quarta-feira, 8 de outubro de 2014

UMA CARTA PARA PAUL McCARTNEY - FIM DA PROMOÇÃO

Terminou a malfadada promoção “UMA CARTA PARA PAUL McCARTNEY”. Participaram Murilo Pedreira, Paulo McHardtney, Felipe Augusto, Fábio Simão e Edson Chaves Filho. Desde já, agradeço a todos, embora ache que nenhum realmente entendeu o “espírito” da coisa. Somente uma, era realmente uma carta para Paul e se eu estivesse nessa sozinho, a teria escolhido. Mas não foi assim... a queridíssima Dª Leonor e os amigos Edvaldo Almeida da Silva e Marco Miranda escolheram uma outra por unanimidade. Então, o felizardo que vai receber os dois Cds dos álbuns McCartney e Ram em sua casa, sem despesa alguma, é o amigo...
De: Paulo para Paul

Mudei para o bairro de Perdizes, São Paulo, em 1964. Tinha sete anos. Fui para um novo colégio. Quebrei o braço, claro, tudo por causa daquele portão que insistia em me chamar para andar sobre a lâmina fina, quando ali chegou o sol depois da chuva, antes da perua da escola chegar. Esses portões, viu?! Esse me fez repetir o ano. E, não. Não sou um garoto mau. Apenas traquinas. Quem disse isso foi Dr. Roberto - médico da família que conhecia cada coisinha do mundo das crianças. E, olha eu lá de novo no colégio onde havia um professor de judô que era também o marido da diretora, que era enérgica. E, olha eu lá no tatame, naquela casa linda na Av. Dr. Arnaldo, quase esquina com a Rua Cardoso de Almeida. E, olha eu escutando o rádio em casa. Tempos de muito futebol na rua, muito rádio e pouca televisão e muita, muita música... no rádio. E, muita escola. E, olha lá, eu o melhor aluno da sala. Esse garoto, quem diria? E, isso não foi só um ano de minha vida, 1965. Parece que foi ontem. Havia a professora Ana, que sempre me esperava lá na saída para me levar para a perua. Fazíamos aulas de judô, dia a dia, sempre melhorando, nos fundos da casa com o professor, marido da diretora. A gente ia em fila indiana para o tatame às terças e quintas feiras. Antes de sair de casa eu ouvia o rádio. As paradas de sucesso. Um dia na vida, alguma coisa me chamou a atenção. Agora, me pergunte por quê? Por quê? Não sei. Coisas de rádio. Entramos no tatame. Depois de alguns wasari e ippons e kata gurumas, alguns nomes que lembro, o professor foi chamado na secretaria. Ele falou: Eu volto logo. E, demorou. Enquanto isso, olhei em volta e havia algumas vassouras no canto. Lembrei do rádio. Ou ele lembrou de mim. Ou, os dois. Chamei um amigo, enquanto os outros estavam sentados esperando a volta do professor. Coloquei um cabo da vassoura entre aqueles gomos de tatame, segurei uma vassoura como uma guitarra e assim também fez meu amigo. Parecia que dois de nós estavam fazendo algo para ninguém. Sei lá de onde, acho que sintonizei alguma rádio na minha cabeça, comecei a cantar, ou quase gritar, e meu amigo me seguiu. Os outros judocas nos olharam estupefatos e enquanto tocávamos muito alto nossas vassouras, cantávamos: 'Relpiii... ainisomodi. Relpiii... nosimodi…’ E logo eu tasquei um '... maizededense frigideiraaaaa...'. E repetia'...frigideiraaaaa...', '...frigideiraaaaa...'. E, parecia que estava atravessando o universo. Só depois percebi os olhares de meus amigos. O professor havia chegado. Fez uma revolução pelo que viu? Nada. Fez aquela pose de deixar estar, porque curtiu. E, talvez eu é tenha ficado surpreso. Recolhemos nossos instrumentos e voltamos à nossa insignificância mirim. Depois, bem depois, eu soube que a tradução de minha '... maizededense frigideiraaaaa...' é 'My independence seems to vanish in the haze'. Mas, para mim foi uma sensação de estar livre como um passarinho. Há questão de dois anos, sem nunca ter subido em um palco depois daquele tatame, participei de uma banda de rock que também tocou Help. A música que ouvia no rádio há cinquenta anos. E, o palco, de maneira incrível, não era novidade para mim. Apenas um outro dia ou noite. Lembrei da vassoura e do tatame. Yeah. Yeah. Yeah. E, eu cantei:
'...When I was younger, so much younger than today
I never needed anybody's help in anyway
But now these days are gone, I'm not so self-assured
Now I find, I've changed my mind and opened up the doors...' 
E, desde aquele ontem de 1964, a música nunca mais saiu de mim. Nem eu dela e de quem a tocou. Oito dias por semana.


Parabéns, Paulo. Envie seu nome e endereço completo para eduardobadfinger@gmail.com e me aguarde. Assim que eu for à cidade, mando sua encomenda. Obrigado a todos! Abração!

4 comentários:

Murilo Pedreira disse...

?!?!?!
Desculpa aí, não entendi nada dessa carta para Paul McCartney (¿). Na boa, os jurados poderiam justificar a escolha. Sem querer ofender o autor, para começar isso daí é uma crônica, longe de ser uma carta.

Felipe Felizardo disse...

Nunca dou sorte com promoções D:

Fábio Simão disse...

Hum... Acho que entendi o que o Edu quis dizer. Bem, mesmo assim parabéns para o Paulo, mesmo concordando com o que o Murilo disse.

Felipe Felizardo disse...

É que não foi exatamente o Edu quem escolheu. Acharam bonitasso o que o Paulo escreveu, um belo texto, mas não é carta mesmo. Enfim, parabéns ao colega