sexta-feira, 1 de julho de 2016

PAUL McCARTNEY – OFF THE GROUND - 2016

Menos produzido do que seu antecessor, o álbum decola nas paradas européias embalado por uma nova turnê e pelo sucesso do compacto Hope of Deliverance.
OFF THE GROUND - Por Claudio D. Dirani
Por apenas um momento, os fãs de Paul McCartney pensaram estar vivendo um deja-vu. O final dos anos 80 e os primeiros anos da nova década pareciam trazer de volta os anos dourados do Wings, com inúmeros lançamentos consecutivos, shows e eventos promocionais acontecendo freneticamente. Depois de uma extensa turnê mundial, nada parecia interromper a nova fase de Macca. O seu gosto pelas apresentações ao vivo, afinal, nunca foi um segredo. Por isso, após gravar o especial Acústico MTV em janeiro de 1991, já com a participação de Blair Cunningham na bateria substituindo a Chris Whitten, Paul conduziu sua banda para espetáculos-surpresa pela Europa, onde tocaria para pequenas e calorosas plateias entre maio e julho daquele ano. Antes mesmo de finalizar sua mini-turnê, McCartney mudaria o curso de suas atividades para dar os últimos retoques no ambicioso Liverpool Oratório, com a ajuda do maestro Carl Davis, que estrearia com sucesso absoluto nos dias 28 e 29 de junho na Catedral Anglicana de Liverpool.http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/01969/
Enquanto o álbum duplo contendo as gravações desta apresentação chegava às lojas em outubro, Paul convocaria o produtor Juiian Mendelsohn para iniciar as gravações de seu próximo álbum no estúdio The Mill. O novo projeto foi concluído somente onze meses depois, mas a demora seria recompensada pelos bons resultados comerciais alcançados pelo LP, batizado como Off The Ground. Principalmente na Europa, na Alemanha, por exemplo, o compacto Hope Of Deliverance chegaria ao topo das paradas, e o álbum Off The Ground — com grande parte de suas canções contendo mensagens ecológicas — permaneceria entre os 10 mais vendidos durante muitas semanas, após seu lançamento, em fevereiro de 1993. Sobre a produção de Off The Ground, Paul comentou a Laura Gross, em entrevista exclusiva ao fanzine, Club Sandwich, em 1993: “Neste álbum eu tentei ser menos casual, e chequei com muito cuidado se as letras estavam realmente boas. Para isso, chamei meu amigo (poeta e jornalista), Adrian Mitchell, que editou dois ou três versos das canções. Ele atuou como um professor que corrigiu minha lição de casa”.
Antes mesmo da comercialização de seu novo disco, Paul, Linda, Blair Cunningham, Hamish Stuart, Robbie Mclntosh e Paul ”Wix”Wickens entrariam novamente no estúdio para ensaiar as canções que fariam parte de seu repertório na nova turnê mundial, marcada para começar no dia 18 de fevereiro em Milão, Itália. Parte dessa preparação foi registrada em vídeo e lançada no documentário Movin On, que também mostraria gravações de arranjos orquestrais em uma canção até hoje guardada nos arquivos de McCartney: “Is It Raining In London?” composta em parceria com Hamish Stuart. Mas isso não era tudo. Depois de ensaiar e produzir o home vídeo, McCartney e banda participariam do programa “Up Close” - mais um projeto da MTV, gravado ao vivo no Ed Sullivan Theatre, em Nova York, nos dias 10 e 11 de dezembro de 1992. Com a turnê finalizada exatamente um ano mais tarde, após shows no Brasil, Argentina e Chile, inclusive, e o lançamento de mais dois álbuns: “Paul is Live” e “Strawberry, Ships, Ocean, Forest” (sob o pseudônimo do misteriosoThe Fireman), os três próximos anos seriam dedicados aos Beatles, para a conclusão do mega- projeto Anthology ao lado de George, Ringo e claro: John Lennon. O milagre tecnológico pôde ser realizado graças às fitas-demo presenteadas por Yoko Ono a Paul após a indução do parceiro como artista solo na cerimônia do Rock And Roll Hall Of Fame realizada no dia 19 de janeiro de 1994, em Nova York.
Os trabalhos para a produção de “Off The Ground” foram iniciados em novembro de 1991, no estúdioThe Mill, em East Sussex, com a gravação das bases rítmicas de: Golden Earth Girl, Peace In The Neighbourhood, Biker Like An Icon, C’mon People, Get Out of My Way, I Owe It All To You, Off The Ground, Looking For Changes, Hope Of Deliverance, Mistress And Maid, The Lovers That Never Were, Winedark Open Sca e Cosmically Conscious — todas elas faixas que integrariam a versão final do LP, co-produzido por Julian Mendelsohn e mixado por Bob Kraushaar. As sessões prosseguiriam com a conclusão das canções Style Style, Sweet Sweet Memories, I Can’t Imagine, Keep Coming Back To Love, kicked Around No More, Long Leather Coat, Big Boys Bickering e Down To The River, que seriam lançadas no Lado B de diversos CD Singles no decorrer de 1993. Sobras destas sessões incluem: Magic Lamp, In Liverpool, Wedding Invitation, Guitar Peace — Hurricane Bob, Wish You Were Mine, If You Say So, Simple Song, On A Pedestal e uma versão de Beautiful Night — canção que seria revisitada em 1996 para sua inclusão em Flaming Pie (97). Após a gravação das bases rítmicas, algumas canções ganharam arranjos de cordas e pós-produção no estúdio Abbey Road, como Mistress And Maid, Golden Earth Girl (ambas concluídas por Carl Davís) e Cmon People, executada por George Martin. Mais três faixas acústicas foram gravadas no The Mill neste período: Great Day, Calico Skies e When Winter Comes — sendo que apenas esta última não apareceu no álbum Flaming Pie, lançado cinco anos depois. Fonte: "Paul McCartney - Todos os segredos da carreira solo" de Claudio D. Dirani


Não deixe de conferir também as postagens individuais: COSMICALLY CONSCIOUS, GET OUT OF MY WAY, BIKER LIKE AN ICON, SOGGY NOODLE e OFF THE GROUND - THE COMPLETE WORKS.

4 comentários:

Edu disse...

Discaço! Por razões sentimentais, é um dos meus preferidos. Depois de ser abandonado por uma Dayse, na época do Flowers In The Dirt, com o Off The Ground conheci outra Dayse que se tornou mãe do meu filho Davi e que infelizmente, faleceu em 2011. I Owe All To You era a nossa música. Sorry!

Marcelennon disse...

Gosto muito desse disco. Por ocasião do lançamento, pude ver o show do Paul no Pacaembu e foi uma das grandes noites da minha vida (mas a primeira vez, no Maraca, foi I-M-B-A-T-Í-V-E-L-!). "Hope of Deliverance" é espetacular... Mas, sentimento por sentimento, ainda sou muito mais o "Flowers in the Dirt", disco que, para mim, está no mesmo nível de "RAM" e "Band on the Run".

João Carlos disse...

É um tanto irregular. Tem ótimas canções e outras fracas. Muitas das que sobraram poderiam estar no álbum como Sweet Sweet Memories.

Valdir Junior disse...

Não é o melhor disco do Paul, mas tem boas musicas aí. Tenho também uma ligação afetiva por ele, marcou uma época da minha vida e foi com esse disco que também vi o Paul no Pacaembu, e essa foi a minha primeira vez que eu o vi.