segunda-feira, 3 de julho de 2017

CONVIDADOS ESPECIAIS: THE ROLLING STONES - STONES ON EXILE - DOC


No final da década de 60 e início dos 70, os Rolling Stones já eram a maior banda de rock do planeta. Há controvérsias. Não importa, o fato é que não davam mais conta de pagar os impostos da vida de luxo que levavam na Inglaterra. Encrencados com o fisco britânico, Mick Jagger, Keith Richards, Bill Wyman, Charlie Watts e o recém-contratado Mick Taylor se mandaram para o sul da França, onde gravariam “o” disco da carreira, Exile on Main St. Os bastidores da gravação do álbum lançado em 1972 foi reeditado com 10 faixas bônus em 2010.
Jagger, Watts e Richards são os produtores-executivos do filme, dirigido por Stephen Kijak. Eles aparecem o tempo todo, no presente e no passado, lembrando os meses muito loucos que passaram em Nellcôte, tocando no porão da mansão que Richards alugou para morar com mulher e filho — e que acabou virando o QG da banda e de todo mundo que andava por lá. “Os Stones não eram mais cinco. Eram uma multidão. E a tribo não parava de crescer”, comenta o fotógrafo Dominique Tarlé, que foi a Nice passar uma tarde com a banda e só saiu de lá seis meses depois.
Stones In Exile o documentário, começa 40 anos depois, com Jagger e Watts andando pelo local onde achavam que nunca mais pisariam depois daquelas “malditas sessões de estúdio”, cercadas de mulheres, amigos nada confiáveis e muitas, muitas drogas. Um corte e lá estão eles, novinhos, ali mesmo, lembrando a chegada à França e a curta e triste turnê de despedida da Inglaterra. “Nos sentimos expulsos do nosso próprio país”, conta Keith Richards. “E quando uma banda saía da Inglaterra, era o fim. Não gostavam mais dela”, emenda Jagger.
Bill Wyman, o baixista, odiou ter saído de casa. Watts, o baterista, também não gostou da mudança. Não falava francês, estava infeliz — e para não ficar tão sozinho, levou mala e cuia para a casa de Keith. Mick Taylor, novato, achava tudo maravilhoso (“aquilo é que era vida”). Jagger, bem, ele tinha que estar lá — até se casou com Bianca na França, numa cerimônia que reuniu gente do mundo todo. Pelo visto, só Keith parecia estar à vontade, mesmo, por ali. “Queria me divertir enquanto estava livre”, diz o guitarrista. “O mundo estava contra nós. Então, dane-se. Esse era o raciocínio.”
Não à toa, Exile on Main St. foi feito à moda Keith, na base do improviso, sem nada ensaiado. “Nunca planejo nada. Essa é minha grande diferença em relação ao Mick. Ele é o rock, eu sou o roll”, ri o guitarrista, que se enfurnava naquele porão escuro (a umidade até desafinava as guitarras) por horas e horas, mergulhado em heroína, numa onda sem fim, como quase todos à sua volta. “Todo mundo entrava e saía, fiquei paranoica. Começamos a nos drogar no café, no almoço, no jantar. Tudo se desintegrou”, conta Anita Pallenberg, mulher de Keith.

O nível de desleixo chegou a tal ponto que um dia entraram na casa (cheia de gente), roubaram oito guitarras e ninguém percebeu. A coisa ficou tão feia que eles tiveram de sair da França na marra. Com canções inacabadas, fragmentos de letras, foram terminar o disco nos Estados Unidos. Quando foi lançado, Exile on Main St. não foi bem recebido pelos críticos, que reclamavam da “falta de direção” do álbum. Com o tempo, mudaram de ideia. Aquelas texturas nunca antes usadas, a diversidade das faixas e a sensação de música feita por quem não podia voltar para casa acabaram fazendo de Exile o grande álbum dos Stones.

7 comentários:

Valdir Junior disse...

Talvez esse seja, na minha opinião, o melhor disco dos Stones. Rock and Roll malando do bom. E pensar que o Jagger não gosta muito desse disco, ao contrario do Keith, só faz eu gostar ainda mais desse discão.

Benilson Silva disse...

Gosto pouco dos Stones. Talvez algumas músicas da carreira solo de Mick me atraíam mais que då banda.

Anônimo disse...

Esse álbum está entre os top ten da história do rock, simplesmente GENIAL!
E quem disse que um beatlemaniaco como eu não pode também adorar Stones?

Marcio Pereira disse...

Não sou fã dos Stones mas tenho alguns discos.

Edu disse...

ESSE É O MELHOR DISCO DOS ROLLING STONES. DE LONGE...

Carlos Marangon disse...

não sei se é o melhor deles, mas sem dúvida um dos grandes discos que fizeram, nessa época já tinham encontrado seu próprio som ( na verdade já a partir de 68) a mixagem é um pouco embaralhada, mas acho que era intenção deles mesmo fazer dessa maneira.Uma época que se fazia discos sem concessões.

roque22 disse...

Amo os Beatles & os Stones. Esse disco eh simplesmente maravilhoso. Um dos melhores da História da Música. Ele esta para os Stones, assim como o Revolver, está para os Beatles.