quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

IVANZINHO – O VERDADEIRO DINOSSAURO DO ROCK

Meu Deus do céu, o que está acontecendo? “Tenho dois ou três amigos, conto nos dedos de uma mão”. Sempre gostei de começar cada texto que faço sobre um grande amigo com esse versinho de um poema que escrevi no tempo que eu ainda era um garoto. Pouco mais de uma semana se passou, desde a terrível morte do meu grande amigo e irmão João Neiva. Ainda não deu tempo nem de me recuperar quando sou novamente surpreendido por outra tragédia de proporções catastróficas: dessa vez foi meu amigo Ivanzinho – Ivan Neves – “Ivan-O Cruel” – “O verdadeiro dinossauro do Rock” – como era conhecido por ser um dos maiores pesquisadores do rock que tive a honra não apenas de conhecer como nos tornarmos amigos quase inseparáveis. O tempo, a distância e os problemas acabaram nos afastando, mas nunca deixamos de ser amigos. Estávamos juntos no Estádio Mané Garrincha no fatídico show do Legião Urbana que terminou em tragédia. Fomos juntos ao fantástico show do Peter Frampton em Brasília e acabamos tomando todas. Também nos encontramos no fantástico show que Ringo fez aqui e o presenteei com uma camiseta exclusiva do Baú que mandei fazer especialmente para meus amigos que foram ao show. Conheci o Ivanzinho quando eu tinha uns 14 anos e comecei a ficar louco pelos Beatles. Ele foi meu professor de Rock. A única pessoa que conheci que sabia tanto de rock quanto ele, foi meu também saudoso amigo Joaquim Jardim, programador cultural da Rádio Nacional e apresentador do programa Beatles Revolution. Imaginem o tamanho da farra que fizemos quando apresentei os dois. Um porre inesquecível! As coisas que o Ivanzinho mais se orgulhava na vida eram seus mais de 4.000 discos (que eu sempre morri de inveja!) e a forma como se superou e deu a volta por cima por cima de tudo e todos tornando-se um respeitável professor de história. Ele era 10 anos mais velho do que eu e as pessoas ficavam meio desconfiadas quando andávamos juntos. Bobagem. O Álbum Branco dos Beatles, o Living In The Material World, Venus And Mars e 33&1/3 me foram presenteados por ele e os guardo com carinho até hoje. Em todos esses anos, nunca, exceto eu mesmo, conheci alguém que gostasse tanto de Paul McCartney. O brilho nos seus olhos quando falávamos de Paul era tão intenso que não podia deixar de ser notado. Uma das grandes frustrações que tivemos, foi não podermos ir juntos para o Rio ver os dois shows arrasadores que Paul fez no Maracanã. Acabei indo com outro amigo, o Cacá. O Ivanzinho não conseguiu a grana. Em compensação trouxe-lhe vários presentes e souvenirs como “prêmio de consolação”. Ele estava de férias e foi visitar a família em Fortaleza. Na noite de domingo foi a um show. Na volta para casa pegou um táxi e assim que saiu do carro, a poucos passos da casa, o demônio apareceu para ele anunciando que era um assalto. Ele se assombrou e o maldito ladrão filho da puta disparou os tiros à queima-roupa. Não sei mais o que fazer, ou o que pensar ou o que sentir. Não sei se o que estou sentindo agora é raiva ou nojo desse mundo sujo. Ironicamente, seu fim foi igualzinho ao de John Lennon. Acho que estou andando em círculos. Perdi o norte. Tudo o que eu quero agora é tomar um porre até desmaiar e então, parar de pensar. Encerro aqui com meus pensamentos e divagação do quanto é frágil a vida e como essa festa no céu vai ser boa. Espero não chegar a tempo. Adeus, meu amigo. Nunca vou esquecer de você. Obrigado por tudo que me ensinou!

7 comentários:

Pedro RBC disse...

Caro Edu
Sem palavras...
Apenas, mais uma vez, meus sentimentos!

cacá soares disse...

Edu, o cara morreu como o Lennon mesmo, bonita história que vcs fizeram... RIP Little Ivans!

Edu disse...

"A vida passa com você e sem você". George Harrison
Valeu, Little Ivan!

Márcio Pereira disse...

Edu este ano não está sendo nada fácil para você. Que Deus console vosso coração.

Meus sentimentos!

Raquel Sayonara disse...

Muito bom o seu texto. Emocionante de fato.

João Carlos disse...

Mesmo sabendo que um dia todos iremos embora, a gente nunca vai (nem deve) se acostumar com a violência covarde.O mal pelo mal.Gratuito!

Valdir Junior disse...

Puxa Edu , lamento muito isso, meus sentimento s a família do Ivan e a você !!
Sabe,isso é o tipo de coisa que não dá para aceitar, uma vida sendo tirada por nada, e cada vez mais isso acontece , temos que rezar todo dia para conseguirmos chegar vivos em casa porque não há mais segurança e essas porcarias de governos não fazem nada !!
Mas enfim , muita força para você e qualquer coisa ,saiba que tem um amigo aqui !!!