quarta-feira, 5 de julho de 2017

GEORGE HARRISON - WONDERWALL / ELETRONIC SOUND 2017

Textos - Vítor Franke – Fonte: beatlescollege.wordpress.comPaul McCartney já havia feito sua estreia sem o acompanhamento dos outros três em 1966, com a trilha sonora do filme “The Family Way” (já comentado aqui no site), feito em parceria com George Martin. Dois anos depois foi a vez de George Harrison se lançar em um trabalho solo, sem qualquer vínculo com os Beatles. O álbum, assim como o de Paul, era uma trilha sonora e o filme em questão é “Wonderwall”, dirigido por Joe Massot, que convidou George para fazer a trilha, afirmando que usaria o que quer que ele fizesse. Nessas condições, Harrison aceitou o trabalho. O disco foi lançado no dia 1º de novembro de 1968 no Reino Unido e em 2 de dezembro nos Estados Unidos. Foi o primeiro LP a sair pela Apple Records, gravadora recém fundada dos Beatles, que lançaria outros nomes como Billy Preston, James Taylor, Badfinger e Mary Hopkin. O disco foi relançado em 1992, em CD. Quando Joe Massot chamou George para fazer a trilha, ele respondeu que nunca havia feito algo do tipo e que não sabia como funcionaria. Com a condição de Massot de que este aceitaria o que Harrison fizesse, o convite foi imediatamente aceito. Em novembro de 1967, eles foram para os estúdios de Twickenham, onde foram feitas as demos para a trilha sonora, a partir de uma versão não-acabada do filme, exibida pelo próprio Massot. George queria fazer o disco como uma espécie de “antologia da música indiana”, despertando assim o interesse do público pela cultura hindu. Com esse objetivo em mente, ele resolveu ir gravar em Bombaim, na Índia, no estúdio da EMI. As gravações de “Wonderwall Music” começaram em dezembro de 1967, em Londres, no De Lane Lea Studios, onde foram gravadas 8 das 19 músicas do álbum (“Red Lady Too”, “Drilling a Home”, “Ski-ing”, “Dream Scene”, “Party Seacombe”, “Cowboy Music”, “Glass Box” e “Wonderwall to Be Here”). O restante foi gravado a partir do dia 9 de janeiro de 1968, nos estúdios da EMI em Bombaim, na Índia. Um fato curioso acerca das gravações é que, apesar de ser um disco de George, o Beatle não participa como músico em nenhuma das canções. Ele é creditado na ficha técnica apenas como produtor, arranjador e compositor. Sobre as sessões em Bombaim, George lembrou mais tarde: “Foi realmente fantástico. O estúdio era no topo dos escritórios [da EMI], mas não havia isolamento de som. Então se você ouvir atentamente algumas das faixas indianas do LP, pode ouvir alguns táxis passando. Toda vez que os escritórios encerravam às 5:30, nós tínhamos de parar a gravação, por que se podia simplesmente ouvir todo mundo descendo as escadas.” Nessas sessões, após finalizar o trabalho com “Wonderwall Music”, George gravou alguns “ragas” e outros temas hidus. Foi nesse período que nasceu a base de “The Inner Light”, que seria lançada em 15 de março de 1968, como lado B de “Lady Madonna”. George voltou de Bombaim no dia 18 de janeiro e chegando em Londres, foi dar os últimos retoques nas gravações, em Abbey Road, trabalho que se estendeu até o dia 30 daquele mês. Entre os músicos que participaram das sessões em Londres, estavam os integrantes do Remo Four, banda de Liverpool contemporânea aos Beatles. Além disso, segundo dizem, Eric Clapton, Peter Tork (dos Monkees) e Ringo Starr teriam participado sem que fosse creditado (alguns afirmam que Clapton e Ringo usaram os pseudônimos de Eddie Clayton e Richie Snare, respectivamente, mas na capa do disco não consta nenhum dos dois nomes).
Não deixe de conferir também a superpostagem WONDERWALL - O FILME - 1969 e também JANE BIRKIN AND SERGE GAINSBOURG - JE T’AIME MOI NON PLUS. Imperdíveis!
O segundo disco de George Harrison, lançado pela Zapple (uma subsidiária da Apple que cuidava unicamente de discos experimentais e que, além desse, lançou apenas outro disco: “Unfinished Music No.2: Life With the Lions”, do John Lennon com a Yoko Ono), foge totalmente de tudo que o “quiet one” dos Beatles havia feito até então e difere de tudo que ele viria a fazer. As peculiaridades do álbum, produzido pelo próprio George, já começam no número de faixas: apenas duas. A primeira, “Under the Mersey Wall”, com 18:40 de duração, e a segunda, “No Time or Space”, com 25:05. No vinil, cada faixa ocupava um lado do disco, já na reedição em CD, lançada em 1996, as músicas foram invertidas (apesar dos títulos terem sido mantidos na ordem certa), o que fez com que muitos fãs mais novos confundissem as duas. O disco foi um fracasso, chegando apenas ao número 191 da Billboard, nos Estados Unidos. Além do número de faixas, outra peculiaridade do disco é que, além de ser um disco inteiramente instrumental, foi um dos primeiros a usar exclusivamente o Moog, um sintetizador pelo qual George havia se fascinado enquanto trabalhava nas sessões de gravação de Jackie Lomax, em 1968, e que mais tarde os Beatles usariam em boa parte do “Abbey Road”.  O disco foi lançado no Reino Unido em 2 de maio de 1969, e dois dias depois nos Estados Unidos.  “Under the Mersey Wall” começa com sons de disparos de uma arma, e depois segue com o Moog, usando vários efeitos. Alguns trechos dela foram usados em “I Remember Jeep”, faixa do disco 3 do “All Things Must Pass” (Apple Jam), primeiro álbum de George pós-Beatles, lançado em 1970. Já “No Time or Space” causou alguns incômodos para George, pois Bernie Krause, um expert em sintetizadores, entrou com um processo contra Harrison, afirmando que a faixa era uma gravação dele mostrando a George o Moog III, gravada sem o seu conhecimento e autorização. O nome de Krause estava na capa (que foi feita por George) inicialmente, mas foi coberto por uma pintura antes do lançamento do disco. No entanto, a frase “Assisted by Bernie Krause” pode ser vista embaixo da tinta, nas prensagens originais do disco. Aliás, essas prensagens possuem outra diferença na capa: a frase “Produced by George Harrison” originalmente era pintada de azul “luminoso”, no entanto nas re-edições foi pintada de vermelho e azul forte.

6 comentários:

Benilson Silva disse...

Algo produzido a quase meio século, com efeitos sonoros que parece algo do presente. George era um geneo

Edu disse...

Foi na mosca! Tudo nesses discos ainda parece mais atual que nunca. Só a capa desse 'Eletronic', já é demais! Tem até um Alien. Só um Beatle mesmo! Eu daria minha vida pra fazer a capa de um disco desses!

Marcio Pereira disse...

Os quatro sempre estiveram a frente de seu tempo.

Edu disse...

Aham!

Valdir Junior disse...

Apesar de gostar muito de todo trabalho solo do George, o disco "Eletronic Sounds" é de difícil de ser digerido, na minha opinião, tem uns dois ou três sons legais ali, o resto é muito experimentalismo, ou pra sincero, parece que o George gravou ele testando o moog e lançou no disco qualquer coisa.
Já o "Wonderwall" é uma perola em matéria de colagem incidental de musica para cinema e também uma "viagem" deliciosa no som da India misturado com o pop dos 60's. Um dos melhores disco do George.

Carlos Marangon disse...

Concordo Valdir, Wonderwall , o título já diz tudo gosto dessa mistura do oriente com ocidente, influenciou toda uma geração, graças ao George . quanto ao Eletronic Sounds, não dá pra ouvir muitas vezes,passa mesmo a impressão que estava testando o Moog e lançou o que foi produzido disso , sem ter que escolher muita coisa. mas mesmo assim é interessante.