terça-feira, 20 de março de 2018

A BALADA DE JOHN LENNON & YOKO ONO - SENSACIONAL!


No dia 20 de março de 1969, John Lennon e Yoko Ono se casaram em Gibraltar, na Península Ibérica. O lugar foi sugerido por Peter Brown. A história do casamento e das campanhas pela paz realizadas pelo casal seriam imortalizadas na música “The Ballad of John and Yoko”A música foi composta por John Lennon, creditada a Lennon e McCartney, e lançada como single dos Beatles em 30 de maio de 1969 como lado A, tendo "Old Brown Shoe" de George Harrison como lado B. A gravação foi realizada em 14 de abril de 1969, somente por John e Paul e alcançou o topo das paradas tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos.
Em 8 de dezembro de 1968 saiu o divórcio de John Lennon com Cynthia Powell, mãe de seu filho Julian. Em fevereiro de 1969 saiu o divórcio de Yoko Ono com Anthony Cox, pai de sua filha Kyoko. Com isso, o caminho estava aberto para que os dois, John e Yoko, pudessem oficializar a sua união. Além do mais, já estavam atrasados, afinal Paul já estava casado com sua Linda. Na Inglaterra não poderia ser, por um impedimento legal: Yoko não tinha visto de permanência no país. Tencionavam se casar no mar, a bordo de um navio, saindo de Southampton, Inglaterra, que cruzaria o Atlântico. Como não planejaram a viagem com antecedência, não puderam embarcar por falta de vagas. Tentaram ainda cruzar o Canal da Mancha em direção à Holanda, mas estavam sem os passaportes naquele instante. Então, abandonaram a ideia de núpcias no mar e foram para Paris.
De lá, acionaram um administrador da Apple Records, Peter Brown, que os aconselhou a se casarem em Gibraltar e providenciou toda a papelada e os preparativos do casamento. Assim, ele foi realizado, no dia 20 de março de 1969. Para a lua-de-mel o casal seguiu para Paris e após alguns dias, de carro para o hotel Amsterdam Hilton, na Holanda. Lá, eles que já haviam convocado a imprensa, anunciaram o que foi chamado de "Bed-in": uma semana de protestos, sem sair da cama, por conta das guerras no mundo.
Durante esses sete dias na cama, convidaram várias figuras de conhecimento público para visitá-los, sempre com a presença da imprensa mundial. Timothy Leary, Tommy Smothers, Dick Gregory, e Al Capp para cantar a música em favor da paz "Give Peace a Chance", gravada no quarto de hotel no dia 1 de junho. Todos menos Al Capp se juntaram ao ex-beatle e sua mulher. Em seguida, partiram para Viena, Áustria e de lá voltaram para Londres, onde tinham encomendado 50 mudas de carvalho que enviariam para alguns líderes mundiais como símbolo da semente da paz.
Baseado nesta história, e com o refrão: "Christ you know it ain't easy, you know how hard it can be. The way things are going, they're going to crucify me". ("Cristo, Você sabe como não é fácil, Você sabe quão difícil pode ser. Do jeito que as coisas vão, eles me crucificarão"), John Lennon compôs a letra. A música atingiu o primeiro lugar nas paradas de sucesso na Inglaterra, nos EUA e em vários países ao redor do mundo. Por causa do refrão com menção a Cristo e à crucificação"The Ballad of John and Yoko"  foi boicotada pela maioria das rádios americanas e inglesas, e proibida na Austrália.
Da gravação, lançada pelos Beatles, só John Lennon e Paul McCartney participaram. Os outros dois Beatles estavam ausentes, Ringo filmando com Peter Sellers e George fora do país. John Lennon tinha pressa e por isso convenceu Paul a ir gravar junto com ele. A gravação foi realizada em uma só sessão (que durou 8 horas e meia e teve 11 tomadas – a 10ª foi escolhida e editada) no dia 14 de abril de 1969, três dias depois do lançamento de “Get Back”. Esta foi a primeira música dos Beatles que não teve mixagem para mono; só foi produzida em estéreo. John Lennon fez o vocal principal, tocou violão, guitarra e pandeiro. Paul McCartney participou dos vocais (só os dois fizeram backings), tocou seu baixo como se quisesse deixar gravada ali uma mensagem, piano, bateria e maracas.
Para finalizar com chave de ouro, agora, a gente confere um pequeno trecho sobre o episódio da gravação da balada de John e Yoko do livro "Paul McCartney - Uma Vida" de Peter Ames Carlin e mais abaixo, um outro trecho do livro "Minha Vida Gravando os Beatles", de Geoff Emmerick.
Na manhã do dia 14 de abril, o telefone tocou em Cavendish e Paul ouviu a voz de John do outro lado da linha. Ele tinha acabado de voltar de seu casamento com Yoko, em Gibraltar, e da semana corrida "em cima da cama" que haviam conduzido em Amsterdã, para promover sua nova campanha internacional pela paz. Bem a caminho de deixar para trás suas identidades individuais em troca de um novo perfil unificado — Johneyoko era a forma como John gostava de descrever ambos —, John havia composto uma nova canção para comemorar a união. Era "The Ballad of John and Yoko", e ele queria transformá-la num novo single dos Beatles. George e Ringo não estavam disponíveis — os dois estavam fora da cidade. Mas Paul poderia vir até a EMI naquela tarde para gravá-la? Sim, claro. Por que não? Fantástico! A campainha tocou algumas horas depois, e lá estava John, com a guitarra e Yoko a tiracolo; em seguida, eles subiram à sala de música para que John tocasse a sua canção. Christ, you know it ain't easy! Com toda sua transgressão comportamental, aquilo era rock 'n' roll na forma mais pura de Chuck Berry: três acordes, uma história em primeira pessoa e muita atitude. Paul entendeu e apreciou na hora. Então, eles juntaram Linda e Yoko e caminharam pela rua, como um novo quarteto desajeitado, dobrando a esquina em direção a Abbey Road. Descendo ao Estúdio Três e com uma nova canção entre eles, tudo voltara a ser como antes. John tocou guitarra e deu as ordens; Paul tocou baixo, bateria e maracás, e atirou-se a uma nova harmonia vocal. O trabalho foi rápido, eles riram e fizeram piadas. "Havia uma vibração maravilhosa ali, de fato", relembra o diretor de arte da Apple, John Kosh, que assumiu as funções na sala de controle. Kosh estava com a mulher e eles ficaram ali esperando, observando os rapazes em atividade até que John pudesse subir para avaliar o calendário que Kosh estava rascunhando para ele. Linda, que ainda era nova naquele ambiente, mas estava ansiosa para desempenhar o papel de mulher e protetora de Paul, confundiu Marjorie Kosh com uma estranha qualquer. Talvez, disse Linda de forma fria, fosse hora de Marjorie dar o fora. Imediatamente. "Eu não vi nem ouvi nada", diz Kosh. "Apenas me lembro de Marjorie dizer 'Foda-se!' e sair bufando." A fofoca circulou e, logo depois, John ligou para a casa de Kosh e se desculpou. Dentro do estúdio, porém, nada mais importava naquele dia além da música. "Um pouco mais rápido, Ringo!", John pediu a Paul, que tocava bateria. "Tudo bem, George!", Paul respondeu. "Sempre me surpreendeu como, estando apenas nós dois, aquilo acabou soando como os Beatles", Paul afirmou.Apenas alguns dias depois recebi um telefonema de Peter Brown, dizen­do-me quase sem fôlego que John tinha acabado de escrever uma nova can­ção e iria para a Abbey Road na segunda-feira seguinte. Queria saber se eu estaria disposto a participar. Perguntei a Peter, bastante hesitante, se John an­dava “bem” por aqueles dias. Ele entendeu exatamente aonde eu queria che­gar; designado como porta-voz dos Beades, ele tinha visto bastante de Lennon em seus piores momentos. “Sim, ele está bem”, Peter me assegurou. “Ele anda de muito bom humor no momento e está realmente muito animado com a nova música. E foi ele mesmo quem me pediu que eu conseguisse que você fosse o engenheiro de som.” Como eu poderia dizer não a isso? A sessão estava marcada para começar no meio da tarde, e para minha surpresa, um John tagarela chegou na hora, seguido de Paul, apenas alguns minutos mais tarde. Era para ser oficialmente uma sessão dos Beatles, mas eles eram os dois únicos membros da banda que apareceram naquele dia, Paul sentando-se na cadeira do baterista, tocando a bateria de Ringo com con­fiança e facilidade. Os dois Beatles pareciam extremamente relaxados, apesar das histórias de horror que eu tinha ouvido sobre as brigas e o clima ruim gerado nas sessões de Let it be. Nesse dia eles voltaram a ser dois velhos com­panheiros de escola, todo o desentendimento dos últimos meses sendo varri­do para debaixo do tapete e substituído pela alegria de fazer música juntos. Foi ainda mais surpreendente por causa do nome e do tema da canção a ser gravada naquele dia, que Lennon orgulhosamente me disse se chamar “The ballad of john and Yoko”.A letra descrevia as circunstâncias em torno de seu recente casamento, dando até crédito a Peter Brown, citando seu nome, por ter dado a ideia de que se casassem na Espanha. Foi uma grande sessão, um desses momentos mágicos em que tudo deu certo. A gravação toda foi concluída em apenas algumas horas, do início ao fim, incluindo a mixagem — como nos bons e velhos tempos. A nova máqui­na de oito canais tinha sido instalada na sala de controle recentemente, e fize­mos bom uso dela naquele dia. O gravador de oito canais permitia vários overdubs, então John tocou todas as guitarras — solo e base — enquanto Paul cuidava do baixo, do piano, da percussão e da bateria — eles formavam uma grande banda de dois homens. Essa foi uma das primeiras vezes em que eu coloquei microfones tanto em cima quanto embaixo da caixa da bateria, o que deu um enorme estrondo ao som, o complemento perfeito para o vocal agressivo de John.

Um comentário:

Duda Barbosa disse...

ÊTA POVO DOIDO...