Esta é carinhosamente dedicada à D. Leonor, minha mãezinha querida e a professora que eu mais gostava! Ela estaria completando hoje 84 anos."Michelle" era a música dos Beatles preferida dela, que sonhava tanto em conhecer Paris. Ai, ai... Só saudade, quanta saudade...
domingo, 24 de novembro de 2019
"MICHELLE" - PIANO RENDITION by MARCEL LICHTER
Esta é carinhosamente dedicada à D. Leonor, minha mãezinha querida e a professora que eu mais gostava! Ela estaria completando hoje 84 anos."Michelle" era a música dos Beatles preferida dela, que sonhava tanto em conhecer Paris. Ai, ai... Só saudade, quanta saudade...
A ESTRANHA HISTÓRIA DE MICHELLE BUEHLER

Em janeiro de 2010, surgiu uma estranha história contada por uma velha senhora de nome Michelle Buehler, afirmando que o nome da música "Michelle" dos Beatles foi inspirado nela. Será? Esta matéria que a gente confere agora foi publicada naquele mesmo ano.

Michelle Buehler tinha 15 anos quando ouviu pela primeira vez a canção dos Beatles com o seu nome e só então acreditou que tinha inspirado os 'Fab Four'. Mas passados 45 anos, diz que não tem esse disco. A história ocorreu entre 1963 e 1965 e só agora (2010) se tornou pública devido a uma reportagem de um jornalista açoriano, que a descobriu por acaso. Michelle Buehler nasceu em 1950 em Fall River, Boston, EUA, onde vive desde 1996. Quando tinha 13 anos, Michelle escreveu um curto texto para o concurso “O que você faria se encontrasse com os Beatles?”, lançado por uma revista norte-americana na época da primeira visita da banda inglesa aos EUA, cujo prêmio principal consistia "numa conversa com eles". "Ganhei o concurso, mas não acreditei até receber uma ligação que a telefonista disse ser do Reino Unido e de repente eu estava falando com Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Star", recordou Michelle. Durante a conversa, os quatro músicos, além de lhe terem feito muitas perguntas, desde como estava indo na escola e o que mais gostava, prometeram-lhe que "talvez” escrevessem uma canção com o seu nome.

As coisas mudaram quando ouviu pela primeira vez a canção 'Michelle', e lembrou do que os Beatles tinham lhe dito. A história manteve-se quase em segredo e, segundo Michelle Buehler, só agora chegou ao público porque um colega com quem colabora "deu com a língua nos dentes", fazendo-a chegar a um jornalista. Esta suposta 'musa' dos Beatles assegurou ter sempre evitado falar no assunto, mesmo quando, em 1987, se deslocou a Nova Iorque e teve um encontro com Yoko Ono, viúva de John Lennon. Michelle confessou que, na adolescência, vibrava com as músicas dos Beatles, mas admitiu que apenas possui alguns dos álbuns do grupo. "O que é mais curioso é que não tenho o disco com o tema com o meu nome", afirmou. Aham.
sábado, 23 de novembro de 2019
NORMAN "NORMAL" HURRICANE SMITH - BEATLES ENGINEER

Norman "Hurricane" Smith foi um músico inglês, produtor musical e engenheiro de som. Nasceu em 22 de fevereiro de 1923 em Edmonton, Middlesex, Inglaterra e serviu como piloto de planador da RAF (Royal Air Force) durante a Segunda Guerra Mundial. Após uma carreira malsucedida como músico de jazz, ingressou na EMI como aprendiz de engenheiro de som em 1959.

Smith foi o engenheiro em todas as gravações de estúdio dos Beatles até o outono de 1965, quando a EMI o promoveu de engenheiro para produtor. O último álbum dos Beatles que ele gravou foi Rubber Soul, e Smith projetou o som para quase 100 músicas dos Beatles no total. John Lennon apelidou Norman Smith de "Normal", que foi rapidamente adotado pelos outros Beatles. Lennon fez uma referência humorística à natureza muito apressada, imperturbável e amável de Smith. Enquanto trabalhava com os Beatles em junho de 1965, ele recebeu uma oferta de £ 15.000 pela editora de música da banda, Dick James Music, para comprar imediatamente uma música que ele havia escrito.

No início de 1967, Smith começou a trabalhar com um novo grupo, o Pink Floyd, produzindo seu primeiro, segundo e quarto álbum de estúdio: ‘The Piper at the Gates of Dawn’, ‘A Saucerful of Secrets’ e ‘Ummagumma’. Durante as sessões da música "Remember a Day", o baterista Nick Mason ficou nervoso por não conseguir encontrar a parte de bateria certa para a música. Smith, no entanto, sabia o que queria com a bateria, então ele mesmo fez o papel.

Em 1968, Smith produziu um dos primeiros álbuns conceituais de rock - S.F. Sorrow, quarto álbum da banda The Pretty Things. Também produziu as gravações iniciais da banda de rock progressivo Barclay James Harvest, incluindo seu álbum Once Again.

Em 1971, Norman Smith, adotou o pseudônimo de “Hurricane Smith”, e teve um sucesso que chegou ao posto número 2 no Reino Unido com "Don't Let It Die". Esta gravação era uma demo de uma música que ele havia escrito com a esperança de que John Lennon a gravasse. Quando ele tocou para o produtor musical Mickie Most, Most ficou impressionado o suficiente para dizer a ele para lançá-la como estava. Em 1972, ele desfrutou de um sucesso transatlântico com "Oh, Babe, What Would You Say?", que chegou ao número 1 da Cash Box e número 3 da Billboard. No Reino Unido, chegou ao 4º lugar no UK Singles Chart. Algumas gravações se seguiram, como "My Mother Was Her Name" (1972), "Beautiful Day, Beautiful Night" (1973) and "To Make You My Baby" (1974). No entanto, suas tentativas subsequentes de produzir gravações bem-sucedidas se mostraram ilusórias. Capitalizando seus esforços de gravação solo, Smith realizou duas turnês pelo então próspero circuito de cabaré no norte da Inglaterra, com banda e dançarinos. O último álbum que Smith fez para a EMI Records, foi Razzmahtazz Shall Inherit The Earth, lançado em 1973.

Norman Smith escreveu um livro de memórias intitulado “John Lennon Called Me Normal” que foi lançado em 16 de março de 2007 como uma edição limitada no The Fest For Beatles Fans em Secaucus, Nova Jersey. Lá, Smith apareceu e cantou "Oh, Babe". O livro contém fotos nunca antes publicadas, fatos históricos recém-revelados sobre os Beatles e o Pink Floyd no Abbey Road Studios, além de detalhes da vida de Smith como piloto de planador da RAF. Norman “Normal” Hurricane Smith morreu aos 85 anos em 3 de março de 2008 em East Sussex, Inglaterra.
GUGU LIBERATO - 1959 / 2019 :(

O comunicador Gugu Liberato teve sua morte confirmada na noite desta sexta-feira (22) aos 60 anos de idade após sofrer um acidente em sua casa nos Estados Unidos. Inicialmente, informou-se que o apresentador foi internado na quinta-feira e iria ficar em observação em um hospital local durante 48 horas, mas a gravidade do caso foi confirmada horas depois. Gugu caiu de uma altura de 4 metros ao subir para arrumar o ar-condicionado de sua casa em Windermere, nos arredores de Orlando, onde morava com a família. A informação da morte era dada como certa desde as 16h desta quinta-feira, mas a assessoria de imprensa do apresentador seguiu negando até que os familiares dele decidissem anunciar a notícia. A confirmação só saiu oficialmente na noite desta sexta (22). O Baú do Edu deixa aqui seus sentimentos, seu respeito e se solidariza com todos os familiares e amigos do Gugu. "Deus tenha piedade de nós. Agora e na hora de nossa morte". Amém.
PAUL McCARTNEY LANÇA DUAS FAIXAS INÉDITAS

O incansável Paul McCartney aos 77 anos, surpreendeu os fãs na manhã de ontem (22). Liberou duas faixas inéditas para celebrar o Record Store Day, data em que se homenageia as lojas de música ao redor do mundo. Tanto “Home Tonight” quanto “In a Hurry”, as duas “novas” lançadas por McCartney, tem batidas animadas, auxiliadas por guitarras e violões acústicos. As duas são os primeiros lançamentos de McCartney desde Egypt Station, que chegou às lojas em setembro de 2018. Aqui, a gente confere as duas, nessa ordem – “Home Tonight” e “In a Hurry”.
IMAGEM DO DIA - JOHN LENNON - MIAMI - 1964*****

Esta e outras 16 fotos raras dos Beatles em Miami em fevereiro de 1964, clicados por Bob Gomel, podem ser vistas no site da Time – publicadas por Liz Ronk em julho de 2015. Confira!
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
THE BEATLES - THE WORD - SENSACIONAL!*****

Gravada dois anos depois de “She Loves You” (julho de 1963) e dois anos antes de “All You Need is Love” (junho de 1967), The Word (Lennon) - sexta música do fantástico Rubber Soul, onde aparece depois de “Think For Yourself” (Harrison) e antes de “Michelle” (McCartney), marca a transição entre o amor menino-menina da Beatlemania e o amor de paz e harmonia da era hippie que estava começando.

Muito mais do que uma canção de amor dos Beatles, "The Word" na verdade estava cheia de pistas que indicavam uma direção em outro rumo. O amor que John cantava oferecia “liberdade” e “luz”. Chegava mesmo a oferecer “o caminho”. Talvez ele pensasse em “The Word” no sentido evangélico de “pregar a palavra”.

O que poderia ter levado os Beatles a se voltarem para essas metáforas religiosas? Pode ter sido a maconha, todos aqueles baseados, ou o LSD, que pode levar a visões religiosas ou espirituais. Em seu estudo “The Varieties Of Psychedelic Experience”, Robert Masters e Jean Houston afirmavam que o LSD não apenas produzia experiências de natureza religiosa, mas também dava às pessoas a ideia de que "um amor universal ou fraternal é possível e constitui a melhor chance do homem, se não a única".

Foi por essa razão que “amor” se tornou uma palavra tão usada dentro da cultura das drogas nos anos 1960 e Lennon tinha sido um dos primeiros compositores a captar essa tendência. Mais tarde, ele se lembraria da canção como uma das primeiras dos Beatles “com mensagem”, quando o grupo começava a explorar o papel de líderes culturais, de quem se esperava respostas para perguntas de caráter social e espiritual.

A palavra “amor” aparece 613 vezes nas músicas dos Beatles. Agora com músicas que traziam mensagens, os Beatles começavam a exercer a função do grupo como líderes culturais de quem se esperava respostas para perguntas de caráter social e espiritual. Paul McCartney disse: “Essa podia ser uma canção do Exército da Salvação. ‘A palavra é o amor.’ Mas podia ser Jesus (não era, veja bem, mas podia ser)... é tão mais original do que as nossas músicas antigas, tão menos óbvia... ‘Dê ao mundo a chance de dizer/ que a palavra é o caminho.’ E aí entra o órgão, igualzinho ao Exército da Salvação”.

A geração hippie ainda não tinha se definido, a palavra “hippie” ainda não tinha se difundido e o Verão do Amor ainda não tinha começado, mas nesta música de 1965, os Beatles prenunciavam o que viria, aquilo com que toda uma geração seria associada - Amor e Paz, mais drogas. Foi a primeira música realmente com mensagem dos Beatles, embora na época, isso parecesse mais escapar ou vazar que ser algo deliberado. Lennon diria mais tarde: “É a fase da maconha. Paz e amor, cara, é disso que se trata. Amor e paz. A palavra é ‘amor’, certo?”

Steve Turner diz no seu mais recente livro 'Beatles 1966': “John era naturalmente introspectivo, embora não fizesse muito tempo que tivesse começado a usar a autocrítica como estímulo para compor suas músicas. “Nowhere Man” questionava o propósito da vida; “In My Life” explorava a perda, a decadência e a mudança; e “The Word”, a que ele mais tarde se referiria como sua primeira música “com uma mensagem”, era um sermão veemente em defesa do poder libertador do amor, cheio de referências bíblicas como “no início” (in the begining), “a luz” (the light), “o caminho” (the way) e “a palavra” (the word) (todas podem ser encontradas, aliás, no Evangelho de João).

“The Word” é principalmente de John, mas ele e Paul terminaram juntos em Kenwood. Como convinha, quando terminaram de compor "a palavra", enrolaram baseados, acenderam e escreveram uma partitura com desenhos psicodélicos feitos com aquarela e canetas hidrográficas, produzindo pela primeira vez um manuscrito ilustrado. A caligrafia é de Paul e a página foi adornada com árvores e formas abstratas. As letras estão bem nítidas, considerando- se que eles estavam alterados. A página com a letra e os desenhos, John deu depois ao compositor John Cage quando este fez 50 anos. Ela foi publicada no livro de Cage "Notations"
“The Word” foi gravada em 10 de novembro de 1965. Rubber Soul foi lançado no dia 3 de dezembro. John Lennon como sempre, arrasa nos vocais e toca guitarra; Paul McCartney faz backing vocals e toca baixo e piano; George Harrison faz backing vocals e toca a guitarra solo; Ringo Starr toca sua bateria e também maracas e George Martin faz o solo de harmônio. “The Word”, claro, foi produzida por George Martin tendo Norman Smith como engenheiro de som. Além de Rubber Soul, aparece também no álbum “Love”, lançado em 20 novembro de 2006, num amálgama com “Drive My Car” e “What You’re Doing”.
Gostou? Diga nos comentários. Não gostou? Diga também. A próxima faixa a aparecer aqui do fantástico Rubber Soul é "Michelle", de Paul, que encerra o lado 1. Valeu, até lá!
quinta-feira, 21 de novembro de 2019
THE BEATLES - THINK FOR YOURSELF - SENSACIONAL!!!*****


“I've got a word or two... to say about the things that you do”. Eu tenho uma ou duas coisinhas para te dizer: Pode até parecer exagero, mas “Think For Yourself” (Pense Por Si Mesmo) para mim, é de longe, não só a melhor música de Rubber Soul, como um dos melhores rocks já criados pelos Beatles. “Do what you want to do... and go where you're going to, think for yourself 'cos I won't be there with you. (Faça o que você quiser fazer e vá onde você quiser ir, pense por si mesmo pois eu não estarei lá com você). Adoro!

"Think For Yourself" é uma música dos Beatles, lançada no álbum Rubber Soul no final de 1965. Uma das primeiras canções filosóficas de George Harrison, é cantada e foi composta por ele como uma espécie de advertência contra ouvir mentiras. A inspiração por trás da música é desconhecida. Em sua autobiografia de 1980, ele afirma não se lembrar de suas origens, embora fizesse uma referência auto-depreciativa a pessoas como faria posteriormente em Taxman e Piggies: “Think For Yourself deve ter sido sobre alguém, mas eu não me lembro quem inspirou, provavelmente o governo”. Esta música, junto com "If I Needed Someone" (sua outra no álbum), marcou o início do real surgimento de George Harrison como compositor ao lado de John Lennon e Paul McCartney.

A letra da música defende o pensamento independente e reflete o movimento dos Beatles em direção a conceitos mais sofisticados em seus textos nessa fase de sua carreira. Enquanto várias canções posteriores de Harrison foram inundadas de sabedoria pseudo-cósmica, "Think For Yourself" é notável por sua acidez natural. Paralelos também podem ser traçados entre a música e “Within You Without You”, que encontrava Harrison mais em paz com as diferenças dos outros.

Ainda sobre a letra, levando-se em consideração o período em que foi escrita, parece ser outra canção — como “Rain", "The Word” e "Nowhere Man” - sobre expansão da mente. Assim como John acusa as pessoas de cegueira, George as acusa de terem olhos fechados e mentes "opacas”, instigando-as a tentar "pensar mais”. A imagem dos olhos fechados é similar à que John usaria mais tarde em "Strawberry Fields Forever”. George revelou a Maureen Cleave em 1966 que havia comprado uma cópia do Roget’s Thesaurus para ajudá-lo nas letras. Foi ao procurar um sinônimo para "thick” (que pode significar “espesso” ou "estúpido”) que ele deparou com a palavra "opaco”.

“Think For Yourself” foi gravada em uma única sessão em 8 de novembro de 1965, sob o título provisório de “Won't Be There With You”. Os Beatles gravaram as guitarras básicas de ritmo, baixo e bateria - em uma única cena. Então adcionaram overdubs nas guitarras, mais baixo (já potencializado através de uma caixa de fuzz), pandeiro, maracas e órgão, juntamente com duas faixas vocais de três partes. A produção, claro, foi de George Martin tendo Norman Smith como engenheiro de som.

Da gravação participaram: George Harrison – guitarra solo e vocais principais; Paul McCartney – baixo com fuzz e vocais de harmonia; John Lennon – órgão Vox Continental, pandeiro e vocais de harmonia; e Ringo Starr – bateria e maracas. O produtor foi George Martin, tendo Norman Smith como engenheiro. “Think For Yourself” foi lançada no álbum “Rubber Soul” em 3 de dezembro de 1965 no Reino Unido e 6 de dezembro nos Estados Unidos.

A parte dominada pelo riff de McCartney serve ao papel de uma guitarra principal ao longo de toda a faixa. A inclusão do fuzz bass, e sua estratificação ao lado de uma parte de baixo padrão, caracterizou a disposição dos Beatles de experimentar o som no Rubber Soul. Paul usou um baixo Rickenbacker 4001S para fazer overdub no fuzz bass, que efetivamente serve como uma parte de guitarra principal. A gravação de um baixo através de um fuzzbox era inédita na época.
KENWOOD – CASA DE JOHN LENNON – 1964/1968*****

Kenwood é uma casa na propriedade St. George's Hill, Weybridge, Surrey, Inglaterra. Originalmente chamada de Brown House, foi projetada pelo arquiteto T. A. Allen e construída em 1913 pela Love & Sons, empresa de construção local. A propriedade foi construída em torno do Weybridge Golf Club, projetado em 1912 por Harry Colt.

John Lennon comprou Kenwood por £ 20.000 (equivalente a £ 398.100 em 2019) em 15 de julho de 1964, a conselho dos contadores dos Beatles, Dr. Walter Strach e James Isherwood. Lennon foi residente do verão de 1964 até o final da primavera de 1968. Exceto Paul McCartney, que vivia em Londres (na casa dos Asher), os outros três Beatles eram praticamente vizinhos. Kenwood fica perto de Sunny Heights, a antiga casa de Ringo Starr, e a uma curta distância de Kinfauns, a antiga casa de George Harrison em Esher.

Quando John Lennon comprou a casa em julho de 1964, Cliff Richard e Tom Jones também já haviam comprado casas na propriedade St. George's Hill. Embora supostamente não gostasse de Kenwood (descrevendo-a como uma "parada" a caminho de algo melhor), Lennon gastou 40.000 libras (em dinheiro para despesas ordinárias equivalentes a 796.000 libras em 2018) em reformas, reduzindo seus 22 quartos para 17, ajardinando a propriedade e construindo uma piscina externa.

Grande parte da decoração inicial foi deixada para o designer de interiores Kenneth Partridge, a quem Lennon empregou depois de ficar impressionado com seu trabalho de design em uma festa luxuosa realizada pelo gerente dos Beatles, Brian Epstein, para comemorar a partida dos Beatles em sua primeira turnê pelos Estados Unidos. No entanto, quando Partridge concluiu seu trabalho, Lennon e sua esposa Cynthia imediatamente fizeram uma série de alterações adicionais que refletiram melhor seu gosto. A mãe de Cynthia recebeu permissão para encher as prateleiras da casa com antiguidades e livros de antiquários, e uma pesada porta deslizante de madeira foi instalada na entrada do portão para impedir a entrada de fãs.

Kenwood tem três andares: no térreo, durante o período de Lennon, a porta da frente se abria para um hall de entrada, onde Lennon colocou uma armadura e uma roupa de gorila. Do outro lado do corredor, havia uma grande sala de estar, com tapetes pretos, dois sofás de seis metros e uma lareira de mármore. À esquerda do corredor havia um banheiro e, pela sala, havia uma sala de jantar, onde papel de parede de veludo roxo foi colocado. Ao lado da sala de jantar, nos fundos da casa, havia uma pequena marquise. Esta foi decorada com várias fotos, caricaturas e adesivos, como o do álbum de estreia Safe as Milk (1967), do capitão Beefheart & His Magic Band, e outro anunciando o Monterey Pop Festival. Fotos publicadas pelo The Beatles Book Monthly mostram as prateleiras da marquise cheia de artigos como uma grande cruz ornamentada, uma boneca do Mickey Mouse e um almofariz e pilão, supostamente usados por Lennon para misturar várias combinações de cocaína, anfetamina, barbitúricos e LSD. Havia também um sofá sobre o qual Lennon passava grande parte do tempo. Este foi um presente de sua tia Elizabeth Smith (née Stanley), também conhecida como Tia Mimi. Atrás da marquise, havia a cozinha de dois andares, onde estavam instalados aparelhos de última geração, tão complexos que um tutor teve que ir e dar lições aos Lennon sobre seu uso.

Completando o térreo, havia um salão menor e uma grande garagem. A escada principal para os andares superiores ficava no hall de entrada. O quarto principal gigante apresentava uma enorme cama de casal, tapetes brancos e um banheiro completo com banheira de imersão, chuveiro, jacuzzi e lavatórios. Lennon queria que os quartos de hóspedes tivessem obras de arte de estudantes da Liverpool Art College. Em particular, dois quadros do falecido baixista dos Beatles Stuart Sutcliffe, pelo que Lennon descreveu como "razões sentimentais". No andar de cima, ficava o sótão, que Lennon dizia ser seu, pintando o teto de uma cor brilhante, depois mudando para outro quando a tinta acabou e instalando a maioria de seus equipamentos musicais lá. Em 1967, Lennon sugeriu um fundo espelhado para a piscina; sendo avisado de que isso não seria apenas impraticável e caro, mas potencialmente perigoso para os nadadores, ele se contentou com um grande mosaico de olhos colocado na lateral. O mosaico foi baseado no Olho do Conhecimento, que fazia parte dos ensinamentos do Maharishi Mahesh Yogi.

Lennon criou boa parte de suas composições no sótão, onde ele possuía vários gravadores Studer. Pouco foi feito com eles até que Paul McCartney os visitou e ajudou a reinstalá-los em sequência, para que pudessem ser feitos overdubs. Lennon pôde, assim, gravar suas próprias demos. No sótão também havia um mellotron, um órgão eletrônico, um piano, um amplificador Vox AC30 e dezenas de guitarras. Lennon também compunha em um piano vertical na marquise.

Em 1968, Cynthia saiu de férias para a Grécia, deixando Lennon em Kenwood com Pete Shotton. Depois de vários dias tomando LSD e fumando maconha, Lennon convocou uma reunião no escritório central dos Beatles para informar aos outros que ele sentia que era a reencarnação de Jesus Cristo. Mais tarde naquele dia, telefonou para Ono, cujo marido, Tony (Anthony Cox), estava em Paris a negócios, e a convidou para Kenwood. Shotton deixou os dois em paz, e Lennon e Ono (que também havia tomado LSD) foram para o sótão para ouvir suas gravações experimentais não-Beatles. Pelo resto da noite, os dois colaboraram no que se tornou o álbum Two Virgins e depois "fizeram amor ao amanhecer", segundo Lennon.

Cynthia voltou cedo das férias e encontrou Lennon e Yoko Ono sentados de pernas cruzadas no chão e olhando fixamente nos olhos um do outro (Ono estava usando um dos roupões de banho de Cynthia). Em estado de choque, Cynthia então saiu para ficar com os amigos por alguns dias, embora Lennon e Cynthia tenham se reconciliado por um tempo após seu retorno a Kenwood. Foi durante o próximo feriado de Cynthia na Itália que Lennon e Ono finalmente entraram em um relacionamento permanente, e Lennon pediu o divórcio. Cynthia, junto com Julian e sua mãe, ainda voltou para Kenwood (já sem Lennon) no verão, onde Paul McCartney a visitou para oferecer seu apoio. A caminho de Kenwood, ele compôs "Hey Jude", que acabou se tornando o single mais vendido dos Beatles. Enquanto isso, Lennon e Ono ficaram sem endereço permanente por um tempo. Eles ficaram com McCartney em sua casa na Cavendish Avenue até Lennon descobrir uma nota depreciativa escrita por McCartney com Peter Brown e Neil Aspinall. Então John e Yoko Ono se mudarem para um apartamento alugado por Ringo Starr na 34 Montagu Square, Marylebone em Londres. Eles foram despejados deste apartamento pelo proprietário após uma invasão do esquadrão antidrogas em 18 de outubro de 1968, e então voltaram para Kenwood por um curto período de tempo, que havia sido desocupada por Cynthia. No ano novo, Ono e Lennon se mudaram para o Dorchester Hotel em Londres, deixando Kenwood pela última vez.

Como Lennon e Cynthia estavam se divorciando, ficou claro que Lennon não desejava ficar com Kenwood, e Cynthia não podia se dar ao luxo de mantê-la sozinha, por isso foi vendida em dezembro de 1968, por 40.000 libras (equivalente a 681.400 libras em 2019) para Bill Martin, escritor de canções como "Puppet on a String" e "Congratulations". Subsequentemente, Kenwood mudou de mãos várias vezes e foi submetida a importantes obras de reforma, de modo que o interior agora pouco se assemelha à casa em que Lennon morava. O exterior e o terreno ainda são reconhecíveis, embora a marquise tenha sido completamente reconstruída. Depois de ser exibido no Liverpool International Garden Festival em 1984, o mosaico psicodélico do olho foi mantido, redescoberto e restaurado por Tom Lorimer, técnico de laboratório da Universidade John Moores de Liverpool. O mosaico foi exibido no Museum of Liverpool Life. Itens do período Kenwood de Lennon também apareceram em leilão, incluindo toalhas e talheres, uma jarra de caviar e a mesa que ficava na marquise. Lennon guardou a placa da casa de Kenwood depois que ele partiu, mas a deu para Andy Eccles, jardineiro de Tittenhurst Park, em 1972. Em outubro de 2006, Kenwood voltou ao mercado, com um preço de £ 5,95 milhões, e foi vendida em janeiro de 2007 por £ 5,8 milhões. Em janeiro de 2013, Kenwood voltou novamente ao mercado por 15 milhões de libras.
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
THE BEATLES - NOWHERE MAN - SENSACIONAL!!!**********

No final de 1965, os Beatles estavam sob pressão para finalizarem o novo álbum a tempo de ser lançado para o natal e ainda fariam mais uma excursão (a última) pelo Reino Unido. John Lennon estava preocupado. Além de não ter nenhuma ideia para uma nova música, Paul McCartney – a outra metade da “dupla do século” estava impossível. Até George Harrison estava conseguindo.

Depois de se esforçar sem êxito para criar algo novo, Lennon foi embora cansado e se sentindo mal. Procurou relaxar, olhar para dentro de si mesmo e tentar enxergar as coisas como realmente estavam, e aos poucos, a música começou a surgir para ele quase completa. Ele criou uma canção que falava dele mesmo, durante uma crise (não rara) de autoconfiança. Assim como fez em “Help!”, "Nowhere Man" era sobre a falta de amor-próprio e provavelmente sobre a sua sensação de aprisionamento em um casamento infeliz e viver em um subúrbio (Kenwood, em Weybridge, no Surrey – região nobre e afastada de Londres). Ele não é um pouco como eu e você?

"Nowhere Man" é a quarta música do sensacional Rubber Soul, lançado pelos Beatles em 3 de dezembro de 1965. Aparece no álbum em seguida de “You Won’t See Me” e antes de “Think For Youself”. Também foi lançada como single nos Estados Unidos em 21 de fevereiro de 1966, tendo “What Goes on” como lado B.

"Nowhere Man" pode ser considerada a primeira canção dos Beatles que não é sobre o amor. Ela marca o começo das reflexões mais abertamente filosóficas de John Lennon.

Quando "Nowhere Man" foi lançada, alguns acharam que a canção seria sobre alguém específico (Julia Phillips, em seu livro-denúncia sobre Hollywood Youll Never Eat Lunch in This Town Again, especula que o alvo seja um empreendedor chamado Michael Brown) ou um arquetípico membro da sociedade “careta” cuja vida parece desprovida de um rumo.

Lennon disse ser ele próprio o “homem de lugar nenhum”, e que havia sido levado até ali pelo desespero depois de passar mais de cinco horas tentando compor com afinco, mas sentindo que não iria conseguir terminar mais uma música para o álbum. “Eu já havia parado de tentar pensar em alguma coisa. Não saía nada. Eu estava frustrado, tinha ido deitar. Tinha desistido. Aí pensei em mim como “o homem de lugar nenhum, sentado em sua terra de lugar nenhum, fazendo seus planos por ninguém”. John Lennon.

“O Homem de Lugar Nenhum tem potencial — diz-se que é ele quem comanda o mundo —, mas a sua percepção é limitada. Ele só enxerga o que quer enxergar. Só pode ser salvo se a sua mente se expandir. Este é um tema explorado também em outras canções do período, como “The Word” e “Rain”, e se tornaria central à perspectiva dos Beatles”. Steve Turner.

A primeira ideia era uma gravação só com os vocais, sem nenhum instrumento. Em estéreo, as vozes ficaram num canal e os instrumentos no outro. "Nowhere Man" foi gravada nos dias 21 e 22 de outubro de 1965. Rubber Soul foi lançado no dia 3 de dezembro daquele ano. Foi produzida por George Martin, com Norman Smith como assistente. Os Beatles estão em seus instrumentos habituais: John Lennon faz o espetacular vocal com a voz dobrada, toca violão e guitarra; Paul McCartney faz backing vocals e toca baixo; George Harrison também faz backing vocals e toca guitarra e Ringo Starr toca sua bateria.

"Nowhere Man" aparece somente no álbum Rubber Soul e em “Yellow Submarine Songtrack”, lançado em 13 de setembro de 1999. No filme Yellow Submarine, "Nowhere Man" aparece na estranha e simpática figura de Jeremy.
Assinar:
Postagens (Atom)