sábado, 18 de junho de 2016

ESPECIAL JAMES PAUL MACCARTNEY - 1973

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James Paul McCartney é o título de um programa especial de televisão de 1973 feito pela ATV, produzido e estrelado por Paul McCartney e sua banda Wings. Foi primeiro transmitido nos EUA em 16 abril de 1973 pela rede ABC e mais tarde foi transmitido no Reino Unido em 10 de maio de 1973. Este especial foi produzido a pedido de Sie Lew Grade, diretor da ATV. A direção do programa ficou a cargo de Gary Smith e a produção, a Dwight Hemion, que mais tarde ficariam responsáveis pelo especial Elvis In Concert.

O especial foi dividido em onze partes diferentes, cada um delas apresentando canções de McCartney, tanto a sua carreira com os Beatles e como artista solo. 
Parte 1 - O programa abre com uma performance “ao vivo” dos Wings na frente de uma platéia de telas de televisão. Eles tocam Big Barn Bed enquanto vão aparecendo os nomes de seus integrantes; Parte 2 - Um medley acústico das músicas é feito por Paul durante uma sessão fotográfica com a esposa Linda. Canções: Blackbird, Bluebird, Michelle, Heart of The Country. Parte 3 - Num local ao ar livre, McCartney apresenta a versão de "Mary Had a Little Lamb". Parte 4 - Os Wings estão no estúdio de televisão acompanhados de uma orquestra na frente de uma platéia ao vivo. Tocam “Little Woman Love”, “C Moon” e “My Love”. Parte 5 - Agora é a vez de "Uncle Albert / Admiral Halsey". Parte 6 - Paul fala sobre sua família e os apresenta junto às famílias dos Wings em um pub em Clelsea perto de Liverpool . Canções: “April Showers”, “Pack Up Your Troubles in Your Old Kit-Bag”, “You Are My Sunshine”. Parte 7 - “Busby Berkeley” estilo de número musical, com bailarinos vestidos com trajes metade homem, metade mulher. Canção: “Gotta Sing Gotta Dance”. Parte 8 – É o “ponto alto” do especial. Os Wings quebrando o pau com “Live And Let Die", faixa-título do filme de James Bond - 1973. Parte 9 - Beatles Medley: um segmento filmado com os transeuntes de rua cantando várias canções dos Beatles.Canções: "When I'm 64", "A Hard Day's Night", "Can't Buy My Love", "She Loves You", "Ob La Di, Ob La da", "Yesterday", "Yellow Submarine". Parte 10 - Outra performance ao vivo em estúdio com os Wings.Canções: "The Mess", "Maybe I'm Amazed", "Long Tall Sally" (somente nos EUA. N o Reino Unido e outros mercados europeus foi substituída por "Hi Hi Hi". Parte 11 - Performance acústica de "Yesterday". Começam a aparecer os créditos.

A recepção da crítica ao programa foi muito negativa e severa. O "Melody Maker" declarou: "McCartney sempre teve um olho e uma orelha no romantismo, e nada de errado com isso, mas aqui ele muitas vezes perdeu o controle e esse romantismo se torna mais queimado e mais tolo do que nunca". Críticas à parte, já que eles nunca vão entender mesmo, o programa especial James Paul McCartney é um prato cheio para fãs e admiradores.

LENNON & McCARTNEY - A DUPLA DO SÉCULO

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A dupla Lennon/McCartney tornou-se lendária com as composições mais bem sucedidas da história da música. Os dois criaram os Beatles. Juntos com George Harrison e Ringo Starr, eles formaram a maior e mais conhecida banda de todos os tempos.

A parceria artística entre John Lennon e Paul McCartney é uma das colaborações musicais e culturais mais conhecidas e mais bem sucedidas da história. Entre 1962 e 1969, escreveram e publicaram cerca de 180 canções creditadas, das quais a maioria foi gravada pelos Beatles e constitui a maior parte do seu catálogo. Ao contrário de muitas parcerias que compreendem composições separadas letrista e compositor, tanto John Lennon e Paul McCartney escreveram letra e música juntos, muitas vezes no entanto, as canções eram principalmente o trabalho de apenas um dos dois autores creditados.

"Lennon / McCartney". Esta foi a designação de assinatura mais comum das músicas gravadas pelos Beatles que foram compostas por John e Paul, juntos ou separados. Os dois fizeram um acordo quando dos primórdios da formação da identidade do que viria a ser "The Beatles". A ordem dos nomes foi proposta por John e aceita por Paul. Assim funcionou a parceria, sem nenhum trauma (visível) ou discordância até a dissolução do grupo em 1970.
A mágica dos Beatles, impressiona ainda hoje, mais de quarenta anos depois do fim da banda. “She Loves You”, “I Want To Hold Your Hand”, “A Day In The Life” e tantas outras... são apenas alguns exemplos das músicas que a dupla compôs e que fazem sucesso até hoje. O sucesso dos Beatles tornou-se atemporal.
Porém, nem sempre os gênios se entendiam e com o passar dos anos, era cada vez mais raro a dupla compor junto. Não havia espaço o suficiente para dois “egomaníacos”. Com a aparição de Yoko Ono, o grande amor da vida de John, o clima foi ficando cada vez mais tenso entre todos os integrantes da banda. Lennon se afastava cada vez mais e Paul ia tomando a frente dos Beatles.
Muitos fãs acreditam que essa relação de amor e ódio era explícita em algumas músicas como em “Don’t Let Me Down”, onde John pedia a Paul para não desapontá-lo, pois ele (John) estava amando pela primeira vez e que dessa vez seria para sempre. A resposta viria em “Oh! Darling” onde Paul cantou que nunca o deixaria (“I’ll never let you down”).

Como todos bem sabem, o fim dos Beatles foi traumático para todos, com Paul processando os outros três. John Lennon estava furioso! Então, o barraco veio a público através do que sabiam fazer melhor: música. Lennon lançou o álbum “John Lennon / Plastic Ono Band” que atingiu ao oitavo lugar nos Estados Unidos e o sexto, na Inglaterra. Já Paul lançava “McCartney” que foi mais bem sucedido e chegou ao primeiro lugar nos EUA e ao segundo, na Inglaterra. Com isso, Lennon estava convicto que "sua arte era pérola jogada aos porcos" e os fãs eram uns "idiotas filhos da puta!". McCartney, por sua vez, não era santo e daria suas alfinetadas também à sua maneira: doces, mas com duas gotas de veneno como em "Too Many People", "Dear Friend" e "Let Me Roll It". Porém, nada que se comparasse ao maior petardo lançado por Lennon: "How Do You Sleep?" do álbum Imagine. Nessa música, Lennon bombardeava o ex-companheiro afirmando que sua música era "musak" (brega, música ambiente) e que a única coisa que Paul tinha feito era "Yesterday" (a música mais regravada da história!) e que seu rostinho bonito poderia durar um ano ou dois. E mais terrível ainda: tendo George Harrison como guitarrista!
Ao ser perguntado sobre a troca de farpas entre os dois, Lennon encerrou o assunto dizendo: “É o meu melhor amigo. Eu não posso brigar com um amigo meu?”.
Após a morte de John, Paul foi severamente criticado pela “frieza” com que recebera a notícia, mas em entrevista à “Playboy” em 1984, disse que ficou assistindo ao noticiário naquele dia e que chorou a noite inteira. Paul fez parte do tributo de George Harrison a John na música “All those years ago”, junto de Ringo Starr.
Já em “Here Today”, música que Paul compôs para Lennon, ele canta: “I still remember how it was before / And I am holding back the tears no more / I Love You” (Eu ainda lembro como foi antes / e eu não estou mais segurando as lágrimas / eu te amo). Em "Mind Games" John Lennon dizia que o amor era a resposta (“Love is the answer”) e em se tratando dessa dupla, dessa relação de amor e ódio, definitivamente, essa é a resposta.
De todas as músicas assinadas por Lennon/Mccartney, é óbvio que nem todas foram necessariamente compostas pelos dois. Algumas músicas ainda foram gravadas com esta assinatura em projetos individuais dos dois: "Give Peace a Chance" e "Goodbye", por exemplo. Nos dias de hoje sabe-se, através de entrevistas dadas pelos dois compositores, quem compôs o quê e em quais músicas realmente houve a participação efetiva dos dois.

Paul McCartney já propôs a troca da ordem dos nomes para McCartney/Lennon nas músicas compostas por ele. Yoko Ono, disse não! Mesmo assim, as faixas dos Beatles que entraram em seu álbum "Back In The USA", aparecem dessa forma. Na contracapa e no selo de "Please Please Me" as músicas aparecem creditadas a McCartney / Lennon, em vez da forma tradicional como ficou mundialmente conhecida.
"And in the end... the love you take is equal to the love... you make". É isso! Pra encerrar, a gente confere um capítulo do livro "Love Me Do" de Paolo Hewitt sobre o especial de TV "The Music of Lennon and McCartney", que foi transmitido no dia 17 de dezem­bro de 1965."Em 1965, Johnnie Hamp, assim como o resto do país, estava fascinado e intrigado pelo fenômeno conheci­do como beatlemania. E, como o resto do mundo, ele era um grande fã da banda. Hamp chegara à posição de chefe de entretenimento leve da TV Granada e sabia que o grupo se afogava em convites. Para ter a aprovação da banda, o projeto teria de ser estiloso, com seus altos padrões. Foi assim que se concebeu a ideia de um pro­grama apresentado por John e Paul, mas des­tinado a trazer outros artistas cantando as composições da dupla. Hamp passou a bola para o grupo. A televisão raramente honra­va a música popular dessa maneira, e os ra­pazes rapidamente deram sua aprovação. Indagados se desejavam sugerir artis­tas, o grupo pediu Ella Fitzgerald, cuja ver­são de “Can’t Buy Me Lave” dera aos Beatles uma presença inesperada no mundo do jazz. Infelizmente a cantora não estava disponí­vel para participar. Entre os que poderiam. estavam o compositor cinematográfico Henry Mancini. a dupla Peter e Gordon, Dick Rivers (roqueiro da França que cantou uma versão de “Things We Said Today" em francês), Esther Phillips, Lulu, Peter Sellers, Cilla Black, Billy J. Kramer e Marianne Faithfull. O programa ressaltou a grande versati­lidade da composição de Lennon e McCartney — "She Loves You", “A Hard Day’s Night" e “We Can Work It Out" representando a habi­lidade de criar canções altamente contagiantes, e “Yesterday", em especial, exibindo um lado mais maduro e profundo. O programa foi realizado num momento em que o LSD ainda não afetara fortemente as composições de John. No mês de abril do ano seguinte, eles começariam a gravação do disco Revolver, obra que os levaria a um patamar completamen­te novo de excelência artística. 0 programa de TV, então, demarcaria de muitas formas o fim dessa primeira fase do jeito de com­por. principalmente de John. Existe apenas um relato testemunhal sobre os dois músicos compondo antes do LSD, encontrado no livro A vida fantástica dos Beatles (1964), de Michael Braun. Ele teve per­missão para acompanhar a dupla escreven­do a canção “One and One Is Two" para o cantor Billy J. Kramer. Quando a sessão co­meçou, Paul estava ao piano e John ao vilão. Paul escreveu os primeiros versos e os can­tou para John. George enfiou a cabeça pela porta e sugeriu a remoção de um dos versos repetidos; John concordou e passou a ava­liar outras palavras que seriam adequadas à canção. Então, John assumiu o piano e Paul pegou o violão. Eles gravaram três vezes a canção finalizada antes de Paul gravar um recado para o editor Dick James. Enquanto isso, ouvia-se John falar: “Será o fim de Billy J, quando ele gravar essa música". A ambição inicial de Lennon e McCartney na vida era estar à altura da excelência artís­tica da dupla de compositores Gerry Goffin e Carole King, cujas cançòes eles adoravam. Quando deram inicio à parceria, seu estilo de trabalhar era criar cançòes de um jeito cal­culado. Nunca pensavam em produzir mú­sicas expressando sentimentos pessoais. Mais tarde, John diria ter guardado as reflexões pessoais para seus livros, In His Own Write (1964) e A Spaniard in the Works (1965), mas até estes pensamentos tiveram seus sig­nificados obscurecidos pelos trocadilhos. É por isso que as primeiras cançòes dos Beatles eram dirigidas diretamente aos fãs — "Love Me Do". "She Loves You", “From Me to You”, "All My Loving". Agindo dessa forma, eles compunham canções que cada fã poderia pensar ter sido escritas pessoal e exclusiva­mente para si. John viria a confessar: “Eu ti­nha um John Lennon separado, que escrevia músicas para conquistar, e não creio que as letras tenham profundidade nenhuma, eram apenas uma piada". As antenas dos rapazes eram aguçadas, atentas e captavam todos os tipos de influên­cias. “Please Please Me", de Lennon, foi ins­pirada em "Please", de Bing Crosby, datada de 1932, na qual o cantor vivia intercambiando as palavras "please" ("por favor") e “pleas" (“apelos"). "Run for Your Life", de John, foi inspirada num verso da canção "Baby, Let's Play House", de Elvis Presley. Naturalmente, outros músicos os inspiraram. John sempre tentava igualar-se a Smokey Robinson, um de seus ídolos, e a banda vivia querendo com­por uma autêntica canção da Motown. O estilo de compor de John mudou de­pois que ele ouviu Bob Dylan e passou a ado­tar uma abordagem mais pessoal. Suas can­çòes “You’ve Got to Hide Your Love Away’, “Help!" e “I’m a Loser" sinalizavam essa no­va direção, e sua canção “Nowhere Man’ tem a distinção de ser a primeira dos Beatles a nào falar de amor. Duas pessoas da mídia também tiveram seu papel no progresso de Lennon. A jornalis­ta Maureen Cleave questionou por que suas canções nunca tinham palavras com mais de duas sílabas. Ele respondeu compondo “Help!” e deliberadamente inseriu palavras como “independence" (independência) e “appreciate" (agradecer,valorizar). Outra in­fluência veio do apresentador de TV Kenneth Allsop. Ele se impressionou com o livro de John In His Own Write e questionou porque ele explorava sentimentos profundos na palavra impressa, mas não nas canções. Lennon assimilou a crítica e respondeu com “I’m a Loser", uma confissão espantosa para um Beatle sorridente no auge da fama. Essa li­nhagem de composições atingiu o ápice com "In My Life”, que apresenta uma melodia bo­nita e vocal saudoso e contido, evocando de forma brilhante o passado de John, seus ami­gos, sua família, sua Liverpool. McCartney sempre foi mais objetivo. Suas primeiras canções se atinham mais às manhas do mercado e, caso ele ultrapassas­se essas fronteiras, geralmente era em rea­ção a John. Quando o parceiro compôs “I’m a Loser”, Paul revidou com “I’m Down”; quan­do John veio com “In My Life”, Paul escreveu “Penny Lane”, também examinando seu pas­sado em Liverpool. Ao contrário de John, Paul às vezes pe­nava com as palavras, mas compensava com melodias extraordinárias. Trata-se do homem que acordou com a melodia de “Yesterday" na cabeça, convencido de ser da autoria de outra pessoa, de tão familiar que ela soava. Somente essa canção, regravada por milha­res de artistas, garantiría a qualquer pessoa um lugar entre a nata do meio musical. Quan­do se descobre que a canção “Michelle” foi composta durante a adolescência e tocada como piada nas festas beatnik em Liverpool, a admiração só pode crescer. Musicalmente, os Beatles nasceram nu­ma época e num local que vieram bem a ca­lhar. Liverpool é uma cidade musical. En­quanto cresciam, havia centenas de locais que ofereciam música ao vivo de todos os es­tilos. A música brotava dos bares e das boates tanto quanto os bêbados. Os quatro Beatles absorveram toda essa música e foram pro­fundamente influenciados por ela — o que significa que eles absorveram country, jazz, blues, R&B antigo e suingue. McCartney tam­bém prestava atenção na música que o pai tocava em casa. Jim McCartney adorava os clássicos das décadas de 30 e 40, e o filho muitas vezes empregaria tais aparatos e sons na própria obra. Com John se deu o mesmo. “Honey Pie” e “Good Night”, do disco duplo The Beatles, são apenas dois exemplos. A natureza intolerante da cultura jo­vem da música (sou roqueiro, então não vou escutar soul; sou mod, então não ouço Elvis) não afetava os Beatles. Eles adoravam músi­cas de todos os tipos e naturezas, e, ao alinhar o talento com a música do passado absorvi­da inconscientemente, foi possível forjar um estilo e som singulares. O programa The Music of Lennon and McCartney foi transmitido no dia 17 de dezem­bro de 1965. Poucos poderiam ter previsto que os dois artistas que apresentaram os nú­meros e depois tocaram uma nova canção, “We Can Work It Out”, estavam prestes a levar sua música a outro patamar com “Revolver”, ál­bum tido por muitos como o melhor deles — e, portanto, como o melhor da história." http://www.vandohalen.com.br/wp-content/uploads/2014/12/

IMAGEM DO DIA - JOHN LENNON

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O DIA QUE JOHN LENNON SURTOU

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Há 51 anos, na festa de aniversário de 21 anos de Paul, um velho amigo da banda, Bob Wooler, que era DJ do Cavern Club e apresentou os Beatles a Brian Epstein, fez comentários maldosos sobre a viagem de John e Brian à Espanha.
John Lennon, que estava bêbado e agressivo, avançou sobre Bob Wooler e o socou e chutou várias vezes. "Ele me chamou de bicha e, então acertei suas costelas", declarou John. Depois de bater em Bob Wooler, John também agrediu uma mulher que estava próxima a eles. Quando Billy J. Kramer tentou intervir, John gritou: "você é um nada, Kramer, e nós estamos no topo!". Brian Epstein levou Bob Wooler ao hospital para tratar de seu olho e verificar se havia alguma costela quebrada. John comentou: "A primeira cobertura nacional dos Beatles foi a surra que dei em Bob Wooler durante a festa de aniversário de Paul, pois ele havia insinuado que eu era homossexual, por isso bati nele daquela forma. É difícil entender o que aconteceu. Estava muito bêbado e o espanquei. Poderia realmente ter matado alguém e isso me assustou... o incidente saiu na última página do Daily Mirror". Bob Wooler trabalhou no Cavern até 1966 e morreu em 2002 aos 82 anos.

JOHN LENNON - HOW DO SLEEP - COMO VOCÊ DORME, PAUL?

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sexta-feira, 17 de junho de 2016

THE BEATLES - I WANT TO HOLD YOUR HAND - LIVE IN WASHINGTON

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GEORGE HARRISON - BRAINWASHED - THE LAST ALBUM

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"Brainwashed" foi o 11º é último álbum de estúdio do nosso querido George Harrison e esta semana comemora (já) seu 10 º aniversário. O álbum foi lançado em 18 de novembro de 2002, quase exatamente um ano depois da passagem do Dark Horse por este mundo material. "Brainwashed" é realmente uma bela coleção de canções escritas por George Harrison, e tecnicamente um conjunto póstumo, já que foi lançado quase um ano após a morte do lendário compositor, que sucumbiu depois uma longa batalha épica contra o câncer. As músicas são cheias de progressões de acordes ágeis, bom gosto de slides de guitarra solos, harmonias vocais e quentes - mas "Brainwashed" não existiria se não fosse os esforços do produtor-multi instrumentista (e colaborador de Harrison de longa data) Jeff Lynne e Dhani Harrison, único filho de George. As sementes de "Brainwashed" foram plantadas em 1988, quando Harrison escreveu originalmente "Any Road", canção que "nasceu" durante a sessão de gravação do vídeo "This Is Love" do seu álbum "Cloud Nine", de 1987. O amigo e produtor Jeff Lynne havia recuperado para George, sua posição comercial e de crítica, e seguiu-se o projeto formando o supergrupo "Traveling Wilburys" (junto com Bob Dylan, Roy Orbison e Tom Petty), que lançou dois álbuns ao longo dos próximos anos. Por todo esse tempo, "Brainwashed" permaneceu "guardado", e seu progresso natural foi interrompido pelo de diagnóstico de que Harrison estava com câncer na garganta em 1997, e depois que ele sofreu um ataque de faca de um fã mentalmente instável em 1999. A doença se espalhou rapidamente para os pulmões e, finalmente, o cérebro, quando Harrison ainretomou sua música, mantendo instruções específicas sobre como as músicas e produção deveriam ser realizadas, mesmo gravando melodias vocais destinados como arranjos de cordas. Após a morte de Harrison, em 29 de novembro de 2001, Lynne e Dhani Harrison assumiram a produção do álbum e completaram as músicas da forma como Harrison havia solicitado.

Apesar de ser um disco póstumo, "Brainwashed" nem por um segundo - se parece com uma estranha colcha de retalhos como muitas vezes ocorre com outros artistas. Lynne, normalmente conhecido por suas grandiosas produções sinfônicas com a ELO, manteve as músicas quase como foram escritas, permitindo que o charme sem pressa e o bom humor elegante da escrita de Harrison respirassem livremente - como "P2 Vatican Blues" ou a suavemente atmosférica "Stuck Inside a Cloud." "O álbum foi muito catártico para mim", Dhani Harrison disse durante uma entrevista em 2002. "Foi feito no momento certo. Eu lidei com muito do presente, como aconteceu e nunca me esquivei de qualquer realidade do que estava acontecendo ao longo dos últimos anos. Fazer as gravações foi ótimo e maravilhoso e muito triste também ... Foi uma coisa muito positiva tê-lo feito logo após sua morte. " Apesar de já ter se passado uma década desde seu lançamento, "Brainwashed" continua sendo um excelente álbum, melodioso e de raro bom gosto - um canto de cisne amoroso de um dos melhores talentos do rock.

Composto por 12 faixas, o álbum traz 11 canções inéditas e a regravação de "Between The Devil And The Deep Blue Sea", ‘standard’ de Harold Arlen e Ted Koehler, de 1930, destacando "P2 Vatican Blues (Last Saturday Night)", "Rising Sun" e "Never Get Over You", canções que mais se aproximam de sua obra prima de 1970, o clássico "All Things Must Pass", além de "Stuck Inside A Cloud", primeiro ‘single’ de "Brainwashed" e claro, da faixa título. "Brainwashed", acabou se tornando um de seus melhores trabalhos. Iluminado por enorme serenidade e leveza, o CD revela a atitude única de George diante da morte – chega a dar a impressão de que ele canta as músicas sorrindo. No final, ele faz ecoar o mantra: “Shiva Shiva Shankara Mahadeva".

Participaram efetivamente em todas as faixas: George Harrison - Vocais, guitarra solo, guitarra base, guitarra slide, violão, baixo, ukelele, dobro, teclados, percurssão e backing vocals; Jeff Lynne - Baixo, guitarra elétrica, violão, piano, teclados e backing vocals; Dhani Harrison - Violão, piano elétrico e backing vocals e Jim Keltner - Bateria. E também os músicos adicionais: Mike Moran - Teclados (Pisces Fish); Marc Mann - Teclados (Pisces Fish), arranjo de cordas (Marwa Blues); Ray Cooper - Percurssão (Marwa Blues), bateria (Between the Devil and the Deep Blue Sea); Jools Holland - Piano; Mark Flannagan - Violão solo; Joe Brown - Violão; Herbie Flowers - Baixo e Tuba (Between the Devil and the Deep Blue Sea) e Bikram Ghosh - Tabla, Jon Lord - Piano; Sam Brown - Backing vocals, Jane Lister - Harpa e Isabela Borzymowska - leitura de "How To Know God" (The Yoga Aphorisms of Patanjali) na faixa-título "Brainwashed".

quinta-feira, 16 de junho de 2016

POPSTARS SE SOLIDARIZAM COM AS VÍTIMAS DA TRAGÉDIA NA BOATE GAY

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Paul McCartney e Beyoncé homenagearam a comunidade LGBT, após o ataque terrorista deste fim de semana em um clube gay em Orlando, Flórida. Durante seu show em Berlim na terça-feira (14), o eterno beatle entrou no palco envolto em uma bandeira do arco-íris e disse à multidão: "Estamos juntos com Orlando." Beyoncé também se solidarizou. Ao fim de seu show em Detriot, nos Estados Unidos, mais próximo do local onde 49 pessoas morreram, a cantora dedicou "Halo" às vítimas e suas famílias O atentando aconteceu na madrugada do último domingo (12), quando um homem armado chamado Omar Mateen abriu fogo contra o público de uma boate gay em Orlando, na Flórida (EUA), matando ao menos 49 pessoas, no pior ataque a tiros da história dos Estados Unidos. Horas depois, a cantora Adele se emocionou ao dedicar seu show em Antuérpia, na Bélgica, às lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. "Eles são como minhas almas gêmeas, desde que eu era muito jovem, então eu estou realmente comovida por isto".
Ao mesmo tempo, Elton John lamentou a notícia pelo Twitter: "Nossos corações estão com todas as famílias e entes queridos daqueles que se foram em Orlando". "Eu nunca vou entender por que as pessoas odeiam. Não há palavras para expressar o quão triste meu coração está com essa tragédia em Orlando", disse Pharrell Williams.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

MORRE HENRY McCULLOCH - EX-GUITARRISTA DO WINGS

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http://www.katehorgan.ie/images/
Guitarrista parceiro de Paul McCartney e integrante de sua banda na década de 1970, Wings, Henry McCullough morreu nesta terça (14/6) aos 72 anos, em sua terra natal, a Irlanda do Norte. Após um infarto sofrido em 2012, ele passou a conviver com constantes problemas de saúde. O falecimento foi confirmado por sua esposa, Josie. McCullough viveu seu auge no começo dos anos 1970, quando integrou a banda Wings, do ex-Beatle Paul McCartney. “My Love” e “Live and Let Die”, hits absolutos do roqueiro, carregam solos de guitarra assinados pelo músico. O irlandês trabalhou dois anos com McCartney e saiu do grupo antes das gravações do disco “Band On The Run” (1973). Antes de se aproximar de McCartney, McCullough participou de turnês com Pink Floyd, Soft Machine, Joe Cocker and Grease Band e a banda de Jimi Hendrix. Ao lado do grupo de Cocker, participou do mítico festival Woodstock, em 1969. Em 1973, ele fez uma icônica aparição no disco “Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd. Na música “Money”, McCullough murmura a frase: “eu não sei, eu estava muito bêbado na hora”.McCartney prestou homenagem ao amigo nas redes sociais, postando uma foto da época dos Wings. Em nota publicada em seu site oficial, o Beatle elogiou o talento e o “adorável senso de humor” do guitarrista. “O solo que ele tocou em ‘My Love’ foi um clássico que ele criou na hora, diante de uma orquestra ao vivo”, completa o texto.

Não deixe de conferir aqui, a postagem sobre o melhor guitarrista de Blues do Wings em "HENRY MCCULLOCH - PROFISSÃO: GUITARRISTA".

PAUL McCARTNEY - BAND ON THE RUN - 2016

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Por Márcio Ribeiro - http://whiplash.net/

Este ano, o álbum Band On The Run está completando 42 anos de lançamento. Este é um disco dos mais especiais na carreira de Paul McCartney, e que efetivamente mudou esta carreira. Para quem não lembra, ou não estava vivo na época, o Beatle Paul não era mais o mesmo aos olhos do grande público e da maioria dos críticos. Apesar de seus discos em carreira solo venderem mais do que os de um artista comum, havia sempre a sensação de que estes primeiros trabalhos após o fim da dupla Lennon-McCartney, não estavam à altura de sua capacidade quando com os Beatles. Indiscutivelmente um ás quando se tratava de criar uma melodia que agradasse os nossos ouvidos, Paul continuava a conseguir colocar seus compactos nas paradas de sucesso. Seu primeiro album, chamado simplesmente de McCartney, apesar de atingir No.1 em vendas no ano de 1970, não teve nenhum lançamento em compactos, portanto nenhuma canção nas paradas. A canção “Maybe I’m Amazed” deste disco seria um sucesso sete anos mais tarde por conta de sua excursão americana em 1977. Sua primeira visita as paradas de sucesso na década de setenta foi com “Another Day”, que chegou a No.2 no UK e No.5 nos USA. “Uncle Albert/Admiral Hasley”, retiradas do album Ram, disco que chegou em No.2, só agradou o mercado americano, chegando ao topo das paradas da Billboard, mas foram completamente ignoradas em sua terra natal. Por outro lado, sua tentativa de se equiparar ao seu ex-sócio no quesito de canções com cunho político, encontrou em “Give Ireland Back To The Irish,” primeiro compacto dos Wings lançado em 1972, poucos aplausos. Ainda assim, a canção se posicionou entre os vinte mais no Reino Unido. O compacto sequer apareceu nas paradas americanas. Ao ser criticado por lançar algo tão político, sua resposta foi lançar uma ciranda infantil chamado “Mary Had A Little Lamb.” Ironicamente, a canção de fato agradou e foi erguido a um honrosso No.6 no Reino Unido e No.28 no amplo mercado americano. O curioso “Hi Hi Hi” foi outro lançamento que pouco ajudou o grande público a voltar a abraçar o artista como em outros tempos. Ainda assim, ganhou um No.5 no UK e No.10 nos USA, não exatamente posicionamentos para seu típico fracasso. Nenhum destes compactos foram retirados de material dos seus albuns, salvo “Uncle Albert/ Admiral Hasley.” O terceiro álbum, Wild Life, inaugurava a nova banda de Paul McCartney, o Wings. O disco atinge No.10 como sua pontuação mais alta. Apesar de não se tratar de um disco ruim, em termos de vendas, este recebeu a pior resposta do público para um de seus lançamentos. Novamente podemos lembrar que haveriam centenas de bandas que venderiam a alma por um No.10, mas de um nome como Paul McCartney, todos experam muito mais. O disco não ofereceu nenhuma canção para as paradas. Nada parecia agradar inteiramente a expectativa que se tinham para o Beatle Paul. A redenção começava exatamente em 1973. Primeiro foi com seu primeiro hiper mega sucesso, “My Love”, tranquilamente sua melhor composição desde “The Long And Winding Road.” A canção retirada do razoável disco, Red Rose Speedway, leva Paul McCartney novamente a No.1 nas paradas mundiais. Depois veio o também instigante compacto “Live And Let Die”, trilha sonora do filme homônimo do agente-secreto James Bond. Paul McCartney se torna o primeiro artista pop a contribuir com a canção tema para a serie, que chegou a curiosa posição de No.(00)7 na Inglaterra, e No.2 nos USA, perdendo apenas para “Touch Me In The Morning” de Diana Ross. A canção também faz parte de uma trilha sonora, Lady Sings The Blues, que conta a historia de Billy Holliday, e estrelada por Ross. Mas foi em dezembro, com Band On The Run que Paul McCartney conquistou todos, os seus criticos, como também o público geral, e não apenas os fãs do Paul ou os órfãos dos Beatles. Este é o disco que renovou a moral do artista e obrigou as pessoas a levar Paul e depois sua banda Wings, um pouco mais a sério. O album foi e voltou das paradas de sucesso tantas vezes que praticamente freqüentou as paradas durante todo o ano de 1974. Em seu primeiro pique, durante os meses entre dezembro e março, Band On The Run saiu em No.33 e chegou em seu auge ao No.7 no mês de fevereiro. Depois de uma queda, voltou a subir chegando a No.1 em abril. Tudo isto sustentado em parte, na força do compacto “Jet/Let Me Roll It.” O álbum caiu novamente retornando mais uma vez a No.1 em junho após o lançamento de outro compacto, “Band On The Run/Zoo Gang.” O álbum desceria para No.2 e então retornando pela terceira vez a No.1 em julho, já seis meses após seu lançamento. Depois disto, o album conseguiu ficar dependurado nas paradas em diversas posições entre os cem mais até novembro. Despencou mais ainda permanecendo nas paradas de sucessos entre os 200 mais, até desaparecer definitivamente em 199o lugar em maio de 1975. Isto quer dizer que o album permanesceu nas paradas de sucesso interruptamente durante dezesseis meses, um feito que não é visto muitas vezes. Curioso é que, ao analisar as questões envolvidas na gravação do disco, este, de todos os outros discos, foi o que encontrou a maior quantidade de dificuldades e portanto, seria teoricamente o mais apto a fracassar. Alguns dos envolvidos no projeto concluem que foram justamente estas ditas dificuldades que uniram o grupo para produzir cada um, o seu melhor. Problemas começaram a partir dos ensaios, que foram iniciados no final de julho de 1973, pouco depois da excursão inglêsa dos Wings, que promovia o álbum Red Rose Speedway. A banda nesta ocasião era formado por Paul e Linda McCartney, ex-Moody Blues Denny Lane, ex-Grease Band Henry McCullough e baterista Denny Seiwell, um americano que Paul e Linda conheceram em Manhatten supostamente pedindo esmola na rua. Os ensaios foram realizados na fazenda dos McCartneys em Campbeltown, na Escócia. Logo na primeira semana de ensaios, a relação entre Paul e Henry, que já andava estressado durante a excursão, voltara a ser tensa. Henry McCullough cansado das exigências musicais do Paul, sempre determinando como tudo tem que ser feito, abandonou o ensaio, deixou a fazenda, a Escócia e não olhou para tras. Embora um pouco irritado com o ocorrido, Paul sabia que para gravar o novo disco, ele poderia tranquilamente dividir com Denny Lane os solos e que tudo estava contornável. Pensando em uma mudança de cenário, McCartney pediu à EMI uma lista de seus estúdios pelo mundo afora. Na lista, considerações cairam para Bombaim na India, Beijing na China, Rio de Janeiro no Brasil e Lagos na Nigeria. Ganhou a Nigéria simplesmente pelo fascínio de se gravar na Africa. Sessões foram marcadas para setembro, mas na véspera de viajar, o baterista Denny Seiwell telefona para dizer que ele não vai. A ideia de gravar na Nigéria lhe pareceu demasiadamente esdrúxula, talvez. Paul resolve então assumir a bateria e o grupo, agora um trio, viaja assim mesmo, aterrisando em Lagos no dia 30 de agosto.

Ao chegarem em Lagos, logo perceberam quão mal planejado fora todo o projeto. Descobriram que o país estava sobre domínio militar já fazia sete anos e que soldados com metralhadoras poderiam ser encontrados em qualquer ponto da cidade. Viram um grande numero de pessoas pedindo esmola, mas o que lhe parecia mais absurdo era que muitos destes eram leprosos, andando no meio do povo. Ficaram chocados ao encontraram varias valas com esgoto a céu aberto ao lado das ruas. Rapidamente perceberem também que absolutamente nada era resolvido sem molhar a mão de alguém. O clima de Lagos também foi motivo para desânimo. Setembro sendo véspera da estação de chuvas, o calor era insurportável e isto teve seqüelas. Certa noite Paul não conseguiu encontrar ar. Ele foi para a rua tentar respirar ar puro mas era uma noite de calor tão abafada que ele acabou desmaiando. Linda o acudiu, apavorada pensando que ele estivesse morto. Levado a um hospital, o médico, sem encontrar motivo para alarde, apenas recomendou que Paul pare de fumar ou pelo menos diminua consideravelmente o seu hábito. Em Londres, um médico concluiu que ele sofrera de um espasmo dos brônquios. Todas essas coisas trouxeram uma certa tensão para o projeto, mas o pior ficaria para o primeiro dia de trabalho. O estúdio da EMI ainda não estava completamente construido, iniciando uma caça à microfones, necessidade de molhar a mão das pessoas para acelerarem a construção da cabine a prova de som, e terminar de instalar a fiação da mesa de som. Com o trio, veio o engenheiro de som Geoff Emerick, ás que participara de inúmeros projetos dos Beatles como Revolver, Sgt. Peppers e Abbey Road. Seus conhecimentos e habilidades definitivamente foram postos à prova neste projeto. O gravador do estúdio era uma velha Studer de oito canais de segunda mão, que provávelmente já vira melhores dias. A tropa alugou duas casas, relativamente perto uma da outra. Uma para a familia McCartney, outra para a equipe, que compreende Denny Lane, Geoff Emerick e os dois roadies, Ian e Trevor. Na Escócia, onde a maior parte das músicas foram efetivamente compostas, Wings havia gravado uma série de fitas demos, com as novas canções e seus arranjos rudimentares. Em uma caminhada entre a casa de Denny Lane e seu bangalô alugado, Paul e Linda são assaltados por cinco homens armados com uma faca. Perderam dinheiro, toca fita e as fitas demos com todo o material. A partir deste momento, o trabalho de gravar as músicas, que alias ainda não havia começado porque o estúdio não estava pronto, ficou em segundo plano. A primeira exigência recaía agora em Paul com a ajuda de Linda e Denny, tentarem lembrar as músicas novas, não necessariamente as letras que estavam anotadas em papel, mas como elas eram tocadas e qual eram seus arranjos, informações perdidas naquelas fitas. Se não bastassem estes incidentes, Paul McCartney ainda foi acusado por um ativista Nigeriano de ter vindo para seu país para explorar os músicos locais. Seu acusador, o ativista politico e percussionista Ransome Kuti, foi ao estúdio para acusá-lo frente a frente. Paul prontamente mostrou o material e explicou que o que estava ali poderia ser gravado em qualquer lugar no mundo. A partir deste momento, Paul para evitar qualquer outro desintendimento, preferiu não convidar nenhum músico nigeriano a participar do projeto. Assim, é Paul que você ouve tocando congas.

Ginger Baker que estava morando em Lagos nesta época e tinha montando um estúdio lá, fez alguma pressão para que Paul gravasse em seu ARC Studios. Diplomata como Paul é conhecido por ser, tirou um dia para ir até o estúdio de Baker com a banda e lá gravaram Picassos Last Words. O chocalho que se ouve na canção é Ginger Baker e dois de seus empregados sacudindo um balde com carvão. Lentamente, as canções foram gravadas em camadas até que ao final de três semanas, haviam gravado as canções “Band On The Run”, “Jet”, “Bluebird”, “Mrs. Vanderbilt”, “Let Me Roll It”, “Mamunia”, “No Words”, “Picassos Last Words (Drink To Me)”, “Nineteen Hundred and Eighty Five”, e “Helen Wheels”, além dos instrumentais “Zoo Gang” e “Seaside Woman” (que acabaria sendo lançado com o nome “B Side To Seaside”) em 1977, Wings usando o pseudônimo de Suzie & The Red Stripes. De volta a Londres no dia 23 de Setembro, os trabalhos recomeçariam no album no inicio de outubro. AIR Studio que pertence ao amigo George Martin é utilizado para passar as fitas existentes em oito canais para dezesseis canais. O saxofonista de Liverpool Howie Casey (ex- Howie Casey & the Seniors) é chamado para colocar solos em “Bluebird” e “Mrs. Vanderbilt.” Também em Londres, através de uma sugestão do Ginger Baker, foi chamado o nigeriano Remi Kabaka para fazer percussões em “Bluebird.” Para o toque final, Paul McCartney chama Tony Visconti para arranjar e conduzir uma orquestra para unir a parte lenta inicial de “Band On The Run” com a segunda parte mais ritimada. Como as duas partes estão em tempos diferentes, Visconti conta que aqueles cinco compassos deram muito trabalho para serem tocados em perfeita sincronia com o que estava na fita já gravada. Para estes cinco segundos de musica, Visconti utilizou uma orquestra composta de cinqüenta e cinco musicos. O efeito conceitual seria o de representar a explosão, os naipes “furando” a parede prisioneira e a banda, ou bando, se tornando fugitiva. Visconti depois foi convidado para arranjar outras musicas no album, acabando responsável pelos arranjos do quinteto de saxofones em “Jet”, o quarteto de cordas em “No Words”, como também as cordas, clarinete e fagote em “Picassos Last Words”. Antes de terminarem as sessões e partirem para as mixagens, Wings ainda tiraram a oportunidade para gravar “Oriental Nightfish” com Linda McCartney nos vocais. A canção seria usado em 1978 para a trilha de um desenho animado do mesmo nome. As mixagens foram realizados em três dias no Kingsway Studios na primeira semana de outubro. As temáticas das canções não são necessariamente claras ou lógicas. Várias das historias contadas, a começar pela música titulo, não chegam a lugar nenhum. Segundo conta Paul, a letra de “Band On The Run” nasceu de uma frase dita por George Harrison durante uma reunião na Apple Records em 1969. A frase foi “If I ever get out of here”, corrigindo-se em seguida para, “if we ever get out of here.” Harrison na ocasião comentava como para ele, os Beatles eram como uma prisão. Paul pegou a frase e utilizou-a em uma música parcialmente inspirado no fato de que a polícia havia confiscado suas plantas de maconha encontrados em sua fazenda. Paul evitou ser preso alegando que ganhara várias sementes e sem saber do que se tratava, plantou tudo. McCartney denota a vontade da polícia de punir o uso de canabis embora permita legalmente o uso e abuso de álcool. Na mesma época integrantes de outras bandas como Eagles e Byrds estavam tendo problemas similares com a lei e Paul tenta escrever algo comentando que é o sistema que tenta colocar artistas como criminosos e não uma opção do artista. A canção não lida realmente com nenhum destes assuntos, embora estes tenham sido as faíscas iniciais de inspiração. Ao ler a letra de “Jet” por exemplo, fica claro que a canção não é sobre um jato, mais parece sobre uma menina. O nome é de um filhote negro de labrador do casal Paul e Linda. “Mamunia” é uma ode para os benefícios da chuva, coisa pouco conhecido em Los Angeles, mas intensos em lugares como Lagos. A palavra porém vem do árabe e significa ‘abrigo seguro.’ Em um passeio pelo Marrocos, Paul e Linda conheceram o hotel Mamounia que oferece um enorme e lindo jardim repleto de flores e vegetação. Mas esta não é a única canção cujo tema aparentemente nada tem a ver com seu título.
“Mrs. Vanderbilt” oferece uma fantasia como letra. A familia Vanderbilt é uma rica e influente família americana de Nova York cuja fortuna vem da ferrovia. Foram os donos originais do Grand Central Station, do Madison Square Garden e em outros tempos, possuiam o terreno hoje conhecido como o bairro do Bronx. “No Words” é tido por alguns como uma carta aberta para John Lennon. A canção é a primeira do Paul McCartney em parceria com Denny Lane. Há também muita comparação com John Lennon em relação a canção “Let Me Roll It.” Inclusive é o próprio Paul quem aponta para suas similaridades com “I Want You (She’s So Heavy)” ambas com uma estrutura e letra simplista.
“Helen Wheels” é o nome que o casal deram para o Jeep da família. O nome é um trocadilho com Hell On Wheels (Inferno sobre rodas). Paul tenta com essa letra descrever a viagem da Escócia até Londres via a M6, rodovia principal que liga o norte com o sul da ilha. É sua tentativa em criar uma letra inglesa dentro da mesma temática da canção “Back In The USA” de Chuck Berry, canção que cita diversas cidades americanas. Desta maneira, a canção cita cidades como Glasgow, Carlisle, Kendal, Liverpool, Birmingham e Londres. “Helen Wheels” não pertence ao disco e sim trata-se de um compacto do grupo lançado em final de outubro, dois dias antes da sessão de fotos que registrou a capa do disco. Seu lado B, “Country Dreamer” foi gravado no ano anterior na mesma sessão que produziu “Hi Hi Hi” e “Live And Let Die.” A canção portanto conta com Henry McCullough e Denny Seiwell. Contúdo, “Helen Wheels” é mencionada aqui pois acabaria entrando no álbum quase exclusivamente na prensagem americana. No Brasil, a canção saiu apenas em compacto no ano de 1974. “Picassos Last Words (Drink To Me)” tem suas diversas partes fatiados de propósito. Seria a forma musical encontrado por Paul de representar o cubismo tão celebre na obra de Pablo Picasso. A letra e música foram compostas na Jamaica enquanto o casal e familia estavam de ferias. Dustin Hoffman e Steve McQuenn estavam filmando Pappillion e as três celebridades se encontaram. Em um jantar, Hoffman muito intrigado sobre como funciona a inspiração de um compositor é informado por Paul que não é muito diferente de um ator. Surge um tema e se cria a partir deste tema. Em um segundo encontro, Hoffman começa a contar sobre um artigo na revista Time sobre a morte de Pablo Picasso e como na noite anterior ele havia brindado com os amigos dizendo “Bebam à minha saúde. Vocês sabem que não posso beber mais.” Picasso depois teria ido pintar até três da manhã antes de ir dormir. Acordou na manhã seguinte com dores no peito e sem conseguir se levantar, morrendo poucos minutos depois de um infarte. Paul pega então um violão e imediatamente começa a tocar e cantar a canção. Desde então, Hoffman comenta que depois de ver seus filhos nascerem, este foi o grande momento de sua vida. A de ver arte nascendo do criador diante de seus olhos. A parte em francês não é o próprio Picasso falando como muitos pensavam. Trata-se de um comercial sobre viagem retirado gravado de uma estação de rádio. Aqui Paul repete uma ideia utilizada em “I Am The Walrus” inserindo material aleatório retirado do rádio. A intenção é para reforçar o clima francês, nacionalidade do pintor. Já “Nineteen Hundred and Eighty Five” (1985) nasceu pura e simplesmente da frase “No one ever left alive in nineteen hundred and eighty five”, uma rima que Paul criou e achou interessante. O autor garante que não tem nenhuma relação consciente com 1984 de George Orwell.

Outro assunto que traz algumas perguntas é a confecção da capa do álbum Band On The Run. Nela vemos nove homens, vestidos iguais, supostamente com roupas de penitenciarios, pegos de surpresa por uma luz de holofote. A ideia é uma tradução óbvia para um disco que se chamaria Band On The Run - É creditado a Linda McCartney a ideia de trazer pessoas conhecidas para pousar para a capa, ao invés de simplesmente usarem modelos anônimos. São eles da esquerda para direita, Michael Parkinson, Kenny Lynch, Paul McCartney, James Coburn. Linda McCartney, Clement Freud, Christopher Lee, Denny Lane e John Conteh. Foram reunidos todos no domingo do dia 28 de outubro, a lado da parede lateral de Osterley House, uma casa construida no século 16 no terreno hoje conhecido como Osterley Park. O fotografo escolhido foi Clive Arrowsmith, que colocou um holofote de teatro sobre os personagens e de uma palanque, tirou várias fotografias. Linda também tirou várias polaroids do pessoal se preparando momentos antes de tirar as fotos.

Paul contratou a firma Hipgnosis para registrar a realização da sessão fotográfica para a capa, possivelmente movido pela experiência vivida na realização da capa de Sgt. Peppers, que não teve maiores registros afora uma série de fotos. Antevendo um possivel interesse futuro na realização desta capa, o registro em filme foi feito em 16mm e dirigido por Barry Chattington. Teve após edição e montagem, uma duração total de sete minutos e trinta e cinco segundos. O material acabou sendo utilizado primeiro durante a excursão americana dos Wings no ano de 1976. O álbum Band On The Run é lançando no dia 5 de dezembro nos Estados Unidos, e 7 de dezembro no Reino Unido. Com doze dias de vendas, o álbum se tornou disco de ouro. Seria votado pela revista Rolling Stones como Album do Ano e seria o disco mais vendido no Reino Unido durante o ano de 1974.

Grande sucesso comercial, se analisarmos atentamete, perceberemos que as canções no geral não oferecem necessariamente letras brilhantes, tampouco as músicas estão entre as melhores do compositor Paul McCartney. Entretanto, é um álbum onde a execução está primorosa, especialmente se analisarmos a bateria executada por Paul McCartney. Mas acima de tudo, há uma produção extremamente caprichosa. Este é o grande triunfo que Paul McCartney oferece no disco. Um gostinho de acabamento Beatle, encontrado em obras como Sgt. Peppers e Abbey Road.
No final de 2010, a revista “Clash” publicou uma entrevista com o nosso lendário Paul McCartney, querendo saber mais sobre o clássico álbum “Band on The Run” que foi recentemente relançado numa edição de luxo, com som remasterizado, DVD e tudo que um disco dessa importância tem direito.
Assim que os Beatles se separaram, Paul McCartney, escolhido como o vilão na queda rabugenta da banda, ganhou uma depressão, antipatia pública e críticas violentas, para então produzir sua própria obra de arte e emergir como uma proeminente força solo. Esta é a história de “Band On The Run”, segundo a imprensa, o ponto alto da carreira de Macca.
Quando mundo descobriu sobre o fim dos Beatles, Paul McCartney estava em sua fazenda na Escócia em Kintyre, se preparando para novas investidas musicais e pessoais. Seu primeiro solo foi lançado na semana seguinte ao “Let it Be”, o último álbum do grupo – o álbum solo estava pronto há algum tempo, mas Paul foi impedido de lançá-lo antes do canto do cisne dos Beatles. Foi a gota d’água num conflito fútil e ele declarou publicamente que a banda estava acabada, para o choque do mundo. Daí em diante, Paul estava por conta própria.
O caminho até “Band on The Run” foi cheio de indiferença e crítica. Entre 1970 e 1973, Paul reforçou seu grupo com sua esposa, Linda, o baterista Denny Seiwell e os guitarristas Denny Laine e Henry McCullough, e gravou quatro álbuns, cada qual com um estilo diferente e distintos conceitos de gravação e todos enfrentando variados níveis de depreciação. Quando os planos estavam sendo feitos para fugirem para Lagos, na Nigéria, a fim de gravar o quinto álbum, Paul McCartney tinha muito o que provar, e muito a perder – e esta gravação não seria um caminho tranqüilo. Em conversa com a “Clash” durante um merecido feriado após um verão de shows esgotados em estádios, Paul lembrou dos anos traumáticos que norteou um clássico.
A diversidade dos seus quatro primeiros álbuns solo foi você aproveitando a liberdade de trabalhar sozinho, ou foi você tentando se encontrar como um artista solo?
Eu acho que foram os dois. Eu certamente estava aproveitando a liberdade de apenas fazer algo diferente. Sempre fui assim, e ainda sou – é como o projeto “The Fireman”: de repente eu posso realmente tentar algo novo. E então, o outro elemento era que eu sabia que não poderia fazer uma cópia dos Beatles – eu sabia que era impossível; sem John, George e Ringo não havia nenhuma forma de se fazer isto. Eu sabia que teria que tentar fazer algo novo, então cada um dos álbuns foi uma tentativa de estabelecer uma identidade para os Wings (Nota do Tradutor: Banda que Paul montou após os Beatles) e que seria reconhecido com um tempo, como sendo o som dos Wings.
Após as diferentes reações a estes álbuns, “Band on The Run” soou como se você estava tentando provar algo. Foi este o caso? Você sentia que tinha que aparecer com alguma coisa especial?
Sim, de várias formas, porque dois dos caras (McCullough e Seiwell) deixaram a banda na noite anterior a irmos para Lagos fazer o disco. Aquilo foi como uma bomba. Imagine como eu fiquei quando recebi aquele telefonema: foi como, “ah, se controle, não se desespere. O que faremos agora? Dane-se, nós vamos”. E aquele momento foi como, “eu vou mostrar a eles. Vou gravar o melhor álbum que já fiz. Vou colocar todo meu esforço nele só para provar que nós não precisamos de vocês”.
Isto fez do álbum um disco raivoso?
Não acho que o disco seja raivoso. A primeira semana de gravação eu me sentia bem furioso. Mas que saber de uma coisa? A verdade é que eu supero as coisas bem rápido. Quer dizer, naquela noite foi, “merda”. Foi ruim – dois integrantes da banda caíram fora, sendo um o baterista, que uma peça central. Mas Denny tocava guitarra – já não estava tão ruim – e então eu pensei: “Bem, eu fiz o ‘McCartney’, posso tocar bateria, posso fazer isto e aquilo, e apenas vamos replanejar a coisa toda”. Mas houveram muitas dificuldades.
Foi o caso de ter que repensar as canções? Vocês viajaram com as canções planejadas e começaram de um esboço, ou começaram compondo novas canções?
Ainda não havíamos ensaiado nada com a banda – iríamos fazer os arranjos lá – mas eu tinha tudo planejado em minha cabeça. E sim, tivemos que repensar… Particularmente o método de gravação, que tinha que ser diferente. Só haviam três de nós – eu, Linda e Denny – para fazer a gravação básica, e então eu iria adicionar as partes que faltavam. Tivemos que repensar o que estávamos fazendo. Eu acho que as canções em si foram as mesmas – foi a instrumentação e os arranjos que mudaram. Mas por um lado eu achei que isto foi uma coisa boa, porque revisar as coisas nunca é a pior idéia.
Você foi assaltado quando estava em Lagos, e eles roubaram as fitas. Havia algo gravado nelas?
Sim, tinha tudo o que nós ja havíamos feito. Era a demo original de “Band on The Run”. Era algo que valeria algo no “E-bay” nos dias de hoje, sabe? Mas não, nós imaginamos que os caras que nos assaltaram não teriam nenhum interesse. Se eles soubessem, poderiam ter guardado e feito uma pequena fortuna. Mas eles são sabiam, e nós imaginamos que eles provavelmente gravaram algo por cima.
A frase em “Band on The Run” que diz “if we ever get out of this place”, aparentemente foi algo que George Harrison disse numa reunião dos Beatles. Isto significa que a canção se origina daquela época, ou era algo que estava apenas protelando em sua cabeça?
Não me lembro de ser uma frase de George. Não sei sobre isso. Mas sim, certamente tinha a ver com aquilo. Era simbólico: “if we ever get out of here… All I need is a pint a day” (Se algum dia sairmos daqui… Tudo que preciso é de um chopp por dia). O sentimento da coisa toda era este, porque nós fomos… Se você for pensar, começamos como uns garotos que adoravam a própria musica e que queriam ganhar um trocado para poder comprar uma boa guitarra e um bom carro. Era uma ambição muito simples no início. E então, você sabe, a coisa foi seguindo e se tornando reuniões de negócios e tudo aquilo, e eventualmente deixou de ser divertido. Você tinha que ir a todas estas reuniões, então havia um sentimento de “se um dia sairmos daqui”. E eu saí.
Quanto da briga entre você e os Beatles foi realmente rancorosa? No álbum há a canção “Let me Roll It”, que aparentemente é uma resposta a Lennon, mas as letras soam como um convite para serem amigos…
Bom, não, haviam outras canções que eram mais para este lado. “Let me Roll It” não foi para John, foi apenas no estilo que fazíamos nos Beatles e no estilo pelo qual John era reconhecido. Na verdade foi apenas o uso do eco. Foi uma daquelas coisas: “você não vai usar eco só porque John já o usou?”. Para dizer a verdade, ela fala mais sobre enrolar o baseado. Este era o duplo sentido lá: “Let me roll it to you” (deixe-me enrolar para você). Isto é o que estava por trás mais do que qualquer coisa. “Dear Friend”, do álbum “Wld Life” de 1971, foi um “vamos ser amigos?” para John.
O progresso criativo dos seus álbuns que falamos antes pareceu ter encontrado seu lugar em “Band on The Run” – dele em diante os álbuns pareceram ter um apelo popular muito forte. Você estava tentando consolidar o que fez e provar seu valor como artista solo, ao invés de se arriscar a receber críticas provocativas?
Não, foi apenas a forma que funcionou. Eu acho que apenas nos tornamos uma banda melhor. Eu descobri o que estava tentando fazer funcionar, que era “qual é o som do Wings?”. E uma vez que você consegue, você pode estar com ele. Os álbuns que vieram depois ainda eram diferentes, mas como já éramos populares, descobrimos o que nossos fãs gostavam. Então aí está seu estilo. Eu acho que é o que acontece com as bandas – certamente aconteceu com os Beatles e com o Wings: você começa imitando as pessoas e apenas brincando, tentando descobrir o que funciona e o que não funciona. E na época do “Band On The Run”, canções como “Band On The Run”, “Jet” e “Let Me Roll It”… de repente encontramos músicas com as quais as pessoas podiam se identificar. Me lembro de Richard e Karen Carpenter me telefonando para falar sobre “Jet” – eles eram as últimas pessoas na Terra que eu pensaria que gostariam de “Jet”, mas eles falaram, “oh, grande canção, cara”! Então, você sabe, estava ressoando nas pessoas. Eles estavam gostando das músicas. Por exemplo, ela é uma das preferidas de Dave Grohl. Novamente, não pensaria que seria a favorita dele. Então, sim, o que fizemos foi que encontramos nosso estilo e foi como, “ok, agora sabemos o que é o Wings”. Então meio que nos apegamos a isto e o ótimo é que agora elas são grandes números no meu show atual.
Há algum plano de fazer um show em comemoração ao aniversário do “Band on The Run” e tocar o álbum inteiro?
Me foi pedido para fazer isto, então irei analisar e considerar, mas não é uma idéia que um dia eu mesmo teria. Pode ser uma boa idéia, mas vou pensar a respeito.

THE BEATLES - HELTER SKELTER - 2016

2 comentários:
"Helter Skelter" é um clássico dos Beatles escrito por Paul McCartney, creditada à dupla Lennon & McCartney, e lançado no álbum Branco - "The Beatles" de 1968. É conhecida mundialmente por ser a primeira canção de Hard Rock/Heavy Metal da história da música.
Paul estava na Escócia, lendo uma edição de 1967 da Melody Maker, revista especializada em música, quando leu uma entrevista do guitarrista Pete Townshend, dizendo que o último single "I Can See For Miles," era a canção mais alta, suja e barulhenta que o The Who já tinha feito. Quando Paul ouviu, achou que não era tão barulhenta assim. Ele julgou como sendo um "barulho organizado", e tratou de compor a canção mais "suja" - no sentido de ruído - e pesada da música pop conhecida até então. John Lennon mordia os cotovelos de inveja! E passou a jurar, que a 1ª cançao "Hard Rock / Heavy Metal da história" era dele: "Ticket To Ride".

Helter skelter é o nome de um brinquedo britânico muito popular, que consiste em um tobogã em formato de espiral. Paul fala sobre no livro "Many Years From Now" de Barry Miles: "Eu usei o símbolo do brinquedo helter skelter como uma ida do topo para o fundo – a ascensão e queda do Império Romano – e esta era a queda, a decadência, a ida para o fundo. Você pode pensar que é um título bonitinho, mas é tido como referência, desde quando Manson tomou como um hino, quanto as versões que as bandas punks faziam por ser um rock sujo." Além disso, o termo "helter skelter" pode significar também confusão, algazarra, desorganização. A letra sem muito sentido fala sobre o brinquedo: "Quando eu chego ao chão, eu volto para o topo do escorregador, onde eu paro, me viro e saio para outra volta até que eu volte ao chão e te veja novamente." Em alguns trechos ele parece estar falando sobre uma garota de programa: "Você não quer que eu te ame? Estou descendo rápido, mas estou a milhas de você/ Vamos me diga a resposta/Você pode ser uma amante, mas você não é uma dançarina."
Nos Estados Unidos da América, o termo "helter skelter" não é muito conhecido. Charles Manson, dizia que a música "Helter Skelter" fazia profecias de uma apocalíptica guerra racial. No projeto "The Beatles Anthology" Paul disse: "Manson nos interpretou como ‘os quatro cavaleiros do Apocalipse.’ Eu ainda não entendo qual foi a jogada; é sobre a Bíblia, Revelação – Eu não li então eu não sei. Mas ele interpretou a coisa toda. Nós éramos os cavaleiros, Helter Skelter era a mensagem, e ele achou que podia sair e matar todos por aí".
Entre os dias 9 de agosto e 10 de agosto de 1969, a "família Manson" cometeu duas chacinas em Hollywood e escreveu nas paredes "Helter Skelter" com o sangue das vítimas. Durante o julgamento de seus crimes, em novembro de 1970, Manson explicou sua interpretação de "Helter Skelter" na corte: "Helter Skelter significa confusão. Literalmente. Não significa Guerra com ninguém. Não significa que eles irão matar outras pessoas. Apenas significa o que significa. Helter Skelter é confusão. Confusão está vindo rápido. Se você não vê que a confusão está vindo rápido, chame do que quiser. Não é minha conspiração, não é minha música. Eu escuto o que relato. Ela diz, ‘Apareça!’ ela diz, ‘Mate!’ Porque me culpar? Eu não escrevi a música. Eu não fui a pessoa que projetou isso na consciência das pessoas." Link para postagem especial sobre Manson: http://obaudoedu.blogspot.com/2008/09/o-assassinato-de-sharon-tate-um-crime_25.html
John disse em entrevista a Rolling Stone em 1970: "Costumávamos tirar sarro disso ou daquilo, de uma maneira não ofensiva, do que um intelectual via na gente ou um símbolo da geração jovem veria algo nisso… mas eu não sei o que ‘Helter Skelter’ significava, pra mim era só barulho." Os Beatles gravaram a canção em múltiplas sessões. Durante 18 de julho, a versão da canção durou 27:11, apesar dessa versão ser lenta e hipnótica, diferenciando muito da força da canção original. Outra versão de 4:37 foi editada para o Anthology 3, que originalmente era 20 minutos mais longa. Em 9 de setembro, após a volta de Ringo as baquetas, foram feitos 8 takes de 5 minutos aproximadamente e o último é a base do LP original.
Eles gravaram longas versões de "Helter Skelter" com um eco produzido por fita. Os ecos normalmente poderiam ser adicionados por mixagem, mas nesse caso não poderia ser mais alterado pois estava sendo ao vivo. O problema era que a máquina gravava apenas 15 minutos por fita, e não dava pra deixar mais tempo reproduzindo. Então no meio da música eles decidiram voltar a fita e reproduzi-la sem precisar parar de tocar, o que reproduz um som peculiar no trecho em que Paul improvisa uma base vocal na marca de 02:45.
Paul no livro "Many Years From Now" de Barry Miles: "Tínhamos os engenheiros e George Martin tentando fazer o som da bateria parecer mais alto que pudesse. Então a gente tocava e dizíamos, ‘não, ainda parece limpo, tem que ficar mais alto e sujo.’ Tentamos tudo que podíamos para sujar o som, então Ringo tocou o mais forte e feroz que podia. Trabalhamos muito duro naquela canção".
Após o 18° take, Ringo Starr que já não agüentava mais tocar a bateria de maneira selvagem, atirou as baquetas no chão e gritou ferozmente: "I've got blisters on my fingers!" ou "eu estou com bolhas no dedos!" Os Beatles incluíram a fala no final da música na versão estéreo. A canção acaba e recomeça várias vezes porém após as três pancadas finais no chimbal pode se ouvir o grito de Ringo e razoavelmente Lennon dizendo "How’s that?" ou "O que foi isso?" antes do último acorde.
Segundo Ringo no "The Beatles Anthology": "Helter Skelter foi uma faixa que fizemos completamente loucos e histéricos no estúdio. Às vezes é preciso dar uma sacudida nos ensaios e foi o caso daquela música – com o baixo de Paul e minha bateria – Paul começou a berrar e gritar, o que acabou ganhando mais espaço". Helter Skelter dividiu o público e a crítica. Richie Unterberger da Allmusic chamou de "uma das mais afiadas e mais brutais canções de rock já feito, extraordinário!" Enquanto Ian MacDonald a chamava de "Ridícula, um McCartney chapado contra um fundo massivo de fitas distorcidas e lixo barulhento." Em março de 2005, a Q magazine nomeou "Helter Skelter" a número 5 na lista das 100 melhores canções de guitarra. Vincent Bugliosi, advogado que liderou a acusação de Manson e seus seguidores, nomeou seu livro mais vendido de Helter Skelter, e conta a história do caso Manson. O livro já foi base para dois filmes de mesmo título. Na sessão de 9 de setembro o co-produtor Chris Thomas recorda de George Harrison ateando fogo em um cinzeiro e correndo ao redor do estúdio com ele sobre a cabeça, numa alusão ao cantor Arthur Brown enquanto McCartney gravava os vocais. Na versão para o disco "Anthology 3," McCartney ocasionalmente canta "hell for leather" ao invés de "helter skelter." Em 1975, O Aerosmith regravou "Helter Skelter", mas não foi lançado até 1991, na compilação "Pandora's Box." Em 1978, Siouxsie & the Banshees incluiu um cover da canção no disco "The Scream." Em 1982, Ian Gillan lançou um cover de "Helter Skelter" no disco "Magic." Em 1983, Mötley Crüe regravou uma versão da canção, e está presente no disco "Shout at the Devil."Em 1983, The Bobs lançaram uma versão com arranjos a cappella. Isso rendeu a eles o Grammy em 1984, para melhor rearranjo de uma música já existente. Os discos da banda Oasis são gravados no Helter Skelter Studios e na canção "Fade In-Out," há um trecho referente: "So get on the helter skelter, bowl into the fray, Y'gotta be bad-enough to beat the brave." Em 1987, a banda U2 regravou a canção para o projeto/filme "Rattle and Hum", que foi lançado no ano seguinte. Na introdução da música, Bono Vox diz: "Esta é a canção que Charles Manson roubou dos Beatles. Estamos tomando de volta!" Também pode se notar que Bono canta diferente o trecho "you may be a lover but you ain't no dancer" cantando no lugar, "you ain't no lover but you ain't no dancer." Bono diz que foi intencional e não um simples erro de ao vivo, e que foi sua maneira de "roubar de volta." Em 2007, A banda Stereophonics lançou um cover da canção como um bônus na versão japonesa de "Pull the Pin." No álbum "LOVE" é combinado "Helter Skelter" com elementos de "Being From The Benefit Of Mr Kite!" e "I Want You (She's So Heavy)." Mas nenhuma dessas, se compara com a versão original gravada pelos Beatles e editada no branco. Pena que os melhores vídeos, foram retirados e bloqueados para compartilhamento. Vai entender...