foi convidado por John para par­ticipar de ambas as músicas, o que pareceu levantar muito o ânimo dele. Eles ainda desapareceram um tempo por trás dos abafadores em certo ponto para fumar um baseado, apenas os dois, e quando voltaram estavam tendo um ataque de riso enquanto cantavam a baboseira pseudo espanhola do final de “Here co­mes the sun king”; na verdade, eles descobriram que era impossível fazer um take sequer sem cair na gargalhada. As coisas não foram assim tão agradáveis quando voltamos na semana se­guinte para enfrentar “Polythene Pam”, de John, que se juntou com “She came in through the bathroom window”, de Paul, uma depois da outra”. Mas aí já é outra parte da história que a gente vai conferir, quando chegar a vez dela. Certo?

Como outras faixas de Abbey Road, “Sun King” apresenta uma exuberante e multi-controlada harmonia vocal. A música lentamente se desvanece em sons do pântano no final de "You Never Give Me Your Money". No final, a música pára abruptamente e a bateria de Ringo Starr leva para faixa seguinte, "Mean Mr. Mustard". Em uma entrevista em 1987, George Harrison disse que a gravação foi inspirada pela canção "Albatross" da banda Fleetwood Mac. “Sun King”, além de Abbey Road, aparece também em “Love” de 2006, mas com o título e a música ao contrário - “Gnik Nus”, que a gente confere na postagem mais abaixo.

THE BEATLES – GNIK NUS (From ‘LOVE’ Album) - 2006

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“Gnik Nus” é nada mais que “Sun King” em reverse (ao contrário) e à capela num interessante e criativo arranjo e produção de Giles Martin (filho de George Martin) para o sensacional álbum “Love” com a trilha sonora do espetáculo homônimo, lançado em novembro de 2006. Uma sacada absolutamente genial! A letra ficou assim: “Gnik nus eht semoc ereH, gnik nus eht semoc ereH, gnihgual s'ydobyrevE, gnihgual s'ydobyrevE, gnik nus eht semoc ereH”.

FOTO DO DIA - MEU ANÚNCIO PREFERIDO DOS ANOS 70

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Esse anúncio tem uma história curiosa, pelo menos para mim. Ele foi publicado originalmente na contra-capa da revista VIGU (Violão e Guitarra) ESPECIAL Nº 7 em 1977. Totalmente sobre os Beatles (e em bom português), esta revista, na época, valia ouro para qualquer Beatlemaníaco privado de tantas boas e valiosas informações sobre a banda já extinta há sete anos. Coisa raríssima naquele tempo. Eu consegui ter a minha (que ainda guardo os restos mortais até hoje) e contei essa história na postagem "THE BEATLES - O SONHO DE UM GAROTO DE 14 ANOS" - Partes I e II em 2011, numa época em que a minha já estava toda estraçalhada e eu disse que compraria uma outra nova em bom estado pelo preço que fosse (ou algo assim) e para minha surpresa, fui presenteado pelo amigo Júlio Schroeder, de Belo Horizonte com um exemplar bem mais conservado que o meu. Inesquecível!

FLEETWOOD MAC – ALBATROSS - 1968

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"Albatross" é uma música da banda Fleetwood Mac, escrita exclusivamente pelo guitarrista e compositor britânico Peter Green (fundador do Fleetwood Mac), e foi inspirada no poema de 1798, "The Rime of the Ancient Mariner", do poeta inglês Samuel Taylor Coleridge. No poema, um albatroz segue um grupo de marinheiros e lhes dá azar depois que um deles o mata com uma besta.
"Albatross" foi produzida pelo inglês Mike Vernon - que também produziu músicas para vários artistas de renome, de Eric Clapton a David Bowie e Ten Years After - e foi lançada em 22 de novembro de 1968 como um single. Depois, apareceu em alguns álbuns de compilação. "Albatross" foi o primeiro single número 1 da banda no Reino Unido e na Europa. Além disso, esta faixa também liderou as paradas na Holanda. Esta peça teria inspirado a música de 1969 dos Beatles, "Sun King", de acordo com uma entrevista de 1987, o guitarrista George Harrison, dos Beatles, disse que "Albatross" era "o ponto de origem" de "Sun King". Na lista das 100 Maiores Faixas de Guitarra da revista Q, em 2005, "Albatross" ocupa a posição número 37.

sábado, 14 de setembro de 2019

THE BEATLES - YOU NEVER GIVE ME YOUR MONEY*****

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“Klein lentamente, começou a exercer pressão sobre o chefe da EMI, Sir Joseph Lockwood, assinalando que os Beatles efetivamente cumpriram os termos do contrato de 1967 e poderiam decidir se expressar por outros meios se o acordo das gravações musicais não fosse melhorado. Lockwood respondeu que os Beades sabiam o que tinham assinado em 1967 - ‘Eles tiveram um ano para pensar a respeito. Conheciam seus direitos’ - e ‘cumpriram tudo para alegria e satisfação de todos.’ Ele estava disposto a negociar um contrato revisto que beneficiasse ambas as partes. Mas acreditava que os Beatles, por si mesmos, já estavam perfeitamente satisfeitos com o acordo existente: as objeções, sugeriu Lockwood, vinham de Klein e não de seus clientes. Tanto Klein quanto os Beatles entenderam que Lockwood nunca concordaria em melhorar as condições do contrato se o grupo não estivesse mais em atividade. Assim, em parte para provar que ainda existiam, em parte pela força do hábito, os quatro Beatles concordaram em retornar ao ambiente familiar dos estúdios de Abbey Road”. - A Batalha pela alma dos Beatles - pg. 101.
“Em público, a dupla ainda se colocava como uma frente unida. Lennon mais tarde se declarou vigorosamente contra o lendário medley [combinação de canções] que domina o lado 2 do álbum Abbey Road, mas foi o primeiro do grupo a vangloriar-se publicamente da ideia. Na mesma entrevista, revelou que ele e McCartney estavam aproveitando um feroz surto criativo e afirmou que ‘o resultado de todos esses negócios financeiros não importa. Ainda faremos discos, e alguém disputará algum dinheiro e nós disputaremos algum dinheiro, e tudo vai continuar assim mesmo’. McCartney, mais prático, canalizou sua frustração numa canção melodiosa, intitulada You Never Give Me YourMoney (Você nunca me dá seu dinheiro). Rememorando-a em 1996, ele explicou que “a canção não foi dirigida aos outros membros da banda. Eu realmente não sentia que eles eram os culpados. Estávamos como que no mesmo barco, e não foi senão depois de Allen Klein aparecer que realmente nos dividimos e começamos a ter cada um seu próprio advogado, e coisas desse tipo. Porque ele nos dividiu. Foi basicamente ele quem nos dividiu”. - A Batalha pela alma dos Beatles - pg. 119.


“You never give me your Money, you only give me your funny paper and in the middle of negotiation, you break down” (Você nunca me dá seu dinheiro, só me dá papéis engraçados e no meio das negociações, se descontrola).

“You Never Give me Your Money” é uma música dos Beatles composta por Paul McCartney, creditada a dupla Lennon e McCartney, e lançada no álbum Abbey Road em 26 de setembro de 1969. A gravação teve início no dia 6 de maio e foi concluída em 21 de agosto. É a terceira música do lado 2 do álbum, depois de “Because” e antes de “Sun King”. É o início do medley que domina o outro lado de Abbey Road. “YNGMYM” dura exatos 4:03 minutos.

Muitos autores identificam quatro músicas dentro de uma em "You Never Give me Your Money". A primeira que se inicia com "You never give me your money, you only give me your funny paper..." falaria das dificuldades passadas por Paul com a má administração da Apple (o caso Allen Klein/Eastman). Paul canta de modo clássico. A segunda com início no verso "Out of college money spent, see no future pay no rent...", sem ligação com o verso anterior, fala da falta de dinheiro e de um "sentimento mágico". Paul passa a cantar em tom mais forte e elevado. A terceira, com início em "One sweet dream...", Paul volta a modificar o modo de cantar. E a última, é cantada em coro o refrão: "One two three four five six seven... all good children go to heaven" (Um dois três quatro cinco seis sete... todas as criancinhas boas vão para o céu). Todas as partes são harmoniosas, mas bem distintas.
“YNGMYM” foi basicamente gravada no dia 6 de maio. Alguns poucos acréscimos foram feitos, mas faltava definir como seria a sua ligação com a música seguinte, "Sun King". Após algumas tentativas, Paul optou pelos sons de sinos, correntes, pássaros e outros efeitos sonoros, e ela foi concluída no dia 21 de agosto de 1969. Ao todo, foram gravadas 36 tomadas, das quais a trigésima foi a escolhida para tratamento posterior com acréscimos gravados, e termina com um longo fade out que entra pela canção seguinte, "Sun King" de John Lennon.


“You Never Give me Your Money” foi produzida por George Martin e teve como engenheiros Glyn Johns, Phil McDonald e Geoff Emerick. John Lennon toca guitarra solo e faz backing vocals; George Harrison toca guitarra e faz backing vocals; Ringo Starr toca bateria e percussão e Paul McCartney faz os vocais, backing vocals, toca baixo, guitarra rítmica, sinos, loops de fita, piano e efeitos sonoros (sintetizador Moog). “You Never Give me Your Money”, com The Beatles, só aparece em Abbey Road.

Legal, né? A próxima é outra obra-prima de John Lennon, “Sun King”. Fique de olho e deixe seus comentários. Até!

PAUL McCARTNEY - YOU NEVER GIVE ME YOUR MONEY - SENSACIONAL!

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"WHAT'S MY NAME" - NOVO ÁLBUM DE RINGO STARR*****

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O baterista mais famoso do mundo, Ringo Starr anunciou nesta sexta-feira (13) o seu 20º álbum de estúdio, já batizado de "What’s My Name", programado para chegar às lojas e plataformas digitais no dia 25 de outubro. Trata-se do mais recente trabalho do ex-Beatle de uma série de álbuns produzidos em seu estúdio caseiro na companhia de amigos. Os camaradas de Ringo que frequentam sua casa são Paul McCartney, Joe Walsh, Edgar Winter, Dave Stewart, Benmont Tench, Steve Lukather, Nathan East, Colin Hay, entre outros grandes nomes da música. “Não quero mais estar em um estúdio de gravação antiquado. Já tive o suficiente em minha vida de grandes paredes de vidro. Estou junto de todos que convido para estar aqui”, explica o músico que faz questão de colocar o nome até mesmo de familiares nos créditos do disco. A faixa-título de "What’s My Name" é o primeiro single disponibilizado para audição desse novo álbum e chega como um hino empolgante. Confira agora!

STRAWBERRY FIELDS ABRIRÁ SEUS PORTÕES "PARA SEMPRE"

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Strawberry Fields, o jardim de um orfanato mantido pelo Exército de Salvação na cidade de Liverpool, na Inglaterra, e imortalizado pelos Beatles na música “Strawberry Fields Forever”, abrirá pela primeira vez seus lendários portões vermelhos neste sábado, 14, hoje, como uma atração turística pública. O local estará disponível para visitação ao lado de um novo centro turístico, café e lojinha. Também haverá uma nova exposição interativa sobre a juventude de John Lennon. O clássico dos Beatles, de 1967, foi inspirado em lembranças de Lennon do local quando era criança.

Anthony Cotterill, do Exército da Salvação, disse o seguinte: “John Lennon encontrou refúgio aqui quando criança e é exatamente isso que queremos oferecer abrindo os portões de Strawberry Field para sempre”.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

PETER DOGGETT - A BATALHA PELA ALMA DOS BEATLES

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Quando esse livro foi lançado aqui no Brasil no final de 2014, recebeu três postagens aqui no Baú. Em nenhuma poupei elogios à excelente obra de Peter Doggett – “A Batalha Pela Alma dos Beatles” (o nome no original em inglês é You Never Give Your Money). Como ainda está em catálogo e pode ser encontrado, talvez este, seja um momento bem oportuno para dar novamente uma olhada nele. Desta vez, a gente confere a análise de Ricardo Seelig, publicada no site collectorsroom.com.br em 29 de novembro de 2014. Imperdível!
Existem inúmeros livros sobre os Beatles. Centenas, milhares de obras já analisaram a carreira da banda e de seus integrantes, partindo dos mais variados pontos e chegando às mais diversas conclusões. No entanto, nenhum é como A Batalha Pela Alma dos Beatles (Your Never Give Me Your Money: The Beatles After the Breakup, no título original em inglês), escrito pelo jornalista inglês Peter Doggett, o autor conta, através de uma pesquisa extensa e com grande riqueza de detalhes, a colossal disputa jurídica que envolveu John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr e praticamente qualquer pessoa que tenha cruzado o caminho dos Beatles, após o anúncio do fim do grupo, em 1970.
Baseado em inúmeras entrevistas com os quatro e com dezenas de pessoas que tiveram relacionamento com a banda e seus músicos (assistentes, familiares, roadies, jornalistas, amigos, ...), A Batalha Pela Alma dos Beatles é um livro notável ao lançar inúmeros focos de luz sobre os bastidores de um conflito épico e quase desconhecido do público em geral. Traçando perfis profundos de Lennon, McCartney, Harrison e Starr, além de Yoko Ono, Linda McCartney, Brian Epstein (primeiro empresário), Allen Klein (substituto de Epstein e segundo empresário do grupo), Lee e John Eastman (respectivamente sogro e cunhado de Paul, e também responsáveis por seus negócios) e os funcionários mais próximos da banda, Doggett revela como os Beatles foram se dissolvendo lentamente desde a morte de Epstein em 1967, passando por longos confrontos jurídicos durante toda a década de 1970 e 1980, processo esse que resultou em rusgas e diferenças profundas e praticamente intransponíveis entre John, Paul, George e Ringo, além de uma contenda aparentemente infinita entre os clãs Lennon e McCartney. A leitura proporciona um mergulho profundo na mecânica interna dos Beatles, esmiuçando não só como funcionava a banda legalmente, mas também como eram as relações entre seus integrantes. A forma como a Apple, empresa criada pelo quarteto e que tinha como objetivo ser o início de uma nova forma de fazer negócios, se metamorfoseou ao longo das décadas é impressionante, indo de ícone da contracultura à gigante do capitalismo. Salta aos olhos a inocência que envolveu os negócios dos Beatles ao longo de sua carreira. A época era outra, mas a forma quase amadora com que a banda conduziu suas finanças e assinou contratos que depois se transformaram em enormes dores de cabeça, impressiona. A chegada do controverso Allen Klein ao universo Beatle, substituindo o falecido Brian Epstein, apenas realçou ainda mais os problemas administrativos do grupo. Notório por sua fama de mau caráter, Klein obteve o apoio quase incondicional de John, George e Ringo, e, simultaneamente, a antipatia imediata de Paul, razão pela qual as disputas entre os músicos acabaram indo parar nas cortes inglesas. Outro ponto que merece destaque e surpreende o leitor é o quão próximo de se reunir o quarteto esteve em diversas ocasiões até a morte de Lennon, em 8 de dezembro de 1980. Encontros não divulgados, intenções mútuas de aproximação, parcerias não finalizadas: o que não faltaram foram contatos pessoais e criativos entre os quatro músicos durante toda a década de 1970, deixando a banda a um passo de concretizar o sonho de milhões de fãs em todo o planeta. Extremamente bem escrito e riquíssimo em informações, A Batalha Pela Alma dos Beatles é um livro sensacional. Não apenas uma obra indicada para fãs dos Beatles, mas, sobretudo, uma aula esclarecedora sobre como funciona a máquina administrativa e financeira por trás de uma grande banda, movida a milhares de contratos e zilhões de advogados. O sonho acabou em 1970, mas aqui ele mostra a sua verdadeira face, nem sempre agradável, porém sempre surpreendente. Altamente recomendável!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O DIA EM QUE UMA CAMA PARA YOKO ONO FOI INSTALADA EM ABBEY ROAD

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O período entre o início de 1968 e o final de 1969 teve a "separação dos Beatles" escrita e contada por toda parte. E foi nesse período que o amor entre John e Yoko mais floresceu e eles se casaram. Mas antes que os Beatles seguissem caminhos separados, eles tinham mais uma obra-prima para gravar: Abbey Road – novo álbum que seria lançado em 26 de setembro daquele ano. No dia 1 de julho de 1969, John, Yoko, Julian e Kyoko sofreram um grave acidente de carro em Golspie, Escócia, quando John perdeu o controle do veículo. Todos foram hospitalizados no Lawson Memorial Hospital. Yoko levou 14 pontos, Kyoko, 4, e John, 17 pontos (?)* - (O Diário dos Beatles - Barry Miles). Julian entrou em choque. Enquanto isso, em Abbey Road, os outros Beatles davam sequência aos trabalhos de gravação do novo álbum. John e Yoko ficaram vários dias sem aparecer e isso trazia uma paz que há muito não se experimentava. No dia 9 de julho de 1969, John retornou ao estúdio acompanhado de Yoko Ono. Depois que eles chegaram, todos foram surpreendidos por uma entrega feita imediatamente após eles entrarem na sala. Inicialmente, Geoff Emerick imaginou que era um piano, mas estava errado – era uma cama da Harrods para que Yoko pudesse se convalescer no piso principal do estúdio. Em “Here, There e Everywhere - Minha Vida Gravando os Beatles”, Emerick descreveu com riqueza de detalhes, como isso surpreendeu a todos, principalmente Paul, George e Ringo. "Passei quase sete anos da minha vida em estúdios de gravação e pensei já ter visto tudo, mas aquilo não tinha comparação”, escreveu Emerick. Uma vez que a cama estava no lugar e os entregadores também trouxeram lençóis, travesseiros e cobertores, Yoko tratou de se acomodar. Depois de estar devidamente aconchegada, John mandou que um microfone fosse instalado sobre ela para que ela pudesse se comunicar com o grupo. Todo mundo que trabalhava no estúdio ficou pasmo, mas não houve tempo de reagir. Enquanto os Beatles trabalhavam no álbum, Yoko falava com todo mundo pelo microfone de sua cama. Como estava se recuperando de ferimentos, ela usava apenas camisola e tinha uma grande tiara na cabeça que cobria cicatrizes dos destroços. Nas semanas seguintes, Yoko causou alguns problemas como quando comeu os biscoitos de George Harrison (que se referiu a ela como "aquela vadia" e geralmente causou uma distração com seu fluxo constante de visitantes. Mas aquele primeiro dia com a entrega da cama era algo que ninguém podia esquecer. E é exatamente esse trecho do livro de Geoff Emerick que a gente confere com todos os detalhes agora, pela 1ª vez aqui no Baú do Edu.
Resultado de imagem para Geoff Emerick- o baú do edu
Recebíamos relatórios diários sobre a evolução da saúde de John e Yoko enquanto eles lentamente se recuperavam em casa, e na manhã de 9 de julho, George Martin recebeu um telefonema de Mal Evans dizendo que o Sr. e a Sra. Lennon estavam finalmente em seu caminho para o estúdio de gravação. A me­dida que a tarde avançava, houve uma grande expectativa quanto ao estado em que John chegaria e qual seria seu humor. Todo mundo estava preocupado com o seu bem-estar - havia sido um acidente grave, e ele teve a sorte de sair com vida —, mas havia também uma preocupação implícita sobre como a presença de John e Yoko afetaria o clima relativamente bom das sessões até então. De repente, sem aviso, John e Yoko se materializaram na porta do estúdio, como duas aparições vestidas de preto. Após um momento de hesitação, todos corremos para ver se ele estava bem. “Sim, eu estou bem”, Lennon nos tranquilizou, suavemente. Quando todos se reuniram ao seu redor ansiosamente, ele pareceu se iluminar. Con­versando animadamente com seus companheiros dos Beatles, Lennon pare­ceu esquecer Yoko por um momento. Visivelmente irritada, ela o puxou pela manga e soltou um pequeno gemido, tomando sua atenção. “No entanto, receio que a mãe ainda não esteja muito bem”, ele disse. Já durante as sessões do Álbum Branco John se referia a Yoko dessa forma, como “mãe” o que sempre achei um pouco assustador.
Yoko começou a dizer algo, mas antes que pudesse terminar, a porta se abriu novamente e quatro homens de casaco marrom entraram trazendo um objeto grande e pesado. Por um momento, pensei que era um piano vindo de um dos outros estúdios, mas logo me dei conta de que eram entregadores: os casacos marrons que estavam usando tinham a palavra "Harrods" escrita na parte de trás. O objeto que estava sendo entregue era, na verdade, uma cama.
De queixo caído, todos vimos como foi trazida para o estúdio e co­locada próxima às escadas, em frente à mesa de chá e torradas Mais homens de casaco marrom apareceram com lençóis e travesseiros e sombriamente arrumaram a cama. Então, sem dizer uma palavra, Yoko se deitou, arrumando cuidadosamente as cobertas. Eu passei quase sete anos da minha vida em estúdios de gravação e pen­sei que tinha visto de tudo... mas aquilo levou o prêmio! George Martin, John Kurlander, Phil e eu trocamos olhares cautelosos, e pelo canto do olho eu pude ver que Paul, Ringo e George Harrison estavam tão assustados quanto nós. Lennon foi até a cama. “Você está bem?”, ele perguntou solicitamente. Yoko murmurou uma afirmativa. Lennon virou-se para nós.“Vocês podem puxar um microfone até aqui, para que possamos ouvi-la nos fones de ouvido?”, ele perguntou. Pasmo, eu acenei para John Kurlander e ele começou a ajeitar um pedestal, suspendendo o microfone acima do rosto indiferente da Sra. Lennon. Pelas semanas seguintes Yoko ficou naquela cama. Seu guarda-roupa consistia em uma série de camisolas, complementadas com uma tiara, cuidadosamente posicionada para esconder a cicatriz na testa causada pelo acidente. Conforme ela foi recuperando as forças, ela recuperou tam­bém sua confiança, lenta, mas firmemente começando a irritar os outros Beatles e George Martin com seus comentários. Ela falava com uma vozinha bem fina e sempre se referia aos Beatles de forma peculiar e impessoal, na terceira pessoa: “Beatles vão fazer isso, Beatles vão fazer aquilo”, deixando sempre de fora o artigo “os”. Isso costumava realmente irritar Paul. Na oca­sião, ele até tentou corrigir: “Na verdade, é ‘Os’ Beatles, querida”, mas ela persistentemente ignorou.
Também não era como se Yoko estivesse deitada na cama descansando tranquilamente - havia uma longa fila de visitantes ao lado de sua cama aten­dendo seus pedidos quase todo o tempo. Os Beatles gravavam em uma extre­midade da sala, e ela ficava no outro extremo conversando com amigos, fa­zendo com que sua presença fosse ainda mais evidente e agravante para o resto da banda. George Martin havia retornado, na premissa de que seria como nos bons velhos tempos, mas nunca tivemos uma esposa de um Beatle numa cama no estúdio conosco nos velhos tempos. Isso provavelmente expli­ca por que ele parecia tão deprimido e frustrado durante aquelas semanas.
Houve uma nítida mudança no ambiente depois que John e Yoko che­garam, embora, pessoalmente, eu sentisse que isso tinha mais a ver com Len-non estar lá do que com sua esposa acamada. Ele andava rabugento e mal-humorado, e se recusou a participar na criação de “Maxwel’s Silver Hammer”, que ele classificava como “apenas mais uma música de vovô do Paul”. No dia seguinte à chegada de John, o grupo estava gravando os backing vocais para a canção, com George Harrison e Ringo juntos de Paul no microfone, enquanto John, impassível, simplesmente se sentou na parte de trás do estúdio para assisti-los. Depois de um momento desconfortável, Paul se aproximou e convidou seu velho amigo e colaborador para se juntar a eles. Aquele me pareceu um gesto simpático, uma proposta de paz. Mas um Lennon inexpressivo simplesmente disse: “não, melhor não”. Poucos minutos depois, ele e Yoko se levantaram e foram para casa. Não tendo nada a contribuir, John não queria estar lá.
Durante os primeiros dias em que eles estavam de volta, John e Yoko passaram a maior parte de seu tempo encolhidos em um canto sussurrando um com o outro, ou andavam pelo corredor até o escritório do produtor - a sala verde — e faziam algumas ligações. Não me surpreendi, apenas encarei como parte do trabalho. Um dia George Martin me disse: “Eu queria que John se envolvesse mais”, mas que eu saiba ele nunca disse ou fez qualquer coisa para conseguir que o Beatle relutante participasse mais. Aquela altura, John estava definitivamente muito estranho, e seu envolvimento em todas as sessões do Abbey Road era esporádico. Na maior parte do tempo, se não es­tivéssemos trabalhando em uma de suas canções, ele simplesmente não pare­cia interessado.

HORNSEY ROAD - MARK LEWISOHN

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Setembro de 2019 marca o aniversário de ouro do álbum multi-platina dos Beatles, Abbey Road - o último trabalho que eles gravaram antes de sua separação sísmica. Lançado em setembro de 1969, era o fim dos anos sessenta e a maior e maior banda de todos os tempos. Para comemorar esse aniversário, o principal historiador dos Beatles do mundo, Mark Lewisohn - cujo aclamado livro Tune In é a primeira parte da biografia definitiva da banda - embarcará em uma turnê de 21 dias no Reino Unido com seu recém-criado show sobre Abbey Road, HORNSEY ROAD.
Esta apresentação de teatro ao vivo de duas horas - cheia de surpresas, prazeres, humor e emoção - será uma história ilustrada rápida e inteligente de nossos eternos heróis e seu maior álbum Abbey Road, fornecendo uma visão única da banda que mudou o curso da cultura e cuja influência ainda é substancial. HORNSEY ROAD ilumina a Abbey Road de todos os ângulos, contando as histórias por trás das músicas e a vida de seus quatro criadores, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr - o mais novo deles com apenas 26 anos, o mais velho dos 29 na época em o álbum foi lançado. O show irá explorar os muitos eventos importantes que ocorreram durante sua gravação, quando os Beatles estavam juntos de maneira criativa dentro do estúdio, mas se desfazendo do lado de fora. Este foi o ano de seu término, e o álbum foi feito em um momento de turbulência em suas vidas pessoais e empresariais, quando dois deles estavam recém-casados ​​e a banda perdeu ativos de negócios e não pôde concordar com rumos futuros.
Mark Lewisohn tem o maior arquivo do mundo de materiais dos Beatles, colhidos há mais de 40 anos de acesso profundo e incomparável a coleções públicas e privadas. No palco, ele estará conversando com o público através de uma variedade impressionante de conteúdo forte e relevante, com músicas raras, fotos, filmes e artefatos colecionáveis. Ele próprio comenta: “HORNSEY ROAD tem tudo a ver com Abbey Road, as pessoas que fizeram e o tempo em que fizeram. Esse triunfo artístico foi criado em um entroncamento agitado na vida dos Beatles, e eu vou revelar a rica história, refrescar as notáveis ​​histórias por trás de sua criação e trazer tudo de volta pela visão, som e cheiro. Darei uma olhada original e surpreendente nesta coleção de ótimas músicas, gravada de maneira soberba pelos Beatles e seu produtor George Martin, cinquenta verões atrás, e embalada na imitada arte da capa dos quatro deles na faixa de pedestres em Londres. Vou explicar o processo de criação do álbum no contexto da cena musical contemporânea de 1969 e descrever os quatro Beatles como amigos, colegas de banda e indivíduos artísticos no auge de seus poderes criativos, coroando os muitos eventos precedentes de seus seis anos anteriores, junto com este glorioso tiro de despedida”. O álbum favorito de muitos dos Beatles, elogiado pelo Daily Telegraph como “exuberante, rico, suave, épico, emocional e absolutamente deslumbrante”, Abbey Road não era apenas mais um capítulo triunfante no tempo inigualável dos Beatles, era o melhor deles. Um dos melhores álbuns de todos os tempos. Ainda agora, meio século depois, continua sendo uma coleção notável de trilhas, maduras para o profundo mergulho comemorativo que HORNSEY ROAD oferecerá.

ABBEY ROAD ERA PARA SER O ÚLTIMO ÁLBUM DOS BEATLES?

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Será que os Beatles gravaram "Abbey Road" (álbum que completa 50 anos de lançado no próximo dia 26) com a intenção de que fosse o último disco da banda? Segundo o especialista Mark Lewisohn revelou ao jornal "Guardian", não é bem assim. Com o respaldo de uma fita gravada na reunião que John Lennon, Paul McCartney e George Harrison tiveram em 8 de setembro de 1969, ele garante que a história terá que ser reescrita. "Os livros sempre nos disseram que eles sabiam que 'Abbey Road' seria o último álbum e que os Beatles queriam sair de cena por cima. Mas não — ali, eles estão discutindo o álbum seguinte. E você acha que John é quem queria separá-los, mas, quando você ouve a fita, vê que não é", disse Lewisohn ao "Guardian"Enquanto o baterista Ringo Starr estava no hospital, passando por exames para revelar as razões de um desconforto intestinal, John, Paul e George Harrison se encontraram na sede da gravadora Apple. John trouxe um gravador portátil, colocou-o na mesa, ligou-o e disse: "Ringo - você não pode estar aqui, mas é para ouvir o que estamos discutindo". Mais adiante, na fita apresentada por Mark Lewisohn ao "Guardian", eles falam sobre o plano de lançar outro álbum — e talvez um single natalino. Pode-se ouvir John sugerindo que cada um deles trouxesse músicas candidatas ao single. Ele também propõe uma nova fórmula para a montagem do álbum seguinte: quatro músicas de Paul, George e dele próprio e duas de Ringo. John se refere ao "mito de Lennon-e-McCartney", indicando claramente que a autoria de suas canções, até agora apresentada ao público como uma parceria sacrossanta, deveria finalmente ser creditada individualmente. Então Paul responde à notícia de que George teria a mesma posição de compositor que John e ele próprio: "Até este álbum, pensei que as músicas de George não eram boas". E este responde, irritado: "É uma questão de gosto! No final das contas, as pessoas gostaram das minhas músicas”. Um mapeamento das tensões que levariam à dissolução dos Beatles faz parte de "Hornsey Road", espetáculo teatral no qual Mark Lewisohn usa fita, filme, fotografias, novas mixagens de áudio das músicas e suas anedotas e recordações para contar a história de "Abbey Road"O álbum foi lançado em 26 de setembro - seis dias depois de Lennon revelar aos companheiros de banda que ele ia deixar o grupo. Gravado após o problemático álbum "Let It Be", que foi lançado apenas em 8 de maio de 1970, "Abbey Road" foi criado em uma atmosfera muito mais descontraída. O álbum contém 17 faixas, incluindo "Something" e "Here Comes the Sun", de George Harrison, "Octopus's Garden", de Ringo Starr, "Come Together", de Lennon, e um medley de trechos de músicas inacabadas, em grande parte de autoria de McCartney.

Para quem não sabe, Mark Lewisohn é considerado o maior pesquisador sobre as gravações dos Beatles. Confira: MARK LEWISOHN - O PESQUISADOR INCANSÁVEL

DISCOS DE VINIL DEVEM VENDER MAIS DO QUE CDS PELA PRIMEIRA VEZ

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As vendas de discos de vinil cresceram consideravelmente nos últimos anos. Ao mesmo tempo, os CDs estão decaindo. No último ano, a Recording Industry Association of America’s (RIAA) lançou um documento mostrando que as vendas de CD caíam três vezes mais do que o aumento na venda de vinis. Em fevereiro, o RIAA mostrou que a venda de discos de vinil correspondem a mais de ⅓ da venda de artigos físicos. A tendência continuou no documento com dados do primeiro semestre lançado pela RIAA. As vendas de vinis renderam US$ 224,1 milhões (em 8,6 milhões de unidades) nos primeiros seis meses de 2019, chegando perto dos US$ 247, 9 milhões (em 18,6 milhões de unidades) do CD. A receita dos vinis cresceram 12,8% na segunda metade de 2018 e 12,9% na primeira de 2019, enquanto a receita de CDs quase não se mexeu. Se essas tendências continuarem, discos de vinil vão logo começar a gerar mais dinheiro do que os CDs. Apesar do crescimento do vinil, o streaming ainda domina a indústria musical - discos foram apenas 4% da renda total do primeiro trimestre de 2019. Em contraste, assinaturas pagas dos serviços de streaming geraram 62% das vendas da indústria. “Damos as boas vindas às vendas de vinil” disse Tom Corson, CEO da Warner Records“É um produto sexy e legal. Representa um investimento emocional. Mas é uma pequena porcentagem do negócio. Não vai nos deixar mais ricos e nem mais pobres. Devotamos o tanto certo de recursos para isso, mas não é algo que temos um departamento especializado”. Mesmo assim, o ressurgimento do vinil foi um boom para alguns artistas, especialmente grupos de rock. Os Beatles venderam mais de 300 mil discos em 2018, enquanto Pink Floyd, David Bowie, Fleetwood Mac, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, e Queen venderam mais de 100 mil.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

THE BEATLES - 'OH! DARLING' - VERSÃO REMASTERIZADA

2 comentários:

Como já foi dito aqui mesmo no Baú, uma nova versão de Abbey Road será lançada no dia 27 de setembro pela Apple Corps Ltd./Capitol/UMe, para comemorar os 50 anos de aniversário do clássico álbum. A edição Deluxe terá 23 outakes e demos juntamente com as 17 músicas originais que Giles Martin, filho do falecido produtor dos Beatles, George Martin, remixou das fitas originais. Além disso, o box também apresenta um livro de capa dura com 100 páginas com prefácio de Paul McCartney. Enquanto a versão completa não chega, a gravadora também compartilhou uma segunda versão de "Oh! Darling", reeditada pelo produtor Giles Martin. "A mágica vem das mãos tocando os instrumentos, a mistura das vozes dos Beatles e a beleza dos arranjos", escreveu Martin na introdução da reedição. "Nossa missão é garantir que tudo pareça tão fresco e atinja as pessoas com a mesma força que teria no dia em que foi gravado". O produtor disse recentemente que a banda sabia o quanto Abbey Road era um trabalho essencial para as carreiras deles. "É sobre saber o número certo de respirações e batimentos cardíacos que você terá na vida e o quanto deseja garantir que eles sejam importantes. Eles sabiam que era isso. Essa é a essência da Abbey Road - eles sabiam o quanto era importante".

terça-feira, 10 de setembro de 2019

THE BEATLES - BECAUSE - SENSACIONAL!!! *******************************

5 comentários:

Abbey Road realmente é um disco fantástico. Preparando todas essas "novas" postagens e ouvindo música por música novamente e ainda com mais atenção, fico me lembrando da primeira vez que ouvi o álbum inteiro e depois de tamanha belezura como "Here Comes The Sun", fiquei imaginando "o que poderia vir em seguida?". Simples, "Because".
"Because" foi composta por John Lennon, e lançada no álbum Abbey Road em 26 de setembro de 1969. É a segunda música do lado 2, atrás de "Here Comes The Sun" e antes de "You Never Give Me Your Money", de Paul. Como sempre, creditada a Lennon e McCartney, a gravação começou no dia 1 de agosto e foi concluída no dia 5. Foi produzida por George Martin e teve como engenheiros Geoff Emerick e Phil McDonald. John Lennon canta o vocal principal e toca guitarra; Paul McCartney canta e toca baixo; George Harrison canta e toca o sintetizador Moog. Ringo Starr estava presente durante as gravações, mas a sua participação, que se limitou a fazer a marcação do andamento, não foi registrada. George Martin participou tocando um modelo de espineta (espécie de cravo).
"Because" foi a última música a ser gravada para o Abbey Road. John Lennon, Paul McCartney e George Harrison cantam em coro harmônico, tal como fizeram em "Yes It Is" e "This Boy" tantos anos antes. Para o resultado final, as vozes foram três vezes sobrepostas (overdub), criando um incrível efeito de nove vozes.

Yoko Ono era uma pianista de formação clássica cujos interesses haviam se voltado para a vanguarda. Um dia em 1969, no entanto, ela estava tocando a sonata para piano n° 14, opus 27, de Beethoven, conhecida como "Sonata ao Luar". Ao ouvi-la, Lennon teve uma ideia: pediu para Yoko tocar os acordes invertidos, do fim para o começo. inspirou-se na harmonia resultante e compôs "Because".
A semelhança entre a abertura da “Sonata ao Luar” e “Because” é impressionante, mas um ouvido mais treinado percebe que se trata de uma cópia direta, não da inversão das notas como John sugeriu. O musicólogo Wilfrid Mellers, autor de Twilight Of The Gods:The Music of the Beatles, qualifica como “inconfundível” a semelhança das mudanças harmônicas nos temas de Lennon e Beethoven. A ideia de um Beatle tomar algo emprestado de Beethoven era leve­mente irônica porque o senso comum da época dizia que o rock era a antítese da música clássica e que ninguém poderia apreciar os dois gêneros genuinamente. É provável que o fato de os Beatles terem gravado "Roll Over Beethoven”, de Chuck Berry, um conselho irreve­rente para que os compositores clássicos abrissem caminho para o rock’n’roll, também não tenha ajudado. Uma das primeiras perguntas que sempre faziam aos Beatles nos EUA era “o que vocês acham de Beethoven?”. A resposta vinha de Ringo: “Eu adoro. Especialmente os poemas”. Mas foi John, em espe­cial, que passou a considerar Beethoven o compositor supremo, com quem tinha afinidade. Em 1969, ele não estava mais tentando se equi­parar a Elvis ou aos Rolling Stones, mas a Picasso, Van Gogh, Dylan Thomas e Beethoven.
A letra, mais uma vez, é curta, mas é poesia pura: Because the world is round, it turns me on. Because the wind is high, it blows my mind. Love is old, love is new. Love is all, love is you. Because the sky is blue, it makes me cry”. Paul e George disseram que era sua faixa preferida do disco. John foi mais pragmático: “A letra fala por si mesma; é clara, sem bobagens, imagens ou referências obscuras”. Além de Abbey Road, "Because" aparece também no “Anthology 3” (1996) e em “Love” (2006). E para encerrar com chave de ouro, a gente confere um pequeno trecho do excelente livro "Minha Vida Gravando os Beatles" de Geoff Emmerick sobre o dia da gravação de "Because".
"Os três Beatles (John, Paul e George) cantaram “Because” várias e várias vezes naquela tarde; eles provavelmente a repassaram vinte ou trinta vezes. A afinação não era o problema — eles raramente cantavam fora do tom, e eram bons em lembrar as suas partes —, mas não foi fácil conseguir o fraseado preciso, iniciando e terminando cada palavra exatamente ao mesmo tempo. Até mesmo John estava extraordinariamente paciente naquele dia, embora ele tenha repreendido Paul uma ou duas vezes. Mas John continuou, assim como George Harrison, que, para minha surpresa, nunca soltou uma palavra de queixa. Eles sabiam que estavam fazen­do algo especial e estavam determinados a acertar. Não houve palhaçadas naquele dia, nem brincadeiras; todos estavam muito sérios, muito concentra­dos. O objetivo era cantar cada trecho do início ao fim — era quase uma questão de orgulho —, mas todo mundo estava começando a ficar tão cansado que acabamos tendo de fazer umas poucas inserções. Na verdade, nós não poderíamos fazer muitas, mesmo que quiséssemos porque a respiração entre as frases tornaria qualquer inserção aparente. Naquele dia eu vi os quatro Beatles em seu melhor momento: havia 100% de concentração em todos eles e até mesmo Ringo, sentado calmamente com os olhos fechados, quieto, incentivando silenciosamente seus colegas de banda para que alcançassem seu melhor desempenho — todos trabalhando em conjunto para realizar aquele vocal perfeito, encaixado. Foi um exemplo gritante do tipo de trabalho em equipe que estava tão em falta durante anos. É tentador imaginar o que os Beatles poderiam ter conseguido se pudessem ter capturado e mantido esse espírito nem que fosse apenas por um pouco mais de tempo".

Muito legal, né? É isso aí. A próxima é "You Never Give Me Your Money", de Paul McCartney. Fique de olho e deixe seus comentários. Valeu!

BEETHOVEN - SONATA AO LUAR (1ST MOVEMENT) - N° 14, OPUS 27

Um comentário:

A "Sonata para piano n.º 14, Opus 27, n.º 2" - é uma peça composta por Ludwig Van Beethoven em 1801. Esta sonata foi muito tocada na época em que o compositor era vivo e que chegou a dizer que já tinha composto peças melhores. A "Sonata ao Luar", como ficou conhecida, serviu de tema para inúmeros filmes e romances, só recebeu esse apelido em 1832, cinco anos depois da morte de Beethoven.

Mas o que os Beatles poderiam teriam a ver com Beethoven além dele ser citado em uma de suas primeiras covers ("Roll Over Beethoven" - de Chuck Berry), ou ser mencionado por Ringo que disse que "gostava dos seus poemas"? A resposta para esta e outras perguntas, você só vai descobrir aqui. Fique de olho!

CYNTHIA LENNON - 80 ANOS

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Cynthia Powell (mais tarde Cynthia Lennon), se viva estivesse, estaria completando hoje 80 anos. Ela nasceu em Blackpool, no dia 10 de setembro de 1939 e ficou conhecida por ter sido a primeira mulher de John Lennon. Em 1958 John e Cynthia se conheceram na escola Liverpool College of Art. John Lennon viajava muito e sempre se comunicava com Cynthia por cartas. Em 1962, Cynthia ficou grávida (de Julian Lennon), e ela e John se casaram no mesmo ano, em 23 de agosto, para desgosto de Brian Epstein, seu agente, já que um Beatle era um objeto de desejo das jovens adolescentes, e um Beatle ser casado era retirar essa possibilidade. Porém, em 1966, Lennon conheceu a artista plástica Yoko Ono. Cynthia e John se divorciaram em 1969. Depois do fim do casamento com Lennon ela voltou a casar-se por mais três vezes. Devido a seus casamentos com homens estrangeiros, morou em diversos países, como: País de Gales, Irlanda e Espanha. Cynthia faleceu em 1 de abril de 2015 aos 75 anos após ter enfrentado uma batalha contra o câncer. Ela estava viúva de seu quarto marido desde 2013, e vivia sozinha nas Ilhas Baleares (Espanha). O vídeo que a gente confere agora é uma bonita homenagem feita por Julian Lennon.