terça-feira, 30 de junho de 2015

DONOVAN LEITCH – ATLANTIS – MARAVILHOSA!


Exatamente no dia 28 de junho, 10 dias depois do aniversário de Paul McCartney, meu grande amigo, irmão, mestre e guru ‘Ivanzinho’ estaria completando 63 anos se não tivesse morrido assassinado com vários tiros à queima-roupa – na porta de casa – exatamente como John Lennon, em janeiro de 2014, em Fortaleza. Um golpe duro, que ainda me balança até hoje! Tudo que aprendi sobre os Beatles e da importância de conhecer todos os grandes mestres, foi com ele. Quando tinha 19 anos e tive que me casar porque a menina estava grávida, assim que consegui um barraquinho para morar, ele foi nos visitar e profeticamente disse absoluto: “Edu, nesses tamboretes, decidiremos os destinos do mundo!”. Saudades imensas... quando fez 60...tomamos um fogo memorável... estávamos juntos quando o pau quebrou no Mané Garrincha no show da Legião Urbana de volta à Brasília. Estávamos juntos no inesquecível show do Peter Frampton e depois no Ringo! Todos os aniversários, trocávamos presentes sempre bacanas, caros e raros, dos Beatles e afins. Infelizmente, seu maior sonho não pôde se realizar, o de ver Sir Paul McCartey em Brasilia, show que aconteceu em 23 de novembro passado. Esse cara, o meu amigo Ivan – de quem encho a boca de orgulho para falar – foi quem me apresentou à beleza das canções de Donovan. Os meus LPs “Living Material World” e “33&1/3” foram presentes dele. Quem primeiro me falou do álbum triplo dos Wings, foi ele. E quando roubei, escutamos juntos pelo menos umas 300 vezes (e isso não é exagero!”). De todos, nosso preferido era o lado 1 do ‘Live Peace In Toronto’. E seu artista preferido era Donovan. Um artsta sem iguais. Obrigado Little Ivan! Onde quer que esteja, a paz do senhor esteja convosco. Amém. Em homenagem especialíssima a você, a gente confere agora a sensacional “Atlantis”. Talvez, o maior sucesso de Donovan. Mas deixando bem claro, que a obra de Donovan vai bem além de “Atlantis” e vale à pena ser conhecida por qualquer um que se diga fã dos Beatles e de todo aquele período louco e psicodélico.

Houve tempos, não tão distantes de Atlantis, talvez quase meio século, que um crítico idiota qualquer, escrevia para uma revista idiota qualquer, sobre algo que não conhecia. Ele escrevia uma resenha sobre o obscuro sucesso de Donovan comparando-o a Bob Dylan, apenas porque tocava música folk da sua terra, tocava gaita e sustentava um violão. Esse mesmo babaca, chegou a rotular o jovem Donovan como “a resposta inglesa para Bob Dylan”. Quanta bobagem. Pior que essa merda pegou como todos os malditos clichês do rock, como “Ringo não sabe tocar”, “Paul McCartney morreu em 1966”, ou que “ele se casou com a herdeira da Kodak”. Nunca entendi porque essa gente tinha tanto essa besteira: “Cliff Richard - resposta inglesa a Elvis Presley”, “Os Monkees – resposta americana aos Beatles”, e por aí vai. Seja como for, para qualquer um que quisesse ver, não havia a menor semelhança entre o doce e cósmico bardo Donovan, com o ácido e cáustisco bardo Dylan. Ora, a única ligação entre os dois era a musica folk, no caso de Donovan, a escocesa, enquanto Dylan ia por um caminho parecido nos Estados Unidos. Mas as semelhanças paravam por aí, enquanto Dylan fazia letras mais políticas, introspectivas e realistas, Donovan seguia trilhas mais alegres, mais etéreas, ligadas ao movimento flower-power, com letras falando de coisas místicas e psicodélicas. Podes crer. Hippie, Hippie. Urra!

Donovan Philips Leitch nasceu em 10 de maio de 1946, em Glasgow, mas mudou-se para Londres rapidamente. Com 18 anos gravou sua primeira demo e em 1965 passou a se apresentar regularmente no programa de TV ‘Ready, Steady and Go’. Logo que lançou seu primeiro single, “Catch the Wind”, as comparações com Dylan começaram. A canção, entretanto, entrou no Top 5 da parada inglesa e rendeu, até uma conversa entre os dois músicos, capturada no documentário Don´t Look Back. O single seguinte, Colours, também se transformou um grande hit e Donovan resolveu fazer sua estreia nos Estados Unidos, durante o Newport Folk Festival, em 1965. No ano seguinte lançou Fairytale, seu segundo e último trabalho pela Hickory. No mesmo ano assinou com a Epic, pela qual lançou o álbum “Sunshine Superman”, recheado de arranjos exóticos e psicodélicos. Seu primeiro single, a faixa título, chegou ao topo das paradas nos Estados Unidos e na Inglaterra, com “Mellow Yellow” em número dois poucos meses depois.

Em 1967, Donovan volta às paradas, com uma série de hits, como “Epistle to Dippy”, ”There Is a Mountain” e “Wear Your Love Like Heaven”. Foi quando na ‘swingging London’ conheceu Paul McCartney, os Beatles e companhia ilimitada – e em 1968 partiu com eles para mítica viagem à Índia para estudar meditação transcendental com o Maharishi Mahesh Yogi. Muitos estudiosos dos Beatles, como Mark Lewisohnn afirmam que foi durante a estada na Índia, que Lennon e McCartney aprenderam, com Donovan, a dedilhar os violões. A viagem à índia inspirou Donovan a deixar as drogas e a exercitar ainda mais a prática da meditação. De volta à Inglaterra, gravou um disco duplo, “A Gift from a Flower to a Garden”. No ano seguinte mais um sucesso, “The Hurdy Gurdy Man”, que chegou ao Top 5, e fez que “Jennifer Juniper” (Jennifer era (é?) irmã de Pattie Boyd e teve um romance com Donovan na Índia.) tornar-se um hit e foi quando “Atlantis” começou a tocar sem parar.

"Atlantis" é uma canção folk/pop escrita e gravada pelo cantor e compositor britânico Donovan. Foi lançada como single em 1968 e se tornou um sucesso mundial, chegando ao nº 1 na Suíça em 1969, nº 2 na Alemanha e África do Sul, nº 12 no Canadá , e nº 4 na Áustria. Nos Estados Unidos, apareceu como lado B de "To Susan on the West Coast Waiting", que chegou ao nº 7, enquanto no país natal do cantor, o single conseguiu apenas um modesto nº 23. A introdução é um monólogo tranquilo em relação à ideia de que Atlantis foi uma civilização altamente avançada no período antediluviano , e que os colonos atlantes foram a base dos deuses mitológicos dos tempos antigos. Cientes de seu destino, os atlantes enviaram navios para transportar seus mestres para a segurança, e estas pessoas seriam responsáveis por trazer civilização e cultura para os seres humanos primitivos. A música transmite a mensagem de que o amor verdadeiro do cantor pode estar em Atlântida. O tema geral é comum para aquele 1968 flower power: mitologias fantasiosas como o símbolo do movimento de contracultura, com a esperança de que o verdadeiro amor será encontrado se alguma vez Atlantis puder ser alcançada.

Muitos acreditam que Paul McCartney participa de "Atlantis" fazendo vocais de fundo. Quem faz essa alegação é Harry Castleman e o livro de Walter Podrazik "All Together Now: The First complet Beatles Discography", que afirma que McCartney não só forneceu os vocais de fundo, mas também tocou pandeiro na canção. Conversa. O próprio Donovan disse em uma entrevista de 2008 na Goldmine Magazine, que, definitivamente McCartney nunca participou da gravação.

“Way down below the ocean where I wanna be she may be” – esse refrão se repetia depois do meio da música como um mantra. Assim como Paul McCartney também usou esse “efeito mântrico” em “Hey Jude” com os intermináveis ‘na, na, na, na, na, na, na’. "Era a época. Ninguém na verdade, inventou nada. Seguiam apenas uma tendência”. Diria o mais pessimista dos críticos. O fato é que "Atlantis" não foi considerada suscetível de se tornar um hit nos Estados Unidos devido ao seu comprimento e o fato de que o primeiro terço é narrado em prosa e, o terceiro é uma repetição abusiva do refrão, portanto, fora dos padrões radiofônicos. Foi por esta razão que, apesar de seu sucesso na Europa, "Atlantis" foi rebaixada para lado B na América. No entanto, os executivos da gravadora A & R (como sempre!) estavam errados e só perceberam quando a popularidade de "Atlantis" ultrapassou em muito a de seu lado A - alcançando nº 7 na Billboard, e a música em si, tornou-se um hino do movimento hippie que florescia. “And let us sing and dance and ring in the new… Hail Atlantis!

Em 2001, Donovan e a banda pop alemã No Angels regravaram a faixa para os créditos finais do filme da Disney “Atlantis: The Lost Empire”. Mais uma vez lançada como single, entrou no top cinco na Áustria e Alemanha. Donovan está agora com 69 anos, mas aparenta muito mais. Os shows e aparições são raros, mas mesmo assim, tem um número de fãs fiéis que o seguem por onde ele for. Mesmo nos lugares mais distantes e improváveis, como lá no cu do Ceará do Brasil! Bem mais longe do que Atlantis. Existe um disco pirata com 8 faixas gravadas numa demo por Donovan e Paul McCartney em 1969. Nunca tive a graça de ter ou ouvir todas essas gravações, mas sei que elas existem, assim como Atlântida... sempre que consigo um link, está quebrado. Quem souber, a casa agradece. Para terminar, a gente confere uma dessas demos com a raríssima “Heather” – a canção que McCartney fez para a filha de Linda com a participação superespecial de Donovan. Obrigadão Ivanzinho! Forever até o fim! Abração em todos!


"Donovan, foi um dos mais importantes e influentes artistas daquela época. E isso não é exagero. Todos nós devemos muito a ele!". Sir Paul McCartney

3 comentários:

Edu disse...

Soberbo!

João Carlos disse...

A história do dedilhado é verdadeira. Ao menos Paul confirmou.

Valdir Junior disse...

Adorei o post. Tenho grande curiosidade em conhecer a obra do Donovan !!
Valeu Edu !!!