segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

THE BEATLES - A ÚLTIMA TURNÊ BRITÂNICA E O ÚLTIMO SHOW EM LIVERPOOL*****

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Há 54 anos, no dia 12 de dezembro de 1965, os Beatles encerraram a última excursão que fizeram pelo Reino Unido com dois shows em Cardiff. O último show dos Beatles em Liverpool, sua terra natal, aconteceu no dia 5 de dezembro de 1965. Ninguém – talvez nem eles próprios – sabia que aquela seria a última vez que a cidade veria uma apresentação de seus filhos mais ilustres.
A última turnê britânica dos Beatles aconteceu entre os dias 3 e 12 de dezembro de 1965, com 18 shows por nove cidades em toda a Inglaterra, Escócia e País de Gales. Coincidiu com o lançamento do fantástico Rubber Soul, e do single duplo lado A com "Day Tripper" e "We Can Work It Out". Na manhã do dia 2 de dezembro de 1965 (um dia antes do lançamento de Rubber Soul). Eles partiram rumo à Escócia numa limousine conduzida pelo seu chofer Alf Bicknell, na época com 37 anos. Além dos quatro, o veículo levava também Neil Aspinall, um dos dois fiéis escudeiros. O outro, Mal Evans, provavelmente já estava lá, pois viajara na noite anterior em uma van com sete guitarras, a bateria e os amplificadores, deixando para os Beatles somente os violões que usavam para ensaiar e compor. No caminho para a Escócia para o primeiro show, uma Gretsch Country Gentleman de Harrison caiu da van e foi destruída por um caminhão, deixando-o com duas guitarras para a turnê.
Os Beatles tinham pela frente 560 quilômetros até o norte da Inglaterra, onde parariam para passar a noite antes de continuar até a Escócia para fazer o primeiro dos dezoito shows da turnê britânica de 1965.
O roteiro era o seguinte: No dia 3 de dezembro, fariam dois shows em Glasgow no Odeon Cinema; No dia 4, dois shows em Newcastle no Newcastle City Hall; No dia 5, dois shows em Liverpool no Empire Theatre; No dia 7, dois shows em Manchester no Ardwick ABC Cinema; No dia 9, dois shows em Birmingham no Odeon; No dia 10, dois shows em Londres no Hammersmith Odeon; no dia 11, mais dois shows em Londres no Odeon Astoria e encerrariam a turnê no dia 12 com dois shows em Cardiff no Capitol Cinema.
A principal fonte para esse texto (em vermelho) que a gente confere a seguir, foi compilado e editado tendo como base o excelente e fundamental (e ainda encontrável) livro do pesquisador Steve Turner, “1966 – o Ano Revolucionário”, lançado aqui no Brasil em 2106 pela Editora Benvirá. Outras fontes foram: "Paul McCartney - Uma vida" de Peter Ames Carlin"The Beatles - A Biografia" de Bob Spitz; "O Diário dos Beatles" de Barry Miles e "Os Anos da Beatlemania" dos brasileiros Ricardo Pugialli e Marcelo Fróes. Além da internet, claro.
De início, não havia planos para uma turnê de fim de ano no Reino Unido, porque os Beatles fariam um filme na Espanha para a Pickfair Eilms Limited, uma empresa de Brian Epstein, empresário deles, e de George “Bud” Ornstein, ex-chefe de produção da United Arlists. Esta filmagem acabou sendo postergada e isso permitiu que uma curta turnê fosse agendada, a primeira no Reino Unido em um ano. Em comparação às turnês de hoje em dia, que envolvem meses de ensaios, containeres cheios de equipamentos, luzes, montagem de palco complexa, equipes de segurança, centenas de técnicos, serviço de bufê, assistentes, motoristas e gerentes de mídia, a turnê britânica dos Beatles em 1965 parece bastante primitiva. A equipe inteira que os acompanhou na estrada era composta por Mal Evans, Neil Aspinall, Brian Epstein, o relações públicas Tony Barrow e o motorista Alf Bicknell. Eles chegaram a Berwick-upon-Tweed, em Northumberland, cinco quilômetros ao sul da fronteira escocesa, acobertados pela escuridão, e fizeram o check-in para passar a noite no King’s Arms Hotel, uma estalagem do século XVIII próxima ao rio no centro da cidade. No dia seguinte, os Beatles dormiram até tarde, tomaram café da manhã no quarto e saíram na hora do almoço com casacos pretos gros­sos sobre paletós e blusas de gola rolê. Então partiram de Berwick rumo a Glasgow sob uma chuva torrencial, uma viagem de 210 quilômetros.
Em Glasgow, ficaram no Central Hotel, na Gordon Street e deram a primeira coletiva de imprensa da turnê no Odeon Cinema onde fariam os shows.
Assim como em toda a turnê, em Glasgow os Beatles também fizeram dois shows noturnos e tiveram quatro grupos de abertura: Moody Blues (com Denny Laine, que mais tarde entraria para o Wings), Paramenmts (cujo tecladista, Gary Brooker, formaria o Procol Harum, Marionettes e os Koobas, de Liverpool. No dia seguinte percorreram mais 240 quilômetros até Newcastle, onde se hospedaram no Royal Turk’s Head Hotel.
Os shows em Newcastle foram notáveis não por causa dos tumultos nem pelos desmaios de fãs, mas pela chuva de balas de goma e “gonks” (bonequinhos ovais com cabelos arrepiados que estavam na moda na época) arremessados no palco.


Entre os shows os Beatles jantaram e de­ram uma entrevista ao jornalista local Philip Norman que bem mais tarde escreveria para o Sunday Times e se tornaria um renomado biógrafo de John Lennon e Paul McCartney.
Quando o segundo show acabou, eles voltaram para a sala de TV para assistir à peça The Parafffin Season de Donald Churchill, na série Armchair Theatre, que pouco tempo antes ti­nha sido retirada de seu cobiçado horário no domingo à noite. Os hotéis nessa época raramente forneciam TV, e uma das estrelas do The Season, o ator de Liverpool Norman Rossington, tinha atuado com os Beatles no ano anterior em Os reis do iê iê iê (em que interpretou o empresário do grupo, Norm). De acordo com Alan Smith (jornalista do NME que cobriu toda a turnê), foi uma noite tranquila, e todos os ga­rotos voltaram para o hotel depois do show. De acordo com outra fonte, pelo menos alguns ficaram acordados até tarde, na farra com o Moody Blues e escutando LPs do Isley Brothers e do B.B. King.
No dia seguinte, os quatro levantaram tarde e só foram para Liverpool depois das 13h. Nenhuma outra cidade britânica teve os Beatles por tanto tempo. Desde a primeira encarnação do grupo em 1957, eles tinham feito mais de 500 apresentações em Liverpool. Tios, tias, amigos de escola, pais e primos ainda moravam lá, assim como muitos dos fãs fiéis a eles na época em que tocavam covers e sonhavam com o estrelato internacional. “Liverpool é nossa casa”, disse John. “Como todo mundo nos conhece, esperam que a gente toque bem, e nós ficamos nervosos”.
Os dois shows que fizeram no Empire Theatre seriam os últimos que os Beatles fizeram em Liverpool. O Empire foi importante em momentos-chave da carreira de­les. Foi lá que Paul e George viram o show do quarteto vocal Crew-Cuts em setembro de 1955, e onde Paul fez fila diante do palco para pegar autógrafos. Foi ali que John se apresentou (sem sucesso) com o Quarry Men para o caça-talentos Carroll Levis em 1957. Foi também nesse local que John, Paul e George se apresentaram como Johnny and the Moondogs para o mesmo Levis em 1959. Em outubro de 1962, este foi o palco do primeiro grande show em teatro deles, num evento que tinha Little Richard como atração principal. Em dezembro de 1963, eles tocaram ali para membros do fã-clube num evento especial vespertino como parte do que seria transmitido na TV pela BBC como IT’S THE BEATLES.No dia do último compromisso do grupo em Liverpool, aconteceu algo meio estranho: eles foram abordados por fãs que faziam cam­panha para evitar o fechamento do Cavern, a casa de shows que ficava num porão perto das docas onde os quatro tinham feito quase 300 shows no início da carreira. A prefeitura exigia a modernização das instalações sanitárias e de esgoto, porém o dono não tinha como arcar com os custos.
Os Beatles não estavam dispostos a bancar um negócio à beira da falên­cia. Nessa época, ainda não havia uma indústria turística na cidade volta­da para os Beatles, e ninguém pensava em placas comemorativas, tombamento nem em envolvimento da National Trust. Foi Paul quem sugeriu que o espaço poderia ser transformado numa atração local, enquanto John anunciou: “A gente não acha que deve nada físico ao Cavern". Dois meses depois, a casa fechou e, apesar de ter funcionado de novo por um curto período, foi aterrada e ocupada por um estacionamento no ende­reço em que ficava em 1973.
Assim como nos shows em GIasgow o nível do entusiasmo dos fãs em Liverpool era difícil de calcular: o policiamento cuidadoso conteve tumultos nas ruas como nos anos anteriores, e a contagem de desmaios (meros 17 em um público total de 5 mil) fez a imprensa noticiar que a plateia ficou menos histérica, mas os gritos e a dança frenéticos persistiram, O barulho era alto o bastante para que Paul perguntasse ansioso se sua voz estava sendo captada pelos microfones e para que Ringo comentasse depois: “Vocês ouviram. Vocês viram. Essa é a resposta aos idiotas que falam que os Beatles estão em decadência”. Ainda assim, Alan Smith escreveu no New Musical Express: “Até em casa, na cidade de Liverpool, notei uma reação um pou­co mais tranquila da plateia em comparação com shows anteriores. Não estou criticando de maneira nenhuma, só acho que os fãs do grupo estão fi­cando um pouco mais sensatos ultimamente. Houve toneladas trovejantes de aplausos para compensar a diminuição no nível de decibéis dos gritos”.
Amigos e familiares foram cumprimentar o grupo nos bastidores, in­cluindo Bessie Braddock, membro do parlamento do Partido Trabalhista do distrito eleitoral de Liverpool; o jovem comediante Jímitry Tarbuck que tinha estudado com John; Elsie e Harry Graves, mãe e padrasto de Ringo; e os pais de George, Harold e Louise, além de sua namorada, a modelo Pattie Boyd, que ele tinha conhecido em 1964 no set de Os reis do iê iê iê. De início, havia planos para mais shows naquela segunda-feira, mas os quatro preferiram tirar uma folga para passar um tempo com os parentes e amigos.
Os Beatles tinham orgulho de ser de Liverpool. Ao contrário de ge­rações anteriores de artistas do norte do Reino Unido, eles não tentavam modificar seu sotaque nem disfarçar suas raízes proletárias. Adoravam o sentimento de comunidade que tinha sido fomentado pela época de dificuldades, a modéstia natural, o senso de humor peculiar e o cosmopolitismo proveniente de gerações de imigrantes. Muito daquilo que transformou os Beatles em algo singular — a espirituosidade, os jogos de palavras, as raízes rústicas e a afinidade com a esquerda - foi uma herança de terem nascido e crescido em Liverpool.
No entanto, a cidade também era um lugar de onde jovens com ambição como eles tentavam escapar. As pessoas eram cordiais e predominantemente da classe trabalhadora, embora a arquitetura do centro da cida­de fosse austera e tivesse certa grandiosidade imperial.
Havia instigantes conexões com importantes portos do mundo por causa dos navios que saiam do Mersey, embora, do ponto de vista cultural, Liverpool fosse atrasada em relação ao sul. Nos anos 1950 e início dos anos 1960, todas as cidades britânicas da região estavam dois ou três anos atrás da capital quando o assunto eram tendências de moda e estilo de vida. Era para Londres que os Beatles olhavam para descobrir as últimas mudanças na música pop, e foi para Londres que se mudaram no primeiro ano em que fizeram sucesso. George disse: “Tenho uma sensação estranha quando volto a Liverpool. Fico triste porque as pessoas lá estão vivendo em um círculo. Elas estão perdendo tanta coisa. Eu gostaria que elas ficassem sabendo de tudo que aprendi fugindo da rotina”.
Os shows de terça-feira em Ardwick, Manchester, foram afetados pe­las más condições da estrada. Uma neblina densa travou o trânsito na Liverpool-East Lancashire Road, e os Beatles só chegaram ao ABC Cinema 20 minutos depois do horário em que tinham que estar no palco. Foi preciso inserir um intervalo extra na programação para compensar, os grupos de abertura estenderam suas apresentações, e o mestre de ce­rimônias Jerry Stevens teve que inventar freneticamente coisas para falar a fim de evitar a revolta do público. De Manchester, eles seguiram para a industrial Sheffield, onde toca­ram no Gaumont Cinema na quarta-feira, 8 de dezembro, e em seguida foram para Birmingham e tocaram no Odeon, no dia 9. Em Sheffield, 20 fãs desmaiaram, e alguém atirou uma jujuba no olho de Paul, o que o incomodou o show inteiro.
O auge da turnê foram as duas datas de apresentação em Londres - a primeira no dia 10 no Odeon Cinema, em Hammersmith, e a segunda no dia 11 no Astoria Cinema, no Finsbury Park. A expectativa era de que aqueles seriam os shows mais difíceis, porque os londrinos tinham mais oportunidades de ver grandes espetáculos e, portanto, se orgulhavam de seu comedimento descolado. Esperava-se que o público do interior fosse à loucura de qualquer maneira, porém os fãs de Londres geralmente faziam com que os grupos tivessem que se esforçar muito para conseguir aplausos. Desta vez, o oposto provou-se verdadeiro. O público nos dois locais entrou em erupção.
Depois do segundo show no Finsbury Park, o jornalista Alan Smith relatou: “Foi o show mais selvagem e rasgado dos Beatles que vi nos últimos dois anos. As garotas corriam pelo palco possuídas por uma fúria alucinante e eram perseguidas por seguranças fortes. Algumas estavam histéricas, e vi uma menina ser carregada para fora do teatro berrando e esperneando com lágrimas escorrendo pelo rosto contorcido. Havia 3 mil pessoas no Finsbury Park Astoria, e juro que todo mundo subiu nos assentos. Agora, depois do show, alguns assentos nas primeiras fileiras jazem em montes de destroços e deixaram de existir. Fiquei saben­do que a histeria e as cenas dos fãs foram ainda piores no Hammersmith Park Astoria, ontem à noite. Eu achava que não diria isso de novo, mas, sem dúvida, A BEATLEMANIA ESTÁ DE VOLTA! Não me entenda mal. Ao afirmar isso, não estou influenciado simplesmente pelos gritos. No NME da se­mana passada, falei sobre como foi extraordinária a recepção dos Beatles em Glasgow, Newcastle, Liverpool e Manchester. Mas esses shows em Londres foram diferentes. Eu não via uma histeria dessas num show dos Beatles desde que a palavra Bealemania explodiu nas manchetes!"
O último dia da turnê britânica foi no Capitol Theatre, em Cardiff, no domingo, 12 de dezembro, um dia depois do show em Finsbury Park. Quase no final do segundo set, ocorreu um incidente preocupante: um homem conseguiu subir no palco quando tocando “Day Tripper” e se jogou sobre Paul e George antes de ser agarrado pelos seguranças. Ele rapidamente foi expulso de lá, mas foi um lembrete claro de como os Beatles estavam vulneráveis a ataques.
E é isso. Depois daquele dezembro de 1965, os quatro Beatles nunca mais voltaram à Liverpool juntos. Assim como todos os shows da turnê, o repertório que tocaram no Empire Theatre foi o mesmo com 11 músicas: I Feel Fine, She’s A Woman, If I Needed Someone, Act Naturally, Nowhere Man, Baby’s In Black, Help!, We Can Work It Out, Yesterday, Day Tripper e I’m Down.

Enquanto eu preparava esta superpostagem, o que mais me surpreendeu e impressionou, foi a falta de vídeos, filmagens, fotos e mesmo informações dessa pequena e última turnê que os Beatles fizeram pelo Reino Unido. Há vários pequenos registro, quase todos, só áudio (ruim) e sem resolução. Por isso, para não encerrar sem nenhum, a gente fica com o show dos Beatles no Empire Pool, em Wembley em abril de 1965, na entrega da premiação do NME. Os Beatles tocaram cinco músicas: "I Feel Fine", "She's Woman", "Baby' In Black", "Ticket To Ride" e "Long Tall Sally". Por enquanto é só pessoal! Espero que tenham gostado e até a próxima. Valeu.

ALF BICKNELL - BABY YOU CAN DRIVE MY CAR

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Alf Bicknell, 75 anos, que trabalhou em 1964, 65 e 66 como motorista dos Beatles, e vivia da venda de recordações, histórias de bastidores e anedotas do tempo em que viveu com os Beatles, morreu no dia 9 de março de 2004 em sua casa em Banbury, Inglaterra. Ele teria desmoronado em sua cozinha, mas a causa da morte nunca foi divulgada.
Depois de começar a trabalhar cedo como aprendiz de açougueiro e palhaço, Bicknell encontrou o caminho do sucesso como motorista particular em Londres para pessoas distintas. Por recomendação do empresário dos Beatles, Brian Epstein, Alf Bicknell se tornou parte da entourage da banda a partir do segundo semestre de 1964.
Alf sempre disse que não estava acostumado com o nível de adoração das fãs dos Beatles e isso o deixava preocupado, sendo levado a alguns acidentes de percurso. Para evitar a loucura das fãs batendo em torno do carro, Bicknell muitas vezes teve de fazer mudanças bruscas no trânsito. A primeira vez que ele conduziu um Beatle, dirigia um luxuoso Austin Princess em alta velocidade que, numa freiada, George Harrison bateu a cabeça contra o vidro. Alf pensou que sua carreira estava encerrada ali, mas Harrison começou a rir. Com os anos, Alf deixou crescer o cabelo e a barba em solidariedade aos seus jovens clientes.
Sua principal tarefa era assegurar conforto e segurança à banda, incluindo a manutenção de um estoque de cigarros no carro. Mas ele também era um guarda-costas de verdade - foi espancado pela polícia nas Filipinas durante a estadia desagradável dos Beatles por lá - e passou outros tantos apuros na companhia dos patrões famosos. Através do Beatles, conheceu Bob Dylan e Elvis Presley. De todas as histórias que conta sobre sua convivência com os Beatles, a que Alf mais adorava contar era a de um dia em que John Lennon tirou-lhe o cap de motorista e jogou-o do carro pela janela. Lennon disse: "Você não precisa mais disso, Alf. Você agora é um de nós".
Alfred George Bicknell nasceu em Haslemere, Inglaterra. Começou a trabalhar aos 14 anos, após a morte do pai. Serviu no exército e tornou-se motorista particular em 1950. Os Beatles pararam com as turnês em 1966, então Alf Bicknell teve de encontrar novos clientes. Ele dirigiu para outros músicos e executivos até 1980, quando machucou o braço direito com uma serra elétrica em um acidente de jardinagem. Precisando de dinheiro, começou a vender lembranças de seu tempo com o grupo, incluindo horas de fitas de ensaios dadas a ele por John Lennon tantos anos antes.
Alf co-escreveu sua autobiografia de 1989 "Baby, You Can Drive My Car" com o fã dos Beatles Garry Marsh - Um título inspirado pelo hit dos Beatles "Drive My Car", da qual Alf jurava que tinha sido a inspiração. Mais tarde lançou um livro e uma coleção de vídeos, Beatles Diary, que oferece um retrato bastante lisonjeiro dos rapazes. Nas convenções dos Beatles, Alf era uma figura sempre cativa.

DENNY LAINE - MOODY BLUES - GO NOW!

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Brian Frederick Arthur Hines, conhecido pelo nome artístico de Denny Laine, é um músico e compositor britânico, mais reconhecido por ser guitarrista e líder vocal da banda The Moody Blues e por ajudar a fundar e fazer parte do Wings junto com Paul e Linda McCartney. Dos Wings, Denny Laine foi o integrante que ficou por mais tempo. Nasceu em Birmingham, na Inglaterra, em 29 de outubro de 1944. Começou sua carreira musical com o grupo Denny Laine and The Diplomats, que existiu de setembro de 62 à abril de 64. Em maio junto com Mike Pinder, Ray Thomas, Graeme Edge e Clint Warwick formou os Moody Blues. Laine foi o vocalista e guitarrista da banda até agosto de 66. Em 1965, fizeram parte do cast de artistas que abriram os shows dos Beatles na turnê britânica em dezembro.
O maior sucesso da banda foi o hit "Go Now", cantado por Denny, que alcançou número 10 nos EUA (Billboard) e número 1 na Inglaterra por duas semanas. Tiveram mais dois sucessos antes de assinarem com o empresário dos Beatles, Brian Epstein. Depois que a popularidade do grupo caiu, Denny deixou a banda para formar "Denny Laine Eletric String Band", grupo que inspirou a formação da famosa ELO - Electric Light Orchestra, cujo som é uma mistura de instrumentos elétricos, como a guitarra e instrumentos clássicos, como o violino. O grupo não durou muito, e Denny criou a banda "Balls" em 69. Em 71 saiu e passou a integrar o Wings, de Paul McCartney.
Com o Wings, Denny pôde compor com Paul e criar sua próprias canções. Entre algumas de suas músicas estão "Again and Again and Again", do álbum Back to the Egg e a excelente "Time To Hide", do álbum Wings at the Speed of Sound. Também cantou músicas compostas por Paul "The Note You Never Wrote" e "Spirits of Ancient Egypt". Denny co-escreveu com Paul o megasucesso "Mull of Kyntire", número 1 nas paradas e que rendeu a Paul o título de melhor compositor de todos os tempos. Com os Wings, Laine até mesmo tocou seu antigo "Go now", que aparece ao vivo no álbum triplo Wings Over America.
Denny Laine deixou a banda em 80. Supõe-se que dentre os motivos estava a recente prisão de Paul no Japão por porte de maconha. Denny achou que o futuro da banda era incerto depois desse episódio. Paul também não queria mais fazer mega-turnês nem ser dependente de uma banda para tocar, ao contrário de Denny. A também recente morte de John Lennon, é considerado um outro motivo. Mesmo assim, Paul e Denny continuaram amigos, ele toca em quase todas as faixas do album Tug Of War (1982) e seu nome está citado na lista de agradecimentos do álbum Pipes of Peace (1983). Logo após o rompimento do Wings, Denny lançou seu disco Blue Nights, que tinha participações especiais de Paul e Linda McCartney. No entanto, em 1984, Denny deu uma entrevista a Geoffrey Giulliano, falando de sua relação com os McCartney. Pelo visto, Paul não gostou nada, e os dois brigaram e passaram anos sem se falar. Hoje, parece que já está tudo resolvido.

WINGS - TIME TO HIDE - LIVE 1976 - SENSACIONAL!

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"Time To Hide" foi a primeira faixa composta por Brian Hines - nome de batismo de Denny Laine - a fazer parte de um álbum do Wings. Está no álbum 'Wings At Speed Of Sound'. Foi incluída no repertório da banda na parte norte-americana da turnê 'Wings Over America' de 1976. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

JOHN LENNON - LIVE PEACE IN TORONTO - 50 ANOS - SENSACIONAL!!!

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"Live Peace in Toronto" é o álbum de estreia da Plastic Ono Band, projeto musical composto principalmente por John Lennon e Yoko Ono. Foi gravado ao vivo no Toronto Rock and Roll Revival festival e é o primeiro álbum ao vivo de um Beatle gravado fora da banda. O álbum alcançou a décima posição na Billboard 200 e foi certificado com um disco de ouro pela RIAA, no entanto não se destacou nas paradas do Reino Unido. O LP original vinha com um calendário de 1970.
13 de setembro de 1969 - Foi o dia marcado para o festival organizado pelos promotores de Toronto John Brower e Kenny Walker, a ser realizado realizado no Varsity Stadium em em torno de um renascimento das estrelas do Rock and Roll dos anos 50, com Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Fats Domino, Bo Diddley e Gene Vincent. Eles também contrataram artistas mais modernos como Alice Cooper, Chicago e The Doors. Um dia antes do festival, em 12 de setembro, John Brower entrou em contato com John Lennon para sondar se ele estaria disposto a ser o mestre de cerimônias do espetáculo. Em vez disso, Lennon se ofereceu para se apresentar no festival, trazendo sua própria banda, a Plastic Ono Band. Brower concordou, e Lennon rapidamente montou uma banda. Ele inicialmente se aproximou do companheiro dos Beatles, George Harrison, mas Harrison recusou, então Eric Clapton (que havia tocado guitarra com Lennon no Dirty Mac) foi escolhido. Lennon imediatamente montou o resto da banda, com Klaus Voormann (baixo) e o baterista Alan White, bem como seus assistentes, Anthony Fawcett, Terry Doran e Jill e Dan Richter, para acompanhar a ele e Yoko Ono.
Na manhã do voo programado, Lennon, Ono e Clapton não estavam no aeroporto. Nesse ponto, Clapton nem estava ciente do show nem de Lennon ter entrado em contato com ele. Em um tempo em que nem se sonhava com celular, Brower conseguiu localizar Clapton e disse-lhe para entrar em contato com Lennon e Ono, que ainda estavam na cama. Clapton disse depois: "Recebi um telefonema no dia em que partiríamos e disse que o concerto era naquela noite! Então, eu tive que chegar ao aeroporto em uma hora". Houveram dois ensaios: um foi durante o voo transatlântico de Londres para Toronto, e o outro pouco antes de aparecer no palco do festival. Lennon disse que o grupo "não sabia o que tocar", pois eles não haviam se apresentado juntos anteriormente. Foi também durante o voo, que Lennon ganhou confiança para deixar os Beatles. E contou isso a Clapton, e logo depois, ao então gerente dos Beatles, Allen Klein.
O grupo tocou oito músicas para uma multidão de 25.000 pessoas. Antes do início da apresentação da Plastic Ono Band, eles foram apresentados por Kim Fowley, e Lennon disse à plateia que o grupo tocaria apenas músicas que eles realmente conheciam. Assim, abriram com uma versão arrasadora do imortal “Blue Suede Shoes”, de Carl Perkins e do mundo; depois outros dois clássicos que também fizeram parte do repertório dos Beatles, “Money” e “Dizzy Miss Lizzy”. Também fizeram "Yer Blues" dos Beatles, porque Clapton tocou com Lennon no Rock and Roll Circus. Também tocaram duas recentes de Lennon, "Give Peace a Chance" e "Cold Turkey", que teve sua estreia no festival. Logo após o evento, Lennon voltou para Londres, anunciou que estava saindo dos Beatles e mixou o álbum em um dia em Abbey Road.
O álbum Plastic Ono Band -  Live Peace in Toronto - 1969 foi lançado no dia 12 de dezembro de 1969. Há 50 anos. Esse vídeo que a gente confere agora, é bem bacana e mostra o show inteiro. Só tem um problema: as partes de Yoko Ono... pelo menos é só no final, amém!

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

THE DIRTY MAC - YER BLUES - SENSACIONAL!******

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TRAVELING WILBURYS - END OF THE LINE - SENSACIONAL!*****

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"End of the Line" é uma música do supergrupo Travelling Wilburys. Lançada em outubro de 1988, foi a última faixa do álbum de estreia, Traveling Wilburys Vol. 1. Também foi lançada como o segundo single da banda, em janeiro de 1989. A gravação apresenta todos os Wilburys, exceto Bob Dylan como vocalistas: George Harrison, Jeff Lynne e Roy Orbison cantam os refrões, enquanto Tom Petty canta os versos. A música foi escrita principalmente por Harrison. Em consonância com o conceito colaborativo por trás do projeto Wilburys, no entanto, todos os cinco membros receberam crédito de composição. Nos Estados Unidos, o single chegou ao número 63 na parada da Billboard Hot 100.
Roy Orbison morreu repentinamente de ataque cardíaco no dia 6 de dezembro de 1988, aos 52 anos. Os Traveling Wilburys haviam marcado a filmagem do vídeo promocional de "End Of The Line" para o dia 10 e não poderiam desmarcar. Assim, quatro dias depois da morte de Orbison, para homenageá-lo e honrá-lo, os Wilburys Spike (George Harrison), Clayton (Jeff Lynne), Muddy (Tom Petty) e Boo (Bob Dylan) deixaram sua guitarra em uma cadeira de balanço vazia enquanto tocavam. O videoclipe de "End of the Line" foi dirigido por Willy Smax e filmado em Los Angeles no dia 10 de dezembro de 1988, há exatos 31 anos.

JOHNNY RIVERS - SECRET AGENT MAN - DEMAIS!

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"Secret Agent Man" foi composta por P. F. Sloan e Steve Barri por volta de 1963 ou 1964. A gravação mais famosa foi feita por Johnny Rivers para o título de abertura da transmissão americana da série de espionagem britânica “Danger Man”, que foi ao ar nos EUA como “Secret Agent“ de 1964 a 1966. A música em si chegou ao terceiro lugar na Billboard Hot 100.

domingo, 8 de dezembro de 2019

JOHN LENNON DOCUMENTO - UMA REVISTA HISTÓRICA

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Essa, é daquelas que tirei lá do fundo do Baú! As pessoas das gerações mais novas, não fazem ideia de como ainda eram escassas (e ainda são até hoje!) as publicações especializadas em rock ou nos Beatles na virada de 1980 para 1981. Com a morte de John Lennon, há 39 anos, no dia 8 de dezembro de 1980, isso mudou bastante, pelo menos durante algum tempo. O problema é que todas essas publicações e edições sobre Lennon que surgiam, eram niveladas por baixo, pela má qualidade. Ainda tenho dezenas delas até hoje. Porém, uma que se destacou bastante, foi a edição especial da Somtrês – "JOHN LENNON DOCUMENTO” – editada pelo colecionador e pesquisador Marco Antonio Mallagolli. Infelizmente, não aparece em lugar nenhum da revista, a data da publicação, mas tenho certeza que foi em janeiro ou fevereiro de 1981. Além de um poster gigante, a grande estrela da publicação era um disco (formado compacto) com a “verdadeira última entrevista de John Lennon”, além de fotos inéditas, as letras de todas as músicas e lendas como a do pacto de John Lennon com o capeta. Muitas vezes, ainda consulto essa revista até hoje. A minha está em frangalhos, mas acho que ainda vai aguentar por muito tempo. Aqui a gente confere o que dizia o prefácio, escrito por Maurício Kubrusly.
Semanas depois do assassinato de John Lennon, começaram a aparecer, nas bancas de jor­nais do Brasil, edições especiais de diversas re­vistas. Repetia-se aqui o que acontecia em todo o mundo, prática comum desde que existe o jor­nalismo. Ou seja: a reação mais imediata ao fato. Só que, entre tantas publicações, a mentira tam­bém foi ofertada ao leitor — e, também aí, era uma prática antiga, infelizmente. Afinal, oferecia-se, com alarde, “a última entrevista de John Lennon” e, na verdade, tratava-se de uma entrevista que fora concedida vários meses antes dos tiros do fã Mark Chapman. Marco Antônio Mallagoli logo chamou aten­ção para a tapeação. Ele chegou a determinar a data exata da entrevista vendida (concreta­mente) como “última”. E ele fez isso com o co­nhecimento de quem assina a única coluna men­sal de informação sobre os Beatles publicada no Brasil (no Jornal do Disco, que acompanha cada edição da revista SOMTRÊS). Além disso, Marco Antônio esteve com o próprio John Lennon em Nova York, e depois com o secretário do ex-Beatle, começando a armar o plano que iria realizar um sonho veterano de muitos fãs brasileiros: uma visita, um show do ex-Beatle. Isto é: Marco Antônio Mallagoli — que seria uma espécie de anfitrião e guia de Lennon du­rante o último Carnaval carioca — certamente não gostou da mentira. E prometeu conseguir aquela que foi, na verdade, a última entrevista. Cumpriu a promessa. A entrevista está aqui, na voz de John Lennon, conforme foi gravada quatro horas antes do assassinato. Além da derra­deira entrevista, decidimos reunir e traduzir to­das as letras de todas as canções criadas por John Lennon, anotar as datas mais importantes de sua vida, fotos inéditas ... Em suma: sob o comando de Marco Antônio Mallagoli, preparar uma edição especial de acordo com aquilo que ele — o mais internacional dos beatlemaníacos do Brasil — considerasse de acordo com a obra de seu ídolo. E quando a edição chega às bancas - sem mentiras —, ele está embarcando para a Europa, onde vai se encontrar com Paul McCartney e George Harrison.

ESPECIAL - JOHN LENNON AND THE BEATLES********

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THE BEATLES - STRAWBERRY FIELDS FOREVER - A DAY IN THE LIFE********

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THE BEATLES - THE BALLAD OF JOHN & YOKO - DON'T LET ME DOWN***********

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THE BEATLES - FREE AS A BIRD - REAL LOVE******

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JOHN LENNON - (Just Like) STARTING OVER**********

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"Double Fantasy" é o quinto álbum de estúdio de John Lennon e Yoko Ono, lançado em novembro de 1980, poucos dias antes de Lennon ser assassinado. É o último álbum gravado pelo cantor em vida. Quando Sean Lennon (o primeiro e único filho que Lennon teve com Yoko Ono) nasceu em 1975, ele resolveu dedicar-se mais ao garoto, colocando a carreira em segundo plano, permanecendo sem lançar discos de 1975 a 1980. Em meados de 1980, John e Yoko começaram a compor, chamaram o produtor Jack Douglas e começaram as gravações em agosto do mesmo ano. Antes do álbum, John lançou um single com "(Just Like) Starting Over" (cantada por ele) e "Kiss Kiss Kiss" (cantada por Yoko Ono) no dia 23 de outubro de 1980.
A música "(Just Like) Starting Over" foi escolhida para o single não por ser a melhor do álbum, mas por ser a mais apropriada para os cinco anos de ausência de John Lennon no mundo artístico. Rapidamente a música ficou entre as cinco mais executadas nos Estados Unidos. Depois de lançado, Double Fantasy recebeu algumas críticas desfavoráveis pela participação de Yoko Ono, mas ainda assim foi recebido com grande expectativa por se tratar de um novo álbum de John Lennon, depois de tantos anos de silêncio. Após a morte de Lennon, tanto o álbum "Double Fantasy" como a música "(Just Like) Starting Over" chegaram ao primeiro lugar nas paradas de sucesso do mundo inteiro. "Woman" e "Watching the Wheels" seguiram o mesmo caminho.

JOHN LENNON - WOMAN - 1980

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"Woman" é uma música composta, gravada e lançada por John Lennon em seu álbum de 1980, Double Fantasy. A faixa foi escolhida por Lennon para ser o segundo single do álbum, e foi o primeiro single de Lennon lançado após seu assassinato em 8 de dezembro de 1980. O lado B do single é a música de Yoko Ono, "Beautiful Boys" (não confundir com 'Beautiful Boy' de John Lennon) . Foi composta inicialmente em homenagem à Yoko Ono mas a mensagem estendia-se a todas as mulheres. O início é Lennon sussurrando um trecho de um provérbio chinês citado por Mao Zedong que diz “For the other half of the sky..." (Para a outra metade do céu...). Numa entrevista para a revista Rolling Stone, em 5 de dezembro de 1980, Lennon disse que “Woman” é uma versão adulta da música Girl, de 1966 do fantástico Rubber Soul.
O single estreou já em terceiro lugar nas paradas do Reino Unido. Logo depois subiu para o segundo e na sequência alcançou o topo, onde permaneceu por duas semanas. Nos Estados Unidos, o single de “Woman” passou três semanas consecutivas no segundo lugar. O single “Woman” também conquistou as paradas na Nova Zelândia onde permaneceu em primeiro lugar por cinco semanas consecutivas, e logo depois, naquele triste janeiro de 1981, em todo o mundo, inclusive no Brasil.

RUBBER SOUL → BRIAN WILSON → PET SOUNDS → REVOLVER → SGT. PEPPER'S → PIRAÇÃO

Um comentário:

Depois de ouvir (e ficar acachapado) dezenas de vezes com Rubber Soul, Brian Wilson decidiu compor um álbum que fosse bom do início ao fim, como ele achou que Rubber Soul era. A partir de então, começou um projeto audacioso, que contaria com a participação dos melhores músicos de Los Angeles e com a parceria de Tony Asher fazendo algumas letras em algumas das criações de Brian, além de vocais que mais pareciam de anjos, como era
m os dos Beach BoysRubber Soul chegou às lojas em 3 de dezembro. Brian Wilson, compa­nheiro de gravadora dos Beatles, ouviu o álbum com alguns amigos, todos sentados a uma mesa dividindo um baseado. Ele disse o seguinte: “Eu pirei totalmente. O álbum enlouqueceu minha cabeça, porque só ti­nha coisa boa. Sem dúvida foi um desafio para mim. Vi que todas as faixas eram muito interessantes e estimulantes artisticamente (...) Per­cebi de repente que a indústria fonográfica estava se tornando muito livre e inteligente. Podíamos experimentar coisas novas, como quarte­tos de cordas, harpas horizontais e instrumentos de outras culturas. Na mesma hora decidi: vou tentar, vou fazer um álbum inteiro excitante desse jeito. Por isso fui para o piano pensando: Droga, agora me sinto competitivo (...). Vamos lá. Temos que superar os Beatles.” Eu estava com esse es­pírito, sabe? Carl e eu tivemos outra sessão de oração, e rezamos para termos um álbum melhor que Rubber Soul. Foi uma reza, mas também havia muito ego ah. Misturamos oração com espírito competitivo. Fun­cionou, e o álbum seguinte (Pet Sounds) aconteceu imediatamente”.
Sobre a competição criativa entre Brian Wilson, os Beach Boys e os Beatles, a gente confere agora esse texto danado de bom, publicado no site Combate Rock em 06/08/2016 e escrito por Maurício Gaia quando Revolver completou 50 anos, em 2016.
O ano de 1966 marcou o lançamento de dois grandes álbuns: "Pet Sounds", dos Beach Boys, e "Revolver", dos Beatles. E aqui lembramos esse "embate" ocorrido há 50 anos como forma de lembrar o lançamento do grande álbum dos Beatles. Com os dois trabalhos na praça, as comparações entre as duas bandas se tornaram frequentes, criando um clima de saudável rivalidade.
"Pet Sounds", lançado em maio de 1966, é resultado do trabalho de Brian Wilson, que havia abandonado as apresentações ao vivo dos Beach Boys, depois de uma crise de síndrome de pânico em um voo durante uma turnê. Wilson havia ficado impressionado com o álbum anterior do quarteto britânico, "Rubber Soul". Para ele, o álbum marcou um novo conceito: ao invés de ser uma coletânea de singles, completado por algumas canções menores para "encher o espaço", ele percebeu que nenhuma canção de "Rubber Soul" era "descartável". E foi com essa ideia em mente que ele partiu para a criação de "Pet Sounds". Wilson cercou-se dos melhores músicos de estúdio de Los Angeles. A participação de seus companheiros de banda limitou-se basicamente a colocar as vozes.Também houve um certo descontentamento com a nova orientação dada por Wilson: as músicas não falavam mais sobre carros, garotas e surf, passando a abordar temas mais maduros, além de trazer referências às experiências dele com drogas. Sobre a música "Hang on to Your Ego", o guitarrista Al Jardine chegou a dizer "a gente nem sabia o que significava a palavra ego", explicitando a distância entre o que Brian Wilson buscava e as limitações de seus companheiros. "Pet Sounds", quando lançado, a recepção do público americano foi apenas morna, talvez esperando que a única banda americana de rock do começo dos 60 capaz de rivalizar em termos de popularidade com os Beatles mantivesse a fórmula certeira de seus 10 (!!!) álbuns anteriores. Curiosamente, foi do outro lado do Atlântico que o álbum estourou: chegou a número 2 nas paradas britânicas. Se Wilson se sentiu inspirado pelo "Rubber Soul" , dos Beatles, o impacto de "Pet Sounds" em "Revolver" foi pequeno. "Here, There and Everywhere", composta por Paul McCartney, foi inspirada em "God Only Knows".
A história de "Revolver" seria muito diferente se o plano inicial dos Beatles tivesse sido mantido: ao invés do tradicional Abbey Road, eles cogitaram a hipótese de gravar este álbum no estúdio da Stax, em Memphis. É um delicioso exercício de imaginação pensar o que seria "Revolver" se eles tivessem convivido em estúdio com gente como Booker T & MGs, por exemplo. O fato é que as gravações acabaram acontecendo em Abbey Road e nessas sessões, se aprofundaram as mudanças iniciadas em "Rubber Soul", em comparação aos seus álbuns anteriores: da mesma forma que Brian Wilson, em "Pet Sounds", as composições de Lennon, McCartney e Harrison, traziam outros temas, como a morte, impostos, drogas, auto-conhecimento. Além disso, os Beatles, juntamente com George Martin, começaram a trazer novidades em suas técnicas de gravação: vocais gravados com rotação alterada, guitarras gravadas ao contrário, loops, entre outros efeitos. Da música que abre "Revolver", "Taxman", até "Tomorrow Never Knows", resulta um trabalho que, se não tão celebrado quanto "Sgt Pepper’s", é o mais influente feito pelo quarteto: do rock à música eletrônica, todos fazem referências a ele. Se Brian Wilson serviu como inspiração para "Here, There and Everywhere", seu trabalho em "Pet Sounds" virou referência mais marcante no álbum seguinte dos Beatles, "Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band". George Martin chegou a declarar: "Sem Pet Sounds, Sgt. Pepper's nunca teria acontecido. Foi uma tentativa de igualar Pet Sounds”.

Bom, não só superou o trabalho dos americanos, como trouxe uma consequência dramática: Brian Wilson se viu desafiado a superar o trabalho dos Beatles e embarcou no projeto seguinte, "Smile", mas foi interrompido por um colapso nervoso, causado pelo intenso uso de drogas, combinado com problemas psicológicos e pela pressão auto-imposta para fazer um álbum que fosse melhor que "Sgt. Pepper's". Depois deste colapso, o álbum foi lançado de maneira incompleta e Brian Wilson passou a ter uma carreira errática, interrompida por tratamentos psiquiátricos e eventuais overdoses. Somente nos anos 2000 é que ele retomou o projeto abandonado em 67 e em 2004 saiu em excursão com o álbum e o show "Brian Wilson Presents Smile".
Infelizmente, os problemas ocorridos com Brian Wilson impediram que a competição entre as duas bandas prosseguisse e só podemos ficar conjecturando os grandes álbuns que poderiam ser lançados ainda durante os anos 60.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

THE BEATLES- DAY TRIPPER / WE CAN WORK IT OUT - SENSACIONAIS!!!***********

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No mesmo dia de Rubber Soul, no Reino Unido, foi lançado o compacto (single) de duplo lado A com "Day Tripper" e “We Can Work It Out”, não necessariamente nessa ordem. "Day Tripper" é basicamente de John Lennon e "We Can Work It Out", de Paul McCartney. Ambas foram gravadas durante as sessões para do álbum Rubber Soul"Day Tripper" foi gravada em 16 de outubro de 1965O single chegou ao topo das paradas britânicas onde ficou por 5 semanas seguidas e "Day Tripper" chegou ao # 5 na Billboard americana em janeiro de 1966. O riff da canção é um dos mais reconhecidos na história da música popular. Foi escrita sob pressão quando os Beatles precisavam de um novo single para o natal de 1965. John Lennon escreveu a maior parte da letra, a base do solo de guitarra e criou o riff que depois admitiria ser derivado de "I Feel Fine". Paul ajudou com alguns versos e sua linha de baixo foi inspirada em "Oh Pretty Woman" de Roy Orbison. "Day Tripper" faz referências quase claras sobre o uso de drogas. John Lennon e George Harrison já estavam tomando ácido desde o verão quando foram apresentados ao LSD por um dentista londrino. A partir daí, Lennon confessou orgulhosamente que "tomava LSD o tempo todo". "Day Tripper" era um típico jogo de palavras, que queria refletir sobre a influência da crescente cultura das drogas. Era uma maneira de se comunicar com aqueles que, ao contrário dele mesmo, não podiam se dar ao luxo de ficar quase constantemente entorpecidos. Na época, Lennon comentou: "É só um rock. Quem viaja de dia (day trippers) são pessoas que fazem uma viagem geralmente de balsa ou algo assim. Mas (a canção) era um pouco... 'você é só um hippie de fim de semana'. Sacou?".
"Day Tripper" Foi a música mais popular na Inglaterra em 1966 permanecendo várias semanas em primeiro lugar. Mas nos EUA seu auge foi a quinta colocação. Os Beatles declararam posteriormente que "We Can Work It Out" era a opção inicial deles para lado A.
"We Can Work It Out" foi composta por Paul McCartney com uma participação de John Lennon, é creditada a Lennon e McCartney e foi gravada quatro dias depois de "Day Tripper" nos dias 20 e 29 de outubro de 1965. Chegou ao topo das paradas britânica e americana. "We Can Work It Out" foi incluída mais tarde nos álbuns de compilação The Beatles 1962–1966, Past Masters, Volume Two e no disco "1".
Novamente, como em “I’m Looking Through You” e “You Won’t See Me”, a música é sobre o mau relacionamento de Paul McCartney e sua namoradinha gatinha Jane Asher. Em outubro de 1965, enquanto os Beatles gravavam Rubber Soul, Jane Asher entrou para o British Od Vic Company, o que significava uma mudança de Londres para o oeste da Inglaterra. A partida dela irritou muito Paul McCartney e causou a primeira grande crise na relação do casal. Como suas canções sugeriam, a noção de McCartney de uma boa mulher na época era a de alguém que conseguia ficar feliz simplesmente por estar ao lado dele. O ponto de vista de Asher era incomum para a época. Ela não estava satisfeita em ser a namorada de uma estrela do rock. Era uma mulher de boa educação, com ideias próprias, e queria, acima de tudo, estabelecer-se profissionalmente. Em "We Can Work It Out ", McCartney não tenta entrar no mérito da questão, ele simplesmente pede que sua garota veja as coisas pelo lado dele, porque acredita que está certo e ela, errada. O som de órgao foi acrescentado em estúdio como uma decisão posterior, e George Harrison sugeriu então mudar o bridge para o tempo de valsa. "We Can Work It Out" é amplamente interpretada como uma canção que faz referência a lutas internas dos Beatles como banda e como amigos, muito em particular entre Lennon e McCartney, mas não é nada disso. Os Beatles passaram quase 11 horas trabalhando nesta faixa, o que a tornou a mais longa sessão de estúdio até aquele ponto. "We Can Work It Out" foi primeiro lugar tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos. O single vendeu mais de 1 milhão de cópias e foi nº 1 em vários outros países por diversas semanas seguidas.