domingo, 27 de agosto de 2017
A MORTE DE BRIAN EPSTEIN - O INÍCIO DO FIM?
Brian Epstein era homossexual. O que só se tornou público tempos depois de sua morte. A homossexualidade de Brian era conhecida entre os mais próximos, inclusive os Beatles. Devido a uma maior proximidade que tinha com John Lennon surgiram rumores que os dois tiveram um breve caso numa viagem que fizeram juntos para a Espanha em abril de 1963. Pouco depois de começar a empresariar os Beatles, Brian começou a tomar anfetaminas. Para ele era o único meio de manter-se acordado até altas horas durante as exaustivas turnês. Mais tarde, se envolveu no uso de outras drogas como a maconha e o LSD. Pouco antes de sua morte, Brian foi internado na clínica Priory tentando se livrar do uso de anfetaminas e da insônia. Sua última visita aos estúdios de gravação foi em 23 de agosto. No dia seguinte ele partiu para sua casa no campo em Uckfield (Sussex) para férias. Chegando em Uckfield, resolveu voltar a Londres. No dia 27 de agosto de 1967, Brian Epstein foi encontrado morto em seu quarto, aos 32 anos. No laudo, constava "morte acidental" por overdose de Carbitol, um medicamento para insônia. No dia do falecimento, os Beatles estavam em Bangor meditando com o guru Maharishi Mahesh Yogi quando souberam da notícia e ficaram visívelmente chocados. O corpo de Brian encontra-se sepultado no Cemitério Judaico Kirkdale, Kirkdale, Merseyside na Inglaterra.

Brian nasceu em Liverpool, Inglaterra no dia 19 de setembro de 1934 vindo de uma família de origem judia. Seu avô, Isaac Epstein veio da Lituânia para a Inglaterra por volta de 1890. Isaac fundou a "I. Epstein and Sons" e expandiu os negócios da família abrindo uma loja de instrumentos musicais, discos de música entre outras coisas. A nova loja se chamou "NEMS" (North End Music Stores). O pai de Brian, Harry e sua mãe, Malka (conhecida como Quennie) tiveram outro filho, Clive. Durante a segunda guerra mundial, os Epstein mudaram-se para Southport (perto de Liverpool) para fugir das Blitzes em busca de judeus. Eles voltaram para Liverpool em 1945. Até os 16 anos, Brian estudou em vários internatos até que escreveu uma carta ao pai dizendo que queria ser designer de moda. Como o pai não aceitou, Brian foi trabalhar na loja da família. Em dezembro de 1951, serviu a Royal Army Service Corps (RASC) e foi colocado em serviço na Albany Street Barracks em Londres.Em 1956, aos 21 anos, com a ambição de se tornar ator, o pai permite que Brian parta para Londres para os estudos da carreira. Brian estudou na Academia Real de Artes Dramáticas mas logo abandonou retornando a Liverpool. De volta a cidade natal, foi trabalhar na NEMS, rede de lojas de discos em Great Charlotte Street. Determinado em tornar a NEMS a melhor loja de venda de discos, Brian contratou o experiente vendedor Peter Brown, que na época trabalhava na seção de música na loja de departamento Lewis's. Em agosto de 1961, Brian começou a escrever regularmente artigos sobre música no Mersey Beat - jornal que mostrava a cena musical de Liverpool e que era de Bill Harry, amigo e ex-colega de John Lennon.
O primeiro encontro com os Beatles aconteceu em 1961. Segundo Brian, um cliente chamado Raymond Jones foi até a NEMS e pediu um compacto com a música "My Bonnie" gravada pelos Beatles e Tony Sheridan quando o grupo estava fazendo algumas apresentações em Hamburgo. Brian não conhecia a banda e ficou sabendo que eles tocavam regularmente num pub não muito distante de sua loja e resolveu vê-los. Foi assim que no dia 6 de novembro de 1961, Brian viu os Beatles tocando no Cavern Club pela primeira vez. Sua chegada ao Cavern Club foi anunciada no alto falante da casa por Bob Wooler. Brian foi tratado como convidado VIP. Ele diria mais tarde "Fiquei impressionado de maneira imediata pela música deles, ritmo e senso de humor no palco. E inclusive quando os conheci mais tarde também fiquei impressionado pelo carisma pessoal deles. E foi neste mesmo intante que tudo começou...". No dia 10 de dezembro do mesmo ano, Brian propôs aos Beatles empresariá-los.
A influência de Brian nos Beatles foi grande, ele propôs uma nova maneira de se vestir e se comportar no palco. Antes, os Beatles se vestiam com jaquetas de couro e jeans. Com Brian passaram a usar ternos impecáveis. Antes, os Beatles bebiam, fumavam, conversavam e diziam palavrões durante os shows, também paravam uma música no meio. Com Brian, os Beatles passaram a se comportar de maneira totalmente profissional. Durante os show, todos esses “maus hábitos” estavam proibidos! Isso era cláusula do contrato. Paul McCartney foi o primeiro beatle a aceitar esta nova maneira de se comportar da banda.
Após o contrato com os Beatles, Brian foi várias vezes a Londres tentar um contrato com alguma gravadora sendo recusado por várias incluindo a Columbia, Pye, Philips e Oriole. Mas a recusa mais famosa foi a da Decca. Os Beatles chegaram a gravar um material para o teste, mas a gravadora os dispensou por acharem que conjuntos com guitarras estavam fora de moda.
No dia 8 de fevereiro de 1962, Brian levou a audição da Decca até a loja de discos HMV em Oxford Street com intenção de transformar a fita em um disco. Na HMV o técnico Jim Foy acabou gostando do material e sugeriu que Brian procurasse George Martin na Parlophone (uma subsidiária da EMI). Com a fita da Decca, os Beatles conseguiram o contrato com a Parlophone antes mesmo que Martin os tivesse visto pessoalmente. Daí em diante, houve a explosão da Beatlemania e sucesso estratosférico dos rapazes. Quando eles decidiram que não excursionariam mais, em 66, aquilo foi o gatilho que disparou em Brian uma depressão que cresceu até não poder mais e finalmente no dia 27 de agosto de 1967, o levou aos 32 anos. Os Beatles estavam em Gales, com o Maharishi Maheshi Yogi e voltaram para Londres assim que souberam.
Em 1963, grupos descobertos e empresariados por Brian eram
responsáveis por cerca de 85 músicas das 100 mais da parada britânica. O
Financial Times estimou, em 1967, a fortuna do empresário em torno de 7 milhões
de libras. Quando faleceu no segundo semestre daquele ano foi descoberto que
sua fortuna havia sido superestimada devido a jogos e gastos generosos.
Sobre a morte de Brian, John Lennon disse: "Estávamos no País de Gales com o Maharishi. Havíamos acabado de assistir à sua primeira palestra quando recebemos a notícia. Fiquei chocado, todos nós ficamos, e fomos falar com o Maharishi. ‘Ele morreu’, dissemos, e ele, como um idiota, dizia em tom paternal, ‘Esqueçam, fiquem felizes, sorriam’, e foi o que fizemos. Senti o que qualquer um sente quando uma pessoa íntima morre: algo dentro de nós dizendo de forma descontrolada, ‘ainda bem que não fui eu’. Não sei se você já passou por isso, mas muitas pessoas próximas a mim morreram e eu pensei ‘Que droga! Não há nada a fazer’. Sabia que estávamos em uma enrascada. Estava assustado, pois não tinha nenhuma ilusão de que pudéssemos fazer qualquer outra coisa a não ser tocar, e pensei ‘Estamos acabados’. Eu gostava de Brian e tivemos uma relação estreita durante anos, por isso não quero que nenhum estranho seja nosso empresário, simplesmente isso. Gosto de trabalhar com amigos. Eu era o mais próximo de Brian, tão próximo quanto se pode ser de alguém que leva um estilo de vida ‘gay’, e você não sabe o que ele faz por fora. De todos os Beatles, eu era o mais próximo de Brian e realmente gostava muito dele. Nós tínhamos plena confiança nele como empresário. Para nós, ele era o especialista. Bem, no começo ele tinha uma loja e achávamos que qualquer um que tivesse uma loja sabia o que fazer. Ele costumava encantar e seduzir a todos, mas, às vezes explodia, tinha acessos de raiva e tinha crises de poder e, então, sabíamos que iria desaparecer por alguns dias. De tempos em tempos, entrava em crise e todo o negócio parava, pois ficava prostrado na cama, tomando soníferos por dias a fio. Às vezes desaparecia, porque fora espancado por algum estivador em Old Kent Road. No início, não sabíamos o que realmente acontecia, mas, mais tarde, descobrimos a verdade. Nunca teríamos conseguido chegar ao topo sem sua ajuda e vice-versa. No começo de nossa carreira tanto Brian quanto nós contribuímos, nós tínhamos o talento e ele fazia as coisas acontecerem. Mas ele não tinha força suficiente para nos controlar. Nunca conseguiu que fizéssemos algo que não queríamos”.
Aqui, a gente tem a graça de conferir novamente o sensacional texto do meu querido e saudosíssimo amigo João Carlos de Mendonça, publicado originalmente na sua coluna SÁBADO SOM em 26/12/2015.

De família judia, proprietária de lojas de móveis com sessões de instrumentos musicais e discos (NEMS – North End Music Stores), já aos 16 anos, BRIAN EPSTEIN queria ser “design de moda”, idéia repelida pelo pai, que o fez gerente do setor de discos da NEMS. Mais tarde esteve cursando teatro e serviu ao exército inglês, experiências que terminaram de forma desconcertante para o jovem. Como era homossexual, foi flagrado em situações que terminaram encobertas pelo poder da família. Imagino o que passava na cabeça daquele rapaz obstinado, inteligente, perspicaz e competente, numa época em que ser “gay” era crime. Previsto em lei. E quanto mais sucesso obtinha como gerente da loja, mais insatisfeito vivia. Nalgum lugar em sua mente, ele sabia que o seu talento envolvia o mundo artístico. Mas o que? Há várias histórias e na verdade, todas fazem sentido. Como proprietário de uma loja de discos seria natural que ele fosse o principal anunciante do jornal local MERSEY BEAT, para o qual escrevia artigos sobre música. Pode mesmo ter visto (e não percebido) os BEATLES diversas vezes na publicação. Considerando-se que era fã de música erudita, entre tantos grupos, cantores, fotos e matérias sobre a cena de Liverpool, poderia mesmo não ter associado nenhum daqueles conjuntos ao disco que um jovem solicitou e que, “tragicamente”, não localizou em sua loja. Tratava-se da canção “My Bonnie” com TONY SHERIDAN & THE BEATLES. Sendo o maior cliente das gravadoras na região, não foi difícil descobrir que o produto era de origem alemã, mas o conjunto era inglês de Liverpool e, conversando com uns e outros, ficou sabendo que o grupo exibia-se regiamente num “pub” local, o CAVERN, no horário do almoço. Tudo muito verossímil. Ao chegar ao CAVERN CLUB, efusivamente recebido, o elegante Brian queria conhecer o grupo de fato, mas como tinha encomendado diversas cópias do “disquinho”, pretendia antes de tudo, divulgar o produto contando com o apoio da casa. Mas ficou extasiado com o que viu e ouviu. Visionário, enxergou o que a maioria dos empresários pés-rapados do período nunca havia notado. O som diferente e poderoso da banda, que acabara de passar por uma experiência difícil e enriquecedora, tocando nos botecos e clubes de “strippers” barras-pesadas de Hamburgo e, principalmente o carisma deles. Isto ficou evidente ao conhecê-los pessoalmente. Até resolver “empresariar” o conjunto, Brian os viu várias vezes e apesar das irreverências, todos toparam porque perceberam sua classe e sua autêntica determinação. Até aceitaram suas condições. Epstein sabia que os cabelos e a música eram diferentes e empolgantes tanto quanto o estilo “rebelde”, “teddy boy” desleixado, não iria pegar. Acertou em cheio ao moldá-los com um visual meio andrógeno (para o período) em contraponto ao tipo James Dean de suas roupas (passaram a usar ternos). Mas jamais interferiu no som da banda. Nem é preciso observar com acuidade para constatarmos que os Stones, The Who, Yardbirds e todos os demais, adotaram o mesmo visual em seus primeiros álbuns. Brian Epstein foi à luta e mais do que os próprios Beatles, acreditava e apostava tudo naquele projeto. Com uma fita “demo” feita na DECCA (que os rejeitou), gastou muita sola de sapato, ouviu piadas, grosserias e conselhos desanimadores. E para todos tinha uma resposta pronta: “eles serão maiores que Elvis!”. Até o feliz encontro com o George Martin. E deu no que deu! Em dois anos Epstein era um milionário. Sua empresa passou a cuidar de vários outros artistas e, até JIMI HENDRIX fez parte de seu “cast”, mas a prioridade sempre foi Beatles. Todas aquelas gravadoras que rejeitaram o grupo viviam de lamentações e muitos empresários experientes o invejavam. Pisou na bola em alguns momentos, mas sempre mais por certa ingenuidade do que incompetência. Cercou-se dos melhores profissionais e fez o grupo deslanchar. Convenceu ED SULLIVAN a contratá-los e espalhou pelos EUA cartazes e “outdoors” com “OS BEATLES VÊM AI!” (bastante copiado posteriormente). Era mesmo a figura paterna, o elemento agregador, que suportava as idiossincrasias e até piadas insultuosas, especialmente de Lennon (sua biografia, “A CELLARFUL OF NOISE”, John chamava de “A CELLARFUL OF BOYS”). Se Brian moldou o visual do grupo quando no anonimato, alcançado o sucesso, deixou-os livremente “lançar” modas e jamais interferiu na evolução musical da banda. Apesar de tudo, sua homossexualidade o atormentava. Chegou a pensar em casar-se com a cantora ALMA COGAN, mas terminava sempre em noitadas com pilantras que, não raro, o espancavam, roubavam-no, chantageavam-no e depredavam suas residências. Embarcou sem pestanejar, junto com o grupo, no universo das drogas, o que mais ainda agravava seu sofrimento (depressão, insônia). E justamente, uma mistura de drogas com remédios contra insônia tomados com álcool o fez partir tão jovem. Aos 33 anos incompletos, BRIAN EPSTEIN levitou em 27 de agosto de 1967, logo após o lançamento do disco “Sgt. Pepper”. Os Beatles jamais tiveram a mínima desconfiança dele. E nunca se arrependeram. Sua morte desconcertou o ambiente e o conjunto se viu perdido no meio de advogados, documentos, contratos..., o que fatalmente precipitou o fim do sonho. Sem o velho EPY, o elemento catalisador, o homem ético e decente, o pai dos Beatles, ainda houve músicas e álbuns sublimes, mas o trem seguiu desgovernado por aquela longa e tortuosa estrada!
JACKIE LOMAX - SOUR MILK SIR
Jackie Lomax é o classico exemplo do artista talentoso que jamais conseguiu vender. Excelente intérprete de soul e rhythm & blues, entre os ingleses brancos ele é, segundo alguns, comparável apenas a Steve Winwood, embora não tenha, nem de perto, o mesmo reconhecimento. Jackie Lomax nasceu em 10 de maio de 1944 em Wallasey, localizado no outro lado do rio Mersey em Liverpool. Se interessou pelo violão graças à moda do skiffle, como tantos garotos ingleses daquela geração. Conheceu os Beatles antes da fama ainda em Liverpool. No inicio da década de sessenta entrou para uma banda de Wallasey chamada Dee & the Dynamites. Em 1962, se uniu ao the Undertakers mais tarde foram tentar a sorte no Canadá e Estados Unidos. Quando os Beatles foram tocar no Shea Stadium, em New York, Jackie, sendo de Liverpool e tendo feito parte da mesma cena musical que eles, teve acesso livre ao grupo. Depois do show, voltou com eles ao Warwick Hotel e conversou com os rapazes sobre sua situação. Depois Epstein pediu que ele o procurasse em Londres. E assim The Lomax Alliance chegou em Londres. Brian Epstein conseguiu intermediar um contrato com a Columbia Records para Jackie Lomax e sua banda gravarem seu primeiro álbum. Quando a coisa parecia estar indo bem, Brian Epstein morre e a Columbia acabou cancelando o lançamento. The Lomax Alliance voltou para os Estados Unidos porém não demorou muito e Jackie Lomax deixou o grupo, voltando para Londres. Jackie Lomax procurou John Lennon que lhe sugeriu que ele gravasse em dois canais o material novo que tivesse e levasse até a Apple Publishing, que ficava acima da Apple Boutique. Foi o que ele fez e perto do ano novo, George Harrison lhe telefonou dizendo que leu as letras e ouviu as canções e estaria interessado em produzi-lo assim que voltasse de um retiro espiritual com os outros Beatles na India. Com a volta dos Beatles nasceu a Apple Corps, e nela residiu a mais nova gravadora com escritórios em Londres e Nova York, Apple Records. Jackie Lomax assinou com a Apple passando a ser o primeiro artista contratado pelo selo. Com a assistência de George Harrison, passou parte do verão de 1968 gravando seu novo álbum. No mesmo período, os Beatles estavam gravando o “Album Branco” e Lomax foi convidado a fazer vocais de fundo em Dear Prudence.
Sour Milk Sea, foi o terceiro compacto lançado pela Apple (Hey Jude, com os Beatles e Those Were The Days, com Mary Hopkin foram os primeiros) e não alcançou o sucesso desejado. A canção, composta por George Harrison, foi gravada com os Beatles, menos John Lennon, mais Eric Clapton e Nicky Hopkins. Seu primeiro álbum solo a ser lançado, Is This What You Want? chegou as lojas em janeiro de 69. O álbum tem uma seleção de músicos convidados de fazer inveja a qualquer um. Entre outros músicos mais conhecidos estão George Harrison e Eric Clapton como dupla de guitarras, Nicky Hopkins no piano, Billy Preston no órgão, Paul McCartney no baixo e Ringo Starr na bateria. Outros músicos nas sessões incluem Klaus Voorman no baixo e Hal Blaine na bateria. Apesar de muita expectativa cercando o album pela mídia, o disco foi um retumbante fracasso de vendas.
Com o fim dos Beatles e a Apple em crise, Jackie deixou a gravadora e entrou na banda de hard blues: Heavy Jelly. Depois, juntou-se a outra banda, desta vez de hard rock, chamada Balls. E de galho em galho, passaram-se os anos 70, 80, 90 e Jackie Lomax continuou na estrada, apesar da falta do sucesso comercial. Lomax morreu de forma súbita em Londres no dia 25 de setembro de 2013.
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
THE BEATLES - O PREFÁCIL - By LEONARD BERNSTEIN

Se vivo estivesse, o maestro Leonard Bernstein estaria completando 99 anos hoje. Ele nasceu em Lawrence, Massachusetts no dia 25 de agosto de 1918 e morreu em Nova Iorque em 14 de outubro de 1990. Foi um dos grandes compositores, e pianistas americanos. Vencedor de vários Emmys, Bernstein foi o primeiro compositor nascido nos Estados Unidos no século XX a receber reconhecimento mundial, ficando famoso pela direção da Filarmônica de Nova York, pelos célebres concertos para jovens na televisão (Young People's Concerts), entre 1954 e 1989, e por suas composições, como West Side Story, Candide, e On the Town. Leonard Bernstein foi uma das figuras mais influentes na história da música clássica americana, patrocinou obras de novos compositores e e foi inspirador das carreiras de toda uma geração de novos músicos. Em 1979, um ano antes do assassinato de John Lennon, que era praticamente, seu vizinho, Leonard Bernstein foi convidado para escrever o prefácio do livro “THE BEATLES” de Geoffrey Stokes, lançado aqui no Brasil em 1982. Nessa época, eram raríssimas as publicações desse tipo em português e eu tratei logo de comprar o meu, que ainda tenho até hoje. Em homenagem a Bernstein, a gente confere aqui o prefácio do livrão.

Certa vez, há mais ou menos um ano (ou terá sido há quatro anos? será que não foi no mês passado? o pessoal da Rolling Stone me pediu para escrever um texto introdutório de umas 5.000 palavras para uma obra definitiva sobre “The Beatles”. Topei na hora; mas isso foi na hora, e agora eis-me aqui arranjando algumas palavras para fazerem o papel, aliás de forma inadequada, do tal texto introdutório. Me apaixonei pela música dos Beatles (e, ao mesmo tempo, por aquelas quatro caras cum persone) junto com meus filhos, duas meninas e um garoto, ao descobrir aquele falsete fabuloso gritado-sussurrado, aquela batida irresistível, a entonação perfeita, as letras completamente novas, a torrente schubertiana de invenção musical e a nonchalance tipo Danem-Se esses Quatro Cavalheiros do Nosso Apocalipse. Jamie tinha doze anos, Alexander, nove, e Nina, dois. Juntos, nós vimos A Visão, em nossas formas inevitavelmente distintas (eu tinha 46 anos!), mas vimos a mesma Visão, e ouvimos o mesmo Pássaro-da-Manhã, Trombeta-do-Elefante. Fanfarra-do-Futuro. Que Futuro? Cá estamos nós. Quinze anos se passaram, aquilo passou. Porém, durante uma década mais ou menos, ou ainda menos, aquilo permaneceu a mesma Visão-Clarim, cada vez mais concludente e irrefutável, mais clara, mais amarga — e melhor.Talvez o mais claro, mais amargo (e quem sabe melhor) foi um disco chamado Revolver. Nesse álbum, a melhor coisa, talvez, era uma musiquinha chamada She Said, She Said; pensar nela, lembrar-se dela traz imediatamente à memória toda a beleza daquelas Veias Varicosas Vietnamitas. As notas cicatrizavam, a letra incomodava; ou talvez fosse vice-versa. Mas alguma coisa incomodava, e alguma coisa cicatrizava, ano após ano, Rigby após Rigby, Paperbak após Norwegian, talvez expressa às últimas consequências na verdade vislumbrante e triste de She's leaving home. Enquanto isso, aparecia um volume fino, de pura genialidade verbal de um autor novo, chamado ]ohn Lennon: In His Own Write. Como se isso não bastasse para a lenda, ainda havia as notas (e a voz de sereia-sílfide) de um tal McCartney. Esses dois formavam uma dupla que incorporou uma criatividade quase nunca igualada naquela década feliz. Ringo — um ator-instrumentista adorável. George — um talento místico irrealizado. Porém, John e Paul, São John e São Paul, eram, e fizeram, e aureolaram, beatificaram e eternizaram o conceito que será sempre conhecido, lembrado e profundamente amado como “The Beatles”. E, se os depois foram simplesmente isso, os quatro foram O Todo. Essa interdependência deixava atônito, chapava, às vezes dava pavor; vamos mesmo precisar disso tudo quando tivermos 64 Anos? Bem, hoje estou beirando os 64, e três compassos de A Day In The Life bastam para me sustentar, rejuvenescer, excitar meus sentidos e sensibilidades.Nina, que tinha dois anos em 64, agora tem dezessete; e ainda na semana passada pegamos aquele livro grosso e infeliz de partituras maltiradas dos Beatles para ficar relembrando no piano. Nós choramos, e demos pulos de alegria com as redescobertas (She's a Woman) — só nós dois, durante horas (Ticket to Ride, A Hard Day's Night, I Saw Her Standing There). Isso foi a semana passada. Os Beatles não existem mais. Mas esta semana ainda estou pulando, chorando, recordando uma época boa, uma década de ouro, bons tempos, bons tempos. LEONARD BERNSTEIN - 9 de outubro de 1979.
O DIA QUE CYNTHIA LENNON PERDEU O TREM

No dia 25 de agosto de 1967, John e Cynthia, Paul e Jane, George e Patti compareceram a uma palestra do iogue Maharishi Mahesh Yogi no London Hilton, em Park Lane. Logo após, tiveram uma conversa reservada com o Maharishi e decidiram participar de um de seus seminários, que seria realizado no final de semana seguinte em Bangor, no País de Gales. Todos iriam de trem. Quando chegou no dia e na hora da viagem, Cynthia Lennon perdeu o bendito trem. Aqui no nosso blog preferido, a gente confere, nas próprias palavras dela, o que aconteceu naquele dia.

- Desculpe, meu bem, é tarde demais, o trem já está partindo — e me empurrou para o lado.
Eu gritei pedindo ajuda. John colocou a cabeça do lado de fora da janela, viu o que estava acontecendo e gritou:
- Diga a ele que você está conosco! Diga a ele que a deixe entrar.

Era tarde demais. O trem já estava se afastando da plataforma e eu fui deixada para trás com as nossas malas, as lágrimas correndo pelo meu rosto. Foi uma situação terrivelmente desconcertante. Os repórteres me cercaram tirando fotos, e eu me senti uma completa idiota. Peter Brown, assistente de Brian, tinha vindo nos ver partir. Ele colocou o braço no meu ombro e disse que me levaria para Bangor de carro.
- Nós provavelmente chegaremos lá antes do trem — ele me assegurou, ansioso por me alegrar.

Mas o que nem ele nem ninguém sabia era que as minhas lágrimas não se deviam unicamente ao fato de ter perdido o trem. Eu estava chorando porque o incidente parecia simbolizar o que estava acontecendo ao meu casamento: John estava no trem, correndo em direção ao futuro, e eu havia sido deixada para trás. Enquanto estava ali, vendo o trem desaparecer a distância, cheguei à conclusão de que a solidão que estava sentindo naquela plataforma se tornaria algo permanente um dia.
Neil Aspinall me levou para Bangor. Foi uma viagem tranquila de seis horas, bem diferente do circo que a mídia havia montado a bordo do trem. Porém, enquanto observava pela janela a gloriosa zona rural, meu coração estava cheio de medo. O que aconteceria em seguida a mim e a John?
Nós chegamos tranquilamente pouco depois que os outros haviam sido recebidos por multidões aos gritos e mais equipes de imprensa na estação. Bangor, uma pequena cidade costeira, não sabia o que a havia atingido. Eu fui recebida com abraços e beijos dos outros e repreensões de John.
- Por que você fica sempre por último, Cyn? Como é que você foi capaz de perder aquele trem?
- Talvez, se você não tivesse deixado as malas para eu carregar, querido, eu tivesse conseguido — respondi a ele.
Como ele ousava me censurar, quando havia agido de forma tão desatenciosa? No entanto, engoli meus sentimentos, como já fizera tantas vezes. Como sempre, eu não queria uma briga, especialmente com todos os outros à nossa volta. Esse foi outro momento em que eu deveria ter sido mais assertiva com John. Mais uma vez, deixei passar.
quinta-feira, 24 de agosto de 2017
A PEDIDOS - O DIA QUE MEU FUSCA VIROU BEATLE

Essa incrível história de ficção sobre o fusquinha que aparece na capa de Abbey Road, foi escrita por mim, Edu, para participar de um concurso da Volkswagem em 2004. Não ganhou, mas recebeu menção honrosa - rsrs. Ela foi pubicada pela primeira vez no site Beatles Brasil em outubro de 2004, na coluna Beatle Fics sob o pseudônimo Edmundo Macalé. Também foi a primeira postagem do Baú do Edu em 24 de agosto de 2008. Espero que gostem. Abração!

Por Edmundo Macalé
Em agosto de 1969, eu estava em Londres. Como o Brasil atravessava um período muito difícil, resolvi me exilar nestas terras por onde às vezes o tempo parece não passar, mas passa. Na época tinha 22 anos e até então nunca havia sido, nem me sentido como um Beatlemaníaco. Mas naquela doce manhã de agosto, mais precisamente no dia 8, aconteceu um fato que mudou bastante minha vida e a forma de ver as coisas. Vivia hospedado na casa de um casal de amigos - Desmond e Molly Jones, numa rua chamada Abbey Road. Nesta rua, ao lado da casa dos meus amigos, havia o famoso estúdio onde os Beatles gravavam todos os seus sucessos. Desde que cheguei, me acostumei a ver todos os dias um monte de fãs que viviam aglomerados ao lado do muro na árdua tentativa de ver um dos quatro Beatles, ou os quatro. Mas nunca tinha prestado maiores atenções. Pois bem, naquela época eu tinha (e ainda tenho!) um fusquinha branco, ano 1966, placa 28IF - levantei bem cedo, pois havia marcado uma entrevista para um possível emprego. Quando saí de casa, tomei um susto! Lá fora havia muito mais fãs do que de costume. Estavam todos muito agitados. Havia também um batalhão de fotógrafos. Indaguei com um vizinho - um certo Mr. Mustard - sobre o que estava acontecendo. Ele me disse que os Beatles iriam fazer uma sessão de fotos para a capa do seu novo álbum. Bem ali, no meio da rua. Me disse também que a polícia havia fechado o trânsito pela próxima meia hora. Meia hora? Não era possível. Iria perder minha entrevista! Meio chateado e meio descontente, decidi fazer parte daquilo tudo e fui me juntar, curioso, ao bando de fãs para ver o que aconteceria. Qual não foi minha surpresa ao ver os quatro Beatles sairem do estúdio e formar uma fila indiana bem na beira da calçada, perto de onde eu estava. A tal foto seria tirada quando eles estivessem no meio da faixa de pedestres. Pelo local onde o fotógrafo deles se posicionou com uma escada, percebi que naquela foto haveria um coadjuvante muito especial: Meu fusquinha branco estacionado na porta de casa. A sessão não demorou tanto. Mais ou menos uns dez minutos. Eles atravessaram a faixa seis vezes, indo e vindo. Então o fotógrafo gritou: “Ok. I got it!”. Os quatro Beatles foram atenciosos com os fãs e distribuiram vários autógrafos antes da polícia liberar o trãnsito. Depois, voltaram para o estúdio e a multidão foi se dispersando. Corri para meu fusquinha e consegui o emprego! Como disse, aquele dia mudou minha vida. Hoje sou um velho Beatlemaníaco e guardo com muito carinho tudo o que se refere a eles. Principalmente as lembranças. Tenho uma coleção de artefatos maravilhosos, dentre os quais, com certeza, o preferido é meu fusquinha branco que ficou imortalizado na capa do LP Abbey Road. Aquele disco foi o último dos Beatles como conjunto. Curioso é que se encerra com um verso que significa muito para cada fã: “E, no final, o amor que você leva é igual ao amor que você faz”. Thanks, Beatles!
O BAÚ DO EDU - 9 ANOS NO AR!
Meus
queridos amigos todos do nosso blog preferido: hoje, de alguma forma, estou um
pouco mais feliz que nos outros dias. Afinal, o baú do Edu, meu, seu, dos
Beatles, da Cultura Pop, das alegrias e das tristezas completa 9 anos desde a primeira
vez que foi ao ar em 24 de agosto de 2008. A primeira postagem foi a incrível
história “O Dia Que Meu Fusca Virou Beatle”, e o primeiro comentário foi do
querido amigo e xará Eduardo Salles. Então, as postagens começaram a pipocar.
Na época, eu estava desempregado e tinha todo o tempo do mundo, e também muito
o que mostrar sobre tudo que aprendi com os Beatles a vida inteira. Assim, teve
dias que houveram até dez postagens por dia – mas só coisa legal – e eu estava
adorando aquela novidade. Com o tempo, procurei aprimorar mais e mais O Baú do
Edu a cada dia, a cada postagem, que só depois de uns seis meses no ar, começaram
a exibir vídeos também. Começaram os seguidores e ainda havia os discos
incríveis para download com exclusividade. Não tenho uma ideia exata de quantos
discos disponibilizei aqui, mas nos primeiros cinco anos, imagino que tenham
sido com certeza mais de mil. E os números, sempre foram grandiosos em se
tratando do nosso Baú. Hoje, são 7.692 postagens, 700 seguidores e uma média de
1.800 acessos por dia mesmo quando não publico nada. De 2008 pra cá, foram
publicados 26.800 comentários e o Baú do Edu tem (até hoje) 4.875.832
visualizações. E tudo isso, sem um patrocinador sequer, sem ganhar nem um
tostão! O Baú do Edu é uma projeção, um reflexo de mim mesmo, o que é facilmente
perceptível para os amigos mais antigos. Quando estou bem, nosso blog preferido
também está. Quando estou down ou doente ou triste demais, todo mundo percebe,
mesmo sem, às vezes, eu querer. O fato é que estamos aqui, nove anos
completados e que venham mais quantos
houverem. Se continuar sempre contando com a ajuda dos amigos, esse blog ainda
vai muito mais longe! Portanto, meus caros amigos que passam por aqui todos os
dias com suas participações, sugestões e comentários, só tenho uma coisa a
dizer: MUITO OBRIGADO! Um abração bem grandão para cada um de vocês. E vamos em
frente que ainda tem muita água pra passar debaixo dessa ponte! Parabéns para o
Baú, para mim e para todos vocês. Valeu!
JOHN LENNON E O NÚMERO 9
Matéria publicada originalmente em 9 de outubro de 2011.
Os mais famosos "noves" da história pop/rock cabem a John Lennon, que nasceu dia 9 de outubro. Seu filho Sean também. Nos discos, usou o nove três vezes no título de canções. Brian Epstein, que seria o manager dos Beatles, viu-os pela primeira vez ao vivo no Cavern, em Liverpool, em 9 de novembro de 1961. E seria num outro dia 9, o de maio de 1962, que o mesmo Brian Epstein asseguraria a assinatura do contrato da mítica banda com a EMI. “One After 909″, “Revolution No. 9″,“#9 Dream” - Esta última fazia parte do nono álbum solo de John Lennon, o qual foi lançado no nono mês de 1974. A canção ficou em nono lugar nas paradas de sucesso, e tem um verso que tem nove silabas, “Ah, bowakawa, pousse pousse” - intraduzível e que muitos acharam que era uma evocação ao coisa ruim. O álbum Mind Games, tem nove letras.
Outro álbum de Lennon tem 9 letras: esse disco foi seu tributo ao classic rock e era intitulado: Rock 'n' Roll. John nasceu às 6:30 p.m. 6 + 3 + 0 = 9. Quando foi baleado, em 8 de dezembro de 1980, já era 9 de dezembro em sua cidade natal, Liverpool, na Inglaterra. L-I-V-E-R-P-O-O-L tem nove letras. Nove palavras compõem a mais importante frase de uma das músicas de John: All we are saying, is give peace a chance. Tudo que dizemos é: dê uma chance à paz - 9 palavras em português também. Os nomes combinados de John Ono Lennon e Yoko Ono Lennon contêm nove “Os”. O número do ônibus escolar da escola primária de John era 72. Ora, 7 + 2 = 9. Lennon morou em um apartamento de número 72 em Nova York. M-c-C-A-R-T-N-E-Y, seu melhor amigo durante a maior parte da sua vida, tem 9 letras.
Porém, quando Lennon foi baleado, caiu e morreu instantaneamente, era conhecida a ligação de Yoko Ono com numerologistas, o I-Ching, o tarô e outras práticas que deveriam prever o futuro. Ela só fechava algum negócio depois de consultar os astros. Mas naquela fatídica noite do dia 8 de dezembro de 1980, eles não mostraram a ela tudo o viveria desde então. O marido foi sacrificado diante de seus olhos miúdos. O que nos leva a crer, que tudo isso não passa de uma bobagem sem igual. Uma tolice comparável apenas às idióticas teorias das conspirações. BAÚ 9 ANOS - Longa vida ao Baú!

Os mais famosos "noves" da história pop/rock cabem a John Lennon, que nasceu dia 9 de outubro. Seu filho Sean também. Nos discos, usou o nove três vezes no título de canções. Brian Epstein, que seria o manager dos Beatles, viu-os pela primeira vez ao vivo no Cavern, em Liverpool, em 9 de novembro de 1961. E seria num outro dia 9, o de maio de 1962, que o mesmo Brian Epstein asseguraria a assinatura do contrato da mítica banda com a EMI. “One After 909″, “Revolution No. 9″,“#9 Dream” - Esta última fazia parte do nono álbum solo de John Lennon, o qual foi lançado no nono mês de 1974. A canção ficou em nono lugar nas paradas de sucesso, e tem um verso que tem nove silabas, “Ah, bowakawa, pousse pousse” - intraduzível e que muitos acharam que era uma evocação ao coisa ruim. O álbum Mind Games, tem nove letras.

Outro álbum de Lennon tem 9 letras: esse disco foi seu tributo ao classic rock e era intitulado: Rock 'n' Roll. John nasceu às 6:30 p.m. 6 + 3 + 0 = 9. Quando foi baleado, em 8 de dezembro de 1980, já era 9 de dezembro em sua cidade natal, Liverpool, na Inglaterra. L-I-V-E-R-P-O-O-L tem nove letras. Nove palavras compõem a mais importante frase de uma das músicas de John: All we are saying, is give peace a chance. Tudo que dizemos é: dê uma chance à paz - 9 palavras em português também. Os nomes combinados de John Ono Lennon e Yoko Ono Lennon contêm nove “Os”. O número do ônibus escolar da escola primária de John era 72. Ora, 7 + 2 = 9. Lennon morou em um apartamento de número 72 em Nova York. M-c-C-A-R-T-N-E-Y, seu melhor amigo durante a maior parte da sua vida, tem 9 letras.

Porém, quando Lennon foi baleado, caiu e morreu instantaneamente, era conhecida a ligação de Yoko Ono com numerologistas, o I-Ching, o tarô e outras práticas que deveriam prever o futuro. Ela só fechava algum negócio depois de consultar os astros. Mas naquela fatídica noite do dia 8 de dezembro de 1980, eles não mostraram a ela tudo o viveria desde então. O marido foi sacrificado diante de seus olhos miúdos. O que nos leva a crer, que tudo isso não passa de uma bobagem sem igual. Uma tolice comparável apenas às idióticas teorias das conspirações. BAÚ 9 ANOS - Longa vida ao Baú!
IMPERDÍVEL: REVOLUTION # 9 - THE BEATLES?
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
O CASAMENTO DE JOHN LENNON E CYNTHIA POWELL

Há 55 anos, no dia 23 de agosto de 1962, John Winston Lennon casou-se com Cynthia Powell no Mount Pleasant Registry Office em Liverpool. Presentes à cerimonia estavam Paul McCartney (padrinho), George Harrison, Brian Epstein, Tony Powell (irmão de Cynthia) e sua esposa. A mal-humorada tia Mimi não quis ir de jeito nenhum. Durante o acontecimento, um operário com uma britadeira do lado de fora consertando um buraco, fazia tanto barulho que mal podia se ouvir o que o juiz dizia, o que irritou a todos. Assim que a cerimônia terminou, desabou um temporal. Brian levou todos ao Reece’s Cafe para um almoço, cujo menu incluia frango assado, guarnições e salada de frutas para sobremesa. Como o restaurante não servia bebidas alcoólicas, brindaram com água mesmo. Brian ofereceu para que o casal (Cynthia estava grávida) se mudasse para o pequeno apartamento de solteiro que mantinha perto da faculdade de artes. A noite de núpcias de John foi no palco com os Beatles.

O filho do casal John Charles Julian Lennon nasceu em Liverpool no dia 8 de abril de 1963. John estava em excursão com os Beatles e logo em seguida partiu de férias com Brian para a Espanha. O casamento de John e Cynthia nunca foi feliz realmente e completamente sufocado, primeiro pelo sucesso avassalador dos Beatles (e as excursões), segundo pelas drogas, segundo Cynthia. Coincidentemente, esse casamento durou exatos seis anos. No dia 23 de agosto de 1968, Cynthia entrou com o pedido de divórcio de John em razão de adultério.
ROY ORBISON - HEARTBREAK RADIO - SENSACIONAL!


O rockão “Heartbreak Radio” de Roy Orbison aparece no álbum “King Of Hearts”, um álbum póstumo de Orbison lançado em 1992. Muita gente famosa produziu e participou das várias gravações, incluindo seu companheiro nos Traveling Wilburys Jeff Lynne. Foram eles: Don Was, David Was, Pete Anderson, Robbie Robertson, Will Jennings, David Briggs, Chips Moman, Guy Roche, Albert Hammond and Diane Warren. O álbum inclui ainda a versão dueto com KD Lang com a música de Orbison de 1961 "Crying". "I Drove All Night" foi outro single do álbum.
terça-feira, 22 de agosto de 2017
PARTITURA ORIGINAL DE ELEANOR RIGBY VAI A LEILÃO
A partitura manuscrita original da canção "Eleanor Rigby" dos Beatles será leiloada dia 11 de setembro em Warrington (noroeste da Inglaterra). A canção, com letra e música de Paul McCartney, foi lançada originalmente em 1966 como lado B do single que trazia "Yellow Submarine" como lado A. A música é a segunda do álbum Revolver. A partitura foi escrita à mão pelo produtor dos Fabs, George Martin, e tem as assinaturas de Martin e Paul McCartney. O objeto está avaliado em US$ 26 mil (cerca de R$ 82 mil). Na partitura é possível ler anotações como a que especifica que deveria ser gravada nos estúdio número dois de Abbey Road com quatro violinos, duas violas e dois violoncelos.
Durante o leilão também serão colocados à venda o certificado de propriedade de um túmulo no cemitério de Liverpool com o nome de Eleanor Rigby, assim como uma bíblia com o nome dentro do livro. Paul McCartney sempre afirmou que inventou o nome, mas a lápide com o nome de Eleanor Rugby está em um cemitério que Paul McCartney e John Lennon atravessavam com frequência, utilizando o local como atalho, e poderia ter inspirado o artista. "Cada um destes objetos é fantástico, único e tem importância histórica, assim vê-los vendidos ao mesmo tempo é uma coincidência incrível", declarou Paul Fairweather, da Omega Auctions.
Não deixe de conferir a superpostagem
HENRY GROSSMAN - BEATLES PHOTOGRAPHER
“Eles adoravam tudo que fosse novidade, como skates e karts”. Diz o fotógrafo que conviveu com os Beatles entre 1964 e 1969, que lançou em 2013 “Places I remember: My Time With the Beatles” (Lugares de que me lembro: meu tempo com os Beatles).

Henry Grossman realizou o sonho de qualquer beatlemaníaco. Nos anos em que os acompanhou, fez mais de 6000 imagens dos quatros rostos mais famosos do planeta. Uma nova seleção destas fotos está à venda em edição limitada, numerada e assinada pelo fotógrafo.

Grossman nasceu na cidade de Nova York e aprendeu o ofício com o pai que fotografou personalidades como Gandhi, Einstein, Mussolini, e descobriu os elementos-chave do retrato clássico – especialmente a interação entre a luz e sombra.

Trabalhou para a revista Life, The New York Times, Time, Newsweek, Paris-Match entre outros. Por suas lentes passaram figuras políticas (os três irmãos Kennedy, Lyndon Johnson, Richard Nixon), pintores, escultores e escritores (Alexander Calder, Kurt Vonnegut, Vladimir Nabokov) e, especialmente artistas (Elizabeth Taylor, Richard Burton, Martha Graham, Nureyev, Leonard Bernstein, Luciano Pavarotti, Plácido Domingos, Barbra Streisand, Thelonious Monk).

Grossman diz que conseguiu fotografar tão intimamente aos Beatles, porque após um longo período de convivência, os quatro se acostumaram com sua presença. Cobriu a primeira aparição dos meninos de Liverpool no “Ed Sullivan Show”, acompanhou as filmagens do filme “Help”, documentou uma noite de gravação do álbum “Sgt. Pepper’s” nos estúdios de Abbey Road e ainda freqüentou as casas de todos para fotografá-los informalmente com seus amigos e famílias.

Entre os anos de 1964 e 1969, Grossman teve acesso exclusivo à intimidade dos Beatles. Depois de conhecê-los nos nos bastidores do célebre show de Ed Sullivan, tornou-se amigo dos Fabs e contratado para retratar os bastidores de “Help!”. Daí em diante, não parou de retratá-los. Em casa, com família e amigos, no estúdio, tomando café da manhã, jogando pôquer, descansando na piscina, dormindo ou fazendo nada.


Um pouco mais velho que John, Paul, George e Ringo, Grossman gostava mais deles do que de sua música. “Eu não entendia de rock, preferia música clássica”, diz ele. “Talvez isso tenha ajudado a criar um vínculo – por que os Beatles precisariam de mais um puxa-saco repetindo que eles eram gênios?”.

Foram mais de 6 mil fotografias dos Beatles, a grande maioria descartadas – até agora. Grossman acaba de lançar um livro de 528 páginas, chamado “Places I remember: My Time With the Beatles” (Lugares de que me lembro: meu tempo com os Beatles). É um calhamaço que pesa 6 quilos e custa 495 dólares (a cópia autografada sai por 795).

“Eles estavam acostumados a me ver com a câmera, documentando tudo o que acontecia ao redor”, conta. “Mais do que qualquer coisa, eu me tornei um amigo. Então, quando ia fotografar, ninguém pensava duas vezes. Ninguém se importava. Não era visto como invasivo”.

As fotos são de uma era anterior à nossa, em que popstars e celebridades de segunda linha fazem poses ridículas para revistas idiotas, 'abrindo' suas casas de maneira falsa e patética. Para quem gosta de retratos, é uma aula. Para quem gosta dos Beatles, é mais um motivo para folhear, colocar tudo de novo para tocar e lembrar que eles, antes de qualquer coisa, foram quatro jovens amigos que se divertiram muito na companhia uns dos outros – enquanto trabalhavam, ficavam ricos e se tornavam, ainda sem saber ao certo, a maior banda de todos os tempos.
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
RAUL SEIXAS - O INÍCIO, O FIM E O MEIO

Há 28 anos, no dia 21 de agosto de 1989, um dos nomes mais importantes do rock brasileiro, um grande pioneiro do gênero em território nacional era encontrado morto aos 44 anos em seu apartamento. Raul Seixas despontou no mundo da música em 1968, com seu álbum de estreia Raulzito e os Panteras. Entretanto, só ganhou notoriedade de crítica e de público com as músicas do álbum "Krig-ha, Bandolo!" de 1973, como "Ouro de Tolo", "Mosca na Sopa" e "Metamorfose Ambulante".

Raul protagonizou histórias antológicas durante toda sua carreira. Muitas, quase inacreditáveis, como quando, em maio de 1982, foi tido como impostor de si mesmo num show em Caieiras, São Paulo. Não tinha nenhum documento e quase foi linchado. Preso, foi espancado pelo delegado e por policiais. Em 1983, lançou um LP com seu nome e o livro "As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor". Ganhou seu segundo disco de ouro e novos sucessos apareceram. Em 84, participou do especial Plunct Plact Zum, na Rede Globo, e lançou o LP "Metrô Linha 743". Mais alguns lançamentos e uma certa dificuldade de manter a produção estável por problemas de saúde se sucederam até 1987, quando gravou o ótimo "Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!" e ganhou seu terceiro disco de ouro. Foi nesse ano que começou uma parceria com o também baiano Marcelo Nova, vocalista da banda Camisa de Vênus, ao participar da música "Muita Estrela, Pouca Constelação". A parceria teria seu auge em 89, quando os dois gravaram o indefectível álbum "A Panela do Diabo" e fizeram uma série de mais de 50 shows pelo país. O LP foi lançado no dia 19 de agosto. Raul morreu dois dias depois, sozinho, em São Paulo. Mesmo depois de morto, Raul continuou a protagonizar histórias antológicas como a do seu próprio enterro que acabou se transformando num tumulto danado com 5 mil fãs querendo tirar o corpo do caixão.

O interesse pela obra de Raulzito reacende em novas gerações de fãs, que fazem questão de soltar a voz com o grito “Toca Raul”. Ainda hoje é possível ouvir o jargão em bares, pistas de dança e shows de rock. Um dos legados do roqueiro é parecido com o fenômeno que acontece com o "Rei do Rock" Elvis Presley: inúmeros sósias fazem questão de se vestir de forma idêntica a Raul e atuar fazendo covers do cantor. A sua confirmação, como mito do rock nacional, é frequente em homenagens no teatro, na TV, nas biografias e relançamentos de álbuns. TOCA RAUL!!!

“Raul - O Início, o Fim e o Meio” é um filme biográfico brasileiro de 2012 dirigido por Walter Carvalho e produção de Denis Feijão, com montagem de Pablo Ribeiro e roteiro de Leonardo Gudel baseado na vida e obra do cantor. O filme mostra a vida e obra do maior ícone do rock brasileiro, desvendando suas diversas facetas, suas parcerias com Paulo Coelho, seus casamentos e seus fãs, que ele continua a mobilizar mais de vinte e cinco anos depois de sua morte. “O início, o fim e o meio” desvenda o mito, mostrando o complexo e complicado homem por trás da figura do Maluco Beleza. O documentário não poupa nada. Mostra que ele era problemático com as esposas, que ele não foi bom pai, foi bom marido em alguns momentos. Teve momento que ele realmente foi porra-louca total e deixou tudo desandar. Absolutamente imperdível! Somente aqui, no nosso baú dos Beatles e da Cultura Pop, a gente confere inteirinho, na íntegra, em alto e bom som.
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