sexta-feira, 4 de março de 2016

HÁ 50 ANOS - THE BEATLES - MAIS POPULARES QUE JESUS


Tavez, nesses tempos com tanta tecnologia, seja difícil para os mais novos entender completamente o tamanho do incrível poder da Beatlemania naqueles anos. No auge de sua popularidade, na primavera de 1966, boa parte do público americano demonstrou como esse amor avassalador poderia se transformar em ódio muito rapidamente. Em 04 de março de 1966, esta citação de John Lennon, apareceu em uma entrevista feita pela repórter Maureen Cleave no London Evening Standard para uma matéria "Como Vive um Beatle? Eu vivo assim - John Lennon".

Quando Lennon disse isso, este pequeno trecho fazia parte de toda uma explanação sobre o cristianismo. Na Inglaterra não houve problemas, porém quase cinco meses depois, em 29 de julho, uma revista teen americana, "Datebook", publicou novamente a citação fora do contexto como parte de uma matéria de capa intitulada "Os Dez Adultos Que Você Mais Odeia".
O inferno começou. Estações de rádio no sul baniram a música dos Beatles. Em 31 de julho, os noticiários da BBC exibiram cristãos fanáticos em Birmingham, no Alabama, queimando discos dos Beatles em uma grande fogueira, da mesma forma que os nazistas queimavam livros. E a coisa só foi piorando. No dia 6 de agosto, Brian foi aos Estados Unidos para tentar contornar os problemas causados pelos comentários de John. Temia-se que a turnê no país tivesse que ser cancelada. Até essa data, 30 estações de rádio americanas já haviam excluído os Beatles de suas programações.
Os discos dos Beatles foram proibidos de ser executados também na África do Sul, sob a alegação de que os comentários, supostamente antirreligiosos, de John feriram o regime do apartheid. O veto durou cinco anos e, quando expirou, os Beatles já haviam se separado. Depois de vários dias sob pressão e muita tensão, finalmente os Beatles chegam nos Estados Unidos no dia 11 de agosto de 1966, fazendo uma escala em Boston e, chegando em Chicago às 16h18.
Quase toda a imprensa e todas as três redes de televisão estavam esperando a banda em Chicago, e não falavam de outro assunto que não fosse a declaração sobre Jesus. Os Beatles tiveram de fazer um entrevista coletiva, transmitida ao vivo, no 27º andar do Astor Towers Hotel, onde ficaram hospedados. John estava visivelmente constrangido, pois estava sendo obrigado a se desculpar por algo que os americanos haviam tirado do contexto.
John Lennon alegou ter sido mal interpretado, e se explicando logo depois: "Olhe, não sou antideus, nem anticristo, nem antireligião" disse ele. "Eu não quis dizer que os Beatles são melhores que Deus ou Jesus. Apenas usei o nome dos Beatles, pois para mim é mais fácil falar sobre os Beatles. Eu poderia ter citado a 'TV' ou o 'cinema' ou 'carros de corrida' ou qualquer outra cois que fosse popular e teria me saído bem dessa. Sim, eu acredito que Deus é como uma usina de força, que ele é um poder supremo, que não é nem bom nem ruim, nem de direita nem de esquerda, nem branco nem preto, Ele simplesmente É. Eu não disse aquilo que dizem que eu disse e, realmente, me arrependo de tê-lo dito. Eu não pretendia que minhas palavras fossem um desprezível comentário antirreligioso. Por tudo que tenho lido e observado, parece-me que o cristianismo está enfraquecendo, perdendo contato", declarou John, ao que um repórte respondeu: "O DJ de Birmingham, no Alabama, um dos que deu início a toda essa repercussão, exige que você peça desculpas". "Pois não, peço desculpas", respondeu John.

Em 13 de agosto, a estação de rádio Station KLUE, de Longview, aderiu - tardiamente - à onda de manifestações contra os Beatles e organizou uma queima pública de discos da banda. O diretor da estação declarou: "Estamos pedindo aos adolescentes da região para que tragam seus discos e quaisquer outros símbolos da popularidade dos Beatles, para serem queimados em uma fogueira pública, na noite de sexta-feira, 13 de agosto". O dia e o mês do cachorro-louco. Eu, héin?
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6 comentários:

João Carlos disse...

E eram mesmo.

Matheus Felizari disse...

Sempre teve gente cheia de "mimimi" no mundo. Eu nunca vi nada de mais na declaração do John.

Ângela Balzan disse...

Imprensa marrom, aquela dos EUA...

Valdir Junior disse...

E continua sendo.

Vânia Junqueira disse...

Depois nós ficamos chateados com cantor e com banda, sem sabor, sem cor, sem opinião, sem graça, que nascem aos borbotões, e temos que aturar escutando nos supermercados, nos aeroportos, nas salas dos médicos e dos dentistas, em nosso ambiente de trabalho, nas rádios e em todo lugar.

Porque emitir uma opinião pode ser um perigo, mesmo quando a zona de conforto já foi estabelecida. Ou, principalmente, quando já foi estabelecida. Porque vira um inferno nas mãos de debilóides esquizofrênicos loucos por sangue.

Só Deus na causa!

Por isso a escola é laica. Para não ter que encarar a diversidade de opinião que existe a respeito da religião. Seria o professor assassinado a sangue frio em cada esquina das Bagdás da vida e no raio que nos parta.

Como diz o poeta Antônio Miranda, ao parafrasear Nelson Rodrigues: "Valha me Deus, que eu não creio em Deus!"; em sua "Canções Perversas", da qual tive o privilégio de participar. Ops...! Amém!

Grande Forte Abraço Edu.

VJ.

Vânia Junqueira disse...

Coisa mais medieval... Queimar tudo em nome de um equívoco...!

E pensar que se o artista é uma figura pública, transparente, como John sempre foi, que tem que doar, doar, doar... em um dado momento ele precisa de receber, receber, receber... atenção no que diz da mesma forma em que doa.

Natural.
Complementar.

Ele foi magnífico ao doar. Porque não reconhecer que ele precisava, necessitava de poder ser, mais ele mesmo, na condição que fosse? E receber a reflexão pública a respeito do que ele diz na mesma proporção?

Com educação e sensatez.

Por outro lado... Em que manual está escrito que os Beatles precisam ser translúcidos e bem aceitos em tudo? Viva a reflexão!

Viva a reflexão, o bom senso, a educação, a gentileza, o amor ao próximo... Parecem um bando de loucos desenfreados que nunca ouviram, realmente, a música dos Beatles!!!

Fico esquisita quando entro em contato com aqueles que escondem as suas quizumbas e ficam olhando as dos que estão à vista com crítica insana.

Julgar é triste!
Mas o óbvio tem que ser peneirado para ver o que sobra de bom.

VJ.