sexta-feira, 16 de junho de 2017

UM CERTO HARRY NILSSON... DE NOVA YORK

Se Harry Nilsson vivo estivesse, teria completando ontem 76 anos.
Harry Edward Nilsson III, (1941-1994), foi um músico, cantor e compositor, americano, conhecido apenas por Nilsson, nascido em Nova York, e considerado por alguns, um "mago" nos estúdios, por causa de suas habilidades que faziam com que sua música fosse impossível de ser reproduzida ao vivo. Um vocalista capaz de alcançar 3 oitavas. Foi para a Califórnia na adolescência e compôs "Cuddly Toy" para os Monkees, mas seu primeiro  sucesso foi o desenho animado "The Point," de sua autoria, bem como a trilha sonora. Embora suas gravações mais famosas não tenham sido composições suas, elas foram muito mais bem sucedidas do que as versões de autoria original.
O sucesso internacional veio com a canção de Fred Neil, "Everybody's Talkin", utilizada na trilha sonora do filme "Midnight Cowboy," com o título em português: Perdidos na Noite. Esta gravação lhe rendeu o "GRAMMY"(1969 por "melhor performance vocalista-masculino-pop" do ano.
Seguiu-se o álbum Nilsson Schmilsson, gravado em 1971, que trazia seu explosivo sucesso número 1, "Without You,"("Billboard Top 100"-1972) para as paradas. Essa canção foi originalmente composta pela dupla Pete Ham & Tom Evans, do grupo inglês Badfinger. A versão de Nilsson de "Without You" lhe rendeu um disco de platina, certificando-o por um milhão de cópias vendidas nos EUA. O sucesso de "Without You" fez com que Nilsson permanecesse no primeiro lugar das paradas por 4 semanas nos EUA! "Without You" é a música que mais rendeu "royalties" para Pete Ham &Tom Evans.Harry Nilsson era admirado e respeitado por "gigantes" do Rock clássico da era das décadas de 1960 e 1970, como: The Beatles, The Who, Led Zeppelin, Beach Boys, Klaus Voorman, Jim Keltner entre muitos outros. Numa ocasião na qual John Lennon e Paul McCartney estavam sendo entrevistados, ao ser perguntado sobre qual seria o melhor cantor americano, John Lennon respondeu: "Harry Nilsson"! Em seguida, o reporter perguntou qual seria a melhor banda americana e Paul respondeu: "Nilsson"! Durante 1973, quando John Lennon andava por Los Angeles, California, e temporariamente separado de Yoko Ono, Lennon formou uma parceria com Nilsson em alguns projetos alternativos, incluindo o álbum "Pussy Cats" (1973). Nilsson, ainda criou e atuou em uma comédia cinematográfica de sua autoria junto com Ringo Starr, "Son of Dracula" (O Filho de Drácula), pela Apple Films, em 1974, projeto esse que se fez acompanhar de outro LP do mesmo nome com sua trilha sonora.
Talvez um pouco da demasiada diversificação de seu talento criativo tenha colaborado com uma diluição em sua capacidade criativa máxima. Eventualmente, outros problemas foram surgindo. A morte de seu amigo e baterista do The Who, Keith Moon, em seu apartamento em Los Angeles o deixou muito abalado e aos poucos Nilsson foi se afastando da vida pública como músico. Ele foi, um pouco como John Lennon, dedicar-se à vida de casa, à sua esposa e seus sete filhos. Logo, sua carreira de celebridade foi-se evaporando, os anos passando, até que em 1993 sofreu um ataque do coração. Então, logo após sua recuperação, resolveu voltar e recomeçou a compor e tocar, pouco a pouco. Porém, no ano seguinte, subitamente seu coração não resistiu e, em 15 de janeiro de 1994, Harry Edward Nilsson III, faleceu.
Foram muitas as celebrações por sua vida, comemorada por vários grupos musicais que homenagearam um grande músico e artista americano. Nilsson havia tocado com os maiores nomes da música pop/rock do século XX. E ele deixou sua marca forte, com o nítido reverberar de sua talentosa voz. Sua interpretação de "Without You," versão do sucesso do grupo BADFINGER, foi, sem dúvida seu maior sucesso, perpetuou-se não só em filme, mas novamente acompanhando várias outras produções de diferentes companhias que seguiram após sua morte.
Em 1974 o músico Harry Nilsson, intérprete de Everybody’s Talking, trilha do Midnight Cowboy, e de outros sucessos como Without You de 1971, lançou o álbum Pussy Cats, numa reinvenção da sua própria música. O trabalho foi todo produzido pelo amigo John Lennon, que também fez backing vocal para Nilsson, num exemplo de humildade e amor pela música. O dedo de Lennon está no disco todo, na melancolia, nas guitarras rasgadas e na influência das letras doloridas, como Don’t forget me e All my life. O álbum começa inusitadamente com uma letra de Jimmy Cliff "Many Rivers to Cross", que posteriormente foi regravada por Joe Cocker. Bob Dylan também está presente com um rock mais pesado no arranjo de Lennon para "Subterranean Homesick Blues".
Pussy Cats é triste e combatente, uma explosão criativa. Harry Nilsson foi sumindo da cena musical depois da morte em sua casa do seu grande amigo Keith Moon, baterista do The Who. Levado pela tristeza e depressão, Nilsson parou para se dedicar à família. Em 1993 sofreu um infarto e após sua recuperação ensaiou um retorno às composições, até que no dia 15 de janeiro de 1994 seu coração parou de vez.
No CD especial relançado em 1999 mais quatro faixas foram incluídas: Down By The Sea, The Flying Saucer Song, Turn Out The Light e Save The Last Dance For Me. Supreendentemente, um sucesso de Bill Halley está presente no disco, é "Rock Around The Clock". A versão de Nilsson e Lennon mostra como eles estavam antenados nos movimentos musicais emergentes na década de 70. Rock Around The Clock virou quase um punk rock ao estilo dos Ramones, com leves tons de rockabilly.

You Can't do That, dos Beatles, foi regravada por Harry Nilsson numa versão muito legal em seu álbum Pandemonium Shadow Show de 1967 que colocou nela referências de outras músicas dos Beatles como She's a Woman, I'm Down, Drive My Car, You’re Going To Lose That Girl, Good Day Sunshine, Rain, Day Tripper, Paperback Writer, Yesterday e Strawberry Fields Forever. Conta a lenda que John Lennon ouviu essa versão por dezenas de horas. Então chamaram Nilsson para um encontro em Londres, para ajudar a melhorar sua carreira. Aí começou uma amizade entre Nilsson e os Beatles, principalmente John Lennon e Ringo Starr, que durou anos.
Aqui, a gente confere um pequeno trecho do livro “A Balada de John & Yoko” de 1983, do capítulo onde Nilsson relembra o início da amizade com John Lennon:

No início de 1968, antes mesmo de ter gravado meu primeiro disco (Pandemonium Shadow Show), eu trabalhava na cen­tral de computadores de um banco... mas também tinha um pequeno escritório na RCA Records. Um dia eu estava sentado no escritório quando recebí o telefonema de alguém que me falou de uma grande entrevista coletiva de impren­sa dos Beatles em Londres anunciando a formação da Apple - a segunda maior entrevista coletiva de imprensa desde a II Guerra Mundial! -, e que quando foram indagados quanto ao cantor favorito deles disseram que era eu, e quando perguntados quanto ao grupo favorito disseram que era eu. O que tinha acontecido é que Derek Taylor (chefe do departamento de imprensa dos Beatles) — que é uma pes­soa forte e persuasiva, o homem mais inteligente que já conheci, uma espécie de Ronald Colman com ácido! — tinha levado meu disco para Inglaterra e mostrado para John. A história que ouvi foi de que eles ficaram ouvindo o disco vinte e quatro horas, viajando de ácido perto de um lago. Pouco tempo depois, numa segunda-feira de manhã, às sete horas, recebi um telefonema:
- É o Harry? Aqui é John.
- Que John?
- John Lennon.
- Hum?
- O seu disco é fantástico, cara. Eu só queria dizer que você é grande. Bom, você também não é nada mau. Nem sei o que dizer.
- Bom, você também não é nada mau. Nem sei o que dizer.
- É isso aí. Eu só telefonei pra dar um alô.
Na segunda-feira seguinte, às sete, Paul ligou.
- Harry? Aqui é o Paul.
- McCartney?
- É. Eu só queria dizer que você é ótimo, cara. Adorei aquela música (fosse qual fosse).
- Muito obrigado, cara.
Assim, na segunda-feira seguinte, esperando que Ringo ligasse, acordei, tomei banho, vesti minhas roupas inglesas... e é claro que ninguém telefonou. Fiquei muito desapontado! Mas de repente eu era o fabuloso Beade loiro dos EUA, uma pessoa mítica, e começaram a me contratar para fazer shows.
Depois Derek me telefonou e perguntou se eu queria ir para Londres assistir a uma das sessões de gravação dos Beatles: “Ir para Inglaterra? Londres, In­glaterra?” Na noite que cheguei fui apanhado pelo Mercedes 600, branco de Ringo, e disse: “Uau!”. Além do mais havia um maço de Lark no assento tra­seiro, que por acaso é a marca que eu fumo e pensei: "Esses caras são mesmo mágicos, sabem até a marca de cigarro que eu fumo!” (Acontece que Ringo também fumava Lark.) Então a primeira coisa que fiz foi parar na butique da Apple e comprar uma jaqueta só pra ficar por dentro das coisas, depois fui levado até a Apple, onde as pessoas estavam usando botões e emblemas dizendo Nilsson está aqui. (Parte da minha paranóia me dizia que aquilo era uma piada.) Era uma verdadeira e total loücura, os Hell’s Angels estavam lá e de repente as pessoas começaram a jogar haxixe na privada e puxar a descarga (“Os tiras estão aí fora, fiquem calmos!”). Depois fui levado até Tittenhurst, onde o Ringo mora atualmente, mas que na época era a casa de John, Exatamente naquele dia Cynthia tinha saído e Yoko tinha entrado na casa, e nós'passamos a noite inteira sentados no chão conversando sobre o que era ser divorciado, pois eu também tinha me divor­ciado recentemente. Yoko pegou no sono, entediada, mas eu não a culpo. Na época, eu não entendia o que John estava fazendo com elaf— eu ainda não tinha percebido seu senso de humor (depois ela costumava me chamar de Lei­teiro e eu a chamava de Saco de Risadas) —, mas isso porque eu realmente queria conhecer o John. 
No dia seguinte de manhã — nós ainda estávamos acordados e a Yoko ainda dormia perto do sofá, enrolada aòs pés de Johngr- fomos até a cozinha prepa­rar o café, e não havia muito o que dizer. John me mostrou sua versão lenta ou rápida de Revolution — não me lembro qual delas ^Sje toquei para ele meu novo disco, Aerial Ballet. Mr. Ricbland’s Favqrite Song ioi a música que John gostou mais. Depois reparei no casaco indiano de pele de carneiro e^do^ rados escrito “I Am the Walrus” pendurado num cabide. Admirei o ‘casaco e, ele disse:
- Toma, pode ficar com ele.
- Não, não, não, é muito curto.
- Ah, fica com ele.
E eu fiquei, e mais tarde dei para minha irmã, que colocou o casaco num cofre.

Não deixe de conferir também: JOHN LENNON E A CONFUSÃO NO TROUBADOUR CLUB

5 comentários:

Benilson Silva disse...

Ele encaixa bem "Drive Nte Car" com bit; bit, bit yeê.

Marcio Pereira disse...

Um dia vou ter esse disco.

Valdir Junior disse...

Uma das coisa que me arrependo e ter perdido a chance ter comprado o CD "Pussy Cats" por uma ninharia numa loja há uns 20 anos atrás.

Júlio disse...

Esse Nilson era muito "doidão". E o fim de semana perdido de John foi muito agitado, a gente percebe pelas companhias dele.

carlos marangon disse...

Gostava do Nillson,tenho em vinil o Pussy Cats que eh um disco muito bom apesar que ficou parecido com os discos do Lennon dessa fase,talvez porque tenha usado os mesmos músicos de Mind Games e Walls e alguns tipos de arranjos semelhantes. Tenho também o Everybodys Talking um dis primeiros compactos duplos que comprei,